Charlotte

1 Capítulo 1


Charlotte é uma jovem de 22 anos, tem olhos verdes, cabelos longos e castanhos, pele morena, e um corpo curvilíneo. Ela trabalha como secretaria numa grande confecção de roupas sociais, cujo dono não costuma aparecer em público, mas todos sabem que seu nome é Alexander III. Em uma noite a moça havia tido trabalho extra e mesmo sabendo que era perigoso, saiu tarde de seu serviço, tendo que passar por uma rua escura e totalmente deserta, estava com medo, porem não se deixou abater, pisou firme no chão com suas botas de couro preta, arrumou sua jaqueta e sua calça jeans e andou como se nada fosse atingi-la, segurando firme em sua bolsa. Mas como nada é um mar de rosas e a sorte sempre resolve pregar peças nas pessoas, logo um homem alto, aparentemente forte e encapuzado estava a seguindo. Desesperada ao se dar conta de tal homem, ela andou mais rápido ainda, estava quase virando a esquina aonde poderia finalmente ver os carros e se necessário pegar um táxi no ponto de ônibus, suas mãos estavam suadas de nervoso e seu coração palpitava rápido de medo. Assim que virou a esquina trombou com uma pessoa e foi ao chão, soltando um pequeno gemido de dor ao ter sua bunda contra a calçada.

Alexander: Senhorita me desculpe! – Logo estendeu a mão a ajudando a levantar.

Charlotte: Tudo bem, eu que peço desculpas... – Se levantou com a ajuda do mesmo, agora sim reparando nele.

Era um homem alto, forte, com olhos castanhos escuros, cabelos pretos, e uma barba rala que lhe dava um charme a mais, estava sorrindo pra ela notando que a mesma estava o encarando.

Alexander: Estava com pressa! – Dava uma breve risada

Charlotte: É... Tinha alguém me seguindo.

Alexander: Sério? – Ia até a esquina e olhava a rua que estava deserta. – Mas não tem ninguém lá.

Charlotte: Como não?!

Alexander: Procure se acalmar tudo bem?

Charlotte: Ta bem desculpe.

Alexander: Quer ajuda?

Charlotte: Eu vou pegar um ônibus...

Alexander: Eu te acompanho... Qual seu nome?

Charlotte: Ah desculpe nem me apresentei, sou Charlotte. – Estendeu a mão o cumprimentando.

Alexander: Charlotte... Prazer sou Alex. – Segurou a mão dela, levando-a próximo a boca dando um leve beijo na parte superior.

Charlotte ficou um pouco desconcertada com o gesto do rapaz, mas não perdeu a pose, ficou esperando o ônibus em silêncio até que Alexander rompeu o mesmo.

Alexander: Não deveria ficar na rua até tarde...

Charlotte: Tive muito trabalho...

Alexander: Eu sei como é eu também saí agora...

Charlotte: Trabalha aqui perto?

Alexander: Sim...

Logo o ônibus se aproximou e Charlotte educadamente se despediu, entrando no mesmo. O rapaz ficou olhando-a entrar no veiculo e acenou brevemente, quando a moça olhou para procurá-lo novamente ele já não estava lá, o que a deixou com uma interrogação: “Será mesmo que ele era real?”. Ao chegar a sua casa foi recebida carinhosamente por seu gato, mimoso, ele é da raça persa e adora um carinho, roçou pelas pernas da mesma miando, anunciando que estava com fome. Logo ela pegou a ração do mesmo e trocou a água, acalmando seu companheirinho, deixou suas coisas em cima da mesa da sala, e logo foi para o quarto, aonde retirou sua roupa, e enrolou-se na toalha, indo em direção ao banheiro, dando-se conta que havia perdido seu pingente, não havia notado que estava sem o mesmo e entrou em desespero, pois foi um presente de seu falecido irmão.

Charlotte: Droga... Como pude perder algo tão importante... Se o Antony tivesse vivo me daria uma bronca daquelas... Ah... Droga!!! Amanhã terei que procurar pelo chão, se alguém não pegar antes... – Suspirou desconsolada.

Após seu banho, colocou seu pijama e foi para a cozinha preparar um lanche já era tarde e comida não iria cair bem, após fazer isso apagou a luz e foi para a sala aonde sentou no sofá e ligou a TV, começando assim a comer. Mimoso pulou no braço do mesmo e logo estava deitado aos pés dela, adormecendo aos poucos. As noticias na TV também não eram das melhores, uma mulher chamada Estela estava desaparecida e seus pais faziam um apelo desesperado, quando a noticia acabou começaram a falar de um acidente de carro na avenida principal, e logo falavam sobre um roubo ao banco da cidade vizinha, cansada de ver essas coisas ela colocou num filme e o assistiu prazerosamente, assim que acabou seu lanche, deixou o filme pela metade e foi dormir, o dia seguinte seria trabalhoso novamente.

