Chasing the Wonderland.
5 The Crazy Ones.
Notas iniciais
Estava de noite, Alice se encontrava no meio de um campo de futebol, e logo após parecia haver grandes degraus e várias arvores.
— Droga! Tá muito escuro! Sorte que eu sempre ando com o meu Iphone XYZ! — Pensou a garota. Tirou seu aparelho celular do bolso e ligou sua lanterna. Parecia ser um celular comum do ano de 2016, só que era um pouco maior e muito mais útil.
Alice foi andando cuidadosamente pelo campo, logo chegou aos degraus. Os subiu. Viu que mais adiante havia um poste de luz, e também o que parecia ser uma saída. Seguiu.
Quando estava próxima da saída, Alice avistou um grupo de pessoas conversando bem na frente da saída. Ela imaginou que podiam ser apenas pessoas comuns, mas ao lembrar-se do nome do local “Capeta do Mato”, ela sentiu um pouco de medo.
— Essas pessoas parecem meio esquisitas mesmo. Talvez eu deva achar outra saída.
Antes que pudesse se virar e procurar outro caminho, Alice viu uma estranha figura se formar em cima da cabeça de um dos garotos que estavam na saída do campo. Eram os olhos e o sorriso de Bruce!
Alice se assustou e rapidamente gritou:
— BRUCE!
Todos ali presentes encararam Alice com espanto.
— Oi?! — Respondeu o garoto cujo qual estava com os olhos e sorriso de Bruce em cima da cabeça.
Alice olhou espantada enquanto os olhos de Bruce lentamente sumiram de cima da cabeça do garoto, ela certamente foi a única que viu aquilo. Logo após o sorriso também sumiu.
Alice olhou detalhadamente para o garoto. E percebeu que aquele garoto parado confuso em frente a ela, era, de fato, o Bruce do passado.
— Ah, agora eu entendi! Bruce sua peste! — Alice começou a gargalhar, mas quando percebeu a estranheza no olhar daquelas pessoas, começou a rir vergonhosamente, até que o riso sumiu e sua feição ficou sem graça.
— De fato sou uma peste, mas eu acho que não tem conheço, garota. — Respondeu Bruce.
Alice olhou agora para todas as pessoas que estavam ali. E logo percebeu que eram respectivamente: Bruna, sua mãe Ohannah, seu pai Gabriel, um garoto que ela não conhecia e uma garota que ela também não conhecia.
Alice precisava arrumar alguma desculpa. Precisava dizer que era uma antiga amiga de Bruce ou qualquer outra coisa, se não a situação ficaria muito esquisita. Depois de pensar e repensar enquanto encarava o grupo de amigos, ela finalmente descobriu o que dizer.
— Ohannah, Gabriel... Vocês são meus pais. Eu estou aqui para impedir que você morra, pai.
Alice olhou determinada para todos.
Todos olharam confusos para Alice.
Bruce olhou para Bruna.
Bruna olhou para Bruce.
Ohannah olhou para Gabriel.
Gabriel olhou para Ohannah.
A garota que Alice não conhecia olhou para o garoto que Alice não conhecia.
O garoto que Alice não conhecia estava olhando para seu sapato.
— Prove! — Disse Bruna.
— Eu sei o nome de vocês, eu sei sobre a vida de vocês! Eu sei alguns detalhes que vocês não contam para as outras pessoas... Deixe-me ver... Bruna! Você já namorou escondido uma garota chamada Mariana, simplesmente porque você não queria que seus amigos se intrometessem!
Houve um momento de silencio.
Todos olharam para Bruna enquanto seu rosto começava a ficar vermelho.
— Na verdade... Eu estou namorando faz dois dias. E realmente não tinha como ninguém saber disso. — Disse Bruna, em uma mistura de espanto e vergonha.
— ENTÃO ELA É MINHA FILHA! ENTÃO A BRUNA TEM NAMORADA! — Ohannah estava perplexa.
