Chasing the Wonderland.

4 Follow The Rabbit


Notas iniciais
Siga o coelho.

— Bruce! — Exclamou Ohannah, e logo foi em direção ao seu primo para abraça-lo. Mas antes que pudesse se aproximar o suficiente, Bruce simplesmente desapareceu lentamente, como se estivesse sendo coberto por algum tipo de neblina roxa. Então Bruce reapareceu do outro lado do quarto, da mesma forma misteriosa, e disse:

— Não estou com vontade de abraçar ninguém.

Stuart esfregava seus olhos, pois não estava acreditando no que estava vendo. Percebeu também que Bruce estava vestindo o mesmo uniforme do hospício, porem, era diferente do dos Tweedle’s e do resto das pessoas do hospício. O uniforme era listrado de roxo e rosa.

Alice não parecia muito surpresa com as habilidades de Bruce, então foi direto ao ponto:

— Bruce, eu preciso dos pedaços do cogumelo! — Firmemente disse.

— Eu sei. — Os olhos de Bruce giravam.

— É exatamente por isso que eu vim para cá. Eu já vi você várias e várias vezes voltando no tempo para tentar continuar existindo. Infelizmente te digo que nem sempre você conseguiu. — Bruce ria histericamente.

— Como assim? — Perguntou Stuart. — Pelo o que eu entendi, ela já fez isso antes, em outra dimensão ou algo assim, então ela vai conseguir de qualquer forma!

— Hmm... — Bruce ficou sério. Encarou Stuart. E começou a rir histericamente de novo.

Tweedle Dee e Tweedle Dum começaram a rir histericamente também.

Stuart estava nervoso. Foi se aproximando mais de Bruce com os punhos fechados. Estava raivoso com todas aquelas risadas sarcásticas.

— Uhh. — Disse Bruce sorrindo. E então seu corpo começou a sumir lentamente. Primeiro as pernas, depois os braços, depois o tronco. Suas orelhas sumiram, ele continuara rindo, seu rosto inteiro sumiu menos seus dentes e olhos. Ele continuava sorrindo. Sua risada irritante ecoava por todo cômodo. Por fim os olhos e dentes desaparecem também, e Bruce reapareceu inteiro do outro lado do quarto.

— Deixe me explicar, garoto. — Bruce falava enquanto tentava parar de rir. Mas sempre mantinha um enorme sorriso psicótico em seu rosto.

— Essa dimensão, esse tempo, não são as únicas que existem. Eu posso navegar por todo esse infinito mar de existência, e em algumas as coisas acontecem muito diferente. Eu já vi a Alice ser assassinada pela Rainha Vermelha, eu já vi a Alice se suicidando, eu já vi até mesmo ela matando os próprios pais devido a um erro que poderia destruir o universo. — Bruce ria novamente, mas dessa vez era um sorriso mais baixo e assustador.

Alice engoliu seco.

Ela era uma garota corajosa e determinada, mas saber que talvez ela possa simplesmente deixar de existir se cometer algum erro, é algo realmente assustador.

— Mas eu vou tentar de qualquer forma! — Alice exalava confiança.

Bruce sorriu.

— É claro que vai! Não tem outra saída.

Bruce estendeu seu braço e abriu sua mão. Lentamente algo se materializava na palma. Os irmãos gêmeos Tweedle’s observavam maravilhados. Dali surgiu os dois cogumelos necessários para a viagem no tempo.

— Eu não preciso mais deles. Todo tempo e espaço já fluem em minhas veias. Lembre-se, o verde te leva ao passado e o azul te leva ao futuro. —Bruce entregou os cogumelos para Alice.

Alice os pegou. Olhou para eles enquanto milhares de pensamentos passavam pela sua mente. Ela suspirou fundo.

Ohannah estava preocupada com sua filha, mas não havia nada que pudesse ser feito.

— Tem algo que você possa me dizer? Alguma dica do que eu tenho que fazer? — Alice perguntava e olhava fixamente para Bruce.

Bruce riu baixo de novo.

— Claro! Siga a direita! Não, não... Vá para a esquerda! Talvez seja o caminho do meio... Acho que é para baixo. Hahaha! Claro que não. — Bruce sumia lentamente, da mesma forma de antes. Cada parte de seu corpo desaparecia, uma de cada vez. Sua risada ecoava no ambiente. Ele sumiu por completo, mas sua risada psicótica permaneceu por mais alguns segundos, ficando cada vez mais baixa até sumir por completo.

— Sempre dramático! — Exclamou Ohannah. — Bom, já fizemos o que tínhamos para fazer aqui. Vamos voltar para a casa da Bruna que ela vai nos dar as instruções.

Bruce... Que inútil! — Pensava Stuart.

