Chronicles Of a Love

10 I wanted not need words


Queria não precisar de palavras

Regina olhou pela janela do carro enquanto o colégio ficava para trás, junto a todos os olhos curiosos que estavam ali.

“Bem, lá se foi minha identidade secreta...” — Emma suspirou longamente, com um meio sorriso para Regina. — “Puxa, mãe, a senhora bem que podia ter sido um pouco mais discreta...” — reclamou, observando a mulher que desviou o olhar da jovem que estava ao lado da filha para encará-la.

“Sinto muito, mas não pude fazer nada. Não fui eu quem alugou o carro; você me conhece...” — ela a olhou ternamente. — “Eu queria ter alugado a limusine com banheira, mas não deixaram...” — completou ironicamente, vendo-a arregalar levemente os olhos.

Emma exalou fazendo uma expressão de assombro, mas relaxou em seguida, voltando-se para a amiga e vendo-a visivelmente desconfortável. A loira sorriu um pouco envergonhada, lembrando que ainda não as havia apresentado.

“Desculpem a minha distração...” — começou, atraindo atenção de ambas. — “Mãe, conheça Regina Mills. Regina, esta é minha mãe, Mary Margareth Swan...”.

“Muito prazer...” — a mulher sorriu, inclinando-se levemente para frente.

“Es-estou honrada em conhecê-la...” — Regina respondeu evitando encarar a mãe da loira diretamente nos olhos. — “Agradeço por me deixar ser amiga da Emma...”.

“Muito pelo contrário, Srta. Mills. Sou eu quem agradece por tomar conta da minha filha...” — divertia-se com o embaraço da garota e um pouco da filha.

Regina apenas sorriu, suspirando pesadamente enquanto um breve silêncio se instalou no interior do veículo, o que apenas aumentava a sensação de que era uma intrusa naquele momento.

“Quem está acompanhando a senhora?” — Emma indagou.

“Apenas James...” — a mulher disse simplesmente, fazendo a garota abrir um sorriso enquanto abaixava o vidro que separava o motorista da parte traseira do carro.

“James!” — exclamou. — “Estou decepcionada... Por que não me cumprimentou imediatamente?” — indagou em tom autoritário.

“Perdoe-me, jovem Emma. Achei que gostaria de privacidade por haver uma visitante no carro...”.

“Está bem, sua atitude foi justificada...” — disse alegremente. — “Como tem passado?”.

“Muito bem, obrigado. E muito contente por encontrá-la novamente e vê-la saudável e alegre...”.

“Digo o mesmo...” — respondeu, voltando-se para a jovem morena. — “James foi meu tutor, durante a infância. Devo a ele o fato de não ser mimada...” — constatou, fazendo a amiga rir.

“Prazer em conhecê-lo, Sr. James...”.

“O prazer é todo meu, senhorita. E pode me chamar apenas de James...” — o mordomo respondeu recebendo aquiescimento.

“Hã... Regina...” — Emma a chamou em um tom de voz mais reservado. — “O que você acha de, já que Killian e Rubi não comparecerão ao jantar hoje...” — ergueu uma sobrancelha, vendo-a arregalar os olhos.

A garota se voltou para a mãe da loira, tendo se dado conta do que ela falara.

“Com licença, Senhora Swan...” — Regina começou, mordendo o lábio inferior. — “Eu sei que é um tanto repentino, que deve estar cansada da viagem e querendo descansar, mas eu ficaria muito feliz se aceitasse jantar em minha casa esta noite...” — concluiu o convite com o rosto levemente corado de timidez. Mary sorriu, aceitando silenciosamente e viu os olhos âmbares da garota começarem a brilhar de excitamento.

“Ela é realmente uma graça, Emma!” — declarou a mulher subitamente, encarando Mills. — “Exatamente do jeitinho que você nos falou...”.

“MÃE!!” — ela a repreendeu com os olhos arregalados; a mulher não conseguia dizer qual das duas jovens estava mais embaraçada.

O ambiente no carro, depois disso, foi de puro desconserto entre os duas, que não conseguiam olhar uma para a outra sem que seus rostos adquirissem uma tonalidade rosa, e só foi quebrado quando chegaram à residência dos Mills.

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"Já cheguei!" — Regina anunciou ao abrir a porta da casa.

"Oi Filha!" — Gold respondeu do andar superior. Regina sorriu e voltou-se para os visitantes.

