Cheerock
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Victor
De algum modo eu estava no chão. Nem sei como isso foi acontecer, mas eu estava no chão. E Carly estava em cima de mim. E estávamos nos beijando. Caralho.
Eu tenho uma impressão de que estávamos na cama em rolamos para o chão, mas como não tenho certeza de nada nesse momento não vou comentar.
Eu só conseguia pensar em beijá-la e em como era bom fazer aquilo. Por que eu nunca fiz antes? Ela estava na minha casa! No quarto ao lado do meu! Victor Simons e sua mente brilhante...
Carly passou uma mão por debaixo da minha camisa e depois a outra e foi levantando devagar. Caralho isso me deixa louco! Meus instintos masculinos estavam gritando e eu sentia meus nervos latejando. Não é minha culpa se foi ela quem começou, não é mesmo? Afinal de contas, é ela quem está me atiçando. Certo, se ela levantou minha camisa levanto a dela também e ficamos quites. Não que eu nunca tenha visto o tamanho do sutiã dela – parecia grande, mas eu não tinha com o que comparar... – mas se ela tira minha calça tenho um motivo pra tirar a saia dela. E assim estamos quites.
Comecei a tirar sua blusa e então ela se levantou em um salto e gritando.
Tive que agir com rapidez. Peguei um livro na estante, abri e sentei na cama.
Minha mãe abriu a porta assim que pus a bunda na almofada.
– O que aconteceu? – perguntou ela assustada – Victor, o que você fez?
– Nada! – me defendi – Eu estava lendo umas histórias de terror para Carly e ela se assustou, foi só isso.
Então vi uma imagem de um DNA no livro e percebi que era meu caderno de biologia. Tentei ao máximo esconder a capa, mas minha mãe apenas fez careta para mim.
– Nada de livros, filmes ou sites de terror à noite, Victor.
– Certo – falei fechando o livro e abraçando para eu ela não visse a capa.
Finalmente ela saiu. Corri e fechei a porta.
– O que deu em você? – perguntei olhando para a garota.
– Vo... você tentou levantar minha blusa...
– E você levantou a minha e nem por isso eu... – aí eu finalmente percebi que ela estava com os olhos cheios d´água – Ai caramba Carly, me desculpa. Eu nem pensei nas consequências, na verdade eu nem me lembrei do seu trauma.
Ela foi de encontro à parede e deslizou para se sentar.
– Não foi sua culpa... eu não queria gritar, eu só me lembrei do... Terrence.
Sentei-me ao lado dela.
– Eu não deveria ter feito nada, me desculpe.
Ficamos um tempo calados, fitando o nada.
– Mas sabe... Eu acho que você deveria superar isso.
Ela me encarou.
– Pensei que você fosse compreensivo.
– Carly, não é por mim, tudo bem. Você não pode carregar seus demônios pelo resto da sua vida, você precisa viver! Essa pode até não ser uma boa notícia, mas Terrence está morto! Ele não vai te atacar novamente. E você sabe que eu nunca faria isso.
Ela deu um sorriso e encostou a cabeça em meu ombro, suspirando.
– Você já fez?
– O que?
– Estou perguntando se você já fez, Victor.
– Fiz o que?
– Estou tentando não usar a palavra, mas essa mula não entende nada!
– Usa a droga da palavra.
– Você já transou? – ela falou um pouco mais baixo.
Ai, agora ela me pegou. Como vou explicar isso...
– Seu silêncio te denunciou.
– Eu tenho uma explicação.
– Eu sou a primeira garota que você já beijou?
– Não, eu já tive uma namorada! O nome dela era Wanessa. Namoramos por dois anos, ela foi minha primeira namorada, ela acabou comigo.
– Quando foi isso?
– Eu a pedi em namoro na quinta série, eu tinha doze anos. Namoramos até meus catorze, depois ela acabou.
– Por quê?
Eu não queria falar. Estava aliviando o clima, mas eu realmente não estava a fim de entrar naquele assunto.
– Victor?
– Depois do acidente do meu pai eu meio que queria mais tempo sozinho, comecei a gostar de rock, metal e essas coisas. Divergimos em opiniões, começamos a brigar e ela acabou antes que eu o pudesse fazer. Depois disso eu nunca mais tive nenhum outro relacionamento.
– Por quê?
– Você foi a primeira garota que quis se aproximar de mim de verdade. E nem foi por que você quis.
– Ah Victor, se eu não quisesse me aproximar de você, eu agiria como nas ultimas duas semanas...
– Como estranhos.
– Isso.
Ela encarou fundo nos meus olhos.
– Por que paramos de nos falar?
E agora, será que posso falar para ela que eu vi o quadro?
– Bem... eu vi seu quadro na aula da Sra. Gaspy. Eu não sabia que era seu, a professora me pediu uma interpretação e depois que eu o fiz ela me disse que era seu.
Olhei-a e vi que seus olhos estavam fechados, mas ela logo os abriu novamente.
– Aquela interpretação foi sua?
– Você ouviu?
– A Sra. Gaspy me chamou em uma aula e me mostrou a interpretação, mas não disse de quem foi.
