Chronicles Of a Love
12 There is so much uncertainty ...
Notas iniciais
Há tantas incertezas...
"Estás me escutando, Emma?" — Killian encarava curiosamente a loira, que parecia fora de órbita. Eles haviam acabado de se encontrar ao saírem de seus vestiários a caminho da pista de atletismo para a aula de Educação Física.
"Desculpe-me, Kill. O que você disse mesmo?" — indagou sem graça quando voltou a si.
"Parecias estar com a cabeça em outro lugar..." — comentou, observando-a abrir um pequeno sorriso.
"Em outro tempo seria mais apropriado..." — ela corrigiu, atraindo a atenção do britânico. — "Você se lembra de quando a gente se conheceu?".
"E como poderia me esquecer? Do dia em que eu dei em cima de você e levei um chute!" — riu, vendo a Swan balançar a cabeça negativamente. — "Mas por que estavas pensando nisso?".
"Estava me lembrando de como eu costumava agir naquela época..." — começou, fazendo o outro olhá-la com uma careta. — "É, eu sei. Eu era bem patética!".
"Tenho que concordar!" — brincou, esquivando-se de uma cotovelada, enquanto tomavam um caminho alternativo até a quadra — contornando um coreto que ficava no pátio; dessa forma ganhariam um pouco mais de tempo para conversarem sossegados.
"Não precisava concordar!" — ela reclamou, fazendo-o rir ainda mais. Suspirou. — "Comecei a lembrar das coisas que eu fazia; de como eu tratava as pessoas e percebi o quanto eu mudei...".
"E como mudastes loira..." — Jones a interrompeu enfático. — "Eu perdi as contas de quantas vezes já brigamos por motivos idiotas..." — declarou, arrancando risadas da loira. — "De como te cantavas cada vez e irritavas quando discordávamos um do outro!''
"Eu não suportava você e ficava tão brava quando jogava-me cantadas e queria me levar para sua casa dizendo que devíamos ser amigos!" — ela confessou, admirado-se com as próprias lembranças. — "Mas o que eu estava dizendo é que mudei e..." — retomou o assunto com a expressão se suavizando. — "E sou tremendamente grata a isso..." — disse encarando o inglês. — "Porque, caso contrário, eu nunca teria a amizade de Regina..." — completou, desviando o olhar para frente.
"Não terias mesmo! Regina nunca seria amiga de uma loira lindamente arrogante..." — Jones lançou um olhar compreensivo a amiga, tendo uma leve ideia do que a estava incomodando.
"Eu fazia exatamente o que eles mandavam; só falava com quem eles deixassem. Eu era quase uma marionete ambulante..." — suspira pesadamente. — "E também, não sabia o que era uma amizade...".
"Por mais vergonhosas que fossem tuas atitudes, eras uma criança, Emma!..." – Jones ajeitou o topete com um ar divertido. — "O importante agora, é que cresceste e adquiriste uma personalidade diferente..." — fez uma pequena pausa antes de completar casualmente. — "E agora, só te deixas influenciar por uma certa jovem de olhos escuros...".
"Killian!" — a loira franziu as sobrancelhas. — "Eu e a Regina... nós não..." — respirou fundo, encarando-o seriamente. — "Nós somos apenas boas amigas!".
"Eu não disse que eram outra coisa loira!..." — o inglês ergueu as mãos em sinal de defesa. — "Apenas me referi ao fato de que colocas teu relacionamento com ela à frente de tudo...".
Swan observou-o exibir um de seus irritantes sorrisos. Parou de caminhar, expirando pesadamente ao sentir-se incomodada pelo olhar que recebia do outro. Caso ela não se controlasse, sabia que Jones começaria a fazer suposições de que algo acontecera entre ela e a morena; conhecia o britânico bem demais para conseguir ignorar que, estando desconfiado, ele só descansaria ao ter certeza dos fatos e não adiantaria tentar se esquivar das perguntas, porque era nas entrelinhas que ele conseguia as respostas que queria.
"Escuta, eu sei que..." — Emma começou, mas parou ao ouvir som de passos se afastando rapidamente. Olhou em volta, procurando por alguém, mas não havia ninguém.
"Acho melhor deixarmos a conversa para uma outra hora, minha querida. O professor já está indo para a quadra..." — Killian avisou, apressando os passos. A loira ainda deu mais uma olhada ao redor, antes de seguir o amigo.
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'Isso foi muito interessante...' , Glinda pensou com astúcia a caminho da quadra. Não conseguira conter a curiosidade ao ver a Swan e o garoto novo tomando o caminho mais longo para a pista de atletismo e os seguira, querendo saber do que poderiam estar falando. Teria que contar para Zelena o que ouvira; a ruiva faria bom uso daquelas informações, tinha certeza.
"Glinda!" — Dorothy a chamou ao vê-la se aproximar. — "Onde você estava?".
"Fiquei entretida com algo muito divertido..." — respondeu olhando em volta. — "Onde está a Zelena?".
"Foi para a enfermaria. Inventou uma dor de cabeça pra cabular aula..." — suspirou pesadamente, encarando a loura. — "Mas não importa. O professor falou para nos dividirmos em duplas, então vamos fazer a atividade juntas...".
"Desculpa, Dory, mas não vai dar..." — a menina falou, dando à morena pouca atenção. — "Vou falar com o professor, agora. Tenho algo importante para falar com a Zelena..." — completou, afastando-se.
Após conversar com o professor por alguns instantes, a garota partiu ao encontro da ruiva com passos acelerados.
Gostaria de poder adivinhar como Zelena agiria para completar sua vingança, como se acreditasse se tratar realmente disto. E também estava curiosa para saber qual a reação da Swan, já que, ultimamente, o relacionamento entre ela e a sem sal da Mills andava um pouco diferente. A verdade era que estava torcendo para que sua adorada amiga desse com 'os burros n’água'. Isso seria uma boa lição.
