Charlotte

3 Capítulo 3


Um tempo depois, após se acalmar ela resolveu que iria até a casa de Alexander, se arrumou um pouco e avisou um de seus amigos para o caso dela sumir. Eram 10 da noite e ela pegou um táxi, desceu em frente o local indicado pelo motorista, já estava lá e não tinha como fugir, adentrou o enorme portão da mansão e andou por um caminho de pedras, o jardim era enorme e era possível ver pessoas trabalhando no mesmo, antes que chegasse a porta um homem se aproximou, era Bruno o médico que ajudou sua ex-melhor amiga a sair do necrotério, mas ele estava diferente, usava uma coleira no pescoço que tinha uma corrente e ficava presa na calça do mesmo de forma que o deixava com um ar de escravo, reparava melhor nele, os olhos verdes, o cabelo castanho e em como era atraente, sentindo um leve balançar.

Bruno: Está perdida?

Charlotte: Nem um pouco... Quer dizer... Eu vim ver o Alexander.

Bruno: Hum... Você é a Charlotte? – Cruzava os braços.

Charlotte: Sim, ele está?

Bruno: Depende, eu ganho o que respondendo? – Aproximando-se.

Charlotte sorria gostando do jeito que se sentia perto dele e acabava por tocar a corrente do mesmo. – Eu não sei...

Bruno: Podemos descobrir então... – Logo um uivo pairava no ar ao longe, fazendo ele se afastar.

Charlotte voltava a si como se antes estivesse hipnotizada. – Que foi isso?

Bruno: Tenho que ir... – Sorria charmosamente se afastando rapidamente, até sumir da vista dela.

A porta da mansão se abria e Alexander saía da mesma, caminhando até ela.

Alexander: Por que não bateu na porta?

Charlotte: Não tive como chegar até ela.

Alexander: Que?

Charlotte: Nada.

Alexander: Vou te contar a verdade, quer entrar?

Charlotte: Claro...

Ao entrar na casa Charlotte via varias pessoas estranhas, com vestidos de cor preta e alguns de calça e blusa também pretos, os que não estavam de preto usavam cores como vermelho e vinho, mesmo que a tinta da parede e a decoração fossem claras eles deixavam tudo com um tom obscuro o que a fazia se arrepiar. Notava a musica alta no cômodo à direita e vários deles dançando, outros bebendo vinho. Sua atenção era voltada novamente a Alexander, que a levava até o segundo andar da residência, pouco tempo depois adentrando em um escritório.

Alexander: Sente-se, por favor.

Charlotte fez o que ele pediu.

Alexander: Fico feliz que tenha vindo.

Charlotte: Não quero ficar enrolando então me conte a “verdade”.

Alexander: Sou de uma família muito antiga e tenho muitas tradições...

Charlotte: Como assim?

Alexander: Desde do séc. XV que nós lutamos para ter nosso lugar na sociedade...

Charlotte: Alexander, você é rico.

Alexander: Não estou falando disso...

Charlotte: Caramba! Então do que está falando?

Alexander: Que eu estava lutando por meus direitos no século XV.

Charlotte: ... Você é mais velho do que eu pensava...

Alexander: Sou um vampiro Charlotte.

Charlotte: Todos que estão na sala são vampiros?

Alexander: Sim.

Charlotte: E bebem sangue?

Alexander: Sim.

Charlotte: E você ainda me convida pra vir aqui? Seu louco!

Alexander: Se acalme eu mando neles.

Charlotte: E quanto aos homens no jardim? Com as coleiras.

Alexander: São meus subordinados.

Charlotte: O que eles são? Por que seus parentes que não são.

Alexander: Lobos que protegem a casa.

Charlotte: Mas... Lobos humanos? Nossa que confuso...

Alexander: Lobisomens que tem total controle de sua transformação, menos na lua cheia.

Charlotte: Você me deixou entrar com lobisomens no seu quintal?! Como eu saiu agora?

Alexander: Do mesmo jeito que entrou oras, eles tem ordens pra não chegar perto de você.

Charlotte: Hum... *Pensando no Bruno*

Alexander: Quer falar com a Sofia?

Charlotte: Não, eu já tive informação o suficiente.

Alexander: Vou te levar pra casa.

Charlotte: Não, eu vou sozinha.

Alexander: Como quiser...

Charlotte: Esse negócio de vampiro é muito pra mim, prefiro não te ver mais... – Levantava saindo do escritório.

Alexander seguiu-a. – Repense Charlotte, eu gosto muito de você.

Charlotte: Estou pensando demais no momento... –Descendo as escadas.

Alexander: Mandarei alguém te buscar amanha a noite, nós não saímos no sol, e te contarei mais coisas.

Charlotte parava na porta. – Não sei por que tanto interesse, existem milhares de mulheres no mundo, tente se conformar com minha resposta.

Alexander: Não vou desistir tão fácil.

Charlotte saía da casa e se direcionava ao portão de ferro. Alexander não a seguia, apenas fechava a porta e ia beber. Bruno estava na rua o que fazia Charlotte se assustar ao se dar conta do mesmo.

Bruno: Já vai tão cedo?

Charlotte: Cedo? São quase onze e meia.

Bruno: Temos todo tempo do mundo. – Se aproximava lentamente.

Charlotte: Todo tempo?... *Ai meu deus.*

Bruno: A propósito, meu nome é Bruno, prazer. – Estendia a mão.

Charlotte: Prazer todo meu Bruno. – Apertava a mão dele gentilmente.

Bruno: E a conversa com o Alexander?

Charlotte: Normal, descobri muitas coisas...

Bruno: Quer que eu te leve pra casa?

Charlotte: Sim.

