Chuva cinza
10 Capítulo 9 - Faces
Notas iniciais
Estou parada em frente à porta de entrada. Respiro fundo, e coloco as mãos sobre a maçaneta. Fecho os olhos, a girando lentamente, abrindo a porta.
E lá estão eles, meus pais e Tia Marta; sentados na mesa, que dividia a sala da cozinha. Ao que parece, estavam conversando alegremente, até notarem minha presença. Então logo param o que estavam fazendo, e voltam o olhar para mim.
Não queria encara-los. Não mesmo; pois se fizesse isso, ou demostraria um rosto triste, como se fosse chorar a qualquer momento; ou tentaria parecer brava. Porém, isso seria forçar de mais. Então, eu tento esboçar um sorriso simpático, e digo:
–Oi. — falo quase sem expressão, junto à um pequeno aceno.
Uma pausa se inicia, e eles continuam me encarando. Mas, antes que parecesse bizarro, minha mãe quebra o silêncio:
–Querida! — ela diz, e logo me abraça.
Um abraço bem forte por sinal; o qual, sentia muita falta nos últimos meses. E sem esforço algum, porém não querendo demonstrar; acabo sem sucesso, retribuindo o abraço; e com muito mais força. Até fecho os olhos, com tamanha satisfação. Acho que minha mãe estava confusa para com essa minha reação. Porém, logo fez o mesmo, me abraçando ainda com mais força; papai logo se juntou à nós, e nos abraçou também.
Foi então que percebi; estava sendo muito orgulhosa para admitir, que isso, me fazia bem, e muito! Eu me sentia segura e amada novamente.
Depois de um tempo assim, eu abro os olhos, e enxugo uma pequena lágrima que descia quente, por entre minhas bochechas frias. Meu pai dá um beijo em minha testa, enquanto mamãe acaricia meus cabelos, de um jeito, que só ela sabia fazer.
E logo me sento junto à eles na mesa; torcendo para que não tocassem no assunto do telefone. Eu não queria me lembrar daquilo; e acho que meus pais também não. Então começamos:
–Aonde estava Maria Júlia? — pergunta tia Marta, como sempre, muito preocupada.
–Ah... — começo. — Estava andando por ai... — falo desencanada; porém mamãe logo lança seu famoso olhar, me obrigando à dizer. — Na verdade, estava na cachoeira com, André... — digo desviando o olhar.
–André? — pergunta papai confuso, e meio nervoso.
–Sim, meu amigo. — consigo dizer confiante. — Porquê, algum problema? — pergunto normalmente, após perceber a expressão com que tia Marta olhou para minha mãe.
–Não, não querida. — fala minha mãe com um sorriso, e continua após uma pequena pausa. — E qual seria essa cachoeira? — pergunta tentando não parecer curiosa, ou preocupada, porém, se percebe que ela sentia os dois.
–Ah, não sei ao certo... — digo passando os dedos por entre as bordas do copo que estava em minha frente.
–E esse tal André. — começa papai de um jeito engraçado, parecendo que queria tocar neste assunto o quanto antes. — Quando iremos conhece-lo? — diz tentando soar de um jeito normal.
–Peraí. — digo com um ar pensativo. — Vocês... Vocês querem conhecer o André? — pergunto surpresa; vendo então, várias cabeças se movimentarem à favor.
Ai! E agora?
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