"Com licença..." — disse antes de entrar na sala da enfermagem.
"Ah, Glinda! Que surpresa vê-la aqui..." — a médica falou com sarcasmo. — "Eu estava me perguntando quem viria acompanhar a senhorita Mader hoje...".
"Que maldade, doutora!" — reclamou dissimulada. — "Só porque acontece de passarmos mal ao mesmo tempo...".
"Não vou discutir..." — a mulher suspirou, meneando a cabeça. — "Já que vocês vão ficar por aqui, eu vou até a secretaria ver se chegou um email que estou esperando. Se alguém aparecer, peçam para aguardar um instante, por favor...".
"Muito bem... Pode me contar o motivo desse sorriso agora..." — Zelena falou assim que a doutora saiu.
"É que eu descobri uma coisa muito interessante sobre a infância da garota Swan que pode ajudar a reconquistá-la..." — A garota começou, recebendo um olhar animado da ruiva. — "E você nem vai precisar inventar uma história dessa vez...".
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Emma olhava pela janela do corredor de forma pensativa enquanto esperava Regina sair da reunião do comitê esportivo. Estava absorta em reflexões, tentando entender a confusão em que se encontrava sua cabeça e não podia ignorar a sensação de que, apesar de já terem esclarecido, alguma coisa estava diferente.
'Brilhante conclusão, sua idiota!', ela pensou suspirando pesadamente e encolhendo os ombros. Não importava de que maneira olhasse para a situação, não conseguia chegar a uma conclusão, afinal Regina era apenas sua velha amiga, mas não havia nada de errado no fato de ter gostado de beijá-la naquela noite. Era completamente natural. Já havia beijado algumas meninas, então por que seria diferente? Além disso, o que houve foi influenciado pelo momento e não iria se repetir...
"A menos que ela queira..." — murmurou pensativa esboçando um sorrisinho maroto de canto imaginando. A loira assustou-se levemente quando a porta da sala foi aberta, dando passagem aos membros do comitê.
"Ah, Emma..." — Regina parou em frente a ela sorrindo. — "Estava me esperando?".
"Sim, eu..." — não pôde concluir, pois ela a interrompeu.
"Desculpa a demora, mas eu ainda tenho que resolver uns assuntos antes de ir para casa..." — falou rapidamente, olhando para o corredor, vendo Daniel já longe. — "Prometo que é rápido... volto já, está bem?".
"Ah..." — e, novamente, Emma não conseguiu dizer nada por ela ter saído correndo.
"Hei Dan! Espera aí..." — Regina gritou quando o garoto alcançou as escadas, fazendo a loira que ainda ficou em pé franzir a testa, espantada.
'Desde quando ela e aquele cara, se chamam por apelidos?', a loira perguntou-se franzindo as sobrancelhas ainda mais. Voltou a olhar pela janela, com a mente um pouco distante e ainda mais confusa com aquilo.
'Mas... por que estou me afetando por isso? Não é da minha conta com quem ela se relaciona...' Suspirou passando as mãos pelos cabelos longos.
Emma nunca gostara de Daniel e isso era fato! Mas o que sentira ao ouvir Regina chamando o rapaz daquele jeito, tão cheios de intimidade, era algo totalmente estranho. Diferente do sentimento de superproteção de sempre dela; agora parecia que era um sentimento quase ...
Revoltada.
"Emma..." — a morena de olhos castanhos a chamou, retornando. — "Vamos?".
"Ah, claro." — sorriu levemente, colocando-se a caminhar um pouco dispersa.
Regina a acompanhou caladas até saírem do colégio, sentindo-se incomodada pelo silêncio da amiga, mas decidiu colocar um basta naquela situação.
"Aconteceu alguma coisa Emm?" — questionou, fazendo a garota mais alta voltar-se para encará-la.
"Não. Nada!" — disse, suspirando pensativa. — "Eu reparei que você e o Noah estão se dando muito bem. Não faz muito tempo, você não o suportava e agora estão se tratando sem nenhuma formalidade..." — comentou, arrependendo-se imediatamente por não ter se controlado. Observou a morena abrir um sorriso, abaixando levemente a cabeça.
"Estamos nos dando melhor, sim. Mas não é como se fôssemos best friends. Apenas estamos nos falando mais por causa do comitê..." — olhou para a outra com o canto dos olhos, encolhendo levemente os ombros.
"Ah..." — ela não disfarçou o suspiro aliviado. Sem pensar, numa atitude natural, passou o braço pelos ombros dela em um meio abraço. Regina estremeceu levemente com a atitude dela, fazendo o coração da jovem falhar uma batida.
Por um único instante, a jovem alemã conseguiu esquecer o que a afligira durante todo o dia, mas o contato com o corpo da garota baixa trouxe à tona uma onda de sentimentos ainda muito recentes.
'Talvez seja um pouco cedo para tudo voltar ao normal...', ela pensou, soltando-a lentamente, tentando não transparecer o incômodo que estava sentindo. Reparou que a morena mantinha-se olhando para o outro lado. Supôs que provavelmente pensavam sobre o mesmo ponto.
"Eu já ia me esquecendo de uma coisa, Gina..." — começou na intenção de suavizar a tensão e quebrando o silêncio, um tanto incômodo, que voltava a se instalar entre ambas. — "Minha mãe pediu para eu confirmar se vai ficar com a gente nas próximas semanas...".
"Ah é..." -a garota sorriu um pouco sem graça, encarando-a. — "Eu precisava mesmo perguntar pra você quando posso ir e se, preciso levar alguma coisa. Colchão, lençóis...?".
