Charlie é o Cara

50 Encontrem o Pablo agora!


Notas iniciais
OLÁÁÁÁÁÁÁÁ MEUS AMOREZINHOS!!! Tão com saudades? Eu sei que estão ♥ Mas aqui vem um big capítulo de Charlie para vocês, tem muita coisa boa incrível e maravilhosa, então vai menina! Corre ler e sai daqui!

POV-Charlie

Abri os olhos e senti a luz do sol queimar as minhas retinas. Levei uma mão sobre o rosto imediatamente e soltei um resmungo. Fui despertando lentamente até me acostumar com o sol do deserto de Vegas.

Enxerguei Peter ainda apagado ao meu lado, o seu corpo estava inteiro coberto por marcas de beijo com o meu batom, o que me fez rir. Depositei um beijo leve na sua nuca e me arrastei para fora da cama, eu precisava de água, minha boca parecia uma mistura de super bonder e vomito. Vesti uma camiseta de Peter que estava no chão por cima da minha lingerie e sai do quarto.

― Nossa!

Foi a única coisa que consegui dizer ao olhar a situação da suíte que nós estávamos quando sai do quarto. Havia confete por todo o chão e um pavão desfilando por ali. Me esgueirei pelo canto até chegar na sala, evitando o animal.

Joe estava dormindo na mesa de centro, vestindo apenas uma tanguinha cor de rosa. No seu peitoral estava escrito com batom: Prostituto. E o pior ainda estava por vir, havia um dildo colada na sua cara. O troço era cor de rosa e cheio de glitter, ele piscava luzes coloridas e vibrava, ainda estava ligado.

― Puta merda! ― Me aproximei dele, desviando de toda a bagunça no caminho. ― Joe. ― Chamei e o cutuquei. ― Joe! Joe, acorda! ― Dei um tapinha na sua cara do lado onde não havia nada colado.

― SENTIDO! ― Ele gritou e saltou da mesa, ficando de pé em posição de brigar com alguém. ― O que?

― Joe... ― Comecei a falar, fazendo sinal com as mãos para ele se acalmar. ― Não surte, por favor. Mas tem um pinto de borracha cor de rosa colado no seu rosto.

― O QUE? ― Ele gritou e começou a correr pela sala, procurando por um espelho.

Ele tropeçou em alguma coisa atrás do sofá enquanto corria e caiu.

― Minha nossa! Isso é um cadáver? ― Joe gritou, quase chorando.

Corri e olhei atrás do sofá, havia uma garota loira, ela estava desmaiada. E realmente parecia um cadáver.

― Tenta sentir a pulsação dela. ― Fiz um sinal de encorajamento com a cabeça para ele.

― Você tá louca? Faz você! Eu já tenho essa merda grudada na minha cara, eu preciso me livrar disso. ― Ele apontou para o dildo ainda vibrando e brilhando grudado no seu rosto. O que era ainda mais engraçado.

― Calem a boca! ― O cadáver resmungou.

― Bom, ela definitivamente não está morta. Vamos tirar isso do seu rosto, vem. ― Peguei na sua mão e sai o puxando pelo banheiro, tentando não rir.

Nós passamos pelos outros quartos e eu vi Bobby dormindo e usando um vestido de noiva. Bruce e Angel estavam em outro, e ele usava um smoking. E vocês podem imaginar a minha surpresa ao ver Angel ali, dormindo na mesma cama que Bruce e pior ainda, eles estavam dormindo de CONCHINHA!

― Você se lembra de Angel ter sido convidada? ― Perguntei a Joe. Tentando me lembrar de qualquer coisa da noite passada. ― Você viu ela dormindo de conchinha com Bruce?

― Sinais do apocalipse. Charlie, eu não me lembro de nada. ― Ele resmungou, tentando afastar a ponta do dildo da sua boca.

― Vamos colocar a sua cabeça em água quente e isso vai sair daí rapidinho. ― Falei confiante. Era o que a minha vó fazia comigo e com os meus primos quando nós nos colávamos em alguma coisa.

Abri a porta do banheiro e entrei na frente. Encontrei Amy dormindo apoiada na privada, com os cabelos todos caídos sobre o rosto.

― Amy! ― Falei aliviada por vê-la ali, não naquela situação, é claro.

Corri até ela e tirei os seus cabelos do seu rosto e a outra metade de dentro da privada.

― Isso é o que eu chamo de hidratação de cabelo. ― Joe falou.

Cerrei os olhos brava para ele. Me levantei e comecei a ir até a banheira, quando coloquei minha mão sobre a torneira de água quente e estava pronta para abrir, tive um surpresa e soltei um grito.

― O que? Outro cadáver? ― Ele correu na minha direção.

― Não! ― Falei, olhando para a pessoa que estava dormindo dentro da banheira. ― É a minha vó!

― Sua vó? ― Joe olhou confuso para mim.

― Vó de quem? ― Amy resmungou enquanto tentava se levantar, mas ela mal conseguiu sair do chão quando escorreu numa poça do próprio vomito e caiu de novo.

Joe fez uma cara de nojo e eu voltei a olhar para a minha vó, sem entender nada.

― Vó? ― A chamei, tentando acordá-la.

POV-Peter

2 dias antes

― Cara, o seu pai se superou dessa vez. ― Falei, olhando ao redor da suíte que o pai de Pablo havia reservado para nós.

― Apenas por mórbida curiosidade, o seu pai por acaso é algum mafioso mexicano? ― Charlie perguntou.

Nós havíamos acabado de chegar em Vegas, o sr. Fernandez, o pai do Pablo sempre fazia questão de dar um grande presente de aniversário para o filho. E dessa vez não estava sendo diferente. Pablo riu com a pergunta dela.

― Não, Blanca. Nada disso. ― Ele sorriu tímido. ― Ele só é dono da franquia Taco Bell. ― Pablo deu de ombros, como se não fosse grande coisa.

O queixo de Charlie caiu e ela olhou espantada para ele.

― PORQUE NINGUÉM NUNCA MENCIONOU O FATO DE VOCÊ SER MILIONÁRIO? Eu te paguei um taco outro dia pensando que você fosse pobre! ― Charlie disse indignada.

― Eu gostei desse lugar. É fino. Tem classe. ― Joe disse, olhando ao redor da suíte. ― Vocês acham que se nós levarmos algumas dessas coisas eles vão se importar? A nossa casa não tem nada de fino ou que custe mais de 15 dólares.

― Coloque isso de volta. ― Cece apontou para uma escultura de enfeite que ele estava pegando e tentando enfiar no bolso. ― Nós não vamos pagar por isso.

― Esse lugar é tão grande quanto a plantação de milho do meu pai. ― Mary disse encantada.

― Eu adoro milho. ― Bobby falou e sorriu para ela.

Nós ouvimos uma gritaria vindo do corredor e logo em seguida Katherine e Killian passaram pela porta, discutindo. Killian chutou a mala de Katherine pela porta e ela atingiu um vaso, quebrando-o.

― Velho gagá! ― Ela gritou para ele e mostrou o dedo do meio.

― Quarentona! ― Killian mostrou a língua para ela.

Olhei para Charlie e ela deu de ombros, como se sentisse muito.

― Já está se arrependendo de ser uma boa pessoa? ― Perguntei, rindo.

― Posso ficar com os cacos do vaso agora? ― Joe sussurrou para Cece e ela apenas negou com a cabeça.

Nós ouvimos uma batida na porta e eu olhei imediatamente para Jon. Ele sempre abusava do serviço de quarto.

― Cara, sério? ― Perguntei.

― Não fui eu! Eu nem cheguei perto do telefone, eu juro! ― Jon levantou as mãos.

Pablo foi até a porta e a abriu, perdendo o sorriso no instante em que viu quem estava ali.

― Filhinhaaaaaaaaaa! ― Katherine gritou, empolgada.

― Charlie? ― Cece olhou para ela de cara feia.

― Eu não a convidei, eu juro!

Angel estava parada na porta, com um sorriso simpático e parecendo até domesticada, com Louis, Johnny, Summer e Adam ao seu lado.

― Nós ouvimos sobre uma festa. Que falta de educação a de vocês não nos convidarem. ― Angel falou, entrando na suíte sem ser convidada e empurrando Pablo do caminho.

Johnny a seguiu com a sua cara de bunda e Louis pediu desculpa pelos dois antes de entrar, seguido por Adam e Summer que entraram de mãos dadas. Charlie revirou os olhos quando Angel passou do seu lado e eu a puxei para mais perto, antes que Charlie a atacasse.

― Ignore ela. ― Sussurrei para Charlie e depositei um beijo no topo da sua cabeça.

― Bom, isso definitivamente é o que eu chamo de surpresa inconveniente. ― Joe falou, se sentando no sofá e cruzando as pernas.

― Cala a boca, RuPaul's Drag Race! ― Angel resmungou para ele.

― Angel! ― Louis falou sério, tentando pedir para ela se comportar.

― Isso aí, coloca a focinheira na sua cachor― Cece começou a falar mas eu a impedi de continuar, tampando a sua boca com a mão.

― Hei, pessoal! Vamos nós acalmar, por favor. ― Falei, olhando para todos ali. ― Acho que tem espaço suficiente aqui para todo mundo, vamos apenas evitar os conflitos.

Angel revirou os olhos e mostrou a língua para Joe. Johnny parecia tão feliz de estar ali quanto um bolo que havia sido preparado havia um mês.

A porta bateu novamente e Charlie foi quem olhou para Jon dessa vez.

― Não fui eu! ― Ele repetiu.

― Que surpresa adorável será que teremos agora? ― Katherine sorriu, como se Angel estar ali fosse realmente adorável.

Charlie se soltou de mim e foi até a porta.

― VOCÊ NÃO SABE O QUE ACONTECEU! ― Amy gritou, entrando na suíte e arrastando uma mala. ― Oh! ― Ela parou quando viu todas aquelas pessoas ali. ― O demônio já está aqui.

― Ainda bem que você está aqui, agora nós podemos matar ela e fingir que foi um acidente. ― Charlie sorriu para a melhor amiga e então olhou para Angel.

POV-Amy

Estava terminando de limpar todo o vomito do meu corpo com papel higiênico enquanto Charlie e Joe ajudavam a avó dela a sair de banheira. Ainda não conseguia entender porque o meu cabelo estava com esse cheiro de água sanitária.

― Vó, a senhora está bem? ― Charlie perguntou quando ela se sentou na borda da banheira.

― Bem? Eu estou ótima! Ótima! Que noite! Que noite! ― Ela repetiu empolgada e sorrindo. ― Filha, há anos eu não me divertia assim! Os seus amigos sabem como fazer uma festa. ― A senhora apertou as bochechas da neta com um sorriso orgulhoso.

― Eu gostei de você! ― Joe sorriu para ela, com o dildo ainda grudado no seu rosto.

Ela vestia uma camiseta dos Ramones e uma viseira de poker, o que fazia dela a melhor vó do mundo até agora.

― Vó, o que você está fazendo aqui? ― Charlie perguntou confusa. ― Eu... eu não consigo me lembrar.

― Ah, você sabe! Eu estava aqui com o pessoal do retiro da igreja para jogar bingo, mas aí encontrei você e você me convidou para essa festa incrível. Com certeza foi melhor do que o retiro da igreja!

Joe caiu na gargalhada e eu não consegui resistir a falar:

― Olha só para você Charlie, tirando a sua vó da igreja e levando ela para ficar louca com a gente!

Charlie soltou um choramingo e olhou para a avó que ainda sorria empolgada.

― Vocês se lembram de alguma coisa de ontem a noite? ― Charlie perguntou, olhando para mim e depois para Joe.

― Não. ― Joe fez um sinal negativo com a cabeça.

― Nadinha. ― Tive que concordar, eu realmente não conseguia me lembrar.

― Porque você está preocupada, querida? ― A avó voltou a falar. ― Foi uma noite do caralho!

― Vó! ― Charlie a advertiu. ― Não diga isso!

― O que? É verdade! ― Ela sorriu. ― Alguém viu a minha dentadura?

― Deus! ― Charlie choramingou. ― Eu vou acordar os outros.

POV-Peter

Charlie me acordou batendo na porta e dizendo que era uma emergência. Levantei da cama e vesti minhas roupas que estavam no chão, não dava para sair coberto de batom por aí.

Encontrei com o pessoal na sala. Charlie estava de pé, andando de um lado para o outro, ela estava preocupada.

Amy estava sentada no sofá, com uma senhora ao seu lado e Joe do lado dela, com um dildo cor de rosa grudado no rosto. Bobby estava sentado no outro sofá, usando um vestido de noiva que lhe caia muito mal. Angel e Bruce se sentavam junto com ele, Bruce usava o que restou de um smoking.

― Então, essa é a minha vó. ― Charlie disse, apontando para a senhora.

― Oh! ― Falei surpreso e depois sorri. Legal, vó! ― A sra. Hamilton sorriu de volta. ― Cadê o resto do pessoal? ― Perguntei, olhando para todo mundo ali.

Charlie olhou para mim e encolheu os ombros, ela também não sabia. Esse era o problema.

― Porque você está usando um vestido de noiva? ― Amy perguntou, olhando para Bobby.

― Não faço ideia. Mas eu curti, achei que combinou comigo. ― Bobby sorriu.

Angel apertou a ponte do nariz, sem acreditar que estava testemunhando aquela conversa.

― Eu sei! ― A sra. Hamilton, avó de Charlie, falou. ― Ele se casou ontem.

― O que? ― Charlie falou sem acreditar.

― Com ele ali. ― Ela apontou para Bruce e eu cai na gargalhada.

― Puta que pariu! ― Bruce gritou.

― Você se casou com o Bobby! ― Joe disse chorando de tanto rir.

― Minha nossa! ― Charlie não conseguiu se conter e até ela riu.

― Gente, sério! Vocês não vão calar a boca? ― Uma garota se levantou de trás do sofá, vestindo uma roupa de garçonete.

― Selina? ― Bruce falou, olhando espantado para ela.

― E quem é essa agora? ― Angel perguntou.

― É minha irmã. ― Bruce disse. ― Selina Kyle.

― Selina Kyle? ― Amy gritou. ― Sério? Seu nome é Bruce Wayne e o da sua irmã é Selina Kyle?

― Já mencionei que meus pais adoram Batman? ― Bruce sorriu tímido.

