Charlie e o Curioso Mundo de Sophia
12 Capitulo 12
Eu poderia encontrar meu pai com um simples telefonema. Eu poderia achar minha mãe se eu falasse com meu pai. Eu poderia saber se tudo o que meus avós me contaram era verdade. Eu poderia descobrir tudo sobre meus pais em apenas uma ligação. Aquele famoso frio na barriga estava me atacando. Eu estava com medo, muito medo.
O que eu devia fazer?
De todas as perguntas que passavam em minha mente, essa era a que mais martelava em minha cabeça. Falando sério, eu nunca havia ficado tão indeciso em minha vida como naquele dia.
– Ei? Charlie! – Disse Kari tocando em mim – Você ouviu o que eu disse ou está me deixando falar com as paredes?
– Desculpe, eu... – Passei a mão sobre o rosto – Eu estava pensando sobre o que você havia em falado antes.
– Sobre esse telefone ser do seu pai? – Perguntou –
– É.
Kari acenou com a cabeça mostrando que havia entendido.
– Já decidiu o que vai fazer? – Perguntou –
– Não. Não é fácil assim de decidir esse tipo de coisa. – Respondi –
– Claro que é. É só você ligar e pronto. – Kari revirou os olhos –
– Diz isso porque não é você que tem que fazer.
Kari abaixou a cabeça e logo em seguida a levantou e veio em minha direção. Ela chegou bem perto de mim e colocou suas mãos em meu ombro.
– Pode contar comigo para o que der e vier. Sou sua amiga e vou te ajudar no que for possível.
Kari depositou um beijo em minha bochecha. Fiquei sem graça com o que ela havia feito.
– Obrigado. – Foi tudo o que consegui dizer –
Deitei em minha cama e passei a mão pelos meus cabelos. Kari se assentou na beirada da cama e ficou me olhando. Levantei, fui até a janela e senti o vento fresco bater sobre meu rosto. Avistei Sophia em seu quarto. Ela estava com um papel e um lápis em sua mão. Provavelmente, estaria desenhando alguma coisa. Por um momento pensei que eu estava sendo covarde. Eu havia arriscado a minha vida para salvar a de Sophia e estava com medo de um simples telefonema. Foi aí que me enchi de coragem e voltei-me até Kari.
– Já decidi o que vou fazer! – Falei –
– Então fala. O que você decidiu?
Peguei o diário na mão de Kari e meu celular em meu bolso.
– Vou ligar para esse número agora.
Kari acenou e ficou me olhando. Digitei o número e coloquei o celular no ouvido. – Tuuuu, Tuuuu, Tuuuu. – O telefone chamava e aquele frio na barriga só aumentava. Foi quando ouvi uma voz masculina dizer “Alô”.
– Alô! – Falei –
– Oi. Com que eu falo? – Disse a voz masculina –
– Acho que isso não vem ao caso. – Falei e vi Kari me olhar desconfiada –
– Como assim não vem ao caso? Você me telefona e não quer dizer quem é?
– Liguei para perguntar sobre uma coisa que me interessa muito.
– Então diga! Estou ocupado para besteiras como essa. – O homem parecia nervoso –
– Quero saber se você já conheceu alguma Judite.
Ouve um silencio perturbador do outro lado da linha.
– Judite? – A voz estava tremula –
– Sim. Judite Johnson. Já conheceu alguma mulher chamada assim?
– Na... Não. Eu nunca ouvi... Nunca ouvi falar nesse nome.
– Por favor! Isso é muito importante para mim. Peço que não minta. – Pedi –
– Por que o interessa saber disso? – Perguntou –
– Não posso dizer por telefone. Peço que cofie em mim. Se você me disser o que sabe sobre ela, direi que eu sou. – Respondi –
– Então que tal marcarmos um dia para nos encontrarmos para conversar. Prometo que falarei tudo o que quiser. Esse assunto também me interessa muito.
Dei um leve sorriso o que fez Kari sorrir também. O homem do telefone disse que viria o mais perto possível para que nós nos encontrássemos. Ele morava um pouco longe então demoraria a chegar. Combinamos o lugar para e nos despedimos. Quando desliguei o telefone contei tudo a Kari. Ela ficou feliz por mim e me abraçou. Minha avó entrou em meu quarto bem na hora do abraço. Ela estava com uma bandeja com alguns biscoitos e dois copos de leite.
– Que gracinha vocês dois. – Disse ela sorrindo –
– Vó, não é nada do que você está pensando.
– Eu sei! – Disse minha avó Maria num tom de ironia – Vou deixar vocês à vontade.
Ela colocou a bandeja em cima de uma mesinha que ficava no meu quarto, deu um sorriso e saiu. Kari e eu nos olhamos e começamos a rir. Fomos até a mesinha e começamos a comer os biscoitos e tomar o leite.
Eu estava feliz por ter tido coragem. Estava tão feliz que o sorriso não saia da minha boca. Em alguns dias, eu poderia descobrir várias coisas sobre meus pais e isso me deixava animado. Eu ainda tinha medo. Mas o medo não se comparava a expectativa que eu tinha.
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