— CALMA! — Gritou Bruce. — Mas isso não faz sentido. Se você for uma viajante do tempo, você seria um paradoxo.
— Como assim? — Perguntou a garota que Alice não conhecia, enquanto jogava seu cigarro no chão e o apagava com os pés.
— Simples. Ela disse que veio aqui para impedir que o Gabriel morra. Ou seja, se ela não conseguir, ela nunca vai ter existido. Logo a viagem nunca teria existido também. Entendeu Natália? — Bruce concluiu.
A garota, que agora sabemos o nome, acenou com a cabeça positivamente.
Bruce acendeu um cigarro.
— Acho que a gente precisa de mais uma prova. — Disse. — E precisamos descobrir quem é a namorada da Bruna. — Concluiu.
— AI QUE SACO! — Exclamou Bruna.
— Bom, as vestimentas dela são meio diferentes das nossas. — Disse o garoto que Alice não conhecia.
— Verdade Adrian!
— Nah, não é o suficiente. — Bruna complementou. — Ela pode ter se vestido com qualquer coisa estranha para nos enganar.
Alice já estava de saco cheio.
— Eu tô muito confuso. — Disse Gabriel.
Alice então caminhou para mais perto do grupo, pegou seu IphoneXYZ e mostrou para todos.
— Isso está bom para vocês? — Perguntou Alice em um tom rancoroso.
— Natália, analise! — Exclamou Bruna.
Natália pegou o aparelho, deu uma fuçada nos aplicativos. Detalhadamente analisou seu design. Fez uma expressão pensativa e disse:
— É. Esse celular não foi inventado ainda.
Os olhos de Ohannah brilhavam ao ver aquele maravilhoso celular. Ela estava tão deslumbrada com o design e a tecnologia, que até se esqueceu que parada de frente a ela estava sua filha.
Estranhamente Bruce e Bruna não estavam convencidos. Estranhamente porque eles eram as pessoas que mais sabiam sobre o assunto.
— Tá. Supondo seja verdade, como que você vai impedir que o Gabriel morra? Ele morre do que, afinal? — Indagou Bruce.
— A Bruna, digo, a Bruna do futuro, e a minha mãe, me disseram que ele vai ser assassinado por uma tal de Rainha Vermelha.
Gabriel tinha acreditado nas palavras daquela garota, porque ele sentia algo estranho, ele sentia como se ele realmente tivesse algum tipo de relação com ela. Logo sentiu medo quando ouviu que seria assassinado.
— Mas quem é essa? — Perguntou Gabriel.
Alice fez uma expressão furiosa.
— Você deveria saber! Minha mãe também me contou que antes de ser assassinado, você a traiu com essa tal de Rainha Vermelha!
O clima ficou tenso.
Ohannah olhou furiosa para Gabriel.
— MAS O QUEEEEEEE? — Gritou.
Ohannah rapidamente desferiu um tapa rumo ao rosto de seu namorado. Gabriel se esquivou.
— Calma amor, eu nunca faria isso! — Gabriel se afastou de Ohannah.
— MAS JÁ FEZ! QUER DIZER, VAI FAZER, QUER DIZER, OS DOIS! EU NÃO SEI, MAS FEZ!
Ohannah partiu para cima de Gabriel, mas foi segurada por Bruna, com facilidade. Ohannah esperneava.
— Não necessariamente, Ohannah. Se a Alice existe, por que existe? Porque o paradoxo fez ela. Graças a Deus. — Bruce foi o único que riu de sua própria piada. Adrian deu um sorriso, mas foi um sorriso de dó. — Enfim — Bruce continuou. — Se a própria Alice existe, quer dizer que universos alternativos existem também! Provavelmente existe pelo menos um em que ela salve o Gabriel e um que ela não salve o Gabriel. E se isso é possível, também é possível que o Gabriel tenha te traído em outra linha do tempo, mas não quer dizer que ele vai fazer isso nessa também.
