Notas iniciais
Espero que vocês gostem!

Aquilo com toda certeza iria render uma bela dor de cabeça mais tarde. Mas o que esperar quando se coloca em um mesmo ambiente mais de cem jovens eufóricos com a perspectiva de finalmente morar longe dos pais, a independência ilusória tão próxima que quase podiam sentir seu sabor agridoce? O burburinho que logo se transformou em uma confusão de conversas tão altas que Rodrigo se perguntava como as simpáticas senhoras que estavam recolhendo os documentos na frente do anfiteatro conseguiam ouvir quem estavam atendendo (ou os próprios pensamentos) era, no mínimo, previsível.

Recostou-se na cadeira, desconfortável. Naquele ponto, já havia desistido de encontrar alguma lógica na sequência aparentemente aleatória de letras e números exibidas em vermelho na tela atrás do palco, limitando-se a decorar a senha que lhe fora designada em um papelzinho amarelo. Só queria entregar logo sua documentação e ir para a sua nova casa, fumar um cigarro paraguaio em sua nova cama. Poder tranquilizar a sua mãe e garantir que agora ficaria tudo bem.

Não que pudesse ter certeza disso. Na verdade, ninguém podia. Mas era a isso que estava se agarrando desde o momento que prestara o vestibular. Era uma nova cidade, onde ninguém o conhecia, nem sabia (ou precisaria saber) de seu passado. Era a sua segunda chance. Ele conquistara isso. Ele merecia isso.

EC23715. Ainda não era sua senha.

Bom, era sua segunda chance – se não morresse de tédio antes da matrícula.