Choices
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Me desculpem pela demora, mas estava sem ideia alguma do que escrever, então fiz uma gambiarra com algumas coisas que tinha escrito e postei só para não ficar mais de um mes sem postar de novo.
Eu havia me esquecido do primeiro capitulo e graças ao review de R_Che (Obrigada garota!), me lembrei que ele era uma ponta solta na fic, então esse é o capitulo que antecede o primeiro, ou seja amarra o cap 1 no resto da historia, pois depois dele tudo é contado no tempo presente e não no passado como vinha acontecendo.
O que se passa com as duas, são historias paralelas.
Ivandadostet, feliz aniversário!
Espero que gostem, boa leitura!
Após a première do filme de Quinn, Santana a abraçou calorosamente e disse:
- Eu amei a hiena! Ela é tão, tão... eu! Sem ela Charlie e Lips (a zebra) não seriam nada! Estou emocionada!
- Obrigada, eu acho! – Quinn falou sorrindo. — Mas você continua achando que autobiográfico?
- Não, mas tem uns elementos nesse filme bem parecido com sua vida, e isso nós não podemos ignorar.
- Tudo bem Santana, não vamos discutir isso pela milésima vez.
- E quando estreia em circuito nacional? – Sam perguntou após parabenizar a amiga.
- Não estreia, é um curta de animação, esse tipo de filme é pouco comercial e não tem muito espaço nos cinemas, mas nós vamos participar de uns festivais e ver o que acontece.
Aquela foi a noite de Quinn, no coquetel após a exibição do filme apenas para convidados, todos queriam cumprimenta-la, pois aquele filme era a prova do grande potencial que ela tinha.
Com um orçamento baixo e praticamente sem experiência ela foi capaz de fazer um filme que cativou a todos. Naquela noite nas várias rodas que se formaram durante o coquetel, o talento dela e o ótimo roteiro que ela mesma havia escrito, eram assuntos obrigatórios.
A noite passou muito depressa e todos já haviam ido embora, quando Quinn , Sam e Santana se dirigiam para seus respectivos carros.
- O que vocês acham de um almoço amanhã meninas? – Sam perguntou.
- Amanhã? Não pode ser outro dia? – Quinn perguntou com uma expressão exausta no rosto.
- Olha, eu tenho algumas coisas para contar para vocês duas, e queria que fosse o mais breve possível.
- Sabe o que é mais breve do que amanhã? Agora! – Santana falou sorrindo.
- Hoje não, é a noite de Quinn e não é tão urgente assim o que eu tenho para dizer.
- Você é quem sabe. – Santana deu de ombros — O que vocês acham de uma esticadinha na noite?
- Só se for em casa, estou morta para ir para outro lugar. — Quinn respondeu.
Sam e Santana aceitaram e os três foram para o apartamento de Quinn, lá eles viram o filme de Quinn novamente e discutiram várias cenas, enquanto faziam isso bebiam e só perceberam que estavam bêbados quando começaram a discutir como uma hiena conseguiu colocar um laço cor de rosa na cabeça.
Santana foi ao banheiro e não se demorou, quando voltou, Quinn dormia no sofá e Sam dormia no tapete da sala.
- Amadores! – Santana falou balançando a cabeça de forma negativa. Ela foi até o quarto pegou dois cobertores, cobriu os amigos e foi para o quarto.
- Quinn... Quinn... acorda, eu quero panquecas – Santana balançava a amiga – Quiiinn!
- Santana me deixa em paz, se você quer vai compra! – Quinn dizia ainda dormindo.
- Eu não quero compradas, quero as suas.
- Peça para o Sam. – Quinn apenas resmungou as palavras.
- Não quero as do Sam, quero as suas, por favor, Quinn!
Finalmente Quinn acordou e depois de tomar um banho foi fazer as panquecas para Santana.
- O que aconteceu? A língua de vocês se dissolveu no álcool e nós não vamos mais conversar? – Santana perguntou.
