Cheerock

6 Capítulo 6


Notas iniciais
como prometido: mais um! Enjoy!

Victor
– Vou ao banheiro disse Carly assim que passamos pela porta.
– Certo, vou comprando os sanduíches.
Ela saiu de vista e eu fui ao caixa.
Comprei três e dois refrigerantes recarregáveis acompanhados de três porções de batata frita. Nunca se sabe qual o tamanho da fome até você meter algo comestível na boca! E já que Carly nem com fome está, sobra mais pra mim.
Escolhi uma mesa e deixei nossos sanduíches lá enquanto saía pra carregar nossos refrigerantes. Coca e soda devem bastar.
Carly voltou com o cabelo arrumado e até um pouco maquiada.
– Por que você não me disse que eu estava um desastre total?
– Por que você não estava. Onde arrumou maquiagem?
– Uma garota solidária me emprestou uma escova, pó e rímel.
– Legal.
Ela olhou para a mesa.
– Você me esperou pra começar a comer?
– Bonitinho né? Meu pai que me ensinou falei sorrindo.
Carly revirou os olhos.
– Por que três sanduíches?
– Tô com fome, já disse umas mil vezes.
– Certo.
Então ela pegou o primeiro e eu, o segundo.
Abri a embalagem e comecei a comer. Minha mãe sempre reclama que é falta de educação comer feito um pouco, por isso naquela ocasião em especial, comi devagar.
Estava na segunda mordida quando olhei para Carly e qual foi minha surpresa ao vê-la engolindo o sanduíche.
– Cadê a Carly fresquinha que não aceita má educação?
– Ela ficou com fome disse ela de boca cheia. DE BOCA CHEIA! E é melhor você se apressar ou vou comer o outro também.
– Ah, não vai não!
Começamos uma espécie de corrida para ver quem comia mais rápido e a disputa estava realmente acirrada.
Acabamos praticamente ao mesmo tempo e colocamos a mão no terceiro juntos.
Ambos começamos a rir.
– Eu vou comprar mais um, esse já está frio mesmo falei enquanto levantava.
– Aproveita e recarrega meu copo, com coca dessa vez.
– Pensei que refrigerante demais desse... como é o nome?
– Celulite e hoje, em especial hoje e só hoje, eu não ligo. Agora recarregue meu copo.
Ri.
– Certo. Manera na velocidade ou você vai passar mal.
– Eu decidi que esse eu vou comer devagar e saborear.
Peguei o copo e fui ao caixa, rindo.
Comprei outro sanduíche e enchi o copo de Carly.
– Quer fazer outra corrida? perguntei enquanto colocava o refrigerante na frente dela.
– Quero ir pra casa ela nem tinha tocado no sanduíche e estava cabisbaixa.
– Você enlouqueceu?
– Victor eu não tenho aonde ir e meu padrasto vai me pegar mais cedo ou mais tarde. Essa ansiedade tá me matando.
– Não, Carly. É o medo que tá te matando.
Ela me olhou.
– Carly, você não vai voltar pra lá. Mesmo que você não tenha aonde ir eu vou arranjar um lugar, mas você não volta praquela casa.
Então o rosto dela se iluminou e ela sorriu.
– Tem alguém que eu confio.
– Jura? Nossa uma notícia boa hoje! Tirando é claro quando a comida chegou.
Ela riu e ia se levantando.
– Aonde você vai?
– Eu acabei de dizer que tem alguém em quem confio.
– Sente, coma e depois nós vamos.
– Certo.
Ela voltou a sentar-se e pegou o sanduíche.
– Com calma avisei.
– Com calma ela repetiu.
Depois de um tempo em silêncio eu comecei a bater meu pé.
– Acalma você se conversarmos enquanto comemos?
– Sim, silêncio me deixa nervoso.
Ela riu.
– Burro é quem não percebe.
– Cala a boca, Upsent.
Ela riu mais e bebeu um pouco do refrigerante.
– Então, há quanto tempo seu avô mora ali?
– Desde que minha mãe declarou que não queria cuidar de dois desabilitados.
– Dois?
Olhei-a sério. Lembrei-me do meu pai, do dia do acidente... tenho que mudar de assunto.
– E então o que, especificamente, o seu padrasto fez com você?
– Não quero falar disso falou ela desviando o olhar.
– Não falamos de coisas que você não quer falar e em troca não falamos de coisas que eu não quero falar.
– Combinado.
– Você quer falar desse cara que você confia?
Ela voltou a me olhar e até sorrindo um pouco.
– O nome dele é Josh, ele foi o primeiro marido da minha mãe depois do meu pai.
– Primeiro?
– Minha mãe já se casou umas cinco vezes.
– Hm... ela deve ser uma pessoa indecisa.
– Enfim, ele praticamente me adotou quando eu era criança. Eles se separaram quando eu tinha uns seis anos, mas Josh continuou sendo como meu pai. Ele se preocupava comigo, sabe? Até que minha mãe casou com o terceiro marido dela depois do meu pai e ele sumiu do mapa. Só nos falamos por internet ou no aniversário um do outro.
– Então ele ainda gosta da sua mãe?
– Acho que não. Não sei, na verdade. Ela traiu muito ele.
– E o seu padrasto atual é tipo o quinto marido depois do seu pai?
– Não, ele seria o quarto marido depois do meu pai.
– E você sabe onde Josh mora?
– Sim, se ele não tiver se mudado, sei.
– Beleza.
Ela me olhou séria, parecendo me estudar.
– E sua mãe?
– Você quer que eu fale como ela é?
Ela sorriu.
– Ela já traiu seu pai?
Pensei sobre isso. Será que sair com outros homens enquanto seu marido está vegetando em casa pode ser considerada traição?
– Não sei. É complicado, sabe?
– Seu pai morreu?
– Eu não quero falar sobre isso.
Ela abriu a boca, mas depois fechou de novo.
– Vamos? disse finalmente.
– Vamos.
Peguei o copo de refrigerante, carreguei mais uma vez e saímos a procura de Josh.

