Chronicles Of a Love

11 Am I dreaming?


Notas iniciais
Capítulo SwanQueen pra vcs! Boa leitura!

Regina ajeitou o vestido mais uma vez antes de tocar a campainha. Olhou para o pai com um sorriso um tanto quanto sem-graça. Nunca admitiria, mas estava nervosa; não sabia se havia exagerado ou se estava vestida de forma simples demais para um jantar oferecido pela família Swan.

“Está tudo bem, minha filha?” — Gold a observava com um sorriso discreto, enquanto pegava das mãos da garota uma sacola que ela carregava. — “Não está se sentindo bem?”.

“Não é nada. Eu estou bem...” — falou voltando-se para a porta que se abria.

“Boa noite!” — Emma atendeu com um sorriso. — “Entrem, por favor! Estávamos esperando por vocês...”.

“Com licença!” — os convidados entraram no apartamento seguindo a loira até a sala. Por algum motivo a jovem morena ficou ainda mais nervosa com a aparição dela.

“Sentem-se. Fiquem à vontade!... Minha mãe se juntará a nós em um instante. Está terminando de se arrumar...”.

“Hum... o cheiro está delicioso...” — O senhor Gold falou, enquanto se acomodava no sofá.

Emma encarou a amiga que parecia inquieta. Regina se sentou no lugar indicado sem falar nada. Apenas sorriu nervosamente evitando encontrar o olhar da loira. Emma estranhou um pouco a atitude dela, mas decidiu não falar nada.

Ela admitia que a amiga estava muito bonita usando um vestido de tecido branco perolado, justo, que ia até os joelhos; tinha um decote discreto e alças largas e segurando um casaco de tom beje por conta do frio naquela noite.

“Boa noite! Desculpem a demora...” — Mary entrou na sala, fazendo a garota morena se levantar rapidamente.

“Boa noite!” — a voz de Regina quase saiu em um sussurro.

“Senhora Swan, gostaria de agradecê-la pelo convite para o jantar...” — Gold a cumprimentou, prestando cumprimento.

“Não é nada demais. Estou apenas retribuindo a gentileza...” — ela sorriu, indicando a ele, novamente, o sofá.

“Eu vou até a cozinha preparar um pouco de chá e suco...” — Emma disse, deixando a sala no instante seguinte.

Regina a acompanhou com os olhos e, assim que ela saiu de vista, pousou-os sobre a mãe da amiga, que conversava com seu pai. Abaixou levemente a cabeça, envergonhada pelos caminhos a que sua imaginação a conduzia. Não conseguia controlar a sensação de inadequação que a possuía diante da senhora e, com isso, não podia evitar repreender-se. Não havia motivos para se sentir insegura e, também, não precisava ter a aprovação de Mary, mas assim o desejava. E saber disso pesava-lhe na consciência. Ela não era assim!

Voltou a erguer o olhar tentando expulsar aquela ansiedade, mas a imagem da mulher trouxe, novamente, o nervosismo. Não porque a mais velha fosse ostensiva; muito pelo contrário. Ela usava um simples vestido preto, com detalhes bordados discretamente sobre o tecido com fio da mesma cor. Os cabelos curtos não deixavam de ser bonitos, bem penteados para um lado e usava um batom vermelho , que contrastava com a pele branca. Era sóbrio e ao mesmo tempo...

‘Ofuscante...’, era a única palavra em que a garota conseguia pensar para descrevê-la.

Emma voltou para a sala, trazendo a bandeja do chá para os mais velhos e em seguida traz uma com suco. Assim que terminou de servir, sentou-se ao lado da amiga que permanecia pensativa e em silêncio.

“Hei...” — chamou-a baixinho, fazendo-a encará-la levemente assustada. — “O que houve? Está tão quieta... Não se sente bem Rê?”.

“Não se preocupe. Eu estou bem...” — sorriu de leve, sem conseguir convencê-la.

“Senhorita Mills...” — Mary a chamou, assustando-a. Isso deu a Emma a impressão de que a amiga estava se sentindo desconfortável com a presença de sua mãe ali, mas não podia imaginar a razão.

“Sim!” — respondeu prontamente.

“Seu pai me disse que foi escolhida para representar sua sala na gincana esportiva do colégio...” — disse vendo a garota concordar silenciosamente. — “Meus parabéns!”.

“Muito obrigada!” — agradeceu timidamente.