"Entrem, por favor!" — tomou a dianteira, indo até a sala. Passos foram ouvidos na escada.

"Regina, você se lembra onde eu guardei meu diário de viagens? Não o encontro em..." — Gold interrompeu a frase com os olhos levemente arregalados, vendo a mulher que estava ali. Emma imediatamente deu um passo à frente.

"Sr. Gold, eu gostaria de apresentá-lo a minha mãe..." — a moça loira falou educadamente.

"Eu sou Margareth Swan, muito prazer..." — ela se curvou para cumprimentarem e sorriu. — "Espero não estar incomodando...".

"De forma alguma, Sra. Swan..." — cumprimentou-a. — "Eu sou Robert Gold Mills. Bem vinda à nossa casa..." — disse, indicando-lhe o sofá, para que se sentasse. O que ela fez elegantemente, após agradecer. — "Não preciso dizer para se sentir em casa, não é mesmo, Emma?" — o homem olhou para a jovem e sorriu, vendo-a concordar.

"Papai, sobre o livro..." — A morena começou pensativa. — "Talvez o senhor o tenha levado para o porão, junto com seus diários antigos. Eles estavam na mesma prateleira do escritório..." — viu o pai balançar positivamente a cabeça, em forma de agradecimento.

"Darei uma olhada lá embaixo mais tarde..." — disse apenas, encerrando temporariamente o assunto. Desviou os olhos para a jovem Emma, que estava encostada na parede e depois voltou a encarar a filha. — "Rubi e Killian não viriam com vocês?".

"Viriam, mas fomos surpreendidos por minha mãe no portão do colégio ao final das aulas e eles acharam melhor remarcar o compromisso..." — A loira suspirou, pensando que Jones provavelmente havia antecipado o convite que foi estendido a sua mãe.

"E, como já estava quase tudo pronto, tomei a liberdade de convidar a Senhora Swan..." — Regina comentou esperando não ser repreendida mais tarde. — “Aliás, Emma, não tem problema deixar o James, lá fora?”.

“Não, não!” — Emma riu divertida. — “Não se preocupe com isso...”.

“Mas...” — ela a encarou com incerteza.

“Não precisa se preocupar, Srta. Mills...” — Mary a encarava com um sorriso. — “James voltou ao apartamento para desfazer a bagagem e deverá preparar algo para jantar por lá.”.

“Se é assim, então... tudo bem!” — a jovem silenciou, encarando o pai.

“Muito bem! Já que seremos apenas nós quatro, deixem-me preparar um chá para antes da refeição. Com licença..." — Gold disse educadamente, retirando-se para a cozinha. Regina suspirou pesadamente e olhou para Mary com um pequeno sorriso.

"Com licença, eu vou levar meu material para o quarto e trocar de roupa..." — explicou-se um pouco envergonhada.

"É claro, querida, não se preocupe..." — disse, vendo-a assentir e seguir para a porta. Ela parou e se voltou para Emma, com um sorriso no rosto.

"Qualquer coisa que quiser é só falar com a Emma, ela poderá atendê-la..." — sorriu, saindo da sala e escapando de uma almofada que fora jogada em sua direção. — "É melhor você colocar isso no lugar, Emma Swan..." — advertiu, com um tom de riso na voz, enquanto subia as escadas.

A mesma caminhou até onde a almofada caíra e a pegou, voltando ao sofá para ajeitá-la. Reparou o olhar surpreso que a mãe tinha em seu rosto e sentou-se ao lado dela.

"É, eu sei..." — começou a conversar em alemão com a voz baixa, suspirando e olhando para a janela. — "Não foi assim que fui ensinada a me comportar na casa dos outros..." — ouviu a mãe rir e abriu um pequeno sorriso.

"Tem razão. Os mestres ficariam malucos se a vissem agindo dessa forma..." — ela comentou reparando nos detalhes da pequena e aconchegante sala. — "Você está irreconhecível, minha filha..." — disse encarando-a, após alguns segundos de silêncio.

"E isso é bom, ou ruim?" — ela perguntou encarando-a. Mary sorriu.

"Você é quem tem de me responder isso..." — disse suavemente. — "Como se sente?" — perguntou.

"Sinto-me bem..." — disse apenas.

"Então é bom..." — ela abriu um pequeno sorriso, vendo-a concordar. A garota abaixou a cabeça, ficando pensativa por um instante. — "Algum problema?" — ela perguntou, fazendo-a voltar a encará-la.

