Cheerock

14 Especial de Natal


Notas iniciais
ATENÇÃO GHOSTS: esse capítulo não tem NADA a ver com a cronologia da história. Se passa oito anos depois do final da fic, no natal de 2022. Dito isso devo avisar também que as narrações dos dois estão dessincronizadas (nos normais eu narro a mesma situação com ponto de vista diferentes, mas nesse eu narro Carly no dia 24 e Victor na madrugada do dia 23 para 24). Anyway, prontos? Here we go!

Carly

Ele estava atrasado, mas já era de praxe.

Então lá estava eu no meio de uma praça envolta em neve, fria pra caralho, olhando meu ramo de visco. Clichê? Sim, mas eu tinha uma explicação. O ramo de visco tem dois significados: primeiro na antiga Inglaterra, se dois inimigos se encontrassem embaixo de um ramo de visco ele podiam abaixar as armas, pois ele era considerado um ramo mágico e pacífico; segundo que outra tradição diz que se um homem encontrar uma mulher embaixo de um ramo de visco significava que eles iriam casar.

Pra quê me enganar mais, não é mesmo? Eu estou desesperada. Victor e eu namoramos há oito anos e não estamos nem noivos. É claro que já avançamos vários estágios da nossa relação e eu realmente o amo – e sinto que ele me ama – mas eu sempre quis entrar de branco em uma igreja. Eu sou uma mulher formada em psicologia, tenho vinte e cinco anos e estou juridicamente solteira.

Suspiro. Eu até entendo por que Victor não quer um relacionamento agora. Ele é uma estrela do rock, muito conhecido, cheia de fãs irritantes e um compositor incrível. Na verdade ele tem um show de natal amanhã na Irlanda e veio hoje de avião só para me ver, depois vai pegar outro avião para voltar.

– Ei – disse ele atrás de mim.

Eu me viro e vejo Victor Simons mais bonito que nunca. Ele deixou uma barba rala crescer – coisa que ele não fazia, mas deve ter acontecido por causa da pressa – o cabelo estava úido da neve, o nariz rosado do frio e o sorriso de uma orelha a outra. Usava um sobretudo preto e um cachecol vermelho que eu lhe enviei de presente de natal.

– Você está usando! – falei pegando a ponta.

– Eu adorei, e é bem quente.

Ficamos um tempo nos olhando. Sempre fizemos isso, é como se estivéssemos nos limpando um nos olhos do outro. Mas para ser especial não podia durar muito tempo.

– Eu tenho uma surpresa pra você.

– Eu também. Você primeiro.

Mostrei o ramo de visco. Ele gargalhou.

– Carly – parada para rir – Um ramo de — parada para rir – visco?

Joguei o visco para trás, com raiva.

– Feliz Natal, Victor Simons.

Virei-me e comecei a me afastar, mas ele segurou meu braço.

– Carly espera – virei e ele estava fazendo aquela cara de cachorro na chuva – Eu não quero brigar e eu só tenho... – ele olhou o relógio no pulso — ...duas horas até o próximo voo.

Suspirei. Eu realmente sentia falta de estar sempre ao lado dele, mas quando a banda virou conhecida internacionalmente os três quase não paravam e Andie e eu ficávamos sozinhas na maior parte do tempo.

– Carly, eu tenho um presente pra você.

Ele soltou minha mão e pegou o ramo de visco no chão.

– O que é?

– Uma música.

– Você fez?

– Não, é do Bruno Mars, mas acho que ele me empresta por uns segundinhos.

– Ok, meu presente de natal é uma música que já existe.

Cruzei os braços. Eu queria que ele visse o quanto eu estava chateada com a correria bem na época do natal.

– Carly eu não quero brigar hoje.

– Vai em frente Victor – falei zangada.

Ele se aproximou e me agarrou pela cintura.

– Carly, você sabe que eu te amo e que eu te chamei pra esse show.

Era verdade. Suspirei.

– Não posso deixar Janice e Hugo sozinhos no natal...

– Eu faria tudo pra ficar com vocês.