Os três deixaram o local. Os irmãos Tweedle’s observavam com tristeza enquanto os três iam embora.

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Chegaram à casa de Bruna. Entraram. Stuart quase pisou em um dos sapos que pulavam pela casa. Bruna o fuzilou com os olhos. O garoto deu um sorriso sem graça e pediu desculpas.

A Bruxa Azul os levou para o quarto. Era igual o resto da casa: Velho, cheio de plantas e sapos.

— Alice, deite-se nessa cama. Pegue um pedaço do cogumelo verde, depois guarde o resto em seu bolso. Ponha o cogumelo azul no seu bolso também. Lembre-se que será com ele que você voltará para o presente... Ou futuro... Depende da onde você estiver. Hehehe. — Bruna, roca, soltou uma risada.

Alice deitou na cama e fechou seus olhos, estava assustada. Ohannah segurou suas mãos.

Um sapo gordo e grande subiu no pé de Stuart. Ele estava amedrontado.

— Aqui! — Bruna tirou o sapo do pé de Stuart e o segurou com carinho. — Coloque o Nibbler na sua cabeça, Alice. Ele irá facilitar a viagem.

— Sério? — Perguntou Ohannah.

— Claro! — Bruna acendeu de seus cigarros coloridos.

— Alice, quando você comer o pedaço do cogumelo, você vai entrar em um tipo de transe temporal. Pode ser algum tipo de enigma ou um labirinto. É uma forma da sua própria mente evitar que você quebre as leis do tempo, para te proteger, claro. O cogumelo te enviará um guia, siga-o. Provavelmente depois da nossa viagem pelo fluxo do tempo e a distorção do espaço, você vai aparecer em um campo de futebol abandonado. Eu e sua mãe chamamos esse lugar de CAPETA DO MATO! — Bruce gritou. — Mas é só um nome, não se assuste.

Nibbler estava ocupando todo o rosto de Alice, ela não podia responder, então só deu um sinal de positivo com a mão.

— Ohannah, tire o Nibbler da cabeça da sua filha e de o pedaço de cogumelo para ela. Rapidamente. Então coloque o Nibbler de volta em cima da cara dela.

E foi o que Ohannah fez. Ela estava chorando, mas não deixou que Alice percebesse. Stuart também estava chorando, e não fez nenhum esforço para que Alice não percebesse.

Logo depois de Alice engolir o cogumelo verde, seu corpo desapareceu, fazendo com que Nibbler caísse em cima da cama e emitisse um som como:

—Rabbit!

Ohannah respirou fundo.

Bruna colocou a mão no ombro de sua prima e disse:

— Sabe... O Nibbler não era necessário... Mas foi engraçado, não foi?

Ohannah sorriu.

— Só você para me fazer rir numa hora dessas! — Ohannah enxugou suas lagrimas.

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— Alice! — Uma voz estranha ecoava no lugar.

Alice estava flutuando por algo que parecia ser um buraco sem fim. Ela caía lentamente.

Ela não conseguir falar, mas seus pensamentos estavam altos.

O buraco mudava de cor, às vezes era azul, às vezes roxo, às vezes rosa. Era psicodélico.

Ela aterrissou em algo. Não conseguia ver o que era.

Logo o local se materializou. Parecia que ela estava dentro de uma caverna.

Observou com cautela o lugar, então viu logo a frente um enorme coelho branco.

O coelho olhou para Alice, e então deu as costas e saltitou para longe.

Alice viu que havia um enorme relógio nas costas do animal.

— Siga- o! — Disse um pequeno gato listrado de roxo e rosa, deitado em cima de uma pedra e com um sorriso maníaco no rosto.

Alice não pensou duas vezes, e foi correndo atrás do coelho enquanto as risadas do gato ecoavam pela caverna.

— Espere coelho! — Gritou a menina em seus pensamentos.

Mas o coelho não esperava. Corria rapidamente sem rumo.

De repente o coelho parou. Ele tinha ficado preso em um anel de fumaça azul.

Alice o alcançou.

Sentia que deveria tocar naquele relógio, mas antes olhou para frente do coelho e viu uma pequena lagarta azul fumando um cigarro colorido.

— Eu o prendi! Toque no relógio antes que ele se liberte! — Disse a lagarta.

Alice tocou no relógio, e novamente se encontrou naquele buraco psicodélico sem fim.

Mas dessa vez ela ouvia a voz de Bruna dizendo repetidamente:

— Quem és tu?

De repente tudo ficou escuro.

O buraco desapareceu. Não havia mais nada. Alice não enxergava mais nada.

— O que houve? — Lentamente pensou.

Conseguiu abrir seus olhos. Ela estava caída no campo de futebol.