Ao acordar ás sete como sempre, começava uma correria pela casa, se arrumava, passava uma leve maquiagem, pegava suas coisas e deixava um pouco de comida para seu gato, minutos depois estava no ponto de ônibus esperando pelo mesmo, de longe avistava sua amiga Sofia, uma ruiva, magra, de pele clara, e olhos castanhos claros, descendo apressada a rua e chegando próximo dela.

Sofia: Bom dia Char! Como está?

Charlotte: Muito bem e você?

Sofia: Um pouco cansada, mas tudo bem, alguma novidade?

Charlotte: Menina você não sabe! Ontem eu estava passando por aquela rua deserta aonde nós trabalhamos e tinha um homem no beco, fiquei super assustada.

Sofia: Nossa... Que perigo! E você ta bem?!

Charlotte: Assim que virei à esquina trombei com um rapaz que me ajudou...

Sofia: Que sorte, ele poderia ter te assaltado!

O ônibus estava próximo e as meninas pararam o assunto por uns minutos, logo entraram no mesmo após terem dado sinal, e sentaram-se juntas em um dos bancos do fundo.

Sofia: E depois?

Charlotte: Depois o que?

Sofia: Como era o rapaz que te ajudou?

Charlotte: Muito atraente...

Sofia: Hum... Depois do susto que levou teve a sorte de aparecer um cara bonito que te ajudasse, do jeito que tenho má sorte duvido que encontrasse alguém bonito tão tarde na rua. – Dava risada, olhando para a amiga.

Charlotte: Não seja pessimista, um dia vai encontrar um cara bonito pra você.

Sofia: Está demorando viu...

Foram conversando o caminho todo até chegaram à firma aonde seguiram por corredores diferentes, Sofia ainda era uma estagiária e ficava em outro setor. Charlotte só lembrou-se de seu pingente ao estar dentro da empresa, conseguiu dar uma escapada na hora do almoço para procurar pelo mesmo.

Charlotte: Vamos... Onde você está?!... – Olhando pro chão.

Alexander: Acho que perdeu algo...

Charlotte: É um pingente... – Olhou pra cima e notou o rapaz da noite anterior. – Oi Alex

Alexander: Oi Charlotte, e como era esse pingente?

Charlotte: Ele tinha um pequeno coração e ao abrir tinha uma foto...

Alexander: Seria este? – Tirava do bolso o pingente.

Charlotte: É esse mesmo... – Pegava, com uma expressão de felicidade. — Aonde encontrou?

Alexander: Quando foi embora ontem eu notei que tinha deixado algo no chão, então eu guardei.

Charlotte: Obrigada Alex. – Aproximou do mesmo o abraçando. – Fico muito grata!

Alexander: De nada... – Retribuía ao abraço da mesma.

Charlotte: Agora tenho que voltar pro meu serviço... Poderia me ajudar a colocar?

Alexander: Posso sim... – Pegava o pingente e após retirar o cabelo dela da frente o colocava no pescoço da jovem, deixando sua mão relar na nuca.

Charlotte: Preciso ir obrigada... — Se arrepiava com o toque dele e saía apressada pela rua.

Alexander: De nada... – Ficava olhando-a e logo se retirava também.

Ao voltar pra empresa encontrava sua amiga em uma das mesas do refeitório.

Sofia: Onde estava? Fiquei te procurando!

Charlotte: Fui procurar o pingente, eu o deixei cair ontem.

Sofia: Ainda bem que achou. – Apontou pro pescoço da amiga.

Charlotte: Alex achou pra mim... O rapaz que me ajudou ontem...

Sofia: Então você encontrou com ele de novo, hum...

Charlotte: Não pense besteiras, eu estava procurando e ele apareceu, havia guardado o pingente pra mim...

Sofia: Nossa, ele que estava com a corrente? Estranho...

Charlotte: Por que estranho?

Sofia: Ele me parece estar interessado, ninguém devolve correntes de ouro nessa cidade.

Charlotte: Não fale besteiras. – Dava uma breve risada.

Sofia: Hoje não vamos poder sair, eles decidiram me escalar pra trabalhar amanhã.

