Chase
17 02x01 - Immortal
Notas iniciais
– Podem me explicar, outra vez, por que diabos estamos em New Orleans? — Bonnie perguntou enquanto eles saiam do urban suv concept prata de Lucy.
– Viemos apenas pegar alguns documentos. — Murmurou Lucy enquanto agarrava sua mochila.
– Temos que ser rápidos. — Derrick olhou para a grande casa vitoriana a sua frente, era pintada em um tom cinza com detalhes brancos, de dois andares.
O louro caminhou lentamente pelo caminho até a porta da frente, a grama estava um pouco seca e a soleira empoleirada. Derrick suspirou enquanto subia os degraus, parou em frente a porta branca e preta e tirou as chaves do bolso de sua calça jeans.
O bairro o qual eles estavam era calmo e silencioso. Como se não existissem moradores.
– Era um bairro de bruxas, mas todas se foram. — Explicou Lucy percebendo o olhar curioso que Bonnie lançava para as outras casa quase idênticas a de Derrick.
Bonnie avia sentido algo estranho sobre a cidade assim que cruzaram as fronteiras, a magia era perceptível no ar.
– Isso vai ser rápido. — Disse Derrick e entrou na casa e logo sumiu pela escada que dava para o segundo andar.
Lucy e Bonnie apenas o esperaram na varanda em silencio.
– Então... — Começou a mais nova meio sem jeito. — Por que estamos fugindo desses... Hmm... Caçadores?
Lucy a olhou e sorriu triste.
– Você não sabe o que é realmente. — Não foi uma pergunta, Bonnie apenas assentiu esperando sua prima dizer alguma coisa. — Nós não somos bruxas comuns Bon.
– Como assim? — Ela franziu as sobrancelhas e cruzou os braços.
Derrick saiu da casa com uma mala azul nas mãos, a porta se fechou em um baque e elas ouviram quando foi trancada rapidamente. Ele seguiu na frente e logo estavam de volta ao carro, Derrick estava ao volante e Lucy no banco passageiro e Bonnie ficou atrás com a cabeça encostada no vidro esperando por explicações de sua prima.
– Nós fazemos parte de um grupo de clãs de bruxas. — Começou Lucy encarando a mais nova do retrovisor do carro. — Bennett's, Knigth's, Griffiths e, bem, Salvatores. — Bonnie arregalou os olhos e sua boca se abriu mas som nenhum foi ouvido. — Parece estranho mas as histórias mostram que aviam dois clãs de bruxas na América do Norte e dois na Europa que tinham esse poder estranho. — A mais velha balançou a cabeça e riu. — Outros clãs nos perseguiam por que nos consideravam ameaça ao curso natural das coisas.
– Por que? — A Bennett de olhos verdes perguntou, sua voz saiu como um sussurro.
– Somos imortais Bonnie. — Explicou Derrick com o olhar preso a estrada, suas mãos estavam agarradas ao volante com força.
– Oh shit!– Exclamou Bonnie não acreditando, ela riu como se fosse uma piada mas os outros continuaram sérios. — É sério isso?
Lucy limpou a garganta.
– Bem, os grimórios relatam histórias de bruxas que quebravam as leis naturais vivendo mais de mil anos... — Lucy se virou para encarar Bonnie. — Os clãs só continham bruxos e bruxas ligados por sangue, não poderiam unir-se com alguém de outros clãs e, os espíritos nos livrem, humanos. Irmãos casavam-se com irmãos para dar continuidade ao legado de imortalidade. — Bonnie fez uma careta e agradeceu mentalmente por ser filha unica. — Até que ouve um clã que quebrou as regras, os Salvatores, uma de suas filhas fugiu e se uniu a outro bruxo, eles tiveram uma criança e essa criança não possuía o poder de sua mãe, apesar de ser muito poderoso. Ouve também uma outra mulher do clã Bennett que fora banida por se recusar a deitar-se com seu irmão, ela também teve uma criança que era muito poderosa porem não herdou a imortalidade. A Salvatore chamou seu filho de Silas e a Bennett deu a sua menina o nome de Qetsiyah. As duas viviam no mesmo vilarejo e seus filhos eram grandes amigos. Silas queria a imortalidade e juntou-se a Qetsiyah a fim de criar um feitiço para que ambos tivessem o desejado. Mas Silas não iria dar a imortalidade a Qetsiyah e sim a uma Petrova, a primeira, Amara. Qetsiyah se vingou e matou a Petrova. Silas foi o primeiro imortal mas nunca conseguiu ficar junto a seu amor. Graças a esse ocorrido os clãs foram punidos pelos espíritos, não existiriam mais imortais nos clãs Salvatore e Bennett. Nunca mais ouve bruxas imortais no clã Salvatore e as histórias relatam que suas bruxas desistiram do poder e abandonaram os espíritos, mas algo aconteceu entre os Bennett, a cada 100 anos nascia uma bruxa diferente, como os Knight's e Griffiths, imortais.