“Eu era muito hábil nos esportes, também...” — disse alegremente. — “Mas isso foi há tanto tempo... em minha adolescência...” — suspirou saudosa, antes de voltar a conversar com Sr. Gold.

Regina olhou para Emma com um pequeno sorriso, passando a encarar os próprios pés de forma pensativa, em seguida.

“Regina...” — chamou-a com a voz carregada de preocupação, vendo-a suspirar pesadamente.

Emma sabia que ela não diria o que a estava incomodando, então tudo o que lhe restava, era tentar distraí-la e fazê-la se sentir melhor. Com isso em mente, abriu um sorriso divertido e pegou uma das mãos da amiga, fazendo-a levantar o rosto.

“Você está muito bonita, sabia?” — disse baixinha, vendo-a arregalar os olhos e ficar com o rosto em chamas.

“Do... do que você...” — começou, abaixando o rosto para disfarçar seu embaraço.

“O quê? Não acredita?” — ela indagou, voltando-se para sua mãe. — “Mamãe, a senhora não acha que a senhorita Regina está linda hoje?”.

Mary encarou as jovens por alguns segundos e sorriu ao ver o estado da garota, que dava um esbarrão no ombro de sua filha.

“Eu não diria que é só hoje, mas de fato...” — começou. — “A combinação que está usando é de muito bom gosto. E eu posso me lembrar de poucas pessoas que consigam dar tamanho encanto a algo tão simples...”.

“O-obrigada, senhora Swan...” — sorriu levemente, tímida pelo elogio, mas se sentindo um pouco mais tranquila.

“Com licença, Senhora...” – James adentrou a sala. – “O jantar está servido!”.

“Ah! Ótimo! Por aqui, por favor...” – levantou-se, indicando a sala de jantar.

“Vamos?” – Emma indagou com um sorriso tímido nos lábios.

Regina a olhou com ternura, suspirando levemente, antes de concordar. Sentia-se bem mais animada.

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“Uhm... Nós já vimos esses filmes...” – Emma comentou, mostrando os títulos que a mãe havia sugerido. – “Quer assistir algum deles de volta?”.

“Eu não me importo em assisti-los mais uma vez...” – a morena deu de ombros suavemente.

“Ah, não...” – a loira suspirou um pouco cansada, mas abriu um sorriso em seguida. – “Hei! Que tal jogar videogame?”.

“Parece bom pra mim...” – sorriu, vendo-a se levantar.

“Vamos lá, então...” – iam saindo da sala, quando Mary as chamou.

“Aonde vão?” – a mulher perguntou.

“Vamos jogar videogame...” – Emma disse, vendo a mãe desviar o olhar dela para Regina e depois para Gold.

“Está bem! Mandarei chamá-las daqui a pouco para o chá...” – falou, ouvindo-a concordar antes de sair com Regina seguindo-a.

Mary permaneceu olhando para a porta por onde as jovens haviam saído durante alguns segundos antes de voltar-se novamente para o pai da jovem.

“Desculpe-me a indelicadeza, Sr. Mills...” – começou um tanto incerta. – “O senhor já deve saber das preferências de minha filha em questão de relacionamentos e eu a apoio acima de tudo. O senhor não se incomoda por isso?”.

“Claro que não senhora...” – ele sorriu, olhando para a porta. – “Esse relacionamento delas não me deixa exatamente apreensivo,...”.

“O relacionamento delas...” – ela repetiu pensativa. – “Confesso que estou um pouco intrigada com isso...” – suspirou. – “Emma sempre me disse que Regina era apenas uma amiga...”.

“Bem, elas não estão namorando, então...” – observou a reação da mulher à sua frente.

“Elas não estão?” – exibiu um sorriso triste. – “Confesso que isso me deixa um pouco decepcionada...” – disse em tom de brincadeira. – “Mas percebi algo. Regina sente algo mais por minha filha, não é?”.

“Bom, sim, ela sente...” – ele disse em tom de riso. – “Não sei há quanto tempo exatamente, mas percebi que já faz uns dois anos e, apesar de ser uma tristeza ter que dizer isso, Emma não demonstra outra coisa além de carinho e amizade por Regina...” – parou brevemente, pensativo. — “Ou, pelo menos, era o que eu pensava...”.

“Como assim?” – a senhora não estava entendendo.

