Charlie é o Cara
49 Retiro de férias para super vilãs.
Notas iniciais
POV-Charlie
A semana que prosseguiu após a adorável cena de Peter na sala de casa foi como um flash. Alguns dias pareciam não ter horas o suficiente para tudo o que eu precisava fazer e todo o tempo que eu queria passar com Peter. Os rapazes aceitaram numa boa, da forma deles, é claro. Eu ainda podia perceber Bruce, Mike e Jon sussurrando pelos cantos, eu sabia qual era a insegurança deles, porém eles pareciam felizes, porque eu e Peter estávamos felizes. Já Pablo, Joe e Bobby estavam mais animados do que nós dois quanto a isso.
Peter e eu passamos essa semana fazendo piadas muito ruins que nos faziam rir muito de madrugada, o que deixava os rapazes irritados porque não calamos a boca, temos brigado pelo cobertor na cama e também estamos determinados a achar uma música que seja a nossa. Nós temos tirado muitas selfies ridículas também, temos assistido a filmes com os rapazes e eu finalmente consegui convencê-los a assistir o Diabo Veste Prada, Mike adorou. Peter quer conhecer os meus pais, o que eu acho que é uma péssima ideia, nós também temos tido conversas interessantes sobre quem ganharia uma briga, um dragão ou um dinossauro, enquanto tomamos café da manhã. As nossas sessões de pegação também se tornaram constantes, especialmente porque parecia que éramos interrompidos toda vez. No quarto, na sala, na cozinha, no banco de trás do seu carro, na aula do Killian, nas arquibancadas do campo de baseball, na biblioteca, em qualquer canto que ficamos sozinhos por mais de cinco segundos. E eu acho que até agora o nosso ''relacionamento'' está indo bem.
Falando em Peter, que por sinal eu estava obrigando a ir frequentemente as aulas, as vezes até falamos sobre ele voltar para o seu primeiro curso, que é no que ele realmente é bom, arquitetura. Mas ele ainda parece relutante a isso, então eu simplesmente não quero pressiona-lo. Mas ele é muito talentoso para deixar isso de lado. Nos últimos dias ele passa tanto tempo assistindo a aulas, que as vezes aparece até nas minhas com Killian. O que deixa o velho professor bastante irritado porque nós dois não paramos de dar risadinhas, conversar e brigar no fundo da sala, Killian quase nos acertou com uma caneta hidrográfica uma vez.
Cece está trabalhando duro para ser uma Kappa novamente. O que tem deixado Angel ocupada o suficiente com ela para se importar comigo, o que tem sido ótimo. Não que eu esteja feliz por Cece estar tendo de aguentá-la, mas eu apenas não consigo me lembrar da última vez em que estive tão feliz. Ela também voltou a dançar balé e deixou o seu emprego na Hot Dolls por enquanto, nós temos nos revezado em turnos para não deixá-la sozinha.
Amy e Pablo tem estado muito próximos de novo, o que faz eu e Peter suspeitarmos se eles não estão juntos novamente, mas eles parecem apenas bons amigos. Ela até fez o bigode deles esses dias. Falando sobre pessoas próximas, tem Mary e Johnny, o que do meu ponto de vista é algo muito... esquisito. Mas quem sou eu para julgar, não é? Eu só fico preocupada com o que ele pode fazer a ela, porque eles estão realmente próximos e Johnny ainda parecer ser bem... o mesmo Johnny, pelo menos conosco. Eu só não queria que Mary se magoasse.
Katherine também tem estado distante esses dias, Angel ainda não fala com ela e todas as vezes em que fui me encontrar com ela nessa semana, ela parecia... eu não sei, não ela mesma. Eu diria até um pouco desanimada.
Tudo parece estar bem de certa forma, mas eu ainda me sinto incomodada com essas pequenas coisas. É como se eu não conseguisse mais desligar o meu lado que está sempre preocupado com as pessoas.
― Anda logo, Peter! ― Gritei a quatro metros de distância dele. ― Se ir mais devagar que isso eu vou fazer noventa anos!
― Oh Deus! ― Ele fungou, se dobrando ao meio com as mãos apoiadas nos joelhos, tentando respirar. ― Charlie! Charlie, eu acho que estou tendo um ataque cardíaco!
― É impossível você estar tendo um ataque cardíaco, Peter. ― Apertei a ponte do nariz e fechei os olhos, acenando negativamente. ― Nós só corremos um quarteirão!
― O quê? Como assim? Você está contando errado. ― Ele continuou respirando ofegante e se apoiando nos joelhos. ― Tem certeza que contou certo?
― É claro que eu tenho, Peter! Porque foi só um quarteirão! ― Gritei, furiosa e comecei a caminhar na sua direção. ― Então comece a mexer essas pernas magras e volte a correr ou vou te dar um bom motivo para ter um ataque cardíaco!
Para começar, a ideia de fazermos exercícios juntos foi dele. Mesmo sabendo que ele não ia fazer é nada, eu decidi acompanhá-lo nessa loucura. Meu adorável namorado que não consegue correr por um quarteirão.
― Hei Pete, se você morrer, posso ficar com o seu quarto e a sua namorada? ― Mike gritou da varanda de casa, arrancando gargalhadas de Bruce e Bobby.
Ele e os meninos haviam feito apostas sobre a nova ideia de Peter. Mike disse que ele não passava de um quarteirão, Bruce disse que ele não ia conseguir sair de casa e Bobby aposto que ele nem sabia como correr. Eu quase apoiei Bobby.
― Cala a boca! ― Peter gritou de volta. ― Deixa eu me recuperar e vou aí chutar a sua bunda.
― Ok, vamos lá, vamos voltar para a casa! ― Falei ao chegar na frente dele, ajudando-o a se erguer. ― Você não está preparado para isso.
― É claro que eu estou, Charlie. Só estou um pouquinho fora da forma.
― Um pouquinho? ― Cerrei meus olhos para ele.
― É, sabe... quase nada. Amor, eu sou um atleta. ― Ele disse, abrindo um daqueles sorrisos convencidos e piscando para mim.
― Pelo amor de Deus, Charlie! O que você está fazendo ainda com esse cara? ― Foi Bruce quem gritou agora.
― Eles só estão com ciúmes, olha só para mim, prontinho para os exercícios. ― Fiz uma pausa e não respondi, apenas fiquei o olhando, esperando a sua confissão. ― Ah, eu não estou enganando ninguém, me tira daqui, não quero vomitar na frente deles.
― Esse é meu namorado! ― Sorri para ele e deixei ele passar um braço em torno dos meus ombros para apoiá-lo.
Ele sorriu e beijou a minha bochecha com o seu rosto suado. Depois que Peter tomou um pouco de água e se recuperou do seu pequeno ataque cardíaco, nós decidimos que seria melhor ir devagar com o exercícios e começar com uma caminhada. Ele pelo menos conseguiu andar dois quarteirões sem começar a reclamar agora.
Nós andamos por algum tempo e chegamos até os prédios de artes da faculdades, fomos até a ala de dança para fazer uma visita a Cece.
Nós a encontramos em um grande estúdio sozinha. Praticando a alguns passos ao som de Partition da Beyoncé.
― Alguém acordou inspirada. ― Peter falou com a boca próxima a minha orelha ao passarmos pela porta.
― Uma garota tem que se divertir, não é? ― Sorri para ele.
Cece parou de dançar no momento em que nos viu ali e abriu um largo sorriso animado. Seu rosto estava levemente corado graças ao esforço e ela parecia um pouco ofegante. Atravessou o salão saltitando e veio até nós.
― Já era em tempo de eu receber uma visita! Mas a minha pergunta é, o que vocês estão fazendo de pé essa hora?
― Ah, você sabe... Peter está disposto a começar uma vida saudável. ― Me virei para ele. ― Vamos ver por quantos dias...
