Charlie é o Cara
20 É pole dance e não salto com vara!
Notas iniciais
POV-Pete
Eu estava sentado no sofá da boate, com as costas apoiada no encosto. Segurando meu copo na mão e com os sapatos de salto de Charlie no meu colo, olhando enquanto ela dançava em cima da mesa com Mike, Cece, Pablo e Bobby. Olhei para Bruce sentado ao meu lado e vi que ele também estava olhando e rindo.
― O que você achou? ― Tive que gritar para ele me ouvir apesar da música do Calvin Harris.
― O que eu achei do que? ― Ele perguntou me olhando.
― Dela. ― Apontei para Charlie com a cabeça. ― Você costuma ser o ser o mais certo de todos nós, é bom ouvir a sua opinião.
― Ela é uma garota legal, Pete. Meio doidinha mas ser garota já justifica parte disso. ― Ele riu. ― Mas olhe para ela, ela está usando um vestido de bolinha e dançando em cima de uma mesa com stripper's, acha mesmo que ela vai se adaptar a isso? Sei lá... não é algo que eu imaginária para uma garota como ela.
― Charlie é diferente, Bruce. Sabe como ela definiu nossa relação? Ela disse que somos dois imãs negativos. ― Disse rindo ao me lembrar. ― Olhe só para ela, está fazendo uma selfie com Cece fazendo biquinho. ― Apontei para as duas e Bruce riu.
― Pelo menos vocês são dois imãs negativos, sabe o que iria acontecer se não né? ― Bruce me olhou.
― Nós não somos dois imãs negativos, ok? Nós temos uma tensão sexual que é quase uma pessoa real de tão forte que ela está se tornando. ― Falei. ― Mas eu preciso concordar com vocês, eu estive revendo as últimas garotas com que eu estive e eu sou realmente um partidor de corações.
― Finalmente. Lembra daquela garota que queria quebrar toda a casa? Daí Pablo teve que fingir que era o seu amante mexicano e que vocês tinham três filhos no México.
― Oh Deus, não me lembre disso. ― Fiz uma careta e dei um gole no meu copo. ― Ela vai se sair bem, se eu fosse apostar em uma corrida de cavalos e Charlie fosse um cavalo eu apostaria nela. Ela é tudo que nós precisamos no momento.
Bruce não respondeu e apenas ficou me olhando com um sorriso animadinho.
― O quê? ― Perguntei sem entender.
― Ela é tudo o que precisamos agora? Ou ela é tudo que você precisa agora? ― Ele sorriu debochado. ― Você gosta dela. Você gosta de ruivas e você gosta dela.
― Claro que não, é a Charlie. ― Fiz uma pausa e dei um gole no meu copo, dando de ombros. ― É só a Charlie, não vou dizer que ela não é atraente, porque ela é. E se eu disser que consigo parar de olhar para as pernas dela também vou estar mentindo. E o cabelo dela cheira tão bem mas... não é nada que eu não possa controlar. Não é nada. Nada mesmo. ― Dei de ombros de novo.
― Você gosta dela! ― Ele gargalhou.
― É claro que não! Eu estou falando de atração, tipo, corporal... fazer coisas com o seu corpo. Na horizontal ou em outras posições também.
― Você gosta dela! Você está negando demais! Você está dando de ombros e olha só... ― Ele apontou para os sapatos dela no meu colo. ― Você está segurando os sapatos dela. Os sapatos dela, quem faz isso?
― O quê tem de errado? São os sapatos de uma amiga. Eu seguraria os seus sapatos se você pedisse também. Não tem nada demais. ― Mas ele apenas continuou sorrindo daquele jeito. ― Para com isso! To falando sério!
― Você não a convidou para a fraternidade só porque ela é uma garota e o que nós precisamos. Você a convidou também porque gosta dela. Isso vai ser ainda mais legal de assistir. ― Ele riu.
― Eu gosto dela como amiga, como uma irmã, como... bom você me entendeu. De qualquer forma, eu ia estragar tudo porque eu eventualmente costumo estragar tudo na minha vida então, eu não posso me dar ao luxo disso. ― Fiz uma pausa e olhei novamente para Charlie. ― Não quero partir o coração dela.
― Talvez você não vá, você disse que Charlie é diferente. Talvez tudo que você precisava era de uma garota diferente. ― Ele disse.
― Você acha? ― Perguntei.
― Não, mas achei que ia ficar legal dizer. ― Ele riu.
― Falou o cara que tem uma quedinha pela Angel. ― Bati com o sapatos de Charlie nele.
― Ai! Esse negócio machuca.
