Cher
1 Dolorosa e repetitiva falta de lembrança
Notas iniciais
“Julia, vamos lá... por favor, não vai acontecer nada demais com agente... eu prometo!” Só era capaz de me lembrar dessas palavras ditas por minha amiga Anne, e o terror e a dor corporal tomavam conta de mim, enquanto eu estava ali estirada e ensanguetada no chão, aí cai na besteira de olhar para o lado, então vi o rosto de Anne expressando medo e pavor, seus olhos estavam abertos mas sem vida, e sua boca entreaberta como quem queria dizer algo... achei estranho, e quando olhei direito era apenas sua cabeça degolada e largada perto de mim... mas não tive forças pra gritar, ou pra expressar qualquer reação a não ser medo, logo meus olhos fracos e assustados deixaram rolar lágrimas de medo e dor por ter perdido minha amiga, minha dor corporal já não me importava, mesmo eu não podendo andar.
Eu havia desmaiado ao tomar uma forte pancada na barriga, da qual cortou profundamente e mais um pouco acabaria me estripando. Eu não me lembro mais de nada do que aconteceu, apenas disso, antes de voltar a desmaiar provavelmente pela perda de sangue... e antes e tudo acontecer, ela tinha passado lá em casa pra me chamar pra sair algumas horas antes, e depois não lembro mais de nada além disso. E agora estou aqui em uma cama de hospital, com o abdomem enfaixado e a ferida parece nunca curar, por mais que os médicos dêem pontos nos cortes que tomei na barriga, este ainda sim se abre tirando os pontos... então apenas deixaram enfaixado. Me disseram que fui atacada por um cachorro de porte grande, outros dizem quefoi um urso, talvez um urso fugido do zoológico... mas não havia escapado urso nenhum. E eu, a única sobrevivente daquela noite terrível e tão confusa, não me lembro de nada, nada o que ocorreu além do que já relatei.
— Isso é um absurdo! É só isso que Julia se lembra? Tem certeza? – Perguntou indginado o delegado que investigava o crime recente ao terminar de ler todo esse relato dum papel, ele vivia na cola desse tal "cachorro" ou o que quer que fosse assassino, já que não só como Julia, ele fez outras vítimas, e felizmente Julia foi a única sobrevivente... talvez a única que poderia relatar quem era o assassino, mas ela não se lembrava de mais nada.
-Sim! Eu tenho certezam delegado! Já fui várias vezes visita-la no hospital, já perguntei tudo o que pude e o que não pude... mas é inútil, ela só se lembra disso mesmo. – Era a voz da policial Elena, que junto ao delegado está a procura desse tal assassino, e da qual vária vezes, assim como ela disse, visitou e conversou com Julia... com isso, acabou criando uma certa aproximação da garota, mesmo que seu trabalho não permitisse.
-Eu entendo... mas não é possível, Julia é nossa chave mestra para isso. Sem a memória dela, nunca poderemos saber quem esta causando esses crimes terríveis. – Ele deixou o papel sobre a mesa, e então afroxou a gravata do pescoço e suspirou.
-Eu sei, senhor. Mas por enquanto nada mais poderemos fazer... vamos continuar no rastro de morte, e pelo visto ele não parou, e nem vai parar.
-Tem razão... pode ir cadete Elena. Está dispensada por hoje, mas te lembre... se vê provas e relatos, volte a ativa.
Elena saiu da delegacia normalmente, eram quase 13:30.. mas ela se lembrou do rostinho pálido e ainda sofrido de Julia, deitada naquela cama de hospital... e como havia criado um grande apreço pela garota, resolveu passar la. E assim o fez, ao chegar já teve a entrada permitida, e subiu até o andar onde ela estava, e ao abrir a porta teve uma grande surpresa.