"Apenas estava imaginando o que a senhora veio fazer aqui..." — comentou, olhando para a porta da cozinha e completou, voltando a falar normalmente. — "Mas acho melhor deixarmos para conversar sobre isso mais tarde..." — levantou-se e auxiliou Gold a arrumar a mesa de centro para servir o chá.

Da sala, ouviram o barulho de algo caindo pesadamente no chão do andar de cima. Emma se levantou imediatamente e correu em direção à escada, com o velho senhor logo atrás de si.

“Regina! Está tudo bem?” — questionou preocupada e com o pé já no primeiro degrau. Mary levantou-se e se encontrava em pé ao lado do sofá.

“Está tudo bem! Eu estou bem! Não se preocupe!” — ela respondeu, abrindo a porta do quarto e descendo rapidamente as escadas, resmungando algo incompreensível, enquanto amarrava o cabelo em um rabo-de-cavalo. Parou por um instante ao encontrar Emma e seu pai a esperando ao pé da escada com uma expressão preocupada. — “O que foi?” — indagou com um sorriso amarelo.

“Que barulho todo foi aquele?”.

“Apenas o som dos meus cadernos caindo no chão...” — disse, passando por ela com a cabeça levemente abaixada.

“Seus cadernos... de poesia?” — a loira a viu confirmar, desconfiada. — “Foram apenas seus cadernos que caíram?”.

“Sim...” — ela respondeu com a voz baixa.

“Então, porque você não olha para mim?” — segurou-a pelo braço, forçando-a a erguer o rosto. — “Gina, você tem um galo na testa!” — repreendeu-a, puxando-a até o sofá da sala e forçando-a a se sentar.

“Mas não foi nada!” — ela começou, vendo-a ir até a cozinha e voltar no instante seguinte com uma bolsa de gelo que era guardada na geladeira, nas mãos.

“Eu não quero ouvir nada. Você não é confiável em situações como esta...” — ela rebateu, dando a bolsa para ela segurar contra a cabeça.

“O que foi isso?” — Mary indagou, contendo uma risada diante da reação de sua filha com a jovem americana.

“É que essa garota aqui tem a terrível mania de não querer preocupar ninguém, então é preciso ficar atenta para saber se há algo errado...” — Emma falava, voltando a auxiliar Gold com o chá.

“Você fala como se eu não pudesse tomar conta mim mesma...” — a garota bufou levemente, cruzando os braços.

“Do jeito irresponsável que você age, não podemos arriscar, Regina...” — encarou-a.

“Isso é exagero! Eu me descuidei um pouco uma vez e você age como se eu fizesse isso o tempo todo...” — ela reclamou cansada.

“Você desmaiou durante a Educação Física, Regina!” — foi a resposta indignada da loira.

“Estou totalmente perdida nessa conversa...” — Margareth comentou com Gold, uma pitada de curiosidade em sua voz.

"No ano passado eu participei de um congresso sobre civilizações pré-colombianas em Cuzco. No dia em que eu parti de viagem, Regina acordou um pouco indisposta e febril, mas não disse nada e também não demonstrou sinais de fraqueza para que eu não desistisse da conferência porque, como meu filho mais velho também estava fora da cidade, ela ficaria sozinha..." — O homem explicou, fazendo Mary olhar de forma velada para a jovem.

"Isso é muita irresponsabilidade, minha jovem..." — a mãe de Emma comentou, observando-a abrir um sorriso sem graça e olhar para a amiga que a encarava com as sobrancelhas contraídas.

"Mas isso não foi tudo..." — a jovem loira cruzou os braços. — "Apesar de estar se sentindo mal, essa cabeça-oca ainda foi assistir a aula e me deu um susto enorme quando desmaiou no meio da educação física..." — suspirou pesadamente, lembrando-se do que acontecera naquele dia. Gold riu um pouco antes de falar de novo.

“Emma se encarregou de vigiar Regina nos quatro dias que fiquei fora, para evitar que ela se esforçasse demais...” — o senhor suspirou, retirando os óculos simples do rosto por um instante e limpando as lentes. — “Regina sempre se preocupou mais com os outros do que consigo mesma, e isso não me deixava muito tranquilo quando eu tinha que viajar..." — Explicou, com um sorriso. — "Mas agora eu posso ficar mais descansado, sabendo que Emma estará por perto..." — viu a filha abaixar a cabeça corada.

