Um tempo depois, após se acalmar ela resolveu que iria até a casa de Alexander, se arrumou um pouco e avisou um de seus amigos para o caso dela sumir. Eram 10 da noite e ela pegou um táxi, desceu em frente o local indicado pelo motorista, já estava lá e não tinha como fugir, adentrou o enorme portão da mansão e andou por um caminho de pedras, o jardim era enorme e era possível ver pessoas trabalhando no mesmo, antes que chegasse a porta um homem se aproximou, era Bruno o médico que ajudou sua ex-melhor amiga a sair do necrotério, mas ele estava diferente, usava uma coleira no pescoço que tinha uma corrente e ficava presa na calça do mesmo de forma que o deixava com um ar de escravo, reparava melhor nele, os olhos verdes, o cabelo castanho e em como era atraente, sentindo um leve balançar.
Bruno: Está perdida?
Charlotte: Nem um pouco... Quer dizer... Eu vim ver o Alexander.
Bruno: Hum... Você é a Charlotte? – Cruzava os braços.
Charlotte: Sim, ele está?
Bruno: Depende, eu ganho o que respondendo? – Aproximando-se.
Charlotte sorria gostando do jeito que se sentia perto dele e acabava por tocar a corrente do mesmo. – Eu não sei...
Bruno: Podemos descobrir então... – Logo um uivo pairava no ar ao longe, fazendo ele se afastar.
Charlotte voltava a si como se antes estivesse hipnotizada. – Que foi isso?
Bruno: Tenho que ir... – Sorria charmosamente se afastando rapidamente, até sumir da vista dela.
A porta da mansão se abria e Alexander saía da mesma, caminhando até ela.
Alexander: Por que não bateu na porta?
Charlotte: Não tive como chegar até ela.
Alexander: Que?
Charlotte: Nada.
Alexander: Vou te contar a verdade, quer entrar?
Charlotte: Claro...
Ao entrar na casa Charlotte via varias pessoas estranhas, com vestidos de cor preta e alguns de calça e blusa também pretos, os que não estavam de preto usavam cores como vermelho e vinho, mesmo que a tinta da parede e a decoração fossem claras eles deixavam tudo com um tom obscuro o que a fazia se arrepiar. Notava a musica alta no cômodo à direita e vários deles dançando, outros bebendo vinho. Sua atenção era voltada novamente a Alexander, que a levava até o segundo andar da residência, pouco tempo depois adentrando em um escritório.
Alexander: Sente-se, por favor.
Charlotte fez o que ele pediu.
Alexander: Fico feliz que tenha vindo.
Charlotte: Não quero ficar enrolando então me conte a “verdade”.
Alexander: Sou de uma família muito antiga e tenho muitas tradições...
Charlotte: Como assim?
Alexander: Desde do séc. XV que nós lutamos para ter nosso lugar na sociedade...
Charlotte: Alexander, você é rico.
Alexander: Não estou falando disso...
Charlotte: Caramba! Então do que está falando?
Alexander: Que eu estava lutando por meus direitos no século XV.
Charlotte: ... Você é mais velho do que eu pensava...
Alexander: Sou um vampiro Charlotte.
Charlotte: Todos que estão na sala são vampiros?
Alexander: Sim.
Charlotte: E bebem sangue?
Alexander: Sim.
Charlotte: E você ainda me convida pra vir aqui? Seu louco!
Alexander: Se acalme eu mando neles.
Charlotte: E quanto aos homens no jardim? Com as coleiras.
Alexander: São meus subordinados.
Charlotte: O que eles são? Por que seus parentes que não são.
Alexander: Lobos que protegem a casa.
Charlotte: Mas... Lobos humanos? Nossa que confuso...
Alexander: Lobisomens que tem total controle de sua transformação, menos na lua cheia.
Charlotte: Você me deixou entrar com lobisomens no seu quintal?! Como eu saiu agora?
Alexander: Do mesmo jeito que entrou oras, eles tem ordens pra não chegar perto de você.
Charlotte: Hum... *Pensando no Bruno*
Alexander: Quer falar com a Sofia?
Charlotte: Não, eu já tive informação o suficiente.
Alexander: Vou te levar pra casa.
Charlotte: Não, eu vou sozinha.
Alexander: Como quiser...
Charlotte: Esse negócio de vampiro é muito pra mim, prefiro não te ver mais... – Levantava saindo do escritório.
Alexander seguiu-a. – Repense Charlotte, eu gosto muito de você.
Charlotte: Estou pensando demais no momento... –Descendo as escadas.
Alexander: Mandarei alguém te buscar amanha a noite, nós não saímos no sol, e te contarei mais coisas.
Charlotte parava na porta. – Não sei por que tanto interesse, existem milhares de mulheres no mundo, tente se conformar com minha resposta.
Alexander: Não vou desistir tão fácil.
Charlotte saía da casa e se direcionava ao portão de ferro. Alexander não a seguia, apenas fechava a porta e ia beber. Bruno estava na rua o que fazia Charlotte se assustar ao se dar conta do mesmo.
Bruno: Já vai tão cedo?
Charlotte: Cedo? São quase onze e meia.
Bruno: Temos todo tempo do mundo. – Se aproximava lentamente.
Charlotte: Todo tempo?... *
Ai meu deus.* Bruno: A propósito, meu nome é Bruno, prazer. – Estendia a mão.
Charlotte: Prazer todo meu Bruno. – Apertava a mão dele gentilmente.
Bruno: E a conversa com o Alexander?
Charlotte: Normal, descobri muitas coisas...
Bruno: Quer que eu te leve pra casa?
Charlotte: Sim.