POV-Bruce

2 DIAS ANTES

― Aí, quer saber de uma coisa? ― Jon começou a falar, caminhando do meu lado. ― Eu acho que o bagulho vai ficar muito sério. Principalmente com a Angel e aqueles coxinhas aqui.

― Você acha? ― Perguntei, me virando para ele.

Nós saímos da suite porque o clima começou a ficar pesado demais depois que Amy e Charlie tentaram matar Angel a mordidas. Estávamos descendo para o cassino do hotel.

― É. Sabe, com brigas de mulher e tudo. ― Ele disse. ― Mas veja pelo lado bom, pode ser também que ela fique bêbada o suficiente para dormir com você. ― Jon sorriu. ― Coisa mágicas acontecem em Vegas.

Olhei para ele de cara feia e nós chegamos na porta do cassino.

― Boa noite, meninos! Meu nome é Selina, espero que vocês estejam com sorte essa noite. Identidades, por favor.

Eu reconheci a voz na hora e olhei direito para o rosto da atendente, que congelou ao me ver ali.

― Selina? O que você está fazendo aqui? ― Perguntei, surpreso.

― Ops! ― Ela falou, afrouxando a gravata do seu uniforme.

Jon olhou para ela e depois para mim.

― Pera aí! Essa não é a sua irmã? ― Jon perguntou.

― Bom, essa é a minha deixa. ― Selina sussurrou e se abaixou por trás do balcão, começando a fugir dali engatinhando.

Eu a encontrei na porta do balcão e a puxei para cima pela camisa, colocando-a de pé novamente.

― Hei irmãozinho! ― Ela abriu um sorriso amarelo.

― Quer me explicar porque está trabalhando em um cassino em Vegas ao invés de estar na faculdade?

― Bom, eu tenho uma ótima explicação para isso. ― Selina começou a falar mas parou de repente. ― Na verdade, eu não tenho não.

― O que houve, mana? ― Perguntei confuso.

Ela olhou por cima dos ombros para garantir que não havia nenhum dos seus superiores olhando.

― Riley terminou comigo. ― Ela confessou, cabisbaixa.

Cerrei meus olhos para ela, tentando de alguma maneira fingir que havia entendido.

― Riley, seu namorado quarterback? ― Perguntei, ela havia namorado um quarterback há alguns anos, mas eu nem me lembrava do nome dele.

― Riley, minha namorada. ― Ela respondeu como se sentisse muito.

― Legaaaaal! ― Jon sorriu empolgado.

― Cala a boca, pervertido! ― Falei sério para Jon. ― Sua namorada? ― Eu repeti. ― O que houve com o seu namorado?

― Bruce... ― Selina começou a falar, tentando explicar. Ela apertou a ponte do nariz por um momento, procurando as palavras para começar a falar.

― Desculpe, não tem que me explicar a sua opção sexual, ok? Apenas me conte o que houve, eu quero ajudar. Porque não ligou?

― Você esperava que eu ligasse para falar o que? Hei Bruce, como vão o papai e a mamãe? Só para te avisar, eu estou namorando garotas e a minha namorada terminou comigo e eu simplesmente perdi o rumo da minha vida. ― Ela falou irônica.

― Olha, pra ser sincero era isso mesmo. ― Acenei positivamente.

― Ótimo plano, Sel! ― Jon sorriu e a apoiou.

― É uma história toda complicada. Nós estávamos juntas na faculdade, até que tivemos uma briga feia e ela veio para Vegas pois teve uma oportunidade como DJ. Então uma semana depois eu vim até aqui atrás dela e quando eu chego no apartamento dela outra garota atende a porta só de toalha dizendo que ela estava no chuveiro, o que você espera? Então eu simplesmente fiquei aqui por três meses como uma idiota esperando que ela voltasse. Mas de qualquer maneira, amanhã ela vai pegar um avião para Amsterdam para entrar em turnê na Europa. É um caso perdido.

― Você quer ela de volta? ― Perguntei. ― E se eu te disser que podemos te ajudar com isso?

― Podemos? ― Jon perguntou.

― Vocês podem? ― Selina perguntou desconfiada.

― Sim, nós podemos! ― Repeti confiante. Eu não sabia como, mas tinha que ajudar a minha irmã.

POV-Pete

― Sel, eu me lembro! ― Bruce falou. ― Você está namorando garotas!

― E você se casou com um homem! ― Selina sorriu. ― Quem você acha que vai ficar de castigo mais tempo?

― Isso aqui tá melhor do que casos de família. ― Amy disse para a senhora Hamilton, que concordou.

― Nós iríamos te ajudar a conseguir ela de volta, lembra? ― Bruce disse.

Tirei meu celular do bolso para olhar as horas enquanto o pessoal continuava tentando se lembrar de algo na sala. Ainda eram nove da manhã, o único problema era a data, hoje era o dia do aniversário do Pablo. Ou seja, nós ficamos loucos por dois dias seguidos.

― Ai gente, alguém viu o Pablo? ― Falei, guardando o celular no bolso da calça. ― Em quatro horas é o almoço com a família dele.

Foi então que todo mundo parou e se virou para mim.

― Pablo não está aqui. ― Charlie disse. ― Nem Mike. Nem Katherine. Nem Killian. Nem Mary Elizabeth. Jon, Johnny, Cece, Louis, Summer, Adam. Eu não os vi aqui. Meu Deus, cadê todo mundo?

― Katherine. Killian. ― Selina repetiu. ― Os velhos?

― Exatamente. ― Eu respondi.

― Ah, eu sei onde eles estão! ― Ela sorriu. ― Provavelmente na cadeia. Eles estavam na mesa de Black Jack ontem, limpando todo mundo. Até que a segurança do cassino percebeu que eles estavam roubando e eles foram presos.

― Puta merda! ― Falei.

Angel soltou uma gargalhada.

― Que novidade! A minha mãe foi presa! Parece terça-feira. ― Ela se levantou do sofá de um salto. ― Eu vou ligar para o meu advogado.

Ela ficou de pé, parada no meio da sala esperando alguma coisa. Então pigarreou.

― O que? ― Perguntei, olhando para ela.

― Ninguém vai se oferecer para ir comigo tirar os velhos da cadeia?

― Claro, vai com ela Joe. ― Falei.

― O que? ― Ele gritou. ― Eu tenho um pinto colado na minha cara, acha que isso já não é sofrimento o suficiente?

― Ah, quer parar de drama? ― Angel se aproximou dele e puxou o dildo do rosto dele de uma vez, fazendo um barulho como quando alguém rasga uma folha de papel.

Joe soltou um grito alto.

― Uhhhh! ― Falei, sentindo a dor até em mim.

― Seu monstro! ― Ele gritou, olhando para Angel. ― Eu vou matar você!

― Não vai não! ― Ela estava apontando o dildo para ele como se fosse uma arma.

― Joe, vá com ela! ― Eu disse. ― Mate ela depois que tirarem eles da cadeia, ok?

― Eu não acredito que vocês sempre deixam a pior parte para mim. ― Ele reclamou e saiu andando na frente, enquanto Angel seguiu ele sem baixar a guarda com a sua arma de pinto cor de rosa.

― Alguém se lembra de mais alguma coisa? ― Charlie perguntou.

― Olha só! ― Bobby disse rindo com um papel na mão. ― Achei a nossa certidão de casamento nos meus peitos, aqui diz agora eu sou Bobby Wayne. ― Ele sorriu. ― Eu gostei disso.

― Isso, isso mesmo! Olhem os seus bolsos! ― Charlie falou.

― Nós vamos nos divorciar hoje! ― Bruce disse.

Todos nós começamos a nos mexer e a verificar os bolsos. Tudo que eu encontrei no meu foi o meu celular e uma calcinha fio dental cor de rosa. Olhei imediatamente para Charlie.

― Isso não é meu! ― Ela falou brava.

― Nem meu. ― Disse a sra. Hamilton, me fazendo rir.

― Eu tenho recibos de clubes de strippers, tenho dois dólares, as chaves do meu carro, uma embalagem de camisinha e só. ― Falei.

― Olhem só, eu tenho um recebido aqui. É da loja do Tio Elias Tatuagem e Piercings. ― Amy falou. ― Diz aqui, uma tatuagem e um piercing. Alguém está sentindo alguma coisa diferente?

Nós olhamos um para o outro, não vendo nada de diferente.

― Alguém deveria ligar lá. ― Amy falou.

POV-Charlie

Eu disquei os números no celular de Peter e liguei.

― Bom dia. ― Falei assim que fui atendida. ― Meu nome é Charlie, eu estive ai ontem com alguns amigos por volta das dez da noite de acordo com o meu recibo. Aqui diz que nós fizemos um piercing e uma tatuagem.

― Oh! ― Alguém caiu na gargalhada do outro lado da linha e depois gritou. ― São aqueles malucos de ontem! Sim! Sim! Eu me lembro de você, Charlie, a menina com nome de menino.

― É, essa sou eu! ― Tentei me manter positiva. ― O que você pode me falar sobre ontem?

― Bom, vocês estavam muito doidos! Muito doidos mesmo! ― Ok, onde está a novidade aí? ― Você fez uma tatuagem e a outra garota um piercing no septo, qual era o nome dela mesmo? Bom, eu não me lembro. Enfim, vocês nos convidaram para um festa e tal, mas disseram que primeiro tinham que passar em um hospital para ver um amigo de vocês.

― Espera aí. ― Respirei fundo, tentando não surtar. ― Você disse que eu fiz uma tatuagem?

― É, isso aí! Você não se lembra? Foi o seu namorado que escolheu o que ia ser ainda. ― Eu olhei para Peter e serrei meus olhos para ele.

― Ok, muito obrigado, amigão! ― E desliguei.

― E aí? ― Amy sorriu para mim, esperançosa.

― Bom, de acordo com o nosso amigo tatuador, graças ao meu namorado eu tenho uma tatuagem. ― Olhei para Peter e ele sorriu, orgulhoso.

― Parabéns, querida! ― Minha vó me deu umas palmadinhas nas costas.

― Vó! ― Falei sem acreditar. ― Minha mãe vai me matar!

Amy pegou um dos meus braços e começou a procurar pela tatuagem.

― Amy! ― Me afastei dela.

― Charlie? ― Peter se aproximou de mim lentamente. ― Acho que me lembro onde está esta tatuagem.

Ele levantou a camiseta que eu vestia, primeiro eu fiquei envergonha. Depois senti uma ardência sobre uma linha no meu cóccix onde Peter passou a ponta do dedo.

― Aí! ― Falei.

― Aqui está. ― Ele fez uma careta. ― Tenho certeza que nós podemos remover isso daí, com uma seção a laser ou nós podemos simplesmente cortar a sua pele fora.

Amy e minha vó correram para olhar, seguidas pelo resto do pessoal.

― É, isso definitivamente é uma tatuagem com o nome do Peter. ― Bruce disse.

― Eu não acredito! ― Abaixei minha blusa e olhei para eles. ― Peter? Sério?

― O que? ― Ele disse. ― Não fui eu que tatuei isso aí.

― Eu já sei me comportar como um homem, tenho uma tatuagem com o nome de um cara, só falta eu entrar em uma gangue agora para completar o pacote.

― Não seja reclamona, filha. ― Disse minha vó.

― Ele disse mais uma coisa. ― Continuei.

― Mais alguma tatuagem que não sabemos? ― Peter perguntou.

― Ele disse que nós estávamos indo ver um amigo no hospital. ― Olhei com preocupação para Peter.

― Ok, vamos ligar para o hospital e descobrir quem está lá.

POV-Cece

Despertei com o sol batendo direto no meu rosto, sentindo um braço me envolver carinhosamente num abraço. Por um momento relaxei e respirei fundo, deixando minha cabeça descansar mais um pouco em seu peito. Louis, pensei.

Ainda com os olhos fechados, beijei seu peitoral e fui subindo até o seu pescoço, quando alcancei sua boca, selei meus lábios nos dele. O problema foi quando abri meus olhos, não era Louis ali.

Me sentei, assustada e tentei me cobrir com os braços, por sorte eu ainda estava usando lingerie.

― Cece. ― Ele também acordou e me olhou surpreso. Eu fiquei vermelha de vergonha na hora.

― Oi Jon. ― Murmurei baixinho.

― Droga. ― Ele resmungou e cobriu o rosto. ― Ontem a noite... nossa, é um borrão.

― É, eu não consigo me lembrar de nada também. ― Falei, desviando meus olhos dos dele para não ser pega em uma mentira. Mas eu me lembrava, ao menos de estar ali com ele.

― Nossa. ― Ele se sentou e me olhou onde eu estava tentando me cobrir. ― Nós... ? ― Mas não conseguiu nem terminar.

― Sim, nós fizemos! ― Falei bem rápido para acabar com isso. Jon ficou de boca aberta. ― Mas não significou nada, né?

― Não!! Claro que não. ― Ele afirmou, acenando positivamente. ― Isso não muda nada entre a gente, muda?

― Não! Sério. ― Respirei fundo. ― É como se nunca tivesse acontecido.

― Ok. ― Ele concordou.

Foi então que olhei em volta e percebi onde estávamos. Na sacada da suíte deitados em um colchão que estava ali, havia uma garrafa de vodka russa vazia aos nossos pés.

Na noite passada eu havia brigado com Louis, de novo. E por algum motivo Jon foi a única pessoa capaz de me consolar. Me consolou tão bem que acabamos nessa situação constrangedora. Eu nunca havia ficado com nenhum dos meninos, não desse jeito, eles eram como meus irmãos. O que só deixava a situação pior.

― Eu vou levantar. ― Me apoiei no pilar da sacada para levantar. ― Você pode ir daqui uns minutos? Eu não quero que eles suspeitem de nada.

― Claro! Claro! ― Ele concordou. ― Vai lá!

Me enrolei no lençol que estava no colchão e abri a porta da sacada, entrando na suíte novamente.

POV-Mary Elizabeth

― Bom dia linda! ― Johnny me acordou espalhando beijos pelos meus ombros e costas nuas.

Sorri tímida e me encolhi com os arrepios que ele me causou, puxei mais o lençol da cama para me cobrir completamente.

― Bom dia. ― Respondi, me virando na cama para olhá-lo.

― Como se sente? ― Ele perguntou sorrindo. Um sorriso lindo.

Maravilhosa, pensei em dizer, mas a palavra simplesmente não saiu pelos meus lábios.

― Não me sinto muito como eu mesma, para falar a verdade. ― Sorri um pouco sem jeito.