― Eu estou empenhado nisso, ok? Porque ninguém acredita em mim? ― Ele cerrou os olhos para nós duas.
― Porque você é basicamente a pessoa mais preguiçosa que eu conheço, Pete. ― Cece respondeu.
― Mas eu jogo baseball! ― Ele falou indignado.
― Não é como se fosse um esporte que exige muito de você né. ― Tive que apertar os lábios para segurar o riso.
― Eu não quero mais falar com vocês hoje. ― Peter disse emburrado, cruzando os braços sobre o peito.
Eu e Cece olhamos uma para a outra e trocamos um sorriso.
― Então, tudo pronto para hoje? ― Perguntei.
― É, tudo pronto. Eu só preciso passar em casa para ir pegar mais uma coisinhas.
― Você quer que eu vá com você? Porque eu e Peter nós já acabamos aqui, eu realmente não acho que ele aguente correr mais um metro.
― Não, está tudo bem. ― Cece riu e olhou para Peter, que estava andando pelo enorme salão.
― Você tem certeza? Porque eu realmente não tenho nada para fazer agora.
― Charlie, está tudo bem! Relaxa... Eu só vou pegar algumas coisas, posso fazer isso sozinha. Não se preocupe, ok? Eu aprecio o que vocês estão fazendo por mim mas, não precisam estar fazendo o tempo todo.
― O que nós estamos fazendo? ― Tentei disfarçar. ― O que nós estaríamos fazendo?
― Ah, não tente disfarçar, você é uma péssima mentirosa. Charlie, a única pessoa que eu suspeito que foi mais vigiada do que eu estou sendo por vocês, é o Osama bin Laden pelos Estados Unidos.
― Está tão na cara assim? ― Me encolhi um pouquinho de vergonha.
― Está na cara e no corpo todo, escrito na sua testa. ― Ela riu. ― Mas está tudo bem, eu sei que vocês só estão tentando cuidar de mim.
― Hey, é isso que vocês de artes tem como leitura? Porque se for, eu vou virar um dançarino agora. ― Peter falou a alguns metros de distancia, ele estava de pé ao lado da bolsa de Cece, segurando um livro na mão.
― Peter, para de mexer nas coisas dos outros! ― O adverti.
― Não, é só algo que eu estou lendo para a situação com Angel. Ela está dura na queda, tenho quase certeza que li algo aí sobre um artigo que diz que pode se haver uma nova eleição de presidente se os membros da fraternidade votarem a favor. ― Cece explicou. ― Eu só não me lembro onde.
― Porque você não me perguntou? Eu conheço isso aqui até de trás para frente. ― Peter falou, folheando o livro e começando a caminhar na nossa direção. ― Eu tive que ler isso quando me tornei presidente, é um saco, mas as vezes é útil.
― O que é isso? ― Perguntei.
― É o livro de regras das fraternidades gregas, é como uma constituição das fraternidades ou um manual. Leis, artigos, conselhos, essas coisas... Bem aqui... ― Peter falou ao parar do nosso lado. ― É bastante parecido com um impeachment político, o povo pede e a tirana é tirada do poder. ― Ele sorriu ao dizer tirana, um bom título a Angel. ― Não é um processo complicado, tudo que você precisa é conseguir o apoio dos membros da casa para isso, convocar uma reunião com o conselho grego e a reitoria e apresentar a sua proposta, eles vão averiguar o caso e se as coisas forem como o determinado, está no papo. Uma nova eleição é tomada.
― Ótimo, eu posso fazer isso. ― Cece disse sorrindo e animada.
― Mais ou menos, temos um pequeno problema aí... ― Peter falou, ainda olhando para os livros. ― Para iniciar o processo, você precisa ser um membro da fraternidade. ― Ele levantou os olhos das páginas e olhou para Cece.
― Mesmo eu já sendo um dia membro da fraternidade, isso não conta? ― Ela perguntou.
― Creio que não, não tem nada aqui que diga isso, é bem claro quando diz que tem que ser um membro da fraternidade atualmente.
― É, estava fácil demais mesmo. O que eu vou fazer agora? ― Ela olhou de Peter para mim.
― Consiga uma garota dentro da casa. ― Falei. ― Você deve ter amigas lá dentro ainda e garotas que ainda te consideram, todo mundo odeia Angel, você só precisa de uma líder para iniciar o problema. ― Sorri para ela.
― É... mas quem pode fazer isso?
Cece nos deu uma carona para a casa, Peter foi para a casa e eu parei nos dormitórios para falar com Amy. Eu tinha no máximo cinco horas para convencê-la a mudar de ideia e ir para Las Vegas conosco. Mesmo ela e Pablo estando bem, Amy não estava certa de que devia ir.
Parei na frente da sua porta e bati, depois de todas as coisas que eu vi nesse quarto era sempre seguro bater antes de entrar.
― Amy, sou eu. Você está descente? ― Perguntei por trás da porta.
― Com descente você quer dizer o que? ― Ela gritou de volta.
― Você sabe o que eu quero dizer.
― Bom, então não, eu estou nua. Usando uma toca para hidratação de cabelo e não me depilo tem dois meses.
Fiz uma careta.
― É sério?
― Muito sério! ― Ela gritou de volta.
― Ah, foda-se. ― Abri a porta de qualquer jeito.
Amy estava sentada na sua cama, vestindo um pijama e com cara de quem havia acabado de acordar.
― Então tudo aquilo foi só para me manter longe? ― Eu perguntei.
― É, mas não funcionou. Na próxima eu vou dizer que estou com varíola ou ebola.
― Você é uma pessoa horrível. ― Falei com a boca aberta.
― Bom, isso não me mantem acordada a noite. ― Ela deu de ombros. ― Sabe, ontem eu li uma coisa na internet sobre a sua espécia, vocês estão sendo extintos, sabia?
― Minha espécie? ― Cerrei os olhos para ela e entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim.
― É, as pessoas ruivas.
― Eu não sou ruiva! ― Falei irritada e Amy abriu um largo sorriso. ― Sério? Acordou no clima para me irritar? Você é realmente a melhor amiga do mundo.
― Eu faço o que eu posso, senhorita Eu Sou Loira Morango. ― Ela sorriu convencida.
― E onde está a Mary? ― Apontei para a sua cama vazia.
― Ah, ela saiu cedo com o Encantado. Você acha que é normal uma pessoa parecer tão atraente as seis da manhã? ― Amy perguntou.
― Eles estão passando muito tempo juntos, você não fica preocupada? ― Perguntei.
― Preocupada? Preocupada com o que? Ela ficar grávida do cara mais gato e rico da faculdade? Eu ficaria é orgulhosa.
― Amy! ― Fiz uma pausa. ― Você acha que eles... bom, você sabe...
― Se estão dando umas voltinhas pelas terras do paraíso sexual? Hum, não, eu acho que ainda não. Ele parece educado demais para isso e ela muito pura, quando acontecer, o meu radar não vai falhar. Eu posso cheirar sexo de longe, falando nisso, isso está exalando de você. ― Corei levemente de vergonha com o que ela disse.
― E logo em seguida ele parte o coração dela e isso vai destruí-la para sempre. ― Falei, me sentando na cama de Mary.
― Ou talvez não.
― Ah, por favor Amy! Não diga que você realmente acredita que ele simplesmente se tornou um cara legal e vai ficar com ela.
― Quem sabe, né? ― Ela deu de ombros. ― Eu só acho que você está julgando muito para alguém que está namorando Peter.
― Peter é diferente. ― Retruquei rapidamente.
― Tem certeza?
Certeza absoluta eu não tinha, mas Peter ainda não havia me dado motivos para acreditar no contrário e eu nem queria acreditar. Mas decidir não insistir no assunto.
― De qualquer forma, não vim aqui para falar disso. ― Continuei, mudando o rumo da conversa. ― Estou aqui para te convencer a ir a Las Vegas.