"Não precisa se preocupar! Temos tudo isso lá em casa; leve apenas o seu travesseiro, porque eu sei que a senhorita não consegue dormir direito sem ele..." — disse divertida, fazendo-a rir um pouco. — "E, se você quiser, pode ir lá pra casa amanhã mesmo. Seu pai viaja de manhã, não é?".
"É. O vôo dele está marcado para às onze..." — suspirou um pouco desanimada.
"Você não gosta quando seu pai viaja..." — constatou, observando-a. Regina balançou negativamente a cabeça.
"Eu sinto muita falta dele, mas papai sempre espera ansioso por oportunidades de participar dessas viagens..." — viu-a abrir um sorriso carinhoso.
"Esse seu jeito de fazer tudo para que os outros sejam felizes é uma das coisas que eu mais admiro em você, sabia..." — recebeu dela um olhar embaraçado. — "Mas, às vezes, eu me preocupo por você se sacrificar tanto pelos outros, colocando a felicidade deles acima da sua..." — a loira comentou, deixando-a espantada. — "Cuidado, Gina, para não deixar sua própria felicidade escapar...".
Ela desviou o rosto, voltando os olhos para frente de forma pensativa. Emma tinha razão, mas o que poderia fazer?
Sempre achara que bastaria ter a loira ao seu lado para ser feliz, mas depois do beijo que ambas trocaram... A simples presença da garota não era mais suficiente e estava consciente disso. Queria sentir-se envolvida pelos braços dela de novo... Sem perceber, Regina levou a mão até os lábios enquanto se lembrava do que sentira com as carícias da noite anterior.
Emma, que observava com curiosidade o súbito comportamento introspectivo da morena, arregalou os olhos sentindo o coração acelerar com aquele simples gesto. Viu-a umedecer levemente os lábios e, sem parar de caminhar, fechar brevemente os olhos. Isso foi o suficiente para fazer a garota alemã sentir a boca estranhamente seca. Estremeceu, desviando o olhar apenas para tropeçar no meio-fio, sem chegar a cair, mas fazendo a amiga sair de seus próprios devaneios.
"Emma! Você está bem?" — indagou, vendo-a um pouco à frente, tentando disfarçar o constrangimento. Para o alívio da loira, estavam chegando à bifurcação, onde se separavam.
"Nah, não se preocupa, foi nada..." — falou parando de frente para ela. — "Amanhã, após as aulas, o James vai até sua casa pegar suas coisas. Está bem?" — encarou-a com constrangimento no olhar.
"Certo..." — ela sorriu suavemente. — "Até amanhã no colégio, então...".
"Até..." — Emma se aproximou dela para dar-lhe um beijo no rosto, como geralmente fazia as duas ao se despedirem, mas parou no meio do caminho com os olhos arregalados ao encontrar as duas grandes gemas âmbares da garota. Afastou-se suavemente, mas não muito, voltando a se aproximar e travando novamente na metade da ação.
Emma engoliu em seco, sentindo-se num beco sem saída. Estava confusa demais, poderia acabar fazendo alguma besteira, ainda mais tendo aqueles lindos olhos fixos sobre si daquele jeito.
'Por que ela está me olhando assim?', ela perguntou-se, erguendo levemente a cabeça e depositando um beijo na fronte da morena, para depois se afastar definitivamente.
"Até amanhã..." — disse ainda antes de se virar e partir.
Regina permaneceu parada observando Emma ir embora com aquele jeito de quando alguma coisa a incomodava: as costas levemente eretas, a cabeça um pouco baixa com os passos inquietos.
A mesma suspirou pesadamente, levando a mão até o lugar onde a amiga lhe beijara, sentindo uma leve pressão no peito.
"As coisas entre nós duas nunca mais voltarão a ser o que eram..." — sussurrou, antes de se virar e ir para casa.
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A terça-feira amanheceu ensolarada e com poucas nuvens no céu. Os pássaros cantavam na janela da cozinha enquanto Regina preparava o café da manhã. Terminou de ajeitar a mesa e subiu as escadas, indo chamar o pai. Bateu levemente na porta do quarto, abrindo-a em seguida. Gold conferia o conteúdo de uma pequena bolsa de mão com itens de emergência para a viagem.
"Bom dia, papai!" — ela sorriu parada na entrada. — "O café já está pronto!".
"Bom dia, querida!" — o senhor a encarou, fechando a mala. — "Ok! Eu já vou descer..." — falou, vendo-a concordar e se afastar.
A menina expirou pesadamente ao chegar à cozinha, mas logo tratou de colocar um novo sorriso no rosto. Tinha que ser forte e agir alegremente, como sempre, para não preocupar muito o pai.
O senhor Gold desceu em instantes e encontrou a filha sentada à mesa, esperando-o para iniciar o desjejum. Enterneceu-se, vendo a expressão de tristeza por trás do sorriso que ela exibia. Sempre que ia viajar era a mesma coisa. Não era fácil para ele deixar sua menina sozinha, nunca foi, mas Regina se sentiria culpada se ele desistisse das expedições por sua causa e, por isso, não importando o que estivesse se passando com ela, traria sempre uma expressão alegre no rosto.
Aproveitaram o início da manhã para passarem juntos os últimos instantes que teriam antes da viagem, embora não fosse muito. Regina olhou para o relógio, notando estar em cima da hora para ir ao colégio.
"Eu tenho que ir!" — levantou-se sendo imitada pelo pai. Abraçou-o fortemente, sentindo-o passar a mão por seus cabelos curtos de forma carinhosa.
"Vai passar rápido. Quando você menos perceber eu estarei de volta..." — soltou-a e sorriu, vendo-a tentar esconder a tristeza. — "Cuide-se bem, filha...".