Encaro aqueles olhos azuis e vejo o quanto ele realmente não queria passar a noite de natal tocando na Irlanda.

– Eu sei. Agora quero minha música – falei sorrindo para disfarçar.

Ele se afastou e olhou fundo nos meus olhos. Parecia muito nervoso.

– Então, você sempre reclama que eu nunca tomo a iniciativa então eu resolvi tomar – disse ele e parecia ficar mais nervoso a cada minuto. Eu não fazia ideia do que estava para acontecer.

(n/l: os ghosts que me escrevem também reclamam que o Victor nunca toma a iniciativa... aqui pra vocês!!)

– Victor você está bem? – ele estava suando e parecia respirar mais rápido. Fechou os olhos e depois os abriu, determinado.

– It´s a beautiful night, we´re looking for something dumb to do... – Ai, meu Deus. Eu conheço essa música, eu conheço!! – Hey baby – Ele se ajoelhou e pegou uma caixinha no bolso – I think I wanna marry you.

Eu acho que vou desmaiar, minhas pernas ficaram bambas e meus olhos se encheram de lágrimas.

– Is it the look in your eyes, or is it this dancing juice? Who cares baby, I think I wanna marry you

– Ai meu Deus.

– Just say “I do”, tell me right now baby, tell me right now baby, baby. Just say “I do”…

Eu queria dizer alguma coisa, mas nada saía da minha boca. Eu estava paralisada. E ele continuava ajoelhado e o sorriso começava a se desfazer.

– Carly, por favor, diz alguma coisa.

– Eu aceito. Ai meu Deus, eu aceito!

Ele suspirou aliviado.

– Ai eu pensei que você não fosse...

Ele não teve como terminar, eu me ajoelhei ao seu lado e beijei-o.

– Eu aceito! – falei antes de beijá-lo novamente – Eu aceito! – gritei.

Ele riu e beijou minha testa.

– Carly Upsent, eu te amo.

– Victor Simons, eu te amo mais.

Ele riu.

– Não mesmo.

Levantamo-nos e ele me deu o anel. Ela um círculo dourado com uma pedra branca rodeada de pequenas pedras pretas, formando o que parecia ser uma...

– Isso é uma caveira?

– Pensei que ia gostar.

– Adorei.

Ele colocou no meu dedo.

– Coube, Cinderela.

Enlacei seu pescoço.

– Finalmente você pediu. Eu já pensei que eu ia ter que fazer isso de novo.

Ele riu.

– Eu estava só procurando o anel certo.

E me beijou.

A última coisa que me lembro daquele natal antes dele ir embora foi alguém gritando “Ei, aquele é Victor Simons!” e os paparazzi vindo em nossa direção enquanto eu gritava para todo mundo ouvir que eu estava noiva.

No outro dia eu era a manchete das revistas de fofoca.

Victor

Eu não queria atrasar, eu tinha planejado ficar a noite toda, mas o voo atrasou duas horas e o show era a meia-noite. Eram dez horas de voo na ida e dez na volta. Era uma hora da manhã do dia vinte e quarto, eu iria chegar lá as onze e o voo de volta era as duas. Carly iria ficar com muita raiva por eu não poder ficar mais tempo.

Olhei o relógio.

– Você não é Victor Simons, do Light Hellhounds?

Olhei para a pessoa, era uma garota com uma camiseta da nossa banda. Eu estava estressado e com raiva, mas forcei um sorriso.

– E aí.

– Você parece com pressa.

– Um pouco.

– Está indo para Boston, né?

– Sim – aquela fã estava estranha, calma demais... sabidinha demais.

– Eu tenho um jato particular e posso te dar uma carona.

Uma carona aérea? Isso parecia surreal. Eu não ia aceitar, mas olhei o relógio e vi na televisão do aeroporto que o avião ia atrasar mais duas horas. Nesse ritmo eu não iria ter nem cinco minutos com Carly.

– Eu não...

– Não vai incomodar, estamos indo para Boston em cinco minutos, o jato já está pronto.

Caralho, não tem como rejeitar uma proposta dessas.

– Vem.