― Nós já conversamos sobre isso.
― Mas podemos conversar de novo, não acha? ― Abri um largo sorriso para ela. ― Amy, por favor! Todo mundo vai, até mesmo a Mary. Você tem que ir!
― Eu disse que não estou no clima para isso.
― Não está no clima? Você só não quer ir por causa do Pablo, mas agora vocês estão numa boa. Ele está chateado que você não vá.
― Ele está? Então porque ele não me disse? ― Ela me olhou em dúvida.
― Porque ele é um garoto e os garotos são idiotas. Eu ouvi ele falar para os rapazes ontem. ― Eu realmente tinha ouvido. ― Por favor, não vai ser a mesma coisa se você não estiver lá.
― Eu não sei, Charlie. Eu não sinto que é para eu ir.
― Você não sente ou não quer? Porque tudo isso começou quando você se aproximou dele de novo. ― Me levantei da cama de Mary. ― Bom, acho que nós já tivemos essa conversa. Eu não vou insistir, se você mudar de ideia, me ligue.
Abri um sorriso amigável para ela antes de sair. Desci as escadas do dormitório correndo e assim que sai para fora, peguei Johnny parando a sua moto ali, com Mary na garupa agarrada nele como se sua vida dependesse disso e provavelmente dependia. Esperei ele parar ali e ela descer da moto, entregando o capacete para ele com um sorriso. Ele levantou a vidreira negra do seu capacete quando me viu e piscou para mim em um comprimento.
Exibido, pensei. Mary se despediu dele e ele saiu dali, cantando pneu. Ela veio até mim e sorriu animada.
― Oi Charlie!
― Oi Mary, tudo pronto para hoje? ― Perguntei.
― É, tudo ok. ― Ela sorriu. ― Algum problema? Você parece incomodada com alguma coisa.
― Não, é só a Amy. Se você conseguir enfiá-la na sua mala, eu agradeço. ― Falei rindo.
― Ah, eu posso tentar mas não garantir sucesso. ― Ela sorriu.
― Ok. ― Fiz uma pausa e não resistir perguntar. ― Então, qual é o lance com Johnny?
― Johnny? ― Ela apertou bom os lábios. ― Bom, nós somos amigos. Nós nos beijamos na biblioteca e ás vezes em outros lugares também. Nós gostamos das mesmas coisas e ele me mostra coisas novas. E eu gosto dele. ― Mary abriu um largo sorriso bobo que fez seus olhinhos brilharem.
Sorri junto com ela, eu sei que ela gosta. Assim como eu também gosto de Peter, gosto tanto que as vezes até me deixa cega quanto as minhas inseguranças.
― Só... tenha cuidado, ok? ― Não foi um conselho apenas para ela, foi para mim também. ― Vejo você mais tarde.
Eu realmente precisava correr para a casa para terminar de arrumar a minha mala porque eu sabia que Peter não podia fazer isso para mim sem ser um desastre, ele ia simplesmente encher a mala de calcinhas. Mas antes de ir, eu tinha que ir a mais um lugar.
― Katherine, sou eu. ― Falei ao bater na porta da sua sala. ― Você está aí?
A porta se abriu. Ela estava enrolada em um roupão, vestindo calças de pijama e pantufas. A cara era de quem não dormia a dias e o seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo baixo. Acho que pela cara de nojo que eu fiz ela percebeu como estava mal.
― Não posso dar conselhos hoje, como você pode ver.
― É, eu posso. Você está parecendo um filhote de ratazana. ― Tentei usar a coisa mais gentil comparada a sua situação.
― Charlie, você sabe como me animar. ― Ela disse, me olhando como se eu fosse a morte. ― Como eu disse, não estou em condições para aconselhar ninguém hoje.
― Nem hoje e nem nunca né. ― Murmurei.
― O quê? ― Ela perguntou.
― Nada não, deixa para lá! ― Forcei um sorriso otimista. ― Eu não estou aqui para receber conselhos, eu só estava preocupada com você. Cada dia parece que você está pior. ― Falei sinceramente. ― Você quer conversar?
― Eu não sei, Charlie. Eu acho que não.
― Ah, ok. ― Essa definitivamente não era a resposta que eu estava esperando. ― Algum progresso com Angel? ― Ela apenas acenou negativamente.
Ela realmente não parecia a mesma. Mesmo ela sendo uma péssima mãe e Angel uma filha horrível, elas se amavam muito, pelo menos Katherine a amava.
― Era só isso?
― Na verdade... ― Eu sabia que ia me arrepender amargamente disso mais tarde. ― Eu vim aqui também para te fazer um convite. Os rapazes vão fazer o aniversário do Pablo em Las Vegas, eles conseguiram uma suíte no Caesars Palace, não faço ideia de como eles vão pagar por ela mas vai ser divertido. E nós gostaríamos muito que você viesse.
― Oh... ― A expressão dela mudou para surpresa total. ― Eu não esperava por isso. ― Ela ficou com a boca aberta por um momento.
― Você precisa de um pouquinho de diversão e com certeza nós vamos ter de sobra lá. ― Fiz uma pausa e sorri para ela. ― Então... você vem?
Ela abriu um largo sorriso animado, é, isso era um sim.
POV-Angel
― Finalmente! Onde você estava? ― Falei irritada ao Johnny passar pela porta do seu quarto. ― Quem você pensa que eu sou para me fazer esperar desse jeito?
Ele abriu um sorriso brincalhão para mim e colocou dois capacetes sobre a mesa de canto do seu quarto.
― Estava com a freirinha de novo? ― Perguntei.
― Já falei para não deitar na minha cama com sapatos. ― Ele disse, sem responder a minha pergunta. O que significava que sim.
Olhei para os meus saltos e depois para ele.
― Isso é Dolce Gabbana, tem mais classe do que a maioria das garotas que você come aqui.
― Acordou cedo hoje. Planos para destruir a vida de alguém? ― Ele disse debochado, se sentando na beirada da cama.
― Cuidado com essa língua que posso destruir a sua. ― Sorri para ele. ― Eu estava pensando que poderíamos ir para Vegas esse fim de semana.
Johnny gargalhou ao me ouvir falar.
― Engraçado. ― Ele me olhou. ― Já vi que você andou escutando coisas por aí.
― Um passarinho me contou que Peter e sua comitiva de mexicanos, idiotas, strippers e companhia, estão indo para Las Vegas nesse final de semana. Eu estou ofendida que não fui convidada para a festa.
― Você jura? ― Disse de maneira irônica.
― Eu quero ir. ― Fiz uma pausa e completei. ― Nós vamos ir.
― Quer ir fazer o que lá? Se não gosta deles aqui, porque acha que vai ser diferente lá?
― Não acho que vai ser diferente, vai ser uma experiência interessante. Cece está sendo um pé no saco nos últimos dias com a ideia de voltar a Kappa e ainda tem Charlie, se ela pensa que me esqueci dela.
― Cece? Porque simplesmente não a deixa voltar a ser uma Kappa? Não é como se ela fosse uma ameaça real para você.
― Johnny, se tem algo que eu aprendi é sempre cortar um mal pela raiz. Exatamente como Cece, se eu tive que dar tão duro para pegar o lugar dela, porque eu simplesmente vou baixar a guarda e deixar ela voltar para o circulo agora? Gostando ou não, ela é uma ameaça.
― E quanto a Charlie?
― Eu quero magoá-la e a maneira perfeita de fazer isso é Peter.
― Tem certeza que é isso que quer? Não acha que está tomando atitudes precipitadas ou indo longe demais?
― Porque diabos você acha que eu deveria fazer diferente? ― Cerrei meus olhos para ele, sem entender o motivo de tudo isso.
― Bom...
― Foi uma pergunta retórica, idiota! ― Revirei os olhos e o impedi de continuar. ― Ela entrou no meu caminho, então ela paga.