- Não sei se você percebeu, mas nós estamos de ressaca! – Quinn respondeu enquanto cozinhava.
- E eu estou com fome, mas nem por isso eu vou deixar de falar com vocês! – Santana retrucou. – Lembrei! Sam, o que você queria nos contar?
- Depois Santana, parece que eu dormi dentro da lava louças.
- Eu estou perdendo a paciência dá para falar logo? – Santana falou colocando as mãos na cintura.
Sam respirou profundamente e falou:
- Eu pedi demissão.
- Você o que? – Santana perguntou espantada enquanto Quinn deixou a espátula que tinha na mão cair.
- Eu já não via mais sentido no que estava fazendo, além disso, não aguentava mais viajar.
- Mas você decidiu assim do nada? – Quinn perguntou franzindo a testa.
- Não já fazia um tempo, foi uma decisão muito bem pensada.
- Tudo bem, acho que você arruma outro emprego fácil, você pode trabalhar na indústria nacional de petróleo, não precisa ser em uma multinacional, tenho certeza de que engenharia petroquímica é um mercado de trabalho bem amplo.
Diante da observação de Quinn, Sam baixou a cabeça e começou a coçar a testa em silêncio. Santana o observou por alguns instantes e falou:
- Espera um pouco! Você deixou o emprego ou a profissão?
Sam ficou calado por pouco tempo, mas pode sentir os dois pares de olhos curiosos sobre ele, tomou coragem e finalmente disse o que realmente queria dizer.
– Na verdade eu deixei meu emprego, deixei minha profissão e vou deixar L.A.
Quinn e Santana se olharam com as bocas abertas, depois viraram-se para Sam, as duas tentaram falar, mas não conseguiram, elas tentavam processar a informação que as atingiu com grande surpresa.
- Como é?! – Quinn finalmente perguntou.
- Eu comprei um bar, e não é aqui, por tanto tenho que me mudar.
- Quando foi isso, se mudar para onde? – Santana perguntou cruzando os braços.
- Essa é a parte difícil, — Sam respirou profundamente — comprei o velho bar do Joe e vou voltar para Lima.
Quinn sentiu o corpo gelar, ela não ouvia falar de Lima há muito tempo, na verdade esse era um assunto que evitavam desde o enterro de Joe. Sam e Santana cumpriram realmente a promessa de não tocar no nome de Rachel, mas agora ela sabia que de uma forma ou de outra a promessa seria quebrada.
Santana encarou Sam por alguns instantes e depois sorriu levemente, virou-se e olhou para Quinn que estava pálida e se escorava na pia.
- As panquecas estão queimando. – Sam falou apontando para o fogão.
Quinn olhou para ele e viu sua boca se mexer, mas parecia não entender nada do que ele dizia, ela estava começando a se perder entre as lembranças com as quais ela lutava diariamente para não visitar.
Santana caminhou até o fogão e apagou a chama, olhou para Quinn e perguntou:
- Você está bem?
- Estou... — por mais que tentasse Quinn não conseguia disfarçar – só um pouco surpresa.
- Quando isso aconteceu? — Santana perguntou a Sam, mas sem tirar os olhos de Quinn.
- Eu fechei negócio a pouco mais de um mês, estava esperando o lançamento do filme para me mudar para lá e começar a reforma do lugar. Espero que nos próximos meses possa inaugurar e conto com as duas lá quando esse dia chegar.
Quinn riu sarcasticamente e depois perguntou:
- Você não acha que eu vou pisar lá outra vez, acha?
- Eu não acho, tenho certeza, porque vai ser um dia importante para mim, e eu quero que você faça parte dele.
- Me desculpa Sam, eu te amo! Mas isso eu não posso fazer.
Santana que até então ouvia tudo calada, resolveu falar:
- Tudo isso ainda é por causa da Berry?