Carly
– Vou ao banheiro falei quando chegamos ao BK, por que acabei de passar por um quase estupro e preciso dar uma olhada em mim mesma. Estão todos ao meu redor me olhando e eu nem quero saber por quê.
– Certo, vou comprando os sanduíches.
Corri para o banheiro das meninas e me olhei no espelho.
A maquiagem estava muito borrada e o cabelo parecia um monte de feno, que nem aqueles dos filmes de velho oeste.
Bufei. Vou matar aquele roqueiro idiota.
– Caramba, você parece uma mendiga.
Olhei para o lado e vi Lohana, a judia da escola. Puta merda. Está na hora de inventar uma desculpa perfeita.
– É o que acontece quando se vai pra cama com um cara e ele não tem um espelho.
Ela arregalou os olhos.
Deu pro gasto.
Lavei meu rosto e tentei passar os dedos pelo cabelo pra escová-lo.
– Você quer ajuda?
Lohana estava estendendo sua escola. Que garotinha fofa essa.
– Obrigada falei sorrindo.
– Eu nunca pensei que fosse te ver sem maquiagem.
– Não espalha tá?
– O cara que você fez... ele é bonito?
Caramba, Lohana vai me ver com Victor do lado de fora. Epic Fail.
– Gatíssimo, mas ele se recusou a me levar pra comer depois. Acredita? Mão de vaca. Por sorte encontrei Victor Simons e ele se propôs a me levar pra comer.
– Pensei que vocês se odiassem.
– Bem, eu o odeio, mas não se recusa quando um garoto te convida pra comer, né? Quanto a ele eu não sei.
– Será que ele gosta de você? perguntou ela entusiasmada.
– Não sei respondi devolvendo a escova, com os cabelos já comportados.
– Pega disse ela me entregando uma caixinha de pó claro e um tubo de rímel Ninguém lá fora pode ver Carly Upsent sem maquiagem.
Eu sou tão fútil assim?
Dei um sorriso.
– Obrigada.
Quando terminei ela estava com o maior sorriso do mundo.
– Posso espalhar pra todo mundo que te ajudei no BK?
Ah, gentileza comprada. Que garota amável.
– Claro, se você não espalhar que eu estava aqui com Victor, é claro. Isso estragaria minha reputação.
– Certo.
Sorri mais uma vez e saí do banheiro.
Victor estava sentado numa mesa, me esperando. Ele nem parecia ter triscado nos sanduíches, mas beliscava as batatas e parecia em outro mundo.
– Por que você não disse que eu estava um desastre total? perguntei para acordá-lo.
Ele me olhou.
– Por que você não estava. Onde arrumou maquiagem?
– Uma garota solidária me emprestou uma escova, pó e rímel.
– Legal.
Olhei a mesa. Definitivamente ele tinha me esperado. Seria fofo se não viesse de Victor Simons.
– Você me esperou pra começar a comer?
– Bonitinho né? Meu pai que me ensinou ele disse dando um meio sorriso. Ele é até um pouquinho charmoso... Não. Definitivamente não. Victor Simons não é charmoso. Não. Nunca.
Revirei os olhos para mostrar meu desprezo. Mas sim, é bonitinho.
– Por que três sanduíches?
– Tô com fome, já disse umas mil vezes.
– Certo.
Sentei e peguei o primeiro sanduíche.
Foi então que percebi que estava com muita, muita fome. Comecei a comer feito uma desesperada e nunca achei um sanduíche do BK tão bom quanto aquele.
Victor pareceu notar meu desespero. Ops.
– Cadê a Carly fresquinha que não aceita má educação?
– Ela ficou com fome falei de boca cheia, por que desperdiçar tempo falando é bobagem E é melhor você se apressar ou vou comer o outro também terminei brincando.
– Ah, não vai não! ele levou a sério?
Victor Simons começou a engolir seu sanduíche. Foi quando eu percebi que dá pra botar muuuita comida numa boca só. Ou a do Victor é simplesmente gigante.
Apressei-me também e nem estava indo tão mal assim. Naquele instante já tinha se transformado em questão de orgulho.
Acabei e coloquei a mão no terceiro com rapidez, mas Victor era tão rápido quanto. A mão dele ficou praticamente em cima da minha.
Rimos. Talvez não fosse tão ruim assim, jantar com Victor.
– Eu vou comprar mais um, esse já está frio mesmo Ele falou enquanto levantava.
– Aproveita e recarrega meu copo, com coca dessa vez.
– Pensei que refrigerante demais desse... como é o nome?
– Celulite e hoje, em especial hoje e só hoje, eu não ligo. Agora recarregue meu copo.
Ele riu.
– Certo. Manera na velocidade ou você vai passar mal.
