Chase
5 Remembrance
Notas iniciais
Bonnie se sentou ao lado do túmulo com o coração apertado, passou a mão pelo local sentindo seu corpo tremer, as primeiras gostas já começavam a cair pelo cemitério de Mystic Falls, assim como as lágrimas da morena, fechou os olhos querendo aproximar apenas lembranças boas que tivera com sua avó. Não podia acreditar que ela estava morta, com o coração batendo forte contra o peito ela se encolheu.
Estava cansada de ouvir todos se lamentando e dizendo o quanto sua avó era uma boa mulher. Alguns alunos de Sheila compareceram ao funeral, os amigos da cidade mais ninguém da família além de Bonnie. Se perguntou se seus pais iriam aparecer em algum momento, mais Abby e Rudy estavam longe de serem vistos.
O vazio no peito só aumentava, mesmo tendo Caroline e até Stefan, irmão mais novo de Damon, a consolando estava sendo difícil. Perder alguém que ama nunca é fácil. Seus cachos estavam molhados e a água da chuva se misturava com suas lágrimas quentes, apertou os braços contra o corpo sentindo o vento frio de Mystic Falls.
Seu celular tocava insistentemente mais ela não atendia, se sentou sobre o túmulo e fechou os olhos.
– Por favor vovó, volte para mim.– Murmurou com voz chorosa, puxou as pernas para perto colocando a cabeça sobre os joelhos.
A chuva estava se tornando uma verdadeira tempestade. Bonnie não sairia dali, não iria deixar sua avó, não poderia deixa-la.
Sentiu algo em seus ombros abriu os olhos assustada em encontrar um par de olhos azuis a encarando de forma estranha.
– O que está fazendo aqui? — Sua voz era fraca, um humano não ouviria.
– Estou te tirando dessa chuva. — Respondeu levando os braços em sua direção.
– Deixe-me Damon. — Pediu se encolhendo, tinha que admitir que a jaqueta de couro do vampiro era quente e o cheiro da colônia dele era bom.
– Estou tentando te ajudar. — Ele tocou seus ombros.
– Você tentou me matar. — Damon a avaliou por um tempo, o cansaço podia ser notado nos olhos que estavam escuros e triste.
– Você também bruxinha. — Bonnie abaixou a cabeça, não queria brigar naquele momento, só precisava de consolo.
Sentiu-se ser levantada no chão mais não reclamou, bem no fundo a Bennett só precisava ser cuidada, precisava de alguém para ela. Somente para ela.
Antes que saíssem do cemitério a morena já dormia nos braços do vampiro, Damon a olhou percebendo que era somente isso que Bonnie precisava, dormir um pouco.
Quando o Salvatore mais velho abriu a porta da pensão com a bruxa nos braços seu irmão lhe lançou um olhar preocupado, afinal não sabia quais eram os planos dele, ninguém nunca sabia qual seria o próximo passo de Damon Salvatore. Antes de perguntar algo seu irmão murmurou:
– Só estou cuidando da bruxa.
Stefan não disse nada, percebeu a sinceridade nas poucas palavras e resolveu não interferir nas coisas, afinal se Damon matasse qualquer Bennett, os espíritos o queimariam vivo em menos de um minuto.
– Hey bruxinha. — Damon sussurrou no ouvido de Bonnie, a menina se mexeu aconchegando-se mais ao corpo do Salvatore que a olhou curioso, um sorriso ameaçou surgir em seus lábios mais reprimiu a vontade rapidamente. — Bruxinha.
A viu abrir os olhos e o olhar, confusão e tristeza aviam nas pequenas esmeraldas brilhantes. Ela não o respondeu, com cuidado Damon a deixou em sua cama lhe entregando uma camisa preta que com certeza ficaria grande nela.
– Tire essas roupas molhadas. — Dizendo isto o vampiro a deixou em seu quarto.
Bonnie tirou a jaqueta quente sabendo que o cheiro dele estava em sua pele, seu estômago revirou levemente com a ideia. Ficando somente com a grande camisa preta e lingerie a morena se sentou na cama soltando um pequeno suspiro.
Não sabia o que estava fazendo ali, aceitando a ajuda de Damon, que alguns dias quase tinha a matado, usando roupas suas, o mais incrível é que se sentiu confortável, segura.
Mais uma vez sua visão estava embaçada por lágrimas, mesmo ali na pensão estava mais uma vez sozinha, sem ninguém. Fechou os olhos deixando as lágrimas correrem, as mãos correram pela cama sentindo a seda macia.
Não sabia quando tinha adormecido mais sabia que acordou aos gritos mais uma vez tendo pesadelos com sua avó a deixando sozinha, o pior era abrir os olhos e perceber que não era apenas um pesadelo. Assustada sentiu tremores passarem por seu corpo, podia ouvir a tempestade do lado de fora quase quebrando as janelas.
