Cheerock

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Então como prometido mais um!! Ainda hoje posto mais, juro! Espero que gostem!! Let´s go!

Carly

Victor me guiou para um prédio branco onde cuidavam de velhos. O homem do portão dormia com a boca aberta e roncava alto.

O garoto abriu o portão de ferro e me empurrou lá dentro, entrando logo em seguida.

Vi os homens correndo raivosos em nossa direção e o medo me dominou.

Victor trancou o portão com um cadeado do tamanho de um punho e se afastou do portão com rapidez.

Os cinco capangas esbarraram no portão e começaram a gritar.

– O que está acontecendo aqui? — perguntou o velho acordando assustado.

– Vamos, Sr. Covalski, temos que entrar.

Victor pegou o braço do velho e minha mão e nos arrastou porta adentro.

O ambiente cheio de velhos se calou.

– Você voltou!

– Cadê minha pamonha?

– Onde você colocou seu fuzil?

Fuzil?

– Seu avô morreu

– Tá certo, Sr. Covalski, não caio nessa de novo.

– Você já escutou?

– Sra. Falosi — ele se dirigiu à mulher do fuzil — Minha amiga precisa de ajuda.

A mulher pareceu acordar de um sonho aterrorizante e percebeu a situação.

– Vamos.

Ela pegou meu braço com delicadeza e me conduziu por um corredor com várias portas e placas com nomes. Em uma delas li "Victor Simons". Será que ele mora aqui? Nessa casa cheia de velhos e na minha rua?

Os dois me levaram ao final do corredor, onde ficava a enfermaria.

Sra. Falosi me sentou com braço apoiado na mesa.

– Fique parada — ela analisou o ferimento — É fundo, vai doer.

– Motivador — falei, medrosa.

– Vou pegar uma... er... roupa pra você

Então Victor saiu.

Foi então que percebi que minha blusa estava dilacerada, mostrando todo meu busto e o sutiã rosa.

Victor Simons me viu seminua. Esse dia só fica melhorando a casa segundo.

Sra. Falosi molhou uma gaze em álcool e apertou em meu braço.

– Ah — rosnei de dor.

– Fique quieta que passa mais rápido.

Tentei, mas a cada pontada de dor meu braço se retraía involuntariamente.

– Quieta meu amor, ou vai doer mais ainda.

Ela tentava ser delicada, mas com meu braço mexendo ela tinha que ser agreciva.

Victor finalmente entrou com um moletom bege e grande.

– Desculpe, mas foi o que eu achei.

– Tudo bem.

Sra. Falosi acabou de enfaixar o braço e sorriu.

– Não foi tão ruim, não é mesmo?

Não. Não tanto quanto se não tivesse conseguido chegar aqui. E isso só foi possível com a ajuda de Simons.

– Obrigada — sorri de volta para a velha.

– Não há de quê, querida — ela passou a mão enrugada na minha bochecha e uma onda de ternura me invadiu — Agora vamos verificar os soldados que chegaram de Auschwitz.

– Como?

– Muito obrigada, Sra. Falosi. Agora vamos voltar ao salão, certo?

– Mas os soldados...

Victor levou-a para fora e fechou a porta.

– Ela tem demência — explicou — Acredita que ainda é enfermeira da segunda guerra mundial.

– Ainda?

– Ela foi — ele sorriu e sentou de frente para mim — Vive paranoica com armas e tudo mais, mas quando aparece um acidente ela é extremamente prestativa.

– Paranoica tipo fuzil?

– Ela acha que Mary Ann é uma arma.

– Mary Ann?

– Minha guitarra.

– O nome da sua guitarra é Mary Ann?

– Foi meu avô quem deu o nome.

– Você mora aqui com ele?

– Moro na minha casa e ele mora aqui.

– Mas tem seu nome em uma das portas.

– Que também é o nome do meu avô e do meu pai.

– Sua família tem uma criatividade incrível.

– Você não viu nada.

Dei um risinho. Não estava sendo tão ruim assim.

– O que aconteceu ali?

Homens e sua tendência a estragar o momento.

– Não te interessa.

– Na verdade sim, por que eu estou aqui, nessa sala, com uma líder de torcida seminua e machucada, que segundos atrás estava sendo seguida por uma gangue de brutamontes.