― É só uma questão de tempo até você se acostumar. ― Ele se esticou e beijou meu rosto. ― É melhor já começar a se acostumar com a ideia a partir de agora, pois hoje você já é uma nova pessoa.

Mas eu não me sentia pronta para ser uma nova pessoa. Me sentei na cama por impulso e olhei em volta do quarto onde nós estávamos, me lembrando da noite passada.

POV-Johnny

Depois de Angel ter insistido nessa ideia de vir até em Vegas simplesmente para atormentar o pessoal da ROR e pegar no pé de Charlie, ela havia assinado o seu atestado de loucura, comprovando a minha teoria. Será que é algum tipo de maldição para toda presidente da Kappa? Acabar com uns parafusos soltos? Ela parecia estar seguindo exatamente o mesmo caminho que Cece trilhou um dia.

Isso não era bom para mim, com Angel focada apenas em atormentar Charlie, eu precisava de alguém inteligente e manipulável o suficiente dentro da Kappa para estar ao meu lado.

Nem Willa, nem Karen e menos ainda Stacey serviam para isso. Elas eram burras demais para fazer qualquer coisa. Summer também não me servia de muita coisa já que se comportava feito a Madre Teresa. Eu precisava de um novo plano e precisava dele agora.

Encontrei Mary Elizabeth debruçada sobre a mureta da sacada da suíte, ela olhava para baixo encantada como uma criança. Enquanto os seus amigos idiotas ainda discutiam na sala. Eu gostava dela, da sua inocência, por mais que eu odiasse admitir e ela tivesse os amigos errados.

Ela me olhou por cima dos ombros e sorriu, acenando para mim. Por um momento desejei que ela fosse mais como Angel ou como Cece já havia sido um dia. O perfil de uma Kappa, cruel, venenosa e incrivelmente gostosa. Ela seria perfeita.

Ela é perfeita. Eu poderia modificá-la para ela ser perfeita. Angel não ia durar por muito tempo como presidente da Kappa com sua obsessão contra Charlie saindo do controle. E eu ia precisar de alguém para me apoiar.

― Gostando da vista? ― Perguntei, me aproximando dela e indo parar ao seu lado na sacada.

― Eu nunca estive em um lugar tão alto antes. ― Ela disse ingenua, sorrindo.

― Você gostaria de ir a um lugar mais alto? ― Perguntei, pensando em duplo sentido.

― Um prédio mais alto? ― Ela perguntou.

― Um prédio. ― Falei e olhei para ela. ― Um status social.

Ela me olhou sem entender.

― Mary, você gostaria de ser outra pessoa? ― Perguntei a ela, estudando seu rosto.

― Como assim? Outra pessoa?

― Outra pessoa. Uma mais popular. Mais bonita. ― Coloquei uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. ― Minha namorada. Presidente da Kappa. Cheia de amigos novos.

De todas as propostas que eu lhe ofereci a única que pareceu lhe atrair mais foi a ideia dela ser minha namorada.

― Eu... eu― Ela gaguejou por um momento. ― Eu poderia?

― Você poderia ir incrivelmente alto. Basta dizer que sim e eu tornarei isso possível. ― Abri um largo sorriso para ela. ― O que você me diz?

Ela pareceu pensar por um momento e olhou para baixo de novo, então se virou para mim.

― Eu teria que mudar?

― Você vai evoluir. ― Me aproximei mais dela e selei meus lábios no seu, usando como um artificio para convencê-la mais fácil. Mas eu também queria muito beijá-la. ― Para melhor.

― Eu adoraria ser essa pessoa! ― Ela sorriu.

POV-Mary Elizabeth

A ideia de Johnny para que eu me tornasse outra pessoa incluía que eu mudasse o meu cabelo, as minhas roupas, usar maquiagem e sapatos altos e desconfortáveis. E era exatamente o que nós havíamos passado a noite passada fazendo.

Comprando novas roupas, cortando o meu cabelo, me mudando completamente. Johnny havia dito que assim que voltássemos eu já seria uma Kappa e sua namorada, o que era a melhor parte. Todos esses sacrifícios valiam a pena para mim se eu ficaria com ele.

― Você acha que Angel vai concordar com eu ser uma Kappa? ― Perguntei, um pouco insegura. Pelo o que eu conhecia de Angel ela não me parecia uma pessoa muito fácil.

― Angel logo não será mais um problema, anjo. ― Johnny sorriu. ― Agora é melhor se arrumar, temos que ir encontrar o resto do pessoal. Eles ficarão surpresos com a nova você.

POV-Charlie

Angel, Joe e Bruce foram até a delegacia procurar por Katherine e Killian, enquanto eu, Peter e a minha vó fomos até o Hospital. Amy e Bobby ficaram caso alguém aparecesse.

Nós estávamos na recepção do hospital dando os nomes das pessoas que ainda faltavam até encontrar o sortudo.

― Pablo Fernandez? ― Peter perguntou e a recepcionista acenou negativamente, digitando no computador. ― Talvez Michael Smith?

― Michael Smith! ― A recepcionista falou. ― Deu entrada ontem no fim da tarde, está bem aqui! Espero que seja o amigo de vocês.

― Ainda bem!! ― Falei aliviada.

― Você sabe se é grave? ― Peter perguntou.

A recepcionista deu de ombros e fez uma cara de tédio.

― Com vocês adolescentes bêbados em Vegas, nada é ruim demais que não possa ser curado. Provavelmente ele está com alguma DST. Só um minuto e vocês já podem entrar.

Eu e Peter fizemos uma cara de nojo.

― Moça, será que seria possível vocês darem uma olhadinha na minha avó? ― Olhei por cima dos ombros onde minha vó estava sentada no sofá da recepção, fingindo ler uma revista que estava de ponta cabeça. ― Eu não acho que ela está passando muito bem.

― Ela só está velha, gente velha é estranha. ― A recepcionista falou e olhou para ela, minha vó acenou animadamente.


A enfermeira saiu andando e deixou a gente ali.

― Obrigado por nada, idiota! ― Gritei para as costas dela.

― Ela está ótima! ― Peter falou e olhou para ela, removendo todas as almofadas do sofá da recepção. ― Mais ou menos! Nada grave. ― Ele me deu uns tapinhas nas minhas costas tentando me acalmar.

Outra enfermeira veio nos chamar para entrar e nós fomos, certamente não era grave já era deixou nós três entrarmos no quarto. Eu entrei primeiro e depois Peter e minha vó. Mike estava deitado na cama, vestindo um daqueles pijamas de hospital, com uma bolsa de gelo entre as pernas e sorriu ao nos ver.

― Hei pessoal! Bom ver vocês! Querem pudim? ― Ele pegou um potinho do criado mudo ao lado da cama.

― Mike, você está bem? ― Perguntei preocupada. ― O que aconteceu?

Ele ficou um minuto em silêncio e fez uma cara de dor, então olhou para todos os lados do quarto, procurando uma maneira de falar.

― Isso é embaraçoso... Mas, ― Ele fez uma pausa e uma careta. ― eu quebrei meu pinto. ― Mike apontou para a bolsa de gelo entre as pernas.

― Você o que? ― Perguntei, pensando ter entendido errado.

― Eu quebrei o meu pinto!

Peter soltou um gemido angustiado e fez uma careta.

― É, exatamente assim mesmo Pete! ― Mike falou.

― E como isso aconteceu? ― Perguntei.

― Bem... ― Ele fez uma pausa e ficou um pouco pensativo por um momento. ― Eu não me lembro muito bem, não sei se não os remédios que eles me dão ou o que é, mas eu não me lembro muito bem dos detalhes. Enfim, nós chegamos aqui e eu conheci essas duas modelos russas super gatas na festa da piscina e vocês sabem como as coisas estavam devagar nesse departamento para mim mas elas me convidaram para um menage e eu estava tipo: porque não? Bom, eu acabei tomando 3 compridos de viagra para garantir que não ia falhar e eu até não falhei nas primeiras 9 horas, mas ai aconteceu que elas quiseram fazer uma posição bem esquisita chamado o helicóptero invertido na cavidade vaginal e...

― MEU DEUS! ― Eu gritei e tampei os ouvidos o impedindo de continuar. ― Eu acho que já ouvi o suficiente.

― Vocês transaram por 9 horas? ― Peter perguntou, admirado. ― Você é meu novo super herói!

― Peter! ― Dei um tapa no seu braço.

POV-Angel

― Olá, meu nome é Angel Waters e eu estou aqui para pagar a fiança da minha mãe, Katherine Romanoff. ― Falei para a recepcionista na delegacia de Las Vegas.

Ela me olhou por cima dos óculos e depois para Bruce e Joe, parados cada um de um lado meu.

― Esses são os meus guardas costas. ― Falei sorrindo.

― Cala a boca! ― Joe resmungou.

A recepcionista revirou os olhos e se levantou.

― Eu já volto. ― Disse ela.

― Só uma pergunta! ― Chamei antes dela se afastar. ― Vocês aceitam cartão de crédito? ― Abri um largo sorriso para ela.

Ela simplesmente me ignorou e saiu andando.

― E quanto ao Killian? ― Bruce perguntou.

― Eu não faço caridade! Menos ainda para gente velha, dã! ― Falei, indo me sentar na recepção.

Peguei uma revista da mesinha e comecei a ver, fingindo estar realmente interessada. Qualquer coisa era melhor do que falar com aqueles dois.

Bruce se sentou na cadeira ao lado da minha na recepção e olhou para o artigo que eu estava lendo.

― Qual a melhor marca de óleo para o seu carro esporte? ― Ele leu em voz alta, fazendo uma careta.

― O que? ― Olhei para ele. ― Eu dirijo um conversível.

Ele acenou positivamente e virou para frente de novo, mas só por um segundo.

― Então, sobre ontem a noite. ― Bruce começou mas eu o impedi de continuar.

― Esqueça que ontem a noite aconteceu. ― Falei séria para ele.

POV-Bruce

1 DIA ANTES

― MEU DEUS, ISSO É MARAVILHOSO! ― Angel falou de boca cheia, enfiando outra garfada de bolo na boca, me fazendo rir.

Nós estávamos sentados na cama de um dos quartos da suíte, comendo o bolo de aniversário do Pablo e dividindo uma garrafa de champanhe. Angel estava bêbada o suficiente para comer bolo.

― Há quanto tempo você não comia bolo? ― Perguntei.

― Eu não sei, acho que alguns anos. ― Agora eu entendia porque ela era tão cruel, era tudo falta de bolo. ― É preciso manter a forma. Eu sei que eu vou me arrepender amargamente disso amanhã.

― Claro que não! ― Falei. ― É só bolo.

― Bolo que te deixa gorda e você sendo gorda você não é popular, dã! ― Ela falou, dando um gole no champanhe.

Olhei sério para ela, sem entender. Em um momento ela abaixa a guarda e mostra quem ela realmente é e então no seguinte ela vai e diz algo rude desse jeito. Parece que toda vez que ela começa a parecer humana ela quer parecer mais como um monstro de novo.

― Ser uma pessoa ruim também não te faz muito popular. ― Falei, mesmo me arriscando a fazer ela parar de falar comigo na hora.

― E o que você sabe sobre ser popular? Porque desde que eu me lembro você sempre foi perdedor. ― Ela foi rápida no gatilho. ― E se você está aqui para ficar julgando igual os seus amigos, a porta é ali.

Fiquei em silêncio por um momento e abaixei a cabeça.

― Me desculpe. ― Falei. ― Não quis ofender.

― É, mas você fez de qualquer jeito! ― Ela deu de ombros.

― Angel, eu só quis dizer que... ― Fiz uma pausa e olhei para ela. ― Você poderia ser mais como você era. A garota que você era quando chegou na faculdade.

― Estúpida? Idiota? Perdedora? ― Ela revirou os olhos.

― Gentil. Educada. Humana.

― Eu sou uma versão melhorada de mim mesma. ― Ela abriu um sorriso venenoso.

― O que aconteceu de tão ruim para você se tornar essa pessoa? ― Perguntei e ela perdeu o sorriso do rosto.

Angel deixou o prato de bolo de lado e se levantou da cama, caminhando pra frente de um espelho e começou a arrumar o cabelo e retocar a maquiagem.

― Você está me distraindo. É melhor sair daqui, preciso fazer o que vim aqui para fazer.

Fiquei sem resposta e me levantei da cama.

― Não faça nada estúpido, Angel.

POV-Angel

― Ok. ― Bruce concordou sem discutir. Talvez ele estivesse tão cansado de discutir quanto eu.

― Hei gente, olha só isso aqui! ― Joe gritou da frente de uma cela cheia de travestis. ― Vamos lá garotas, um, dois, três...

No rádio da delegacia estava tocando Venus da Lady Gaga e quando o refrão começou a tocar, ele começou a dançar a coreografia da música com os travestis por trás das grades.

― Hei Joe, que bom que está se sentindo em casa amigo! ― Bruce disse, apoiando aquilo.

― Ele encontrou a sua espécie, não é adorável? ― Falei, sorrindo.

― Eu amei esse lugar! ― Ele gritou de volta, ainda dançando.

― Arrasou miga! ― Gritou um dos travestis por trás das grades.

POV-Amy

Eu estava sentada em um sofá sozinha no meio da suíte, enquanto Cece estava em sentada em outro num canto e Joe no mesmo sofá na outra extremidade mais distante. Enquanto Bobby estava sentado sozinho em uma poltrona acariciando o pavão sentado no seu colo como se fosse um cachorro.

― Então, cadê o resto do pessoal? ― Cece perguntou.

― Na cadeia. ― Bobby respondeu. ― E no hospital.

Ela fez uma cara de assustada.

― Nada grave. ― Falei, sorrindo.

― Vocês acham que tem lobos nesse deserto de Vegas? ― Jon perguntou.

― Que tipo de pergunta é essa? ― Olhei confusa para ele.

― Só uma pergunta. Normal. ― Ele gaguejou. ― Eu não quero ser comido por lobos.

Cece deu um tapa na própria testa depois disso.

― Dá pra ficar de boa? ― Ela sussurrou para ele.

― Nós podemos sacrificar o pavão e dar para os lobos comerem. ― Bobby falou, com um sorriso maligno na cara.

Ok, isso está começando a ficar bem estranho. A porta da frente se abriu e Charlie, Peter, sra. Hamilton e Mike passaram por ela.

― Hei pessoal! ― Mike falando, andando de um jeito bem esquisito.

― O que aconteceu com você? ― Eu perguntei, olhando como ele estava torto.