- Você me prometeu nunca mais dizer esse nome! – Quinn falou furiosa.
- Promessas são feitas para serem quebradas, principalmente as minhas. – Santana falou sorrindo cinicamente. – Além disso, já é hora de superar toda essa história.
- Santana tem razão, isso aqui não é Harry Poter e ela não é o Lord Voldemort.
Santana inclinou a cabeça para o lado, franziu a testa e olhou para Sam sem entender.
- Sabe... aquele cujo o nome não pode ser pronunciado. – ele tentou explicar, mas Santana apenas soltou os ombros e olhou para cima dizendo:
- Dai-me paciência! – ela voltou-se para Quinn e continuou – Essa sua atitude não te ajuda em nada, então mostre que você já é uma mocinha e acabe com essa história toda e siga de uma vez com a sua vida. Sam pode contar com a gente, estaremos lá!
- Eu preciso ficar sozinha! – Quinn falou tirando o avental e jogando em um canto, ela foi seguida pelos olhos de Sam e Santana enquanto saia pela porta.
Poucos segundos se passaram até ela entrar pela porta dizendo:
- O apartamento é meu! – Ela passou furiosa entre os dois e entrou no quarto batendo a porta.
- Ela reagiu bem! – Sam falou para Santana que apenas concordou balançando a cabeça.
Assim que o trem de pouso do avião tocou o chão, a respiração de Rachel tornou-se ofegante, suas mãos começaram a suar e seu coração começou a bater tão rápido que ela achou que se fizesse um pouco de pressão com a mão sobre ele talvez conseguisse acalma-lo, pois estava perto de segura-lo com as próprias mãos.
Voltar a New York e finalmente tentar retomar sua vida, Rachel sabia que seria uma tarefa difícil e ela estava insegura e com medo, mas era o medo que sentia que a motivava, ela estava disposta a encarar tudo o que viesse pela frente para que o mundo finalmente conhecesse Rachel Berry.
- Rachel! – Mike falou com grande alegria abraçando calorosamente a amiga. – Que saudades! Você não sabe como senti sua falta.
- Você não faz ideia de como é bom ouvir isso!- Rachel disse aliviada após se soltarem do longo abraço.
- E por que seria diferente? – Mike falou sorrindo.
- Não sei, talvez por que eu fui horrível com você e te deixei na mão. – Rachel falou meio sem jeito, mas sorriu de volta.
- Esquece! É passado, não que no passado eu não tenha te xingado muito, mas agora se trata de futuro... do seu futuro e é nisso que temos que nos concentrar.
Rachel sorriu novamente, ela sabia que tinha muita sorte de ter tanta gente acreditando nela e isso lhe dava mais vontade de vencer. Abraçados e em silêncio eles pegaram as malas e foram para foram para um taxi, pois naquele momento palavras eram simplesmente desnecessárias.
- Mike, me desculpe por todo transtorno que te causei. – Rachel disse com o taxi já em movimento.
- Eu já disse para esquecer!- Mike falou sorrindo – Se você quer saber eu tenho mais é que te agradecer.
- Me agradecer pelo o que? – Rachel perguntou franzindo a testa.
- Quando você foi embora, eu não quis pedir ajuda aos meus pais, então até arrumar alguém que eu não considerasse louco para dividir o aluguel, decidi me virar e quando não estava estudando, estava fazendo apresentações de dança nas ruas de New York. Foi durante uma dessas apresentações que eu fui chamado para participar de um videoclipe musical.
- Não sabia que tinha sido desse jeito que você tinha começado!- Rachel falou maravilhada. – Eu assisti uns quatro clips dos quais você participou, até aquele que você dançava no fundo e eu te reconheci só por causa do cabelo.
- Como dançarino, fiz só esses quatro mesmo, durante esses trabalhos fiz algumas amizades e fui chamado para fazer a coreografia de alguns e agora trabalho com isso, sou bem conhecido no meio.
