Ciberlove
13 Capítulo 13
- Você tem que ir para o hospital. — Derek afirmou assim que o riso se dissipou do cômodo.
- Hospital? Eu já estou ótimo, devidamente medicado e com os curativos limpos. Vou fazer o que no hospital?
- Ser devidamente cuidado e medicado por um médico de verdade. — Derek ironizou — Eu levo você. — ele falou já chegando mais perto de Stiles e se propondo a carregá-lo como havia feito na mata.
- Opa! O que pensa que está fazendo? Eu sei andar, ok?
- Mas você ainda não está bem. — ele insistiu como se fosse óbvio.
E ele saltou da maca, mas não conseguiu esconder uma careta de dor. Alguma, ou melhor, algumas costelas deviam estar partidas.
- Ok, pode ser que eu não esteja 100% — ele tentava se fazer de forte — Mas o que você vai dizer lá no hospital? "Olha, meu tio usou as garras pra arrancar o ombro do meu namorado"?
Derek olhou para o rapaz por alguns segundos, com os olhos confusos e inquisitivos, depois sorrindo convencido com a situação.
- Namorado?
- Anh? Eu não... Não quis dizer... Ah foda-se, eu e minha boca grande! Vamos logo pra essa porcaria de hospital.
Derek sorriu de novo, não recusando o título que havia ganhado e ciente de que eles não tinham tempo para tal, porque Stiles parecia realmente precisar de um médico, vários exames e um possível repouso eterno depois do que ele tinha passado.
Apoiou uma das mãos na cintura dele e passou seu braço por cima de seu ombro, firmando-o e dando segurança para que ele pudesse andar.
Chegaram em tempo recorde ao hospital, Stiles cada vez mais constrangido por ser praticamente carregado pelo lobisomem como se não pesasse mais que uma criança de cinco anos.
Derek não precisou de muito esforço para ser atendido, bastou um sorriso para a recepcionista do hospital e imediatamente uma cadeira de rodas apareceu e uns dois médicos mais seis enfermeiras foram chamados para acudi-los.
- Você sempre precisa fazer isso? — Stiles resmungou — Usar esse sorrisinho torto pra conseguir as coisas?
- Só quando você está em perigo. — ele retrucou usando o "sorrisinho torto".
Stiles engoliu em seco e virou a cara. Não queria que Derek percebesse o quanto aquele sorriso fazia mesmo efeito.
Antes que chegassem à sala de consulta do pronto atendimento, a mãe de Scott os avistou e veio correndo ver do que se tratava.
- Stiles? Onde está Scott? Ele está bem? Jesus! Você parece horrível! O que aconteceu com você, querido? — ela disse enérgica olhando atentamente para o rapaz, parecendo nem sem sequer notar Derek.
- Eu to bem. Acredite. Scott está em algum lugar seguro e feliz, eu imagino. — ele respondeu com uma careta, sabendo que agora estava ferrado, ela com certeza chamaria seu pai.
- Ele está com Allison, não? — ela deu um sorriso mal disfarçado — Venha, eu irei te levar até o seu quarto e depois ligar para o xerife avisando que o filho dele apareceu no meio do meu turno. E nem adianta fazer essa cara, mocinho, eu vou chamá-lo. — ela acrescentou antes que ele pudesse protestar.
A residente plantonista que veio cuidar dos primeiros socorros trocou algumas palavras muito amigáveis com Derek, elogiando o trabalho bem feito nos machucados de Stiles. Trocou as bandagens rapidamente e parecia tão distraída com o lobisomem que sequer se lembrou de perguntar o que havia provocado os cortes no ombro, os hematomas pelas costas e abdômen e as três costelas fraturadas identificadas no raio x.
O adolescente revirava os olhos, impaciente com aquele flerte desnecessário. Assim que a moça saiu do quarto, após aplicar a medicação intravenosa e o soro, ele falou:
- Ótimo, agora que você já marcou um encontro pra amanhã com a doutora acho melhor ir embora daqui antes que o meu pai chegue.
- Você está com ciúmes. – Derek afirmou, puxando uma cadeira e sentando perto de Stiles, que fazia força para manter a cara fechada.
- Não tem nada a ver com ciúmes, ok? – e sua voz um tom mais alto do que ele pretendia acabava lhe traindo.
Derek riu, realmente se divertindo com a situação e se sentindo lisonjeado por Stiles ter ciúmes dele. Esticou o braço, pegou uma das mãos do garoto e segurou entre as suas, apoiando seu queixo nelas.
- Você está com ciúmes, sim. E nem adianta tentar disfarçar, porque daqui a pouco a sua boca grande vai acabar falando alguma coisa e te entregar.
Stiles fez uma careta, mas sabia que era verdade. Tanto a parte do ciúme quanto da boca grande.
- Ok, admito. Mas eu tenho razão. Estamos juntos a menos de uma hora e você já flertou com duas mulheres na minha frente.
- Eu não flertei. Eu usei meu poder de alfa para confundi-las, apenas para evitar perguntas desnecessárias.
- Sei. Eu vou fingir que acredito, mesmo porque esse remédio tá me deixando com preguiça de pensar.
- Você quer dormir um pouco? Pode descansar. Eu fico aqui com você. – Stiles sorriu de um jeito bobo, deixando que Derek ajeitasse seus travesseiros.
Ele sentou-se na beirada da cama agora, tornando a segurar uma das mãos do adolescente quando a porta do quarto se abriu de um jeito brusco e o xerife Stilinski entrou aflito.
- Stiles! Filho, o que houve?
Ele parecia nem notar a presença de Derek no quarto.
- Oi, pai. Não foi nada.
- Nada? E você veio pro hospital fazer turismo? Quer me matar de susto? Pode se explicar, rapaz.