"Aproveite bem a viagem e não se preocupe comigo..." — pediu, vendo-o concordar.
"Eu estou mais tranquilo porque a senhora Swan e a Emma estarão tomando conta de você..." — falou, deixando-a sem graça. — "Comporte-se, hein..." — recomendou com um tom divertido na voz. Tinha certeza que a filha não causaria problemas.
"Pode deixar..." — Ela riu, caminhando para o portão ao lado do pai. — "Estou indo!".
"Regina!" — chamou-a antes que se afastasse. — "Eu sei que é difícil e exige muita coragem mudar certas coisas que se relacionam diretamente ao nosso coração, mas..." — começou com um sorriso gentil, vendo um olhar intrigado surgir no rosto da filha. — "Mas se nós mesmos não efetuarmos essas mudanças, ninguém fará isso por nós!".
"O que o senhor...?" — ela começou um pouco confusa, mas parou levemente espantada, parecendo ter compreendido a que o homem se referia.
"Não tenha medo de ser sincera com seus sentimentos... tenho certeza que ela entenderá...".
"O quê?" — encarava-o com os olhos arregalados. — "Como o senhor...?".
"Esqueceu que eu sou seu pai, Regina?" — observou-a gentilmente por alguns instantes, antes de concluir. — "Tenho certeza que, quando o momento certo chegar, você vai saber o que fazer. Apenas tome cuidado para não deixar esse momento passar por você...".
Regina meneou positivamente a cabeça com um sorriso constrangido e abraçou-o novamente.
"Obrigada, papai..." — disse emocionada, antes de soltá-lo. — "Faça uma boa viagem!".
"Muito obrigado!" — falou, vendo-a se afastar correndo. Mais uma vez, estava atrasada.
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"Por enquanto é isso. Vejo vocês após as aulas..." — o Sr. Nichols encerrou a reunião de classe, retirando-se.
"Eu também já vou..." — Regina pegou uma pasta com alguns panfletos da bolsa. — "Rubi, você me empresta os seus cadernos depois? Eu tenho que colocar a matéria, que estou perdendo por causa do comitê, em dia...".
"Ah, claro..." — a morena começou, mas foi interrompida.
"Não se preocupa, Rubi..." — Emma balançava a cabeça. — "Eu empresto meu caderno para ela mais tarde...".
"Ah, obrigada..." — ela a encarou, suspirando desanimada ao se lembrar do que o pai dissera mais cedo. Como saberia quando o momento certo havia chegado? O que era esse tal momento certo?
"Aconteceu alguma coisa, Rê?" — Rubi perguntou preocupada com o estranho abatimento da amiga.
"Não..." — disse olhando no relógio. — "Eu estava pensando no que papai deve estar fazendo agora lá em casa. Eu espero que ele não esqueça de levar nada..." — falou, olhando para os panfletos que tinha em mãos. — "Ah, Emma..." — chamou-a constrangida lembrando-se da conversa da manhã. — "Pode dizer ao James que ele não precisa me pegar em casa?" — pediu, recebendo um olhar desconfiado da jovem.
"Como assim? Por quê?".
"É que eu consegui colocar o que vou levar para sua casa em uma única mala, e não acho que precise do carro...".
"Tem certeza que colocou tudo o que vai precisar em uma só mala?" — Ela perguntou intrigada.
"Tenho sim..." — ela nem pensou antes de responder.
"Eu não consigo acreditar..." — sorriu de lado, erguendo uma sobrancelha.
"O que você quer dizer com isso Swan?" — indagou, colocando as mãos na cintura.
"Até parece que eu não sei o que as garotas carregam nas malas. Está se esquecendo que eu sou também uma e que tenho duas irmãs?" — cruzou os braços, fazendo ar de entendida. — "E eu também me lembro que você Gina, praticamente, carrega sua casa junto quando saímos em excursão ou viagem..." — acrescentou, vendo-a encará-la ofendida.
"Eu não carrego tanta coisa assim! Sempre levo só o essencial...".
Emma sorriu suavemente, observando-a com aquela expressão indignada. Ela ficava muito engraçada; tão bonitinha com o biquinho e os olhos castanhos brilhantes mirando-a diretamente. Não se passou muito tempo, entretanto, percebeu que se distraíra enquanto a admirava tanto.
Emma disfarçou olhando para o lado e passando a mão pela perna da calça.
"Eu tenho que ir..." — Regina disse recuperando-se parcialmente do embaraço. — "Ahm... Emma, você não precisa ficar me esperando no horário da saída. Eu não sei a que horas irei embora hoje..." — suspirou cansada só de pensar em todo o trabalho que teria pela frente. — "Mas eu estarei na sua casa às seis horas, sem falta..." — concluiu, antes de sair da sala sob o olhar atento de Rubi.
A morena de mechas assistiu toda aquela interação; mais desconfiada a cada reação das duas. Já sabia que a amiga era muito boba para tentar disfarçar sentimentos e, acabara de descobrir que dona Emma Swan era uma atriz tão ruim quanto a amiga. Ela tinha certeza, agora, que alguma coisa havia acontecido entre elas... Mas o quê?!
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Emma estava terminando de ajeitar a mesa da sala de jantar enquanto, na cozinha, James ajudava Mary com o que seria servido aquela noite. A mulher insistira em fazer algo especial de boas-vindas para a jovem Mills e a loira estava particularmente animada por saber que teriam seu delicioso Bienenstich*, para sobremesa.
Suspirou cansada, passando as mãos pelo cabelo ao pensar que aquela animação era apenas uma máscara para disfarçar aquela teimosa ansiedade que sentia. Sua amiga Regina chegaria a qualquer instante e a mesma não sabia se conseguiria agir com normalidade.