“É que ultimamente eu tenho notado algo diferente no jeito de Emma tratar Regina...” – um sorriso terno foi desenhando-se nos lábios do homem. – “Ela sempre foi muito atenciosa, quase como uma irmã para ela, mas nas últimas quatro ou cinco semanas, ela tem mudado. Até o jeito com que ela a olha é outro...”.

“Bem, senhor Gold, eu sei como Emma age perto dos irmãos e posso lhe garantir que, com eles, ela não tem metade do cuidado que tem com a sua filha...” – Mary disse divertida.

“Dói o coração ter que viajar em um momento como esse...” – dizia pesaroso.

“Eu me sinto em desvantagem aqui, sabe...” – a mulher suspirou pesadamente. – “O senhor conhece a minha menina muito bem... Esteve presente na vida dela durante os últimos anos de uma forma que eu não pude estar. Eu lhe agradeço!”.

“Não há necessidade para isso, Senhora Swan...”.

“Bem, isso nos leva ao principal motivo de eu ter oferecido esse jantar...” – ela começou, mudando levemente o tom de sua voz e deixando-o um pouco mais formal.

”E, o que eu posso fazer pela senhora?” – ele indagou, curiosamente.

“Eu gostaria de ter sua opinião, senhor Gold, sobre convidar a sua filha Regina para ficar conosco aqui no apartamento enquanto o senhor estiver viajando...” – declarou, vendo o homem encará-la longa e pensativamente.

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“O que você quer jogar, Gina?” – Emma perguntou, ligando a televisão e o videogame.

“Algo que dê para nós duas, de preferência...” – ela disse, fazendo a loira rir.

“Pode ser de luta?” – quis saber, vendo-a concordar. – “Vai ser esse aqui então...”* – separou um título, mas não o colocou no aparelho e sim um outro. –“Tem uma coisa que eu quero mostrar antes...” – explicou ao ver a expressão confusa da amiga, enquanto se afastava do televisor, sentando-se no chão.

“O que é?” – Regina se sentou ao lado dela olhando para a tela.

“É que tem uma cena no jogo que me fez lembrar de você...” – disse, recebendo um olhar desconfiado.

“Por quê?” – questionou enquanto a amiga carregava o jogo.

“Você já vai entender...” – riu um pouco ao ouvi-la suspirar aborrecida por não ter lhe respondido. – “Só tenho que passar esses diálogos aqui, rapidinho...”.

Regina olhava, sem muito interesse, para o casal que conversava no vídeo até o momento em que a garota começou a chorar e a imagem mudou para uma animação. Ela abriu um pequeno sorriso ao ouvir a introdução de uma canção pouco antes dos personagens se beijarem. Mantinha os olhos fixos na tela de forma absorta, sentindo-se envolver pela suavidade da melodia, que junto a cada detalhe da cena, transmitia-lhe uma alegria e uma emoção muito grandes. Contudo logo se viu invadida por uma onda de tristeza e desapontamento, o que não poderia ser diferente já que a própria música falava de desejos que só seriam realizados em sonhos.

Olhou de esguelha para a loira ao seu lado sentindo a tristeza ser rapidamente substituída por confusão ao lembrar do que ela falara antes.

‘Por que ela me mostrou isso?’, perguntou-se arregalando os olhos com o primeiro pensamento que passara por sua mente.”Será que ela pensou em mim porque gostaria de me beijar?’, supôs ficando sem graça. Olhou-a novamente com o canto dos olhos, tentando descobrir o motivo para ela ter-lhe mostrado aquilo. ‘Não pode ser por isso! Regina, volte para a realidade!’, censurou-se, suspirando pesadamente.‘Mas e se foi a isso que ela se referiu?’, considerou desnorteada pelas conclusões as quais sua imaginação a conduzia.

“O que achou?” – Emma lhe perguntou, pegando-a um pouco distraída.

“Muito bonito, mas é tão clichê...” – respondeu a primeira coisa que lhe veio à cabeça.

“Clichê?” – encarou-a confusa, fazendo-a quase se arrepender do que havia dito.

“É. Você não percebeu todos os chavões cinematográficos pra cenas de beijo que apareceram ali?” – questionou, vendo a amiga negar.

“Eu não vi nada disso... Os elementos da cena formavam algo quase mágico! Surreal!” – ela replicou, vendo-a erguer uma sobrancelha. – “Vamos assistir de volta, então!” – disse, reiniciando o jogo.