– Isso quer dizer que eu...? — Bonnie não conseguia dizer em voz alto, era estapafúrdio, impossível, mas existiam bruxas, vampiros e Deus sabe o que mais andando sobre a terra, por que não imortais?
– O problema nisso tudo é que um clã tão antigo quando os nossos decidiu destruir os imortais, os Trapper's, eles são bruxos e bruxas que não concordam com a existência de seres que corrompem as leis da natureza por isso caçam os imortais, seja bruxas, vampiros, híbridos, lobisomens e em algumas circunstâncias, até doppelgangers.
Bonnie levou as mãos a cabeça e fechou os olhos apertando-os.
– Informação demais.– Murmurou ela sentindo uma leve dor de cabeça. — Isso quer dizer que você e Derrick...
– Sim. — Derrick assentiu. — Somos imortais e antes que você pergunte, eu tenho 263 anos e Lucy 119.
– Outch.– Bonnie abriu os olhos e se concentrou na estrada, já estavam perto das fronteiras da cidade quanto ela avistou uma garota a beira da estrada. — Para o carro! — Exclamou e Derrick o parou fazendo Lucy resmungar alguns palavrões. — Tem uma garota ali.– Ela apontou onde avia um corpo, aparentemente, inconsciente.
– Merda Bonnie. — Reclamou Derrick enquanto saía do carro seguido por ela. — Fique no carro, esta cidade não é confiável. — Bonnie o viu encarar a floresta que cercava a estrada, ignorou o pedido do louro e o seguiu. Logo Lucy se juntou a eles.
– Pode ser uma armadilha. — Sussurrou a mais velha pegando no braço de Bonnie e a puxando para trás. — Fique atrás de mim, se algo acontecer corra para o carro e fuga.
Bonnie revirou os olhos.
Derrick se agachou checando os sinais vitais da garota, que aparentava ter 18 anos, tinha pele oliva, cabelos castanhos lisos, estava muito magra, talvez desnutrida e desidratada, ela vestia apenas um longo vestido branco manchado por sangue, terra e suor. Estava desmaiada e muito machucada.
Lucy encarou a floresta e estremeceu.
– Vão para o carro! — Gritou para Bonnie e Derrick, o carro estava a três metros de distancias mas o louro o encarou e acenou com a cabeça, no próximo segundo o carro estava se arrastando até estar ao lado deles.
– Não podemos deixa-la aqui. — Bonnie encarou Derrick com os olhos verdes grandes e suplicantes. — Por favor.
Derrick bufou e abaixou para pegar a garota. As portas do carro se abriram e Lucy correu para o volante enquanto Derrick e Bonnie foram colocavam a garota no banco de trás. As portas se fecharam e a Bennett mais velha acelerou.
A morena de olhos verdes sentiu algo estranho e virou-se vendo lobisomens os seguindo, parecendo furiosos. Eram grandes e tinham pelos escuros, os olhos dourados brilhantes e os longos dentes estavam a mostra. Estavam prestes a alcançar o carro.
– Merda! — Exclamou Derrick fazendo ela se encolher, a cabeça da garota estava repousada em seu colo. Bonnie se inclinou e tirou os fios de cabelo castanhos do rosto da desconhecida, arregalou os olhos assim que viu o rosto completo.
