Chronicles Of a Love
5 Who are you waiting for?
Estava sentada sobre um banco no pátio da escola. A cabeça baixa e os olhos fixos no nada. Lágrimas não mais escorriam de seus orbes castanhas e apenas seu rosto molhado indicava que estivera chorando. Regina não conseguia acreditar que rompera no choro. Sentia-se tão tola, mas a verdade é que não havia percebido o quão sobrecarregada estava. A reação de Emma sobre a insinuação de Zelena fora apenas o estopim que a fizera transbordar. Ela realmente precisava ter derramado aquelas lágrimas ou teria explodido se continuasse a manter dentro de si toda a dor daquele amor impossível.
Lentamente, voltou à realidade ao sentir que alguém se sentara ao seu lado e viu um lenço surgir a sua frente enxugando seu rosto sem permissão. Ergueu o rosto, encontrando os olhos tão conhecidos da jovem que dominava os seus pensamentos.
“Obrigada…” — sorriu fracamente vendo a preocupação que a loira trazia em seus olhos e pegou o lenço da mão da jovem, secando o rosto.
Pensou consigo em como a vida era irônica. O motivo de sua tristeza era também o único que conseguia afastá-la. Não culpava a loira por isso, ela é que não devia ter se apaixonado, em primeiro lugar.
'Como se fosse possível controlar os sentimentos…’, pensou abaixando a cabeça desanimada, tentando evitar que a loira visse novas lágrimas escorrerem por seu rosto.
Emma a observava sentindo seu coração ser comprimido dentro de seu peito. Gostaria muito de poder abraçar a morena, dizer que tudo estava bem, que estava ali e não permitiria que nada de mal acontecesse a ela. Mas não sabia se poderia dizer isso. Nem ao menos sabia a razão dela chorar. Ouviu a morena soltar um suave soluço e não conseguiu mais suportar. Abraçou-a fortemente, em silêncio, trazendo-a para junto de seu peito, afagando seus cabelos curtos carinhosamente. Regina era uma pessoa muito importante para a loira. Desde que as duas conheceram, sempre estivera presente em seus melhores e piores momentos. Emma se sentia segura para contar a morena sobre suas fraquezas, pois sabia que não a julgaria por isso. Era uma amiga preciosa, quase uma irmã, e o que mais lhe doía era vê-la chorando. Percebeu, pouco tempo depois, que Regina havia se acalmado, continuando com a cabeça na curva do seu pescoço, agarrando-se a loira como se fosse sua tábua de salvação.
Regina estava de olhos fechados. Podia sentir o calor e o cheiro do corpo de sua melhor amiga, que a abraçava de forma protetora, enquanto seus cabelos eram acarinhados. Aquela sensação era tão irreal; tão maravilhosa. ‘Gostaria de nunca mais sair daqui…’, foi o que pensou enquanto se munia de coragem para se afastar.
Emma a viu se afastar, levemente constrangida, endireitando-se sobre o banco e foi presenteada com um pequeno sorriso da morena. Triste, mas ainda sim, um sorriso.
“Desculpe-me por isso…” — a morena pediu suavemente, a voz levemente rouca pelo choro. Emma balançou negativamente a cabeça.
“Não há razão para pedir desculpas…” — sorriu suavemente. — “Você gostaria de me contar o que aconteceu?” —Emma perguntou vendo a morena abaixar a cabeça, meneando-a suavemente.
“Acho que não é o melhor momento para tocarmos no assunto…” – disse, voltando a encarar a loira. Emma suspirou, antes de concordar.
“Só quero que saiba uma coisa, Regina: não precisa suportar isso sozinha… Seja o que a estiver incomodando…” – encerrou o assunto, vendo-a acenar com a cabeça.
Permaneceram sentadas ali até que estivesse perto do horário da segunda aula, quando se puseram a caminho da sala. Esperaram no corredor até que a professora saísse para então entrar. A Sra. Pabbie deteve-se por alguns segundos diante das jovens, perguntando a Regina se tudo estava bem antes de seguir para a sala onde teria a próxima aula.
Elas entraram na classe recebendo os olhares de todos os colegas, o que fez Regina se encolher levemente. Ela detestava ser o centro das atenções daquela forma. Emma passou o braço sobre o ombro da amiga, dando-lhe apoio. Ela não tinha com o que se preocupar.
“Duplinha patética…” — Zelena murmurou irritada.
“Ela vai descobrir o que é patético quando eu me irritar com ela…” — Rubi murmurou entre os dentes. Não percebendo que Killian a escutara, abrindo um pequeno sorriso.
“O que aconteceu, Mills?” — o inglês perguntou, voltando-se para a jovem morena que acabara de se sentar.