'Se acalma, Emma! Vai dar tudo certo...', concentrou-se em sua própria respiração, se relaxando levemente, mas não por muito tempo, pois o interfone logo tocou, deixando-a ainda mais inquieta.
Mary atendeu e autorizou o porteiro a deixar Regina subir. Depois foi em direção à sala, onde encontrou a filha encarando a mesa, pensativa.
A jovem herdeira tentava pensar em uma maneira de não deixar sua mãe perceber que alguma coisa estava errada em seu relacionamento com Regina, mas estava complicada. Não conseguia chegar a uma solução.
"Kleiner Schwan..."– a mulher a chamou, assustando-a levemente ao ouvir seu nome de batismo. — "Não vai recepcionar sua amiga?"– indagou, apontando para a entrada.
"Ah, claro mamãe..."– encaminhou-se para a porta, abrindo-a e aguardando que a amiga saísse do elevador.
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Regina apertou o botão para o sétimo andar e observou a porta do elevador se fechar enquanto seu coração não se aquietava. Sabia que não havia motivos para estar nervosa. Apenas iria passar algum tempo na casa da Emma...
'Eu tenho que colocar a cabeça no lugar. É só e somente Emma... Apenas minha melhor amiga...', repetia mentalmente como se fosse uma espécie de mantra, sem grande efeito. Quanto mais tentava relaxar, mais estranha se sentia. O trajeto do elevador pareceu mais longo do que o normal, servindo para aumentar ainda mais a ansiedade que a invadia como se estivesse sempre esperando que algo acontecesse. Mas, quando a porta se abriu, no entanto, ela teve a impressão de que havia subido rápido demais. Não estava mentalmente preparada para encarar a situação ainda. Precisava de mais tempo...
"Ah... você está aí!" — Emma a surpreendeu, aparecendo à sua frente no corredor. — "Eu achei estranho ninguém sair do elevador. Algum problema, Gina?" — indagou, vendo-a parada sem falar nada.
'Ela é apenas sua amiga...', essas palavras ecoavam em sua cabeça.
Desde o dia anterior, estava tentando se convencer de que poderia voltar a ver tudo como antes. Aquela ali à sua frente era Emma Swan, a garota que ela conheceu durante a oitava série. Era sua melhor amiga e... crush. Nossa! Não podia ser tão difícil!
Apesar do sentimento não-correspondido, nunca elas tiveram complicações. A morena sempre conseguira ser espontânea. 'Por que não conseguiria fazer isso agora?'.
"Gina?" — ela a chamou, tocando-a suavemente no braço.
O contato a estremeceu de maneira quase imperceptível. Conhecia muito bem a resposta. Aquele beijo que aconteceu complicara tudo. Se não tivessem se beijado, ela não estaria em constante expectativa. Não ficaria desejando... Ansiando por mais beijos dela.
"Essa não!" — ela falou subitamente, assustando-a, e dando um tapa na própria testa. — "Esqueci meu travesseiro..." — reclamou, fazendo a loira rir de maneira aliviada.
"Eu sabia que acabaria esquecendo alguma coisa. Não era possível que tivesse colocado tudo dentro de uma só bolsa..." — comentou, pegando a mala dela e a arrastando para dentro. — "Vem! Vamos entrar logo, Senhora Cabeça de Vento..." — chamou. Regina a seguiu um pouco envergonhada.
"Ah, boa noite, Regina. Seja bem-vinda!" — Mary a cumprimentou de forma sorridente.
"Boa noite, Senhora Swan. Obrigada por me receber..." — disse polidamente, seguindo Emma com o olhar enquanto adentrava o corredor, levando sua mala para o quarto ao lado onde ficaria hospedada. Antes de tomar qualquer decisão quanto ao que fazer, teria que descobrir se era apenas ela ou se a outra também queria repetir a experiência de domingo. E era isso o que iria fazer.
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Killian estava a alguns minutos observando a namorada enquanto ela olhava para longe fazendo umas expressões muito engraçadas ao invés de almoçar. Encostou-se ao banco onde estavam sentados enquanto comiam a sobremesa, começando a se sentir preocupado, por mais que ficar observando Rubi agir distraidamente fosse divertido, aquilo não era natural. No dia anterior, ela esteve tão estranha que o ensaio, da música que apresentariam na abertura da gincana, acabou sendo cancelado porque a corista não conseguia se concentrar no que estava fazendo.
"Tudo bem, meu anjo..." – ele suspirou, tirando a taça de sorvete das mãos dela e segurando gentilmente seu rosto para que olhasse para ele. – "Será que podes me dizer o que está te incomodando?".
A moça o encarou com confusão e dúvida nos olhos verdes; cogitava se devia ou não falar com o namorado sem conversar antes com Regina, mas ao reparar a preocupação no jeito que o inglês a encarava, decidiu abrir o jogo.
"Killian, você não notou nada de estranho no comportamento da Regina e Emma essa semana?" — indagou vendo a preocupação no rosto do rapaz desaparecer enquanto ele suspirava levemente, balançando a cabeça como se não acreditasse que aquele fosse o motivo.
A morena permaneceu encarando-o à espera de alguma outra resposta além daquele irritante sorriso de Monalisa que ele exibia, mas, quando pensou que ele fosse finalmente dizer algo, foram interrompidos pela chegada de Anna e Lily.
"Desculpem por atrapalhar a sobremesa de vocês..." – Anna pediu timidamente.
"Está tudo bem..." — Rubi sorriu, suspirando pesadamente. Não havia percebido, mas a atitude de Killian a deixara incomodada. Aquele não era assunto para ser tomado levianamente! Era de suas amigas, Regina e Emma, que estavam falando...