Johnny soltou um suspiro descontente mas também não discutiu mais. Foi quando Louis entrou no quarto e parou no momento em que me viu ali na cama.
― Angel. ― Ele olhou para Johnny, surpreso. ― Você por aqui tão cedo? Passou a noite aqui?
― Não, quem me dera. Johnny não me acha fina o suficiente para a cama dele. ― Falei irônica, me arrastando para fora da cama.
― Ela já está de saída. Está com o humor péssimo, você não vai querer nem olhar para ela. ― Johnny disse rabugento para o amigo.
― Hey Louis, olha só... eu e Johnny estávamos pensando em ir para Vegas nesse fim de semana, o que você me diz?
― Vegas? ― Ele repetiu, sobre suspeita.
― O que eu achei uma péssima ideia. ― Johnny falou.
― Você não sabe de nada. ― Retruquei. ― Então Lou-Lou, o que me diz? ― Parei ao seu lado e deslizei a unha do dedo indicador pelo seu peitoral sobre a camisa. ― Um pouco de diversão em Vegas?
― É... bem... ― Ele olhou para Johnny em dúvida, sem saber o que dizer. ― Acho que tudo bem.
― Ótimo! Saímos em algumas horas, eu mando mensagens para vocês quando terminar as minhas malas. ― Pisquei para eles e sai dali.
― O que você fez? ― Escutei Johnny reclamar para Louis.
POV-Pete
― Você falou com o Killian? ― Perguntei a Pablo.
Eu estava deitado na sua cama, com meu corpo morto enquanto ele andava de um lado para o outro no quarto colocando as coisas dentro da sua mochila.
― Cara, fazer exercícios é difícil. Eu acho que quero ser sedentário para sempre.
― Sim. Ele disse que me manda mensagem no whatsapp depois para falar se vai com a gente ou não, ele disse que está com dor nas coisas por causa das coisas que fez com um tailandesa no começo da semana. ― Fiz uma careta com a imagem que veio a minha mente assim que Pablo respondeu.
― Eca. ― Murmurei.
― Ele também disse que quer tomar uma bebida com o meu pai. ― Ele completou.
― E quem não quer? ― Joe falou ao passar pela porta do quarto, arrastando uma mala pelo corredor.
― Joe, o que é isso? ― Perguntei, enquanto ele arrastava a mala para longe. Espero que não seja um corpo.
― Eu não sei qual camiseta levar, então estou levando todas elas. ― Ele respondeu, então ouvi o som dele chutando a mala escada abaixo e então Bruce soltando um grito de dor.
― Nós deveríamos levar o meu pai também. Ele também é velho. ― Fiz uma pausa, pensando. Acho que meu cérebro também está meio morto. ― E velho. E solitário.
Pablo abriu um pequeno sorriso para mim.
― Hei! ― Bobby apareceu na porta e bateu no batente da mesma para chamar a nossa atenção. ― Sua mãe vai estar lá?
― Que tipo de pergunta é essa? ― Pablo perguntou confuso.
― Apenas uma pergunta. ― Ele fez uma longa pausa. ― Pura curiosidade. Sabe, só por saber.
Eu sabia muito bem o porque dessa pergunta.
― Hei, alguém sabe se a mãe gostosa do Pablo vai estar lá? Porque se for, eu vou fazer uns abdominais. ― Jon gritou no corredor.
― Aí está... ― Murmurei baixinho.
― Hijo da puta. ― Pablo cerrou os olhos e resmungou.
― Então, ela vai estar lá? ― Perguntei.
Pablo me olhou de boca aberta, sem acreditar.
― O quê? Eu só estou curioso mesmo! Eu não tenho nada a ver com isso. ― Eu ia dar de ombros, mas não conseguia mexê-los. ― Eu adoro a sua mãe!
― Todos vocês adoram, até um pouco demais!
― Eu amo a sua mãe. ― Bobby sussurrou, como se confessasse um segredo.
― Sim, a minha mãe vai estar lá. Assim como meu pai. Que por sinal é casado com ela. ― Pablo respondeu para todos nós.
― Eu odeio o seu pai. ― Bobby sussurrou antes de deixar o quarto.
― Eu amo o seu pai. ― Falei, sorrindo para ele. ― Amo. Muito.
― E onde é que está a sua namorada? ― Pablo perguntou, fechando a mochila.
― Ah, provavelmente por aí, fazendo o mesmo de sempre... ― Sorri para ele. ― salvando o mundo. Enforcando pessoas. Destruindo homens. Essas coisas. Outro dia adorável na vida de Charlie Hamilton.
― E como tem sido isso, de namoro. Você está levando numa boa? Não está surtando? ― Ele perguntou.
― É, tem sido ótimo. Nós dormimos de conchinha, podemos fazer sexo a qualquer momento, até as brigas são interessantes... Sabe, ontem nós estávamos brincando de lutinha e sem querer eu posso ter acidentalmente deixado ela cair de cabeça da cama de novo, mas e daí, nós fizemos sexo e dormimos de conchinha do mesmo jeito.
― Aquele barulho ontem a noite foi a cabeça dela? Eu pensei que o caminhão de lixo tivesse batido de novo. ― Pablo disse horrorizado.
― Foi um acidente, não foi tão alto assim.
― É, só deve ter causado um buraco na crosta terrestre. ― Ele fez uma pausa. ― De qualquer jeito, no começo é sempre assim, é como casamento... Mas mal posso esperar pela primeira TPM, para quando ela quiser matar você, quando ela ficar enciumada ou ainda pior... quando ela pensar que está gravida. ― Ele abriu um sorrisinho. ― Isso eu quero ver.
― Não, Charlie não é assim!
― Ela tem outra coisa no lugar que deveria estar sua vagina? ― Ele perguntou sério demais para estar brincando.
― Não.
― Então ela é exatamente assim.
Não, Charlie não era assim. Esse era o primeiro motivo de nós nos darmos tão bem, ela não era como as outras garotas. Nós éramos amigos antes de namorados.
― Como é que você sabe disso? ― Perguntei. ― E não diga que assistiu na Oprah.
POV-Charlie
Quando cheguei em casa, encontrei Peter sentado na velha poltrona reclinável que ficava na varanda, com uma garrafa de cerveja na mão. Ele havia acabado de tomar banho a julgar pelo seu cabelo molhado. Me cumprimentou com um sorriso e eu sorri de volta, subindo os degraus da entrada correndo para chegar até ele.
― Finalmente. ― Ele falou. ― Já estava começando a ficar preocupado.
― O que? Pensou que eu tivesse sido sequestrada? ― Peter riu e acenou negativamente com a cabeça.
― Estava mais preocupado com o fato de você ter caído na realidade e dado com o pé dessa loucura. ― Ele disse e piscou algumas vezes seguidas, então deu um gole na sua cerveja.
― Qual loucura? ― Perguntei, acabando com a distância que havia entre nós com três passos. Me sentei sobre uma das suas pernas.
― Isso tudo. ― Peter olhou para mim. ― Eu, você, os rapazes. Você está feliz aqui? Tipo, de verdade? Aqui, conosco, comigo?
― Peter? ― O olhei sem entender. ― Que tipo de perguntas são essas? ― Eu acabei rindo, sem conseguir entender nada daquilo.
― Isso vai mudar algum dia? Eu e você, nós vamos nos tornar um daqueles casais que se odeiam? Eu algum dia vou desejar que alguém atire em mim do que ouvir você falar por mais um momento? Porque eu não consigo pensar em algo pior para acontecer, nem mesmo um apocalipse zumbi. ― A última coisa me fez rir.
― É isso que está te preocupando? ― Perguntei, passando os braços em torno dos seus ombros.
― É só que... eu gosto de você, Charlie. Gosto tanto que as vezes não sei como lidar com essas coisas. ― Ele encolheu os ombros.
