Ciberlove
12 Capítulo 12
Derek correu por algum tempo até se dar conta que seu tio havia chegado à mansão pela porta da frente. Não pela floresta. E conhecendo a mente perturbada de Peter, sabia que ele não iria facilitar. Stiles deveria estar consideravelmente longe dali já que o prazo que ele lhe deu era de pelo menos umas seis horas.
Ele não deu nenhuma pista, apenas falou que Stiles estava sofrendo. Ele trincou os dentes, mudando de direção, enquanto uma ideia passava por sua mente.
Apesar de ser sexta-feira, o movimento na cidade não era tão grande. Um parque de diversão instalado na última semana havia atraído a população para a autoestrada. Assim, ele pode se aproximar do Starbucks novamente, tentando refazer o caminho que ele lembrava ter visto Stiles tomar.
O jipe do rapaz continuava no estacionamento e ele parou ali alguns segundos para reavivar sua memória olfativa. Andou até o meio da rua, tentando farejar no ar algum traço do perfume que o adolescente usava.
Estava muito fraco, mas estava ali. Aquele cheiro dele com notas amadeiradas, amaciante de roupas e loção pós-barba que ele não entendia por que um rapaz que quase não tinha pelo nenhum no corpo poderia querer usar.
Queria correr mais rápido, mas tinha medo de perder o rastro. Concentrava-se no cheiro, que sumia vez ou outra e lhe deixava perdido, até que chegou ao parque. Completamente deserto e mal iluminado. O tipo de lugar que Peter adoraria. E ele pensou em outro lugar ideal para o tio, deserto, mal iluminado com sete palmos de terra por cima.
E pra seu completo desespero, o cheiro de Stiles sumia ali. Derek uivou, frustrado, socando uma árvore qualquer. Esse era um dos dons de Peter que Derek havia esquecido completamente. Ele era excelente em encobrir rastros e confundir cheiros. Uma habilidade muito peculiar que poucos de sua família possuíam.
Era proposital, ele sabia. Peter não deixaria que Derek tivesse um pedaço de roupa de Stiles se isso o ajudasse a encontra-lo. Não, ele trataria de encobrir o cheiro de Stiles de qualquer jeito, mesmo que fosse com seu próprio cheiro.
E com esse pensamento, Derek sorriu. Peter não conseguiria encobrir o cheiro dos dois em tão pouco tempo. Concentraria então no cheiro de seu tio, e já que não tinha outra opção, partiria da mansão novamente.
No que seria o quintal da casa em ruínas, Boyd já se orgulhava de seus 100 dólares por ter encontrado seu relógio. Peter comentava com ele técnicas de rastreamento quando Derek chegou, o agarrou pelo colarinho e bufou em seu rosto, o jogando para trás novamente e correndo para a floresta mais uma vez.
O cheiro de Peter era forte por ali e Derek usava de toda sua habilidade para correr, desviando de árvores e outros obstáculos no caminho. O único obstáculo que não conseguiu desviar foi um que surgiu do nada, saltando bem a sua frente, colidindo com ele e fazendo os dois rolarem pelo chão.
Derek levantou-se ainda mais irritado, rosnando, partindo para a cima do oponente até perceber que se tratava de Scott.
- Some. – foi tudo o que falou e voltou a correr.
Mas Scott nunca obedecia ao alfa e, apesar de não ser o mais inteligente do bando, conhecia Derek o suficiente para saber que ele não estava ali participando da brincadeira. Alguma coisa séria acontecia e dois lobisomens juntos poderiam ser mais fortes para lidar com qualquer situação. Esperou o alfa correr mais um pouco e seguiu em seu encalço.
Derek não percebeu que estava sendo seguido, ia rápido demais, concentrado demais no cheiro de Peter na floresta e parou, completamente atordoado, diante do local onde havia estado dois meses antes, enfrentando um wendigo justamente para salvar Stiles.
- Peter, você vai morrer. De novo. Pra valer! – ele rosnava, enquanto abria a grade para o mausoléu. – Se ele estiver mal, é bom que você não esteja na mansão quando eu voltar.
- Outro wendigo? – a voz de Scott atrás de si o assustou – E quem pode estar mal?
- O que faz aqui? – Derek se virou, os olhos tão vermelhos que chegavam a brilhar assustadoramente no escuro.