“Ora, vai dizer que nunca notou todo o misticismo colocado sobre a questão do beijo pelo cinema?” – indagou contrariada.

“Ah, Regina, agora você está exagerando...” – contestou.

“O assunto que é tratado com exagero!” –a morena exclamou, vendo-a carregar a cena novamente. – “A música romântica, o jogo de luz e cores, tudo girando para dar a impressão de que o mundo parou no momento do beijo, fogos de artifício...” – enumerava nos dedos.

“É claro que, quando você coloca as coisas dessa forma...” – encarou-a suspirando.

“São coisas que acontecem nos filmes, mas não na vida real...” – disse, recebendo um olhar irônico.

“E como você pode saber?”.

“Ah, eu não sei...” – desviou o olhar da loira, envergonhada.

“Viu só...” – ela riu zombeteira. – “Pode existir uma explicação para tudo isso. É uma questão de saber escolher onde e quando dar o beijo...”.

“Você não vai me persuadir...” – A morena começou encarando-a convicta.

“E por que não?”.

“Porque eu não estava falando de beijos em situações isoladas ou diferentes...” – rebateu. – “Claro que se o qualquer tipo de casal estiver em um jantar romântico, vai ter música de fundo. E se eles se beijarem durante o ano novo, vai ter fogos de artifício; e tudo pode estar girando se o beijo acontecer, sei lá, em um brinquedo no parque de diversões, mas tire tudo isso...”.

“Você é exigente...” – Emma sorriu, observando-a.

“Eu sou é realista...” – corrigiu-a, ficando em silêncio por um instante enquanto ela repetia as ações que levavam para a animação. – “E você já reparou nas dicas que entregam quando vai ter beijo na cena?”.

“Dicas?” – ela se voltou curiosamente para Regina, ignorando a cena do jogo que recomeçara.

“São pequenos detalhes...” – ela gesticulava, esboçando um sorriso ao ouvir a música novamente. – “Pode reparar como os personagens procuram os lábios um do outro que, convenientemente, estão rosados ou umedecidos, isso quando eles não os acabam umedecendo enquanto se olham...”.

O vento é um coração que nadou nas palavras acumuladas

“Faz sentido...” – Emma, inconscientemente, pousou seu olhar nos lábios da amiga por um instante, mas disfarçou, voltando a encontrar os olhos castanhos. – “E é bem comum também enquadrar os olhos do casal...” – comentou pensativa.

As nuvens são vozes lançadas para o futuro ansiado

“Olhos brilhantes, não se esqueça!” – ela brincou, recebendo uma mirada intensa dos olhos verdes da jovem alemã.

A lua é um coração tremendo em um espelho instável

“Como pedras preciosas...” – ela sussurrou sem desviar do olhar castanho por um único instante, o que a fez ruborizar. – “E...” – abriu um sorriso reconfortante. – “Sempre ficamos com o rostos vermelhos...”.

As estrelas são lágrimas gentis em um rio transbordante

Regina arregalou os olhos e estremeceu levemente, sentindo o coração bater descompassado.

Como é bonito... Caminhar juntos de mãos dadas

“O... coração dispara...” – disse sentindo a boca seca.

Eu quero ir para sua cidade, sua casa, em seus braços

“Falta o ar...” – a loira sussurrou, fazendo-a desviar o olhar.

“São clichês...” – ela falou, voltando a respirar.

Com aquele coração protegido em seu peito

“E bem significativos...” –Emma viu-a confirmar, mordendo levemente os lábios carnudos.

“É! Coisa de filme...” – voltou-se para a amiga novamente, tentando falar de uma maneira descontraída, mas a loira ainda a olhava profundamente. Regina sentiu seu sangue correr mais rápido. — “Tudo parece tão simples e lógico que chega a ser revoltante...” – admitiu atordoada.

“A velha história do final feliz!” – admirava-a atentamente.

Nessas noites confusas... Eu sonho.

“É! Até parece que é só se apaixonar pra...” – suspirou e abriu um sorriso triste, abaixando o olhar.

“Pra ficar tudo bem...” – completou procurando pelos olhos âmbares, que pareciam querer evitá-la.

“É...” – Regina não conseguiu fugir dos orbes esmeraldas por muito tempo e acabou mergulhando neles de forma sonhadora. — “Sabe... eu, algumas vezes, me pergunto qual a sensação...” – confessou tocando os lábios com a ponta dos dedos, as maçãs do rosto ganhando um tom mais acentuado de vermelho. — “Que gosto será que tem? Se é que tem algum gosto...”.

