Cheerock

20 Capítulo 19


Notas iniciais
Então pessoal... feliz segunda-feira!! Está na hora do capítulo!!!! Não sei se eu sou besta mesmo ou se está realmente meloso o capítulo, mas eu chorei muito escrevendo! kkkkkk Enjoy people!!

Victor

O motorista levou a sério a história do pagamento em dobro e não economizou na velocidade. Eu não fazia a menor ideia de como pagar aquele taxi.

– O que está acontecendo? – perguntou Carly, mas minha mente estava a mil e eu não tinha tempo para responder.

Peguei meu celular e disquei o número do Hugo. Ele atendeu na segunda chamada.

– Cadê você? Mamãe tá quase se matando de chorar! – disse ele assim que atendeu.

Mais uma onda de culpa encheu meu peito. Senti vontade de chorar, mas me mantive firme.

– Estou a caminho. Escuta, eu preciso que você pegue cem dólares com a mamãe.

– Cem dólares? Você tá maluco?

– Eu já disse que estou a caminho Hugo, pegue o dinheiro e desça pro hall do hospital, eu chego daqui a pouco.

– Você só pensa em você mesmo não é? Já pensou que isso é tudo sua culpa? Se você não tivesse tentado fugir, papai estaria bem, se você não tivesse saído com sua namorada hoje, você saberia o que fazer e talvez nem tivéssemos que ir ao hospital. Você está percebendo, Victor, que coisas ruins assim só acontecem quando você pensa só em você mesmo? Quando você vai parar de ser tão egoísta?

Eu não sabia o que dizer e nesse ponto meus olhos se encheram de lágrimas, mas eu não iria chorar, não na frente da Carly e do motorista.

– Eu sinto muito – sussurrei ao telefone. Foi o máximo e mais alto que consegui falar sem que minha voz embargasse com a eminência do choro. Respirei fundo e fechei meus olhos – Eu estou chegando, e eu não vou mais sair.

Desliguei o telefone antes que ele respondesse. Abaixei a cabeça e me concentrei em não chorar, o que se mostrava uma tarefa muito difícil no momento.

Senti uma mão em minhas costas. Carly começou a acariciar minhas costas, segurou minha mão e tomou meu celular. Olhei a tempo de vê-la guardando-o na bolsa.

– Não parece estar te fazendo muito bem – disse ela.

Tentei sorrir, mesmo que um pouco, mas tenho certeza que não saiu muito convincente.

– Meu pai passou mal enquanto estávamos no presídio. Levaram-no ao hospital e parece que ele não está muito bem.

Ela passou o braço ao redor dos meus ombros e me abraçou.

– Me desculpa, eu não devia ter pedido para vir aqui.

– Podia ter acontecido a qualquer momento, só tivemos o azar de ter sido hoje e agora.

O carro parou e o motorista se virou.

– São trinta pratas, mano – ele parou no meio da frase e sorriu – Na verdade sessenta.

– Fica aqui – falei pra Carly.

Saí do taxi e logo vi Hugo vindo à minha direção com duas notas de cinquenta. Peguei-as e voltei ao taxi. O homem me devolveu quarenta dólares e foi embora quando Carly saiu do carro.

Entramos os três no hospital sem dizer uma única palavra e Hugo nos guiou onde nossos pais estavam.

– Victor! – disse minha mãe quando nos viu. Ela correu até nos, parecia zangada, parou na minha frente e estendeu a mão. Fechei os olhos e me encolhi inconscientemente, com medo do tapa, mas em vez de me bater, ela me abraçou e começou a chorar. Abri os olhos e abracei-a de volta.

– Eu estou com tanto medo – soluçou ela – O médico disse que é hora de se despedir.

As lágrimas encheram meus olhos, mas não desceram. Eu não iria chorar na frente do Hugo e da minha mãe.

– Vocês já...

– Sim – disse ela e se desvencilhou – só falta você, querido.

– Quarto quinhentos e trinta e sete – disse Hugo emburrado.

Caminhei no piloto automático pelo corredor, olhando para as portas para achar o quarto. Era o último, entrei e fechei a porta atrás de mim.

Meu pai estava na cama com vários fios e várias máquinas. O peito subia e descia bem devagar e os olhos estavam fixos no nada, como sempre.

Sentei ao seu lado e segurei sua mão.

Então finalmente liberei tudo.

As lágrimas escorriam pelo meu rosto sem eu ter nem o mínimo controle. Segurei firme a mão gelada do meu pai, eu não queria deixa-lo ir, ele não podia ir, não agora.

Então lembrei o que Hugo tinha dito. Aqui estava eu, querendo que meu pai ficasse aqui, quando claramente ele não podia mais. Será que é verdade? Será que eu realmente sou tão egoísta assim?

Reuni todas as minhas forças e minha coragem.

– Me desculpa pai... Vo... você po... de ir.