Decidiu ignorar temporariamente a questão e prestar atenção nas amigas que pareciam preocupadas.
"O que houve?" — viu-as trocarem um olhar incerto, antes de falar.
"Rubi, nós estamos um pouco preocupadas com a Gina..." — Anna falou, sendo interrompida pela morena de mechas.
"Então vocês também perceberam algo estranho!" — Rubi comentou, lançando um olhar acusativo para Jones que dizia 'eu não fui a única a perceber. Como você pode não ter percebido?'.
"Isso quer dizer que nem você sabe o que houve?" — Lily questionou vendo-a menear a cabeça.
"Não. Ela não me contou nada, mas eu reparei que há algo de diferente desde segunda-feira...".
"Sim. Eu lembro de ter ouvido o Kristoff comentar que ela estava radiante aquele dia. Como se algo maravilhoso tivesse acontecido..." — Anna falou como se devaneasse.
"No entanto, ontem, quando chegou à sala parecia melancólica e um pouco ansiosa..." — Rubi volta a falar, suspirando.
"Ah, a Emma também está fora do normal..." — Lily começou pensativa.
"Acho que estais fazendo tempestade em copo d'água..." — Killian, enfim, se pronunciou de forma tranquila. — "É natural que aquelas duas estejam desconfortáveis no presente momento, afinal, o relacionamento delas está passando por uma importante mudança...".
As garotas encararam o jovem com os olhos estreitos por um instante.
"Killian Jones, o que você está sabendo? Swan lhe contou alguma coisa?" — A morena indagou cruzando os braços. Seria possível que, mesmo vendo-a preocupada com a situação, e sabendo o que acontecera, o rapaz não tenha se dignado a lhe contar? Que tipo de namorado era ele?
Killian sorriu animado, dando a Rubi a impressão de estar se divertindo com seu estado de espírito.
"Sei o mesmo que qualquer um, meu anjo. Emma também não me disse nada..." — ele respondeu vendo-a olhá-lo desconfiada. — "Mas isso não impede que eu crie algumas teorias sobre o que se passa com aquela loira...".
"Por exemplo?" – Anna não pôde conter a curiosidade.
"Eu notei que a Emma tem agido estranhamente com a Regina, sentindo-se tensa ou mesmo amedrontada por alguma razão... ".
"Não, isso não faz sentido!" — Rubi exclamou.
"Eu sei! Mas que razões elas teria para isso, não é?" – abriu um sorriso de lado, olhando para cada uma das garotas e notando certa impaciência. A Regina tinha realmente muita sorte por ter amigas tão fiéis. – "Foi aí que me veio um pensamento à mente. É apenas uma suposição, mas pensei que, talvez, Swan esteja agindo dessa maneira por não conseguir lidar com um novo tipo de sentimento que a vem dominando, pouco a pouco... Ela está confusa!".
"Mas isso não explica as atitudes da Regina..." — Lily retrucou.
"Quanto a ela não sei o que dizer, senhorita Paige. Não a conheço tão bem assim..." – olhou para as garotas sorrindo astucioso, como se estivesse lançando a elas um desafio. – "Não faço ideia do que poderia ter acontecido para que Regina não conseguisse mais controlar seus sentimentos..." — concluiu vendo-as olharem para si.
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Mais tarde, aquele dia, assim que chegou ao apartamento das Swans, Regina foi atendida por Emma quase imediatamente após ter apertado a campainha.
"Seja bem vinda!". – ela a recebeu alegre.
"Obrigada!" — disse levemente embaraçada enquanto entrava. — "Sua mãe não está?" — estranhou o silêncio.
"Ah, não. Ela e o James foram ao mercado, mas não demoram..." — a loira sentou-se no sofá de maneira desleixada, vendo a amiga permanecer em pé no meio da sala.
"Eu vou trocar de roupa, então... se me der licença...".
"Tá bom! Fique à vontade Gina. Sinta-se em casa!".
"Já volto!".
Assim que Regina desapareceu de vista no corredor, Emma se permitiu respirar profundamente, aliviada por não estar se sentindo tão desconfortável diante dela; e ficava grata pela morena parecer estar tranquila também, o que facilitava a interação entre elas.
Voltou-se para a televisão, onde passava um programa de videoclipes bem antigos. Ela perguntou-se quando a mãe chegaria sem ter certeza se queria que ela voltasse logo ou retardasse seu retorno.
“Ai, eu adoro essa música!” – Regina comentou sentando-se ao lado dela no sofá e olhando para a tela. Instantes depois, soltou um suspiro cansado atraindo a atenção da loira.
“Muito trabalho com a organização da gincana?” – ela indagou vendo-a confirmar com a cabeça.
“Estamos com um problema de prazos...” – falou prendendo o cabelo atrás da orelha. – “O grupo encarregado de preparar a decoração devia ter entregado as faixas e cartazes externos hoje e, amanhã, o material da decoração interna...” – suspirou pesadamente, franzindo as sobrancelhas de maneira pensativa. – “Isso atrapalha todo o nosso cronograma. Íamos pendurar as faixas amanhã de manhã. Acho que vamos precisar de ajuda extra para...” – parou de falar ouvindo a introdução de uma música na televisão.
Emma estranhou a interrupção e se sentiu ainda mais estranha ao vê-la abrir um sorriso, endireitando-se no sofá, parecendo inesperadamente revigorada ao som de ‘Livin’ la vida loca’.
“Você gosta dessa música?” – ela perguntou erguendo uma sobrancelha. Ela balançou a cabeça levemente sem desviar os olhos da tela.