“Nada demais, Jones…” — sorriu pela atenção recebida do rapaz que, apesar do pouco tempo que se conheciam, já era um amigo. — “Sabe, eu me sentiria mais confortável se você me chamasse apenas de Regina…” — comentou, fazendo-o arregalar ligeiramente os olhos.
“Muito bem, então, Regina…” — disse com um sorriso. — “Acho que podes me chamar de Killian…” — pediu recebendo assentimento da jovem. Uma conversa alegre se seguiu até que o Sr. Parker entrasse, cumprimentando a todos e iniciando sua aula.
==========================
Rubi dirigia-se para a sala conversando com Anna e Tinker. Eram seguidas por Killian e Regina que caminhavam em silêncio. Killian respirou profundamente, espiando a jovem ao seu lado pelo canto dos olhos.
“Diga-me Regina, há quanto tempo gostas de minha amiga Emma?” —perguntou, observando-a sobressaltar-se com a face vermelha e os olhos castanhos arregalados.
‘Como ele soube?’, perguntou-se assustada, passando a encarar Rubi de forma acusadora. ‘Ela não faria isso… eu realmente não acredito que-…’, teve os pensamentos interrompidos pelo rapaz, que pareceu lhe ler a mente.
"Hei, não precisas encarar a Srta. Lucas dessa forma! Não foi ela quem me contou…" — riu um pouco, tendo, finalmente, a atenção da jovem.
“M-mas então… c-como?” — perguntou confusa, abaixando a cabeça para esconder o rubor. Sem perceber, acabara confessando as suposições do britânico.
“Bem, sempre fui um bom observador…” — sorriu, vendo-a erguer o rosto, estando ainda enrubescida. — “Foi por causa dela que começaste a chorar àquela hora, não é mesmo?” — supôs, recebendo assentimento.
“Sinto-me tão boba por causa disso…” – suspirou, mas então o encarou alarmada. -“P-por favor, Killian, nã-não diga nada a Emma…” — foi interrompida por um gesto suave das mãos do rapaz.
“Não precisas te preocupar com isso, Regina!” — disse vendo-a sorrir e relaxar levemente os ombros. — “Sei que cabe a ti a decisão de contar a ela…” — sentiu uma das mãos da jovem repousar de forma suave sobre seu braço enquanto ela abria um doce sorriso.
“Muito obrigada!” — soltou-o, vendo Killian olhar sobre seu ombro e sorrir.
==========================
Emma demorou um pouco mais do que planejava para auxiliar o professor na arrumação dos materiais de ginástica. Colocou-se a caminho de onde sabia que encontraria Regina. Ao entrar no corredor da sala de música, viu uma cena que a deixou paralisada por um breve segundo: Regina mantinha suavemente uma das mãos sobre o braço do amigo inglês que sorria de forma carinhosa.
Apertou os passos para alcançá-los. ‘O que Killian pensa que está fazendo?’, perguntou-se grunhindo. Viu Killian sorrir de divertimento ao ser repreendido pelo olhar da loira. O rapaz não se sentia nem um pouco intimidado com a careta da amiga.
“Espero que não te importes, mas vou deixar-te aos cuidados de minha amiga agora, Regina!” – Killian falou, fazendo-a voltar-se para trás. Emma tentou disfarçar suas ações, relaxando a expressão ao vê-la abrir um sorriso. — “Cuida bem da Regina, Swan… Eu tenho que ir ao ensaio agora…” — sorriu de uma forma que sabia deixar a amiga irritada e virou-se, continuando a caminhar até alcançar Rubi, que o esperava na porta da sala de música.
Ao parar ao lado da garota de cabelos negros e mechas vermelhas, ofereceu-lhe o braço, como o cavalheiro que era, tendo o gracejo aceito depois de uma graciosa risada e entrou na sala, saindo assim da vista das duas amigas que os observavam.
Emma suspirou pesadamente. Se havia algo em Killian que ela não suportava, era a forma como ele galanteava todas as garotas. Lembrava-se que não eram poucas as meninas apaixonadas por ele na Inglaterra, embora a conta bancária dele também influenciasse. Killian tinha um espírito brincalhão e a loira não conseguia imaginá-lo sem fazer gracejos. O problema é que os cortejos eram interpretados de forma errada pelas garotas que acabavam se apaixonando, sendo que Jones não tinha a mínima intenção de conquistá-las; ele não o fazia por mal. Olhou de relance para Regina que olhava pensativa para a direção que o inglês havia tomado com um sorriso no rosto. Teria que conversar com Killian para que não fizesse a garota se apaixonar por ele a menos que tivesse intenção disso. Não permitiria que ela sofresse por causa de Jones.