Bruno estava com uma aparência mais limpa, usava uma camisa azul, e uma calça jeans, alem de tênis e uma coleira mais discreta da cor preta.

Charlotte: Como funciona essa coisa de Lobo?

Bruno: Nossa como você é direta...

Charlotte: Eu gosto da verdade.

Bruno: Tenho total controle da minha transformação, mas como estamos na lua cheia eu preciso usar essa coleira, tem outros lobos que usam um relógio, um pingente, mas como trabalho para o Alex tenho que usar isso. –Colocava a mão no pescoço.

Charlotte: Mas é como se ele fosse seu dono... Não é meio humilhante?

Bruno: Minha raça só existe por que a família do Alexander nos ajudou, então eu não tenho do que reclamar.

Charlotte: Tem mulheres lobas na mansão?

Bruno: Tem sim, minhas primas entre outras.

Charlotte: E você vai me levar como?

Bruno: Eu estacionei meu carro um pouco mais a frente, o Alexander não pode me ver com você...

Charlotte: Vou me arrepender de perguntar o porquê?

Bruno: Ele fica um pouco obsessivo com as garotas dele.

Charlotte: Como assim dele? Ficou louco você também?

Bruno: Desculpe, não quis ofender. – Segurou um riso. – Ali está meu carro.

Charlotte piscava algumas vezes não acreditando que estava vendo uma lamborghini preta.

Charlotte: Esse é mesmo seu carro?

Bruno: Sim, gostou? – Tirava as chaves do bolso, desativando o alarme. – Por favor, entre. – Abria a porta para que ela entrasse.

Charlotte fazia o que ele pedia e ficava admirada com tudo.

Bruno entrava logo em seguida, e ligava o carro, saindo com o mesmo. – Pode me guiar até sua casa.

Assim Charlotte traçou a rota até sua casa, enquanto isso eles conversavam...

Charlotte: O que foi aquele lance com o uivo agora pouco?

Bruno: Digamos que humanos são sensíveis a nós lobos e um simples falar pode levar a outras coisas...

Charlotte: Que?!

Bruno: Você começou a se aproximar por que tenho essa energia, e eu continuei, dava pra sentir o cheiro do seu desejo...

Charlotte ficava sem graça e meio em choque olhando-o.

Bruno: Desculpe não farei de novo...

Charlotte: Foi bacana...

Bruno: Quer mais então?

Charlotte: Não foi isso que eu disse... E não tente sentir mais nada.

Bruno: Ok me desculpe. –Dava risada.

Ao chegar à casa de Charlotte a mesma sorriu gentilmente para Bruno.

Charlotte: Obrigada Bruno.

Bruno: Não precisa agradecer... Mas eu aceitaria sair pra jantar.

Charlotte: Ah... Cheio de atitude. –Dava Risada – Quando?

Bruno: Prefiro que seja semana que vem, no sábado.

Charlotte: Tudo bem.

Bruno: A Lua cheia terá acabado e você se sentirá menos atraída por mim.

Charlotte: Isso fará de você um homem comum.

Bruno: Exato, quero que goste de mim pelo que sou.

Charlotte: Humm, boa noite.

Bruno: Boa noite.

Charlotte desceu do carro e entrou em casa, um tempo depois se pegou pensando em Bruno, olhou a lua pela janela e escutou um uivo distante, o que a fez sorrir, se arrumou para dormir e deitou-se, caindo no sono.

Eram quase 7 da manhã quando seu telefone tocou, um pouco sonolenta atendeu o mesmo.

Charlotte: Alô...

Carol: Maninha?

A voz de sua irmã a despertou rapidamente.

Carol: Vem me buscar na rodoviária.

Charlotte: Como é?

Carol: Vem ou volto para casa.

Charlotte: Estou indo. –Desligou o telefone.

Estava assustada com a chegada totalmente repentina de sua irmã, se trocou e pegou o primeiro táxi que viu, chegando rapidamente na rodoviária.

Charlotte: O que faz aqui antes do previsto?

Carol: Quis vir antes!

Charlotte: Não faça mais isso, me assustou!

Carol: Não precisa ficar brava.

Charlotte: Tudo bem...

Logo Charlotte ficou muda, Bruno estava olhando-a de longe e sorriu ao vê-la...

Charlotte: Coloque suas coisas no táxi.

Carol: Tá bom... –Foi fazer o que ela mandou.

Charlotte foi até Bruno. – O que faz aqui?

Bruno: Vim buscar umas pessoas.

Charlotte olhou dois caixões sendo colocados em um caminhão. –Ah... Mais gente morta.

Bruno: São vampiras...

Charlotte: Mortas ué...

Bruno: Acordou de mau-humor?

Charlotte: Isso não importa... Quem são?

Bruno: Irmãs do Alexander e quem é aquela?

Charlotte: Alguém que não quero envolvida nisso...

Carol: Vamos Char. –Olhou Bruno encantada.

Bruno: Oi — Sorriu gentilmente.

Carol: Oi – Sorriu de volta.

Bruno: Sou Bruno amigo da sua...

Carol: Irmã, minha irmã mais velha.

Bruno: É um prazer.

Carol: Me chamo Carol, prazer todo meu.

William: Vamos Bruno. – Olhou Carol.

Bruno: Com licença senhoritas. –Se retiraram.

Charlotte: Vem — Puxou Carol pelo braço.

Dentro do táxi...

Carol: Quem era o outro?

Charlotte: William, e ambos têm idade pra ser nosso pai.

Carol: Que exagero. –Deu risada — Nosso pai...

Charlotte: É talvez eu tenha exagerado.

Notas finais
Só eu que acho que vai dar algo errado?