Depois do importante telefonema que fiz, se passaram alguns dias. Nenhuma notícia ou telefonema do homem param quem telefonei. Minha convivência com Sophia estava cada vez maior. Eu a levava todos os dias para a escola. Cada vez mais ela se acostumava com a minha presença. Sophia ainda não falava muito e muito menos me deixava ver os desenhos que ela desenhava. Por mais que eu pedisse e até suplicasse, ela não os mostrava.

Na escola, o garoto que eu havia brigado me olhava com raiva. Eu não queria que fosse assim. Eu não tinha amigos, mas também não queria ter inimigos. Ele me olhava como se me odiasse e quisesse me bater de novo. Eu não sabia o que fazer. Não queria que aquilo continuasse. Kari me aconselhava a pedir desculpas a ele, mas eu não queria fazer isso pelo motivo de eu não estar errado. Então tudo continuava da mesma forma.

Certo dia eu estava na escola, dentro da sala de aula e senti meu celular vibrar. O peguei e percebi que era o homem que eu havia telefonado dias atrás. Levantei-me e pedi a professora de Química que estava dando sua aula para ir atender ao telefone. Falei que era um telefonema muito importante, ela me olhou desconfiada, mas permitiu minha saída para atender o celular. Saí da sala e atendi a ligação.

– Alô! – Falei –

O que eu iria falar? Não sabia nem o nome do homem que eu havia ligado e ele também não sabia o meu. Talvez eu tivesse que pelo menos ter me apresentado.

– Oi. – Disse ele – Você me ligou alguns dias atrás para me perguntar sobre...

– Sim. Lembro-me disso. – Interrompi já sabendo que era ELE –

– Liguei para dizer que já cheguei à cidade.

Meu coração bateu mais forte.

– É?

– Sim. Queria saber onde devemos nos encontrar.

Combinamos onde devíamos nos encontrar e que seria naquela tarde. Desligamos o telefone e voltei para a sala de aula, olhei para Kari e sorri. Pelo seu semblante, minha amiga já devia saber qual era o telefonema que eu havia recebido. Sentei-me na cadeira e olhei para carteira atrás da minha onde Kari estava.

– Era ele. – sussurrei – Combinamos aonde vamos nos encontrar.

– Eu vou com você. – Ela disse –

– O que? – Perguntei – Por quê?

– Ora por que! Imagina se esse homem não for quem você pensa ser? E se ele for um maníaco, sequestrador ou um bandido querendo aproveitar da situação?

– E você vai me defender se ele tentar algo? – Falei aos risos –

– Deixa de besteira. – Ela estava meio brava, mas mesmo assim deixou escapar um sorriso no canto da boca – Tô falando sério.

– Ta! Pode vir comigo.

Lancei um sorriso para Kari e me virei para frente. O tempo se passou e a aula acabou. Busquei Sophia em sua sala e combinei com Kari a hora para nos encontrarmos para irmos até o lugar marcado com o homem.

Levei Sophia para casa. Ao chegar lá, Dakota disse que queria conversar comigo e me pedir um favor. Ela queria que eu cuidasse de Sophia naquela tarde. Seria um grande prazer cuidar da garota autista, mas tinha que ser logo naquela tarde? Mesmo com um compromisso que talvez fosse o mais importante da minha vida até o momento, aceitei cuidar de Sophia.

[...]

Dizem que quando você está ansioso para que alguma coisa aconteça, a mesma demora a acontecer. Comigo aconteceu isso. Eu queria que as horas se passassem o mais rápido possível, mas parecia que os minutos eram como horas. Eu estava nervoso e minha avó parecia perceber isso. Ouve um momento em que ela chegou a me perguntar o porquê de eu ficava andando de um lado para o outro e deixava Sophia sozinha na sala de estar. A desculpa que eu dava era que eu estava tentando lembrar o nome de uma musica que eu ouvira na rádio. Acho que eu minto bem, porque ela acreditou em todas as três vezes que eu disse aquilo.

Passaram-se algumas horas e finalmente a hora de eu ir ao encontro havia chegado. Arrumei-me (Não muito bem arrumado) e saí de minha casa com Sophia. Eu havia dito a minha avó e ao meu avô que iria à casa de um amigo para fazer alguns exercícios, eu iria pedir a minha avó para cuidar de Sophia, mas acho que não seria justo colocar essa responsabilidade em cima dela. Então levei minha vizinha junto a mim. Encontrei Kari me esperando na porta de sua casa.

– Porque você a trouxe? — Disse Kari. Ela parecia estar irritada –

– Fiz um compromisso de cuidar dela essa tarde e não achei justo deixa-la com minha avó sendo que fui eu que... – Fui interrompido –

– Ta, ok! – Kari passou a mão sobre os cabelos – Só espero que ela não estrague tudo.

– Ela não vai! Não é Sophia?– Sorri –

Sophia me olhou e depositou um beijo em minha bochecha.

–Acho que isso responde tudo! – Falei –

Kari me olhou de um jeito estranho. Como se não tivesse gostado do que tinha visto. Combinamos de não falar sobre o que nós estávamos fazendo com ninguém e fomos para o lugar marcado para o encontro.

Ao chegar lá, vimos um homem alto andando de um lado para o outro. Ele vestia um terno que parecia ser bem caro. Além dele, não havia mais ninguém. O homem aparentava ter uns 40 anos. Ele tinha uma barba muito bem feita e em sua frente havia um carro bem bonito. Era uma BMW X1 preta. Ele estava mexendo em seu telefone e depois de alguns instantes o posicionou no ouvido. Foi quando percebi meu celular tocar. Kari e eu nos olhamos e a primeira coisa que se passou em minha cabeça foi: Coincidência ou ele era o homem para quem eu havia ligado?

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado.