Chronicles Of a Love
3 Can you feel the love tonight?
Notas iniciais
Killian estava organizando as últimas peças de roupa no armário de seu quarto. Não que precisasse fazê-lo, mas gostava de saber onde estavam seus pertences, por isso não permitia que mexessem em seu dormitório. Ouviu batidas na porta e, interrompendo o trabalho, foi atendê-la.
“Desculpe, maninho, mas tem alguém procurando por você na portaria…” – disse uma mulher de longos cabelos negros, com um sorriso no rosto.
“Obrigado, Elisa…” – sorriu levemente, vendo-a afastar-se em seguida, para terminar de comandar a decoração do apartamento. – “Mas não me lembro de ter passado esse endereço a ninguém…” – murmurou, saindo do quarto e indo até o interfone fixado na parede. – “Pois não?” – atendeu, vendo a jovem figura do porteiro levar um susto, pela tela de cristal líquido. Balançou negativamente a cabeça com um sorriso.
“Tem uma moça procurando pelo senhor…” – disse o homem enquanto alguém resmungava próximo dali, parecendo estar contrariado.
“E de quem se trata?” – Killian perguntou pacientemente. O síndico o avisara de que o porteiro do turno vespertino iniciaria o trabalho aquela semana.
“Como?… Ahn,… só um segundo, senhor!” – disse confuso, fazendo o inglês divertir-se com a situação. – “A Srta. Swan o está procurando, Sr. Jones…” – falou após alguns segundos, completamente sem graça.
“Certo!” – Killian disse, suspirando. – “Diga a Srta. Swan que já estou descendo…” – desligou o aparelho, com um sorriso no rosto. Pelo visto, Emma ainda perdia a paciência com muita facilidade.
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Após alguns minutos, Killian apareceu no saguão do edifício. Sorriu divertido ao ver que a Swan estava conversando com o porteiro. Parecia estar dando-lhe dicas sobre como proceder, a cena era um tanto quanto cômica, levando-se em conta quem era a loira.
“Boa tarde, Emma!” – cumprimentou-a irônico, fazendo-a com que o encarasse.
“Boa tarde, Killian!…” – respondeu, com um sorriso. – “Eu vim ver se você não gostaria de dar uma volta e conhecer a cidade…” – disse apontando para a rua atrás de si.
“É uma boa ideia…” – disse um pouco cansado. Passara a tarde, trancado dentro do apartamento. – “Mas, como foi que descobriste onde…” – Emma o interrompeu com uma risada.
“Imaginei que meus pais soubesse de sua vinda para cá!” – sorriu de lado.
“E, pelo visto, acertaste…” – o rapaz riu, ajeitando os cabelos castanhos que caíam um pouco sobre sua face.
“Não era difícil imaginar isso, já que nossos pais se dão tão bem…” – deu de ombros, caminhando para a saída do saguão. Olhou para trás e acenou para o rapaz sentado no guichê. atrás da mesa. – “Boa sorte, Sr. Parker!” – disse alegremente.
“Obrigado, Srta. Swan!… E obrigado pelas instruções…” – acenou de volta com um sorriso.
“Eu nunca imaginaria algo assim vindo de ti, minha amiga!” – Killian falou divertido.
“Também custo a acreditar que sou realmente eu, em certas ocasiões…” – a loira respondeu fazendo graça. Caminharam em silêncio por duas quadras até alcançarem a entrada do parque da cidade.
“Eu me surpreendi por ainda estares aqui em Storybrooke, Emma…” – Killian comentou, fazendo Emma suspirar. – “Quando nos encontramos, antes de vir aos EUA, lembro-me de teres dito que passarias apenas um ano por aqui…” – lançou um olhar de estranhamento a amiga.
“E é verdade. Esse era o plano que eu tinha...” – sorriu ternamente. – “Mas acabei mudando de ideia… Ficando por aqui eu não preciso me preocupar com as tradições da família, as ordens dos superiores, os negócios…” – Ela falava cada vez mais baixo mostrando que não se sentia bem ao entrar no assunto.
“Com a fama que cerca tua família…” – Killian completou, vendo Emma assentir com a cabeça. – “Eu percebi que ninguém sabe quem você realmente é por aqui…” – falou parando de caminhar e encarando a loira.
