Chaves + 8
6 Quico 1
Quico está na mesa de jantar da sua casa. Com o rosto apoiado em suas mãos ele está pensativo. Dona Florinda antes de colocar a mesa logo percebe que seu filho não está muito bem.
“O que você tem, tesouro?” Dona Florinda o indaga ao colocar a mesa de jantar.
“Não é nada...”
“Quico, se você não quiser conversar você me diz... Mas não minta! Eu saberia que você não está bem mesmo se eu fosse cega. O que está acontecendo, querido?”
“Eu não quero falar sobre isso, mamãe.”
“Tudo bem então.”
Após colocar toda mesa do jantar, ela se senta.
“Ufa... esse foi o único dia da semana que eu tive tempo pra almoçar aqui com você, não é filho?”
“É sim.”
“Me desculpe por ter ficado tão ausente... É que esse segundo restaurante tá sugando o meu tempo, e ainda mais agora com a festa de noivado.. Mal posso esperar, já é amanhã!”
Quico sorri para a mãe, mas não fala nada. Dona Florinda continua comendo, mas tem certeza absoluta que não está nada bem com o seu filho.
Após almoçar, Dona Florinda parte para o local onde vai acontecer a festa de noivado. Ela, claro, vai com muito pesar, pois na verdade queria estar ali ao lado de seu filho.
“Você não vai sair hoje não, né?” Indaga a sua mãe.
“Não”.
“Ótimo, pois você vai ter que esperar sua pripa Pops está vindo”.
“Ah, não mãe, não acredito que vou ter que passar a tarde toda com ela.”
“Não fale assim de sua prima, agora eu vou indo.” Florinda dá um beijo na testa de Quico.
Após o anuncio de que sua prima mais “mala” (como ele assim a chamara inúmeras vezes) iria se hospedar em sua casa, Quico entrou quase em pânico. Ele não queria ficar ali esperando, mas também não podia sair, já que Chiquinha estava com raiva dele, Chaves não estava na vila e ele não sabia a quantas andava o seu relacionamento com Paty. Decidiu por fim, sair da casa e andar sem rumo.
*
Depois de algum tempo, Quico retorna para a sua casa. Ele vê que a janela está aberta, e Paty estava no sofá, assistindo televisão.
“Como você entrou?”
“Eu peguei a chave em cima do registro de energia, como vocês sempre faziam.”
“Ah...”
“Sim, eu estou bem acomodada, e cheguei faz algum tempo já, obrigada por perguntar.”
Quico vai até a geladeira e fica olhando para ver se há algo que o interessa.
“O chaves veio aqui mais cedo, ele tava meio irritado com você...”
Quando Pops acaba de falar, Quico já é tomado por um medo instantâneo.
“Pelo visto as coisas não mudam nunca por aqui, né... Chaves irritado com você, você irritado com a Chiquinha, e etc. Parecem que não crescem nunca...”
“Espera”. Interrompe Quico. “O Chaves falou o que queria comigo?”
“Não, só vi que ele tava bastante irritado.”
“Puta que pariu” pensa Quico.
Chaves entra na casa, sem rodeiros, sem bater na porta nem nada. Agarra Quico pelo colarinho, sem falar nada.
“Espera, espera” Quico fala, tentando se proteger.
Chaves dá vários socos. Quico cai, e Chaves continua dando socos. Chaves sai da casa. Quico fica no chão. Cospe algum sangue. Pops fica perplexa, em estado de choque.
“Meu deus.” Ela tenta levantar-lo, e o senta no sofá.
“Por que ele fez isso?”
“Não é da sua conta”. Quico se levanta.
“Espera, não vai atrás dele.”
“Eu não vou, e fica quieta.”
*
Chiquinha ouve batidas na porta da frente. Pela hora, ela estranha, pois geralmente seu pai costuma chegar mais tarde, bêbado.
Ela então abre a porta e vê Quico com o rosto coberto de sangue, e com o olho direito quase que fechado completamente. Sua face ainda não inchara por completo, mas já deixava a marca de que alguém o avia espancado.
“Meu Deus, o que aconteceu?”
“Você aconteceu... Você contou pro Chaves que eu transei com a Paty”.
Quico entra na casa, empurrando a Chiquinha para que saísse do seu caminho.
“Eu não falei nada”
“Não se faça de sínica, você é boa nisso, mas não comigo.”
“Eu juro que não falei nada”.
“Quem falou então? Só sabíamos disso eu e você... e a Paty”
“E o namorado dela... e um monte de gente que deve ter ouvido na fila da boate naquele dia.”
Quico fica pensativo. Ele então vai até o banheiro da casa da Chiquinha e lava o rosto. Depois de um tempo ela entra no banheiro e entrega uma toalha pra ele.
“Você jura que não foi você?”
“Puta merda Quico, claro que não... por que eu faria uma coisa dessas? Claro, você foi um amigo de merda pro Chaves ao transar com a garota que ele ama, mas isso não quer dizer que eu tenha que ser uma amiga de merda contando pra ele.”
“Então quer dizer que você ainda se considera minha amiga?”
“Claro né, retardado. Mas isso não me deixa com menos raiva de você por ter feito isso com ele.”
“Sabe, eu nem revidei.”
“Como se você pudesse.”
“Me poupe, claro que eu poderia dar uma surra nele.”
“Aham, sei.”
“Então, amigos de novo?” Quico estende a mão.
“Não, sai da minha casa”.
Quico dá um sorriso, e abrasa a baixinha a sua frente. Ela fica relutante, mas não de verdade, se ela quisesse mesmo se livrar daquele abraço, ela já teria dado uma joelhada nas “partes íntimas” do quico, como o fizera várias vezes.
Quico então solta a Chiquinha e sai da casa dela. Quico enfrentava um misto de felicidade e medo. Medo do que iria acontecer com a amizade dele com o Chaves, e felicidade por que se entendeu com a sua melhor amiga.
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