“O primeiro beijo deve ser a coisa mais estranha do mundo...” – Emma declarou um pouco embaraçada também. – “Não sabemos se estamos fazendo do jeito certo, ou não...”.

“Deve ser muito confuso...” – a morena falou com um fio de voz.

“Acho que devia ter alguma maneira de se preparar para esse tipo de coisa...” – a loira termina e ergue a mão para ajeitar uma mecha do cabelo escuro dela atrás da orelha; se assustou levemente os olhos ao senti-la estremecer com o seu toque inesperado.

“T-Também acho...” – a morena segredou, notando como os olhos verdes de Emma frequentemente, fixavam-se em seus lábios.

“O que você...” – a loira aproximou-se lentamente, um leve tom de rouquidão em sua voz. – “O que você acha de fazermos uma experiência?” – embora Emma aparentasse estar calma, seu coração batia violentamente dentro do peito, ameaçando sair. Suas mãos suavam e seus olhos pareciam mais brilhantes do que já eram, hipnotizados pelos olhos de sua amiga, como se olhá-la fosse a única coisa que sabia fazer na vida.

“Experiência?” – Regina engoliu em seco, fazendo-se de desentendida, embora soubesse exatamente o que a amiga quisera dizer. Aquilo era bom demais para acontecer.

“Se você quiser, claro...” – encarou-a longamente, esperando por uma resposta. Emma suspirou desanimada, diante do silêncio dela. – “Bem... é claro que você deve preferir ... um garoto ou...''

"Não!" – exclamou, ficando ainda mais agoniada de vermelha, se é que aquilo era possível. Respirou profundamente, tentando acalmar-se e baixou a cabeça, olhando-a de soslaio. – “E-eu adoraria... quero dizer, eu gostaria muito que ... que você fosse a minha primeira..." – completou um pouco confusa ao ver seus olhos claros um pouco assustados. — "Por que... bem... você é... você é minha melhor amiga...".

A jovem loira não entendeu porque sentiu uma leve pressão no peito ao ouvi-la dizer aquilo, afinal era por esse motivo que se encontravam naquela situação; porque eram amigas que iam descobrir algo novo...Juntas!

"Então... vamos lá..." – a voz de Emma não passava de um sussurro grave.

Elas aproximaram seus rostos, devagar, os corações batendo acelerados. As respirações curtas. Os perfumes invadindo seus sentidos.

A última visão que Emma teve foi dos belos olhos castanhos se fechando, os lábios prontos...

As bocas finalmente se tocaram... Foi um toque suave, gentil... Tão gentil como uma borboleta pousando em uma flor.

Regina sentiu vontade de chorar, mas se controlou. Não poderia deixar transparecer o quanto aquele momento lhe afetava... Foi aos poucos se desfazendo os contatos simples.

Elas se separaram, encarando-se nos olhos por um momento, mas a morena logo desviou o olhar, pela forma que Emma lhe encarava.

"Bem, isso foi... foi isso...” –A garota menor balbuciava confusa. – “O... que você achou do beijo de uma total inexperiente com garot-..." – interrompeu a frase ao senti-la, subitamente, segurar seu rosto com as duas mãos, capturando mais uma vez seus lábios... um beijo mais profundo, real.

Regina agarrou-se ao pescoço dela, sentindo a pele arder. As mãos de Emma passeavam pelas costas da garota, puxando-a para mais perto de si e provocando em Regina a impressão de que uma onda quente lhe invadia, como se um vulcão tivesse explodido em seu peito. Não mais conseguiu conter as lágrimas que tão corajosamente reprimia, deixando-as escorrerem por seu rosto.

Emma não podia acreditar. Era maravilhoso beijá-la! Que sensação era aquela? Desconhecida e ao mesmo tempo tão familiar? Ela apertava-a contra seu corpo, colando-se a ela. Sentiu algo como uma corrente elétrica percorrer sua espinha, fazendo-a estremecer, com o calor que emanava de Regina.

Ela interrompeu a carícia quando um gosto salgado se misturou à doçura daqueles lábios e se afastou, encarando-a confusa ao ver sua amiga chorando.

“O que foi?” – Emma indagou assustada, afagando-lhe o rosto. Será que fizera algo errado? Antes que pudesse dizer algo mais, entretanto, viu-a começar a rir, secando os olhos.