- Serio!- Rachel falou muito feliz- Como eu não fiquei sabendo disso?
- Pouca gente sabe, meu maior contato em Lima era você. — Rachel pensou um pouco e percebeu o quanto esteve distante de um de seus grandes amigos. — Mas o melhor você não sabe, hoje pela manhã, acabei de fechar um contrato que vai me abrir muitas portas.
- O que é? Fala logo!
- Eu sou responsável pela coreografia da turnê da volta de Lady Gaga aos palcos!
Rachel gritou eufórica o que fez o taxista olhar pelo retrovisor, ela abraçou Mike com toda sua força, ela estava tão feliz que aquilo parecia estar acontecendo com ela.
- Isso é grande Mike! Isso é gigantesco, agora nada te segura!
- Ainda não caiu a ficha, estou meio perdido!
- Não vejo a hora que aconteça comigo... sabe, viver do que eu realmente gosto e...
- Calma Rachel, — Mike interrompeu — quando Puck me falou o que estava acontecendo, tratei logo de agilizar algumas coisas, só não consegui arrumar um apartamento às pressas para você, então você vai ter que ficar no meu mesmo.
- Não vai ter problema eu ficar no seu apartamento até eu me estabelecer? – Rachel perguntou um pouco receosa. – Tina não vai se zangar?
- Rachel! – Mike falou indignado – Me recuso a acreditar que você não saiba que não estamos mais juntos!
- Como assim, não estão mais juntos, desde quando? – Rachel estava surpresa.
- Já faz algum tempo, nós nos demos conta que queríamos coisas diferentes, estávamos em momentos diferentes, e quando isso acontece a separação é inevitável. Ela sempre vai ser o meu primeiro amor e eu desejo o melhor para ela. – Mike falou sorrindo.
- Você ainda a ama?
- Claro que sim, sempre vou amar, mas é aquele tipo de amor com o qual a gente guarda as lembranças boas, não aquela coisa carnal. Isso entre a gente acabou há algum tempo, nós apenas demoramos para descobrir, mas deixa isso para lá, agora vamos focar no que você tem pela frente.
Mike passou os braços pelos ombros de Rachel que ainda estava pensativa com tudo o que estava acontecendo, em como as coisas estavam diferentes. Não eram só as ruas de New York que mesmo com a dureza do concreto estavam em constante mutação, as pessoas também estavam em metamorfose constante. Isso a fez pensar em Quinn e no quanto ela provavelmente havia mudado, mas Rachel acreditava que o que uma sentia pela outra era o mais sólido dos sentimentos e ela continuava acreditando que Quinn ainda a amava, porque para Rachel essa era uma condição que nunca mudaria, pois ela amava Quinn Fabray e isso era tudo o que importava.
Quando chegaram ao apartamento de Mike, Rachel teve uma grande surpresa, pois sua turma dos tempos de faculdade estava toda lá. Todos a abraçaram ao mesmo tempo o que a deixou bastante emocionada, durante muito tempo ela sentiu falta daquelas pessoas e agora tinha a chance de reencontra-las.
Os velhos amigos de Rachel estavam ali por um simples motivo, ajudar Rachel a se preparar para seu primeiro teste na Broadway. Claro que fariam isso nas horas vagas, mas Grace era assistente de Mike no estúdio de dança e os dois assumiram a responsabilidade de ajuda-la a se preparar nesse quesito, Cooper a ajudaria na parte de atuação já que ela trabalhava em uma das escolas de artes cênicas mais conceituadas de New York, Richard a ajudaria nas aulas de canto, ele na verdade era fotógrafo, mas era profundo conhecedor do assunto já que praticava canto desde os seis anos de idade e qualquer ajuda seria bem vinda.
- Bom Rachel, — Amy falou servindo-se de mais vinho – depois da faculdade eu me especializei em gastar o dinheiro do meu marido, por tanto não vou poder te ajudar diretamente, mas ele é um agente muito influente e depois de uma conversa muito intensa onde eu ameacei fazer greve de sexo, ele concordou em te agenciar.