― Bom, eu não acho que você deva se preocupar com isso agora, porque eu nunca estive tão feliz. ― Sorri para ele e deslizei meus dedos entre os fios do seu cabelo.
― Sério?
― Nunca falei tão sério! ― Tentei fazer a melhor cara de seria que consegui.
Verdade seja dita, eu não me sentia tão feliz assim já havia muito tempo. Eu estava apaixonada por Pete, eu amava os meninos, Amy, Cece, Mary e até mesmo Katherine e Killian. Eles eram a minha nova família, completamente louca e disfuncional, mas são o que eu tenho.
― Então as coisas não vão mudar? ― Ele perguntou, puxando as minhas duas pernas para o seu colo.
― Não. ― Fiz um sinal negativo com a cabeça.
― Não mesmo?
― Não mesmo. ― Repeti, sorrindo para ele e depositando um selinho no canto do seu lábio.
― Nem mesmo quando você estiver de TPM? ― Ele continuou.
Gargalhei com a boca contra a sua e ele riu também.
― Bom, eu não posso garantir. ― Encolhi meus ombros. ― Mas eu vou fazer o meu melhor.
― Bom saber. ― Ele sorriu e usando apenas o pé, ele reclinou a poltrona, deitando a mesma e me fazendo cair sobre ele.
Soltei um gritinho fino de surpresa e olhei para ele com desconfiança.
― Sabe Margarita, eu acho que devíamos começar a ficar indecentes. ― Ele disse com um sorriso malicioso, me fazendo rir ao dizer Margarita.
― Oui. ― Falei em francês, fazendo-o rir.
― Que tipo de indecências você gostaria de fazer comigo, senhorita?
Fiz uma pausa e olhei para ele séria.
― Eu não sei falar francês, Peter.
― Então o que você sabe dizer?
― Oui.
O seu sorriso se alargou.
― Bom para mim. Vamos inaugurar essa poltrona, ela tem uma inclinação ótima.
― Ah, inaugurar? ― Eu sorri para ele. ― Aqui? Na varanda? Onde a faculdade inteira pode ver, bem no meio do dia, com a luz do sol como testemunha?
― Com certeza, amor. Sorte de quem ver, eles vão ter uma ótima visão da sua bunda linda. ― Ele colocou uma mecha do meu cabelo que escapou do rabo que eu havia feito atrás da minha orelha. ― Na próxima vez que nós jogarmos eu nunca, você vai ter mais uma coisa pela qual beber. ― Peter aproximou a boca da minha orelha para sussurrar isso, me fazendo rir.
Senti o toque quente dos seus lábios deslizar pela minha orelha e mordiscar o meu lóbulo levemente, e a pressão da sua mão contra a minha bunda. Virei meu rosto para beijá-lo quando parei bruscamente ao ouvir:
― Deus, parem de estar apaixonados. ― Mike resmungou, parado ao nosso lado com olhar de nojo. ― Credo. ― Ele saiu andando.
― E lá se vai a minha ereção. ― Peter falou, jogando a cabeça para trás na poltrona.
― É. ― Concordei e lhe dei um tapinha no ombro. ― Quem sabe da próxima vez, bonitão. ― Falei ao sair do seu colo.
― Odeio ele. ― Pete resmungou, dando um gole na sua cerveja e inclinando a poltrona para se sentar novamente.
― Eu sei. ― Disse rindo. Lhe dei um rápido beijo sobre sua têmpora e entrei.
Subi para tomar um banho e terminar de arrumar as minhas coisas. Eu estava terminando a minha mala quando Cece, Mary e Amy chegaram.
― Onde é que estão as suas coisas? ― Perguntei para Amy, assim que ela entrou no quarto junto com as garotas.
― Eu já disse que não vou. ― Ela respondeu. ― Vamos ter outra DR sobre isso?
― O que é DR? ― Mary sussurrou.
― Discutir relação. Tipo, que nem um casal. ― Cece explicou. ― Eu estou com fome, tem alguma comida nessa casa?
― Cece! Mary! Digam alguma coisa!
― Minha mãe sempre diz... em briga de marido e mulher, não se mete a colher. ― Mary falou, acenando positivamente.
― Apoiada! ― Cece acenou positivamente. ― E quanto a comida?
― Não tem comida! Não tem a Amy e vocês precisam convencê-la a ir! ― Falei. ― Eu sou a única que está surtando aqui?
As três olharam de uma para a outra.
― Bom, eu acho que vou procurar comida por aí. Deve ter alguma coisa comestível nessa casa. ― Cece falou e foi sair do quarto.
― Cece! ― Gritei. ― Fica aí! Amy!
― Charlie! ― Amy falou. ― Eu não vou, ok? E não tem nada que vá me fazer mudar de ideia, meu Deus, porque você está fazendo disso uma coisa tão grande? Parece que está mais preocupada com isso do que Pablo que é o aniversariante.
― Porque eu estou! ― Eu falei. ― Eu quero você lá. Não vai ser a mesma coisa sem você. É demais pedir isso?
― Tem momentos que uma andorinha tem que voar sozinha. ― Mary falou, se sentando na cama.
― Porque você está falando de andorinhas? ― Cece perguntou confusa.
― Eu sempre achei que andorinha combinava mais como o nome de algum peixe. ― Amy falou. ― Vocês não concordam?
Apertei a ponte do nariz sem acreditar que elas estavam mesmo falando sobre andorinhas.
― Você não vai ir mesmo, não é? ― Perguntei uma última vez a Amy, já sabendo a resposta e finalmente aceitando a situação.
― Não. ― Ela falou e acenou negativamente com a cabeça. ― Mas... não é porque eu não vou que vocês não vão se divertir, Charlie. Qual é, se tem pessoas que sabem como curtir uma festa são vocês. E não quero que se preocupem comigo, ok?
― Ok. ― Concordei sem opção. ― Mas ainda queria que você fosse.
― Ah, eu sei. Você tem que me amar um pouquinho menos, vem cá. ― Ela disse irônica e me abraçando.
― Não abusa. ― Falei a abraçando de volta e ela riu.
― Agora... você quer me explicar o que é isso? ― Ela me soltou e apontou para as calcinhas na minha mala. ― Você vai lá se prostituir?
― Eu ia fazer a mesma pergunta. ― Cece falou, pegando uma das calcinhas. Um fio dental com estampa de leopardo.
― Peter gosta delas. ― Dei de ombros.
― É claro que gosta, qualquer pervertido gostaria. ― Amy completou, enquanto Cece colocava a calcinha de volta na mala.
― Olha aqui, se você não vai viajar, também não tem direito de criticar, ok? ― Apontei com o indicador para ela e falei séria, era a única maneira de fazer ela parar com isso.
― Haha, quero ver quem vai me impedir. ― Ela falou debochada.
Fuzilei ela com o olhar e então me virei para Cece.
― Cece, conseguiu alguém para ser o peão da salvação na sua missão de livrar o mundo da Angel? ― Perguntei.
― Não, sei que parece difícil de acreditar, mas encontrar alguém que queira derrubar a Angel é mais difícil do que parece. ― Ela respondeu, não muito empolgada com o rumo que essa história estava tomando.
― O quê? Como assim? Você pode encontrar alguém que odeia a Angel em cada esquina desse campus. E que plano é esse que eu não estou sabendo? ― Amy tagarelou.
― Encontrar alguém que a odeie é fácil, o difícil é encontrar uma Kappa que esteja disposta a bater de frente com ela que é difícil. ― Cece então contou toda a história de que falamos mais cedo sobre Angel para Amy e Mary.
― Isso seria bem mais fácil se não fosse necessário outra Kappa. ― Amy começou a falar quando Cece terminou de contar os fatos. ― Mas com certeza existe alguém ali que a odeie, eu apostaria em mais até de uma garota só... você só precisa achar a garota certa e soltar uma faísca para começar um incêndio.