POV-Charlie
Eu estava dançando uma música da Katy Perry com Mike em cima da mesa, numa mão eu estava segurando o meu copo e na outra um Kit Kat. Eles vendem Kit Kat aqui, não é mágico? Eu amei isso, eu acho que as pessoas deveriam vender Kit Kat em todos os lugares, porque se tem algo que eu goste mais do que balinha de gelatina é Kit Kat.
― Eles vendem Kit Kat num clube de stripper, isso é século vinte e um, meu amigo. ― Falei para Mike dando uma mordida no meu chocolate. Acho que eu não deveria beber tanto desses. ― Mostrei meu copo para ele e sorri. ― Do que a gente tava falando mesmo? Ah, Tanisha. Ela é uma vadia!
― Aposto que ela tem outro, aposto que ela está com outro agora. Aposto que a mãe dela está rindo e jogando dardos em uma foto minha, eu já te disse que a mãe dela me odeia? Aposto que a mãe dela a fez terminar comigo. Nós tínhamos um plano de vida, nós íamos casar e ter um casal de filhos, Shavon e Lyanna. ― Mike contou.
― Shavon? ― Fiz uma careta. ― Não chame seu filho assim. É horrível, é como chamar seu filho de Han Solo. Não faça isso. Já é difícil para uma menina chamada Charlie fazer amigos, já pensou como seria uma criança chamada Shavon?
― Você é legal, não pode ser tão difícil assim fazer amigos e seu cabelo tem uma cor bonita. ― Mike falou.
― É tão difícil. ― Falei. ― Muito difícil. Nada de Shavon, ok? De qualquer forma Mike, é só o fim do amor, não o fim da vida. Tudo bem ficar triste, mas você não pode ficar triste para sempre e você não vai. ― Dei um gole no meu copo. ― Um dia você vai encontrar uma garota e do nada você vai gostar dela novamente e então depois disso, eventualmente, nem vai mais pensar em Tanisha e então ela vai perceber tudo o que perdeu.
― Você é uma boa amiga, Charlie. É bom ter uma alma feminina aqui para conversar sobre isso. Sabia que eu tenho uma alma feminina? Esses tempos Tanisha me levou há uma cartomante e ela disse que eu tenho uma alma feminina. ― Ele sorriu animado.
― Alma feminina? Isso é legal, é legal. Não tinha ouvido falar nisso ainda. ― Olhei em volta e vi Cece acenar para mim de cima de um pole dance e me chamar. ― Oh. Meu. Deus. Cece vai me ensinar pole dance, eu preciso ir. Não se preocupe Mike, Tanisha é uma vadia!
Eu fui descer da mesa mas não percebi o quão bêbada estava está finalmente colocar os pés no chão. Assim que pulei da mesa, me desequilibrei e cai para trás.
― Opa! ― Falei enquanto caía, levantando meu copo para não cair.
O que certamente seria uma bundada no chão no mínimo humilhante e que me renderia um ótimo hematoma roxo na bunda pelas próximas semanas, foi impedido por Pete. De uma maneira nada agradável ou bonita como nos filmes, quando o cara impede a moça de cair e eles ficam com os rostos próximos e aí rola um beijo, sabem do que eu to falando né? Mas não, não foi nada assim! Eu cai com a cara no sofá e a bunda para cima apontada na direção de Pete, pelo menos o meu copo continuou cheio.
― Peguei você potrinha! ― Pete disse rindo e me segurando pela cintura ainda, ele me ajudou a me sentar ainda e tentou pegar o meu copo da minha mão. ― Vamos colocar esse bumbum para baixo e chega disso aqui para você.
― O quê? ― Perguntei rindo, eu nem sei porque estava rindo.
― O quê o quê? ― Ele sorriu, ainda tentando pegar o meu copo.
― Do quê você me chamou? ― Fui tentar dar mais um gole no meu copo mais Pete colocou sua mão na boca do copo, me impedindo de beber.
― Tira a mão daí. ― Falei com meus lábios sobre a sua mão e a mordi de leve.
― Potrinha! ― Ele repetiu rindo. ― Que tal outro chocolate? Nada de whisky para você.
― Potrinha? ― Repeti rindo sozinha com a boca na sua mão ainda.
― Você tá babando na minha mão. ― Pete riu, olhando para a minha boca na sua mão.
― Oh, desculpe. ― Falei tirando minha boca da mão dele e lhe entregando o copo. ― Cowboy, eu tenho que ir. Cece vai me ensinar a fazer pole dance. ― Falei com uma voz sexy e pisquei para ele me levantando do sofá.
― Do quê você me chamou? ― Ele me olhou rindo.
― Cowboy? ― Apertei os lábios, envergonhada com o que eu havia acabado de dizer e ele riu ainda mais. ― Esqueça isso, eu vou... ― Apontei para trás. ― Acho que ouvi Cece me chamar.
