Chuva cinza
11 Capítulo 10 - Conversa
Notas iniciais
Eu não acredito que meus pais querem conhecer o André. Isso é tão... Ah! Eu não devia ter respondido a pergunta com a resposta certa; não estou dizendo mentir, mas acho que não era necessário.
E agora? O André com certeza não irá agir normalmente, não é do feitio dele, infelizmente. E se ele disser algo que... Algo que de maneira nenhuma, existe. Ah! Se ele fizer isso, eu não olho mais na cara dele! Oh Meu Deus! E o papai? Papai e suas perguntas estranhas de duplo sentido.
É, pois é... Aqui estou eu, deitada em minha cama, com uma almofada na cara. Queria dormir, gritar... Na verdade, dormir mesmo; estava um dia tão bom para isso. Começou uma chuvinha, que emitia um som calmo. Mas eu não conseguia nem sequer pegar no sono uma única vez; pois meus pensamentos me dominavam. Nisso, alguém bate na porta:
–Posso entrar, pequena criatura envergonhada? — diz minha mãe, abrindo a porta lentamente.
–Pode mãe... — falo me sentando, e tirando a almofada do rosto.
–Quer conversar? — ela pergunta indo na direção da cama.
–Não! — respondo querendo rir; ela logo lança seu famoso olhar, e eu digo. — Quero dizer... — me acalmo. — Talvez...
Mamãe logo percebe meu dilema, e se senta em minha cama. Ela acaricia meus cabelos, e começa:
–Pode dizer filha, seu coraçãozinho tem batido mais forte ultimamente? — diz sorrindo; O quê? Que pergunta era aquela?
–Mamãe! — eu grito.
–Quer que eu seja mais direta? — diz maliciosa.
–Mãe, olha... Acho que agora não é uma boa hora para... — eu tento mudar de assunto.
–Oh, me desculpe querida. — ela se corrige. — Como dizem mesmo...? — ela soa pensativa. — Ah sim! Sem pressão, sem pressão! — exclama animada; Oh Meu Deus, ela não iria começar à falar como a "galera".
–Exatamente... — digo revirando os olhos.
Uma pausa se inicia. Era exatamente aquilo que acontecia, quando não se via alguém com frequência. Não existia assunto algum.
Nos duas então resolvemos falar; e como já era de se esperar, falamos ao mesmo tempo, e depois rimos. Mamãe logo se pronuncia, em meio à risos:
–Pode dizer. — fala se acalmando.
–Não, pode falar. — eu digo.
–Diz logo filha! — exclama mamãe.
–Ah não... — eu deito novamente, apertando a almofada contra o rosto.
–Oh, não se acanhe. — ela dá alguns tapinhas em minhas pernas. — Sou sua melhor amiga lembra? — ela joga uma piscadela.
–Tá. — eu me sento novamente. — Por quê não pergunta então? Seria bem mais fácil... — eu olho para baixo.
–Tudo bem querida. ela coloca uma mecha do cabelo para trás da orelha, e soa pensativa. — Vamos ver... — diz brincando, e eu reviro os olhos envergonhada. — Como o conheceu?
–Bem... — dou uma pequena pausa e rimos. — Eu estava brincando com Spike, e ele veio me pedir uma informação.
–Nossa! — exclama mamãe de um jeito curioso.
–O que foi? — eu não entendo.
–Não é tão comum... — fala sorrindo, porém com uma expressão um tanto estranha.
–Pois é... — eu ainda não entendo; será que ela o achava um psicopata?
–E o que mais? — pergunta animada, como se fosse uma adolescente.
–Eu o dei a tal informação. — respondo de um jeito, como se fosse obvio.
–M.J! — ela me repreende sorrindo, e eu continuo.
–Depois, nos encontramos novamente, quando eu estava passeando com Spike; ficamos na pracinha... — eu digo viajando em pensamentos.
–Hm. — ela provoca. — Então quer dizer que o Sr. Spike tem grande influência nessa relação.
–Ai! Que relação mãe?! — eu acabo ficando vermelha.
–Não estão namorando? — ela pergunta, normalmente, do jeito mais normal do mundo.
–Namorando? — eu pergunto, com um pouquinho de vontade de que fosse verdade.
–Namorando? — pergunta meu pai abrindo a porta, com André logo atrás dele.
O quê? O que ele faz aqui? Na verdade, o que os dois fazem aqui...? Será que ele ouviram? Socorro! Eu quero morrer!
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