“Vamos deixar isso pra lá e o tomar o chá antes que esfrie.” — Emma disse reparando o estado de embaraço da morena. Sentou-se ao lado dela no sofá, encarando-a com um sorriso terno e falou em tom de confidência. — “Sabe que eu fico chateada quando lembro disso porque me preocupo com você, não é?”.

“Eu sei...” — suspirou, olhando nos fundo dos olhos verdes dela. — “Mas também não gosto quando você fica me lembrando disso...”.

“Desculpa. Prometo não fazer isso de novo, está bem?” — falou pegando uma das mãos da morena.

Os adultos observaram a interação das filhas em silêncio; Gold suspirou pesadamente antes de se voltar para a mãe da loira.

“Com licença. Vou terminar de preparar o jantar, já que Belle não está na cidade...” — levantou-se.

“Eu o ajudarei!” — Regina se prontificou.

“Não é necessário, meu bem. Faça companhia para a senhora Swan...” — disse caminhando para a cozinha.

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“Estava delicioso!” — Emma elogiou ao terminar de comer. — “Meus cumprimentos ao chef...” — encarou o senhor Mills com um largo sorriso no rosto.

“Muito obrigado, minha jovem. Mas espero que tenha guardado lugar para a sobremesa...” — comentou vendo o rosto da moça se iluminar.

“Sempre tem espaço para a famosa torta de chocolate, Sr. Gold...” — falou, fazendo todos dar risada.

“Parece-me que isso é algo bastante comum por aqui...” — a mãe da garota observou.

“Ah, sim... Emma já é ‘hóspede permanente’ em nossa casa, não é mesmo?” — o homem comentou suavemente, antes de se levantar. — “Regina, ajude-me a retirar a mesa, por favor...”.

“Ah,...! Sim!” — começou a limpar a mesa, mas parou ao ver Emma ajudando. — “Você não precisa fazer isso, sabia?” — encarou-a, inclinado levemente a cabeça para o lado.

“Não é questão de necessidade. Eu quero fazer isso...” — respondeu, passando pela garota e pegando também os pratos que ela segurava.

A morena a acompanhou com os olhos, mantendo um terno sorriso no rosto, durante alguns segundos, antes de pegar os pratos para a sobremesa no armário.

“Sabe, Sr. Gold...” — Swan começou ao se sentar novamente à mesa. — “Eu ainda não sei o motivo pelo qual o senhor me chamou aqui hoje...”.

“Achei que não fosse perguntar...” — Gold sorriu, vindo em direção à mesa com a torta nas mãos. — “Regina...”.

“Já sei! Já sei! Pode deixar...” — ela se levantou num pulo, saindo da cozinha.

“Como você sabe, Belle viajou antes e eu viajarei agora na próxima terça-feira por causa de uma expedição e...” — partia o bolo, mas parou por um instante para observar a jovem alemã, que o encarava desconfiada. — “E por causa disso ficarei fora pelos próximos quarenta e cinco dias, o que significa que não estarei presente no seu aniversário...”.

“Aqui está papai...” — Regina retornou trazendo um pacote retangular embrulhado em papel de presente verde. Após entregar o embrulho para o pai, se voltou para a amiga que a encarava, balançando negativamente a cabeça.

“Senhor Gold, n-não precisava se preocupar com isso. E-eu...”.

“Eu sei perfeitamente o que você vai dizer, mas não quero ouvir…” — o homem mais velho ergueu a mão, fazendo a jovem interromper a frase. — “Apenas abra, mas com cuidado...” — entregou o presente..

Emma segurou a caixa suspirando pesadamente e olhou para a amiga que se inclinava levemente sobre ela com um enorme sorriso, esperando que desembrulhasse o pacote. Com cuidado para não rasgar o papel, Swan o abriu arregalando os olhos ao ter o conteúdo revelado.

“Minha nossa! Minha nossa!” — a garota ergueu rapidamente o olhar para o homem à sua frente, descrente. — “I-isso... isso é...” — não precisou concluir a frase e já viu Gold anuir sorridente. Mal podia acreditar no que tinha em mãos. Era um livro muito antigo com as páginas já amareladas, a capa era simples, de couro e na frente se lia, meio desgastadas, duas palavras: Howard Carter. — “Eu nem consigo acreditar...”.

“O que é?” — Mary perguntou, sem entender o motivo de toda aquela euforia.