“Sim. E prefiro que as coisas continuem assim…” – suspirou, deixando o amigo ligeiramente confuso.
“Mas por que dessa atitude defensiva?” – perguntou encarando-a.
“Desde que vim para Storybrooke Killian, sei que as pessoas que me cercam não fazem isso por causa de meu sobrenome…” – suspirou. – “Elas permanecem ao meu lado porque realmente se importam com a Emma Swan, e não com a futura herdeira da minha família…”.
“Não acha que já tiveste tempo o suficiente para saber quem está ao teu lado pelos motivos certos?” – ergueu uma sobrancelha, inquisitivo. — “Além disso, você pode magoar teus amigos mantendo segredo disso…” — viu Emma respirar profundamente de forma pensativa. – “Principalmente a Regina…” – comentou, fazendo-a balançar positivamente a cabeça.
“Sabia que você perceberia logo que a Regina é minha melhor amiga desde sempre…” – a loira comentou com um sorrisinho e viu o inglês encará-la espantado.
“Tua… Melhor… Amiga?” – perguntou, pausadamente. – “Na realidade, pensei que o relacionamento de vocês duas estivesse ‘um pouquinho’ acima disso…” – ironizou, desapontado.
“Não entendo, o que quer dizer com isso Jones…?” – falou, olhando para o amigo com incredulidade. Killian riu.
“É que foi a primeira vez que te vi sorrir de forma tão aberta, então tive uma impressão um pouco equivocada…” – virou-se para a loira e viu que ela olhava fixamente para um ponto à frente. Desviou o olhar observando o que chamara a sua atenção.
Parada em frente a um edifício, em uma saída lateral do parque, estava uma garota com cabelos levemente ruivos e ondulados usando o uniforme do colégio, que, curiosamente, parecia acentuar as curvas de seu corpo. Era alta e esbelta e os olhos de um singular azul. Estava encostada em um carro, conversando com um rapaz que parecia ter seus vinte anos, provavelmente universitário.
“Você a conhece?” – perguntou, olhando novamente para Emma, que pareceu acordar de um transe ao ouvir sua voz.
Ela balançou a cabeça positivamente, abaixando-a em seguida e continuou a andar. Killian a seguiu, não sem antes lançar mais um olhar para aquela garota que prendera tanto a atenção da amiga loira. Talvez estivesse começando a entender a situação, agora.
Permaneceram calados e Emma sentia-se desconfortável com a quietude repentina do amigo.
“O nome dela é Zelena Mader…” – ela disse quebrando o silêncio. – “Estuda na nossa sala, mas não compareceu hoje…” – tentava esclarecer as prováveis dúvidas que o inglês teria. Ficaram calados por mais alguns segundos. – “Mas, então, Killian…” – abriu um sorriso. – “Em qual empresa vocês estão de olho dessa vez?” – questionou mudando de assunto.
“De olho?…” – ergueu uma sobrancelha, encarando a amiga de forma divertida. – “Da forma que falas, fazes parecer que somos monstros que acabam com toda e qualquer empresa, para apenas anexá-la ao nosso grandioso império…” – encarava-a seriamente, mas seu tom de voz era de deboche. – “É essa a visão que tens de minha família, Srta. Swan?” —riu fazendo pouco-caso da resposta que seria obtida.
“Não tente me enrolar, Sr. Jones…” – Emma cruzou os braços, rindo também. – “Eu sei perfeitamente como funciona o mundo dos negócios!” – declarou, com ar de entendida.
“Mas como sabes que minha vinda para cá tem relação com os negócios?” – questionou, curiosamente.
“Eu supus que fosse por isso…” – riu debochada.
“Então estava blefando e eu acabei por cair…” – balançou negativamente a cabeça.
“Sim, mas não tente desconversar!…” – tinha um tom de ameaça na voz, que fez Killian rir.
Nunca imaginaria Emma fazendo brincadeiras a esse respeito. Quando se conheceram na Inglaterra, por causa dos negócios entre as famílias de ambos, mesmo tendo apenas 10 anos, ela já possuía uma visão bem madura e crítica de como encarar os negócios, mas isso parecia ter mudado com o afastamento dela e dos assuntos relacionados à família.