― Ah, vocês sabem. Longas história, quebrei meu pinto. Nada demais.

― O QUE? ― Jon gritou.

― Meu Deus! ― Cece falou, assustada.

― Tem certeza que você está bem? ― Charlie perguntou a ele. ― Você está andando como uma bruxa da Disney.

― É, claro! Tudo numa boa. Será que alguém pode pegar uma cadeira de rodas pra mim, pelo amor de Deus? ― Mike gritou antes de desmaiar.

― Ok, alguém pode me ajudar ver se ele está morto? ― Peter perguntou, colocando as mãos na cintura.

POV-Bruce

― Hei mãe! ― Angel falou assim que eles liberaram Katherine e ela passou pela porta da frente. ― Bom ver você! Como estava a cadeia? Já arrumou uma namorada?

― A cadeia não é nada como Orange Is The New Black nos mostra. ― Katherine disse meio traumatizada.

― Ah, não me diga! ― Angel disse irônica. ― Vamos! E o que você estava pensando? Roubar de um cassino? Você não é rica o suficiente?

― Onde está o Killian? ― Katherine perguntou, olhando para nós três.

― Na cadeia, se tivermos sorte onde ele vai ficar para sempre. ― Angel disse.

― Nós temos que tirar ele também!

― O quê? ― Angel gritou, como se Katherine tivesse dito a pior coisa do mundo.

― Filhinha, por favor? ― Katherine choramingou e Angel cedeu bufando de raiva.

POV-Joe

2 DIAS ANTES

― Que porra você estava pensando? ― Sussurrei, agarrando Adam pelo colarinho da camisa com as duas mãos e o empurrando contra a parede. Sua cabeça se chocou com força contra a mesma.

Eu mal pude esperar a primeira oportunidade de estar sozinho com ele para quebrar a sua cara. Que merda ele estava pensando em ir até ali com Summer e ainda por cima Angel?

― Tira as mãos de mim! ― Ele tentou se soltar mas eu o empurrei contra a parede de novo.

― Você é muito filho da puta ou só estúpido mesmo? ― Perguntei, me irritando ainda mais.

― Ambos. ― Ele abriu um sorriso descarado. ― Senti saudades.

Adam se esticou e tentou alcançar meus lábios. Mas o soltei e me afastei.

― Para com isso. ― Disse sério. ― Nós acabamos.

― Eu não acabei ainda. ― Ele olhou para ambos os lados do corredor da suíte onde estávamos, assim que teve certeza que não havia mais ninguém ali, me alcançou com dois passos e segurou meu rosto, me beijando.

Me permiti aproveitar aquela sensação por um momento, até o empurrar para longe de novo.

― Acabou, Adam. Fique longe de mim! É melhor que dê o fora daqui com a sua namorada antes eu conte a ela quem você realmente é. Estou falando sério, se vocês não forem eu vou contar!

Olhei para ele e então sai andando para longe dali.

POV-Bruce

― Joe? ― Chamei Joe, sentado em uma das cadeiras da recepção e completamente distraído. ― Joe? ― Ele não nem se moveu. ― Joe? ― Estalei os dedos na frente do seu rosto.

― Hei! ― Ele respondeu surpreso, voltando a realidade como se tivesse acabado de acordar de um cochilo.

― Tudo bem? ― Perguntei confuso.

― É, é! Claro! ― Ele sorriu. Katherine e Angel estava afastadas, do outro lado da sala preenchendo a papelada para liberar Killian. ― Bruce?

― Sim? ― Me virei para ele.

― O que houve com Adam ontem?

Precisei me esforçar para conseguir me lembrar de alguma coisa sobre isso.

― Adam? ― Repeti, quando uma vaga lembrança me veio a mente. ― Ele inventou qualquer desculpa sobre Summer e os dois foram para a casa dos pais dela.

― Então sem conflito? Ele simplesmente pegou e foi? ― Joe perguntou, sem entender.

― É, pelo o que eu me lembro sim. ― Acenei positivamente.

Joe ficou parado por um momento, parecendo ficar ainda sem entender.

― Porque? Algum problema?

― Não! Não! Tudo certo! ― Ele se levantou. ― Olha lá o Killian.

Ele estava vindo pela porta de vidro que levava aos fundos da delegacia, com as mãos algemadas e uma mordaça na boca. Com um guarda de cada lado dele.

― Mas que merda é essa? ― Perguntei, sem entender.

― O que aconteceu? Uma noite na cadeia e ele se tornou o Hannibal Lecter? ― Ouvi Joe falar.

Os policiais abriram a porta de vidro e só começaram a liberá-lo quando estávamos na recepção.

― O que aconteceu? ― Angel perguntou aos policiais, enquanto ele o soltaram das algemas.

― O seu avó aqui tem o péssimo hábito de morder os nossos agentes. Ontem a noite ele quase arrancou a orelha de um dos nossos que tentou prende-lo.

Angel olhou chocada para Killian e ele deu de ombros como se não fosse grande coisa.

― Eu não acredito nisso! ― Angel disse e saiu andando na frente.

POV-Angel

Assim que voltamos para o hotel, deixei que Bruce, Joe e Killian subissem primeiro para a suíte enquanto permaneci no saguão com a minha mãe. Eu ainda estava tentando decidir se eu a matava ou simplesmente nunca mais falava com ela quando gritei no meio do saguão.

― Roubar um cassino, mãe? O que diabos você estava pensando? O que você vai fazer na próxima? Matar o presidente?

― Me desculpe! ― Ela choramingou, fazendo um sinal com as mãos para eu falar mais baixo. ― Eu não tive escolha, Angel!

― Como assim não teve escolha? Killian te ameaçou? Ele colocou uma arma na sua cabeça e disse: HEI KATHERINE, VAMOS ROUBAR ESSE CASSINO? ― Fingi uma voz grossa como a de Killian.

― Não foi isso que eu quis dizer, Angel! ― Ela começou. ― Não foi ideia do Killian roubar o cassino, foi minha.

― PIOR AINDA! ― Gritei.

― Ai Deus, eu preciso de um martini para ter essa conversa. Podemos ir até o bar? ― Ela perguntou, já começando a andar em direção ao bar.

― Volta aqui! ― Eu a agarrei pela blusa e a puxei de volta. ― Porque diabos você roubaria um cassino, mãe? Nós somos ricas! Você é cleptomaníaca? Isso tem tratamento sabe, nós podemos pagar!

― Não somos mais. ― Ela falou e se encolheu, como se eu fosse lhe acertar um soco.

― O que você quer dizer com não somos mais? ― Perguntei, sem entender.

― Filha, acontece que agora nós somos pobres! ― Ela falou e respirou fundo. ― Uau! Foi bom tirar esse peso das costas. Agora eu definitivamente preciso de um martini.

Eu fiquei sem reação por alguns instantes e simplesmente deixei ela se afastar para o bar, então corri para alcançá-la. Katherine já estava sentada em uma das cadeiras no balcão do bar com uma taça na mão e a levando a boca. Eu fui mais rápida e peguei a mesma, bebendo inteira com um só gole.

Bati a taça no balcão para chamar a atenção do barman e falei.

― Eu vou querer mais um desse!

― Mais dois! ― Minha mãe disse. ― Ou melhor, quatro!

― Pobres? ― Repeti. ― O que você quer dizer com pobres?

― Eu quero dizer quebradas. Falidas. Endividadas. Zero dólares nas contas bancárias. Duras feito pau. Pobres. Muito pobres. Sem um tustão. Completamen― Mas eu não a deixei terminar.

― Eu entendi! ― Parei por um momento. ― E como isso aconteceu?

― Bem... por onde eu começo? ― Ela disse.

― Quer saber, nem precisa dizer. Você pensou em ligar para o papai?

― Ah, dane-se o seu pai! Eu não quero nada dele! ― E eu conseguia entender o porque.

Me sentei ao seu lado no outro banco e debrucei sobre o balcão por um momento. Então olhei para ela de novo.

― O que nós vamos fazer mãe?

― Eu não tenho ideia, filhinha. ― Ela encolheu os ombros.

O barman trouxe os martinis e nós bebemos dois cada uma de uma só vez.

POV-Charlie

Nós estávamos todos na sala quando Joe e Bruce chegaram com Killian e nos contaram como havia sido na cadeia, incluindo uma performance de Joe com um grupo de travestis. Logo em seguida Angel e Katherine chegaram, com caras de quem havia acabado de bater o dedinho na quina da estante.

― Então, quem está faltando? ― Amy perguntou.

― Mary Elizabeth e Johnny. ― Falei. ― Joe disse que Adam e Summer foram embora.

― Pablo. ― Peter falou. ― Pablo é o mais importante, o pai dele vai chegar em meia hora.

― Droga! ― Joe falou. ― Amy, você que transa com ele o tempo todo, não se lembra de onde ele está?

― Não faço ideia. ― Ela encolheu os ombros.

A porta da suíte de abriu e nós ouvimos passos vindo para a sala.

― Pablo? ― Jon chamou.

Mas não foi Pablo quem apareceu e sim Mary Elizabeth e Johnny, na verdade, uma nova versão de Mary Elizabeth. Acho que todos na sala ficaram tão sem palavras quanto eu.

Mary Elizabeth estava muito diferente. Ela havia trocado os vestidos simples e discretos de garota amish por jeans skinny e saltos altos, assim como uma blusa com pele de mais e pano de menos. O cabelo preto estava com um corte repicado e rebelde, a maquiagem a deixava ainda mais bonita e havia um piercing no septo.

― Quem é essa garota? ― Bobby perguntou. ― Ela se parece muito com a Mary Elizabeth mas se veste como uma prostituta.

Mary abriu a boca, sem resposta e ofendida.

― Pelo menos nós sabemos quem colocou um piercing ontem a noite pessoal! ― Amy sorriu e bateu palmas. ― Vamos lá pessoal, hora de encontrar o Pablo.

― Você está diferente Mary. ― Falei e sorri. ― Mas está linda!

― Obrigado, Charlie! ― Ela sorriu, orgulhosa.

Johnny sorriu também, olhando para ela. Eu olhei para Peter e vi que ele encarava Johnny com uma cara nada boa, como se ele soubesse exatamente o que ele estava planejando.

― Eu também diria que você está linda mas acontece que eu obtive uma notícia mais chocante do que essa agora. ― Angel falou.

― Cala a boca, Angel! ― Joe resmungou.

A porta se abriu de novo e todos nos viramos para a entrada da sala, esperando por Pablo. Mas na verdade entraram duas garotas iguaizinhas, vestindo roupas iguais com apenas cores diferentes. Com uma usando tons de rosa e a outra de azul. A garota de azul carregava uma calça e a jogou no colo de Mike no sofá.

― Olá chocolate. ― Ela disse com um forte sotaque russo.

― Qualé Nádia! ― Mike disse, fazendo sinal de vida loka com a mão para ela.

― Nós trouxemos sua calça de volta. ― Disse a outra gêmea.

― Valeu Lana! ― Ele agradeceu. ― Elas são gostosas não?

― Nós quebramos o pinto dele. ― As duas falaram ao mesmo tempo.

Katherine fez uma cara de horrorizada.

― Olá, meu nome é Killian. ― Disse Killian, se aproximando das duas. ― Vocês gostam de homens mais maduros?

― Killian, vê se não morde as garotas. ― Bruce falou.

― Pessoal, se concentrem! Onde é que está o Pablo? ― Amy perguntou, começando a demonstrar sinais de preocupação.

― PABLITOOOOOOOOOOOO! ― Ouvimos uma voz irritante e com um forte sotaque espanhol gritar da porta.

― Oh Deus! ― Ouvi Peter dizer.

― Sim, é Deus! ― Bruce disse, surpreso.

― É a voz de Jesus que eu estou escutando? ― Bobby falou, se levantando.

― Oh meu Deus! É ela pessoal! É realmente ela! ― Jon respirou fundo e se levantou também, quase tendo um ataque cardíaco. ― Ela está vindo pessoal.

Eu e Amy ficamos confusas, enquanto Cece só apertou a ponte do nariz e abaixou a cabeça.

― Quem é ela? ― Sussurrei para Peter.

Mas ele apenas ficou com a boca aberta feito um tonto e não respondeu.

― É a mãe do Pablo, se eu fosse uma mulher, eu definitivamente seria ela. ― Joe foi quem respondeu.

― OLÁ!! OLÁ!! ― Ela gritou entrando na sala. ― SURPRESA!!

Agora eu entendia o que os meninos queriam dizer. Martha Fernandez era basicamente a mulher mais bonita e gostosa que eu já havia visto na vida, sim, isso mesmo, gostosa. Ela era alta e magra como uma modelo da Victoria's Secret, com curvas no corpo de um mexicana e peitos capazes de parar um míssil. E com uma carinha de garota de quinze anos.

― Ela faz eu me sentir meio lésbica. ― Amy sussurrou.

― É, eu também! ― Sussurrei de volta.

Ela usava um vestido colado com um decote maior do que os seus saltos, é obvio que ela tinha peitos para isso. E joias, grandes joias que chamavam a atenção. Seu cabelo era tão bonito que me fazia querer lambe-lo.

― Olá, sra. Fernandez. ― Bobby falou, acenando para ela e sorrindo. ― Eu posso tirar a minha camiseta, se quiser.

― Para de se oferecer para tirar a camisa. ― Killian resmungou para ele. ― Se alguém vai tirar a camisa aqui sou eu.

― Por favor, parem de se oferecer para tirarem a camisa. ― Cece resmungou.

― Meu Deus, esses vôos comerciais acabam comigo. ― O sr. Fernandez entrou na suíte reclamando.

Com senhor eu queria dizer realmente senhor, já que ele tinha pelo menos uns 65 anos de idade. Uma cabeça completamente branca e vestia um conjunto de moletom de ginástica amarelo e preto, que lhe fazia parecer muito com um lápis sem teto.

― Que nojo. ― Jon resmungou quando o pai de Pablo entrou.

― Lá se vai a minha ereção. ― Peter falou e eu lhe dei um pontá-pé na barriga.

― Onde está meu bebezinho? ― Martha voltou a perguntar, com um largo sorriso no rosto.

Bom, essa era uma boa pergunta.

― Onde está o Pablo? ― Cece foi quem falou dessa vez. ― Pablo está por aí, logo ele vai estar aqui. É bom ver vocês, senhor e senhora Fernandez.