― É, isso é fato. Mas vocês já consideraram a ideia de que se não for alguém que realmente a odeie, pode ir correndo contar para ela assim que souber do plano? ― Mary falou.
― É, Mary está certa. Por isso que tem que ser algo muito bem pensado. ― Cece voltou a falar.
― Precisamos de alguém que possa entrar ali e descobrir quem é que tem motivos para realmente odiar a Angel. ― Amy falou.
― E eu acho que sei exatamente quem pode fazer isso. ― Comecei a falar assim que a ideia se acendeu na minha cabeça, me virei para Mary e abri um largo sorriso.
Mary me olhou como se eu estivesse enforcando um filhotinho de cachorro.
― Eu? ― Ela se engasgou e estalou os olhos.
― Sim! Você! ― Disse empolgada. ― Você e Johnny parecem muito próximos para mim, Johnny e Angel também são muito próximos, então ele com certeza sabe de todos os podres dela como ninguém. Assim como também sabe quem entrou no seu caminho. Agora fica com você conseguir um nome para nós.
― Eu? Tipo eu? Está falando comigo mesmo? ― Ela repetiu, ainda gaguejando. Como se nada que eu tivesse falado valesse.
― Sim, Mary! Você mesma, acha que consegue tirar algumas coisas dele? É claro que consegue, ele come na palma da sua mão mesmo.
― Eu não sei não, Charlie... ― Ela disse em dúvida. ― Eu não que Johnny pense mal de mim.
― Ah, Mary, pelo amor de Deus! Não é como se ele fosse um santo também. ― Amy falou.
― Eu sei que não, mas eu gosto dele. Nós somos amigos!
― Nós também somos amigas, Mary. ― Foi Cece quem falou agora. ― Você não estaria fazendo nada de errado, na verdade, você vai ajudar a evitar que Angel continue magoando as pessoas. Acha que pode fazer isso?
Mary olhou de um lado para o outro, apertando os lábios com desconfiança. De alguma forma procurando uma saída para essa confusão. Mas sem ter opção, ela simplesmente cedeu.
― Tudo bem. Eu vou ajudar.
― Uhu! ― Amy comemorou e levantou os dois braços para o alto. ― Isso é tão empolgante, é tipo uma investigação. Acham que deveríamos ter codinomes? Já sei o meu, falcão asiático. Falcão asiático, na escuta? ― Ela fingiu que sua mão era um rádio. ― Você pode ser falcão amish, Cece é o falcão stripper e Charlie é o falcão ruivo.
― Não é ruivo, é loiro morango! ― Falei irritada.
― Tanto faz, falcão loiro morango. ― Ela deu de ombros.
― Será que meu codinome poderia ser algo como Mulher Gato ou algo assim? ― Cece perguntou.
― Cala a boca, falcão stripper. ― Amy resmungou.
Meu celular começou a vibrar sobre a cama e eu o peguei, era minha mãe ligando. Estava até demorando, já que ela não estava muito contente com essa história de viagem para Las Vegas.
― Oi mãe! ― Atendi, tentando a minha melhor voz de felicidade.
― O que você fez? ― Ela perguntou com uma voz suspeita. ― Por favor, não diga que está grávida.
― Mãe! Do que você está falando? ― Perguntei confusa.
― Sua voz, está muito doce. O que você fez?
― Mãe, eu não fiz nada! ― Ainda, pensei.
― Tem certeza? ― Ela insistiu.
― Mãe!
― Ok. Ok, eu só queria tirar a minha dúvida. Então, tudo pronto para hoje? Tem certeza que vai ir nisso mesmo? Não estou com um pressentimento muito bom.
― Mãe, está tudo bem. Tudo pronto e tudo em ordem, vai ser só o final de semana do feriado, não é como se pudesse acontecer alguma coisa.
― Charlie, muita coisa pode acontecer em um final de semana, sabia? Você é a prova viva disso!
― Mãe! Detalhes demais!
― Desculpe, eu só quis ser específica.
― Bom, de qualquer forma, Katherine vai estar lá, pode pedir a ela para manter um olho de mãe em mim e não vai ter nada com o que se preocupar.
― Katherine vai estar lá? ― Ela gritou. ― Agora sim é que eu estou preocupada.
― Katherine vai estar lá? ― Ouvi meu pai gritar no fundo.
― Mãe, relaxa! Ok? Nada de ruim vai acontecer, eu prometo. Agora, eu preciso ir, tenho que terminar de arrumar as minhas coisas.
― Mas Charlie, nós ainda temos coisas a conversar...
― Eu sei, mais tarde!
― Charlie!
― Tchau mãe! Eu te amo. ― Desliguei o telefone e olhei para as garotas, as três estavam me olhando com aquele olhar de julgando você. ― O que foi agora?
― Você já contou a sua mãe sobre Peter?
― Ham... ― Fiz uma pausa e olhei para o meu celular. ― Nós não discutimos sobre isso ainda. Nós nem colocamos relacionamento sério no Facebook ainda.
― Você não contou. ― Cece simplificou.
― Não, eu não contei. ― Assumi.
― E não vai contar? ― Mary perguntou.
― Vou.
― Quando? ― Amy arqueou as sobrancelhas.
― Um dia, talvez. ― Dei de ombros, indo fechar a minha mala.
― Um dia, talvez? Isso é o melhor que você tem, Charlie? ― Amy resmungou. ― Você sabe que já está indo pelo caminho errado não é?
― Caminho errado, Amy?
― O que Amy está tentando dizer, Charlie, é que ela acha que você deveria ser mais transparente quanto a isso. Vocês estão em um relacionamento, não estão? ― Cece perguntou. ― Em relacionamentos, você define coisas.
― O que tem para definir? Nós estamos juntos. Eu vou contar quando eu achar que devo contar. ― Falei. ― O que tem de errado nisso?
― Eu acho que você está apenas adiando isso porque é tão assustador para você quanto para ele. ― Amy continuou.
― Ah, sério? Agora vocês vão acabar comigo por isso? Você que acabou de ser chutada pelo namorado. ― Apontei para Cece. ― Você que está apaixonada por Pablo e prefere ser uma idiota a assumir isso. ― Olhei para Amy. ― E não menos importante, você que está saindo com Johnny!
― Mas eu não disse nada! ― Mary tentou se defender.
POV-Johnny
― Adam e Summer disseram que também vão. ― Falei para Angel assim que recebi a mensagem de Adam. ― O que você está tramando, hein? ― Cerrei meus olhos para ela.
Ela só abriu um daqueles sorrisos diabólicos e nem se deu o trabalho de olhar para mim.
― Aposto que na sua lápide vão escrever algo como: Angel Waters, diabólica, assassina e destruidora de sonhos. ― Falei, gesticulando com as mãos e ela riu.
― Você se esqueceu de presidente da Kappa.
― É claro, seu título mais importante. ― Segurei o riso. O celular de Angel começou a vibrar em cima do criado mudo ao lado da sua cama, me aproximei do mesmo e vi o nome da mãe dela aparecer na tela. ― Sua mãe está ligando.
Ela não respondeu, apenas ignorou.
― Eu disse que sua mãe está ligando. ― Repeti.
― Hum. ― Ela murmurou, ainda ocupada com as suas malas.
― Você não vai atender?
― Não.
― Precisa parar de ignorar a sua mãe, já faz uma semana. ― Falei.
― Eu não estou a ignorando. ― Ela se virou para me olhar.
― Ah, não é? Então de quem é essa ligação que você acabou de ignorar?
― Você está lendo de cabeça para baixo. Eu estava ignorando a minha amiga russa, Eãm.
Olhei para ela com a minha melhor cara de desprezo.
― Vou fazer eles se lembrarem desse final de semana por muito tempo. ― Ela se virou para mim e sorriu. ― Muito tempo.
