Chicago University
13 Telefonema
Notas iniciais
POV. Tris
Depois de recebermos a ligação de Marcus, apenas comemos a pizza e fomos deitar. Mas Tobias não dormiu, eu tenho certeza. Toda vez que eu acordava durante a noite ele estava de olhos abertos e absolto em pensamentos.
Sei que é horrível não poder fazer nada para libertar Evelyn, mas ficar definhando em pensamentos ruins não é a melhor forma de ajudá-la. Ele tem que descansar e esfriar a cabeça.
Pode não ser a maneira mais adequada neste momento, mas é a única coisa que me vem na cabeça. Ele tem que se acalmar, e se não for por bem, vai ser por mal.
Me viro para ver as horas e vejo que são 3:00 das manhã. Olho para meu noivo e vejo que ainda não dormiu. Eu faço carinho em seu rosto e me sento calmamente. Ele se vira para me olhar e sorri.
– Eu sei que não é um momento propicio para te pedir o que eu vou te pedir- eu falo sorrindo e fazendo carinho nele- Mas eu não vou te deixar acordado a noite toda.
– Eu faço o que você quiser- ele diz firme, mas tristonho- É só que...
– Shiiii- eu coloco a mão em sua boca- Só relaxa ok?- eu pergunto já me sentando em cima de seu corpo.
– Ta bom- ele fala meio abobado- O que vai fazer comigo?
– Uma coisa muito boa- eu beijo o lóbulo de sua orelha e rebolo sobre seu corpo- E espero que isso te relaxe.
– Uhh... Hum...- ele geme apenas- Por mim tudo bem.- eu sorrio e continuo com meu trabalho.
E que trabalho bom minha gente... Pena que eu não recebo salário por fazer tanto esforço assim. Não demorou nem 10 minutos. Aquele garoto mexe comigo de um jeito que só Deus sabe...
Assim que nos satisfazemos, deitamos um do lado do outro e nos aconchegamos. Eu o olho e vejo seus olhos fechados. Finalmente vou conseguir dormir tranquila.
Mas isso não significa que eu me esqueci de Evelyn. Essa historia está muito mal contada. Por que Marcus a deixaria viva? Pela minha linha de raciocínio, ele a mataria no momento em que soubesse que estava viva. Afinal, ele não correria o risco de alguém vê-la. Tudo iria por água abaixo.
E é exatamente isso que também me incomoda. Evelyn, mesmo sabendo que isso poderia acabar com a carreira de Marcus e com sua reputação diante todo mundo, nunca mostrou as caras. O poder sempre esteve em suas mãos. Uma simples aparição já acabaria com a vida de seu ex-marido. Mas por que nunca fez isso? Medo? Receio? Dúvidas? Ou quem sabe... algum tipo de segredo ou ameaça...
Mas quem a ameaçaria? Ninguém a não ser Edward e a mulher que os ajudou sabia que ela estava viva... Porém isso não é uma garantia. Quem mais poderia saber de Evelyn e a ameaçar? Marcus? Quem sabe?
Ninguém descobriu que ele maltratava a própria família, quem dirá o fato de ele saber da existência viva de sua ex-mulher. Ele pode ser um grande mentiroso quando quer.
Decido deixar esses pensamentos de lado e dormir. Amanhã vai ser um dia cheio, e eu não quero saber de nada por enquanto. Apenas quero ficar abraçada a Tobias e descansar um pouco.
E é exatamente o que eu faço. Ponho a camisa de Quatro que estava ao meu lado, me aninho mais em seu peito, faço carinho em minha barriga no instinto de mãe protetora e adormeço.
–-----------------------------------------------------------------
Na manha seguinte, acabo despertando com o toque do telefone. Me levanto, vou até a sala e o atendo com muito sono.
– Alô?- eu pergunto bocejando.
– Beatrice?- a voz de um homem soa no telefone.
– Pois não?
– Você não deve me conhecer, mas já ouviu falar pressuponho. Sou Edward- ele diz e minha ficha demora para cair... Peguem leve, acabei de acordar.
– Sim- eu digo "tentando" aparentar animada às 6:00 da manhã- Evelyn e Tobias já me falaram muito sobre você. Super bem por sinal.- eu digo- Mas o que te fez ligar à essa hora?
– Eu sinto muito se te acordei- ele diz cauteloso- Suponho que Marcus tenha ligado na noite passada?
– Sim. Por que?- pergunto curiosa.
– Bom, aconteceu uma coisa um tanto desagradável, e queria pedir para você e Quatro virem até minha casa em Chicago. Tenho que lhes deixar a par de toda a situação. E isso deve acontecer o mais rápido possível.
– Combinado- eu digo já preocupada- Eu vou acordar o Quatro e já já chegamos por ai. O Tobias sabe onde você mora?- eu pergunto.
