Charlotte
2 Capítulo 2
Charlotte não podia acreditar no que estava ouvindo e ficou em choque por alguns segundos, não era possível que sua amiga de tantos anos havia partido daquela forma tão trágica. Entrava correndo pelo hospital não escutando os chamados de Victor que vinha logo atrás, entrava no quarto onde o corpo de sua amiga estava não se importava com as pessoas ao redor, apenas ficava parada olhando pra Sofia na cama, sem vida. Não demorava muito para chorar de um jeito desesperado, recebia o abraço de Nádia, que não resolvia muita coisa, pois ela estava inconsolável. Aproximava da cama sentando na mesma e pegava na mão de sua amiga morta.
Charlotte: Não me deixa Sofia... –Falava entre lágrimas. –Por favor... Ela colocava a cabeça sobre o corpo inerte da amiga até que Victor se aproximava a tirando de lá, a cena era deprimente fazendo os pais de Sofia começarem a passar mal novamente. Logo ela se via sentada em um banco próximo à recepção, um pouco entorpecida, sendo consolada por seu amigo. Charlotte: Ela era como uma irmã... Victor: Eu sei Charlotte... Charlotte: Como pode eles não terem a salvado! Esse é um dos melhores hospitais! Victor: Fica calma, ou eles vão te sedar... Charlotte: Não quero ficar calma, Victor! –Começava a chorar novamente. Victor: Ela estava melhor, mas de repente aconteceu... Charlotte: E ninguém viu quem fez isso com ela?! Victor: O rapaz que a socorreu não viu nada. Charlotte: Tem certeza? Ele pode estar com medo de dizer algo. Victor: Ele disse que voltaria a noite, aí se você quiser fale com ele. Charlotte: E o que foi decidido em relação ao corpo? Vão enterrar...? Victor: A mãe dela resolveu que doaria o corpo para o hospital, era uma vontade de Sofia. Charlotte: Louca como sempre, querendo que seu corpo seja de alguma instituição. Victor: Bem a cara dela... Ambos riram, ficando mais calmos assim... Victor: Vou te levar pra casa... Vem... –Estendia a mão após levantar. Charlotte: Obrigada. –Levantava com a ajuda dele. Ao chegar a casa ela não ficava quieta, estava muito impaciente não acreditava que a amiga tinha doado o corpo para o hospital fazer o que quisesse, não acreditava também que a amiga tinha morrido, então resolveu ir até o necrotério, já era de noite e ela queria dar uma ultima olhada sem ninguém por perto, para se despedir melhor já que não haveria nem enterro nem velório. Com a ajuda de uma enfermeira que se comoveu com o pedido ela conseguiu achar o corpo da amiga no necrotério, estava coberto com um lençol branco do pescoço pra baixo, deixando a face pálida da mesma à mostra. Charlotte: Ai amiga... Só você pra me fazer entrar nesse lugar... Que eu faço sem você agora? – Pegava a mão dela e tocava brevemente. – Onde estão as marcas do animal que te atacou?... Que estranho... Logo que a ultima frase foi dita a até então morta Sofia abriu seus olhos, dando um imenso susto em Charlotte que encostou-se à porta de saída. Sofia sentou na maca de ferro e segurou o lençol cobrindo seu corpo. Sofia: Onde estou? Charlotte não conseguia responder. Sofia: Isso é o necrotério?! Ai que horror... Charlotte: S- Sofia... – Falava quase num sussurro. Sofia: O que você ta fazendo aqui? Charlotte: Eu estava me despedindo de você. Sofia: Você... Mas por quê? Assim vozes podiam ser escutadas se aproximando, então Charlotte se escondeu atrás de um armário que havia por lá, por uma brecha no mesmo conseguia ver quem entrava no local, eram Alex e os médicos da noite passada, que cuidaram de Sofia. Alexander: Boa noite Sofia. Sofia ficou apenas o olhando. Bruno: Você não fez sem ela saber né? William: O gato comeu sua língua foi? Alexander: Ela que pediu pra minha irmã. Sofia: Vamos embora logo, cadê a roupa? William: Aqui está. – Entregava uma mala. Bruno: Vamos esperar lá fora... – Saíram. Charlotte estava segurando o choro e tapando a boca para não ser vista, logo via Sofia vestida e caminhando até a porta. Sofia: Me esquece e esquece o que viu... – Se retirava. Bruno: Falando com quem? Sofia: Comigo mesma, os mortos não escutam. Alexander: Isso é um necrotério Bruno. William: Precisa de alguém pra não ter que falar sozinha. *Xavecou* Bruno dava risada. – Tava demorando... Alexander: Todos em silêncio e vamos embora. – Todos saíam. Charlotte não conseguiu se mover de imediato e só foi pra casa horas depois, muito atordoada. A primeira coisa que fez foi se deitar no sofá e chorar muito, o medo que ela passou não tem explicação, a segunda foi trancar todas as portas e janelas que existiam na casa e a terceira foi ficar deitada pensando em como era possível alguém levantar dos mortos e por que Alex estava lá... Seria ele um bruxo, um assassino... Ela só sabia de uma coisa, ele estava naquele beco na noite que ela foi perseguida, só podia ser ele... E foi cúmplice do que houve com sua amiga. E Sofia? Que foi que deu nela pra pedir que se afastasse? Teria enlouquecido? Mas ela morreu e voltou... Charlotte estava muito confusa, decidiu que não sairia de casa por pelo menos Um mês. O que deixou seus amigos muito preocupados na manhã seguinte.