- Eu te segui, achei que podia precisar de ajuda. – Scott respondeu, dando de ombros, sem se deixar intimidar.
- Vá embora, Scott. Isso é assunto meu.
- Olha, se for outro wendigo, você sozinho não vai...
- Não tem wendigo! – ele gritou – Não tem wendigo, só tem o psicopata do meu tio que trancou o Stiles em algum lugar.
- Stiles? – Scott ficou pasmo – Como assim? Por quê?
- Não vou te explicar agora. Não tenho tempo pra isso.
E sem falar mais nada, entrou no mausoléu já conhecido, repassando os caminhos até o local em que o wendigo aprisionava suas vítimas.
A raiva pulsava intensa em suas veias, as garras e as presas tão afiadas quanto era possível. Ele realmente desejava que Peter estivesse a espera dele quando ele voltasse, porque nada no mundo o impediria de matá-lo se ele tivesse de fato machucado Stiles. E o cheiro do sangue do rapaz que lentamente foi invadindo suas narinas o deixou ainda mais descontrolado.
A mente de Derek dividia-se entre a raiva latente e a culpa, as duas constantes de sua vida. Mais uma vez Stiles foi envolvido em uma situação perigosa e foi ferido por culpa dele. Era ridículo tentar se convencer que havia uma possibilidade para eles, porque Derek arruinava tudo aquilo do qual se aproximava.
Apesar do forte cheiro de sangue, a princípio não notou nenhuma presença e já começava a pensar que tinha se enganado quando uma luz azulada brilhou no outro túnel de acesso e Scott aparecia mais uma vez com o celular iluminando o local.
Num canto, junto a um amontoado de ossos e pedras, eles avistaram Stiles caído, os olhos fechados. Scott deu um passo a frente para chegar ao amigo, mas Derek saltou na frente dele, rosnando e tomando a frente, até se ajoelhar ao lado do garoto.
A pele do rapaz estava pálida, a respiração e seus batimentos apresentavam-se em um ritmo tão lento que apenas sua audição lupina conseguia dizer que eles ainda não tinham cessado por completo e para completar a visão horrenda havia uma mancha de sangue no resto de blusa que Stiles usava, misturando-se ao vermelho da camisa e se acentuando nas listras brancas.
O olhar de Derek foi de alfa raivoso para humano aterrorizado em apenas alguns segundos. Sua aparência humana tornava sua expressão ainda mais ferida, podia-se quase tocar o emaranhado de sentimentos que o cercavam.
A garganta parecia ter se fechado subitamente, seus músculos cardíacos pulsavam sangue de maneira descompassada e irregular. Sua boca estava levemente aberta em espanto, enquanto sua respiração parecia ter estagnado no momento em que viu o corpo do rapaz.
Derek pegou a mão de Stiles que pendia largada pelo chão antigo e sujo, sentiu o contraste da pele extremamente fria com seu corpo quente. E um peso súbito manifestou-se em seu peito, ele não sabia se por culpa, raiva, tristeza ou desolação, mas ele tinha certeza que poucas coisas em sua vida doeram tanto sem ter lhe machucado fisicamente também.
- Derek! – Scott percebeu o estado de inércia que assomou o alfa, e o chamou nervoso, enquanto conferia o pulso do amigo – Sua pulsação está baixa, mas pelo menos ele ainda está vivo. Não sabemos o que ele tem, mas se o levarmos agora, teremos mais...
E o rapaz não precisou acabar de falar, pois Derek Hale já havia tirado sua camisa, vestido no rapaz e erguido Stiles do chão, e agora o carregava pelo caminho de volta como se fosse uma criança pequena. Realmente o corpo de Stiles estava gelado e ele o abraçava com força tentando, em vão, aquecê-lo.
Scott o alcançou na saída do mausoléu, passou a frente para abrir a grade e deixa-lo sair com Stiles ainda em seus braços. Notou que a dor nos olhos de Derek não diminuía e não conseguia, por mais que tentasse, entender aquele sentimento. Talvez devesse dar a ele um pouco de privacidade.
- Eu vou na frente. Pegar o carro para levarmos o Stiles a algum lugar para ser tratado, ok? Talvez o Deaton, ele já está acostumado com a gente.