– Sabe sim- ele diz- Quando chegarem no edifício onde eu moro, é só falar para o porteiro que vocês querem se encontrar com o "tapa olho".
– Por que tapa olho?- eu pergunto curiosa.- É mesmo necessário esse nome?
– Por hora sim. Não tem muitas pessoas para confiar, e ficar falando nossos nomes aleatoriamente não é uma boa ideia. Portanto me identifiquem como "tapa olho". Depois verá o por que desse nome. Você poderia ser a "Seis". Quatro me falou de você.- ele diz fracamente tentando amenizar o clima pesado- e o Tobias poderia ser... hum...
– "O paizão"- eu digo a primeira coisa que me vem a cabeça- Mas o porteiro é confiável?
– Você vai reconhece- lo- ele diz simplesmente- É um antigo amigo seu. E, por que paizão?
– Você vai descobrir mais tarde- eu digo o mesmo que ele.
– Ok- ele diz- Até mais tarde Seis.
– Até mais tarde Tapa-Olho!- eu desligo o telefone.
Fico meio estática no lugar durante um bom tempo. Edward ligar não é um bom sinal, e isso mostra que ele sabe de alguma coisa. Mas o que poderia ser? Não é tão difícil imaginar...
Na minha opinião, Marcus tem algum interesse em Evelyn, mas não no sentido bom. E no mínimo Edward sabe o que é. Mas duvido que ele nos contará. Mais especificamente pra Tobias. Ele é uma pessoa impressionante, porém não tem controle dos atos.
Fiquei tão distraída em meus pensamentos, que nem percebi que a figura de Tobias estava encostada no batente da porta. Ele estava só de cueca e com uma cara de sono muito linda. Eu sorrio e o abraço.
– Bom dia- eu digo e ele beija o tipo da minha cabeça.
– Bom dia- ele responde e me olha- Quem era no telefone?
– Edward- ele arregala os olhos- Ele quer nos ver hoje.
– Ele sabe de alguma coisa não é?- pergunta Tobias.
– Provavelmente, mas não acho que ele vá nos falar. Ele vai dizer onde Evelyn está, que tem pistas de quem mais esteja envolvido com Marcus, ou algo do gênero. Mas acredito que tenha alguma coisa que apenas ele e sua mãe sabem, e que seu pai quer. Caso contrario, por que seu pai esperaria depois do casamento pra matar sua mãe?- eu faço uma pausa- Ele quer tempo. Marcus sabe que Evelyn é dura na queda e não vai abrir a boca tão facilmente. Vai ser um trabalho longo e árduo.
– Significa que Marcus vai manter minha mãe trancafiada por dois meses?- eu afirmo- Caramba.
Tobias é uma pessoa forte, mas quando se trata das pessoas que ele ama, Quatro pode ficar igual a um cachorrinho que caiu do caminhão de mudança.
Eu gosto disso nele, afinal, é bom saber que se algo acontecer comigo ou com qualquer outra pessoa, ele será alguém em quem confiar. Claro que, sentir isso na pele não é bom. Legal seria se nada acontecesse com ninguém.
Eu chego perto dele e o abraço com o máximo de força que consigo. Tobias retribui o abraço com calma, mas posso sentir a batida acelerada de seu coração e as lágrimas que escorrem de sua olhos tão sofregamente se chocando contra o tecido da minha blusa.
– Ei- eu beijo sua bochecha- Vai dar tudo certo. Tudo vai acabar bem. Você vai ver.
– Promete?- ele pergunta brincalhão.
– Prometo meu amor- nós nos separamos e nos beijamos rapidamente passando conforto um para o outro.- Eu te amo.
– Eu também te amo- ele me dá um selhinho e limpa as lágrimas- Eu vou tomar um banho.
– Eu também.
–-----------------------------------------------------------------
Depois de sair de casa, eu é Quatro seguimos para a casa de Edward. Chegando lá, percebi o quão luxuoso era o Edifício em que ele morava, até mais do que o meu e de Tobias.
Enquanto o nosso tinha 10 andares, o dele tinha pelo menos uns 30 enormes. O prédio era branco com janelas e sacadas cinzas, uma entrada monstruosa de pedra preta.
– UAU- eu exclamei ao sair do carro- Esse prédio é enorme.
– Nem me fale- eu vi que Tobias estava pálido. Claro, altura.
– Amor, em que andar ele mora?- eu pergunto e ele engole um seco.
– No último- ele fica amarelo- Acho que eu vou vomitar.
– Mas a gente nem entrou ainda.
– Vai só piorar- ele pega uma de minhas mãos- Vamos.
Eu e Quatro entramos no prédio e vamos ao até o hall de entrada onde deveria estar o porteiro, mas não tem ninguém a vista. Eu toco um sininho e logo ouço alguém falar.
– Já vai- é uma voz masculina muito familiar- Me dê um segundo.