Braços fortes a envolveram em um abraço, se assustou ao perceber que era Damon ali a amparando, não sabia ao certo o por que, mais ele estava ali para ela. Se agarrou a ele chorando mais uma vez, seu corpo tremendo, aos poucos a bruxa se acalmou junto com a tempestade, quando o vampiro hesitante tirou os braços de perto de si a menina fez um pedido que até mesmo ela se negou a acreditar.
– Fique comigo. — Foi apenas um sussurro, ele ouviu, assentiu a abraçando outra vez, deitaram-se e ela adormeceu com a cabeça sobre o peito de Damon.
Naquela noite a Bennett não teve mais pesadelos.
Quando pequenos raios de sol incomodaram seus olhos Bonnie abriu os olhos, percebeu que os braços do Salvatore ainda estavam em volta de seu corpo quase de forma protetora, a respiração calma denunciava que ele estava dormindo. Acho estranho, em alguns romances adolescentes sem nexo vampiros não dormiam, mais também brilhavam a luz do sol, o que era deveras estranho. Damon não brilhava, nem ao menos queimava sob a luz do sol, franzindo a testa ela continuava a observa-lo.
– Bom dia bruxinha. — A menina se assustou e saiu dos braços dele se afastando ao máximo.
Suas bochechas estavam coradas mesmo sua pele sendo em um tom caramelo.
– Eu sei que você estava me observando. — Ele comentou se encostando na cabeceira da cama.
– Me perguntei por que você não brilha. — Murmurou ela não o olhando, se chutou mentalmente por dizer aquilo, mais a curiosidade falava mais alto do que nunca, a pouco tempo não sabia da existência de vampiros e agora estava em uma cama com um... Era tão estranho e assustador.
Damon riu revirando os olhos.
– Bem, não estamos em um romance adolescente de quinta. — Disse ele divertido e aborrecido ao mesmo tempo. — E você não me parece com nenhuma garota sem graça de cidadezinha chuvosa.
Bonnie revirou os olhos.
– Bem não sei o que está pensando mais não vou ser seu Edward. — A menina bufou com o comentário.
– Prefiro o Jacob. — Disse se virando para encara-lo, Damon fez uma careta engraçada e ela sorriu.
Foi a primeira vez que ele a viu sorrir, aquele sorriso era lindo.
– Você está bem? — Perguntou ele de repente serio, assentindo a Bennett saiu da cama em busca de suas roupas, um vulto passou por si e então o Salvatore estava a sua frente com roupas femininas nos braços.
– Caroline deixou isso para você. — Informou ele.
– Obrigado. — A bruxa foi em direção ao banheiro afim de se trocar e fazer a higiene matinal.
Olhando-se no espelho viu como seu rosto parecia horrível, devia ser esse o motivo de Damon ficar olhando-a de forma estranha. Resolveu tomar um banho, lavou os cabelos que estavam embolados e amassados. Reprimiu a vontade de chorar mais uma vez, não queria ser fraca, iria passar por aquilo. Seria forte por que Sheila sempre foi uma mulher forte.
Vestiu uma calça jeans escura, uma blusa vermelha, jaqueta jeans e botas, a muito tempo não sentia tanto frio, ou talvez fosse o fato de que o frio vinha do seu corpo. Deixou seus longos cabelos soltos para se secarem mais rápido, saiu do quarto com seu celular em mãos.
Aviam mais de 40 ligações de Caroline, sua amiga deveria estar chateada.
Desceu as escadas sentindo um cheiro bom de waffle, seu estômago reclamou, se perguntou se os vampiros comiam, a sua mente veio a imagem de Caroline e como a loura comia quase compulsivamente e nunca engordava.
Na cozinha Damon terminava uma mesa de café da manhã, Bonnie levantou as sobrancelhas confusa, da ultima vez que checou ele ainda era um vampiro psicopata. Assim que a viu a encarou por alguns segundos.
– O que foi bruxinha? — Perguntou despreocupado.
– Você cozinha?– Perguntou confusa, seu reclamou outra vez, não tinha comido muito ultimamente.
– Eu faço muito mais.– Disse ele piscando para a Bennett que revirou os olhos. — Caso quiser checar...
Bonnie se virou para ir embora mais foi parada por Damon que estava a sua frente em um segundo.
– Você precisa comer. — Disse o Salvatore.
– Estou sem fome. — Murmurou e então seu estômago reclamou alto fazendo o vampiro levantar as sobrancelhas e lhe lançar um sorriso convencido.
– Tem certeza? — Perguntou invadindo o espaço pessoal dela.
– Damon eu agradeço por ontem... — Começou mais ele a interrompeu.
– Só estou tentando ser gentil bruxinha. — Se explicou levantando as mãos como sinal de paz. — Mais se quiser voltar a brigar eu não me oponho.
A Bennett suspirou derrotada.
O que diabos ele está fazendo? Se perguntou.
Hey Bon, te perdoou por quase me matar de preocupação ontem. Estou levando seu material para o campus. Nos vemos lá. Xoxo.