– Ela falou só isso?
– Teve mais?
– Eu passei mal na aula da Sra. Gaspy depois disso. A enfermeira disse que minha glicemia estava baixa.
– Você foi à enfermaria?
– Carly eu desmaiei, é claro que eu fui à enfermaria.
– Você desmaiou?
– Credo Carly, por que você acha que minha mãe estava tão preocupada nesse dia?
– Por que ela sempre está preocupada demais.
– Aconteceu de novo? – perguntou ela.
– Não, nesse dia eu esqueci de comer e o remédio que eu tomo exige que eu coma bastante. Foi só isso.
– Não diga só isso.
– Foi tudo isso.
Ela riu e encostou a cabeça novamente em meu ombro.
Ficamos certo tempo calados, só abraçados. Algo me incomodava e eu precisava pergunta-la.
– Carly?
– Sim?
– Aquele azul... o olho... aquele da sua pintura... é meu?
– Eu acho que sim.
– Você acha?
– Sim, Victor. Você é a luz das minhas trevas. Feliz?
– Na verdade sim.
Carly
Tivemos que parar quando o sinal tocou para o final das atividades extras e nós tínhamos que voltar para casa. Victor entregou o baixo para Logan e começamos o caminho.
Eu sentia a tensão no caminho, o ar estava pesado e era quase palpável. Eu realmente queria continuar o que tínhamos parado e eu sabia que ele sentia o mesmo.
Janice estava cuidando do pai de Victor e disse que podíamos pedir uma pizza. Hugo correu ao telefone e pediu uma de peperoni.
Victor entrou no quarto dele e deixou a guitarra num canto e a mochila em outro.
Decidi que se ele definitivamente não queria tomar um partido eu teria que agir novamente. Entrei no quarto e fechei a porta. Ele me olhou e sorriu.
– Acho que temos alguns assuntos inacabados, Upsent.
– Finalmente, Simons.
Então continuamos. No começo em pé no meio do quarto, depois ele me empurrou até uma parede e fiquei imprensada. Girei e quem ficou imprensado foi ele e então ele girou e ficamos nessa brincadeira até eu perder o equilíbrio e cair, com ele embaixo de mim.
Se eu soubesse que beijar Victor Simons era tão bom eu já teria feito isso há muito tempo.
Tudo começou a ficar mais quente e mais apressado, as roupas pareciam em excesso. Passei as mãos por debaixo de sua camisa. Uau, Victor Simons sempre foi musculoso assim? Ele soltou um gemido fraco e algo aqueceu em mim, mas não era algo bom, era certo desconforto. Então Victor começou a tirar minha blusa e eu surtei.
Eu não queria gritar, eu nem mesmo queria parar. Foi algo que nem eu mesma pude controlar. Todas as memórias de Terrence e as noites pesadelo voltaram e eu gritei. E levantei. E percebi o erro, por que obviamente não estávamos sozinhos na casa.
Victor se levantou em um salto, ajeitou a camisa, pegou um livro na escrivaninha e sentou na cama no exato momento que Janice entrou no quarto.
– O que aconteceu? – perguntou ela alarmada e depois olhou para ele com raiva — Victor, o que você fez?
– Nada! Eu estava lendo umas histórias de terror para Carly e ela se assustou, foi só isso.
Janice fez uma careta e Victor abraçou o livro desajeitadamente.
– Nada de livros, filmes ou sites de terror à noite, Victor.
– Certo – ele fechou o livro e abraçou cobrindo toda a capa.
Ela me olhou, sorriu e saiu. Victor correu e fechou a porta, suspirando logo em seguida.
– O que deu em você?
Eu estava muito envergonhada. Se não fosse a agilidade dele, Janice provavelmente ia ver uma cena nada agradável. Além disso iria gerar muitos problemas para Victor, mas eu estava paralisada, não sabia nem o que responder.
– Vo... você tentou levantar minha blusa... – essa foi a melhor resposta que eu pude dar?
– E você levantou a minha e nem por isso eu... – então ele parou e suavizou – Ai caramba Carly, me desculpa. Eu nem pensei nas consequências, na verdade eu nem me lembrei do seu trauma.
Eu não queria que ele se desculpasse, a culpa foi minha. Fui ao encontro de uma parede e deslizei até sentar.
– Não foi sua culpa... eu não queria gritar, eu só me lembrei do... Terrence.
Ele sentou ao meu lado com as pernas esticadas.
– Eu não deveria ter feito nada, me desculpe.
Passamos por um longo silêncio. A verdade é que eu queria algo tanto quanto ele – cedo demais, eu sei, mas meu sangue ainda estava quente e Victor era a encarnação do namorado perfeito... ok, quase perfeito.
– Mas sabe... Eu acho que você deveria superar isso.
Encarei-o. Ele realmente estava dizendo aquilo? Era a pior coisa que ele me dizia há muito tempo. Se quiser saber acho que prefiro nós dois nos ignorando.
– Pensei que você fosse compreensivo.