– Eu decidi que esse eu vou comer devagar e saborear.
Quando ele foi embora olhei pela janela e vi Terrence na rua, provavelmente me procurando. Oh, não. Abaixei-me para que ele não me visse e acompanhei com os olhos enquanto ele sumia de vista.
Ajeitei-me na cadeira, respirando fundo. Ele vai me achar e vai ser muito pior quando isso acontecer.
– Quer fazer outra corrida? perguntou Victor enquanto empurrava o copo na minha direção.
– Quero ir pra casa falei olhando para baixo, envergonhada da minha própria covardia.
– Você enlouqueceu?
– Victor eu não tenho aonde ir e meu padrasto vai me pegar mais cedo ou mais tarde. Essa ansiedade tá me matando.
– Não, Carly. É o medo que tá te matando.
Olhei para ele. Será que Victor Simons pode ler mentes? Devem ser esses olhos azuis penetrantes. Maldito Simons.
– Carly, você não vai voltar pra lá. Mesmo que você não tenha aonde ir eu vou arranjar um lugar, mas você não volta praquela casa.
Então me lembrei. Como pude não me lembrar dele antes? O segundo marido da minha mãe, Josh Parkinson. Ele era praticamente um pai para mim.
– Tem alguém que eu confio declarei.
– Jura? Nossa uma notícia boa hoje! Tirando é claro quando a comida chegou.
Ri e comecei a me levantar. Chega de perder tempo no BK, precisamos falar com Josh imediatamente. Estou até com um pouco de saudades dele.
– Aonde você vai?
– Eu acabei de dizer que tem alguém em quem confio.
– Sente, coma e depois nós vamos.
– Certo.
Senti um desconforto no estômago e lembrei que ainda estava ligeiramente com fome. Sentei e peguei o sanduíche.
– Com calma advertiu ele.
– Com calma repeti.
Comemos em silêncio. Ele tinha razão, o sanduíche já estava começando a ficar frio, mas ainda gostoso.
Ele começou a bater os pés debaixo da mesa e lembrei a conversa mais cedo quando ele disse que o silêncio o incomodava.
– Acalma você se conversarmos enquanto comemos?
– Sim, silêncio me deixa nervoso.
Ri.
– Burro é quem não percebe.
– Cala a boca, Upsent.
Ri mais e bebi um pouco do refrigerante. Coca-cola é a bebida dos deuses.
– Então, há quanto tempo seu avô mora ali?
– Desde que minha mãe declarou que não queria cuidar de dois desabilitados.
– Dois?
Ele me olhou sério, devo ter tocado em uma ferida aberta.
– E então o que, especificamente, o seu padrasto fez com você?
– Não quero falar disso desviei o olhar.
– Não falamos de coisas que você não quer falar e em troca não falamos de coisas que eu não quero falar.
– Combinado.
– Você quer falar desse cara que você confia?
Voltei a olhá-lo, sorrindo um pouco. Falar de Josh me deixava até um pouco mais feliz.
– O nome dele é Josh, ele foi o primeiro marido da minha mãe depois do meu pai.
– Primeiro?
– Minha mãe já se casou umas cinco vezes.
– Hm... ela deve ser uma pessoa indecisa.
Há, ele não faz ideia!
– Enfim, ele praticamente me adotou quando eu era criança. Eles se separaram quando eu tinha uns seis anos, mas Josh continuou sendo como meu pai. Ele se preocupava comigo, sabe? Até que minha mãe casou com o terceiro marido dela depois do meu pai e ele sumiu do mapa. Só nos falamos por internet ou no aniversário um do outro.
– Então ele ainda gosta da sua mãe?
– Acho que não. Não sei, na verdade. Ela traiu muito ele.
– E o seu padrasto atual é tipo o quinto marido depois do seu pai?
– Não, ele seria o quarto marido depois do meu pai.
– E você sabe onde Josh mora?
– Sim, se ele não tiver se mudado, sei.
– Beleza.
Olhei-o. Como deve ser ter uma família normal?
– E sua mãe?
– Você quer que eu fale como ela é?
Sorri. Estava curiosa.
– Ela já traiu seu pai?
Ele pensou um pouco.
– Não sei. É complicado, sabe?
– Seu pai morreu?
– Eu não quero falar sobre isso.
Abri a boca para dar meus pêsames, mas desisti. Seria idiotice, me desculpar por algo que não fiz ou pela morte de alguém que não conheci.
– Vamos? ele disse quando acabamos.
– Vamos.
Ele recarregou o copo mais uma vez e saímos do BK, tomando muito cuidado para não dar de cara com Terrence.

Notas finais
Cadê meus amiguinhos?? Venham me dar o prazer de ver seus reviews! kisses ;)