Bruno estava com uma aparência mais limpa, usava uma camisa azul, e uma calça jeans, alem de tênis e uma coleira mais discreta da cor preta.
Charlotte: Como funciona essa coisa de Lobo?
Bruno: Nossa como você é direta...
Charlotte: Eu gosto da verdade.
Bruno: Tenho total controle da minha transformação, mas como estamos na lua cheia eu preciso usar essa coleira, tem outros lobos que usam um relógio, um pingente, mas como trabalho para o Alex tenho que usar isso. –Colocava a mão no pescoço.
Charlotte: Mas é como se ele fosse seu dono... Não é meio humilhante?
Bruno: Minha raça só existe por que a família do Alexander nos ajudou, então eu não tenho do que reclamar.
Charlotte: Tem mulheres lobas na mansão?
Bruno: Tem sim, minhas primas entre outras.
Charlotte: E você vai me levar como?
Bruno: Eu estacionei meu carro um pouco mais a frente, o Alexander não pode me ver com você...
Charlotte: Vou me arrepender de perguntar o porquê?
Bruno: Ele fica um pouco obsessivo com as garotas dele.
Charlotte: Como assim dele? Ficou louco você também?
Bruno: Desculpe, não quis ofender. – Segurou um riso. – Ali está meu carro.
Charlotte piscava algumas vezes não acreditando que estava vendo uma lamborghini preta.
Charlotte: Esse é mesmo seu carro?
Bruno: Sim, gostou? – Tirava as chaves do bolso, desativando o alarme. – Por favor, entre. – Abria a porta para que ela entrasse.
Charlotte fazia o que ele pedia e ficava admirada com tudo.
Bruno entrava logo em seguida, e ligava o carro, saindo com o mesmo. – Pode me guiar até sua casa.
Assim Charlotte traçou a rota até sua casa, enquanto isso eles conversavam...
Charlotte: O que foi aquele lance com o uivo agora pouco?
Bruno: Digamos que humanos são sensíveis a nós lobos e um simples falar pode levar a outras coisas...
Charlotte: Que?!
Bruno: Você começou a se aproximar por que tenho essa energia, e eu continuei, dava pra sentir o cheiro do seu desejo...
Charlotte ficava sem graça e meio em choque olhando-o.
Bruno: Desculpe não farei de novo...
Charlotte: Foi bacana...
Bruno: Quer mais então?
Charlotte: Não foi isso que eu disse... E não tente sentir mais nada.
Bruno: Ok me desculpe. –Dava risada.
Ao chegar à casa de Charlotte a mesma sorriu gentilmente para Bruno.
Charlotte: Obrigada Bruno.
Bruno: Não precisa agradecer... Mas eu aceitaria sair pra jantar.
Charlotte: Ah... Cheio de atitude. –Dava Risada – Quando?
Bruno: Prefiro que seja semana que vem, no sábado.
Charlotte: Tudo bem.
Bruno: A Lua cheia terá acabado e você se sentirá menos atraída por mim.
Charlotte: Isso fará de você um homem comum.
Bruno: Exato, quero que goste de mim pelo que sou.
Charlotte: Humm, boa noite.
Bruno: Boa noite.
Charlotte desceu do carro e entrou em casa, um tempo depois se pegou pensando em Bruno, olhou a lua pela janela e escutou um uivo distante, o que a fez sorrir, se arrumou para dormir e deitou-se, caindo no sono.
Eram quase 7 da manhã quando seu telefone tocou, um pouco sonolenta atendeu o mesmo.
Charlotte: Alô...
Carol: Maninha?
A voz de sua irmã a despertou rapidamente.
Carol: Vem me buscar na rodoviária.
Charlotte: Como é?
Carol: Vem ou volto para casa.
Charlotte: Estou indo. –Desligou o telefone.
Estava assustada com a chegada totalmente repentina de sua irmã, se trocou e pegou o primeiro táxi que viu, chegando rapidamente na rodoviária.
Charlotte: O que faz aqui antes do previsto?
Carol: Quis vir antes!
Charlotte: Não faça mais isso, me assustou!
Carol: Não precisa ficar brava.
Charlotte: Tudo bem...
Logo Charlotte ficou muda, Bruno estava olhando-a de longe e sorriu ao vê-la...
Charlotte: Coloque suas coisas no táxi.
Carol: Tá bom... –Foi fazer o que ela mandou.
Charlotte foi até Bruno. – O que faz aqui?
Bruno: Vim buscar umas pessoas.
Charlotte olhou dois caixões sendo colocados em um caminhão. –Ah... Mais gente morta.
Bruno: São vampiras...
Charlotte: Mortas ué...
Bruno: Acordou de mau-humor?
Charlotte: Isso não importa... Quem são?
Bruno: Irmãs do Alexander e quem é aquela?
Charlotte: Alguém que não quero envolvida nisso...
Carol: Vamos Char. –Olhou Bruno encantada.
Bruno: Oi — Sorriu gentilmente.
Carol: Oi – Sorriu de volta.
Bruno: Sou Bruno amigo da sua...
Carol: Irmã, minha irmã mais velha.
Bruno: É um prazer.
Carol: Me chamo Carol, prazer todo meu.
William: Vamos Bruno. – Olhou Carol.
Bruno: Com licença senhoritas. –Se retiraram.
Charlotte: Vem — Puxou Carol pelo braço.
Dentro do táxi...
Carol: Quem era o outro?
Charlotte: William, e ambos têm idade pra ser nosso pai.
Carol: Que exagero. –Deu risada — Nosso pai...
Charlotte: É talvez eu tenha exagerado.
Notas finais
Só eu que acho que vai dar algo errado?
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