“É uma cópia do diário do descobridor da tumba de Tutankhamon sobre a expedição...” — entregou-o nas mãos da mãe. — “Só fizeram uma edição desse diário. É praticamente uma peça de coleção!”.

“Eu sabia que você ia gostar...” — Regina se sentou ao lado de Emma.

“Eu adorei!” — encarou o pai da amiga. — “Muito obrigada mesmo, Sr. Gold! Mas...” — começou meio envergonhada. — “Não precisava ter preparado tudo isso só para me entregar o presente. Poderia ter deixado com a Gina para...”.

“Sim, é verdade. Mas se eu fizesse isso não poderia ver a expressão do seu rosto ao abrir o presente... Isso foi impagável...” — respondeu deixando-a ainda mais encabulada. Voltou a servir a sobremesa.

“O senhor mima demais minha filha, Sr. Mills...” — Margareth disse com riso na voz.

“Eu sinto muito, Sra. Swan e espero que me perdoe se a tiver estragado...” — comentou brincando. — “É que meus filhos não se interessam tanto por esses assuntos...”.

“Ah, não é bem assim...” — Regina tentou se defender. — “Eu gosto muito de ouvir as histórias que o senhor conta, mas não me sinto confortável para discuti-las como a Emma faz...”.

“Eu sei disso, meu bem. Eu não a estava criticando...” — Gold a tranquilizou. — “Agora, que tal deixar a conversa de lado para saborearmos a sobremesa?”.

“Seria ótimo! Porque do jeito que a Emma está babando em cima do prato vamos acabar nos afogando...” — disse rindo.

“Ah, também não exagera, ne...” — a moça reclamou, ameaçando dar um peteleco na testa da amiga.

“Não ouse...” — ela pronunciou num tom ameaçador, estreitando os olhos.

“Ou você vai fazer o quê?” — desafiou-a aproximando um pouco mais a mão da fronte da garota.

Aceitando ao desafio, Regina inclinou-se na direção da garota, enquanto um pequeno sorriso se insinuava em seus lábios.

“Eu tenho uma caixa cheia de fotos suas durante o último festival que, tenho certeza, sua mãe adoraria ver...” — sussurrou, vendo-a arregalar os olhos e se afastar lentamente.

“Então, vamos comer?” — ela perguntou, fingindo que o diálogo anterior com a morena não acontecera.

A garota sorriu divertida com a reação de Swan. Foi uma boa idéia lembrá-la das fotos do festival em que a garota loira se vestiu de Bela Adormecida. Emma acabara sendo sorteado para interpretar a princesa onde ela se achou ridícula, mas para a Regina ela tinha ficado ainda mais linda.

‘Ela andava tão nervosa naquela época. Qualquer coisa a tirava do sério e ela estava tão nervosa na noite da apresentação... ’, ela pensou com um sorriso divertido, mas foi com um olhar levemente entristecido que Regina levou o primeiro pedaço da torta à boca, lembrando-se da decepção que sentira por não ter conseguido fazer o papel de ''príncipe''.

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Regina saiu correndo de casa. Estava, para variar, atrasada, então foi com espanto que encontrou Emma na entrada da alameda que levava para o colégio.

“Bom dia, morena...” — ela sorriu assim que a garota parou à sua frente.

“Bom dia!” — ela respondeu ofegante. — “Que estranho encontrar você aqui nesse horário. Dormiu demais hoje, é?”.

“Na realidade, eu estava esperando por você...” — disse caminhando, com a amiga ao seu lado.

“Por mim? Por quê?” — ela indagou, fazendo a garota encará-la de forma ofendida.

“E agora eu preciso de motivos para esperar minha melhor amiga? Isso é um absurdo!” — ela exclamou, recebendo um olhar desconfiado. — “Está bem, eu confesso. Estou um pouco receosa de aparecer no colégio sozinha hoje. Por causa do que aconteceu ontem...”.

“Eles certamente vão te atacar com dezenas de perguntas, não é?” — Regina sorriu para ela de forma encorajadora.

“Ou isso ou... tochas, foices, machados e canivetes suíços...” — ela falou de forma séria, arrancando gargalhadas da garota morena.

“E você é algum tipo de monstro, por acaso?”.

“Ah, vai saber o que estão pensando de mim...”.

“Exagerada...” — ela disse, engatando seu braço no dela. — “Mas eu não posso ficar com você o tempo todo hoje. Tenho reunião com o comitê organizador da gincana...”.