Oh não, pensou xingando-se mentalmente.
A garota que avia salvo era, aparentemente, Elena Gilbert.
[...]
Caroline estava encolhida no sofá com uma caneca nas mãos, seus olhos azuis focados na lareira acesa, os ombros encurvados e expressão derrotada. Seus cabelos sempre soltos e brilhantes estavam presos em um coque mal feito, vestia um suéter vermelho, um pequeno short jeans surrado e nos pés meias brancas.
– Care? — Ela não se importou em virar-se para encara-lo, sentiu quando o assento ao seu lado se afundou e suspirou sentindo o cheiro de Stefan.
Tomou um gole em sua caneca repleta de sangue, sabia que ele estava encarando-a mas não sabia como reagiria em olhar em seus olhos.
– Ele acordou? — Perguntou Caroline depois de alguns minutos em silencio.
– Ainda não. — Stefan inclinou o corpo para frente colocando a cabeça entre as mãos e bagunçou os cabelos castanhos nervosamente. — Não sei como ele vai reagir que ela foi embora e nós não podemos segui-la, nem ligar, nem... — As palavras se foram e tudo que restou foi a tristeza e frustração de ambos.
– Ela disse que voltaria Stefan, eu a conheço. — A loura tentou acreditar em suas próprias palavras.
Caroline sabia que o melhor que Bonnie fazia naquele momento era se afastar de Mystic Falls, ainda se lembrava daquele olhar assustado e o horror que sua melhor amiga presenciou... Era demais para Bonnie, mesmo com tristeza Caroline entendeu que era isso que a Bennett precisava, se afastar.
Mesmo sendo apenas um dia que sua amiga se foi era estranho. Care estava novamente sozinha...
O mais humilhante era não ter ido embora da pensão Salvatore, ela continuou lá, talvez realmente não quisesse se afastar de Stefan. Bufou e balançou a cabeça livrando dos pensamentos.
– Você também ira embora? — Perguntou Stefan a fazendo piscar e se virar para ele, um erro, ao encontrar os olhos dele se encolheu, aviam tantos sentimentos... Saudade, carinho, confusão... Amor.
– Você quer que eu vá? — Ela não sabia como mas as palavras apenas escaparam de seus lábios e quando deu por si era tarde demais.
E por algum motivo não conseguia desviar seu olhar.
Stefan lhe deu um pequeno sorriso.
– Acho que essa é a minha vez de pedir que não me abandone. — Caroline ofegou com as palavras, desviou o olhar para a caneca em suas mãos e percebeu que tremia levemente, deixou a caneca em cima da mesinha de centro e encarou suas mãos.
– Será que vai valer a pena? — Perguntou em um sussurro. Sabia que ele estava se aproximando, podia senti-lo perto, invadindo seu espaço pessoal. — Você já me quebrou uma vez Stefan e eu levei anos para tentar reconstruir, na verdade, nem sei se sou aquela garota que implorou seu amor.
Se arrepiou quando sentiu os dedos frios de Stefan pousando em seu rosto fazendo-lhe um carinho tão suave que sua vontade era apenas fechar os olhos e aproveitar a caricia. Era tão intimo.
– Você não precisa implorar algo que já tem a tanto tempo. — Sussurrou ele a fazendo tremer levemente. — Você sabe Care, eu te amo...
Aquilo era demais, ela ainda tinha medo das palavras serem vazias mas por que sentia cada silaba com tanta força como se estivesse lhe atingindo? Lhe atingiram com tanta força quebrando suas barreiras.
– Fique comigo. — O ouviu pedir, sentiu os lábios tocando os seus levemente. — Desta vez, para sempre.
Antes que Caroline pudesse responder Stefan foi puxado para longe, ouviu apenas seu corpo bater contra a parede e arregalou os olhos se virando. Damon estava o prensando contra a parede, os olhos vermelhos sangue, as veias negras e os dentes afiados denunciando o monstro que avia dentro de si.
– Onde está ela? — Perguntou grunhindo, seu braço apertou o pescoço de seu irmão mais novo.