- Xerife, — Derek entrou no meio da conversa – realmente não foi nada demais. Apenas um acidente de rapel hoje a tarde.
E só então o homem se deu conta da presença de Hale e o que antes podia ser descrito como aflição, se transformou em um furacão de raiva.
- O que você está fazendo aqui? Foi você que levou meu filho pra se quebrar todo sei lá em que buraco? Eu podia prender você por agressão, ok?
- Pai... – Stiles chamou com a voz levemente enrolada.
Mas o xerife não escutou e continuou xingando Derek que não respondia, apenas respirava fundo e pensava que o homem ali devia ter razão em pelo menos metade das acusações.
- Pai! – Stiles chamou mais alto, agora sim conseguindo a atenção que queria – Pare de gritar. Eu to bem, de verdade. E a culpa não foi de Derek, ele na verdade me salvou e me trouxe para cá.
O xerife ainda respirava fundo, olhando do filho para Hale. Sentia o suor escorrer de sua testa, nervoso e preocupado. Andou até a cama, ficando o mais próximo possível de Stiles, para falar de um jeito que Derek não escutasse.
- Filho, você tem certeza? Ele não... não te fez nada de ruim?
- Tenho pai.
Stiles agora piscava devagar, mais sonolento do que podia aguentar e acabou adormecendo com um sorriso no rosto e a mão segurando a de Derek.
- Bom, obrigado então, Hale. – o xerife esticou a mão para cumprimentar Derek e falou – Pode ir para sua casa agora. Eu cuido do Stiles.
Mas Derek não retornou o cumprimento com a mão certa. Esta estava presa entre os dedos do rapaz adormecido. O pai do rapaz ergueu uma das sobrancelhas, analisando a situação e logo balançou a cabeça.
- Se o senhor não se importar, prefiro ficar por aqui. Sabe, eu realmente não machuquei o Stiles, mas me sinto responsável.
Stilinski meneou a cabeça, achando razoável a colocação. Puxou a outra cadeira do quarto, se acomodou e ficaram os dois homens em silêncio, observando o sono do rapaz.
Já fazia pelo menos umas três horas que Stiles havia adormecido. Acordou sentindo-se realmente menos miserável embora a dor não tivesse passado. A audição bem treinada de Derek o fez acordar também com o primeiro suspiro do namorado e ele saltou para ajudar Stiles a se erguer da cama e ir até o banheiro. Esperou do lado de fora e só quando o ajudava a se deitar novamente é que o xerife acordou.
Acordou, mas preferia pensar que continuava dormindo. Teve a impressão de ver Hale acariciando o rosto de seu filho e logo depois Stiles sorrindo mais do que na primeira vez que Lydia havia lhe cumprimentado. Não, aquilo não havia acontecido, era um sonho. Um pesadelo.
Espreguiçou em sua cadeira, fazendo muito barulho e falou que precisava de um café.
- Eu busco. – Derek se prontificou e Stiles olhou assustado, afinal, Derek Hale não tinha o hábito de se prontificar para nada que não envolvesse murros e risco de vida. Mas ele havia falado sério e já saía do quarto quando se virou e disse – Eu não demoro, tá?
E sem conseguir evitar, sem nem mesmo lembrar que seu pai estava a menos de dois metros de distância, ele apenas respondeu com um sorriso.
O xerife passou as mãos pelo rosto mais uma vez, levantou da cadeira, deu uns passos no quarto e se aproximou do filho, dando um tapinha na perna do garoto enquanto sentava na cama.
- Stiles, filho. – chamou meio embaraçado – Você sabe que eu te amo, certo?
- Eu sei pai.
- Pois é. E sabe que eu sou seu amigo também?
- Aonde você quer chegar?
- Olha, é que eu acho que ás vezes você pode ter alguma coisa importante para me contar.
- Oh! – ele exclamou, meio que pego de surpresa.
- É. "Oh!" – o xerife repetiu – Então, eu queria te pedir isso. Que se tiver alguma coisa que você queira me contar, por favor NÃO me conte.
- Não contar? — Stiles estranhou as palavras do pai. – Antes você queria que eu contasse tudo, pai.
- Então, repensei nossas regras. Acho que fica melhor mudarmos o artigo para que você apenas me conte aquilo que pode te machucar. O que te faz feliz, bem, eu não preciso saber os detalhes. Combinado?
Stiles apenas sorriu entendendo que seu pai procurava lidar da melhor maneira possível com o modo como as coisas estavam acontecendo. Nesse momento Derek entrou com um copo grande de café para o senhor Stilinski e uma barra de chocolate para Stiles. Acomodou-se ao lado do rapaz, ajudando-o a abrir a embalagem e partindo os pedaços de chocolate ao leite.
Algum tempo depois, Stiles recebeu alta e mais uma vez Derek fez questão de cuidar do bem estar do garoto. E sem que ninguém questionasse nada, subiu as escadas do quarto que ele já conhecia carregando Stiles no colo.
Quando Derek finalmente aceitou ir pra casa, tomar banho, colocar uma roupa sua (afinal a camisa de botão que Deaton havia lhe emprestado não dava certo em seu corpo), o xerife preparou uma sopa para o filho e subiu as escadas.
Observou Stiles comer e se ajeitar para fazer mais repouso. Deu uma geral no quarto, catando as roupas e outras tralhas espalhadas pelo chão e jogando tudo dentro do guarda-roupa. Quando ia sair do quarto, olhou Stiles relaxado e falou:
- Sabe, filho. Eu sempre pensei que quando chegasse essa hora você encontraria alguém a sua altura. E ele, bem, não é exatamente o que eu acho que você merece. Mas antes ele do que o Scott.
E saiu para a cozinha, deixando Stiles rindo e pensando que ninguém, além de Alisson achava que Scott poderia ser um bom partido.
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