“Pode deixar que eu dou um jeito. Só não queria estar sozinha ao entrar no colégio...” — ela falou, prendendo levemente a respiração, antes de passar pelo portão. Mas o movimento de alunos àquele horário era bem pequeno, visto que estavam em cima da hora. — “Se bem que, chegando nesse horário não há como me ‘atacarem’, nee?”.

“Ora, e ainda implica comigo...” — a morena a soltou e apressou alguns passos deixando-a para trás por alguns instantes, até que sentiu seu braço ser segurado. Voltou-se para trás, encontrando os olhos verdes da herdeira, encarando-a com carinho.

“Rê...” — chamou-a, sorrindo levemente. — “Obrigada!” — Depositou um breve beijo na testa dela, depois passou pela garota, indo para a sala na frente.

Regina arregalou os olhos, tocando com a ponta dos dedos o local que Emma a beijou. Aquele gesto fora totalmente inesperado...

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A loira estava sentada na sombra da árvore em que costumava passar os intervalos do almoço com Regina. Comia lentamente um sanduíche que comprara na cantina enquanto lia um livro obrigatório para a disciplina de Literatura. Interrompeu a leitura quando notou uma sombra ser projetada em sua direção e ergueu a cabeça, esperando ver a amiga à sua frente, mas estava enganada.

“Swan, eu gostaria de conversar com você...” — Zelena falou num tom de voz completamente fora do normal. Até parecia estar insegura.

“Por que será que eu não estou surpresa em vê-la aqui?” — ela guarda o livro nas pernas e cruzou os braços, impaciente. — “O que você quer, Zelena?”.

“Eu... eu acho que lhe devo desculpas e...” — ela falava, notando que a expressão da garota não mostrava nenhuma mudança. — “Queria dizer que eu estava enganada sobre você...”.

“Oh! Jura?” — ela balançou ironicamente a cabeça rindo. — “Estranho você ter percebido isso em um momento tão oportuno!”.

“Não é bem assim...” — ela tentou argumentar, mas a garota não daria a ela uma chance de se explicar.

“Sinceramente, Zelena, eu não ligo para o que você pense...” — levantou-se ficando cara a cara com a garota que engoliu em seco. — “E não tenho tempo a perder com pessoas interesseiras...” — declarou, começando a se afastar da outra.

“Então sugiro que preste muita atenção na Mills...” — ela adicionou rapidamente, fazendo-a parar. Não iria permitir que aquela conversa terminasse daquela forma. — “Porque me parece bastante óbvio que ela só esteve perto de você durante todo esse tempo por puro interesse!”.

“Você não faz a mínima ideia do que está falando...” – ao falar, Emma olhou para trás com uma expressão serena e um sorriso suspeito, encarando a garota diretamente nos olhos. Percebeu que um pouco de desespero tomava conta dos olhos da ruiva, dando de ombros continuou andando, com certa satisfação interior.

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“Nossa! Eu não fazia ideia do trabalho que dá organizar uma gincana...” — Regina se espreguiçou, ao sair da sala de reuniões.

“É a primeira vez que você representa sua turma?” — Daniel perguntou, acompanhando-a.

“É sim!” — ela suspirou. — “Eu geralmente evito me envolver com essas coisas. Não me sinto muito confortável...”.

“Ué, e por quê?” — ele estranhou. — “Pelo que pude perceber você tem um grande espírito de liderança... Apesar da sua timidez no começo...”.

“No começo?” — espantou-se. — “Eu não parei de tremer um segundo enquanto falava...”.

“É, mas você foi uma das que mais falou e deu ideias...” — Ele riu, vendo-a ficar desconsertada.

“Não tem graça...” — murmurou, abaixando a cabeça.

“Bem, de qualquer forma essa foi apenas a primeira reunião...” — ele sorriu para ela. — “O trabalho de verdade começa na semana que vem...”.

“Ai... nem quero pensar nisso...” — ela suspirou, sentindo-se um pouco cansada, mas feliz ao mesmo tempo.

Ficaram em silêncio por algum tempo. A garota adquiriu uma expressão pensativa. Estava um pouco preocupada com Emma.

Daniel a observava pelo canto dos olhos. Estava prestes a quebrar o silêncio para perguntar se estava tudo bem quando a viu sorrir e seu rosto se iluminar. Quando olhou para frente, viu a garota Swan vindo em sua direção.