Derek não respondeu, mas Scott sabia que ele havia concordado. Começou a correr, não sem antes notar que o alfa mantinha os lábios contraídos. Não era pelo peso de Stiles, que para Derek seria relativamente leve. Ainda mais confuso, Scott percebeu que Derek fazia força era para não chorar.
Mantinha seus olhos arregalados e a mandíbula pressionando seu maxilar para se impedir de chorar. O corpo em seus braços era tão leve e parecia tão sem vida, totalmente em desacordo com a presença grandiosa, barulhenta e inquieta do rapaz. O silêncio que se espalhava por toda a extensão da mata fazia tudo parecer ainda pior.
Não havia um inimigo para ele se concentrar, não havia uma ferida física em si sangrando e provocando dor para desviar da dor que aquela situação causava. Como se tudo tivesse sido planejado para fazê-lo sentir cada minuto daquilo de forma ainda mais afiada e profunda.
Ele não parava de andar, no entanto. Não diminuía seu ritmo e não tinha nenhuma dificuldade em se desviar de quaisquer galhos e pedras que estavam no caminho. Em sua mente estava o pensamento fixo de que ele deveria salvar Stiles, ele não poderia perdê-lo, não daquela forma.
Mesmo que quando Stiles acordasse lhe dissesse que nunca mais queria ver Derek ou ter nada a ver com ele, o lupino sabia que esse era um perder menos insuportável que o de ter que perdê-lo para a morte, como tantos outros em sua vida.
O fardo sobre seu peito parecia mais pesado do que antes e sua garganta secava a cada passo que dava, mas ele continuou caminhando com a expressão machucada em seu rosto, tentando conter os sentimentos.
Até que tudo se tornou pesado demais para que ele pudesse suportar. A ideia de que não conseguiria salvá-lo assim como não pode salvar sua mãe, seu pai ou sua irmã tomaram conta de sua mente. E com esse pensamento, as lágrimas desceram marcando seu rosto e pingando na face de Stiles.
Derek lembrava-se vagamente de ter prometido que nunca mais iria deixar alguém se infiltrar tão profundamente em sua vida; de que nunca mais derramaria uma lágrima, porque ele já tinha vertido lágrimas demais para uma existência; de que não deixaria mais nenhum dos seus se machucarem por culpa dele. E agora todas as suas promessas se quebravam de uma vez e seus sentimentos contidos escapavam em forma de água, descendo, descendo, descendo e encontrando o corpo frio do rapaz.
Não soube dizer ao certo quanto tempo levou para alcançar a mansão e tampouco, aquela altura, já não se importava por ser visto tão sensibilizado. Passou por todos os presentes sem dar uma explicação. Scott e Alisson já estavam com o carro ligado à sua espera. Colocou o corpo do rapaz no banco de trás e entrou junto, acomodando-lhe a cabeça em seu colo.
Ele não disse uma palavra durante o trajeto da mansão até o consultório de Deaton. Estacionaram na parte de trás da clínica, onde o veterinário já aguardava com a porta aberta. Scott ajudou a descer Stiles do veículo, mas foi Derek quem mais uma vez o carregou.
E foi Derek quem ficou andando de um lado para o outro atrás de Deaton enquanto este examinava o rapaz, fazia os curativos e dizia que ele não tinha quebrado nada e seu torpor se devia, obviamente, a algum sedativo. Mas que pelo aumento dos sinais vitais já devia estar passando o efeito.
Derek não piscava, não se movia, se fosse possível teria ficado até sem respirar nas três horas que permaneceu em pé ao lado da maca em que Deaton acomodou Stiles, para esperar o efeito do sedativo passar. Nesse intervalo, Scott avisou o xerife que o amigo dormiria em sua casa o fim de semana inteiro e tentou trocar de lugar com o alfa na vigília ao lado do enfermo. A única resposta que obteve foi um rosnado significativo e ele não teve alternativa além de ficar na sala de espera, cochilando no colo de Alisson.
A claridade mesmo indireta da sala incomodou Stiles quando ele tentou abrir os olhos. Sentia como se a luz desse pequenas fincadas em suas pupilas e franziu a testa, enquanto tentava sentar.
- Stiles! – Derek sussurrou, apreensivo, observando o rapaz dar sinal de vida.
O adolescente gemeu com a dor no ombro que foi dilacerado pelas garras de Peter. O alfa correu a passar o braço por trás das costas dele, ajudando-o a se levantar.