– Carly, não é por mim, tudo bem. Você não pode carregar seus demônios pelo resto da sua vida, você precisa viver! Essa pode até não ser uma boa notícia, mas Terrence está morto! Ele não vai te atacar novamente. E você sabe que eu nunca faria isso.
Sorri. O que ele falou na verdade fazia muito sentido. Eu realmente gostava dele e sabia que ele nunca faria algo daquele jeito. E no fundo eu sabia que não poderia ficar com aquele trauma por toda a vida.
Encostei a cabeça em seu ombro. Era tão fácil falar com ele...
– Você já fez? – me deixava até a vontade de fazer perguntas ridículas como essa. Pena que não temos uma tecla delete para o que dizemos, mas se já comecei, vou até o fim.
– O que?
Nossa, como ele é lesado.
– Estou perguntando se você já fez, Victor.
– Fiz o que?
Sério mesmo ou ele está frescando?
– Estou tentando não usar a palavra, mas essa mula não entende nada!
– Usa a droga da palavra.
– Você já transou? – falei mais baixo e constrangida. Novamente aquela vontade de apagar o que eu disse. Ele ficou rosado e calou, abriu e fechou a boca diversas vezes e parecia envergonhado – Seu silêncio te denunciou.
– Eu tenho uma explicação.
– Eu sou a primeira garota que você já beijou? – arrisquei.
– Não, eu já tive uma namorada! O nome dela era Wanessa. Namoramos por dois anos, ela foi minha primeira namorada, ela acabou comigo.
– Quando foi isso?
– Eu a pedi em namoro na quinta série, eu tinha doze anos. Namoramos até meus catorze, depois ela acabou.
– Por quê? – Ele parecia não querer falar daquilo, será que eu estava passando dos limites? — Victor?
Ele suspirou e baixou a cabeça.
– Depois do acidente do meu pai eu meio que queria mais tempo sozinho, comecei a gostar de rock, metal e essas coisas. Divergimos em opiniões, começamos a brigar e ela acabou antes que eu o pudesse fazer. Depois disso eu nunca mais tive nenhum outro relacionamento.
– Por quê?
– Você foi a primeira garota que quis se aproximar de mim de verdade. E nem foi por que você quis.
– Ah Victor, se eu não quisesse me aproximar de você, eu agiria como nas ultimas duas semanas...
– Como estranhos.
– Isso.
Olhei aquelas piscinas azuis que já me salvaram de mim mesma em tantas situações. Como senti sua falta nesse tempo em que não nos falamos... Eu sabia por que eu parei, mas e ele?
– Por que paramos de nos falar?
Ele me envolveu com um braço e pareceu decidir o que falar.
– Bem... eu vi seu quadro na aula da Sra. Gaspy. Eu não sabia que era seu, a professora me pediu uma interpretação e depois que eu o fiz ela me disse que era seu.
Fechei os olhos. Ele fez aquela interpretação? Ele que sabia mais de mim do que eu mesma? Aquele quadro... nem eu mesma sabia por que o pintei, mas Victor Simons sabia. Aqueles olhos azuis pareciam penetrar mesmo minha alma. Abri novamente meus olhos e o encarei.
– Aquela interpretação foi sua?
– Você ouviu?
– A Sra. Gaspy me chamou em uma aula e me mostrou a interpretação, mas não disse de quem foi.
– Ela falou só isso?
– Teve mais?
– Eu passei mal na aula da Sra. Gaspy depois disso. A enfermeira disse que minha glicemia estava baixa.
Como eu não sabia disso?
– Você foi à enfermaria?
– Carly eu desmaiei, é claro que eu fui à enfermaria.
– Você desmaiou?
Como assim?
– Credo Carly, por que você acha que minha mãe estava tão preocupada nesse dia?
– Por que ela sempre está preocupada demais.
Agora tudo faz sentido! Janice parecia frenética naquele dia quando chegamos em casa. Ele fez um banquete para o jantar e pareceu dar uma atenção dobrada a Victor. Como foi que não notei?
Ele suspirou.
– Aconteceu de novo? – perguntei preocupada.
– Não, nesse dia eu esqueci de comer e o remédio que eu tomo exige que eu coma bastante. Foi só isso.
Homens e sua mania de descomplicar o complicado no pior momento.
– Não diga só isso.
– Foi tudo isso.
Ri. Victor Simons e suas piadas sem graça. Encostei a cabeça em seu ombro e ele apertou um pouco o braço ao redor dos meus ombros.
– Carly? – ele quebrou o silêncio.
– Sim?
– Aquele azul... o olho... aquele da sua pintura... é meu?
– Eu acho que sim.
– Você acha?
– Sim, Victor. Você é a luz das minhas trevas. Feliz?
Ele riu e apertou mais o braço.
– Na verdade sim.
E assim foi nossa sexta-feira, abraçada com Victor no chão do quarto dele até Hugo entrar e dizer que a pizza tinha chegado.
E eu realmente não vou comentar todo o drama que Hugo fez por nos pegar abraçados, não mesmo. Minha sexta-feira está perfeita demais para comentar sobre essa cena ligeiramente engraçada.
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