- Me agenciar assim sem me conhecer? – Rachel falou franzindo a testa.
- Eu posso ser bem persuasiva quando quero!
Parecia que tudo seria muito fácil, mas apenas parecia. Rachel tinha quatro meses para se preparar para seu primeiro teste.
Os dias se passavam e tudo era uma loucura. Além da ajuda dos amigos, Rachel ainda tinha aulas com outros professores, então ela mal tinha tempo para comer, dormir ou divertir-se. Ela estava focada em conseguir aquele papel e a única coisa que a desconcentrava era pensar em Quinn. Por varias vezes ela pensou em se dar uma folga e ir atrás da loira, mas essa ideia logo era vencida por seu pensamento de que ela precisava arrumar uma coisa de cada vez e que só poderia tentar reconquistar Quinn depois que tivesse vencido as dificuldades e se realizado como atriz.
O tempo passou e finalmente o dia do teste havia chegado, Rachel chegou ao teatro duas horas antes do teste e já havia algumas pessoas a sua frente na fila, ela assinou a lista e sabia que agora era só aguardar sua vez.
Meses se passaram e Sam já havia se mudado para Lima, o filme de Quinn havia ganhado prêmios em muitos dos festivais dos quais participou e havia sido indicado para concorrer ao Oscar de melhor curta de animação, isso fez com que se tornasse um grande sucesso na internet, o filme teve centenas de milhões de acessos.
Devido a isso, grandes estúdios já haviam feito propostas para transformar o filme em um longa metragem. Naquele momento, a vida profissional de Quinn estava indo muito bem e ela estava muito contente com o rumo que tudo estava tomando, mas quanto mais o tempo passava mais medo ela sentia, pois sabia que o dia que teria de voltar a Lima se aproximava, e ela não sabia se conseguiria enfrentar Rachel Berry mais uma vez.
Finalmente a inauguração do bar de Sam havia sido marcada para desespero de Quinn, ela e Santana foram almoçar juntas para discutir quando iriam para Lima.
- Que história doida é essa de ir para Lima de carro? Nossa, olha aquela garçonete! – Santana falou secando a moça com os olhos.
- Santana, eu preciso de um tempo para me acostumar com o fato de ir para aquele lugar novamente! Você está me ouvindo? – Santana olhava por cima dos ombros da amiga direto para a garçonete que se aproximava para servi-las – Santana!
- Boa Tarde! – Disse a garçonete que foi recebida por Santana com um enorme sorriso. – Já sabem o que vão pedir?
- Eu já escolhi – Santana falou com um leve sorriso – mas infelizmente o que eu quero daqui não está no menu!
A garçonete corou e olhou para Quinn que estava de cara fechada, ela fingiu não entender a conotação do que Santana havia dito e disse:
- Se a senhora me disser, posso ver se o chefe do restaurante pode providenciar.
- Tenho certeza que ele não pode me ajudar com o que quero! – após as palavras da latina a garçonete abriu um grande sorriso, Quinn observava a cena, pois tanto a garçonete quanto Santana estavam agindo como se ela não estivesse lá.
- Para beber nós vamos champanhe, hoje é um dia muito especial. Não é amorzinho? – Quinn segurou a mão de Santana que estava sobre a mesa e olhou para ela com um ar abobado.
Santana fechou a cara e olhou para Quinn sem entender o que se passava, a garçonete deixou de sorrir e disse que logo traria o pedido.
- Enlouqueceu?
- Isso é por você não prestar atenção em mim! – Quinn falou apontando o dedo indicador para Santana.
- Eu não preciso prestar atenção para saber que você está choramingando sobre voltar para Lima e ter que ver Rachel novamente, porque isso você tem feito há meses e eu já consegui decorar as coisas que você fala.