- Você está bem? O que está sentindo? Quer água? – perguntava rapidamente e em voz baixa. Não queria que mais ninguém soubesse que ele havia acordado porque não queria ter que dividi-lo com os outros. Pelo menos não enquanto não se desculpasse.
Stiles sentia-se atordoado. Flashes com as lembranças de suas últimas horas vinham desconexos em sua mente e ele ainda piscava muito, se reacostumando com a luz. Levantou a mão tremendo ainda, e fez um gesto para que Derek parasse de falar.
- Eu to bem. Pode ir embora. – ele respondeu, um nó na garganta se formando, e sentindo a necessidade de fechar os olhos novamente para não chorar.
- Não. Não vou sair daqui.
- Derek, você não precisa ficar aqui. Não foi sua culpa e...
- Claro que foi minha culpa, foi Peter quem fez isso.
- E você é o responsável por tudo que a mente perturbada do seu tio faz. Muito sensato. Agora é sério. Pode ir cuidar da sua vida. Você não tem que estar aqui por obrigação, ok?
- Mas é minha obrigação, Stiles. Eu não posso deixar que outra pessoa com quem eu me importo morra de novo. Especialmente por ele. — ele rosnou ao pensar no tio.
Sua expressão estava menos preocupada agora que Stiles tinha acordado e parecia bem, apesar dos rastros das lágrimas ainda marcarem seus olhos. Ele conseguia respirar agora. As palavras de Stiles o deixaram magoado, porque não era possível que o rapaz acreditasse que, depois de tudo que eles tinham divido um com o outro, Derek não se importava com ele.
- Derek, por favor... Será que você não enxerga? É isso que eu não quero. Eu não quero ser uma obrigação.
Stiles sentia o braço machucado arder, alguns músculos também pareciam ter sido atingidos por qualquer coisa mais forte que um taco de beisebol. Mas o que mais lhe doía era o coração, e cada palavra de Derek fazia com que o corte em seu peito se abrisse mais.
- Olha, eu entendo, você se decepcionou ao saber que era eu. Tudo bem, eu também teria me decepcionado se encontrasse comigo mesmo naquele lugar. Eu fiquei meio abalado, mas isso não te coloca como se tivesse que me proteger de qualquer coisa por puro remorso.
- Por que você acha que eu fiquei decepcionado? Se alguém tinha qualquer razão para se decepcionar era você. — seu tom de voz era diferente do tom que Stiles estava acostumado a ouvir, aquilo era mais próximo ao que moonHalo diria do que Derek Hale.
A verdade era que Stiles queria inverter o jogo, deixar o lobisomem livre para fugir da situação ridícula de ter se envolvido virtualmente com um adolescente problemático feito ele. E queria que ele saísse dali o quanto antes, para finalmente poder chorar sua mágoa e fazer as pazes com a sua amiga solidão.
- Não é óbvio? Olha só pra você. E olha pra mim. O que eu sou? Só um adolescente hiperativo, pateticamente desesperado que se apaixonou por uma pessoa que nunca vai estar nem aí pra mim.
E agora Stiles chorava sem nenhuma vontade de se esconder. Foda-se, ele pensava, já estava tudo perdido mesmo, podia demonstrar suas fraquezas.
- Stiles. — ele chamou e esperou o rapaz olhar para ele, o que levou alguns longos segundos — Eu me importo com você. Eu sempre me importei com você. Eu não teria te salvado se eu não me importasse. E foi inesperado descobrir que era você? Foi. Mas em nenhum momento eu me decepcionei com isso. — ele tocou o ombro dele — Triskalia ou Stiles, quem eu chamei para sair foi a pessoa que conversou comigo todos os dias nesses últimos dois meses.
O garoto respirou fundo, sentindo o toque de Derek em seu ombro. Virou o rosto para o lado oposto, não queria senti-lo tão perto assim.
- Você disse que se preocupa com o tanto que o Peter me machucou? Mas quer saber, isso não dói tanto quanto pensar que esses dois meses foram em vão.
Derek temia a reação do rapaz, sabia que não teria como fazer o rapaz aceitá-lo. Ele era mais problema do que Stiles poderia suportar. E novamente o peso imaginário se punha sobre seu coração e o sufocava.