― Viu, filha? ― Katherine disse para Angel. ― Essa é a definição de Sugar Daddy. ― E apontou para Martha e o sr. Fernandez.

― Pablo realmente saiu de dentro de você? ― Jon perguntou a sra. Fernandez.

― Peter, posso falar com você um minutinho? ― Sussurrei para ele, mas ele estava focado demais no decote da sra. Fernandez, então eu tive que simplesmente arrastá-lo para longe.

Assim que saímos da sala eu lhe dei um tapa no rosto, o trazendo de volta para a realidade.

― Oh meu Deus, Charlie! ― Ele gritou. ― Porque fez isso?

― Parte para fazer você acordar e a outra parte por ciumes. ― Falei. ― Se bem que ela é muito gostosa.

― Ela é muito mesmo!

― Olha, se concentra! Nós precisamos encontrar o Pablo enquanto o resto do pessoal distrai eles. Precisamos achar o Pablo agora!

― Alguma ideia de onde ele pode estar? ― Peter perguntou.

― Hei, Charlie! ― Bruce entrou no quarto onde nós estávamos. ― Você viu a minha irmã?

― Não, desde que chegamos ela já não estava mais aqui.

― Precisamos encontrá-la. Talvez ela saiba onde Pablo possa estar. ― Bruce disse.

― Boa! ― Peter sorriu.

― Vou dizer a Amy e Cece para distrair os pais dele enquanto vamos procurá-los.

Voltei para a sala e encontrei a sra. Fernandez sentada no sofá com minha vó, Amy, Cece e Katherine, enquanto ela contava uma história engraçada para elas.

― Quando Pablo era pequeno eu gostava de vesti-lo como uma menina apenas para enganar as minhas tias. ― Ela gargalhou. ― Ai quando ele cresceu, encontrou algumas fotos em que estava vestindo como menina e me perguntou quem era aquela bebê. Eu disse a ele que era a sua irmã gêmea que morreu.

Amy ficou meio horrorizada enquanto as outras riram junto com ela.

― Você parece uma lésbica de trinta e seis anos. ― Disse o sr. Fernandez para Bobby.

― Obrigado. ― Ele sorriu. ― Como você se casou com ela?

― É uma longa história e uma conta bancária também. ― Ele sorriu, orgulhoso de si mesmo.

― Olha só o que eu encontrei! ― Killian se sentou junto com os rapazes, trazendo uma garrafa de whisky.

Me aproximei das garotas e sorri para elas, principalmente para Martha. Puxa vida, eu gostaria de ser como ela.

― Hei pessoal! Sra. Fernandez, eu ainda não me apresentei. Eu sou Charlie, eu moro com os meninos, sou da mesma fraternidade que o Pablo.

― Charlie? ― Ela repetiu. ― Mas isso não é nome de menino?

― É uma longa história. Meus pais eram meio drogados. ― Falei.

― Não se sinta mal, queridinha! ― Ela disse segurando a minha mão por consolo. ― Lá no México, eu tenho uma prima que se chama Rogério Rondinelli.

― Obrigado! ― Sorri, tentando parecer que estava tudo bem. ― Olha, eu, Peter e Bruce precisamos resolver umas coisinhas. Pablo também já está chegando. Tem problema se vocês ficarem com o resto do pessoal por um tempinho?

― Tudo bem! ― Ela sorriu. ― Pablo já está a caminho?

― Claro, claro! ― Sorri para ela.

― E onde ele está?

― Onde ele está? ― Gaguejei. ― Pablo está... ― Mas simplesmente não consegui falar.

― No mercado. ― Cece disse.

― Ele foi comprar absorventes. ― Amy completou.

― Para ela. ― Apontei para Amy. ― Pois é sua namorada, então vocês tem muito o que conversar! Tchauzinho! Vovó se comporte, por favor.

― AHHHHHHHHH! PABLO TEM UMA NAMORADA! JUAN, OUVIU ISSO? ― A sra. Fernandez gritou. ― Venha conhecer a namorada de Pablo.

― Charlie, eu vou te matar! ― Amy sussurrou.

POV-Bruce

Eu, Peter e Charlie estávamos saindo do apartamento enquanto a sra. Fernandez gritava super empolgada com Amy. Nossa última aposta seria a minha irmã, talvez ela pudesse ajudar.

Assim que passamos para o lado de fora demos de cara com Angel parada no meio do corredor, com os braços cruzados sobre o peito e um sorriso diabólico no rosto. E o seu olhar era de 100% maldade. Isso não era um bom sinal.

― O que vocês estão fazendo? ― Ela perguntou.

― Nós vamos resolver umas coisas. ― Peter respondeu.

― Sai do caminho, Angel. ― Charlie rosnou. ― Ou eu vou precisar chutar você dai?

― Eu sei que vocês perderam o mexicano. ― O seu sorriso aumentou.

― Nós não perdemos ele! ― Peter negou, indignado.

― Perdemos sim, Pete. ― Sussurrei para ele, mas era verdade.

― Vocês são burros demais! Porque não vão até a cozinha do hotel e peguem algum garoto mexicano de lá? Todos eles são iguais mesmo, os pais dele nem vão notar a diferença. Mexicanos são burros!

― Ah, não! ― Charlie gritou. ― Eu vou acertar um murro assassino nela!

Charlie saiu correndo para bater em Angel que apenas riu, Pete foi mais rápido e segurou sua namorada pela cintura.

― Hei! Hei! Hei! ― Ele falou, segurando Charlie. ― Se acalma. Já disse para não levar nada do que ela fala a sério.

― Isso mesmo! ― Angel falou. ― Não me levem a sério e nunca vão saber onde Pablo está.

― O que? ― Perguntei confuso.

― Você não fez isso! ― Pete cerrou os olhos para ela e abriu a boca indignado. ― Você sequestrou ele?

― Você sequestrou ele! ― Charlie gritou e apontou o dedo para ela. ― Seu monstro!

― Onde está o Pablo? ― Perguntei.

― Eu não sequestrei ele, acordem! Quem vai pagar resgate por ele? Dããã! ― Ela revirou os olhos. ― Eu apenas me lembro onde vocês esqueceram ele. Então vamos, antes que o sr. Fernandez mate todo mundo por sequestro do filho dele.

Nós três olhamos um para o outro e depois para Angel.

― Pete? ― Olhei para ele, esperando ele decidir.

― Vamos. Não temos outra opção. ― Ele deu de ombros e olhou para Charlie como se sentisse muito.

― Eu ainda acho que ela sequestrou ele. ― Charlie resmungou.

― Eu sei amor, eu sei. ― Pete disse.

― Vamos logo, perdedores! ― Angel disse e saiu andando na frente.

POV-Pete

Nós quatro estávamos no meu Jeep dirigindo por uma estrada que lavava aos deserto de Las Vegas indo até o local onde Angel que disse que supostamente deixamos Pablo. Eu e Charlie estávamos nos bancos da frente e Angel com Bruce atrás. Charlie não parava de fuzilar Angel com os olhos pelo retrovisor.

Charlie continuava sussurrando que tudo isso era um plano para ela tentar nos matar no deserto.

― Então, Angel... Em quanto tempo mesmo você disse que poderíamos chegar lá?

― Meia hora ou quarenta minutos. ― Ela disse.

― Primeiro você disse uma hora e meia. Agora já mudou para meia hora. ― Charlie se virou para olhá-la. ― O que está tramando Angel?

― Eu disse uma hora e meia porque seu namorado dirige como um velho dirigindo uma cadeira de rodas motorizada! Quem é ultrapassado por um carinho de golf?

― Hei! ― Eu gritei. ― Eu só estou dirigindo de maneira segura! Tem muitos coiotes nessa pista, eu não quero atropelar nenhum.

― Claro que não quer, porque se você o fizer o seu carro simplesmente desmonta de tão velho! ― Angel disse e chutou o banco de Charlie.

― Vadia! ― Charlie tentou acertar um soco nela mas ela se desviou.

― Meu Deus, gente! ― Bruce foi quem falou dessa vez. ― Querem se acalmar?

Todo mundo ficou em silêncio por pelo menos uns quinze segundos.

― Alguém tem água ai? Eu estou me sentindo tão desidratada. Meu cabelo também está uma porcaria. Eu acho que é essa areia do deserto. ― Angel ficou tagarelando e eu bati a cabeça no volante, pensando em suicídio.

― Vá falar para alguém que se importa, Angel. ― Charlie disse.

― Bruce se importa, não é Bruce? ― Ela se virou para ele.

Bruce ficou apenas parado de boca aberta sem saber que lado tomar.

― Viu? É isso o que eu ganho por tentar ajudar! ― Angel começou a tagarelar novamente. ― Estou no meio do nada nesse carro velho com vocês idiotas, suando feito uma porca no verão e ouvindo a essa música horrível!

― Hei! Não insulte The 1975. ― Bruce disse.

― É claro que eu insulto, porque parece só uma guitarra e um monte de reclamação.

― Olha quem fala de reclamação! ― Charlie disse.

― Angel, quer parar? É o meu carro, a minha música e eu vou dirigir na velocidade que eu quiser! E se não está bom para você então você pode simplesmente sair do carro. ― Eu disse, perdendo a paciência.

― Tá bom então, para o carro.

Eu apenas a ignorei e continuei dirigindo.

― Para o carro, Peter! ― Ela gritou, soltando seu cinto de segurança. ― Ou eu vou pular dele em movimento.

― Ah, por favor! Faça isso! ― Charlie disse, rindo.

― Angel, quer parar? Coloca o cinto!

― Boa sorte achando seu amigo mexicano sozinho! ― Ela se esticou no banco tentando alcançar o volante.

― Angel, ficou louca?! ― Eu gritei, enquanto ela tentava pegar o volante.

Angel estava praticamente em cima de mim, puxando o volante para um lado enquanto eu puxava para o outro. Charlie acertava socos nela, tentando afastá-la, enquanto Bruce puxava a sua cintura para fazê-la se sentar. Foi então que Angel puxou o volante com tanta força para um lado que o carro saiu da pista e passou sobre uma pedra pontiaguda, eu só ouvi o barulho do mesmo furando e depois a frente bateu em um rochedo.

― Pronto! ― Ela gritou. ― Agora eu posso sair!

Angel saiu do carro.

― Você ficou louca? ― Eu gritei, saindo do carro também. ― O que você fez?

Mas ela não respondeu, apenas saiu andando.

― Angel, onde você está indo? ― Bruce perguntou, saindo do carro também. Observando ela andar de salto no meio do deserto.

― Deixem ela ir, quem sabe assim um coiote não come ela e faz o serviço pela gente. ― Charlie disse.

Foi só mencionar o coiote que ela parou e voltou para perto de nós.

― Eu disse para você parar o carro! ― Ela falou. ― Não é culpa minha!

― Tudo isso é culpa sua, Angel! ― Eu gritei irritado.

― Hei, vamos nos acalmar, ok? ― Bruce disse. ― É só um pneu furado. Pete, pegue o step e nós vamos trocar e dar o fora daqui.

― É Bruce? ― Falei, olhando para ele. ― Esse era o step.

― Oh, merda! ― Bruce resmungou.

POV-Amy

― Ai, eu estou tão feliz que Pablito tenha encontrado alguém! ― Disse a sra. Fernandez segurando uma das minhas mãos entre as suas.

― É. ― Concordei, olhando para os seus peitos. Deus, eu gostaria de ter peitos assim. ― Eu também estou muito feliz.

― Ain, ele está demorando, não? ― Ela perguntou, desconfiada.

― Ah, você sabe como homens são! ― Cece interveio. ― Eles nunca sabem qual é o absorvente certo.

― É mesmo! ― Ela concordou. ― No México, a maior parte do homens só sabem jogar, transar e matar. ― Ela deu de ombros, como se fosse normal. ― Pablo é um príncipe.

― É! Os homens do México parecem adoráveis mesmo! ― Cece concordou, fingindo que não estava tão assustada quanto eu.

― Me desculpe pela pergunta Martha, mas quantos anos você tem? ― Katherine perguntou a ela, olhando-a com curiosidade.

― Quarenta e três. ― Ela respondeu, sorrindo orgulhosa.

― Pode me passar o contato do seu cirurgião plástico?

― Não! Não! Isso não é plástica. ― Ela sorriu. ― É genético. Minha mãe era assim, minhas tias eram assim, minha avó era assim. Até mesmo meu avô tinha esse corpo.

― O seu avô tinha peitos lindos então. ― Falei.

― Ele tinha sim! Sabe, eu tive uma prima que era cega e ela simplesmente não conseguia ver o quão bonita ela era.

― Isso é tão triste. ― A sra. Hamilton falou.

― É, eu sei.

Minha nossa, onde estavam eles com Pablo? Eu não sabia por mais quanto tempo íamos conseguir segurar as pontas.

― Nós podemos descer para o restaurante? ― O sr. Fernandez se levantou. ― Esse garoto aqui está cheirando como uma striper que morreu numa cabana há três dias. ― Ele apontou para Bobby.

― Ótima ideia! ― Falei, me levantando. ― Martha, nós adoraríamos ouvir outras histórias suas lá no restaurante.

POV-Charlie

― Charlie, você pode se acalmar, por favor? ― Peter me pediu, ajoelhado diante do pneu furado do Jeep.

― Me acalmar, Peter? Me acalmar? ― O fuzilei com os olhos. ― Você tem a coragem de me pedir calma? Nós estamos no meio do nada no deserto com o seu pneu furado e Angel! Nenhum celular está dando sinal! E inclusive, tem uma boa chance de os coiotes comerem a gente! E eu tenho quase certeza que é aqui que nós morremos!

― Charlie está certa. ― Bruce disse se aproximando de nós. ― Os lobisomens saem da toca a noite mano! Eu não quero que ninguém me coma! Eu tenho cintura larga e uma bunda gordinha, eu vou ser o primeiro a morrer!

― Cara, é meio dia! Não há lobisomens aqui! Só se acalma! ― Pete fez um sinal com as mãos para ele se acalmar.

― Eu tenho um plano. ― Comecei a falar. ― Vamos nos trancar no carro e esperar por ajuda, enquanto podemos deixar Angel aqui para os coiotes e os lobisomens comerem ela. Que tal?

― E se a ajuda nunca vir? ― Bruce disse. ― E se nós tivermos que nos alimentar um do outro e virarmos selvagens do deserto?

― Gente! A estrada de volta para a cidade é de uns três km apenas, ok? Agora, o que nós deveríamos fazer é convencer Angel a continuar andando até o local onde Pablo está. Pegamos Pablo e voltamos andando para o hotel. Ninguém vai morrer!