Não pareceu muito convincente nem para mim, mas eu não conseguia ser mais forte que isso.

Encostei a cabeça em seu peito, chorando como nunca. Eu queria parar, eu sabia eu ele podia sentir, ouvir e talvez até ver o que estava acontecendo, por mais que não pudesse se mexer ou falar. Eu queria mostrar para ele que eu realmente estava bem com a possibilidade dele ir, que eu sou forte. Eu nunca consegui mentir para o meu pai...

– Victor?

Virei-me e vi Carly na porta. Ela terminou de entrar e fechou a porta. Caminhou devagar para trás de mim e pôs a mão em meu ombro.

Eu ainda não conseguia parar de chorar, nem falar algo.

– Sua mãe me falou o que aconteceu... naquele dia...

Eu não me sentia traído nem nada, apenas muito envergonhado. Afinal de contas, meu pai estava desse jeito por única e inteiramente minha culpa. Minhas ações egoístas o fizeram virar um vegetal.

Ela colocou a mão em minhas costas e olhou meu pai.

– Sabe, eu acho que ele não te culpa pelo que aconteceu.

Olhei para Carly, ela olhava bem para meu pai, com um ligeiro sorriso. Desviei os olhos para ele, parecia estar sorrindo também, mas muito singelamente.

– Acho que se ele tivesse alguma chance de falar uma última vez com você ele diria que não é sua culpa, que teria acontecido de um jeito ou de outro e que, se tem alguém para culpar seria ele mesmo, por não ter esperado você voltar para casa como ele sabia que você faria.

Eu não sabia como, mas as palavras dela pareciam sinceras e precisas e eu acreditava nelas.

Isso não retirava minha culpa, não anulava todas as coisas erradas que fiz, mas com certeza me deixava bem mais tranquilo.

– Ele só quer que você tire essa culpa sem sentido que você sente e seja feliz.

Lágrimas me escapavam mais rapidamente, porém, menos desesperadamente. Isso parecia algo que meu pai diria.

Carly me abraçou.

– Eu também quero que seja feliz.

Então ela me deu um beijo no rosto e saiu.

Olhei para meu pai e apertei sua mão.

– Eu não sei o que acabou de acontecer aqui... – confessei – mas eu sei que foi você que falou de alguma forma – eu estava bem mais calmo, por mais que as lágrimas ainda rolassem em meu rosto, eu estava tranquilo – Eu estou feliz papai, e eu quero que você seja feliz também.

Senti um aperto suave em minha mão e apertei-a de volta bem forte e beijei-a.

Um dos aparelhos, o que media o pulso do coração, passou a fazer um apito constante. Olhei para seu rosto e soube que ele tinha morrido, mas aquilo não me incomodou, pois ele tinha um lindo sorriso nos lábios.

Carly

O motorista pisou fundo no acelerador e eu segurei no puta que pariu. (n/l.: é aquele negocinho em cima da janela pra você se segurar, não achei outro nome)

– O que está acontecendo? – perguntei assustada, mas Victor nem pareceu me escutar. Apenas pegou o celular e discou um número antes de colocar no ouvido.

– Estou a caminho. Escuta, eu preciso que você pegue cem dólares com a mamãe.

Então o hospital devia ter alguma coisa a ver com a família dele. Claro, Victor não ficaria tão assustado de uma hora para outra se não tivesse acontecido alguma coisa com a família dele... bastava saber agora se era com seu pai ou seu avô.

– Eu já disse que estou a caminho Hugo, pegue o dinheiro e desça pro hall do hospital, eu chego daqui a pouco.

Então Hugo também estava lá... claro, era um problema de família, mas Hugo não parecia se importar muito com o avô, então provavelmente era o pai.

Então, por um momento, os olhos de Victor se encheram de água. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas devia ser algo muito sério. Eu não queria vê-lo chorar, mas para minha sorte, ele não o fez.

– Eu sinto muito – ele falou bem baixo no telefone e logo fechou os olhos, se concentrando para falar mais forte – Eu estou chegando, e eu não vou mais sair.

Ele desligou o celular e abaixou a cabeça, parecia perdido e extremamente triste. Eu tinha que fazer alguma coisa para melhorar o clima, então acariciei suas costas e tirei o celular da sua mão e guardei em minha bolsa. Quando me voltei para ele de novo ele estava me olhando.

– Não parece estar te fazendo muito bem.

Ele deu um sorriso triste.

– Meu pai passou mal enquanto estávamos no presídio. Levaram-no ao hospital e parece que ele não está muito bem.

Agora tudo estava explicado. Abracei-o para lhe dar força.

– Me desculpa, eu não devia ter pedido para vir aqui.

– Podia ter acontecido a qualquer momento, só tivemos o azar de ter sido hoje e agora.

O carro finalmente estacionou e o taxista olhou para trás.

– São trinta pratas, mano. Na verdade sessenta.

– Fica aqui – ele disse.

