Dizem que mentira tem perna curta. Então do que vale mentir se tudo vai ser descoberto um dia? Além de sair com imagem e caráter arruinados, tudo será descoberto e as punições virão. Diferentemente da verdade. Falando a verdade, o caráter nem a imagem ficam arruinados. É melhor tudo ser descoberto na hora do que ficar com o peso em sua consciência. É melhor tudo ser revelado do que ficar com o medo de ser descoberto. Acho que foi isso que me fez contar toda a verdade para o meu avô. No princípio ele não acreditou, mas fui contando os detalhes (O diário, o número do telefone, o telefonema, o encontro) e meu avô acabou aceitando o fato que Harry realmente podia ser meu pai. Minha avó tinha ido a um encontro de senhoras idosas e ainda não sabia de nada. Para mim, preferia que ela não soubesse de nada, mas como eu disse anteriormente, quando tudo for descoberto iria ser pior. Então decidi contar a Sra. Maria toda a verdade.

Meu avô convidou Harry e minhas amigas para tomarmos um café e esperarmos minha avó chegar da reunião. Ficamos esperando por cerca de 1 hora até minha avó chegar. Quando ela chegou pude perceber a sua cara de espanto com tantas visitas em sua casa.

– Poxa! Quantas visitas! – Disse Vó Maria segurando algumas sacolas nas mãos. –

– Vó, precisamos conversar algo muito sério com você. – Falei –

Minha avó parecia não ter prestado atenção em uma só palavra que eu havia falado. Ela apenas olhava com atenção para Harry que estava sem graça com aquela situação.

– Charlie, quem é esse Sr.? – Disse ela apontando para Harry –

– Sou Harry! – Ele estendeu a mão para cumprimentar minha avó e ela retribuiu o cumprimento. – A Sra. deve ser a avó do Charlie não é?

– Sim.

Kari estava sentada no sofá nos observando. Ela devia estar se sentindo um peixe fora d’água, mas acho que sua curiosidade de saber o que ia acontecer era maior do que ir embora. Sophia havia ido para a mesa de jantar e estava fazendo algo que não tive tempo de ver o que era.

– E o que o senhor... Harry não é? – Perguntou minha avó e Harry acenou positivamente – O que o senhor veio em minha casa? Desculpe perguntar desse modo.

– Bom...

– Vó é uma longa história. – O interrompi –

– Então me conte! Tenho tempo de sobra Charlie! – Minha avó parecia estar incomodada ou desconfiada de algo. Não sei bem dizer o que era, mas sabia que ela não estava gostando nem um pouco da presença daquele homem de terno em nossa casa. –

Sentamos nos dois sofás que ali estavam e comecei a contar toda a história para minha avó. Achei estranho ela não dizer nada durante o tempo todo. Seu rosto estava paralisado. Ela apenas piscava. Aquele silêncio me deixava assustado. Kari nos olhava com um olhar amedrontado. Houve um momento que olhei para ela e ela sussurrou as palavras “Ta ferrado”. Concordei com um semblante de medo. Provavelmente era esse que estava estampado em meu rosto. Meu avô passava a mão pelo rosto preocupado com o que ia acontecer. Harry me olhava com atenção contar toda a verdade para minha avó. Eu sabia que minha avó não queria que eu investigasse sobre os meus pais. A última vez que procurei saber sobre eles ouve uma briga séria entre ela e eu. Eu não queria que aquilo acontecesse de novo, mas parecia inevitável não acontecer uma discussão.

Quando terminei de contar tudo, minha avó se levantou andou um pouco ao nosso redor e passou as mãos pelos seus cabelos brancos. Ela veio por trás do sofá que eu estava sentado e se posicionou atrás de mim. Senti-a colocar suas duas mãos sobre os meus ombros. Aproximou seu rosto sobre o meu e disse:

– Por quê? – Perguntou ela que tentava ficar calma. Isso eu pude perceber. –

– Por quê? A senhora acha que eu não tenho o direito de procurar os meus pais? – Falei calmamente –

– Charlie, você já não soube o bastante? Eu não te contei o que você queria saber? Porque remexer ainda mais no passado? – Respondeu minha avó tentando agir calmamente. –

– Vó, a culpa não foi minha. – Respondi – Eu não planejava que tudo isso acontecesse. Aquele diário estava jogado no banheiro, eu o encontrei e...