― Andar mais? ― Choraminguei. ― Pete, os pernilongos já estão me comendo viva.

― Então você pode ficar aqui com Bruce e eu vou convencer Angel a ir comigo, ou então vocês podem ir na frente e pedir ajuda.

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― Eu não vou deixar você sozinho com essa naja, ela pode te matar! ― Falei séria.

― Charlie... ― Pete se aproximou de mim e segurou meu rosto com as duas mãos.

POV-Pete

1 DIA ANTES

Quando segurei no rosto de Charlie no meio do deserto, tentando acalmá-la, me lembrei de outro flash da noite passada. Nós estávamos deitados lado a lado na cama do quarto da suíte, cobertos com o lençol da cama e respirando ofegantes.

― Bom, isso foi bom! ― Charlie disse, rindo.

― E quando é que não foi? ― Perguntei ofendido.

― Você realmente quer saber? ― Ela arqueou as sobrancelhas para mim.

Olhei para ela sem acreditar, até que ela caiu na gargalhada. Eu sorri com a cara que ela fez e fechei os olhos, apenas para ouvir a sua risada.

― Você já parou para pensar que nós não somos capazes de fazer um sexo tipo bem selvagem e safado? ― Eu disse.

― É verdade. ― Ela concordou, ainda respirando ofegante. ― Nós deveríamos marcar um dia de fazer um sexo assim.

Eu cai na gargalhada de novo.

― Viu? É por isso que nós não conseguimos. Quem marca um sexo safado?

― Ok, péssima ideia! ― Charlie riu também. ― Talvez você possa ser mais agressivo e me chamar de vadia na próxima vez.

― Isso é uma boa ideia! ― Fiz uma pausa e olhei para ela. ― O que você acha de anal?

― Cala a boca, Peter!

― Foi só uma ideia. ― Eu falei.

Nós éramos o casal mais esquisito que já existiu. Nós conseguíamos ser mais amigos do que um casal de verdade e eu acho que era isso que fazia a nossa relação tão especial.

― Sua vó é adorável. ― Eu disse.

― Sim, ela é! ― Charlie riu. ― Minha mãe vai me matar quando descobrir que nós demos maconha para ela.

― Com certeza. ― Concordei com ela, rindo também.

Por um momento apenas fiquei deitado ao seu lado, a ouvindo respirar e admirando o seu sorriso.

― Charlie? ― Eu a chamei e ela me olhou. ― Eu estou feliz.

― Eu também estou muito feliz! ― Ela se virou de lado, olhando diretamente para o meu rosto. ― Você quer ir comigo para a minha casa no próximo final de semana?

― Sua casa?

― É, conhecer os meus pais e tal. ― Ela sorriu.

― Eu adoraria! ― Sorri de volta para ela.

― Apenas não se vista como um mendigo, por favor. ― Ela pediu, me fazendo gargalhar.

― Charlie, acho que amo você. ― Falei sem perceber.

― Oh meu Deus. ― Charlie perdeu o sorriso do rosto e ficou sem reação.

Depois é que eu percebi a burrada que eu havia acabado de dizer.

― Charlie, me desculpe. Eu não quis. Eu não... ― Gaguejei até que ela tampou a minha boca com a mão.

― Apenas não diga isso de novo, ok? ― Ela pediu.

Apenas acenei positivamente com a cabeça e ela tirou a mão da minha boca.

― Vamos apenas esquecer que isso aconteceu por enquanto, tá bom?

― Ok. ― Concordei.

POV-Charlie

― Vá com Bruce de volta para a cidade. Eu e Angel vamos pegar o Pablo e nos encontramos novamente em uma hora, ok? ― Pete disse segurando meu rosto e acenando positivamente para me convencer.

Desviei meus olhos dos dele por um momento. Eu não gostava nenhum pouco da ideia de deixá-lo sozinho no meio do nada com Angel.

― Tem certeza, Pete? ― Bruce perguntou, meio inseguro. ― Talvez seja melhor se ficarmos todos juntos.

― E se Angel estiver mentindo? Se vocês estiverem com os outros tem mais chances de encontrarem Pablo mais rápido.

― É, por esse lado é um bom plano. ― Bruce encolheu os ombros. ― O que você acha, Charlie? ― Ele me olhou, limpando um bigode de suor com a camiseta.

― Promete que não vai deixar ela matar você? ― Perguntei a Pete, tentando sorrir.

― Amor, eu acho que dou conta de Angel. ― Ele fingiu socar o ar.

― Por favor, tenha cuidado. ― Pedi e apertei sua mão com as duas minhas.

Olhei por cima dos ombros para onde Angel estava e vi que ela estava olhando. Eu apenas a ignorei e me voltei para Pete, soltei sua mão e puxei sua nuca para mim com as duas mãos, alcançando sua boca para beijá-lo. Pete sorriu com a pressão dos meus lábios contra os seus e envolveu seus braços em torno de mim.

Então eu me lembrei de algo da noite passada. Eu e Pete estávamos na cama e ele havia dito que me amava. E tudo que eu fiz foi tampar a sua boca. Será que ele se lembrava disso? Eu acho que não.

― Está tudo bem, vejo você em uma hora. ― Ele disse quando afastou seus lábios dos meus e me deu um beijo estalado na testa.

― Vamos? ― Bruce me perguntou, fazendo um sinal com a cabeça para começarmos a andar.

― Vamos.

Sorri para Pete uma última vez e comecei a caminhar para a direção oposta a ele.

POV-Pete

― Hei idiotas! Onde vocês estão indo? ― Angel gritou quando Bruce e Charlie começaram a se afastar.

Ela foi começar a caminhar na mesma direção que eles, mas eu segurei seu braço a impedindo de continuar.

― Eles vão buscar ajuda. ― Disse soltando o seu braço. ― E você vai me mostrar onde Pablo está.

Ela respirou fundo e olhou uma última vez para os dois se afastando.

― Tudo bem, vamos lá.

POV-Amy

― Charlie, onde você está? Esse lugar é chique e eu não sei com qual faca me matar! ― Sussurrei, deixando a oitava mensagem na caixa postal de Charlie.

Nós estávamos no restaurante do hotel com o sr. e a sra. Fernandez. O sr. Fernandez e Killian estavam bebendo e fumando charutos. Enquanto a sra. Fernandez voltava com uma garrafa de champagne, ela se abaixou para nos servir, o que deixou seus peitos mais a mostra ainda.

Mike que estava sentado em uma bolsa de gelo soltou um grito.

― OH MEU DEUS! Meu pênis está tendo um ataque cardíaco!

― Santo Deus! ― Cece disse a beira do desespero.

― Ai, coitadinho! ― A sra. Fernandez falou e soltou a garrafa, correndo para abraçá-lo.

Mas quando ela o fez, enfiou a cabeça de Mike no meio dos seus peitos. Foi ai que Mike desmaiou, de novo.

― Meu pênis também está tendo um ataque cardíaco! ― Bobby gritou e levantou a mão, esperando a sra. Fernandez enfiar a cara dele nos peitos dela também.

― Então Katarina, como eu estava dizendo... ― A sra. Fernandez continuou falando com Katherine. ― Lá no México nós temos um ditado que diz o seguinte: o amor está na próxima esquina. ― Ela fez uma pausa e pareceu perceber o verdadeiro significado do ditado. ― Ay papi, eu venho de um bairro com muitas prostitutas.

― Nossa, isso foi profundo! ― Disse a sra. Hamilton.

― Oh Deus, onde eles estão? ― Eu sussurrei para Cece, sentada ao meu lado.

Ela apenas ficou em silêncio e fez um sinal negativo com a cabeça, sem me olhar. Então se virou para mim e sussurrou.

― Eu transei com o Jon!

Então tampou sua boca com as duas.

― Sabe o que é isso? ― Disse o sr. Fernandez com um charuto na boca, apontando para o vestido de noiva de Bobby. ― Crise de meia idade.

― Mas eu tenho dezenove. ― Ele falou.

― Você vai morrer aos trinta e oito. ― Killian falou.

Bobby fez uma cara de apavorado.

― Para alguns caras são carros esportes e mulheres, para mim foi golf. Você só foi um pouco mais gay, mas nós respeitamos isso, garoto.

― Cece? ― Me virei para ela e a olhei.

― Sim? ― Ela sussurrou.

― Nós somos pessoas muito esquisitas.

― Eu digo que transei com Jon e é esse o conselho que você me dá? Eu sei que sim! É como fazer sexo com o meu irmão, mas foi incrível! ― Cece fez uma pausa. ― Será que Louis já sabe?

― Cece, onde está a Charlie? E o Pablo? Isso é o mais importante agora! Porque Katherine e Martha e a sra. Hamilton já estão discutindo próteses de silicone.

POV-Charlie

― Deus, eu estou derretendo. ― Falei para Bruce enquanto prendia o cabelo em um coque alto. ― Ainda bem que coloquei sapatos confortáveis.

― Nem me fale. ― Ele disse, caminhando ao meu lado e respirando ofegante.

O clima no deserto era muito quente e seco, toda aquela areia também não ajudava. Eu sentia a minha blusa colando no meu corpo com o suor.

― O que foi aquilo com você e Angel ontem? ― Perguntei. ― Vocês...?

― Não! Não! ― Bruce foi rápido na resposta e sincero.― Nós só dormimos. Alguma coisa aconteceu que ela ficou decepcionada, eu só não consigo me lembrar.

― Angel decepcionada? O que? A unha dela quebrou? ― Revirei os olhos.

― Você está começando a se parecer com ela. ― Bruce disse rindo.

― Pior é que é mesmo!

― Sabe Charlie, por mais que ninguém acredite em mim, no fim das contas eu ainda sei que ela é uma boa pessoa.

― Eu tentei, Bruce. Tentei acreditar que ela era uma boa pessoa com apenas algumas merdas no caminho, mas ela não muda. Ela não se esforça. Algumas pessoas simplesmente não mudam.

― Eu sei o que vocês pensam. ― Ele fez uma pausa e continuou caminhando em silêncio. ― Mas eu não vou desistir dela. Você desistiria do Pete?

― É diferente.

― Não é não.

― Peter não magoa as pessoas por diversão. ― Falei.

― Ele costumava magoar garotas por sexo.

― Ele mudou! ― Eu disse firme, até um pouco grossa.

― Angel também pode.

POV-Angel

― Será que dá para andar mais devagar? ― Gritei para o idiota de Peter que estava a pelo menos cinco passos a frente de mim. ― Suas pernas são maiores que as minhas.

― Então anda mais rápido! ― Ele gritou de volta, parando para me esperar. ― O quanto mais rápido você anda, a gente chega e pode voltar para o hotel. Falta muito?

― Estamos quase lá! Não é fácil atravessar o deserto de salto alto!

Ele me esperou até eu finalmente alcançá-lo para começar a andar de novo.

― Estou com sede. ― Falei.

― Eu também. ― Peter me olhou por um momento e perguntou. ― Tem alguma coisa rolando com você e Bruce?

― Claro que não, acorda!

― Eu só perguntei. ― Ele encolheu os ombros. ― Ele gosta mesmo de você. Porque não dá uma chance a ele?

― Porque eu não quero. ― Respondi, sem paciência para essa conversa.

― Ta né.

Fiquei em silêncio por um momento, mas eu não resisti a perguntar. Eu sabia que ele não se lembrava, mas essa dúvida estava me assombrando.

― Você se lembra de ontem a noite? ― Engoli em seco. ― De nós dois?

Peter me olhou desconfiado e confuso.

― Não. O que aconteceu ontem a noite?

― Nós tivemos uma briga sobre algo estúpido.

― Essa é a sua versão da história. ― Ele continuou. ― Me de mais alguns detalhes, talvez eu me lembre.

― Eu não quero que você se lembre. ― E eu realmente não queria.

― Apenas me diga o porque nós brigamos. ― Ele pediu.

― Eu tentei transar com você para magoar Charlie, você me disse que a amava e como eu era uma pessoa horrível. ― Abri um largo sorriso. ― Foi isso, só isso.

― Eu disse a você que a amava?

― Você deixou isso bem claro. Com todas as letras.

Peter ficou em silêncio por alguns instantes.

― Eu disse a ela que a amava também.

― E o que ela disse? ― Perguntei.

― Me disse para não dizer novamente. ― Pete falou meio decepcionado.

Eu nem pensei em fazer algum comentário maldoso quanto a isso. Eu entendia como é ruim você dizer que ama alguém e a pessoa não dizer de volta.

Peter ficou em silêncio pelos próximos minutos e eu pensei em uma maneira de tentar abordá-lo, para que ele não se sentisse tão mal.

― Minha mãe está pobre. ― Falei.

― O quê? ― Ele me olhou confuso.

― Pobre, Peter. Falida. ― Respirei fundo. ― Eu não sei o que vamos fazer.

― Droga. Eu sinto muito, Angel. De verdade. ― E eu pude ver que ele realmente sentia, Peter sempre me pareceu muito com um filhotinho de cachorro. ― Nós podemos ajudar. Eu e os rapazes, Charlie, Cece e Amy.

― Não preciso da sua piedade. E menos ainda da deles.

― Eu só estava tentando ser gentil. ― Ele encolheu os ombros. ― Não tem problema aceitar ajuda as vezes.

― Apenas não conte a ninguém, ok? ― Eu disse. ― Por favor? ― Nem consegui acreditar que eu havia pedido por favor.

― Ok. ― Ele acenou positivamente. ― Mas se precisar de alguma coisa, eu posso ajudar.

― Eu já disse que não preciso de ajuda.

Pete acenou positivamente e não disse mais nada, nem mesmo olhou na minha direção. Apenas continuou caminhando em silêncio ao meu lado por mais uns cinco minutos.

― Você nunca explicou porque odeia tanto a Charlie. ― Ele começou a falar. ― No começo eu pensei que fosse porque você tinha uma queda por mim no primeiro ano, mas você já deixou bem claro muitas vezes o quanto me odeia. Então eu simplesmente não entendo o porque, você nem conhece ela!

― Pelo amor de Deus, Peter! Você não consegue ficar dez minutos sem falar da sua estúpida namoradinha? A última coisa que eu faria no mundo é brigar com ela por causa de você, acorda!

― Então me diga o porque! É por causa do soco que ela te acertou no primeiro dia? Porque se for isso já está na hora de superar, Angel.