O vi passando pela porta do hospital e voltando com Hugo. Então ele deu o dinheiro do taxi enquanto eu saía do carro. Então entramos no hospital geral e Hugo foi nos guiando pelos corredores até chegarmos onde Janice estava.

– Victor! – Janice disse vindo ao nosso encontro. Parecia com raiva e quando parou na frente de Victor levantou a mão como se fosse bater nele. Assustei-me, Janice não parecia o tipo de mãe que bateria em seu filho, não importando o motivo. Victor se encolheu, com medo da palmada, mas no ultimo segundo abraçou o filho bem forte.

– Eu estou com tanto medo. O médico disse que é hora de se despedir.

Oh... é bem pior do que eu pensei.

– Vocês já...

– Sim, só falta você, querido.

– Quarto quinhentos e trinta e sete – disse Hugo com raiva.

Victor saiu cambaleando pelo corredor. Eu nunca o tinha visto daquele jeito tão... acabado.

– Estou preocupada – disse Janice sentando.

– É algo que eu possa ajudar? – perguntei sentando-me ao seu lado.

– Como foi com seu pai? – perguntou ela.

– Ele está sendo acusado injustamente, mas podemos falar disso outra hora. O que preocupa a senhora?

– Victor... – disse ela fracamente e colocando as mãos na cabeça – Ele se culpa tanto pelo que aconteceu com seu pai...

– Por que é culpa dele! – disse Hugo com raiva.

– Hugo, quantas vezes eu já falei para você não dizer isso? Não é culpa dele!

– Mas mãe...

– Silêncio Hugo – ela parou por um instante para tomar fôlego – Antes do acidente do seu pai, nós estávamos sendo muito injustos com Victor, nós tiramos tudo o que ele gostava da casa, expulsamos o avô que ele era tão apegado, exigíamos muito dele e o isolamos de todo o externo. Eu nem me lembro do por que, ele tirava notas ótimas e era um bom filho. Ele começou a mudar, gostar de músicas radicais, preto e coisas assim. Então um dia o proibimos de novo de fazer uma coisa que gostava e ele fugiu, mas voltou na mesma noite. Isso se repetiu muitas vezes, mas ele sempre voltava. Na noite do acidente ele fugiu para ver um show qualquer, nós sabíamos que ele ia voltar, mas mesmo assim Victor, o pai, foi atrás dele. A próxima coisa que aconteceu foi a ligação de Victor desesperado dizendo que teve um acidente com o pai. Depois disso ele nunca mais foi o mesmo, sempre se culpando pelo que aconteceu. Suas notas caíram, a namorada se distanciou e ele passou a ficar mais reservado e sério. Já tentei tanto dizer que não foi sua culpa, para ele não se culpar, para voltar a ser feliz... mas ele nunca me ouve. Depois que você chegou, Victor tem sido mais... aberto, mais feliz, mas ainda assim se culpa demais – ela parou de falar e segurei sua mão para dar-lhe apoio – Eu quero lhe pedir um favor Carly.

– Claro, qualquer coisa.

– Victor está demorando, mas não tenho coragem de ir lá. Poderia ver se ele está bem?

– Claro.

Levantei-me e fui procurar o quarto pelo corredor. Finalmente achei e abri a porta.

Ele estava deitado em cima do pai chorando. Eu nunca o vi chorando tanto. Ele tremia e soluçava em cima do pai, murmurando algo que pareciam desculpas. Eu não aguentei ver aquilo sem fazer nada.

– Victor?

Ele se virou, os olhos estavam vermelhos e inchados. Fechei a porta depois de passar e caminhei para ficar perto dele.

Resolvi falar o que sua mãe me contou.

– Sua mãe me falou o que aconteceu... naquele dia...

Coloquei a mão em suas costas e olhei para o Victor pai.

– Sabe, eu acho que ele não te culpa pelo que aconteceu.

Senti seu olhar em mim e sorri ligeiramente.

– Acho que se ele tivesse alguma chance de falar uma última vez com você ele diria que não é sua culpa, que teria acontecido de um jeito ou de outro e que, se tem alguém para culpar seria ele mesmo, por não ter esperado você voltar para casa como ele sabia que você faria.

Ele se mexeu na cadeira, mas continuou olhando para o pai, então resolvi terminar.

– Ele só quer que você tire essa culpa sem sentido que você sente e seja feliz.

Ele chorou mais, mas parecia mais tranquilo, em paz. Abracei-o bem forte.

– Eu também quero que seja feliz.

Já estava acabando meu momento ali, eu precisava sair para deixá-lo sozinho com seu pai. Beijei seu rosto e saí.

Já na sala de espera, sentei-me ao lado de Janice novamente.

– Não se preocupe – falei segurando sua mão e sorrindo ligeiramente – Ele está bem.

Notas finais
Então?? Meloso mesmo ou eu sou besta? hahahahah! Hora do review!