“Ah, vejo que ainda está viva...” — Regina disse brincando. — “Foi perseguida por muitas hordas revoltas?”.

“Não... Na realidade todos estão me evitando...” — Emma comentou num misto de alívio e apreensão. — “Eu espero que isso tudo não afete meu relacionamento com o pessoal...”.

“Ah, não seja boba...” — a garota disse de forma terna. A loira sorriu de volta e então olhou para Noah.

“Como vai, Daniel?” — cumprimentou-o de forma um pouco séria.

“Muito bem, obrigado...” — o rapaz disse e olhou para Regina. — “Eu já vou! Vejo você na segunda-feira, Mills...” — acenou para a morena e passou pela herdeira meneando a cabeça.

“O que ele quis dizer com aquilo?” — Emma inquiriu, erguendo uma sobrancelha de forma desconfiada.

“Nada demais... Ele também está no comitê organizador da gincana...” — A morena sorriu levemente.

“Ah...” — Swan disse um pouco desconfiada. — “Mudando de assunto... Você deixou minha mãe bastante impressionada ontem...” — ela sorriu um pouco envergonhada.

“Ainda bem! Eu detestaria saber que ela não gosta de mim...” — ela suspirou levando uma mão ao peito.

“Como isso seria possível, morena?” — ela perguntou carinhosamente. — “Aliás, minha mãe exige dar um jantar de agradecimento para você e seu pai antes que ele vá viajar...” — falou em tom quase autoritário.

“Ora, mas não há necessidade de...”.

“Nem mais uma palavra, Senhorita Mills...” — ela a interrompeu. — “Mamãe também disse que tem um assunto a tratar com seu pai e, embora não tenha me explicado o que seja, parece ser importante porque ela queria fazer o jantar hoje...”.

“Mas hoje será o jantar de oficialização do noivado do Neal...” — Regina a encarou, contraindo levemente os ombros. — “E o papai vai viajar na terça-feira...”.

“Eu disse para minha mãe que vocês já tinham compromisso hoje. Por isso ela decidiu marcar a data para amanhã...” — a loira sorriu para ela de lado.

“Nós íamos ao cinema com a Rubi e o Killian amanhã...” — ela falou com cara de choro.

“Pois é... mas eu não consegui contar isso para ela...” — encarou a amiga com ironia.

“Ah... Está bem! Eu ligo para Rubi cancelando o cinema...” — ela suspirou pesadamente. — “Sinto muito Brad, Orlando e Eric, mas não poderei vê-los nesse final de semana...” — ela choramingava cabisbaixa.

“Regina!” — Swan a encarou incrédula. — “O que é isso?”.

“Isso o quê?” — ela ergueu uma sobrancelha. — “O que você esperava? O filme tem deuses gregos no elenco...”.

“Tanto faz, mas...” — ela interrompeu a frase, suspirando. Não havia motivo para tanto alarde, uma vez que Regina era uma garota. ‘Não! Ela é uma mulher! E uma bela mulher...’, corrigiu-se, mas era difícil para ele pensar nela daquela maneira... Regina sempre fora, simplesmente, Regina.

“Mas... o quê?” — ela perguntou, tirando-a de seus pensamentos.

“Mas uma mocinha como você não devia ficar falando esse tipo de coisa...” – falou com tom infantil, apertando de leve o nariz da garota e recebendo um olhar torto.

Regina detestava quando falavam com ela como se ela fosse uma criança, especialmente quando esse tratamento vinha dela. Afastou-se da mão da garota e acabou dando um passo em falso.

Quando viu a garota pender para trás, Emma puxou-a por um dos braços, segurando-a pela cintura. Fora um ato de puro reflexo.

Regina estava com os olhos arregalados e as maçãs de seu rosto adquiriram uma tonalidade rósea pelo súbito contato com Emma e, também, pela forma estranha como a mesma a encarava. Swan abriu um sorriso terno olhando no fundo dos olhos castanhos, o que fez o coração da garota acelerar.

“O-o que... o que foi?” – Ela finalmente conseguiu encontrar as palavras.

“Eu nunca havia notado como você é frágil...” – Emma disse, soltando-a e colocando uma mecha do cabelo negro da garota atrás da orelha.

“Como assim?” – ela perguntou, sendo atingida por uma onda de confusão.