“Eu acho que estava ouvindo os fogos de artifício...” – disse, voltando a encarar a loira, com o rosto vermelho.

Emma sorriu aliviada, mirando novamente os orbes castanhos. E, dos olhos, voltou sua atenção para os lábios, lembrando-se das sensações que a acometera durante a experiência que tivera instantes antes. Ao voltar a encontrar o olhar de Regina, notou em sua expressão algo que parecia convidá-la a se aproximar mais uma vez e assim o fez. Levou a mão ao queixo dela e o ergueu levemente, sentindo o coração acelerado de antecipação pelo que aconteceria.

Podiam sentir a respiração uma da outra quando uma batida na porta as assustou, fazendo elas se afastarem com a decepção que aquela interrupção lhes causava, estampada no rosto.

"Jovem Emma!" — disse a voz de James abafada pela porta.

"Pode entrar!" – A garota respondeu, levantando-se, antes que a porta se abrisse.

“A senhora pediu que as chamasse para o chá...” – o mordomo disse, vendo a garota morena encaminhar-se para a porta, enquanto sua jovem mestra desligava a televisão.

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Emma respirou profundamente, jogando-se sobre sua cama. Acabara de se despedir de Regina e do senhor Gold, o que lhe permitia, finalmente, pensar. O final daquela noite a deixara totalmente tensa, por medo de que seus pais percebessem qualquer coisa suspeita nas suas ações e da...

‘Amiga?’, se perguntou se poderia continuar considerando-a dessa forma depois do que ocorrera entre elas. Apenas agora que foi considerar os problemas que aquela brincadeira poderia causar.

“Onde eu estava com a cabeça, meu Deus?” – fechou os olhos, criticando-se mentalmente pelo que sentira ao beijar a melhor amiga. Todos seus pensamentos lhe diziam que aquele beijo deveria ter sido esquisito, no mínimo, e não algo tão natural e... gostoso.

Estava perdida em reflexões quando batidas na porta a trouxeram de volta à realidade.

“Sim?” – respondeu, vendo James entrar com o telefone em mãos.

“É a senhorita Mills, jovem Emma.” – falou, fazendo a garota pular da cama e agarrar o aparelho.

“Obrigada. Pode me dar licença, por favor...” – acompanhou o mordomo se retirar, antes de falar alguma coisa. – “Alô...”.

“Emma...”– Regina fez uma pausa curta. –“Está sozinha?” – indagou um pouco receosa.

“Sim. Pode falar...” – prendeu a respiração, entendendo sobre o que a amiga queria conversar.

“Eu... Eu queria saber se você está bem, quer dizer, se não está se sentindo estranha...”.

Swan deu um sorriso ao ouvir a pergunta. Ela parecia ter lido sua mente.

“Pra dizer a verdade Gina, eu estou meio confusa...” – ela admitiu. — “Eu queria muito conversar com você...” – sentou-se na cama.

“Eu também. As coisas ficaram um pouco estranhas...”– a morena falou com tom de riso, mas Emma sentia que ela estava inquieta. -“Não conseguimos lidar com a situação na frente de nossos pais...”.

“Parece que não realm-...”.

“Emma...”– ela a interrompeu, mas se calou em seguida, fazendo a loira ficar um pouco apreensiva.

“O que foi?” – decidiu puxar o assunto.

“...Você se arrependeu?”.

Swan fechou os olhos por um instante e molhando os lábios finos, recordando o que sentira mais cedo.'Arrepender-me? Como poderia?’, pensou abrindo um pequeno sorriso.

“Não. E você?” – ela teve a impressão de ouvir a amiga rir do outro lado da linha.

“Eu não!”.

Emma resolve se deitar na cama, encarando o teto enquanto ouvia a respiração agitada dela.

“Escuta...” – ela começou. – “Acha que, amanhã, conseguiremos agir normalmente?”.

“Espero que sim!”– a morena disse honestamente. –“Porque, se não conseguirmos, acho melhor recusar o convite de sua mãe...”.

“O quê?” – não entendeu do que ela estava falando. ‘Que convite?’.

“Meu pai ficou muito grato pela preocupação dela... Ah! Mas tem certeza de que não será incômodo?”.

“Não! Não se preocupe...” – Ela respondeu um pouco incerta. Teria que perguntar para a mãe do que Regina estava falando.