Encontrou uma Julia de pé, olhando através da janela o mundo lá fora. A garota estava incrivelmente linda, o sol refletia de leve em sua pele pálida (havia ficado pálida por conta da perda de sangue –ou não-), seus cabelos lisos e castanhos estavam soltos e levemente bagunçados, mas lhe dava um ar lindo, e então ela voltou a atenção para Elena com aqueles olhos lindos e verdes, que helena tanto adimirava, e sorriu logo após a recebendo:
-Boa tarde, Elena...
-B-boa tarde... – Sim, Elena ficou encantada ao ver Julia de pé e sorrindo. –Estou vendo que você está bem melhor hoje, heim?!
-Sim, estou... e você não veio aqui pra me fazer mais daquelas perguntas chatas de novo não, ne? – Perguntou Julia enquanto se retirava de onde estava a passos lentos, e voltava para seu leito, sentando-se ali .
-Não, hoje vim te ver na condição de visitante... saber se melhorou, e logo tenho essa grande surpresa e boa também. Seus pais vão gostar de saber... – Elena continuou ali, parada por alguns instantes... então caminhou até a cadeira ao lado do leito de Julia e sentou-se ali, para poder conversar melhor com a enferma.
-Mas não é o que eu vejo. Você ainda está com esse distintivo no pescoço... – Julia hava notado, aliás, ela passou a notar em Elena a partir de que pasaram aquela investigação para o lado da amizade. Ela gostava da companhia de Elena, ela tem ficado mais com ela doque seus prórpios pais... passou a adimira-la, como um exemplo a ser seguido, tão dedicada ao trabalho e não desiste enquanto não conseguir, Julia gostava daquilo. Assim como gostava da aparência da amiga, que tinha longos cabelos loiros, uma bela e reta franjinha a altura de seus olhos definia seu rosto lindo de boneca, e seus olhos azuis e penetrantes sempre pareciam querer lhes dizer algo, para Julia ela deveria ser uma linda modelo, e não uma policial.
-Eu fui despensada agora pouco, então resolvi passar aqui pra ver como você estava e tals... e não foi viagem perdida. – Sorriu com gentileza, numa maneira linda que fez Julia sorrir de volta.
-Apesar de tudo, me sinto melhor... mesmo não tendo memória alguma do que aconteceu. E meus ferimentos incrivelmente cicatrizaram melhor... o médico disse que os pontos não funcionavam, mas o remédio sim, parece ter causado algum efeito que fez com que cicatrizasse mais rápido.
-Incrível, e ótimo! Assim aquelas dores chatas param logo... – Elena esticou-se um pouco, e então passou suavemente a mão sobre o rosto de Julia, de maneira gentil e agradável, a enferma apenas sorriu... a essa altura já estavam bem amigas a ponto de permitir isso. – Quando você receber alta, vamos sair... mas pra um lugar mais seguro.
-Ta certo... – Respondeu Julia ainda sorrindo, olhando a outra nos olhos.- Olha Elena, você foi a única pessoa que veio aqui e ficou o tempo todo comigo, eu sei que no começo foi a trabalho, mas depois passei a te conhecer melhor... eu só tenho a te agradecer por sua companhia. Já que meus pais estão “ocupados” os bastante para ligarem pra mim... eu sei que Anne também viria se estivesse viva, assim como eu iria vê-la... de qualquer forma, obrigada Elena.
A policial nada disse, chegou mais perto de Julia e simplesmente a abraçou, com muito cudado para não magoar alguma ferida, mas aquele abraço simples significou muito para a enferma, que também retribuiu segurando as lágrimas de alegria e gratidão que regavam seus olhinhos verdes, que se fechavam aos poucos fazendo-as rolarem por seu rostinho macio e um tanto quanto infantil.
Em outro canto ali perto, observando o hospital, encontrava-se uma figura estranha e de beleza surreal... uma linda mulher de pele clara, cabelos negros e longos, vestida em roupas pretas e calça de couro, parecia estar decidindo alguma coisa. Então um sorrisinho surgiu nos lábios vermelhos da mulher, que colocou um óculos escuros e saiu de onde estava, indo direto ao hospital onde Julia estava internada.
Fale com o autor