Notas iniciais
Dois caminhos.

— Tá... E agora?— Perguntou Gabriel.

Eles haviam chego à casa de Ohannah. A mãe dela ainda não tinha chego.

— Nós precisamos de mais informação, Alice. — Disse Bruna. — Se você viajou no tempo, quer dizer que isso é algo normal para sua época?

Todos se sentaram no sofá da sala. Todos estavam confortáveis, menos Gabriel, pois o coelho de Ohannah perseguia os pés do pobre garoto incansavelmente.

— Não, não é. Pelo o que eu sei, as únicas pessoas que já viajaram no tempo foram você e seu irmão. Na verdade o Bruce, meio que, continua viajando... — Respondeu Alice com um olhar meio entristecido.

Bruce percebeu, mas preferiu não perguntar nada, já que saber qualquer detalhe do seu futuro pode afetar drasticamente sua linha temporal.

— SAI COELHO! — Gritou Gabriel.

— Bom, tem mais alguma coisa que você pode nos contar que vá ajudar em algo? Mas tenha cuidado com o que diz... — Disse Bruce.

Alice ficou pensativa. Aliás, todos ali estavam pensativos. Todos pensando na mesma coisa, menos Gabriel, que pensava numa forma de se livrar daquele coelho.

Ficaram alguns minutos em silencio. Não todos, pois Gabriel ainda gritava com o animal.

— Ah, eu posso dizer que estranhamente todos os acontecimentos da minha vida estão de alguma forma ligados com a estória da Alice no País das Maravilhas.

Olharam pensativos para Alice. Não sabiam ao certo o que responder. Bruce por fim falou:

— Deve ser só uma coincidência.

Bruna retrucou:

— Uma coincidência estranha demais, não acha?

Ficaram pensativos de novo.

— Mas em que aspecto? — Natália perguntou.

— Bom, o Bruce aparecia para mim como o gato de Cheshire, a Bruna como a Lagarta Azul... Eu também vi os irmãos Tweedle’s... Meu nome é Alice... Ah, e eu vi um coelho me mostrando a direção para o tempo de vocês.

Todos tentaram achar ligações entre as coisas, mas não estavam conseguindo.

— SAAAAAAAAAAAAAAAAAAI COELHOOOOOOOOOOO! — Gabriel gritou furiosamente e com seus pés cheios de pequenas mordidas.

— AAAAAAAAAH! — Exclamou Adrian.

— O QUE? — Ohannah gritou.

— Ah não... — Disse Adrian decepcionado.

Segundos se passaram.

— AAAAAAAAAAAAAH! — Exclamou Adrian novamente.

— O QUEEEEEE? — Ohannah e Alice gritaram.

— O COELHOOO! — Dessa vez foi Adrian que gritou.

— SIM, ELE TA COMENDO MINHA PERNA! — Gabriel estava impaciente.

— NÃO, NÃO É ISSO! GENTE, É UM COELHO QUE MOSTRA O CAMINHO QUE ALICE TEM QUE SEGUIR, NO DESENHO E NA VIDA REAL DESSA ALICE! — Adrian estava afobado.

— Mas e dai? — Perguntou Bruna.

— EU SEI LÁ! MAS VAMOS PEDIR AJUDA DELE! — Adrian estava afobado e confuso.

Natália estava bolando uma ideia em sua mente. A ideia quase escapou quando ela deu risada vendo o coelho mordendo o dedo mindinho do pé de Gabriel. Mas conseguiu pegar a ideia de volta. Finalmente a soltou:

— Mas olha... — Natália começou sua linha de pensamento. Todos prestavam atenção. — Se o Bruce ainda viaja no tempo, ele não pode, sei lá, deixar algum tipo de sinal pra gente saber aonde ir? Mostrar o caminho, igual o coelho, sei lá.

Bruce e Bruna cerraram os olhos e começaram a pensar.

— Mas como a gente vai falar com ele do futuro? — Perguntou Ohannah enquanto pegava seu coelho no colo, finalmente salvando seu namorado.

— A gente não precisa se comunicar com o meu eu do futuro. Tudo o que eu tenho que fazer é pensar!

— Como assim? — Ohannah olhava confusa para Bruce.

— Exatamente! — Exclamou Bruna. — A partir do momento em que o Bruce colocar essa ideia na mente dele, o Bruce do futuro automaticamente vai ter a mesma ideia! Porque eles são as mesmas pessoas!

Ohannah ainda olhava confusa.

— NATÁLIA, ADRIAN, EU AMO VOCÊS! — Bruna gritou.

Ohannah rapidamente gritou:

— EU TAMBÉM AMO VOCÊS!

Ohannah largou o coelho. O coelho correu tão rápido em direção aos dedos de Gabriel que chegou a derrapar no chão.