― Cuidado, não vá cair com o bumbum para cima de novo. ― Pete falou mordendo o lábio inferior com um sorriso malicioso.
Se eu fosse um avestruz agora, seria o momento em que eu ia enfiar a minha cabeça no chão e nunca mais tirar. Me virei para sair dali com a cabeça baixa mais esbarrei em Pablo.
― Pablo, me desculpe. ― Falei ainda envergonhada, levantando a cabeça.
― Mantenha a cabeça erguida, Blanca. Vai acabar trombando com uma parede por aí. ― Ele empurrou meu queixo para cima, me fazendo olhar para cima.
― Ela mantém outras coisas para cima. ― Ouvi o comentário de Pete atrás de nós e olhei por cima dos ombros.
Ele ainda exibia aquele sorriso cafajeste no rosto e por um momento os seus olhos baixaram dos meus olhos, baixaram muito. O fuzilei com o olhar.
― Meus olhos ainda ficam na cabeça, Pete. ― Falei.
― Eu sei, eu não estava olhando para os seus olhos. ― Pete respondeu sorrindo.
Acenei positivamente sem acreditar o quão descarado ele conseguia ser. Desviei de Pablo e sai andando na direção de Cece, tentando parar de sorrir feito idiota. Talvez fosse o álcool (ok, vou colocar a culpa no álcool porque ainda não estou pronta para admitir) mas eu estava rindo feito uma idiota encantada com Pete e com as suas gracinhas.
Encontrei Cece dançando pole dance, enquanto Bobby, Bruce, Piu-Piu, Gucci e Lola dançavam embaixo. Bobby estava entre Piu-Piu e Lola enquanto elas dançavam, ele estava basicamente fazendo o papel do poste no pole dance para elas (e ele ainda acha que vai para o céu). Bruce dançava com Gucci de uma forma desajeitada. Eu não tenho muita coordenação motora mas ver Bobby dançar era triste, era praticamente um ataque de epilepsia.
― Hei Charlie! ― Bobby acenou quando me viu. ― Vem dançar com a gente.
― Cece vai me ensinar a rebolar no poste! ― Gritei para ele me ouvir mas acho que gritei alto demais. Todo mundo simplesmente parou de dançar e me olharam sem acreditar que eu havia realmente dito isso. ― Oh meu Deus! Não foi isso que eu quis dizer, não nesse contexto, oh esqueçam isso... ― Falei envergonhada.
― Vem cá! ― Cece ofereceu a mão para me ajudar a subir no degrau mais elevado do pole dance com ela.
Peguei em sua mão e subi no posto mais elevado junto com ela. Então ela baixou os olhos para os meus pés.
― Cade os seus sapatos?
― É melhor eu ficar sem eles, eu tenho dois pés esquerdos. ― Ela observou meus pés com mais atenção para confirmar se era verdade. ― Não literalmente.
― Oh, entendi! ― Ela sorriu finalmente entendendo. ― Charlie, stripper não é apenas sobre tirar as suas roupas, é estar em contato com o seu próprio corpo. ― Cece falava e ia passando a mão pelo seu corpo, fazendo caras e bocas que me pareciam que ela estava curtindo muito isso. ― Uma vez que você faz isso, conhece o seu corpo. Você terá uma confiança que jamais teve antes. ― Ela sorriu e colocou as mãos na minha cintura. ― Agora, eu sei que você pode fazer isso. Então, vamos começar pelo básico, ok?
― Ok! ― Acenei positivamente e sorri de volta para ela, extremamente animada para rebolar no poste. Oh Deus, eu falei de novo.
― Vai Charlie! ― Bruce gritou lá de baixo começando a minha própria torcida organizada.
― Charlie! Charlie! Charlie! ― As garotas gritaram animadas e bateram palminhas.
― Me mostra o que você sabe fazer garota. ― Cece piscou para mim e me deu um tapa na bunda, então desceu do degrau e me deixou sozinha.
Isso deve ser fácil, é moleza. Provavelmente é como quando nós éramos criança e subíamos nos brinquedos do parquinho, eu consigo fazer isso. Me alonguei por um momento e pulei no lugar algumas vezes.
― Vai Charlie! ― Ouvi eles gritaram.
― Aqui vou eu! ― Alonguei o pescoço e encarei o poste.
Pessoal, aqui vai o meu conselho. Nunca pegue impulso como numa corrida para fazer pole dance, é só dança e não salto com vara, o que foi basicamente o que eu fiz. Eu literalmente voei e cai sobre um sobre e depois rolei para o chão.
― Charlie! ― Alguém gritou quando eu atingi o sofá e depois o chão.
― Meu Deus! ― Ouvi Bruce gritar.
― Isso vai deixar uma marca. ― Piu-Piu falou.
― Charlie, você está viva? ― Cece perguntou.