POV-Pete
― Você está tão mal humorado que posso ver uma nuvem de chuva planando sobre a sua cabeça. ― Falei para Pablo ao alcançá-lo, jogando as malas na traseira do meu Jeep. ― Você está tendo um dia chuvoso na sua mente.
― Eu só estou cansado, Pete. ― Ele resmungou, sem nem se dar o trabalho de me olhar.
― Não me venha com essa de cansado, sou seu melhor amigo. Eu sei que você está puto porque Amy não vai, mas adivinha só... é seu aniversário. ― Olhei para ele e sorri. ― E você tem que comemorar, com ou sem ela.
― Eu só não me sinto muito no clima de comemorar sem ela. ― Ele falou, finalmente se virando para mim e parando de colocar as coisas no carro. ― Eu gosto dela Pete, realmente gosto. E é um saco que ela não sinta de volta.
― Como é que você sabe que ela não sente de volta? Você já falou para ela? ― Arqueei as minhas sobrancelhas.
Pablo apenas olhou de um lado para o outro, como se eu estivesse mais atrapalhando do que ajudando.
― Mano, algumas vezes as pessoas fazem jogo duro para mostrar os seus sentimentos porque não sabem se os dos outros são reais. É como fechar os olhos para andar em um lugar desconhecido. ― Pablo fez cara de confuso. ― Quer saber, deixa para lá, eu sou péssimo com conselhos. Apenas diga a ela como você se sente, funcionou para mim, não funcionou?
― É diferente. Blanca é louca por você. ― Ele encolheu os ombros. ― E você por ela.
― É, talvez ela seja. Mas ela só sabe como eu me sinto por ela porque eu disse a ela. Então você deveria fazer o mesmo. Aí está a sua oportunidade. ― Falei e olhei em direção a varanda da frente, onde Amy estava parada.
Ela estava olhando para nós, segurando um embrulho de presente nos braços e esperando a sua oportunidade de falar com Pablo.
POV-Pablo
Só quando Pete se afastou e voltou para dentro que Amy começou a caminhar na minha direção, se aproximando lentamente. Um pouco envergonhada e até insegura, provavelmente a cada passo montando um dialogo na sua cabeça sobre o que iríamos falar. Eu me sentia exatamente do mesmo modo.
― Hei. ― Falei quando ela parou na minha frente.
― Hei você. ― Ela sorriu sem jeito para mim.
E então nós caímos naquele silêncio constrangedor que parece durar uma eternidade.
― Isso é para você. ― Ela falou, esticando o embrulho de presente para mim. ― Como eu não vou estar lá para lhe dar isso, vou ter que adiantar.
― Amy, eu disse que não precisava de nada disso. ― Falei sem jeito.
― Para com isso, eu insisto. Pega.
Ainda meio relutante eu peguei o embrulho e sorri para ela.
― Muito obrigado.
― Ah, não tem de quê. Além do mais, não é só um presente para você, é nosso. ― Ela sorriu. ― Abra.
― Ok. ― Falei sorrindo e então comecei a rasgar o papel de presente. ― Oh...
Fiquei surpreso assim que vi o que era e sorri imediatamente. Sem conseguir acreditar que ela realmente havia feito aquilo.
― E adivinha só? Todos eles tem a opção da dublagem em espanhol! ― Ela disse animada.
Ela havia criado uma pequena coleção com todos os meus filmes favoritos de Bangbang, alguns que nós até já havíamos assistido enquanto estávamos juntos. Outros eu apenas havia falado para ela.
― Filmes de faroeste agora são os meus preferidos. ― Amy piscou para mim.
― Eu nem sei o que dizer! ― Falei, soltando uma risada estúpida.
― Apenas diga que gostou. Por favor. ― Ela choramingou. ― Eu sei que não é algo incrível ou uma viagem para Las Vegas.
― Eu amei, Amy. É importante, é pessoal. Tem mais valor do que muitas coisas. ― Sorri novamente. ― É só que... eu não sei, estou surpreso. Você se lembrou de todos, está tudo aqui.
― Ah, qual é... Você me ensina sobre filmes de faroeste e eu te ensinei como usar o hashi sem elástico. ― Ela riu.
― É, eu sou péssimo nisso. ― Gargalhei. ― Graças a você não preciso mais espetar o salmão com a ponta do rashi.
― Nunca mais vai passar por essa vergonha, amigão. ― Ela disse animada, me dando um soquinho no meu ombro.
Com a menção da palavra ''amigão'' foi como se a nuvem de chuva tivesse voltado para a minha cabeça como Pete havia dito, Amy percebeu que eu fiquei desconfortável com a situação e pareceu envergonhada.
― Desculpe. ― Amy murmurou, cabisbaixa.
― Está tudo bem, Amy. Não vamos estragar esse momento, não é? Somos amigos. ― Ela levantou os olhos para mim. ― Não somos?
― É, você está certo. ― Ela forçou um sorriso e acenou positivamente.
― Vamos lá, me dê um daqueles abraços de urso de despedida. ― Abri os braços e sorri para ela.
― Ok. ― Amy sorriu e me abraçou.
Meus braços se fecharam em torno dela com facilidade e ela me apertou de volta.
― Feliz aniversário! ― Amy falou enquanto me esmagava com os braços em torno do meu pescoço.
Sorri em agradecimento e a apertei de volta, eu havia gostado do presente de Amy mas um presente melhor ainda seria se ela fosse conosco. Amy continuou me segurando por mais tempo que o necessário, me fazendo rir.
― Você precisa me soltar. ― Deslizei as mãos pelas suas costas, rindo.
― Não, eu não preciso não. ― Então me apertou mais ainda.
― Amy, assim eu não consigo respirar. ― Falei meio sufocado e rindo.
― Ok, só porque eu não quero que você morra. ― Amy falou e começou a me soltar lentamente.
― Ah, obrigado.
Ela apenas se afastou mas ainda não me soltou completamente, Amy manteve suas mãos sobre os meus ombros e seu rosto próximo o meu. Seu olhar fixo no meu, mas ela simplesmente não dizia nada. Então pensei no que Peter falou, diga a ela.
― Quiero besarte. ― Falei.
Amy apenas me olhou confusa e cerrou os olhos para mim.
― O que isso significa? Você sabe que eu não passei em Espanhol. ― Ela reclamou, me olhando toda agoniada.
Dei de ombros e comecei a rir.
― Vejo você em alguns dias, Amy. ― Falei.
― O quê? É só isso o que significa? Porque tem palavras demais aí! Pablo, não diga coisas em espanhol e simplesmente me deixe!
POV-Charlie
― Gente, nós temos que ir! ― Peter gritou da sala. ― Katherine e Killian já estão aí.
Eu, Cece e Mary já estávamos saindo do quarto, quando Cece me deu um daqueles olhares acusadores.
― E quem é que foi que convidou a Katherine? ― Ela perguntou e eu encolhi os ombros, como se não soubesse de nada.
― Vai saber, né? Ela é doida, parece saber de tudo o que acontece nesse campus. Mas se ela quer ir, fazer o quê né?
― Eu gosto de Katherine. ― Mary sorriu inocente.
― Você é muito inocente. ― Cece resmungou. ― Bom, de qualquer forma, Katherine é meio doida mas pelo menos é legal. Vamos precisar de um pouco de loucura já que Amy não vai estar lá para isso.
Concordei com um aceno positivo e desci as escadas na frente, Pete, Mike e Bruce estavam ali embaixo esperando.
― Onde está o resto do pessoal? ― Perguntei.
― Lá fora. ― Bruce respondeu. ― Pelo amor de Deus, não diga que tem outra mala!
Cerrei meus olhos para ele, eu deveria dizer que sim, só de pirraça.
― Não seja mal. ― Peter falou para ele, me puxando para perto dele.
― Sua namorada é que é má com a nossa coluna. ― Mike disse saindo de casa, fazendo todo mundo rir, incluindo Peter.
