Cheerock

21 O enterro


Notas iniciais
Hey ghosts!! Como foi o carnaval d vocês?? O meu foi massa! Esse aqui é um capítulo provisório, eu não vou deletá-lo nem nada, é só que ele vai ser bem menor que os que eu costumo postar, por que o verdadeiro post dessa semana vai ser no meio da semana. O negócio é que eu tinha que postar os dois e esse saiu muito pequeno, se eu juntasse ficaria grande demais então vou deixar separado e postar na mesma semana. Enjoy!!

Victor

Fiquei olhando o caixão baixar até chegar ao solo, então finalmente joguei a rosa branca que segurava. Carly jogou uma vermelha e mamãe uma cor-de-rosa. Hugo não quis flor alguma.

Todos bateram palmas e formaram uma fila para falar conosco enquanto terminavam de enterrar meu pai.

Pessoas que eu nunca vi na vida me davam seus pêsames e me abraçavam como se me conhecessem há anos. Os vizinhos e as pessoas da igreja tentavam me falar palavras de conforto do tipo “ele está com Deus agora” ou “foi a vontade do Todo Poderoso” e até mesmo “ele não vai mais sofrer agora”. Eu não via nenhum sentido naquelas frases, mas mesmo assim balancei a cabeça e sorri para todos.

Eu estava tentando ser o mais forte possível, nenhuma gota de água tinha saído dos meus olhos naquela tarde e eu era a pessoa que estava segurando a mão da minha mãe enquanto ela chorava desesperadamente. Tudo isso mudou quando chegou a vez do meu avô me abraçar.

– Vovô...

Abracei-o como não o tinha feito com ninguém até aquele momento. Meu avô parecia quase tão perdido e controlado quanto eu.

– Me desculpa vovô... – solucei — É minha culpa, me desculpa...

– Não é sua culpa, meu filho – senti suas lágrimas em minha bochecha – Não é sua culpa...

Ficamos incontáveis minutos nos abraçando, até ele me soltar e dar um beijo na minha bochecha.

– Eu quero que você tire esse sorriso falso do seu rosto e mostre seus verdadeiros sentimentos. Você não precisa ser forte num momento como esse, Victor. Você tem a mim, sua mãe, seu irmão e sua amiga loira ali atrás. Você não está sozinho.

Senti uma mão em meu ombro e olhei para o lado. Carly estava ali, ao meu lado, seus incríveis olhos verdes me segurando. Sim, eu não estou sozinho. Percebo isso pela primeira vez na vida e me sinto realmente aconchegado.

As pessoas foram passando até a última me dar os pêsames. Então finalmente saímos do cemitério e fomos para casa.

Mamãe e Hugo se trancaram cada um em seus respectivos quartos e eu e Carly ficamos sozinhos no quarto dela, já que Hugo estava no meu.

Sentei na cama e liguei meu celular.

– Seu avô está certo, sabia? – disse Carly de supetão. Olhei-a surpreendido – Você não está sozinho. Eu me surpreendo com a quantidade de vezes em que já percebi você agir como se estivesse.

Sorri.

– Eu sei, vou tentar ser mais aberto agora.

Ela sentou ao meu lado e se aconchegou em meu peito.

Abri a caixa de e-mails para ver se tinha algo novo e interessante, quando um e-mail em particular me chamou atenção. Abri-o.

E como desejei não tê-lo feito.

Não hoje.

Não agora.

– Puta que pariu – foi o que escapou da minha boca depois de terminar de ler.

Carly

O enterro do pai de Victor foi triste, como todo enterro deve ser, mas esse em especial parecia mais deprimente que o normal.

Meus olhos não deixaram Victor nem por um segundo. Ele não tirava um sorrisinho falso do rosto e não derramou uma lágrima sequer. Ouvi até comentários dizendo que ele era insensível e que não gostava de seu pai o suficiente, mas eu sabia a verdade. Victor era forte, muito forte.

Quando o caixão começou a ser enterrado, até mesmo eu, que nem o conheci, chorei um pouco, mas Victor permaneceu firme.

Eu queria muito mostrar para ele que aquilo era burrice. Guardar tudo para si assim era burrice. Eu pensava que eu tinha conseguido fazê-lo acabar com isso ontem no hospital, mas ele continuava fechado a sete chaves.

No fim, as pessoas se enfileiraram para cumprimentar os parentes e eu fiquei atrás, esperando aquilo acabar, sempre olhando preocupada para Victor. Ele parecia um robô que distribuía falsos sorrisos e apertos de mão.

– Vovô... – ouvi-o dizer.

Então o avô de Victor chegou e ele desabou. Eu não pensei que algo assim iria acontecer. Ele simplesmente começou a chorar só de ver o avô. Os dois se abraçaram fortemente e choraram juntos.

– Me desculpa vovô... é minha culpa, me desculpa...

– Não é sua culpa, meu filho. Não é sua culpa... – repetia ele.

Então eles se soltaram e o avô dele disse tudo o que eu queria dizer naquele dia.

– Eu quero que você tire esse sorriso falso do seu rosto e mostre seus verdadeiros sentimentos. Você não precisa ser forte num momento como esse, Victor. Você tem a mim, sua mãe, seu irmão e sua amiga loira ali atrás. Você não está sozinho.

Segurei seu ombro para mostrar-lhe força. Ele me olhou e sorriu, dessa vez, de verdade.

A fila continuou andando até acabar e as pessoas irem embora.

Voltamos para casa e Janice se trancou em seu quarto e Hugo no de Victor, deixando-os com a única opção de ir para o meu.

Victor deitou-se na cama e pegou o celular.

Eu senti que precisava falar alguma coisa para melhorar o clima.

– Seu avô está certo, sabia? – falei. Ele me olhou assustado – Você não está sozinho. Eu me surpreendo com a quantidade de vezes em que já percebi você agir como se estivesse.

Então ele de deu um sorriso genuíno novamente.

– Eu sei, vou tentar ser mais aberto agora.

Senti que podia finalmente relaxar naquele dia. Tinham sido dois dias muito cansativos para todos.

Deitei-me em seu peito, aproveitando o cheiro de perfume que emanava. Estava quase dormindo quando ele me acordou com uma frase assustada

– Puta que pariu!

E-mail:

Subject: Veredicto.

From: john.lawyer@gmail.com

To: simons_victor@outlook.com

Caro Victor,

Hoje, as dez horas e cinquenta minutos da manhã, foi a última sessão do júri. Lembrei que você me procurou com interesse no veredicto e o destino do meu cliente Sr. Upsent, por isso estou lhe enviando este e-mail com o resultado.

Infelizmente o réu foi considerado culpado por decisão unanime e foi condenado á pena de morte.

É com grande tristeza que lhe comunico isso, pois sei que tinha uma espécie de ligação com o Sr. Upsent.

Foi decisão do júri que o réu não terá direito a visitas antes da execução. Soube que você fez uma visita este fim de semana. Espero ter aproveitado, mesmo não sabendo que seria a última.

Meus pêsames,

John Adler, Advogado criminal.

Notas finais
Oh! E agora?! Review time!!