Fiquei vermelha e troquei a blusa dilacerada pelo moletom rapidamente.

– E então? — pressionou.

Silêncio. Victor estava com uma caneta nas mãos e não parava de girá-la nos dedos.

– Carly, estou tentando te ajudar. Eu sinto que devo te ajudar, mas não posso te ajudar se você não me ajudar a te ajudar. Não tenho uma bola de cristal pra adivinhar o que está acontecendo.

Suspirei.

– É meu padrasto.

– Seu padrasto?

– É, o nome dele é Terrence.

– Qual daqueles que nos seguiam é ele?

– Nenhum deles. Meu padrasto devia dinheiro a um homem chamado Swag e eles combinaram em quitar a dívida se... bom... você sabe.

– Seu padrasto te usou como moeda de troca? — ele parecia indignado.

– É, acho que sim.

– Sua mãe sabe disso?

– Minha mãe sabe de tudo o que ele faz comigo, ela só finge não saber. Ela é uma puta.

– Ele faz mais coisas?

Olho para ele. Estou mesmo me abrindo para meu maior inimigo? Aqueles olhos azuis me encaravam e pareciam enxergar minha alma. Era desconcertante, mas ao mesmo tempo reconfortante.

– Sim, muitas coisas.

Ele me entendeu, e pareceu ficar com raiva.

– E você nunca tentou fugir?

– Sim, mas nunca conseguia ir muito longe e ele sempre fazia coisas piores quando me pegava de novo.

– Poxa, Carly, você já tentou ligar pra polícia?

– Já fiz tudo o que puder imaginar, tudo bem? Não funciona. Nada funciona! Estou impressionada que hoje funcionou.

Ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais.

– Tem alguém que você confia?

– Como assim?

– Carly, eu não posso deixar você voltar pra lá e você não pode ficar aqui com todos esses velhos tão perto da sua casa. Você precisa ir a outro lugar e precisa ser um confiável.

Baixei os olhos. É claro que ele não iria resolver todos os meus problemas. Victor Simons não é um gênio da lâmpada.

Como fui idiota em pensar que ele poderia resolver tudo com um "abra cadabra".

– Eu não sei.

– Deve ter alguém — ele retrucou — Um tio, um amigo, um padrinho... seu pai?

– Meu pai é um presidiário.

Ele suspirou e senti balançar os pés debaixo da mesa.

– Sua hiperatividade ataca quando está nervoso?

– Minha hiperatividade ataca quando não tomo meu remédio e hoje eu esqueci.

– Isso explica muita coisa.

– Tô com fome, você tá com fome?

– Não muito.

– Hm... o que acha de sairmos pra comer alguma coisa?

Victor Simons está me convidando pra sair?

– Tipo... um encontro?

Ele arregalou os olhos.

– O quê? nâo! Carly Upsent eu estou com fome! Você não ouviu quando eu falei isso?

– Tá certo, vamos comer, mas não posso sair vestida assim.

– Por que não? Está ótimo.

Homens e sua falta de senso.

– Certo, vamos logo.

Ele levantou em um salto, pegou minha mão e me arrastou porta afora.

Quando passamos pela porta com o nome dele, Victor parou e olhou para ela.

– Vovô? Já estou indo. Domingo eu volto, precisa de alguma coisa do mundo externo?

Mundo externo? O asilo não é um universo paralelo. Eu acho.

– Quero um CD do Nirvana e pamonha para Charlie, esse velho não para de falar disso.

Ele sorriu.

– Nirvana — murmurou — Certo — falou mais alto — Cuide bem de Mary Ann.

– Com minha própria vida — respondeu.

Então ele me levou para fora e de lá direto para o BK.

Victor

Eles estavam muito perto, precisávamos ir à um lugar próximo e com uma tranca. Praticamente arrastei Carly para um asilo.

Sr. Covalski já estava dormindo, alheio ao que acontecia na rua, mas por sorte deixou o portão destrancado. Que ótimo porteiro.

Empurrei Carly para a varanda, tranquei o portão e quase tropecei para trás.

Os cinco gorilas ficaram gritando e se debatendo no portão.

– O que está acontecendo aqui?

– Vamos, Sr. Covalski. Temos que entrar.

Peguei Sr. Covalski e Carly e entrei no asilo.