“Também gosto da música...” – comentou com um sorrisinho levado. – “ Me remete as minhas origens. Mas esse Ricky Martin é um pedaço de mau caminho....” – disse sussurrando a ultima oração e suspirando, fazendo a loira lhe olhar de esgrelha.- "Ele é bonitão... e dança super bem! Olha só esse rebolado!".
"M-mas Gina... as músicas não têm nenhum sentido. Não têm conteúdo!” – rebateu um tanto séria. – “Mesmo sendo músicas de sua terra, é um daqueles cantores de momento; ninguém mais se lembra quem ele é... e provavelmente deve ser um gayzão!" – a loira argumentou, vendo-a voltar-se para ela com um olhar sério.
Regina a encarava através da leve franja que caía parcialmente sobre seus olhos sorrindo marota; Emma sentiu o coração dar uma leve acelerada e a boca secar. Devia ser apenas sua imaginação, mas aquele olhar que ela lhe deu, lhe pareceu tremendamente provocativo. Engoliu em seco, pegando-se, pela primeira vez, a pensar em como aqueles olhos castanhos geralmente tão inocentes eram, ao mesmo tempo, tão sedutores. Agiam como um imã, forçando-a a mergulhar naquele mar chocolate. Sentia-se como se estivesse sob o efeito de algum tipo de hipnose.
"Por acaso, a senhorita não gosta dele... ou está com ciúmes do Ricky Martin?" – Regina perguntou subitamente em meio a uma risada divertida.
“Não! ...” — Emma sabia que não havia o que pudesse fazer naquela situação; não conseguia afastar aquele olhar de sua cabeça.
Regina a encarava curiosamente como se esperasse uma resposta; mas juntar pensamentos coerentes era algo que a jovem se sentia incapacitada de fazer no presente momento.
Uma brisa fria balançou as cortinas da sala e alcançou o sofá, fazendo Regina se arrepiar e de reflexo, se encolher.
“A temperatura diminuiu hoje...” — ela comentou, olhando para o tecido que dançava ao sabor do vento.
Emma, entretanto, não conseguia desgrudar os olhos das mãos finas que acariciavam a pele acetinada e que, dos braços, foram suavemente ao pescoço longo e delicado que parecia pedir para ser beijado, abrindo caminho para que pudesse alcançar os pequenos, rosados e deliciosos... Se remexeu no sofá em encontro a ficar mais perto da morena, mas ficou aliviada ao escutar o som de chaves na fechadura da porta. Sua mãe e James haviam chegado e ela, estava a salvo, pois tinha certeza que não poderia se controlar por muito mais tempo.
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Emma suspirou pesadamente ouvindo Killian falar sobre as suas expectativas para a apresentação na gincana sem parecer se importar com a sua falta de interesse. Ela estava com problemas demais para conseguir se concentrar nas coisas que o amigo inglês dizia...
“Ah, olha lá, a Regina...” – O rapaz apontou o outro lado do pátio, fazendo ela se voltar imediatamente para o lugar onde a garota caminhava... ao lado de Daniel.
O britânico estreitou levemente os olhos com um sorriso à Da Vinci, observando a, até então, distraída colega franzir as sobrancelhas lançando um olhar gélido para o casal. Sentiu pena do pobre Daniel, pois, se olhar matasse, ele teria sofrido um ataque cardíaco fulminante naquele mesmo momento.
“Tu sabes, Swan, as meninas comentaram comigo que Regina tem agido estranhamente essa semana..." – disse atraindo a atenção da loira que o encarou com os olhos um tanto, arregalados e aterrorizados.
“Estranha? Como assim estranha?”.
Killian teve que se controlar ao máximo para não acabar dando risada, mas era bastante óbvio que Emma escondia alguma coisa e estava morrendo de medo que alguém descobrisse.
"É! Eu realmente não tinha percebido antes, mas agora realmente vejo que é verdade. Ela parece mais alegre..." – fez uma pausa e olhou, de forma pensativa, para o lugar onde a garota estava. — "Isso faz sentido! Ela tem passado bastante tempo com o Daniel durante toda a semana... Realmente, a linha que divide o amor e o ódio é muito fi-..." – interrompeu-se ao ver a amiga se levantar irritada.
“Não é por causa daquele cara! Deve ser porque nós d...” – Ela parou, percebendo que havia falado besteira. Como iria sair daquela situação? 'Que vacilo'. Não poderia contar ao Killian! Não mesmo!
Encontrou uma saída ao ver a morena se afastar para voltar ao interior do colégio.
“Ah!Me lembrei... E-eu acabei de lembrar que me inscrevi como voluntária para ajudar com o trabalho do comitê depois das aulas. Eles estão precisando de ajuda. É uma pena que você não possa ir também porque tem que ensaiar com a Rubi...” – pegou a mochila que estava no chão e saiu correndo sem olhar para trás, deixando Jones com um sorriso divertido no rosto.
‘Isso está ficando tão interessante...’.
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Emma guardou, no armário do zelador, a escada que usara para prender ao teto a corrente de papel que cruzava os corredores de uma ponta à outra, e expirou cansada, alongando os braços levemente definidos para uma garota, e as costas que estavam levemente doloridos enquanto seguia pelo corredor em direção ao primeiro andar.
"Tenho que me lembrar de agradecer ao chato do Killian depois por isso..." — murmurou trincando levemente os dentes ao lembrar que o amigo a seguira para dentro do prédio, obrigando-a a oferecer ajuda para Regina. ‘Sádico dissimulado de uma figa!’.
“Cuidado! Sai da frente...” – Regina quase esbarrou nela subindo as escadas enquanto carregava três caixas, mantendo-as presas com o queixo.
“Hei! Deixe eu te ajudar com isso...” – Emma pegou as embalagens das mãos da garota antes que ela pudesse reclamar.