― Eu não tenho que te explicar os meus motivos para odiá-la! ― Eu gritei.

― Você não explica porque nem tem um motivo, Angel! ― Ele gritou de volta para mim.

― Você apenas não entende, Peter!

― Então me explique. ― Ele gritou, frustado.

― Eu não posso! ― Eu fiquei furiosa e lhe empurrei o peito com as duas mãos. ― Me deixe em paz!

Ele apenas cambaleou para trás e ficou me olhando confuso. Me virei de costas para ele, impedindo que ele pudesse me ver chorar. Respirei fundo e limpei as lágrimas do meu rosto e contei até dez. Então me virei novamente e continuei andando por mais dez passos enquanto Pete continuou parado ali.

― É aqui. ― Falei.

Olhei em volta do local. Nós realmente estivemos ali ontem a noite, mas não havia nem sinal de Pablo. O chão estava coberto de cilindros de fogos de artifícios estourados. Mas não havia ninguém ali.

― Onde está o Pablo? ― Pete perguntou, após correr para me alcançar.

― Eu não faço ideia. ― Falei.

POV-Amy

Charlie e Bruce entraram no restaurante parecendo muito com dois mendigos. Sujos, suados e com cara de desespero. Eu fui a primeira a levantar da mesa e corri até os dois antes deles chamarem a atenção de mais alguém.

― O que aconteceu com vocês? Parece que um caminhão de sucata comeu vocês dois e depois vomitou. E onde está Pablo?

― Angel e Pete foram pegá-lo. Angel furou o pneu do carro e nós tivemos que voltar para buscar ajuda, enquanto os dois foram buscá-lo.

― O quê? Eu mal consigo ouvir as histórias dos pais dele! A mãe dele já está falando sobre casamento, sabia? Quer que eu me mude para um sitio no México com Pablo para criarmos galinhas e termos bebês chamados Miguel e Lupita.

― Então venha comigo e vamos buscar Pablo. ― Charlie disse. ― Bruce, me de as chaves do seu carro.

― Hummm... ― Bruce resmungou. ― Você é uma péssima motorista, Charlie.

― Pelo amor de Deus, eu dirijo! ― Eu falei, pegando as chaves do bolso de Bruce. ― Vamos!

― Bruce, distraia eles! ― Charlie falou e saiu andando.

POV-Pete

― Merda! ― Peter praguejou, chutando um dos cilindros de fogos de artifícios.

― Eu tinha certeza que ele estava aqui. ― Falei.

E eu realmente tinha, era a última coisa que eu me lembra da noite passada. Nós viemos aqui para colocar os fogos de artifícios para a ex-namorada de Selina, a irmã de Bruce.

― Veja se você tem sinal de celular. Precisamos avisar a Charlie ou ver se ele já voltou. ― Peter falou. ― Angel, eu estou começando a ficar preocupado.

Eu também estava. Por mais que eu fosse odiar isso agora, eu espero que nada de mal tenha acontecido com o mexicano.

― A namorada. ― Falei.

― Que? ― Peter me olhou confuso.

― A namorada da irmã de Bruce, nós viemos aqui colocar os fogos de artifícios para ela. Foi ideia do Pablo para Selina reconquistá-la.

― Você acha que Pablo pode estar com ela?

― É nossa última chance. ― Eu engoli em seco. ― Ou então é melhor irmos até a polícia.

POV-Charlie

Amy dirigia com uma mão e mordia a unha da outra. Sua expressão estava séria e ela parecia preocupada.

― Nós vamos buscá-los, relaxa. ― Falei. ― Foi tão ruim assim passar o dia com os pais dele?

― Não é isso, Charlie. ― Amy falou, segurando no volante com as duas mãos. ― Nós o deixamos no meio do deserto. Nesse calor, sem água, só Deus sabe porque fizemos isso. Ele pode estar machucado, desidratado. Ou sabe lá mais o que.

Amy não estava irritada por passar um dia com os pais de Pablo, ela estava irritada pois estava preocupada e se importava com ele.

― Você se importa com ele.

― Charlie, é claro que eu me importo com ele! ― Ela se virou para me olhar. ― Da mesma maneira que me importo com você, Cece e qualquer um dos meninos. Mas isso é sério.

― Você não agiria da mesma maneira se fosse com Peter. ― Arqueei minhas sobrancelhas, de maneira sugestiva.

Amy abriu um sorriso debochado.

― É claro que não, porque Peter é seu namorado!

― Você não ficaria do mesmo jeito por Cece. ― Tentei de novo.

― Cece é adulta.

― Pablo também.

― É! ― Ela fez uma pausa e acenou positivamente, aceitando. ― Eu não tenho uma resposta para isso.

― Apenas admita que gosta dele! O que tem de errado nisso?

― É! Eu gosto dele, Charlie! ― Amy falou séria. ― E vai ser a primeira coisa que vou dizer assim que nós o encontrarmos.

― Eu gostei disso! ― Sorri para ela, orgulhosa.

― Olha, é o Jeep de Pete. ― Amy apontou para o Jeep parado no acostamento de terra.

― Nós devemos estar perto. Continue mas devagar.

Amy dirigiu por mais ou menos um km e nós encontramos Angel e Pete caminhando pelo deserto, mas sem Pablo. Amy parou o carro e desceu do mesmo.

― Onde está o Pablo? ― Ela gritou para Peter antes mesmo dele nos alcançar.

― Nós não o encontramos. ― Pete disse. ― Ligue para Bruce e diga a ele para falar com a irmã dele.

― O que a irmã de Bruce tem a ver com isso? ― Eu perguntei sem entender.

― Ela e a namorada terminaram, nós prometemos ajudar e foi por isso que estivemos aqui no deserto ontem. Acendemos fogos de artifícios para ela, como uma declaração. Angel disse que se lembra e que foi ideia de Pablo. ― Pete explicou enquanto eles terminavam de nos alcançar.

― E desde quando você acredita em Angel? ― Amy perguntou, olhando para Angel de cara feia.

O olhar que eu dei para Peter queria dizer exatamente a mesma coisa. Primeiro ela nos fez ir até ali atoa, depois ela vinha com outra teoria de onde Pablo poderia estar e que podia acabar também somente em perda de tempo.

― Se vocês não acreditam nela, acreditem em mim! ― Pete disse. ― Se Pablo não estiver com Selina, eu assumo a culpa e falo com os pais dele. Agora nós precisamos ir.

Eu não tinha gostado nenhum pouco do jeito que Peter se assumiu para levar a culpa no lugar de Angel. Duas horas com ela no deserto faziam isso? E eu que pensei que Peter fosse diferente.

Nós entramos no carro e Amy dirigiu a toda velocidade de volta para o hotel. Assim que entramos na rodovia para voltar a cidade, eu já tinha sinal de celular de novo e liguei para Bruce. Explicando a ele tudo o que Peter havia me falado.

― Bruce, precisamos que encontre a sua irmã!

― Tudo bem, Charlie. Mas ontem Selina me disse que a namorada dela estaria indo embora hoje.

Eu olhei para os outros três no carro.

― Então é melhor correr! Nós já estamos chegando. ― Falei e desliguei.

POV-Bruce

Desliguei o telefone e voltei para a mesa, já fazia mais de uma hora e meia que eles estavam sentados ali esperando por Pablo. O sr. Fernandez me olhou, esperando o que eu ia dizer.

― Era o Pablo, ele acabou de me dizer que está chegando. ― Eu sorri, tentando parecer de boa. ― Pegou engarrafamento.

― Tudo isso para comprar um absorvente? ― O sr. Fernandez disse.

― Talvez ele devesse apenas deixá-la sangrar até a morte. ― Bobby disse.

― Elas não morrem, Bobby. ― Jon explicou a ele. ― Elas apenas sangram por uns sete dias seguidos.

― Se eu sangrar por sete dias seguidos então eu posso não morrer? ― Mike perguntou.

― É claro que você morre seu burro, mulheres tem sete vidas! ― Killian disse.

― Eu pensei que isso fossem os cachorros. ― Bobby disse.

― São os gatos, na verdade. ― Disse Johnny, revirando os olhos.

Por sorte, Joe estava se saindo muito bem em distrair as mulheres com um papo de higiene anal. Nojento.

― Jon. Cece. Posso falar com vocês rapidinho? ― Fiz um sinal com a cabeça para os dois.

Os dois trocaram olhares desconfiados e olharam para mim.

― O que? ― Jon perguntou, como se eu estivesse o acusando de alguma coisa.

― Dá para virem aqui? Só um instante!

Mesmo relutante os dois se levaram e me seguiram para longe da mesa.

― O que foi? Nós não fizemos nada! ― Jon se apressou a dizer.

― Cala a boca! ― Cece disse irritada e lhe acertou um soco no braço.

― Olha, seja lá o que vocês dois fizeram, a gente pode lidar depois ou simplesmente esquecer. Eles não encontraram o Pablo e eu preciso da ajuda de vocês, temos uma ideia de onde pode ser que ele esteja. Por favor, eu preciso que vocês me ajudem.

― Claro cara, com certeza! ― Disse Jon.

― Ok, obrigado. Eu só preciso saber com Selina está agora e vamos dar um jeito nisso.

Tirei o celular do bolso e liguei, o número dela nem mesmo chamou já caindo direto na caixa postal. Foi quando vi o sr. Fernandez se levantar da mesa e vir direto na nossa direção, me olhando de maneira muito suspeita.

― Puta merda ele tá vindo aqui! ― Assim que eu falei, Cece e Jon se moveram para trás de mim.

Apesar da idade, eu achava que ele conseguia chutar a minha bunda numa boa. O sr. Fernandez era alto e ainda um homem forte, e quando fazia cara de sério se parecia muito com o chefe de um quartel mexicano.

Ele parou bem na minha frente e sussurrou.

― Cadê o meu filho?

― Pablo? ― Eu gaguejei e engoli em seco. ― Ele está vindo.

― Ele está vindo a mais de duas horas. Então eu vou perguntar mais uma vez. Cadê o meu filho? ― Ele disse cada palavra bem devagar.

― Sr. Fernandez, eu juro, Pablo está a caminho. É só que aconteceram umas coisas na noite passada e acabou desse jeito. ― Jon interveiu e tentou explicar.

― Eu vou dar meia hora a vocês. ― Ele fez uma pausa. ― Ou vou chamar a polícia.

― Pablo vai estar aqui em meia hora, sr. Eu prometo. ― Cece disse, tão assustada quanto nós.

Assim que ele saiu e se afastou, eu falei.

― Nós estamos fodidos.

― Vamos até as mesas, foi onde encontramos a sua irmã ontem, certo? ― Jon falou. ― Vamos.

E saiu correndo na frente. Nós corremos até o cassino do hotel e entramos, chamando um pouco de atenção. Já que eu parecia muito com um mendigo, Jon estava desesperado por Selina e Cece parecia a beira de colapso nervoso.

Nós encontramos a minha irmã em uma mesa de Blackjack, cercada de jogadores que me pareciam um pouco suspeitos.

― Eu quero jogar! ― Jon disse puxando uma cadeira e já se sentando.

Selina me olhou sem entender, esperando que explicasse.

― Quem diabos é você? ― Um dos jogadores perguntou.― Sel, precisamos da sua ajuda. ― Eu comecei a falar. ― Se lembra do Pablo? Mexicano, usa bigode, engraçadinho, tem pernas lindas e uma tatuagem de faixas no braço. Ele está desaparecido e nós achamos que ele possa estar com a sua namorada.― Porque diabos ele estaria com Riley? ― Selina perguntou confusa.― Hei, está atrasado o nosso jogo! ― Reclamou um dos jogadores.― Porque foi o que nós fizemos ontem! Tentamos ajudar vocês duas a reatar e agora Pablo está desaparecido.― Como assim desaparecido? ― Selina me olhou como se eu estivesse louco.― Olha, o pai dele é muito esquisito e está ameaçando chamar a polícia! ― Jon disse.― Onde está Riley agora? ― Perguntei.― Estão atrapalhando o jogo! ― O cara reclamou de novo.― No aeroporto, ela vai pegar o avião em meia hora. ― Seline disse.― Ah, você só pode estar brincando comigo! ― Eu resmunguei.― Qual é? Será que dá para darem o fora agora? ― O jogador reclamou de novo.― Cala a boca! ― Cece gritou antes de acertar um soco na cara do jogador reclamão, fazendo-o cair de cara na mesa em cima das suas fixas, espalhando-as por todo o lado.― Nossaaaaaaaaaaaaaaa! ― Eu falei, olhando o nariz do cara começar a sangrar.

― Quer saber, eu estou fora! ― Disse outro jogador, jogando as suas cartas na mesa.

― Nós estamos tratando de um assunto sério aqui, mas que cara chato! ― Cece resmungou.― Isso foi tão sexy! ― Jon sorriu para Cece.― Obrigado. ― Ela piscou de volta para ele. ― Eu faço aulas de boxe.― Mas o que diabos está acontecendo aqui? ― O gerente de Selina chegou na mesa gritando. ― Eu estou chamando a segurança! Selina, ficou louca? Não pode deixar que os clientes se agridam! Primeiro permite que eles roubem e agora vai iniciar um vale tudo aqui dentro?― Eu vou ter que te agredir também? ― Cece cerrou os olhos para ele.― Guardas! ― O homem gritou, fazendo um sinal com a mão para chamar os três guardas fortões que estavam vindo. ― Você está demitida, Selina! ― Eu estou demitida? Eu me demito! Não sei como aguentei isso aqui por tanto tempo, eu tenho três anos de faculdade de ginecologista, eu não preciso disso! ― Selina gritou com ele, jogando o baralho que segurava para o alto, fazendo uma chuva de cartas.― Você é ginecologista e lésbica? ― Jon perguntou. ― Você é praticamente um expert em vaginas.― Eu sou sim! ― Selina sorriu.― Cece, por favor, dá um soco na minha cara! ― Eu choraminguei após ouvir isso.― Lá vem eles, corram! ― Selina gritou e saltou por cima da mesa de blackjack, começando a correr entre as pessoas do cassino.

Cece acertou um soco no gerente também, o derrubando no chão. Enquanto eu e Jon puxamos a mesa de blackjack e a empurramos em cima dos guardas, conseguindo uma vantagem para começar a correr.

― Corram! ― Eu gritei.― Cece é tipo o Mike Tyson, né? ― Mike gritou, correndo ao meu lado.― Cece é assustadora pra caramba! ― Eu falei, desviando de uma velhinha.― Me sigam! ― Selina gritou, nos levando pelo caminho certo.