“É que eu... eu sempre a vi como alguém tão forte...” – Swan mantinha um olhar de admiração no rosto. A verdade é que não tinha certeza do que estava falando, mas algumas vezes sentia que alguma coisa mudava na amiga ou, talvez, fosse ela própria quem estivesse mudando? Observou a expressão um pouco atordoada de Regina e decidiu mudar de assunto. – “Olha quem está vindo ali...” – falou, desviando o olhar para o corredor. – “Hei, Kristoff, o que ainda faz por aqui?”.

“Sou responsável pelas tarefas de classe hoje...” – o rapaz disse sorridente. – “E vocês?”.

“Eu estava esperando a Regina sair da reunião do comitê esportivo...” – disse, continuando o caminho ao lado do amigo em direção à saída. Regina ficou parada no mesmo lugar, perdida em pensamentos até ouvir ela chamá-la para irem embora.

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Glinda tomava uma xícara de chá confortavelmente sentada em uma poltrona no quarto de Zelena, enquanto a ruiva repetia pela centésima vez o desfecho da conversa que tivera com Emma Swan, no horário do almoço.

“Se ela pensa que vai se livrar de mim agindo dessa forma, está muito enganada...” – disse, bufando de raiva e jogando-se de costas sobre a cama.

“Eu nunca a vi tão nervosa por ter levado um fora...” – Dorothy, que estava sentada no batente de uma das janelas do quarto, comentou dando uma risadinha.

“Não me provoque, Gale!” – esbravejou, sentando-se e fuzilando a amiga com o olhar.

“Mas ela está certa, Lena...” – A loira reforçou, colocando a xícara sobre a mesa de centro. – “Se eu não a conhecesse diria que está apaixonada pela Swan...”.

“Não seja ridícula!” – falou com voz de escárnio. – “É bem verdade que já fui dispensada algumas vezes antes, mas nunca com tanta grosseria...” – ela estava indignada. – “Eu não vou aceitar isso! Não vou mesmo!”.

“Se você diz...” – Glinda murmurou e deu de ombros, pegando novamente a xícara de chá.

A ruiva fingiu não ter ouvido o que a loira disse e voltou a se deitar, encarando o teto por segundos incontáveis. Dory olhava para o jardim da casa da ruiva através da janela e Glinda sorvia o chá tranquilamente. As amigas da garota sabiam que era apenas uma questão de tempo até que ela recomeçasse com o discurso de vítima. E estavam certas.

“Quem ela pensa que é?” – Ela começa novamente, mais para si do que para as garotas que a acompanhavam.

A garotinha morena suspirou pesadamente, balançando negativamente a cabeça.

“E então...” – começou, voltando-se para a amiga. – “O que você pretende fazer agora?”.

Zelena se sentou, encarando a morena com um sorriso malicioso. Ela estava certa. Não era de seu feitio ficar reclamando sem tomar alguma atitude. Mostraria àquela alemãzinha que cometera um grande erro ao fazer pouco caso dela.

“Ela vai se arrepender de ter me irritado...” – declarou decidida. “Vou fazê-la rastejar aos meus pés. Custe o que custar...”.

Continua...

Notas finais
Como vai pessoas? Estou eu ressurgindo do esquecimento para atualizar essa fic. Eu sei que nem adianta pedir as desculpas de vcs pq não se justifica as demoras mas é que aconteceu tantas coisas comigo aqui e fora. Por isso me afastei das fics. Sinto muito mesmo por isso pessoal. Mas se ainda alguém ainda quiser ler meus rabiscos, aqui vai um capítulo de Chronicles Of a Love! O que eu posso falar sobre esse capítulo? Eu estou começando a pensar que, sem querer, a nossa alemã Emma fez a ruivinha Zelena gamar nela... Será?? Aiaiai... Será que isso vai ser problema?? Hein? O que tem o Daniel? Ah... Eu não sei também o que devemos esperar dele... Vocês acham que ele vai causar problemas?? Alguma sugestão de como resolver a situação?? O_O Não!! Daniel e Zelena dentro de um carro que despenca de um barranco e explode não é opção... sinto muito!! XD Curiosidade: Logo depois de concordar em cancelar o cinema, Regina se lamenta por não poder ver Brad Pitt (Aquiles), Orlando Bloom (Paris) e Eric Bana (Hector) - galãs de Tróia, filme que eles iriam assistir no cinema - para o caso de vocês terem se perguntado “quem são esses caras??”... Sem muito mais o que comentar por hoje. Besos! ps: proximas atualizações virão!!