“Que bom!...”– ela disse rindo. –“Mas vai ser divertido!”.

“É, vai sim...” – Emma concordou cheia de curiosidade. ‘Mama, o que a senhora está aprontando?’.

“É melhor eu desligar, agora. Falo com você amanhã!”.

“Espera, Gina!” – chamou-a. – “Vamos combinar uma coisa antes...”.

“O quê?”.

“Não vamos deixar nada interferir nas coisas entre nós...” – pediu com ternura, ouvindo-a suspirar.

“Tudo bem!” – ela concordou, por fim.

“Promete?”.

“É uma promessa!”.

“Até amanhã, então...”.

“Até amanhã!”.

Swan desligou o telefone, sentindo uma onda de tranquilidade se apossar de seu peito e corpo. Percebeu quer não havia motivos para se preocupar, contanto que aquilo não interferisse em sua amizade com Regina. Com isso em mente, permitiu-se envolver gradualmente pelo sono e a última coisa em que pensou, antes de entrar no reino de Morfeu, foi que deveria perguntar a sua mãe sobre o talconvite que ela fizera a Regina.

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“Bom dia, James!” – Emma cumprimentou o bom homem, em alemão, sentando-se à mesa.

“Bom dia, jovem mestra!”– o homem a cumprimentou, a deixando constrangida.

“James! Sabe que não gosto quando me chama assim...” – o repreendeu, fazendo-o rir.

“Você madrugou hoje, minha jovem...” – comentou, servindo-lhe o café.

“Acabei me acostumando a acordar nesse horário...” – ela suspirou, olhando em volta com estranhamento. – “Onde está minha mãe?”.

“A Senhora não se levantou ainda...” – o mordomo falou adquirindo uma expressão um pouco séria.

“Ela está bem?” – a menina inquiriu com preocupação.

“Apenas acordei com um pouco de dor de cabeça...” – Mary surgiu na cozinha encarando James de forma aborrecida. – “Mas já estou melhor...” – completou sorrindo para a filha. – “Bom dia, meu amor!”.

“Bom dia, mamãe!” – Emma esperou-a se sentar. – “Posso lhe fazer uma pergunta?”.

“Sim?”.

“O que a senhora combinou com o Sr. Gold sobre a Regina?” – Ela foi direto ao assunto, deixando a mais velha um pouco espantada. – “Gina me disse ontem que está bastante animada por seu convite...”.

“Ela está? É bom saber!” – exclamou sorridente. – “Tive medo de ela não aceitar por receio de incomodar...”.

“Aceitar o quê?”.

“Ficar conosco enquanto o senhor Mills estiver viajando...” – esclareceu, fazendo a garota quase se engasgar com o suco e arregalar os olhos.

“Re-Regina vai ficar aqui?” – estava atônita. Entendeu, subitamente, o porquê da amiga dizer que recusaria o convite se as duas não conseguissem agir com naturalidade.

“Sim. Com exceção dos finais de semana, quando o irmão dela estará na cidade, resolvendo os assuntos do casamento...”.

“Por que a senhora não me consultou sobre isso?”.

“Achei que não fosse se importar, já que são tão amigas...” – comentou estranhando a reação dela.

“Não é disso que estou falando...”.

“E, pelo que o senhor Mills me disse, você também sempre acabava dormindo na casa deles, preocupada por deixar Regina sozinha em casa enquanto ele viajava...” – colocou, vendo a filha enrubescer. – “E, também, eu quero muito me aproximar dessa menina. Ela é um doce! Por isso achei que a oportunidade seria perfeita...” – sorriu, suavemente.

“Eu confesso que fiquei um pouco surpresa pela senhora tê-la convidado sem me avisar, mas é claro que não vejo problema por ela ficar conosco...” – ela a encarava a sua genitora pensativa. — “Mas posso saber por que tem tanto interesse nela?”.

“Ora, minha filha, ela é sua amiga! Não preciso de outro motivo...” – olhava-a de forma divertida. – “E eu também quero ouvir, de outra pessoa, o que você tem feito aqui na América...”.

“Eu Sabia! Mãe, por favor, não faça perguntas constrangedoras nem conte aquelas histórias sobre a minha infância para ela...” – ela pediu, ou melhor, implorou..

“Que histórias?” – falou fingindo-se de desentendida.

Emma apenas suspirou pesadamente e se levantou, olhando-a de forma contrariada.