“Obrigada!...” – suspirou, sorrindo levemente. — “Já terminou o seu trabalho, Emma?”.
“Acabei neste momento! Para onde vai isso aqui?” – quis saber.
“Para a sala de materiais sobressalentes no terceiro andar...” – disse apontando para o andar de cima. Alguns minutos de silêncio se instalaram entre elas depois disso, até deixarem os pacotes no lugar certo.
"Ainda estamos muito atrasados com o planejamento?" – Emma perguntou, vendo-a fechar a porta.
"Não muito..." – a morena respondeu um pouco preocupada. – "Mas decidimos adiar alguns eventos que estavam agendados para hoje e..." – interrompeu-se e suspirou, encarando-a de forma terna. – "Emma, eu agradeço por ter ficado no colégio até mais tarde para nos ajudar. Você sabe que não precisava ter feito isso...".
"Não precisa agradecer! Além disso, foi legal, apesar de cansativo...".
“Sabe, Daniel disse que sua ajuda é totalmente bem-vinda e me pediu para perguntar se você se importaria de vir outro dia...” – comentou, fazendo a loira fechar a cara. – “Afinal, estamos precisando de todo apoio possível...”.
“Claro! E por que não?” – a mais velha respondeu tentando disfarçar a irritação.
“Eu estou cada vez mais impressionada com ele, sabia?” – sorriu. – “É incrível a forma como ele mantém a calma, apesar de estarmos com alguns problemas; consegue nos passar uma sensação de que tudo vai dar certo no final...” – suspirou levemente. – “É quase como se tivesse a resposta para tudo...”.
A loira soltou um muxoxo incompreensível que fez a outra se voltar curiosamente para ela, interrompendo o que estava falando.
“Emma...” – parou, fazendo-a voltar-se para trás ao ouvi-la chamar. Exibia um olhar que dispensava quaisquer palavras para saber que ela estava preocupada. – “Eu estou te aborrecendo com essa conversa, não é?” – suspirou inclinando levemente a cabeça para o lado.
"Ué, mas por que você acha que está me aborrecendo, Gina?" – perguntou, esboçando um sorriso.
"É que... ando tão ocupada com toda essa história da gincana que...” – abaixou levemente o olhar. – “Sinto como se... estivesse deixando você de lado...".
"É claro que não, que bobagem!” – viu-a menear a cabeça negativamente.
“Não negue. Eu tenho me ausentado tanto, quase não conversamos mais... e olha que estou passando uns dias na sua casa!” – ela riu nervosamente. – “É quase como..." – interrompeu-se, e suspirou, mordendo levemente o lábio inferior. ‘Como se estivéssemos nos evitando', completou mentalmente. Realmente estava evitando Emma. Porque, depois daquele dia, tudo parecia tão superficial, educado demais. Sabia que o motivo para estar se envolvendo tanto no comitê era justamente para não ter que encará-la.
‘Porque vê-la cara a cara me faz desejar, mais uma vez...’, pensou encontrando os orbes esmeraldas pousados sobre si de forma intensa.
Emma sentia o coração bater descompassado com cada gesto de Regina, não conseguindo desviar o olhar; e quando a viu enrubescer, ao notar a forma como a estava encarando, sentiu o ar faltar. Por que sentia tanta necessidade de beijá-la novamente?
‘Eu não posso ser a única a estar sentindo isso...’, a loira pensou tomando uma decisão.
"Vem comigo..." — ela puxou a morena pela mão para a sala de aula mais próxima.
Ela imediatamente notou os tons carmins do poente que preenchiam a sala, enquanto a loira fechava a porta ainda a segurando.
"O que houve?" – a mais nova indagou confusa, quando a outra se voltou para ela, parecendo não ter certeza do que estava fazendo, mas então...
Emma deu um passo a frente, aproximando-se e, segurando a outra mão dela, empurrou-a suavemente para trás, encostando-a contra a parede.
Os olhos castanhos se arregalaram imediatamente, acompanhando um leve estremecimento do corpo delicado. Regina sentiu um frio na barriga quando a respiração morna e alterada da outra começou a roçar em seu rosto.
Emma soltou uma das mãos dela, segurando-a pelo braço por medo que ela saísse dali, mas Regina nem sequer pensara nisso e, sem ao menos refletir, viu-se agarrando a blusa de Emma, puxando-a para mais perto. Os olhos verdes fixos na boca trêmula de ansiedade da menina.
Elas ficaram encarando-se por alguns instantes, e Regina começou a sentir os lábios secos, umedeceu-os com a ponta da língua. Imediatamente notou um brilho mais forte no olhar da garota loira, exatamente antes de ela dar fim à pequena distância que os separava.
Quando as bocas se tocaram, foi como se centenas de borboletas começassem a bater asas ao mesmo tempo dentro das duas, como se uma corrente elétrica se espalhasse pela espinha.
Emma levou uma das mãos à nuca dela, segurando-a firmemente, enquanto passava o outro braço pelas costas de Regina, aproximando-a ainda mais. Ela sentiu as pernas tremerem de tal forma que, se a loira não a estivesse segurando, certamente iria ao chão.
Elas separaram-se tentando recuperar o fôlego. Os narizes se tocando os olhos se mirando profundamente. Regina soltou a blusa cinza dela e passou os braços pelo pescoço de Emma, acariciando os cabelos loiros da nuca. Abriu um sorriso doce ao ouví-la suspirar, aproveitando a carícia suave e, então, beijou-a brevemente. Uma. Duas vezes. Tentadora.
Emma sorriu, aceitando a provocação e voltou a se aproximar, tomando-lhe novamente os lábios e puxando-a para mais perto com a mão que se encontrava na nuca para a cintura, aprofundando ainda mais a carícia.
Continua...
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