Chaves + 8

5 Chaves 1.3


Notas iniciais
Esse capítulo se passa antes do capitulo anterior.
Ele continua de onde o capítulo "Chaves 1.2" parou.

Chaves está no chão, com o braço ensangüentado. Ele rasteja pra tentar sair do meio do fogo crusado. Ele olha a porta e percebe que Nhonho já tinha saído da casa. Ele fica mais aliviado, e então fecha os olhos.

Dizem que quando você está prestes a morrer sua vida inteira passa diante de seus olhos. Mas com Chaves foi diferente... Ele teve um vislumbre de como seria seu futuro. Ele seria o único dos seus amigos que ainda moravam na vila... Ia viver de bicos, igual o seu Madruga, talvez sua única figura paterna.

Quico iria visitar-lo apenas quando fosse na casa da mãe. E o encontro dos dois não seria nada menos que minutos de constrangimento... Ou então eles se lembrariam dos bons momentos da sua infância e juventude, os únicos tempos que seriam bons na vida do pobre Chaves.

Ele não conseguiu ver como Chiquinha seria no futuro... Pois essa é muito imprevisível e volátil, mas ele tinha certeza que ela se daria bem na vida, ou do jeito certo ou do errado. Ele ficaria sabendo dela apenas por terceiros... “acho que ela finalmente se cansou de todos os foras”.

Seus melhores amigos no mundo todo estariam felizes, e ele estaria no mesmo lugar pelos próximos assustadores anos.

*

Chaves se acorda dentro de um furgão com uma dor horrível no braço. Ele rapidamente fecha os olhos ao perceber que ninguém percebeu que ele abrira os olhos.

Haviam seis pessoas no forgão, contando com o motorista. Eles falavam sobre ter ensinado uma lição, sobre como eles dominariam aquela parte da cidade, como seriam ainda mais respeitados e etc. Um deles particularmente estava bastante agitado. E um outro estava bastante calmo, pensativo.

“Tudo ocorreu perfeitamente... só não entendi porque você trouxe essa tralha com a gente”. Falou o mais agitado. Ele apontava para o Chaves, que estava “inconsciente”.

“Ele não merecia morrer... não estávamos lá para matar inocentes.” Respondeu calmamente.

“Não importa... que deixasse ele lá.”

“Você viu o que ele fez? Ele se atirou na frente da bala que iria acertar o seu amigo... provavelmente seu amigo.”

“E o que que tem?”

“Quantas pessoas você conhece que fariam a mesma coisa?”

“Sei lá... Você me salvaria né, irmão.”

“Claro, mas porque sou seu irmão mais velho.” Ele ri depois falar isso.

O irmão mais novo não tinha muito mais do que 18 anos, enquanto que o mais velho não era muito mais que 5 anos mais velho.

*

Os irmãos, junto com os capangas ajudam Chaves a se locomover. Eles já haviam passado a fase do “onde eu estou?”, “o que você vai fazer comigo?” e já havia aceitado o seu destino, não tinha muito o que fazer.

Eles logo adentram um quarto que se assemelhava muito a um quarto de hospital. Eles deitam o Chaves em uma maca. O irmão mais calmo, veste um jaleco branco, e pega um instrumento e dirige-se à maca.

“Ei, o que você vai fazer com isso?” Chaves olha para o instrumento, desesperado.

“Relaxa... Meu irmão é quase médico.” O irmão mais novo fala, dando uns tapinhas no ombro do Chaves.

Chaves grita, pede socorro. O irmão mais velho se aproxima dele.

“Não precisa ter medo... Eu não vou machucar você. Eu te salvei, sabe. Eu podia ter te deixado pra morrer. Eu podia ter te matado, horas atrás. Mas não... Eu te trouxe pra cá. Eu não sou nenhum sádico que gosta de arrancar parte do corpo das pessoas... Não nos finais de semana.” Os irmão riem. “Mas falando sério. Deixa eu tirar essa bala.”

Depois de gritos, sangue, dor, sangue, gritos, o irmão mais velho tira a bala do braço do Chaves.

“Pronto... novinho em folha.”

“Obrigado, eu acho...”

Eles ficam se olhando. Chaves está sentado na maca, o irmão mais velho ta em pé ao lado dele e o irmão mais novo está vendo televisão. Chaves continua olhando o “médico” que está ali na sua frente. O que ele deveria fazer? Sair andando? Pegar o cartão dele e ligar se tiver alguma dúvida sobre o pós operatório?

“O que você ta esperando?”

“Err... Por que você fez isso?”

“Você não gostou? Quer que eu coloque a bala de volta?”

“Não.”

“Sabe, as pessoas antigamente agradeciam depois de uma boa ação.” Ele fala isso enquanto tira a luva e pendura o seu jaleco.

“Então é isso? Foi só uma boa ação?”

“Sim, claro... pode ir.”

Chaves se vira e sai andando. Enquanto que o irmão mais velho começa a rir.

“O que foi?” Pergunta Chaves.

“Você não achou que eu ia te deixar ir assim, né.”

“Mas você acabou de dizer...”

“Não acredite em estranhos, meu caro.”