“Não vim para cá com o intuito de adquirir uma pequena empresa…” – explicou calmamente, passando a falar de forma séria. Emma arregalou os olhos e abriu um sorriso. – “Estamos nos tornando acionistas de uma empresa de extrema importância para a economia americana no mercado…” – disse com certo orgulho.
“Corporações Granny's!” – a loira abriu um imenso sorriso. – “A Rubi comentou que tinha uma reunião com os novos sócios da avó hoje, então você…” – olhou para o rapaz de cabelos negros que balançava negativamente a cabeça.
“Não irei a esse jantar…” – declarou, deixando Emma surpresa. – “Meu pai não acha sábio que eu me apresente nesse momento. A Sra. Lucas pode questionar nossa seriedade com relação aos negócios por causa de minha idade e, apesar de permanecer aqui justamente por causa dos negócios, também vim a América para disputar uma vaga na Universidade…” – sorriu. – “Sabe o quanto meu pai tem orgulho de suas origens…” – viu a amiga balançar positivamente a cabeça. – “Ele gostaria que eu, pelo menos, fizesse o nível superior em Nova Iorque…” – suspirou.
“Então não foi apenas a negócios que você veio para cá, afinal…” – Emma comentou, suspirando. – “Há algum lugar em especial aonde você queira ir?” – perguntou.
“Como eu posso saber? Não conheço Storybrooke.” – declarou, fazendo-a rir. – “Você me tiraste de casa para mostrar a cidade, mas até agora só andamos a esmo…” – reclamou.
“Então acho que podemos…” – interrompeu a fala ao ouvir o som de um telefone tocando. Killian retirou o celular do bolso e olhou na tela.
“É Elisa… só um instante querida…” – disse afastando-se enquanto falava com a irmã. Desligou e respirou profundamente. – “Seja lá o que estavas planejando, vai ter que ficar para outro dia, minha amiga…” – disse pesarosamente.
“Não sabia que a Elisa estava com você…” – comentou, parando em frente ao amigo.
“Ela está apenas ajeitando a decoração do apartamento…” – suspirou. – “Disse que, se não fizesse isso, o apartamento teria apenas um piano, um sofá e um microsystem, além das mobílias do quarto, e minha coleção de miniaturas de navios e que isso seria um grande desperdício de espaço…” – comentou, enquanto a loira ria, lembrando-se da espalhafatosa irmã de Killian.
“Você sabe voltar para casa sozinho, não é?” – perguntou, fazendo Jones encará-la como quem duvida dos próprios ouvidos. Seus olhos se estreitaram e ele fitou a loira com uma expressão de descrença.
“O que estás querendo insinuar?…” – questionou, rindo com ironia enquanto a moça à sua frente gargalhava, ficando quase sem ar.
“Estou apenas me... Assegurando de que você não… vai se perder no… no caminho de volta…” – respirava profundamente, recuperando o fôlego. – “Afinal, estivemos andando a toa…”.
“Ao acaso, sim, mas em linha reta…” – retrucou, sem conseguir conter uma risada divertida.
“Então, até amanhã na escola!” – abraçou o amigo, despedindo-se.
“Até amanhã, loira!” – acenou, balançando a cabeça ainda rindo, acompanhando ela se distanciando com os olhos, antes de dar meia volta para retornar ao apartamento.
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Regina estava pensando em Emma com o caderno de exercícios de matemática aberto a sua frente. Gostaria que ela estivesse ali naquele momento, quem sabe conseguiria entender melhor o que era pedido.
“Eu devia ter prestado mais atenção ao que a Belle estava falando…” – suspirou deitando a cabeça sobre o caderno enquanto encarava a foto dela e de Emma que ficava sobre a mesa de cabeceira. Sorriu levemente e se levantou, indo até a cama para pegá-la.