Ela pegou minha mão e me guiou pela pista de pouso até um jato azul escuro com um adesivo dos Light Hellhounds. Isso estava me soando muito mal.

Dentro do avião tudo – literalmente tudo – era da nossa banda.

– Caralho...

– Vem, pode sentar, vou avisar ao piloto que já pode decolar.

Eu fiquei paralisado na porta do jato. As poltronas eram azul escuro com amarelo – as cores da banda – e as paredes estavam revestidas de pôsteres com nossa foto.

– Senhor Simons, por favor, sente-se em algum assento.

– Certo...

Sentei no mais perto da porta, caso precisasse pular pra fugir daquela doida.

Ela veio e se sentou ao meu lado.

– Então, eu soube que você tem uma namorada.

Olhei a pirralha. Ela tinha, no máximo, quinze anos e um sotaque Irlandês que me fazia querer gritar.

– Carly Upsent – falei – Namoro com ela há oito anos e hoje vou pedir a mão dela em casamento.

Ela me encarou e sorriu.

– Você já fez um discurso?

– Eu não acredito em discursos preparados, vou falar de improviso.

O avião decolou.

– Você vai ficar nervoso quando for a hora. Acredite em mim. Meu pai suou tanto quando foi pedir minha madrasta em casamento que teve de ir ao hospital depois por desidratação.

– É inverno e está nevando bastante, não vou suar até desidratar.

– Mas vai ficar nervoso.

– Talvez, mas eu dou um jeito. No meu primeiro show também fiquei muito nervoso e dei um jeito.

– Seu primeiro show, aquele que você fez um dueto com sua namorada?

– Aquele eu estava muito mais nervoso que o normal, mas também dei um jeito.

– Finja que eu sou Carly, me peça em casamento.

Olhei-a.

– Como assim.

– Finja que eu sou sua futura noiva!

– Certo.

Virei-me para a garota e ela para mim.

– Carly, você sabe que eu te amo e que nós passamos por muita coisa juntos e...

– Dormi.

– O que?

– Seu discurso tá um tédio, muda.

Franzi as sobrancelhas.

– Certo. Carly, eu te amo. Casa comigo?

– Muito rápido! De novo.

– Carly, eu te amo muito. Você é a mulher da minha vida e eu quero passar o resto da minha vida com você. Casa comigo?

– Melhor, mas não perfeito.

– Então vai ficar assim.

– Você não quer que seja perfeito?

– Não quero decorar discurso.

– Então canta! Fala sério, você é Victor Simons! Você é um super cantor! E eu aposto que a Carly adora quando você canta também.

– Você quer que eu escreva uma música?

– Vai nessa.

Então uma ideia me cruzou a cabeça e eu levantei.

– It´s a beautiful night we´re looking for something dumb to do, hey baby I think I wanna marry you!

– Perfeito!

– Sério?

– Isso!

Ela levantou também e ficou pulando em círculos.

– Ela vai amar! Eu amei! Posso ver o anel?

Tirei a caixinha do bolso e mostrei para a fã estranha.

– Ai!! Eu adorei! É tão Light Hellhounds!!

– Valeu.

Ela me olhou.

– A propósito meu nome é Gerda.

– Victor, mas você já sabe.

Ela riu.

As próximas nove horas de voo foram de longe as mais divertidas que eu tive desde que entrei em um avião para um tour mundial no mês passado. Gerda era uma fã razoável e não surtava tanto quanto as outras.

Quando finalmente aterrissamos, eu estava muito cansado, com olheiras e com muito sono, mas a ansiedade do momento só aumentava.

– Boa sorte, Victor!

– Até mais, Gerda!

– Eu vou estar no seu show amanhã!

Eu ri.

– Venha para os bastidores, eu com certeza irei autorizar sua entrada!

Seus olhinhos brilharam e ela entrou novamente no avião.

Olhei o relógio e constatei que estava muito atrasado, de novo.

Coloquei o cachecol vermelho que Carly me dera e corri.

Aquele seria um ótimo natal.

Notas finais
Merry Christmas!! Vejo vocês segunda! Comentem!!