― Quer parar de rir? ― Falei brava, dando um pontapé no estômago de Peter, fazendo ele se encolher de dor e rir mais ainda.
Katherine e Killian já estavam lá fora, prontos para a viagem. Assim que Katherine me viu, ela começou a pressionar a buzina do seu carro e acenar freneticamente. Killian que estava no banco do carona ao seu lado fez uma careta e tampou os ouvidos. Lhe fiz um aceno tímido e sorri, tentando ser simpática.
― Daqui a sessenta anos, aqueles seremos nós. ― Peter falou para mim, indicando Katherine e Killian com a cabeça.
Eu comecei a rir e ele riu também, passando um braço em torno dos meus ombros e beijando o meu rosto. Amy correu na minha direção quando me viu e começou a falar sem parar.
― Você sabe falar espanhol? Entende alguma coisa que o Pablo fala? Ele disse algo em espanhol mas as únicas coisas que eu sei falar em espanhol é guacamole e burritos. Eu estou confusa, o que eu faço?
― Eu também sei falar Hola! ― Peter disse animado.
― Vocês querem andar logo? Essa mulher está me deixando louco! É um longo caminho daqui até Las Vegas e eu tenho que ir com ela! ― Killian gritou, debruçando metade do corpo para fora da janela do Mercedes de Katherine.
― Killian, volta pro carro! ― Katherine gritou, puxando ele de volta para o banco. ― Você não é um cachorro para andar debruçado na janela.
― Vamos lá, pessoal! ― Bruce falou. ― Cece, Bobby, Mike e Jon vão comigo.
― Eu vou na frente! ― Bobby gritou.
― Não, eu vou! ― Mike correu para subir na caminhonete de Bruce primeiro.
― Nenhum de vocês vai na frente, Cece vai. O que vocês estão pensando? ― Bruce resmungou, entrando no carro.
Cece piscou para eles e mandou um beijo, entrando no carro também.
― Vadia. ― Mike murmurou.
― Vadia no banco da frente. ― Cece sorriu para ele, abaixando o vidro.
― Ok, Joe, Pablo e Mary vão conosco. ― Pete falou.
― Ninguém quer ir com a gente? ― Katherine gritou animada e buzinando mais.
― Alguém precisa arrancar a buzina das mãos daquela mulher! ― Joe falou. ― Ou só as mãos dela.
― Charlie, você está dirigindo. ― Peter falou e colocou as chaves do seu Jeep na minha mão.
― Hãm? ― Olhei para ele como se ele estivesse falando em outra língua.
― Di. Ri. Gin. Do. ― Ele falou bem devagar e gesticulou com as mãos. ― Sabe? Quando você usa o volante do carro.
― Charlie está dirigindo? ― Pablo falou. ― Sabe gente, eu pensei melhor e acho que vou com a minha moto mesmo. Está um dia lindo para morrer.
― Faz bem, Pablo. Faz bem. ― Amy falou e sorriu para ele. ― E aí, vai me dizer o que era aquilo que você falou?
― Você contou para todo mundo? ― Meu queixo caiu e eu olhei para Peter.
― Para a segurança deles, é claro! ― Peter falou. ― Você é a pior motorista do mundo, Charlie. É um perigo que as pessoas andem por aí sem saber disso.
― OLAAAAAAAA!!!!!??? Vegas está me chamando, vocês vão ficar aí até quando? ― Katherine gritou, buzinando de novo enquanto Killian reclamava ao seu lado.
― Jesus Cristo, mulher! ― O velho resmungou.
― Charlie, vai ficar aí até quando? ― Peter falou e então entrou no carro, se sentando no banco do carona. ― Hora de ir.
Olhei para as chaves na minha mão e depois para ele, Mary e Joe também entraram no carro.
― Descubra o que foi que Pablo falou. ― Amy disse.
― Você não está nem um pouco preocupada com o fato de eu estar dirigindo? ― Perguntei.
― Eu não to nem aí! ― Ela deu de ombros e acenou. ― Tchau-tchau.
― Anda logo, Charlie! ― Peter gritou da janela do carro. Ele havia colocado os óculos de sol e abrido outra cerveja.
― Se você for dirigindo, eu te compro uns duzentos espetinhos de frango frito! ― Falei para Amy. ― O que você me diz?
Ela apenas sorriu e acenou negativamente.
― Boa sorte, Charlie! ― Ela riu.
Pablo saiu da garagem com a sua moto e fez questão de buzinar para mim. Olhei a minha volta sem ter mais opções.
― Eu só me fodo nessa merda! ― Murmurei, indo em direção ao carro. Então gritei: ― PETER!
POV-Amy
Depois de ter que esperar por quase quinze minutos até que Charlie conseguisse dar partida no carro e engatar a primeira marcha para sair, eu finalmente pude ir embora. Quando Peter me contou das habilidades dela na direção, eu não imaginava que a coisa fosse tão ruim assim.
Eu estava caminhando pela rua grega para voltar aos dormitórios, quando passei em frente a casa da Kappa e vi Johnny e Louis ali na frente, colocando malas no carro de Angel. Me aproximei como quem não quer nada.
― E aí. ― Falei, cumprimentando-os com um sorriso. ― Animados para o feriado?
― Oi, Amy. ― Louis sorriu de forma educada. ― Pois é, de certa forma estamos sim. É ótimo tirarmos umas folgas das aulas.
― Porque você está falando com a gente? ― Johnny perguntou, me olhando como se eu tivesse alguma doença contagiosa.
― Só tentando ser educada, Johnny. Mas acho que você não sabe o que é isso. ― Rosnei para ele. ― Só não dou um soco na sua cara, porque você é muito bonito.
― Está tudo pronto para irmos? ― Angel saiu da casa da Kappa gritando. ― Vocês são muito lerdos! ― Ela parou de falar assim que me viu e fez a mesma cara de nojo de Johnny. ― Eca, sai do meu gramado.
― Não se preocupe, eu só vou cagar nele e já saio. ― Falei com desprezo para ela.
― Ewww. ― Angel fez cara de nojo.
― Você poderia ter ido dormir sem essa. ― Dei de ombros. ― E aí, para onde você vai? Retiro de vilões? Vai encontrar suas amigas lá né? Úrsula, Malévola, Cruela De Vil?
― Sua mãe. ― Angel completou e cerrei meus olhos para ela.
― Na verdade Amy, estamos indo para Las Vegas. ― Louis falou. ― Desculpe pelo comportamento dos dois.
― Las Vegas? ― Olhei para Angel e vi que ela queria esganar Louis por sua boca grande. ― O que você vai fazer em Las Vegas? ― Perguntei a ela.
― O que você acha? Destruir algumas vidas, corroer sonhos, me alimentar de almas e filhotinhos de cachorro, dormir com o namorado da sua melhor amiga... essas coisas de super vilã. ― Ela abriu um largo sorriso e nenhum de nós riu. ― Só to brincando! Eu tenho mais o que fazer, além do mais, o que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta! Johnny e Louis, vamos. Adam e Summer já estão esperando.
Ela passou do meu lado me dando um esbarrão e entrou no seu conversível rosa, saindo dali cantando pneu e deixando o cheiro de borracha queimada no ar. Mas para mim, isso é cheiro de destruição, que é exatamente o que ela vai fazer e eu não posso deixar isso acontecer.
Liguei para Charlie e o seu celular saiu direto na caixa postal, é claro, ela provavelmente ia deixar desligado por causa da sua mãe. Liguei para Pablo mas tocou, tocou e ele não atendeu, eu não podia culpá-lo também por não ouvir.
Essa situação precisava de medidas drásticas e eu ia tomá-las. Disquei outro número e esperei atender.
― Bom dia! ― Falei, assim que a chamada foi atendida. ― Eu gostaria de uma passagem para o próximo avião para Las Vegas.
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