Victor: O que está me dizendo é loucura Char! Charlotte: Não quero sair de casa... Victor: E seu emprego? Seus amigos? Charlotte: Não me importo com meu emprego e vocês sabem onde moro. Victor: Você precisa se tratar. Charlotte: Preciso de um tempo de tudo. Victor: Está bem... –Suspirou. – Só não esqueça de mandar noticias. Charlotte: Vou mandar. Após desligar o telefone o mesmo toca novamente. Carmen: Charlotte? Charlotte: Mãe? Carmen: Oi querida! Charlotte: Mãe onde diabos você está?! Carmen: Fique calma querida eu tive que viajar á negócios. Charlotte: E como sempre não deixou nenhum recado. Carmen: Mas estou ligando agora não reclame. Charlotte: Tudo bem... Carmen: Como estão as coisas? Charlotte: Péssimas... Minha amiga Sofia morreu, foi atacada no beco próximo ao serviço. Carmen: Minha nossa senhora! E como você está? Precisa que eu vá até aí? Charlotte: Não mãe, está tudo ótimo... Quer dizer, ta tudo bem... E como está a Carol? Carmen: Deixei-a com seu pai, vou buscá-la hoje e você pensou sobre ela passar as férias com você? Charlotte: Me esqueci disso... Mas é melhor não, essa cidade está cada vez pior. Carmen: Que isso filha sua irmã não te vê há muito tempo. Charlotte: É... Talvez eu precise de companhia. Carmen: Ela vai chegar na semana que vem, vou arrumar as coisas pra que tudo dê certo. Charlotte: Semana que vem já? Carmen: Que mês você acha que estamos? Acorde menina. Charlotte: ... Vou ligar pra ela. Carmen: Carol vai ficar muito feliz, agora tenho que ir, cheguei á pouco e nem desfiz as malas. Charlotte: Ok, tchau mãe. Carmen: Se cuide querida. – Ambas desligavam o telefone. Os pais de Charlotte eram separados, Carmen é uma empresária e Fábio um executivo, não deram certo, pois Carmen viajava demais e Fábio tinha que cuidar da casa, trabalhar e depois que vieram os filhos era ele que tinha que se virar pra cuidar, ou contratar babás, não agüentando a pressão assim começaram-se as brigas e logo o divórcio que fez Carmen ficar afastada de seu trabalho pra se dedicar as crianças. Com a morte de Filipe seu filho mais velho, num acidente de carro aos 18 anos eles voltaram a se aproximar e cuidam juntos de Carol a filha mais nova. Carol tem agora seus 17 anos é uma moça até que responsável apesar de ter crescido em uma casa desajustada emocionalmente, foi isso que fez Charlotte sair de casa com a mesma idade, como a mãe não acreditava na capacidade da mesma, comprou uma casa e a deixou vivendo por lá, um tempo depois ficou feliz ao saber que a filha havia arrumado um emprego e que estava mobiliando a casa, só não gostava da idéia que ela tinha ficado acomodada naquele emprego. Enfim 5 anos se passaram e agora eles se encontram freqüentemente, e tudo parece normal. Charlotte: Carol? Carol: Char! Que saudade! Charlotte: Fiquei sabendo que vai vir pra cá nas férias. Carol: Mesmo? Eu vou? Você deixou? – Dava risada. Charlotte: Sim, estarei te esperando viu, me ligue antes pra avisar. Carol: Ligo sim! Charlotte: Quando chegar conto as novidades ok? Carol: Sim, tchau beijos. Charlotte: beijos, tchau. – Desligaram. Não sabendo o que fazer Charlotte teria que proteger a irmã de qualquer perigo que fosse, resolveu então que deixaria o emprego e depois procuraria outro. Foi até a empresa pedir demissão por falta de sorte isso demorou um pouco e ela saiu já de noite de lá. Passou pelo beco e chegou ao ponto de ônibus sem muita preocupação, até que viu Alex se aproximar. Alexander: Oi Charlotte. Charlotte: Oi... Alexander: Tudo bem? Charlotte: Sim, ta tudo bem. Alexander: Parece diferente pra mim... Charlotte: Ah é? Hum... Alexander: Eu te fiz algo? Charlotte: Não. Alexander: Prefere que eu vá embora? Charlotte ficou em silêncio sem encará-lo, logo o ônibus se aproximou. – Não quero falar com você. Alexander: Por que Charlotte? Eu gosto de você... Charlotte: Seja lá o que você for e o que faz, eu não quero fazer parte. –Entrou no ônibus. Alexander: Será que ela descobriu alguma coisa?... Preciso segui-la.Charlotte desceu do ônibus e se direcionou a sua casa estava dentro da mesma quando Alexander apareceu em sua porta, não adentrando a mesma. Alexander: Seja lá o que tenham te dito precisamos conversar melhor. Charlotte tomou um susto, mas tentou ficar o mais calma possível. – Você... Como chegou aqui tão rápido? Alexander: Eu tenho um carro. Charlotte observou o modo como ele recuava ao ver a porta tão próxima. – Não pode entrar não é? Alexander: Não sem convite. Charlotte: Pois não vai ter... Alexander: O que você sabe sobre mim? Charlotte: Nada, por isso prefiro ficar bem longe. Alexander: Nem eu nem você temos tempo pra joguinhos, agora me diz o que sabe... Charlotte: Não sei nada! Só vi você no necrotério, levando o corpo da minha melhor amiga! Alexander ficava surpreso por ter sido tão descuidado. – E... O que mais você viu? Charlotte: Como assim o que mais?! Ela estava morta, levantou e saiu andando. Alexander: Sinto muito por sua amiga ter mentido... Charlotte: Como assim? Alexander: Ela queria que todos pensassem que ela havia morrido pra poder fugir com um namorado... Charlotte: Que?! Alexander: Ela pediu pra minha irmã ajuda-la com tudo... Os cortes falsos, meus amigos médicos, o remédio pra diminuir o batimento essas coisas... Charlotte: Impossível... Ela não faria isso por causa de homem... Alexander: Não acredite muito nisso... Charlotte: Ela enganou todo mundo... Alexander: Seja lá o que estiver pensando de mim peço que repense. Charlotte: E por que não pode entrar? Alexander: Questão de educação não entro se não me chama, simples. Charlotte: Quem é você de verdade? Alexander: Meu nome é Alexander Davilla III Charlotte: Ai meu deus... Você é dono da confecção aonde eu trabalhava. Alexander: Eu não costumo mentir, mas como sou muito rico tenho medo de andar pela rua me mostrando. Charlotte: E por que está me dizendo então? Alexander: Tivemos um grande mal entendido e eu lhe devo não só desculpas, mas sinceridade a partir de hoje. Charlotte: Alexander, eu sei que está mentindo pra mim... Eu vi aqueles cortes e eu vi a minha amiga respirando muito bem, ela estava ótima! E ninguém saiu de perto dela! Alexander: Você está muito nervosa e confusa, sua amiga esta na minha casa... Charlotte: E por quê?! Alexander: Ela gosta de um amigo meu... Charlotte: É muita informação pra minha cabeça, pode se retirar agora. Alexander: Queria muito que nós nos entendêssemos, sua amiga sempre falou de você, por isso quis te conhecer. Charlotte: Amiga? Que amiga? Pra mim ela morreu de verdade, armar uma coisa horrível dessas pra fugir de todos? Nem eu sou tão irresponsável. Alexander: Que seja... Se quiser sabe aonde me encontrar. – Se retirava. Charlotte: Até parece... – Batia a porta e ia sentar no sofá, começando a chorar.
Notas finais
Amizade eita coisa difícil hoje em dia! XD
Que acharam?
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