— Ahhhh. — Ohannah parou de espernear. Acalmou-se. Bruna a soltou.
A garota se dirigiu para frente do seu namorado.
— Eu estou muito puta com você da outra dimensão! — Os dois riram.
— Você realmente era bem esquentadinha, heim mãe! — Disse Alice.
— Olhe você me respeite! — Ohannah apontou seu dedo para a menina.
—Gente, gente! Vocês estão esquecendo o principal! Tem uma louca querendo matar o Gabriel, e se ela quiser nos matar também? Eu estou com medo. — Adrian parecia apavorado.
— Quando isso vai acontecer, é... Qual seu nome mesmo? — Perguntou Bruce.
— Alice, eu me chamo Alice.
Os olhos de Ohannah se encheram de lágrimas.
— Mór, era esse nome mesmo que eu queria! — Ohannah abraçou Gabriel.
— Então, Alice, quando essa Rainha Vermelha vai tentar matar o Gabriel? — Bruce continuou.
Alice pensou um pouco.
— Não me disseram. Acho que acontece em tempos diferentes dependendo da dimensão.
— Sim, faz sentido. Tudo depende das suas ações no passado. É um grande efeito borboleta. — Bruna complementou.
— QUANDO VOCÊ NASCEU? — Ohannah gritou.
— OHANNAH A GENTE TÁ NUM MOMENTO SÉRIO. PARE! — Gritou Bruce.
— 22 de julho. — Pacientemente respondeu Natália.
Todos, inclusive Alice, olharam assustados para Natália.
— C-como você s-sabe? — Perguntou Adrian, trêmulo.
— Que foi gente? Tava marcado no celular dela. Oxi! — Respondeu Natália.
— Eu não sei se é bom você ter sabido disso, Ohannah. Tem coisas sobre o nosso futuro que é melhor não sabermos. — Explicou Bruna, com um pouco de medo do que aquela informação poderia ter causado.
Natália olhou meio assustada para Bruna.
— Ah, agora já foi! — Natália riu.
Todos ficaram quietos por alguns instantes.
Bruce pensava em como poderiam encontrar a Rainha Vermelha.
Bruna pensava em como poderia descobrir quem era a Rainha Vermelha.
Natália pensava quando que lançariam aquele celular maravilhoso.
Gabriel pensava que poderia morrer a qualquer momento. Estava com medo.
Ohannah pensava sobre o quão feliz ela estava por conhecer sua filha. Mesmo que ela não entendesse nada do que estava acontecendo.
Alice pensava como era interessante saber como os próprios pais eram quando mais jovens.
Adrian pensava em comprar um delicioso pão.
— Acho que eu posso ter uma ideia. — Disse Bruce meio desconfiado.
— Eu também. — Bruna também falou.
— YEAH! Vamos acabar com essa Biscate Vermelha! — Exclamou Ohannah.
— Vamos pra sua casa, Ohannah, lá a gente pensa melhor. — Natália deu a ideia.
Todos se dirigiram para fora do campo. Caminhavam calmamente pelas ruas. Todos ainda estavam pensativos.
— Sabe, vocês são muito normais! Estou até assustada! — Alice sorriu.
Olharam para ela.
— Essa é a primeira vez que me chamam de normal, em toda minha vida. — Respondeu Bruce, rindo.
— Sério! Vocês do futuro são realmente estranhos. Até a minha mãe. Na verdade eu não conheço o Adrian e a Natália, não posso falar deles.
— Hmm, isso é um spoiler. — Disse Adrian.
— É, mas muita coisa ainda vai mudar em nossas vidas. E talvez nem sejam iguais na dimensão da Alice. Ou talvez tenham que ser. Sei lá. É realmente confuso. — Bruce acendeu outro cigarro.
O grupo estava próximo de seu destino.
Alice sorria, por algum motivo, ela estava realmente feliz.
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