“O que foi?” — a morena perguntou, fazendo a loira voltar a si.
"Nada. É só que…" — fez uma pausa, vendo a morena erguer inquisitivamente uma sobrancelha. Talvez também fosse bom adverti-la. — "É que, há muito, eu detesto essa mania de Don Juan do Killian…" – comentou, deixando-a confusa. — “Ele tem esse costume de ficar fazendo gentilezas e cortejando as garotas…” – explicou, vendo a morena balançar positivamente a cabeça. — "É irritante… eu não quero saber do Killian fazendo essas brincadeiras com você…" — murmurou a loira pensativa, fazendo a morena arregalar os olhos.
“Por que não?” — a pergunta escapou de seus lábios, antes mesmo que percebesse. Emma sorriu de forma desajeitada.
“Porque não acho justo que ele a trate do mesmo jeito que o faz com as outras…” – disse, fazendo a morena abrir um sorriso. – “Pelo que me lembro, todas as garotas que já caíram sobre o encanto de Jones acabaram sofrendo e eu não gostaria que você tivesse o mesmo destino… Você sabe, eu a tenho como uma irmã, Regina… e também não gosto de vê-lo interagindo com Rubi dessa forma…” – comentou.
Regina suspirou enquanto desviava o olhar.
“Não acho que precise se preocupar tanto com o relacionamento de Killian e Rubi…” — ela falou com uma pontinha de desapontamento na voz. Por um instante pensou que o motivo que levara Emma a falar aquilo pudesse ser outro. ‘Tola!’, criticou-se mentalmente por continuar a criar esperanças a respeito disso. — “Por alguma razão, sinto que a forma com que Jones trata Rubi é diferente…” — Regina suspirou, esboçando um sorriso. — “Quando ele a olha, é como se a visse de uma forma muito gentil e cheia de carinho…” — completou, abaixando a cabeça.
“Você parece ter prestado muita atenção no Killian…” — a loira falou desconfiada. Será que o Jones já havia colocado suas garras de fora?
"É que eu tenho um motivo para colocar algum zelo sobre eles…" — ergueu a cabeça com um sorriso. — “E, também, não acho que Killian seria tolo a ponto de criar conflitos com a neta de uma sócia de seus pais…” — a morena comentou, pondo-se a caminhar pelo corredor.
“C-como você sabe disso Gina?” — Emma perguntou espantada, apressando os passos para alcançá-la.
“Disso, o quê?” — ela questionou.
“Que os pais do Killian são acionistas das Corporações Granny's…” – falou, vendo a morena olhar para o chão.
"Rubi me contou na mesma noite em que o Sr. e a Sra. Jones foram jantar na casa dela. E o próprio Killian não faz muita questão de manter segredo a respeito da família dele…" – sorriu, trocando os sapatos.
“E você não se sente estranha por saber que a família dele é rica?” — Emma perguntou, prendendo, inconscientemente, a respiração por causa da resposta que seria obtida.
“Eu, por acaso, ajo diferente por saber sobre a família de Rubi?” – rebateu, balançando a cabeça. – “Eles são como uma família qualquer, Emma…” – riu, dando de ombros enquanto a loira soltava lentamente o ar. — “Não vejo nada de extraordinário no fato de se fazer parte de uma família que tem posse de algumas empresas…” — comentou, fazendo pouco-caso. Elas estavam saindo do corredor do colégio para o pátio e Regina levou as mãos sobre os olhos por causa do ofuscamento que a acometeu. Parou ao perceber que a loira ficara para trás e voltou-se para ver o que acontecera, encontrando-a com uma expressão de descrença enquanto a encarava. — “O que foi?” — Regina perguntou, vendo-a abrir lentamente um sorriso.
“Você realmente não vê nada demais no fato de se possuir algumas empresas e dinheiro?” —perguntou lentamente, fazendo-a erguer uma sobrancelha.
“O que haveria de tão importante nisso, Emma?” — perguntou erguendo as mãos. — “Os bens que uma pessoa possui não determinam quem essa pessoa é…” — viu a loira aproximar-se dela sem desviar os olhos dos seus.
Emma estava se sentindo tão idiota por ter escondido dela por tanto tempo sobre a sua própria família. Deveria saber que Regina não se deixaria afetar por coisas assim.
“Você… é mesmo única, Gina!” —sorriu, fazendo a morena corar pela forma que a encarava. Havia muito carinho no olhar da loira. — "Venha!… Eu quero lhe pagar um lanche…" — pegou-a pela mão entrelaçando os seus dedos, caminhando para fora do colégio e deixando uma Regina confusa.