- Em vão? Foi tão horrível assim descobrir que eu sou moonHalo?
- Horrível? Claro que foi horrível! Você é muito mais do que eu posso querer pra mim, ok? Você é forte, e inteligente, e é bonito, sabia? E eu odeio a minha boca grande por falar mais do que deve.
Stiles coçava a cabeça e praguejava mentalmente por estar preso à maca. Queria poder andar pela sala e sair de perto de Derek que continuava segurando seu ombro.
Então, o peso se esvaiu um pouquinho quando sua mente entendeu que tudo que Stiles estava era fazendo o mesmo que ele: acreditando não ser bom o suficiente para o outro. Azar os uniu e falta de confiança neles mesmos era o que estava prestes a separá-los.
- Eu sei que vou ter que conviver com você por causa do Scott e tal, mas eu preciso que você vá embora, ok? Preciso de uns dias pra esquecer isso. Prometo que vai ser como se nada tivesse acontecido, tá? Sou muito bom em fingir que não tô sentindo nada.
Ele tocou o rosto do rapaz e o forçou a olhá-lo mais uma vez em seus olhos. Stiles reparando uma vermelhidão com pouca intensidade nos olhos de Derek. Tentou desviar o rosto, mas o lobisomem o manteve parado.
- Eu não quero que as coisas voltem a ser como antes.
Stiles sentiu o coração descompassar dentro do peito. Aquele toque, aquele tom de voz causavam uma reação em seu corpo que ele queria a todo custo evitar.
- Você não quer... você prefere que eu suma?
Stiles estava sendo propositalmente obtuso. Porque afinal, ali era Derek Hale falando e era impossível que as palavras dele significassem outra coisa.
- Eu quero que você fique. E que pare de se fingir de burro, porque eu sei que você não é, e eu estou sendo bem óbvio aqui. — ele comentou com um rolar de olhos.
- Oh! — foi tudo o que Stiles conseguiu falar, antes de sorrir timidamente — Ok, então. Eu fico.
- Bom. — Derek sorriu e sentindo-se contente e leve, assim como horas atrás antes de todos os acontecimentos não previstos da noite.
Ele se aproximou mais um pouco de onde Stiles estava sentado, ainda com a mão segurando o rosto dele. Inclinou o corpo para frente lentamente, mostrando qual era a sua intenção, mas dando tempo suficiente para que Stiles se desviasse caso não estivesse de acordo.
E antes que Derek previa, Stiles acabou com a distância entre os dois e o beijou. Sem nenhuma dúvida, sem nenhuma incerteza. Um beijo totalmente apaixonado e forte, capaz de traduzir exatamente o que ambos sentiam ali. As mãos de Derek desceram do rosto de Stiles para envolver o corpo do rapaz com um abraço quente e protetor, enquanto o mesmo agora segurava a nuca do alfa com uma das mãos e os cabelos com a outra. Eles respiravam fundo e suspiravam sem soltarem os lábios e Derek já apertava a cintura de Stiles, esquecendo que ele estava machucado, quando um baque surdo ecoou na sala.
Os dois se soltaram e olharam para a porta, vendo o celular de Scott caído no chão e o lobisomem com a boca aberta, os olhos arregalados, completamente em estado de choque. Ao lado dele, Alisson sorria sem graça, abaixando-se para pegar o aparelho que havia caído.
- Ah, bem, você acordou. – ela disse, com um tom de voz bastante constrangido – Eu vou... vou levar o Scott pra casa. E, bem... Ok... Assim, eu não vi nada. E nem o Scott. Amanhã eu digo que ele sonhou.
Ela virou de costas, o rosto vermelho de vergonha, puxou o namorado pelo braço que foi andando sem fechar a boca, piscar ou esboçar qualquer reação.
- Eu ia desejar melhoras, Stiles. Mas, acho que melhor que você está é impossível.
Ela piscou divertida para o amigo e acabou de sair da clínica, fechando a porta trás de si. Os dois ficaram em silêncio, ouvindo a garota abrir a porta do carro, provavelmente para colocar o namorado dentro. E depois arrancar com o veículo. E quando o silêncio voltou a tomar conta do lugar, Stiles e Derek se entreolharam. E começaram a rir, muito, exatamente do mesmo jeito que riam quando conversavam pela internet.
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