Charlotte: Não acredito! Que chatos!

Sofia: Concordo com você... Mas por que não chama o Alex? – Dava uma gargalhada.

Charlotte: Sofia! – Ficava sem graça.

Sofia: Ué? Vai ficar encalhada até quando Char?

Charlotte: Não sei... –Ficou pensativa.

Ambas almoçaram e voltaram para seus devidos lugares, após o trabalho Sofia teve que ficar um pouco mais, fazendo assim Charlotte ir pra casa sozinha. A rua estava mais movimentada e o rapaz misterioso não estava por lá, minutos depois pegou o ônibus e chegou a sua casa. Seu gatinho estava esparramado pelo sofá, não lhe dando muita atenção. Após fazer seu ritual de sempre de tomar banho e colocar um pijama, ficou em frente à TV assistindo as noticias que como sempre não eram tão boas. Estava ficando um tanto paranóica com tanta coisa ruim e logo sua campainha tocou, lhe dando um susto. Ao abrir a porta viu seu ex-namorado com uma caixa de bombons em mãos. Luiz era um rapaz que não sabia o que era um relacionamento sem traições, seu físico bem definido, cabelos loiros e olhos claros o deixavam com um ar de que o mundo era dele, e após tê-la traído ainda tinha a coragem de voltar atrás.

Charlotte: Acho que errou de número!- Ia fechar a porta quando o mesmo a impediu.

Luiz: Que isso Gata! Eu vim pedir desculpas... — Abriu a porta.

Charlotte: Não vai adiantar.

Luiz: Eu preciso de você...

Charlotte: Não foi o que eu vi na noite que terminamos...

Luiz: Eu estava carente poxa, você trabalha demais.

Charlotte: Há-há e você trabalha de menos, saí da minha casa.

Luiz: Vai dizer que você não me ama mais?

Charlotte: Não amo mais... Agora vai embora.

Luiz: Você vai se arrepender Char, e quando me quiser de volta não vai ter. – saía da frente da casa e ia embora.

Charlotte: Que desaforado... “Quando me quiser de volta não vai ter”, pro inferno com sua falta de modéstia.

Após ficar nervosa com seu ex ela voltava a ver TV, agora havia trancado a porta, chega de estresses, acabava cochilando no sofá e quando se dava conta já eram 10 da noite, estava de folga no dia seguinte e precisava fazer algo, se arrumava de modo que seus cabelos ficassem soltos, sua maquiagem destacasse seus olhos, e sua roupa chamasse atenção, usava um vestido preto básico e uma bota da mesma cor, levando um casaco caso sentisse frio. Antes de sair ligava para dois amigos desocupados e eles topavam sair com ela. Foi assim para uma balada próxima de seu serviço, a Star Clube, seus amigos já estavam em uma mesa a esperando.

Victor: Oi Charlotte! Que saudade!

Charlotte: Faz tempo que não vejo vocês! — Os cumprimentava.

Nádia: Não se preocupe, vamos aparecer mais vezes. – Dava risada.

Victor: E o trabalho?

Charlotte: Está na mesma, queria receber um aumento. – Dava uma gargalhada.

Nádia: Todos nós queremos aumento!

Victor: E onde está a Sofia?

Charlotte: Trabalhando... O que é uma pena!

Nádia: Sinto falta daquela safada.

Victor: Bom mesmo era a época do colégio, nos divertíamos muito.

Charlotte: Verdade pagava cada mico.

Nádia: E seu ex largou do seu pé?

Charlotte: Apareceu lá em casa hoje me enchendo o saco!

Victor: Se quiser posso te ajudar...

Charlotte: Não, eu conheço seu meio de ajudar. – Dava risada.

Nádia: Eu também conheço muito bem! Vai matar o menino na pancada!

Assunto vai e assunto vem, Charlotte resolveu ir pra pista dançar um pouco. Avistava assim Alex na bancada, estava bebendo um drink com uma menina. Assim que ele a viu resolveu se aproximar.

Alexander: Olha só, acho que estamos nos encontrando demais...

Charlotte: Também acho a mesma coisa... Você não devia deixar sua companhia sozinha...

Alexander: Ela sabe se virar.

Charlotte: Nossa...

Alexander: Eu estou de olho nela por que é meu dever como irmão mais velho...

Charlotte: Ah... Ela é sua irmã...

Alexander: Notei que ficou na defensiva quando me aproximei, sabia que ia pensar outra coisa.