“Eu acho melhor me arrumar e ir ao colégio para tentar convencer a Regina a recusar sua proposta...” – declarou, fazendo-a rir.

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Rubi entrou na sala e espantou-se levemente ao avistar sua amiga Regina já na sala. Mesmo que a amiga não estivesse sempre atrasada, aquele horário era um pouco cedo demais.

“Bom dia!” – aproximou-se, deixando seu material e bolsa sobre a carteira sem receber resposta.

Regina continuava com a cabeça apoiada em uma das mãos enquanto olhava através da janela com um sorrisinho bobo.

“Regina?” – chamou-a passando a mão na frente dos olhos, fazendo-a despertar.

“Ah, bom dia, Rubi!” – cumprimentou-a alargando o sorriso.

“Nossa! Pelo visto o jantar ontem foi muito bom, hein...” – a morena de olhos azuis alfinetou, vendo-a desviar o olhar. A corista arregalou os olhos, aproximando-se da amiga um pouco desconfiada. – “Regina?”.

“O quê?” – ela se voltou para a outra, tentando disfarçar.

“O que aconteceu ontem que a está deixando com o rosto da cor de pimenta?” – ergueu uma das sobrancelhas, vendo um sorriso sem-graça surgir nos lábios da jovem de olhos chocolate.

“Bem...” – começou, vendo os olhos de Rubi brilharem de expectativa, mas não conseguiria contar o que acontecera entre ela e Emma. – “A mãe da Emma me chamou para ficar com eles enquanto papai estiver viajando...” – disse nervosamente.

“Ah...” – Rubi suspirou. Por um instante pensou que ela finalmente havia se declarado para a garota. — “Então você vai ficar no apartamento da Swan?”.

“Eu ainda não sei...” – disse abaixando o olhar. – “Vai depender...”.

“Como assim?” – estranhou, vendo-a olhar para a porta.

“Bom dia!” – Emma entrou na sala as saudando com um sorriso. – “Nossa, Gina, madrugou hoje, hein?”.

“Você também parece ter caído da cama...” – ela retrucou com um sorriso, olhando-a de esguelha. Voltou-se para trás, iniciando uma conversa bem-humorada.

Luccas as observou intrigada por um instante, antes de se sentar em seu lugar, imersa em pensamentos. Tinha alguma coisa diferente entre as duas, mas o que poderia ser?

“Olá! Bom dia!” – Tinker se aproximou ao lado de Anna.

“Como foi o final de semana?” – a garota de cabelos cacheados e loiros quis saber.

“Foi divertido!” – Regina suspirou, sendo observada por Emma com um pequeno sorriso. – “Meu irmão oficializou o noivado no sábado...”.

“A professora Tamara deve estar muito feliz, não é?” – Lilly comentou, recebendo assentimento.

“E o fim de semana de vocês?” – Rubi perguntou.

“Fiquei ajudando Kristoff na lanchonete...” – Anna expirou cansada.

“E eu assisti alguns filmes para a coluna de cinema do jornal com a Lilly...” – Tinker falou sorrindo. – “Falando nisso, algum de vocês já assistiram Showbar?” – indagou recebendo respostas negativas de todos. – “Então, nem percam tempo! Eu o aluguei esse final de semana, é péssimo! Cheio de clichês e totalmente previsível!” – falou, fazendo Emma e Regina arregalarem levemente os olhos, abaixando a cabeça, envergonhadas.

Rubi fechou seu livro 'Tomoyo' e assistiu à reação das duas com estranheza e desconfiança. ‘O que está acontecendo aqui, afinal?’, perguntou-se voltando a atenção para as amigas que continuavam contando os acontecimentos dos dias anteriores e lendo.

Continua...

Notas finais
Eu simplesmente adorei esse capítulo! Espero que tenham gostado, também... As coisas parecem entrar nos eixos para o “casal maravilha”... huahuahauh... Seria muito fácil se fosse! Para quem ainda não descobriu e possa estar se perguntando: “O que E&R estavam vendo na TV que deu origem à situação toda?”, era uma cena do jogo Final Fantasy X entre Tidus e Yuna! Jogo esse que, adoro! Ahhhh e obrigada pessoal que comentou e deixou seu favorito na fanfic! ;) Os próximos capítulos serão definitivamente revolucionários! Pois estamos entrando em uma nova fase... a fase da amizade colorida!!