==========================
“Nossa, mas isso é horrível!” — Regina exclamou, olhando fixamente para Emma, que acabara de lhe contar alguns detalhes sobre sua família.
Emma sempre encontrava uma maneira de mudar de assunto quando a amiga perguntava algo relacionado a isso, mas hoje, por algum motivo, simplesmente começou a falar sobre as mais diversas tradições e costumes familiares enquanto esperavam seus sanduíches chegarem. Swan algumas vezes lhe contava sobre o relacionamento que tinha com a família e a mãe, e Regina sabia, pela forma como a loira se referia a eles, que as adorava, mas nunca passavam de pequenas informações íntimas, então ela nunca imaginaria, por exemplo, que a família Swan tinha mais de cento e cinquenta membros, incluindo gente que a loira nunca encontrara em toda a sua vida.
“Você não se preocupa de acabarem lhe colocando em um casamento arranjado?” — Regina perguntou apreensiva. – “Quer dizer, pelo que você contou, isso parece ser uma coisa tão normal…” – comentou, vendo a loira a sua frente suspirar.
“Na realidade, isso não me preocupa Gina…” – disse, sorrindo suavemente. – “Eu sei que minha mãe nunca permitiria isso. Ela prometeu ao meu pai, antes dele falecer, que nem eu nem meus irmãos seríamos forçados a nos casar por causa dos costumes…" — disse, abrindo um sorriso. — “Você sabia que o casamento de meus pais também fugiu à tradição?” — questionou, vendo a morena arregalar ligeiramente os olhos. — “Quando eles se conheceram, meu pai estava noivo de uma outra moça e minha mãe já havia passado da ‘idade ideal’ para o casamento…” – a loira disse com certo deboche a última parte da frase. – “Ela sempre foi muito independente e era a ovelha negra da família aos olhos da sociedade…” –ela suspirou com um sorriso saudoso, olhando para um ponto na parede da lanchonete. – “Mas eu acho que foi justamente isso que fez com que meu pai se apaixonasse por ela…” – olhou para Regina com os olhos brilhando. – “Eles tiveram que enfrentar ambas as famílias para ficarem juntos. Quase foram expulsos, antes de convencer o restante da família…" — fechou o sorriso subitamente. — "Aqueles velhos apenas aceitaram a união deles porque a noiva de meu pai fugiu de casa poucos dias antes do casamento. Seria menos humilhante permitir que ele se casasse com minha mãe do que ter que cancelar cerimônia..." — a loira abaixou a cabeça, ficando algum tempo em silêncio.
Regina a observava com um suave sorriso.
“Eu acho que, com relação a isso, as histórias de nossos pais são muito parecidas…” — disse a morena fazendo a loira erguer o rosto para encará-la. Mantinha um pequeno sorriso no rosto. — "Meu pai foi criado em um orfanato. Era um Zé-ninguém recém-saído da faculdade quando chegou em Nova Iorque para lecionar e, então, conheceu a minha mãe…" — suspirou abaixando a cabeça para fitar o copo de suco em suas mãos. Sabia que Emma já conhecia aquela história, mas se sentia bem ao recordar que, quando se ama de verdade, as coisas podem dar certo. — "Meus avós apenas aceitaram que meu pai foi a pessoa escolhida pela minha mãe após a morte dela. E meu irmão, ainda hoje, tem algum ressentimento por causa disso. No entanto, meu pai nunca demonstrou rancor ou qualquer sentimento negativo…" — ergueu o rosto, encontrando os olhos da amiga pousados sobre si, enquanto um sorriso repousava em seus lábios. – “Sempre fala, com um sorriso no rosto, que compreende o que meus avós sentiram ao saber que a única filha iria se casar com alguém que mal ganhava para se sustentar…” – suspirou.
“Seu pai é um homem admirável, Gina…” — Emma disse, com respeito e carinho.
Gold era tudo aquilo que ele sempre imaginara de seu próprio pai pelo que ouvira falar dele: sábio, gentil, compreensivo. Conseguiu criar, praticamente sozinho, dois filhos e, apesar de tudo pelo que passara, mantinha sempre um sorriso no rosto. Era um grande guerreiro. Agora ao lado de Belle, mesmo ela sendo mais nova, era ainda mais feliz.
“Sim… ele é!” — Regina sorriu, concordando.
Regina não imaginava que havia um motivo para estarem tendo aquela conversa. Não sabia que Emma a estava preparando para revelar um detalhe de sua vida que poderia mudar tudo entre elas. E que, infelizmente, essa mudança não dependeria apenas da morena.
Continua…
Fale com o autor