Charlotte: Que isso! Você não é nada meu, eu não tenho que pensar nada.

Alexander: Eu atrapalhei sua dança... – Passava uma das mãos em volta da cintura dela, dançando.

Charlotte: Tudo bem... –Começava a dançar com ele.

Na mesa dos amigos dela...

Victor: Caramba a Char consegue sempre alguém.

Nádia: Ela é bonita.

Victor: Você também é e não consegue. –Dava uma gargalhada.

Nádia: Seu idiota!

Victor: Que isso... Tava brincando.

Após a musica acabar Alexander ficava admirando Charlotte.

Alexander: Sinto que seus olhos me chamam...

Charlotte ficava sem graça. – Não fala assim...

Alexander: Mas eles me dizem tantas coisas...

Charlotte: De que tipo?

Alexander: Que você tem medo... De entrar em outro relacionamento.

Charlotte: Meu olhar diz isso é?

Alexander: É mais ou menos. – Dava risada.

Charlotte: Alex... Eu mal te conheço...

Alexander: Teremos a oportunidade de nos conhecermos, mas eu preciso olhar minha irmã agora... Ela é do tipo encrenca...

Charlotte: Ah sim... É melhor procurá-la então.

Alexander: Não posso deixar de dizer que está linda.

Charlotte: Você também está muito bonito.

Alex então sorria, enquanto ia se afastando até sumir no meio das pessoas, seus amigos logo se aproximavam fazendo alguns comentários, e começavam a dançar em trio, e ficavam assim por horas, até amanhecer e voltarem para suas casas, exaustos.

Charlotte era bem recebida por seu amiguinho mimoso.

Charlotte: Oi mimoso, se divertiu com seus brinquedos? Eu me diverti sabia?! – Pegava o gatinho no colo dando carinho pro mesmo, em seguida o colocava no chão, e entrava no banheiro pra tomar seu banho, minutos depois seu telefone começa a tocar.

Charlotte: Quem será era hora da manhã...?! –Atendeu ao telefone. –Alô?

Victor: Charlotte! É o Victor, a Sofia está no hospital!

Charlotte: Que aconteceu? – Desesperada.

Victor: Ela foi atacada no beco, foi à única coisa que ela disse, ela acabou não vendo direito, mas os médicos dizem que deve ter sido algum animal.

Charlotte: Vem me buscar Victor, eu quero ver ela!

Victor: Eu já estou á caminho, sabia que ia querer isso...

Charlotte: Ok.

Charlotte havia colocado seu moletom cinza e um tênis, amarrou os cabelos e como ainda não tinha tido tempo de dormir estava com algumas olheiras, logo Victor chegou e a levou até o hospital aonde se encontravam os pais de sua amiga e Nádia.

Charlotte: Onde ela está Nádia?

Nádia: Nesse quarto aqui. –Apontava para a porta.

Charlotte: Os médicos disseram mais alguma coisa?

Nádia: Ela tem alguns cortes profundos sobre a pele, mas eles já estão fazendo os curativos.

Victor: Vai dar tudo certo Char...

Logo os pais de Sofia se aproximaram de Charlotte, eram os senhor Steven e a Senhora Lola.

Lola: Oi querida.

Charlotte: Como à senhora está?

Lola: Agora estou mais aliviada.

Steven: Foi um grande susto.

Charlotte: Foi mesmo...

Lola: E vocês não precisam ficar aqui queridos, pode deixar que nós assumimos.

Todos concordaram mesmo não querendo, deviam respeitar a vontade dos pais dela. Foram pra suas casas e conseguiram dormir devido ao cansaço, Charlotte acordou de tarde e seu celular estava desligado por que havia acabado a bateria na noite passada. Assim que o conectou na tomada para ligar para o hospital recebeu uma ligação de Nádia.

Nádia: Você precisa vir pra cá...

Charlotte: O que aconteceu?

Nádia: É a Sofia... Ela... Piorou.

Charlotte: Vou me arrumar e já estou indo. –Desligou o telefone e começou a se arrumar apressadamente, pegou um táxi e logo chegou ao hospital, sendo recebida por Victor na entrada do mesmo.

Charlotte: Por que você ta chorando Vick?

Victor: Nádia não te contou?

Charlotte: Contou que ela tinha piorado o que mais eu não sei? –Falando alto.

Victor: A Sofia morreu Char... –Começou a chorar.

Fotos dos personagens!

Notas finais
Nossa... Como eu acabo o capítulo dessa maneira, huauhaahuahu. Que acharam?