Bonnie olhou a mensagem mais uma vez enquanto faziam o caminho silencioso até a faculdade, Damon tinha insistido em leva-la pois a morena estava sem seu carro. Era estranho estar perto do vampiro e não tentar mata-lo.
Se acomodou no banco da ferrari preta e olhou para janela, não queria olhar para ele, temia seus próprios pensamentos em relação ao vampiro. Ele tinha que parar de ser tão gentil, esse não era Damon que ela conheceu... Era quase agradável estar perto dele e isso a assustou.
Quando estavam em frente a faculdade, viu vários alunos se virarem curiosos para saber quem eram as pessoas ou pessoa dentro da bela ferrari, antes que Bonnie tivesse a chance de falar algo Damon já avia saído do carro e estava abrindo a porta para ela.
Caroline andou em direção onde todos estavam olhando curiosos, era estranho ver Damon Salvatore outra vez, mais dessa vez não existia Elena, sentia um alivio dentro de si.
– Bon. — Disse a abraçando forte.
– Care. — Resmungou a morena. — Eu... Preciso respirar.
Relutante se soltou da amiga e a olhou com expressão.
– O que diabos você estava pensando quando me deixou sem noticias Bonnie? — Exclamou cruzando os braços.
– Desculpe. — Murmurou Bonnie abaixando a cabeça. — Eu precisava ficar sozinha e...
– E ela precisava passar mais tempo comigo. — Interrompeu Damon, ele sentiu o desconforto da bruxa e resolveu interferir.
– Damon! — Exclamou Bonnie com raiva, mais avia um certo alivio, não queria explicar a Caroline como se sentia em relação a morte de Sheila, não naquele momento.
– É assim que me trata da noite que passamos juntos? — Perguntou o Salvatore com falsa magoa.
Caroline arregalou os olhos azuis e se virou para a amiga.
Deus, eu queria queima-lo vivo, pensou a Bennett irritada.
– Não ouve nada Car. — Explicou encolhendo os ombros.
– Ouch.– A loura fez uma careta e se virou para o Salvatore. — Se você fizer algo com Bonnie eu juro que acabo com você.
– Loura você sempre foi gentil e pscicopata.– Ele respondeu com um sorriso sarcástico.
– Vamos Bon. — Caroline começou a puxar a amiga mais Bonnie a parou.
– Care, pode ir, tenho que falar algo com Damon. — Caroline a olhou como se dissesse, tudo bem mais quero saber o que aconteceu.
A Forbes saiu deixando os dois para trás, Bonnie se virou para Damon que a olhava com seus olhos azuis gelo.
Por que ele faz isso? Se perguntou mentalmente e mordeu o lábio inferior.
– Estou esperando bruxinha. — O Salvatore cruzou os braços e levantou as sobrancelhas.
– Eu só queria agradecer. — Murmurou colocando uma mecha atrás da orelha. — Eu não esperava que você me ajudasse.
– Eu sei. — Ele se inclinou em sua direção. — Mais vou cobrar os favores.
A morena bufou e revirou os olhos, Damon sempre seria Damon não importa as circunstâncias.
– Adeus Damon. — Ela se virou e o vampiro sorriu.
– Até logo bruxinha. — Ficou observando a menina sumir em meio a multidão.
As duas amigas estavam assentadas abaixo de uma grande árvore observando os alunos em volta.
– Então o que há com você e Stefan? — Bonnie perguntou, tinha reparado que depois que o Salvatore mais novo tinha chegado a cidade sua amiga estava incomodada, sempre um ar de tristeza em sua volta.
– Não a nada. — Murmurou.
– Care, eu te conheço o suficiente. — Disse a morena se virando para encara-la.
– Tudo bem. — Ela encolheu os ombros. — Ele era meu melhor amigo.
– Não é apenas isso. — Disse Bonnie ainda a encarando, Caroline bufou.
– As coisas não são tão fáceis. — Disse abaixando a cabeça. — Eu... Bem... Eu me apaixonei por Stefan, mesmo sabendo que ele amava Elena. Bonnie eu o amei, mais ninguém nunca pode competir com Elena Gilbert.
A Bennett colocou a mão no ombro da Forbes afim de conforta-la.
– Nós estávamos juntos. — Caroline fungou já sentindo as lágrimas molharem seu rosto, Bonnie a abraçou forte. — Mais ela nunca se contentou só com um dos irmãos, ela queria os dois... Então o pedi para escolher e ele escolheu Elena.
– Care... — A loura a interrompeu.
– Então ele decidiu ir embora... Então todos nós fomos... Eu nunca mais o vi, bem até aquele dia... Bon, ele partiu meu coração uma vez e não quero dar chances para ele o fazer outra vez.
A Bennett não respondeu, apenas deixou que Caroline chorasse, sentiu-se mal por ela, sentiu raiva de Stefan, no final nenhum dos Salvatore eram bons... Ela queria queima-los vivos, como queria.
– Sinto muito Caro. — Disse enquanto sua amiga ainda chorava.
– Tudo bem. — A Forbes fungou ainda abraçada a amiga.
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