Cheerios
5 Hospíc... Hospital. É. Hospital.
Notas iniciais
P.S.: Sentem no gelo e apaguem o fogo do rabo de vocês, porque esse capítulo vai ser incrível.
Cheerios acordou com apenas uma certeza: ela tinha moído o braço esquerdo, e provavelmente seu estômago também.
Ah, espera, foram duas certezas. Foda-se, ela não é nada boa em matemática, mesmo.
Ela olhou para o lado, e viu dona Célia deitada num pequeno sofá. A senhora dormia profundamente, e babava um pouco na almofada dali. Cheerios, apesar de não gostar nada da empregada, preferiu não acordá-la. Afinal, era essa velha que limpava sua casa todos os dias.
Pena que ela tivesse esquecido disso. Poderia ter evitado uma ida ao hospital.
- Senhorita Juan? — um homem entrou na sala, e Cheerio torceu o nariz ao ouvir a pronuncia dele. Por dois motivos: ele falou seu sobrenome, e o fez com o pior sotaque britânico possível. O que era triplamente ridículo, se você parar para pensar, porque ambos estavam no Brasil... Certo? — Oh, a senhorita finalmente acordou. Como está se sentindo?
- Como se eu tivesse fumado um elefante de maconha. — ela respondeu.
O homem sorriu. Só então Cheerios percebeu o quanto ele era bonito...
- Normal. Tem noção de quanto tempo dormiu?
- Não, não tenho. — ela franziu o cenho. — Quanto?
- Quarenta e nove dias. Não precisou cumprir a promessa da quarentena, né, danadinha?
... QUARENTA E QUANTO?
- QUARENTA E NOVE? — ela berrou.
- Não, larga de ser burra. Foi só um dia, tempo suficiente para que nós fizessemos a cirurgia. Vou administrar seu remédio, porque é bem capaz que você volte a sentir dor. Cheerios, não se esforce e tampouco mexa o braço direito. Vou também dar um remédio para o estômago, pois o querosene o atacou, e outro para a dor. Você vai dormir por mais umas horas e vai ficar alguns dias em observação. Entendeu?
- Se você falasse mais devagar, eu com certeza entenderia.
O médico aparentemente não ligou para o comentário mal-criado. Ele suspirou e entregou dois comprimidos e um copo com água para Cheerios, que tomou os remédios e quase engasgou com a água. O médico achou adorável, aparentemente.
- Escute, os remédios tem efeitos colaterais. Quando esses começarem, aperte o botão rosa da sua cabeceira e uma enfermeira virá atender ás suas necessidades.
- Não tem botão rosa aí. — ela apontou para os botões laranja e preto.
- Espere os efeitos começarem, gata.
Ela sentiu que estavam começando.
- Repouse. Boa noite, senhorita Parket Pyne.
A única coisa que Cheerios constatou antes de adormecer, foi que o médico se parecia pra caramba com o Pedro Bial... Mas vestido de coelhinho da páscoa cor-de-rosa.
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