Fora ideia de Rubi tirá-la no último festival de aniversário da cidade. Estavam abraçadas, de rosto colado: a loira ao lado dela, com o queixo apoiado em seu ombro direito, a mão esquerda sobre a sua cintura, enquanto a da morena segurava a máquina para a foto. Formavam uma dupla e tanto: ela usando uma calça jeans junto com botas pretas que ela achava super atraentes na loira, camisa cinza e jaqueta marrom-claro, enquanto Regina trajava um sobretudo longo, cinza em tom grafite, com as mangas compridas e uma echarpe com estampa de oncinhas. As luzes, criavam um cenário quase mágico ao fundo. Regina, algumas vezes, ainda sentia a respiração da loira roçando suavemente sobre seu rosto quando olhava aquele retrato.
O telefone sem fio tocou no quarto, assustando-a. Sentou-se na cama, atendendo-o.
“Alô…” – disse.
“Oii Gina! Espero não incomodar!” – Rubi falou com a voz suave.
“Claro que não, Rubi!” – sorriu ao ouvir a voz da amiga. – “Aconteceu alguma coisa?” – perguntou.
“Sim!… Você não imagina com quem eu acabei de jantar, Regina!” – estava bastante animada.
“Uhm,… com os novos sócios da sua avó?” – arriscou, lembrando do que a amiga falara mais cedo.
“Sim, mas você nunca vai adivinhar quem eles são…” – disse fazendo suspense.
“E quem são?” – quis saber, estranhando a novidade de toda aquela situação.
“Os pais do Killian Jones!” – falou muito feliz.
“Aquele rapaz que veio da Inglaterra e está estudando na nossa sala? Amigo da Emma?” – perguntou apenas para confirmar.
“Sim! O Killian!” – Rubi repetiu o nome devagar. – “Foi uma pena que ele não pôde participar do jantar conosco, porque fiquei muito curiosa para ouvi-lo tocar piano… o Sr. e a Sra. Jones estavam falando que ele toca magistralmente… Você não acha isso impressionante?” – falava de forma exultante, deixando a amiga confusa no outro lado da linha.
“Acho que sim…” – Regina falou baixinho, sem compreender o que era tão admirável.
“Sabe, você ficaria impressionada com o porte dos pais dele, não é à toa que seja tão gentil e educado…” – suspirou levemente. — “Eu o achei muito simpático!” —afirmou, fazendo Regina abrir um sorriso.
“Tudo bem, Rubi, mas ainda não entendi o motivo de você estar tão… feliz!… Ele nem sequer esteve presente no jantar, não é mesmo?” – Regina perguntou, fazendo-a ficar em silêncio durante alguns instantes.
“É... bem,… e-eu…” – fez uma breve pausa, respirando profundamente. Regina tinha certeza de que Rubi havia ficado envergonhada, lamentava não estar lá para vê-la. – “Eu também não sei muito bem o porquê, mas me senti aérea a noite toda e meu coração disparava cada vez que os pais dele falavam de alguma coisa que tínhamos em comum...” – revelou, falando de forma acanhada.
“Não acho que haja nada com que se preocupar...” – Regina afirmou de forma franca. – “Você simpatizou com ele e ficou animada por descobrir algumas afinidades...”.
“Acho que tem razão...” – Rubi concordou, satisfeita com a explicação totalmente plausível.
“O que é completamente normal, porque, além de educado, gentil, impressionante e simpático, ele também é muito bonito, não acha?” – perguntou divertida, ouvindo a morena voltar a ficar nervosa.
“Regina! Não tá ajudando...” – exclamou, espantada e envergonhada.
“Ué? Você não achou?” – questionou, dissimulando desentendimento.
“E-eu achei que ele... ele é bastante a-atraente, sim…” – falou ficando em silêncio durante alguns instantes. – “Ahm,… eu tenho que desligar agora! Até amanhã, Gina!” – disse apressadamente.
“Está bem, então! Até amanhã!” – a jovem de olhos castanhos sorriu, desligando o telefone. Fixou o olhar na fotografia sobre a cômoda de forma pensativa. Nunca ouvira Rubi falar tão entusiasticamente a respeito de nenhum rapaz antes. Muito menos tendo conhecido-o no mesmo dia. Sempre dizia que não se deve confiar na primeira impressão, pois ela pode estar errada.
“Eu só espero que, se for o que estou pensando, você não termine como eu…” – murmurou. 'Sendo apenas, a melhor amiga…’, completou mentalmente, deitando-se na cama.
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