– Damon pare! — Exclamou Caroline não ousando se aproximar, sua mente tentava trabalhar em algo.
– Calada loura. — Mandou o Salvatore mais velho. — Diga-me Stefan, onde ela está?
– Ela se foi Damon. — Sussurrou o mais novo. — Lucy a levou embora.
Damon jogou Stefan no chão e socou a parede criando um buraco.
– Para onde? — Perguntou, ouve apenas silencio. — Para onde?
Caroline engoliu seco, não poderia lutar contra um vampiro de quase duzentos anos. Damon pareceu sentir o medo da vampira e se virou para ela e sorriu, um sorriso maníaco.
– Diga-me loura. — Ordenou ele, ela balançou a cabeça negativamente, num piscar de olhos o mais velho estava a sua frente. — Para onde Caroline? Diga-me.
– Eu não posso dizer Damon. — Explicou se encolhendo. — Sinto muito.
Damon grunhiu, parecia prestes a atacar a vampira quando foi jogado do outro lado da sala pelo irmão mais novo.
– Fique longe dela Damon. — Disse Stefan puxando o braço de Caroline que revirou os olhos.
– Acalme-se Damon. — Pediu a vampira lançando um olhar para Stefan que hesitante a soltou. — Ela fez isso para nos proteger.
Damon se levantou e logo estava a frente de Caroline.
– Apenas me diga para onde ela foi. — Disse ele, seus olhos voltaram ao azul gelo e as veias se foram, sua expressão era de dor, como se afastar de Bonnie lhe provoca-se dor física. — Oh, você sabe que tem que me obedecer, sou como seu pai loura.
– Não posso lhe dizer Damon. — Insistiu ignorando sua ultima frase, arregalou os olhos quando sentiu uma das mãos de Damon em seu pescoço mas o aperto não permaneceu pois o vampiro caiu ao seus pés depois que ela ouviu um pequeno estalo de seu pescoço sendo quebrado.
Stefan estava parado a sua frente encarando o irmão mais velho.
– Bem. — O Salvatore mais novo suspirou cansado. — Vou leva-lo para o porão.
Caroline encarou Damon e riu, realmente riu. Se inclinou para frente e depositou um pequeno beijo nos lábios de Stefan.
– Boa sorte querido. — Piscou para ele e saiu em direção a cozinha.
[...]
A garota tossiu no colo de Bonnie que piscou e virou-se para Derrick que estava mais interessado em encarar os lobisomens furiosos. Lucy acelerou e gritou de raiva.
– Tínhamos que pegar a maldita doppelganger dos híbridos! — Exclamou Derrick e respirou fundo. — Acha que conseguimos transportar todos Lucy?
A morena dos olhos escuros olhou para trás e encarou Bonnie que franziu a testa.
– A estrada Lucy. — Disse a mais nova quando o carro fez uma manobra complicada girando na estrada para desviar dos lobisomens.
Lucy piscou e assentiu para Derrick.
– Bonnie apenas repita as palavras conosco. Tudo bem? — Perguntou o louro cautelosamente.
– O que vamos fazer? — Derrick pegou em sua mão e ela sentiu o qual quente ele era, suspirou involuntariamente.
– Confie em mim. — Ele sorriu minimamente, seus olhos azuis focaram-se nos verdes de Bonnie e a garota assentiu. — Pronta?
– Sim. — Sussurrou e então a garota tossiu e se encolheu no colo de Bonnie. — Espere. Ela irá conosco.
Sem deixar de encarar a Bennett mais nova o louro assentiu.
– Trementes exibunt.– Lucy e Derrick disseram juntos seguidos por Bonnie e então o carro tremeu, ela viu o deslumbre de uma garra no vidro embaçado, seus olhos se arregalaram assim que os olhos dourados ficaram tão perto e, logo após, tão distantes.
Bonnie sentiu um liquido escorrer por seu nariz, era como se tudo estivesse lento, e então sentiu o cheiro de sangue... Piscou algumas vezes e pode ouvir a voz distante de Derrick lhe chamar mas caiu na inconsciência.
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