Notas iniciais
Não gostei muito deste capítulo. Acho que é pq escrevi ele com pressa.

O que aquele diário estava fazendo ali no banheiro e porque meus avós nunca me falaram e nem me mostraram ele? Enxuguei a lagrima em meu rosto. Eu não queria mais chorar. Estava cansado disso. Qualquer coisa uma lagrima saía de meus olhos. Chorar era cansativo para mim. Fechei o armário do banheiro e fui para o meu quarto com o livro em minha mão. Tomei cuidado para meus avós não o verem comigo. Ao chegar em meu quarto, fechei a porta e tranquei. Sentei em minha cama e comecei a ler o diário desde o começo. Naquelas palavras ali escritas, consegui conhecer um pouco de minha mãe. Descobri como ela se sentia em relação às pessoas, descobri também as suas paixões, humores, vontades e desejos. Mas algo que li me chamou atenção. Assim dizia:

Minha diversão acabou.

Minha vida de prazer e felicidade se foi.

Uma nova vida irá começar.

Uma vida com mais amor e compromisso.

- Essa frase devia ter sido quando ela descobriu que estava grávida de mim. – Falei –

Virei à página e li algo que me chamou ainda mais minha atenção.

Porque tem que ser assim?

De mais amada por todos os homens, a mais rejeitada.

De mais desejada, a mais desprezada.

Em outra página estava escrito:

“Sim” ou “não”, eis a questão.

Ter ou não ter.

Fazer ou não fazer.

Querer ou não querer.

- Acho que isso é quando ela estava em dúvida se iria me abortar ou não. – Uma lagrima descia do meu rosto. –

Logo eu tratei de enxugar aquela lagrima.

- Não vou mais chorar. – Prometi –

Peguei meu telefone celular, fui em contatos e disquei o número de Kari. Não demorou muito para minha amiga atender.

- Alô, Charlie? – A ouvi dizer –

- Oi Kari. – Consegui dizer –

- O que foi? Sua voz está tremula.

- Preciso que você venha aqui em casa.

- Agora? – Perguntou –

- Sim. Se não for te incomodar. Preciso da sua ajuda em uma coisa. – Respondi –

- Ta! Já vou.

Passaram aproximadamente 15 minutos e eu ouvi a campainha de minha casa tocar. Levantei-me e corri para atender. Provavelmente seria Kari. Chegando lá, vi que minha avó já havia recebido Kari.

- Charlie! Que bom que você desceu. Sua namorada veio te visitar. – Disse ela com um sorriso irônico no canto da boca –

- Vó! – Falei – Ela não é minha namorada.

Aquela situação realmente havia me constrangido. Minha cara devia estar toda vermelha igual a um pimentão.

- Não precisa esconder nada de mim Charlie. – Disse minha avó ainda sorrindo – Sua namorada não vai gostar nada de ver você a negando.

- Senhora, é... Eu realmente não sou namorada do Charlie. – Disse Kari mexendo em seu cabelo –

- Ta vendo vó! Olha só a vergonha que você me fez passar.

- Desculpe! Não foi minha intenção. – Disse minha avó – Eu só achei que vocês fossem namorados porque... vocês combinam muito.

Kari e eu nos olhamos.

- Obvio que não! – Retrucou Kari – Charlie e eu não combinamos em nada. Somo opostos. E além do mais, eu estou super bem resolvida.

- Ah está? – Perguntei –

- Sim, estou!

Minha avó apenas conseguiu rir de nós dois. Ela nos deu as costas e foi para cozinha para preparar algo. Olhei para Kari e pedi-a para me acompanhar. Subimos as escadas e entrei em meu quarto, convidei minha amiga para entrar também.

- Você quer que eu entre em seu quarto? – Perguntou –

- Sim!

- Ta! Mas se você me agarrar, me beijar ou fizer qualquer coisa do tipo eu vou gritar. – Disse ela cruzando os braços –

- Quem você pensa que eu sou? Um estrupador para forçar uma garota a fazer isso comigo? Não preciso disso. Tem várias garotas que querem fazer isso sem ao menos eu dizer nada.

- Ah é? Então quem?

- Isso é assunto meu! – Tentei disfarçar – Agora trate de entrar aqui. Meus avós não podem saber do que a gente vai conversar.

O rosto de Kari ficou com uma expressão séria. Ela entrou em meu quarto e se sentou em uma cadeira que ficava ao lado de meu guarda-roupa. Eu levantei o colchão de minha cama e tirei o diário de lá. Kari logo se levantou e veio em minha direção.

- O que é isso? – Perguntou –

- É um diário que pertencia a minha mãe. – Respondi – Encontrei isso no banheiro.

- E o que você pretende fazer? Continuar investigando?

- Não sei. – Disse entregando o diário para ela –

Kari começou a passar as folhas e ler alguns versos e poemas.

- Aí tem tudo que ela passou nos últimos anos que ela esteve morando com minha avó e meu avô. Até quando ela tentou me abortar.

Kari não disse nada. Estava concentrada em ler algo naquele diário.

- Charlie! – Chamou-me –

- O que foi?

- Você leu todo o diário?

- Para falar a verdade, não. – Respondi e sentei-me em minha cama – Me falta ler algumas páginas.

- Essa aqui você leu? – Kari veio até mim e me mostrou uma página e eu a analisei –

- Não! Essa é uma das que eu não li. Por quê?

- Porque aqui tem um número de telefone.

Fiquei surpreso.

- Ta. E o que tem isso? – Perguntei – É só um telefone antigo.

- Ai meu Deus. Charlie você é burro ou o que? Esse número pode te ajudar a descobrir onde sua mãe está.

- Por quê? – Eu não estava entendendo –

- Olha só o que está escrito nesta página: E lá foi ele / E com ele foi minha esperança / Me trazendo a dor da solidão / E uma semente da criação. Acho que isso é sobre o seu pai. Esse telefone pode ser ou ter sido do seu pai.

Notas finais
Desculpe pelos erros e pelo tamanho.