― Com alguns ossos quebrados mas sim. ― Gritei, levantando o braço para acenar que ainda estava viva.
Bobby e Bruce se aproximaram de mim e me ajudaram a me levantar, enquanto eu me sentava no sofá. Eles pegaram um copo vazio e encheram com gelo, então colocaram na minha testa.
― Charlie, primeira lição, é pole dance e não salto a distância. ― Cece falou rindo.
― Foi um tombo e tanto. ― Bobby disse rindo. ― Vai ganhar uns hematomas bonitos.
― Não foi um tombo, vamos dizer que eu bati no chão com o meu corpo. ― Falei rindo. ― Eu não sei porque mas não sinto tanta dor.
― É porque você está bêbada, o resultado vai vir amanhã de manhã. Desculpe ser eu quem vai te falar isso. ― Bruce disse rindo de mim e ainda segurando o copo contra a minha testa, onde eu tinha batido no chão.
― Bruce, você é tão legal. Todos vocês são! Eu amo tanto vocês. Nós deveríamos fazer um abraço em grupo agora. Vocês são os meus caras! Eu amo vocês, eu nunca me diverti tanto assim. ― Falei abraçando as pernas de Bruce e Cece.
― Ela é tão doce. ― Cece disse sorrindo e me olhando abraçar a perna dela.
― Eu espero que ela não vomite no nosso pé. ― Bruce falou.
― Eu também. ― Cece sussurrou.
― Rapazes, nós temos alguns problemas na casa. ― Ouvi a voz de Pete e me afastei da perna e de Cece e de Bruce para olhar para ele. ― O que aconteceu com a sua testa? ― Ele perguntou me olhando.
― Eu bati no chão, usando a minha testa. ― Respondi. ― O que está acontecendo?
― Problemas. ― Mike apareceu com Pablo e olhou na direção da porta.
Todos nós olhamos na mesma direção. Os Alpha Tau Omega estavam ali, diferente da última vez que eu os vi usando terno, eles pareciam a mesma coisa, exceto que dessa vez usavam calça caqui skinny e camisa de linho, e mocassim nos pés.
― De novo? Só pode ser brincadeira. Eu vou pegar o meu canivete! ― Cece falou séria olhando naquela direção.
Fiquei meia assustada, Cece é realmente um iceberg cheio de segredos.
― O que está acontecendo? ― Perguntei, olhando para os rapazes encarando os Alpha na porta.
― Você fica aqui, Charlie. ― Mike falou. ― Se a coisa começar a pegar fogo. Você sai pelos fundos, entendeu?
― Charlie, entendeu? ― Pete se abaixou o suficiente para ficar a minha altura e perguntou.
― Vocês vão brigar? Tipo, briga de bar? Risca faca? ― Perguntei animada. ― Posso ver? Eu nunca vi uma briga antes, a não ser na televisão.
― Mierda! ― Pablo praguejou e saiu correndo naquela direção, quando eu olhei vi os gêmeos brigando com eles.
― Não na minha boate, não na minha boate! ― Cece gritou e saiu indo naquela direção. Assim como Pete, Mike, Bruce e Bobby.
― Fica aqui! ― Pete gritou antes de correr naquela direção.
― Isso é tão legal! ― Falei para as meninas olhando a confusão naquela direção mas quando fui ver vi que elas já estavam lá também.
Eu não sei se foi a bebida ou o fato de estar tocando Howlin' For You do The Black Keys que me deu essa coragem mas sim, lá estava eu, correndo em direção a uma briga de bar sem nem saber como dar um soco na vida.
― Eu quero brigar também! ― Gritei e pulei nas costas do primeiro garoto que encontrei.
Envolvi meus braços em torno do seu pescoço e minhas pernas em torno da sua cintura, ficando presa a ele como se ele fosse uma tartaruga e eu o casco.
― Pessoal, eu peguei um! ― Gritei.
― Sai de cima de mim, sua louca! ― Ele gritou tentando se soltar e percebi que era Johnny.
― Oi Johnny! ― Falei animada. ― É bom ver você, sabe eu sou meia nova nesse negócio de briga de bar então eu não sei como funciona ainda, mas agora eu vou morder a sua cabeça porque seu cabelo parece sedoso e eu particularmente acho morder a orelha uma coisa muito nojenta. ― Assim que terminei de falar eu mordi a sua cabeça e ele gritou.
― Charlie! ― Ouvi Pete gritar e me olhar confuso enquanto eu mordia a cabeça de Johnny montada em suas costas. ― O que você está fazendo?
― Brigando! ― Respondi com a boca ainda contra a sua cabeça.
Olhei para o lado e vi Cece dando um mata leão em um garoto e então ela sorriu para mim e fez um joia com a mão.
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