Os olhos de Gabriel se encontravam com os olhos do coelho. Parecia que para os dois, o tempo estava em câmera lenta. O coelho corria furiosamente. Gabriel levantava suas pernas o mais rápido possível.

— NÃAAAAAAAAO! — Gritava Gabriel.

— SIMMMMMMM! — Pensava o coelho.

— Pronto! Já pensei no que tinha que pensar! Se tudo correr como o planejado, vai ter um sinal pra gente lá no muro. — Disse Bruce.

Todos levantaram e andaram rumo à porta.

Gabriel correu rumo á porta. Ele passou por cima de todos que estavam tentando passar.

— DESCULPEM! EU TO FUGINDO DO COELHO! — Gabriel se explicou.

O coelho ficou para trás, olhando de forma depressiva enquanto todos passavam. Gabriel fechou a porta na cara do coelho, mas antes, não hesitou em mostrar seu dedo do meio e fazer uma careta provocativa para o animal.

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Depois de uma certa dificuldade de passarem pelo cachorro de Ohannah que estava na varanda, eles conseguiram sair da casa. Rapidamente todos procuraram por alguma pista no muro.

Olharam detalhadamente no muro.

— O que exatamente a gente tá procurando? — Adrian perguntou olhando para Bruce.

Bruce arregalou seus olhos, sorriu meio sem graça, e disse:

— Bom, eu posso não ter pensado em como seria o sinal, haha. Mas me conhecendo bem, vai ser uma coisa bem óbvia. Hehe.

Todos olharam meio furiosos para o garoto.

— AQUI! TEM ALGUMA COISA ESCRITA! E PARECE QUE É A SUA LETRA, BRUCE! — Ohannah gritou.

— ENTÃO LEIA! — Bruce gritou.

— “Vai tomar no cu”. — Ohannah leu.

Bruce começou a gargalhar.

Todos olhavam com desaprovação para Bruce.

— EU SOU HILÁRIO! — Bruce disse, mas ninguém concordou.

Adrian parecia ter visto algo. Chegou mais perto e descobriu que definitivamente ele estava vendo algo.

— Gente! — Adrian chamou a todos. — Eu acho que a gente já deveria saber como o sinal seria...

Todos olharam para onde Adrian olhava. Era algo no chão. Era pequeno. Todos agacharam para poder enxergar melhor.

— É um... — Bruna começou a dizer.

— Sim, é... — Natália complementou.

— É um pênis... — Gabriel terminou de dizer.

Bruce começara a rir novamente. Ele estava cada vez mais surpreso com ele mesmo.

— PRA ONDE O PÊNIS TA APONTANDO? — Ohannah gritou.

— PORRA, QUE PÊNIS TORTO! — Bruna reparou.

— DEVE SER DO “POSSO JOGAR NA SUA CARA”! — Ohannah riu, todos riram, menos Bruce que estava meio sem jeito e Alice que não havia entendido a piada.

Bruce rapidamente cortou a piada:

— Tá apontando pra rua que vai para praça.

Então todos seguiram a pista.

Chegaram ao começo da rua a qual o pênis apontava.

— Acho que vai ter outro pênis apontando para outro lugar. — Adrian notou.

Todos procuravam o próximo pênis.

— AQUI! ACHEI A PIROCA! — Natália gritou.

— COMO ASSIM? EU TAMBÉM ACHEI UMA PIROCA AQUI! — Alice gritou ainda mais alto.

— FILHA, NÃO GRITA ESSAS COISAS NO MEIO DA RUA! — Ohannah conseguiu gritar ainda mais alto que a sua filha.

Eles analisaram os dois pênis.

— Bruce, você é um filho da puta. — Natália disse. Todos concordaram.

Os dois pênis estavam apontando para lados diferentes. Um apontava para a praça e o outro apontava rumo a uma padaria.

Bruce calmamente acendeu um cigarro.

— Não julguem o meu eu do futuro! Talvez os dois lugares sejam importantes pra nós irmos! — Bruce tentava parecer o mais convincente possível.

— É, eu não duvidaria do Bruce do futuro estar apenas zoando a gente. Mas faz sentido que os dois caminhos sejam importantes... — Disse Alice.

Decidiram se separar.

— Gabriel, Alice, Ohannah e Bruna vão para a praça e eu o Adrian e a Natália vamos rumo a padaria. Nós nos encontramos na casa da Ohannah quando descobrirmos algo. Mas gente, tomem muito cuidado, sério... — Bruce estava realmente sério.

Se separaram.

Minutos depois da separação, a mãe de Ohannah chega em casa. Abre o portão. E do nada olha assustada para a rua. A mãe da garota põe a mão no coração.

— Meu Deus! O que é isso que eu estou sentindo? Algo muito ruim vai acontecer com as crianças! — Pensou.