- É por isso que eu quero ir de carro para ter tempo de me acostumar com a ideia.
- Os dias vão se passar da mesma forma, tanto faz ir de carro ou avião.
- Já que tanto faz, por favor, vamos de carro! – Quinn notou que Santana seguia a garçonete com os olhos novamente – Se você aceitar, eu consigo o telefone dela para você.
- Você acha que eu não consigo sozinha? – Santana recostou-se na cadeira e cruzou os braços.
- Não consegue não, porque eu vou pular em cima de você e te beijar... melhor vou me ajoelhar e te pedir em casamento!
- Você não se atreveria! – Santana falou serrando os olhos.
- Quer pagar para ver? – Quinn falou sorrindo sarcasticamente e inclinando a cabeça para o lado.
- Judas! Eu aceito, mas você tem que conseguir um encontro para hoje, eu não vou me contentar só com o numero de telefone.
- Feito! – Quinn disse toda empolgada.
As duas almoçaram e continuaram a conversar, pouco antes de saírem Quinn foi falar com a garçonete e logo depois se aproximou de Santana dizendo:
- Ela te espera as quatro, eu te ligo para combinarmos... a proposito a conta é sua! – Quinn beijou o topo da cabeça da amiga e saiu do restaurante a amiga que sorria muito para a garçonete.
Os dias se passaram e elas finalmente iram viajar, elas se programaram para fazer o percurso em três dias, para poder viajar com calma e fazer paradas em lugares que achassem interessantes.
Durante esses dias, elas conversaram muito, riram muito, mas mais do que tudo brigaram muito, brigaram até por causa de que tipo de animal silvestre estava morto na estrada.
Na ultima noite elas param em um bar para encher a cara, essa era a única coisa que ainda não tinham feito na viagem.
Durante uma disputa com um motoqueiro para ver quem caia primeiro de tanto beber, Santana recebeu um telefonema e se assustou ao ver o nome de Rachel na tela. Ela se afastou para atender e quando voltou o motoqueiro havia desmaiado, ao olhar para o lado, viu Quinn dançando em cima de uma mesa, ela pegou a amiga e as duas foram para o motel ao lado do bar.
Santana também estava bêbada, mas não tanto quanto Quinn, quando entraram no quarto, Quinn começou a dançar e puxou Santana para que dançasse com ela. Santana segurou a loira pelos ombros para que parasse e disse:
- Eu preciso te contar algo sobre Rachel. – Nesse momento Quinn vomitou em cima dela e de Santana – Merda Fabray!
Santana deu um banho em Quinn depois tomou banho e deitou-se ao lado da amiga.
- Cinco minutos. – Falou a assistente de direção ao bater na porta do camarim.
Rachel olhou para o espelho e sorriu, não só por que estava nervosa e sentiu um frio intenso na barriga, mas também por que havia chegado onde queria, depois de ser recusada em dois testes, finalmente Broadway, finalmente seu sonho realizado. Mesmo com todo medo e ansiedade que sentia, sabia que estava no local ao qual pertencia.
A temporada era curta, somente seis meses de temporada que poderia ser estendida conforme o público, mas Rachel sabia que aquela era sua chance de brilhar.
- Dois minutos, Rachel. – Novamente a assistente de direção informou o tempo que restava para que ela finalmente estreasse.
Rachel resolveu sair do camarim para sentir o clima na coxia do teatro. Sua personagem entraria descalça e foi assim que ela pode sentir a madeira do palco sob seus pés.
A pesar da loucura e correria da estreia, o único som que podia ouvir era o do próprio coração que parecia pulsar nas paredes ecoando por todo o local, ela parou, olhou meticulosamente para tudo ao seu redor e sorriu ao sentir a energia que parecia subir do tablado atingindo seus pés descalços correndo por todo seu corpo. Aquela energia que parecia queimar dentro de suas veias gerando calor, a fez saber que ela não poderia ser outra coisa naquele momento a não ser simplesmente perfeita.
- É sua deixa Rachel, quebre a perna!
E foi depois dessa frase que Rachel finalmente entrou em cena e ela não foi outra coisa a não ser magnifica.
Noite após noite era assim, esse era seu ritual. Sua confiança é claro, já era bem maior, pois mesmo com pouco tempo que a peça havia estreado, a plateia estava sempre lotada devido às críticas positiva que a peça vinha recebendo.
Apesar de ter sempre a plateia lotada, Rachel sentia falta de apenas uma pessoa, e ela percebeu que precisava falar com Quinn, decidiu que isso era algo que não poderia esperar.
- Eu preciso me ausentar por uma semana!- Rachel disse ao diretor da peça.
- O que? Você enlouqueceu! Nós estamos no meio da temporada, com a casa sempre lotada de pessoas que vem aqui para te ver e você me diz que quer se ausentar por uma semana?
- A peça é ótima de qualquer forma, além disso, é só uma semana, tenho certeza de que minha substituta da conta.
- Mas não é a ela que o critico mais chato de New York chamou de “magnifica joia bruta”.
- E você vem tentando me lapidar desde então, eu te agradeço imensamente por isso, mas você pode ter certeza que assim que eu resolver essa questão, seu trabalho será muito mais fácil, porque eu poderei me dedicar integralmente só ao trabalho, nada mais fará parte de meus pensamentos.
- Não sei Rachel, ninguém verá isso com bons olhos, você é nova no ramo para se afastar assim por questões pessoais.
- Então diga que estou doente, é só uma semana!
- Tudo bem, uma semana contado a partir de amanhã, agora entre lá e mostre do que é capaz!
Os olhos de Rachel brilhavam e a felicidade que sentia estava estampada em seu semblante, aquela sem duvida alguma foi sua melhor apresentação até então. Na mesma noite, Rachel fez as malas para que pudesse pegar o último voo para Los Angeles.
Era estranho desembarcar naquela cidade e não ter ninguém no saguão a sua espera, apesar de se entristecer ao lembrar-se de que ali geralmente era onde começavam seus dias de intensa felicidade, ela não se deixou abater, pois o propósito pelo qual estava ali valia qualquer coisa.
Ela tinha tantas expectativas e mesmo assim não sabia direito o que esperar, não sabia se estava fazendo as coisas de modo correto, mas sabia que precisava começar de alguma forma por algum lugar e esse lhe pareceu o melhor caminho.
Do aeroporto ela pegou um taxi e foi direto para um hotel, ela havia decidido que só iria atrás de Quinn no dia seguinte, mas a ansiedade era tanta que ligou para Santana.
– Rachel?! – Santana perguntou surpresa.
– Santana é você?
– E quem mais seria Yentl?
- Yentl?! Esse faz tempo que eu não escuto!
- Eu estou muito saudosista hoje, um cara me fechou no transito e eu o chamei de pederasta! Quem xinga alguém de pederasta hoje em dia? Mas chega de conversa mole, o que você quer comigo?
- Eu estou aqui em Los Angeles, vim falar com a Quinn...
- Perdeu seu tempo, Quinn não está em L.A. – Santana interrompeu.
- Não?! – Rachel perguntou decepcionada
- Não, nós estamos indo para Lima, para a inauguração do Bar do Sam.
- É essa semana! Não acredito que me esqueci! – Rachel falou batendo na testa com a palma da mão.
- Pois é... você perdeu a viagem!
Rachel estava chateada, mas pensou por míseros segundos e disse:
- Tudo bem não tem problema, vejo vocês em Lima.
Notas finais
Ficou claro que tudo o que acontece na vida das duas acontece ao mesmo tempo e se cruza só no finalzinho?
Achei que ficou estranho, mas foi o que deu para fazer.
Espero reviews.
Obrigada,
Bejo!
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