Todos se calaram com nossa entrada e começaram a falar comigo ao mesmo tempo, como sempre. Impressionantemente, não perceberam Carly com sua roupa em farrapos e o cabelo em uma moita loira.

– Você voltou!

– Cadê minha pamonha?

– Onde está o seu fuzil?

– Seu avô morreu.

– Tá certo Sr. Covalski, não caio nessa de novo.

– Você já escutou?

Não tenho tempo pra isso, o braço da menina está sangrando.

– Sra. Falosi, minha amiga precisa de ajuda.

A velha então pareceu voltar ao estado "enfermeira da segunda guerra mundial" e agiu com uma agilidade assustadora.

– Vamos.

Sra. Falosi nos conduziu à enfermaria e sentou Carly na mesa de centro da sala.

– Fique parada. É fundo, vai doer.

– Motivador.

Sentada ali, Carly parecia muito sexy. Eu sei que é errado pensar algo assim numa situação dessas, mas a blusa dela estava rasgada deixando a barriga e os seios a amostra. É claro que ela usava sutiã, mas mesmo assim era incrivelmente sexy.

Não consigo pensar assim, preciso pôr uma roupa nessa garota.

– Vou pegar uma... er... roupa pra você.

Ela ficou rosada e saí como um raio.

Já do lado de fora fui procurar alguma coisa, mas não teria coragem de pegar alguma coisa das velhinhas, elas já tem tão pouco...

Tive uma ideia.

Fui ao quarto do vovô e entrei.

Ele estava ainda sentado na cadeira com a guitarra no colo, lustando-a.

– Vovô?

– Victor! — ele se virou para mim — Você voltou!

Sorri.

– Sim, houve um problema e tive que voltar.

– Que problema?

Expliquei tudo rapidamente para ele.

– Oh, pobre moça.

– Vovô, será que você poderia me emprestar um moletom seu pra ela?

– Claro. Pegue o bege, está na terceira gaveta.

Abri a porta indicada e peguei o que queria.

– Obrigada vovô.

Dei um beijo em sua testa.

– Leve-a para comer alguma coisa depois.

– Claro.

Saí do quarto e corri para onde as duas estavam.

Quando entrei, elas já tinham acabado e o braço de Carly estava enfaixado.

Entreguei o moletom.

– Desculpe, mas foi o que eu achei.

– Tudo bem.

– Não foi tão ruim assim, não é mesmo?

Carly sorriu.

– Obrigada.

– Não há de quê querida — a velha passou a mão no rosto de Carly, como fez naquele dia em que cheguei aqui chorando por causa do acidente do meu pai — Agora vamos verificar os soldados que acabaram de chegar de Auschwitz.

– Como?

– Muito obrigada, Sra. Falosi. Agora vamos voltar ao salão, certo?

– Mas os soldados...

Empurrei-a delicadamente porta afora e a fechei.

– Ela tem demência. Acredita que ainda é enfermeira da segunda guerra mundial — expliquei.

– Ainda?

– Ela foi — sorri, a história da Sra. Falosi era fascinante, mas não agora — Vive paranoica com armas e tudo mais, mas quando aparece um acidente é extremamente prestativa.

– Paranoica tipo fuzil?

– Ela acha que Mary Ann é uma arma.

– Mary Ann?

– Minha guitarra.

– O nome da sua guitarra é Mary Ann?

– Foi meu avô quem deu o nome.

– Você mora aqui com ele?

– Moro na minha casa e ele mora aqui.

– Mas tem seu nome em uma das portas.

– Que também é o nome do meu avô e do meu pai.

– Sua família tem uma criatividade incrível.

– Você não viu nada.

Ela riu e o ambiente pareceu se iluminar.

Chega de falar da minha vida, vamos falar da dela.

– O que aconteceu ali?

Ela perdeu o sorriso.

– Não te interessa.

– Na verdade sim, por que eu estou aqui, nessa sala, com uma líder de torcida seminua e machucada, que segundos atrás estava sendo seguida por uma gangue de brutamontes.

Ela ficou vermelha e tirou a blusa esfarrapada. UAU! Muito mais incrível do que eu imaginei. Se garotas são tão incríveis assim, por que ainda sou virgem? Ela vestiu o moletom e ficou até bonita, tirando é claro aquela juba.

Finalmente! Agora posso pensar direito. Espero que ela não tenha percebido que estava olhando para eles muito frequentemente no último minuto.

