Ciberlove
4 Capítulo 4
O sol raiava intenso no céu de Beacon Hills, mas a mata em volta ajudava a dissipar parte do calor, tornando não só a temperatura perfeita, como também o dia. Tudo parecia tão bem que Derek tinha certeza que algo ruim iria acontecer, apesar de ele realmente não querer pensar sobre isso agora.
Levantou do colchão que vinha usando como cama nesses últimos meses e, sem se preocupar com mais nada, como roupas, escovar os dentes ou pentear o cabelo, ele saiu para uma volta matinal na floresta. Quem sabe até não conseguiria seu café da manhã?
As estranhas sensações que experimentou na noite passada ainda persistiam nele. A estranha liberdade de ter uma conversa sincera com um estranho o fez almejar por mais liberdade, o fez esquecer algumas das preocupações básicas que ele sempre tomava. Ele queria liberar o lobo em si e aproveitar todo o ar que tinha em sua volta.
Seus músculos se contraindo e relaxando, seu corpo movimentando-se como o de um animal e seu rosto modificado ao ponto de ser irreconhecível e macabro para qualquer ser humano. Sentia-se bem.
Quando voltou para casa foi diretamente tomar um banho frio, já que a casa não tinha energia para aquecimento da água. A água gelada refrescante só melhorou as sensações em seu corpo recém-exercitado. Por um instante ele achou que talvez aquele fosse realmente ser um bom dia em sua vida e que nada daria errado por pelo menos vinte e quatro horas.
Ledo engano.
Assim que se vestiu propriamente e desceu até a cozinha na intenção de tomar seu café pode ver Peter mexendo no computador, sorrindo divertido e quase malicioso para ele. Derek só esperava que ele não estivesse no tal redtube a essa hora do dia.
Seguiu até a cozinha e pegou o cereal que sempre comia, mas fazendo uma careta antipática para que seu tio nem sequer se incomodasse a incomodá-lo com comentários de como aquilo era comida para crianças, não para alfas.
Quando se sentou à mesa velha, lateralmente ao seu tio ainda focado no aparato tecnológico foi recepcionado com um sorriso ainda mais malévolo e as palavras:
- Bom dia, Moonhalo.
Derek se engasgou com a colherada que tinha acabado de colocar na boca, cuspindo parte do conteúdo no chão e em seu rosto a expressão do mais profundo horror. Aliás, ainda pior, a expressão de alguém que tinha sido pego fazendo algo muito, muito vergonhoso e não tinha nenhuma desculpa para dar.
*&*&*&*&*
Stiles foi para a escola com um humor muito suspeito. Tamborilava, agitado, ao volante do jipe azul claro e balançava a cabeça parecendo ainda mais hiperativo que nunca. Scott a seu lado, no tradicional mal-humor-adolescente-de-manhã-de-segunda queria continuar cochilando com o rosto encostado ao vidro da janela.
- Rá! – Stiles falou alto assustando o amigo – Ali está sua pseudo-ex-namorada. Manda um beijinho, vai? Quem sabe ela retribui com aquele olhar de coelho assustado e você melhora essa cara de bunda.
Scott balançou a cabeça. Stiles estava muito esquisito desde o dia anterior. Muito mais esquisito que o normal. Deu de ombros, mas sem perceber seguiu o conselho do amigo e viu que funcionou, o jeito de Alisson ao vê-lo melhorou consideravelmente seu humor.
Mas não era exatamente o seu humor que parecia excelente aquele dia. Stiles assistiu todas as aulas. Veja bem, ele assistiu MESMO às aulas. Não apenas ficou de corpo presente mas com a cabeça em outros lugares mais emocionantes. Respondeu às questões, inclusive do professor de Química e sorriu, intimamente, quando o viu ficando chocado por ele participar da aula e ainda acertar a questão.
- O que está acontecendo com você? – Scott puxou a manga de sua camisa parecendo exasperado demais.
- O que quer dizer? – Stiles devolveu a pergunta, aturdido com o amigo.
- Você tá participando da aula. Do Sr Harris. E ainda acertou a questão! – ele parecia chocado, como se duvidasse da inteligência do amigo.
- Ué, não tem nada demais. A questão era meio óbvia, basicamente ele perguntou qual a fórmula de um coquetel molotov. Todo mundo sabe disso.
- Todo mundo não, Stiles.
O rapaz deu de ombros e tornou a olhar para o quadro, pensando que realmente nem todo mundo conhecia aquela fórmula, mas com certeza se perguntasse a moonHalo ele saberia sem pestanejar, inclusive quantas vezes sacudir o tudo de ensaio para que a mistura não estourasse em sua mão.
E se Scott já achava que seu amigo havia sido abduzido, possuído por um espírito maligno, batido a cabeça a noite e ficado completamente insano, a sensação piorou quando, após o treino de Lacrosse, ele o ouviu cantando no chuveiro. Não uma música qualquer. Ele cantava:
- Baby I can see your halo, you're my saving grace.
- Que porra é essa? – Jackson parou ao lado de Scott, a toalha enrolada ao redor da cintura.
- Nem adianta perguntar, to tentando entender desde ontem.
Isaac se juntou aos dois e ficaram os três ali, olhando o rapaz que até ensaiava uns passinhos enquanto berrava Beyonce desafinadamente. Ele desligou o chuveiro, puxou a toalha para se secar e virou, dando com os três pares de olhos inquiridores.
- O que? Não se pode mais cantar nesse vestiário não?
E ele saiu andando, passando pelos amigos enquanto secava os cabelos, ainda cantarolando "halo, halo, halo..."
Fale com o autor