Agora já haviam mais cinco seguranças correndo atrás de todos nós e a porra tava ficando séria. Nós seguimos Selina até o bar do cassino e pulamos o balcão do mesmo. Ela parou para tomar uma dose de tequila que estava ali em cima antes de continuar a correr.Passamos pela porta que havia atrás do bar, que nos levou a uma gigantesca cozinha do hotel.

― Bruce, ligue para Pete! ― Cece gritou, ofegante.― Hummmmm! ― Jon resmingou. ― Que cheiro bom aqui! Será que temos tempo para um lanchinho?― Pelo amor de Deus, Jon! ― Cece o advertiu.

Eu tive que me dividir entre me focar em não cair e continuar correndo, sem bater a cabeça em nenhuma panela enquanto ligava para Pete. Os seguranças gritavam atrás de nós e pareciam cada vez mais perto, assim como os cozinheiros que gritavam sem parar e tentavam nos atingir com colheres e panelas.

Liguei para Pete e ele foi me atender no segundo toque.

― Continuem em frente, vai haver uma porta no fim da cozinha que vai levar vocês aos fundos do hotel. Vão! Vão! Corram! ― Selina gritou e parou de correr.

― Pete? ― Falei ofegante. ― Onde você está?

― Hei cara, já estamos chegando na porta do hotel. Alguma sorte com Pablo?

― Você ainda está no carro?

― Sim. ― Ele respondeu. ― Porque está ofegante?

― Porque estamos fugindo dos seguranças do hotel, preciso que venham nos pegar nos fundos. Rápido Pete, ou alguém pode ir para a cadeia! ― Eu nem deixei ele terminar de esperar e desliguei o celular.

Cece e Jon já estavam bem a frente, chegando ao fim da cozinha. Parei e olhei para trás procurando por Selina, quando a vi abaixada atrás de um fogão. Ela fez um sinal de silêncio para mim. Havia uma panela de sopa no fogo e os cinco guardas vinham a todo vapor.

― Hei, vocês! ― Eu gritei para eles. ― Venham me pegar!

POV-Pete

― O que foi? Eles encontraram Pablo? ― Amy perguntou assim que desliguei o telefone, ela estava encostando a caminhonete de Bruce na entrada do hotel.

― Vá até os fundos do hotel! ― Eu pedi. ― É caso de vida ou morte, Amy!

Ela me olhou assustada e então saiu cantando pneu.

― O que está acontecendo, Pete? ― Charlie perguntou, confusa.

POV-Bruce

Assim que gritei, os seguranças se sentiram mais tentados ainda a me pegar. Então começaram a correr mais rápido, eram sete deles agora. Eu fiquei parado apenas esperando para dar o sinal a minha irmã.

― Sel, agora! ― Gritei quando os seguranças estavam quase lá.

Selina se levantou e empurrou a panela do fogão, espalhando sopa por todo o lado. Como os seguranças estavam a um passo de distância, não tiveram nem tempo de recuar, escorregando no liquido por todo o chão.

― Bang! ― Sorri orgulhoso quando todos eles escorregaram e fizeram praticamente uma avalanche de seguranças. ― Essa é minha irmãzinha!

Um dos seguranças deslizou até os meus pés e parou ali com um gemido. Selina passou por cima dele e sorriu.

― É por isso que você não deve mexer com Batman e a Mulher Gato. ― Ela piscou para ele.

― Droga, hora de ir! ― Falei assim que vi três policiais vindo correndo em nossa direção.

Selina saiu me puxando pelo braço para a porta aberta por onde Cece e Jon já haviam passado.

― MINHA NOSSA! ― Eu gritei quando olhei para baixo da suposta porta e ela se erguia a uns dois metros de altura do chão, com uma lata de lixo embaixo.

Cece já havia saído da mesma e tirava um pedaço de alface do cabelo, enquanto Jon tentava se arrastar para fora da mesma.

― Para de ser mulherzinha. ― Selina falou. ― Você é o Batman!

Então ela me empurrou porta fora, me fazendo gritar. Eu aterrizei do lado de Jon com um gemido de dor e me afundei nos sacos de lixo, logo em seguida Selina caiu em cima de mim.

― Santo Deus, você quebrou a minha coluna. ― Falei, tentando sair do meio dos sacos.

Foi então que ouvimos um cantar de pneu e eu vi a minha caminhonete entrando no beco com Amy dirigindo.

― Precisam de uma carona? ― Ela buzinou e sorriu.

― O que está acontecendo? ― Charlie gritou histérica da janela.

― Sem tempo para explicar! ― Eu disse quando olhei para cima e vi os policiais nos olhando. ― Vamos! Vamos!

Enquanto nós entramos no carro e Amy saiu dirigindo dali a todo velocidade, nós explicamos o que havia acontecido. Tivemos que nos espremer nos bancos para que todo mundo coubesse ali. Amy dirigiu tão rápido que não demoramos mais de dez minutos para chegar ao aeroporto.

POV-Amy

Assim que parei o carro na faixa rápida do aeroporto, eu fui a primeira a descer do mesmo e sair correndo. As pessoas que estavam ali em volta ficaram surpresas quando viram tantas pessoas saírem de dentro de um só carro.

― E agora? ― Perguntei, olhando para eles.

Selina correu até a recepcionista mais próxima e perguntou onde ficava o portão para o próximo embarque para Amsterdam, para a nossa sorte era o mais distante deles.

― Quanto tempo nós temos? ― Pete perguntou.

― Quinze minutos. ― Angel respondeu.

― Então corram! ― Eu falei.

E toda a correria começou de novo. Seria tão mais fácil se entrássemos no aeroporto de carro, é claro que isso nos custaria algumas portas de vidro e possivelmente algumas vidas, mas nem é nada demais quanto de trata de encontrar Pablo.

Depois de correr por quase dez minutos, eu já estava sentindo pontadas na minha costela quando Selina finalmente parou de correr.

― Riley! ― Ela chamou.

― Meu Deus! ― Peter caiu no chão, respirando ofegante.

Uma garota com fones de ouvido em torno do pescoço se virou e não entregou seu bilhete para a aeromoça. Primeiro a sua expressão para Selina foi de confusão, depois surpresa e então ela sorriu. Vindo na sua direção.

― Sel, o que você está fazendo aqui?

― Nós estamos procurando pelo Pablo. ― Bruce disse.

― Eles estão aqui para isso. ― Selina disse. ― Eu não, eu estou aqui por você. Eu amo você, Riley. Me desculpe por ser burra demais e demorar para dizer isso, mas eu amo você. Quero passar o resto da minha vida com você e não tenho mais medo do que as pessoas vão pensar. Eu só quero ficar com você!

― Você está falando sério? ― Riley perguntou, sorrindo

― Nunca falei tão sério na minha vida antes.

Riley não deixou que Selina falasse mais nada, ela simplesmente correu até ela e a beijou.

― Awnnnnnnn, isso é tão fofo! ― Cece falou.

― É fofo mesmo. ― Jon concordou.

― Por favor, parem de beijar e me digam onde Pablo está. ― Falei.

― Toda essa melação me deu dores nos pés. ― Angel resmungou e foi se sentar em uma daquelas malas de equipamentos de Riley.

Quando as duas finalmente pararam de beijar. Selina perguntou.

― Você viu meus fogos?

― Eu vi! ― Riley sorriu. ― Mas eu pensei que você me odiasse.

― Eu não te odeio!

― Ela é só a minha colega de quarto, Lana, é uma modelo russa.

Eu conheço esse nome de algum lugar, pensei.

― Onde está o Pablo? ― Perguntei me aproximando das duas.

― O que diabos tem aqui dentro? ― Angel resmungou, saindo de cima da mala.

Todos nós olhamos naquela direção. Realmente havia alguma coisa dentro da mala. Eu corri até a mesma e destravei as fivelas, então levantei a tampa.

― Meu Deus! ― Eu falei aliviada quando vi Pablo ali dentro. ― Minha nossa, você quase me matou de susto!

Quando eu vi, já estava dentro da mala também, abraçando-o.

― O que diabos você está fazendo ai? ― Cece perguntou.

― Eu só queria tirar um cochilo. ― Ele disse, meio tonto.

― Ainda bem! ― Ouvi Charlie dizer.

― Você me deu um grande susto, sabia? ― Eu disse segurando seu rosto com as duas mãos, ele parecia pálido. ― Você quase me matou de susto! Pensei que estivesse morto! Que nós o matamos!

Pablo abriu aquele largo e lindo sorriso de menino para mim.

― Eu sou difícil de matar, Amy!

Puxei seu rosto para mais perto e lhe beijei. Beijei toda a extensão do seu rosto e da sua cabeça, e o apertei para um abraço novamente.

― Você quer ser meu namorado? Charlie já disse aos seus pais antes mesmo de eu pedir.

― Eu adoraria! ― Ele disse rindo.

― Isso é tão fofo! ― Cece disse com os olhinhos brilhando.

― Está tudo bem gente. ― Charlie disse aliviada. ― Todos nós estamos bem.

― Eu ainda estou morto! ― Peter disse babando do chão.

― Algumas coisas nunca mudam, não? ― Charlie sorriu.

POV-Charlie

Depois que nós encontramos Pablo precisamos levá-lo ao hospital, já que ele estava desidratado por passar doze horas dentro de uma mala acústica. Tudo foi explicado para o sr. e a sra. Fernandez na sala de espera do hospital.

Selina e Riley se resolveram. Selina estava voltando para a faculdade enquanto Riley faria uma turnê de um mês na Europa, que precisou ser adiada pois ela estava tentando levar um garoto mexicano na mala, mas ela ia embarcar em uma semana.

Amy e Pablo estavam juntos e felizes, de novo, ainda bem. A sra. Fernandez estava ansiosa e não parava de falar sobre casamentos e netos. Killian e o sr. Fernandez se tornaram grandes amigos. Nós agradecemos Angel pela ajuda convidando ela e Katherine para o jantar de aniversário de Pablo, onde tivemos um problema com o hotel e precisamos nos mudar, pois havia uma ordem judicial que não permitia nos aproximarmos mais de 500 metros do mesmo.

Então nós fomos jantar em uma restaurante mexicano.

Nós fomos a maior e mais barulhenta mesa ali, mas estávamos todos juntos.

― Pessoal! ― Pablo falou, batendo numa taça com a faca. ― Eu gostaria de fazer um brinde. ― Ele se levantou da cadeira e toda a mesa ficou em silêncio.

― Diga algo em mexicano! ― Bobby pediu, fazendo todo mundo rir.

― Cállate! ― Ele disse, sério. Nos fazendo rir mais ainda. ― Primeiro, eu gostaria de agradecer a minha família por estar aqui! E quando eu digo família, quero dizer todo mundo aqui. Até mesmo você Killian, seu velho ranzinza! ― Killian riu. ― É muito importante para mim vocês aqui e todos os dias na minha vida. E eu só tenho a agradecer por mais um ano e por ter todos vocês. Nós somos irmãos. ― Ele disse para os garotos. ― E você é minha irmãzinha, Blanca. ― Eu sorri para ele. ― Killian e Katherine, as vezes vocês são mais infantis que nós mesmos. Mãe e pai, vocês são muito importantes. Cece e Mary. Sra. Hamilton, você é oficialmente a vovó da ROR. Até mesmo Angel e Johnny, se vocês não existissem quem traria emoções para as nossas vidas? E por último e mais importante, minha linda, linda, linda namorada, Amy. Eu espero que esse seja apenas o primeiro de muitos aniversário que eu possa passar ao seu lado. Obrigado novamente pessoal. A família! ― Ele levantou seu copo.

― A família! ― Todos levantamos nossos copos em um brinde.

Eu também estava agradecida por todas as coisas boas que vinham me acontecendo. Apesar dos altos e baixos, nós éramos uma família. E quando você tem sua família, você tem tudo.

Peter estava sentado ao meu lado, me olhando com um sorriso estupidamente bêbado no rosto e eu queria dizer que o amava, mas tinha medo da sua reação. Talvez aquele ainda não fosse o momento certo, mas eu sabia o que eu sentia.

POV-Pete

Eu estava sentado na mesa do restaurante, observando de longe Charlie dançar uma música mexicana com Pablo e Amy. Enquanto ela usava um sombreiro na cabeça. Deus, ela é linda.

― Pare de babar, idiota. ― Angel sorriu e se sentou na cadeira ao meu lado. ― Todo mundo sabe o quão linda ela é. Ela é incrível.

Provavelmente foi o jeito que Angel sorriu olhando para Charlie que me fez estranhar a sua reação. Parecia que ela estava orgulhosa de alguma forma.

Foi quando me veio mais um flash da noite passada, da minha briga com Angel. Ela havia me falado o motivo, em parte era realmente aquele. Mas o real motivo, iria mudar tudo. Eu desviei meus olhos de Charlie e olhei para Angel, ela ainda estava sorrindo para Charlie.

― Eu sei porque você odeia Charlie. ― Falei.

Angel se virou e me olhou, esperando que dissesse alguma coisa. Ela engoliu em seco e segurou a respiração.

― Porque ela é sua irmã.

Notas finais
OLÁÁÁ MIGASSSSSSSSS!!! Gostaram? Deu pra matar a saudade? Capítulo grande né nom! Bom gente, semana que vem tem mais ok, podem ficar tranquilinhas. OBS: Eu vou terminar de ajeitar e revisar o capítulo com ele postado ok? Pq sei que vocês não aguentam mais esperar e eu prometi quarta então o capítulo tem que ta ai na quarta né. Então gostaram? E o que acharam desse final? Se lembra quando a Katherine disse ela também namorou o pai da Charlie, um ano antes dele ficar com a mãe dela? Pois então, segurem essa marimba aí! Amy e Pablo is back! O que acharam dos pais deles? E da vózinha da Charlie? Johnny já ta plantando a sementinha da maldade né, que mlk mal! Cece e Jon, novo shipp ou nova decepção? AHHHHHHH MAIS UMA COISA, não expliquei o motivo do porque todos terem perdido a memória, pq eu vou deixar para outro capítulo porque to planejando algo muito engraçado, ahhhh, isso envolve a vó da Charlie, ok? Gente, muitos babados! Segurem aí pq no próximo tem mais! Comentem ai que quero botar os papos em dia com todo mundo! Ai que saudade que eu tava de vcs