– E então? — insisti.

Silêncio mortal. Ah! Odeio silêncio! Comecei a me mexer de novo. As mãos, os pés, tudo.

– Carly, estou tentando te ajudar. Eu sinto que devo te ajudar, mas não posso te ajudar se você não me ajudar a te ajudar. Não tenho uma bola de cristal pra adivinhar o que está acontecendo.

Ela suspirou.

– É o meu padrasto.

– Seu padrasto?

– É, o nome dele é Terrence.

– Qual daqueles que nos seguiram é ele?

– Nenhum deles. Meu padrasto devia dinheiro a um homem chamado Swag e eles combinaram que quitariam a dívida se... bem... você sabe.

– Seu padrasto te usou como uma moeda de troca?

– É, acho que sim.

– Sua mãe sabe disso?

– Minha mãe sabe de tudo o que ele faz comigo, ela só finge não saber. Ela é uma puta.

O.K. né...

– Ele faz mais coisas?

Ela me olhou nos olhos. Parecia aflita, mas aliviada por desabafar.

– Sim, muitas coisas.

Que filho da puta. De repente me sinto culpado por chamar Carly de puta de torcida por tanto tempo.

– E você nunca tentou fugir?

– Sim, mas nunca conseguia ir muito longe e ele sempre fazia coisas piores quando me pegava de novo.

– Poxa, Carly. Você já tentou ligar pra polícia?

– Já fiz tudo o que puder imaginar, tudo bem? Não funciona. Nada funciona! Estou impressionada que hoje funcionou.

Passei as mãos pelos cabelos, como sempre faço quando estou nervoso. Maldita vontade de ajudá-la. É claro que ela precisa de ajuda, mas como vou fazer isso se tudo o que penso ela já fez?

– Tem alguém que você confia?

– Como assim?

– Carly, eu não posso deixar você voltar pra lá e você não pode ficar aqui com todos esses velhos tão perto da sua casa. Você precisa ir a outro lugar e precisa ser um confiável.

Ela baixou os olhos e pareceu ficar decepcionada. O que ela esperava que eu fizesse? Não sou o super-homem!

Meu Deus, em quê eu fui me meter? Por que sempre me meto em confusão quando tento ajudar alguém? Por que não escolho fazer ajuda humanitária com gatinhos?

O que vou fazer?

– Eu não sei.

Putz, não podia ficar pior.

– Deve ter alguém. Um tio, um amigo, um padrinho... seu pai? — arrisquei.

– Meu pai é um presidiário.

Suspirei. Mas que merda de vida, essa dela. A partir de agora vou respeitar Carly Upsent e sua vida miserável.

– Sua hiperatividade ataca quando está nervoso?

Mudando de assunto. Garota esperta.

– Minha hiperatividade ataca quando não tomo meu remédio e hoje eu esqueci.

– Isso explica muita coisa.

– Tô com fome, você tá com fome?

– Não muito.

– Hm... o que você acha de sairmos pra comer alguma coisa?

Estou mesmo com fome e vovô me disse para alimentá-la.

– Tipo... um encontro?

Quê? Um encontro? Será que ela esqueceu que nos odiamos?

– O quê? Não! Carly Upsent eu estou com fome! Você não ouviu quando eu falei isso?

– Tá certo, vamos comer, mas não posso sair vestida assim.

– Por que não? Está ótimo.

Ela revirou os olhos. Garotas e sua preocupação intensa com a aparência.

– Certo, vamos logo.

Levantei com pressa. A situação estava ficando crítica. Com o remédio que tomo preciso me alimentar regularmente ou os efeitos colaterais são desastrosos.

Passamos pela porta dos Simons e paro. Tenho que me despedir.

– Vovô? Já estou indo. Domingo eu volto, precisa de alguma coisa do mundo externo?

– Quero um CD do Nirvana e pamonha para Charlie, esse velho não para de falar disso.

Sorri. Meu avô... exatamente como eu. Que orgulho desse velho.

– Nirvana. Certo. Cuide bem de Mary Ann.

– Com minha própria vida.

Isso era bem o suficiente.

Então levei Carly para o BK mais próximo.

Notas finais
Gostaram? Meus queridos Ghosts apareçam com suas adoráveis reviews! kisses!