Charlie e o Curioso Mundo de Sophia
14 Capitulo 14
Notas iniciais
Eu estava ali olhando para o celular em minha mão. Meu coração estava disparado. Olhei para Kari e ela colocou sua mão em meu ombro. Sophia estava agarrada no meu braço esquerdo enquanto eu segurava o celular com a mão direita. Comecei a dar pequenos paços em direção ao homem de terno. Aos poucos ele foi olhando para mim. Sua expressão de surpresa era realmente impressionante. Provavelmente meu rosto também estava assim. O homem guardou seu celular ao bolso e eu fiz o mesmo. Sophia ainda estava agarrada ao meu braço direito, e eu não me incomodava. Kari veio andando ao meu lado. Parei diante ao homem.
– Você é... – Falou ele –
– Sim. Sou eu! – Interrompi –
– Meu nome é Harry. Prazer em conhecê-lo! – Ele estendeu sua mão –
Estendi a minha mão e apertei a dele.
– Sou Charlie! – Falei – Prazer em te conhecer também. Essas são Kari — Apontei para Kari – e Sophia – Apontei para Sophia –.
Harry apertou a mão de Kari, mas com Sophia ele não conseguiu fazer o mesmo. Sophia olhava para o chão e balançava os pés. Provavelmente não havia percebido que Harry estava esperando um aperto em sua mão.
– Ela é autista. – Falei – Você sabe... Ela tem dificuldade de...
– Sim. Entendo. – Harry me interrompeu – O que você queria falar comigo era sobre uma mulher... –Ele deu uma pausa – era sobre uma mulher chamada Judite?
Sentamos em um banquinho que ficava ali perto. Kari decidiu deixar Harry e eu conversar a sós e se sentou junto a Sophia em outro banco.
– Sim, é sobre ela que quero conversar. Encontrei no diário dela o seu número e queria saber se você sabe onde ela está.
– O que? Judite está desaparecida? – Perguntou Harry. Ele parecia estar assustado –
– Digamos que sim. Ela fugiu quinze anos atrás.
– Há quinze anos? – Harry passou a mão sobre o rosto –
– Sim!
– O que você é dela?
– Sou filho dela.
Harry se levantou. Pude perceber que seus olhos estavam cheios de lagrimas.
– Filho dela?
– Sim. – Estranhei a atitude dele. Era estranho ver um homem adulto chorando. –
Harry enxugou as lagrimas e se sentou novamente.
– Eu não sei onde ela está. – Disse – A ultima vez que a vi foi há 14 anos. E eu a rejeitei.
– O que? Você a rejeitou? – Perguntei –
– Sim. Ela era uma garota de programa de luxo e há quinze anos eu... – Ele pareceu ficar sem graça – Eu passei uma noite com ela. Alguns meses depois ela me disse que estava grávida e que eu era o pai. Como eu podia acreditar naquilo? Uma garota de programa estar grávida e logo eu tinha que ser o pai? Podia ser qualquer um. – Ele fez uma pausa – Ela me disse que eu fui o único que não havia usado preservativo, mas eu não acreditei. E mesmo que ela estivesse grávida de mim, eu... eu não podia ter tivesse aquele filho. Meu pai me pressionava muito para eu assumir seu lugar na empresa. A única coisa que pude fazer foi dar meu telefone para ela. Um mês depois ela me ligou dizendo que estava mesmo grávida e me pressionou. Ela ameaçou contar tudo para o meu pai e naquela época eu tinha muito medo dele. Então... então eu ofereci a ela uma grande quantia em dinheiro para ela abortar esse bebê e ela aceitou. – Pude perceber lagrimas formando em seu rosto – Um ano depois ela se encontrou comigo e eu perguntei se ela havia abortado, e o que ela me respondeu foi: “Se esse é o problema, não se preocupe. Esse bebê não existe mais para mim”. Eu estranhei essas palavras, mas pensei que ela havia abortado. Eu não sabia que ela havia tido esse bebê. Então nunca mais liguei para ela. Me senti aliviado.
Lagrimas e mais lagrimas desciam dos meus olhos.
– Como você pode oferecer dinheiro para ela abortar um bebê? – Perguntei –
– Na época eu era muito imaturo. Eu queria farra, curtição. Para criar um filho é preciso muita responsabilidade e responsabilidade era o que mais me faltava naquela época. Com o tempo eu fui percebendo o meu erro e me arrependi do que fiz.
– E minha mãe? Você não tem nenhuma ideia de onde ela esteja?
– A ultima vez que a vi, ela também me disse que iria investir o dinheiro que eu a havia dado e que nunca mais iria se prostituir. Judite não me deixou telefone, nem endereço, nenhum contato.
Ouve um silêncio por alguns segundos e nos olhamos. Os olhos de Harry também estavam lacrimejando.
– Então você é o meu pai? – Perguntei –
– Não sei. – Ele respirou fundo – É preciso fazer o exame de DNA. São complicadas essas coisas.
Harry enxugou as lagrimas em seu rosto e eu fiz o mesmo no mesmo instante. Parecia que foi em sincronização. Não sei por que, mas eu não sentia raiva dele por ele ter oferecido dinheiro a minha mãe para me abortar. Na verdade, eu até desejava que ele fosse meu pai. Não por causa do dinheiro que ele parecia ter, mas porque ele parecia ser uma pessoa que sofreu muito ao longo dos anos por causa do que fez. Harry realmente parecia estar arrependido e parecia ser uma pessoa muito boa. Combinamos o dia que faríamos o exame de DNA e logo após chamei Kari e Sophia. Sophia veio correndo até mim e agarrou minhas mãos e ficou pulando por alguns instantes repetindo a palavra “formiga” por várias vezes. Ela me puxou até onde estava anteriormente. Harry e Kari vieram juntos. Foi quando ela apontou para uma fila de formigas andando entrando em um buraco que ficava na terra. Sophia tinha um largo sorriso em sua boca. Ver ela contente me fez ficar contente também. Olhei para Harry e Kari e eles também estavam sorrindo.
– Bom, acho que já é hora de irmos. – Falei –
– Verdade! – Disse Kari –
– Onde vocês moram? – Harry perguntou –
Respondi a pergunta e ele disse que nos levaria até lá. Entramos em seu carro luxuoso e ele nos levou para casa. No caminho me contou da grande empresa que ele administrava para o pai. Contou-me também que o telefone que liguei era o da empresa que ele administrava. A empresa estava localizada no mesmo lugar há 20 anos e nunca havia mudado o número de telefone. Contou-me também que não era casado e não tinha filhos e que desejava muito que eu fosse filho dele. Harry queria compensar tudo o que ele havia feito no passado e isso mostrava que ele realmente estava arrependido. Quando chegamos, percebi que meu avô estava me esperando na porta de casa. Eu não havia percebido o tempo passar. Seus braços estavam cruzados e seu rosto estava com um semblante sério. Mas esse semblante logo mudou para o de surpresa quando me viu sair daquela BMW com Sophia, Kari e Harry. Meu avô Joseph veio em minha direção e me puxou pelo braço.
– Pode me explicar onde o senhor estava e o que estava fazendo dentro desse carro? – Disse meu avô furioso –
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