– Eu conheço essa voz- eu sussurro para Tobias.
Ele ia responder quando um garoto da mais ou menos uns 19 anos entrou na sala totalmente suado, descabelado, uma camisa branca amassada, uma calça jeans desabotoada e descalço. Os cabelos castanhos estavam totalmente desalinhados, seus olhos azuis tinham um tom escuro e um sorriso sacana pousava em seus lábios.
– Drew?- eu pergunto meio desnorteada em ver meu primo.
– E ai Tris?- ele vem em minha direção e me abraça. Noto que ele está cheirando perfume feminino — O que faz aqui?
– Eu que pergunto- eu digo- Que cheiro de perfume feminino é esse? Andou nadando em algum mar de rosas por acaso?
– Hum... é... bem...
– Você não mudou mesmo- eu falo e ele sorri brincalhão.
– Eu não quero ser indelicado, mas quem é você?- só então me toco que Tobias não conhece Drew.
– Hum... Desculpa amor- eu digo- Drew, esse é o Quatro, meu noivo. Quatro, esse é Drew, meu primo.- noto que a expressão de Tobias se suaviza.
– Muito prazer- fala meu futuro marido com educação.
– Espera um pouco- fala Drew com cara de espanto- Você vai casar? Com 18 anos?
– Longa historia- eu e Tobias dizemos ao mesmo tempo
– Mas então, nós estamos procurando o porteiro.- eu falo.
– Sou eu mesmo- ele diz- O que...
– Drew?- eu ouço uma voz feminina atras de mim.- Quem são esses?
Eu me viro pra encarar a criatura que estava no recinto. Ela tem cabelos pretos bem curtos, olhos azuis e um corpo lindo e comprido. Ela usava uma blusa do Ramones que ia até seu umbigo, um shorts cintura alta e um tênis All Star preto. Vários anéis, pulseiras, piercings e tatuagens cobriam seu corpo. E ela estava com uma maquiagem bem forte, porém um pouco borrada. Senti o cheiro do perfume que Drew exalava e logo entendi quem era aquela.
– Gente, essa é a Myra, minha namorada- fala Drew- Amor, esses são minha prima Beatrice e o noivo dela, Quatro...
– Prazer- ela vem em minha direção e me cumprimenta com um beijo na bochecha. Logo depois, repete os movimentos com Tobias. O cheiro do perfume começa a me dar enjôos.- Você está bem? Está pálida...
– Sim- eu digo baixinho- É que o cheiro do perfume está me enjoando. Mas eu estou bem. É normal.
– Não é não- ela diz- Você pode estar com algum problema no seu sistema imuno...
– Não não- eu falo calmamente- É que eu... bem... é...- fico receosa em falar que estou grávida e que tenho tido muitos enjôos. Drew sempre foi super protetor.
– Ela está grávida- fala Tobias me salvando.
Eu olho para meu primo e vejo que ele está mais branco do que eu e sua boca está aberta em um "O" enorme.
– Co... co... co... como?- ele pergunta- Grávida?
– Sim.- digo simplesmente.
– Por isso vocês vão se casar...- ele diz.
– Na verdade não- eu falo- O bebê foi meio que um bônus. Mas a verdadeira razão é outra.
– Bom- fala Myra- De qualquer forma, melhor você ficar longe de mim. Não quero que passe mal. Mas foi um prazer conhecê-los.- ela de vira para Drew- Eu estou lá dentro.
– Ok- e então ela sai- Bom, onde estávamos?
– O porteiro...- fala Quatro.
– Sim, sou eu mesmo. Quem vocês vão ver?
– O "Tapa-Olho"- eu digo e ele fica assustado.
– Então você que é a "Seis"?- ele pergunta.
– É, mas eu prefiro que não me chamem assim- eu noto o desconforto de Tobias ao ouvir meu apelido saindo da boca de outra pessoa que não seja ele- Isso é meio que um lance meu e do "Paizao" aqui.- eu indico Quatro com o dedo polegar.
– Como quiser. Podem subir.- ele fala simplesmente- Foi bom te ver prima.- ele me abraça- Boa sorte. Em tudo.
– Obrigada- eu retribuo com a mesma intensidade.
Assim que os garotos se despedem, eu e Tobias entramos no elevador. Eu aperto o botão e percebo que Quatro fica tenso. Ele não solta minha nenhum segundo sequer, e eu tento lhe passar segurança. Mas por algum motivo maledeto, o elevador para e eu percebo que esta quebrado.
– Só pode ser brincadeira- eu digo e olho para Quatro. Ele está quase desmaiando de medo.
– Acho que...- ele engole em seco- Vamos ter que es... es... espe... esperar- ele começa a suas frio e a tremer.
– Ei- ele me olha- Eu estou aqui.
TO BE CONTINUED...
Fale com o autor