– E você foi logo lendo não é? – Disse furiosa. Ela estava começando a se exaltar –

– Eu tenho todo o direito de saber quem são os meus pais e não vai ser a senhora que vai me impedir de saber. – Eu também estava começando a ficar nervoso –

– Charlie, pega leve. – Disse Kari se levantando e vindo em minha direção –

– Eu estou pegando leve. Você ainda não meu viu nervoso.

– Aposto que essa aí te ajudou em tudo, não é? – Disse minha avó apontando para Kari – Eu devia ter impedido dela se relacionar com você! Ela não é uma boa pessoa.

– Não fala assim com ela. – Gritei – Ela me ajudou sim, mas porque eu pedi.

– Ah claro. Sabe o que ela quer? Ela só quer te seduzir para...

– Maria! – Gritou meu avô – Se acalme! Você já está começando a dizer besteira.

Kari pareceu ofendida com minha avó havia dito. Aquilo me deixou com ainda mais raiva. Vi Sophia se levantar e vir em minha direção. Aquela gritaria devia tê-la deixada assustada. Ela parou em frente a todos nós e ficou apenas nos olhando.

– Vamos Sophia, vou levá-la para casa. – Falei – Harry, desculpas eu não queria que você presenciasse tudo isso. Se quiser ir embora eu... Eu não vou entender.

– Não! Eu vou ficar aqui. Preciso saber o que vocês irão resolver para...

– Ta! – O interrompi mais uma vez – Já volto! Você vem comigo Kari?

– Sim. – Disse Kari –

Começamos a andar em direção à saída quando minha avó gritou o nome de Kari, o que fez minha amiga olhar para trás.

– Não quero você mais se relacionando com meu neto! Que hoje seja a última vez que vocês se falem. Seu pegar você falando com o Charlie novamente você terá consequências graves.

Virei-me novamente para minha avó e quando eu ia dizer alguma coisa Kari tapou minha boca com sua mão.

– Vamos Charlie! Deixa pra lá. – Kari me parecia magoada –

Kari me puxou pelos braços para fora de minha casa e Sophia veio junto, pois estava segurando minha mão esquerda. Quando saímos de casa não dissemos coisa alguma. Levamos Sophia para sua casa e a garota autista me abraçou por um bom tempo.

– Sophia? Porque esse abraço? – Perguntei –

– É... Eu... eu gosto de você. – Disse ela –

– Eu também gosto muito de você Sophia. – Conseguir dizer –

– Eu... quero... quero dizer que tudo vai ficar bem. Pode parecer que... que eu não entendo, mas... mas eu entendo. – Sophia dizia isso com dificuldade. Acho que ela não estava acostumada a dizer tudo aquilo de uma vez. –

– Entende? – Perguntei –

– Si...Sim. Tudo, tudo vai ficar be..bem.

Abracei Sophia novamente e depositei um beijo em sua bochecha, o que fez a sorrir. Kari apenas olhava, mas virou de costas quando me viu beijar Sophia. Bati na porta da casa de Dakota e ela nos recebeu. Deixei Sophia com ela e depois me voltei para Kari.

– Desculpa! — Foi tudo o que eu consegui dizer para ela –

– Não precisa se desculpar. – Kari disse – Eu vou... Eu vou me afastar como sua avó mandou. Eu não quero que você se ferre com ela.

– Não, não faça isso. É bobeira da minha avó, ela logo vai mudar de idéia quando conhecer você de verdade.

– Não! É melhor eu me afastar. Não posso ter problemas com meus pais e não quero causar ainda mais problemas pra você. Eu me importo muito com você Charlie, e não quero causar mais confusão.

– Você não me causou problemas. Você me ajudou!

– Ajudei a acontecer essa confusão entre você e sua avó! – Disse ela enxugando uma lagrima que havia descido de um de seus olhos. – Fui eu que falei pra você não desistir de saber tudo sobre os seus pais, lembra?

– Kari...

– Charlie, eu vou ir. Não me procure mais! – Ela virou as costas e foi andando –

– KARI – Gritei quando ela estava um pouco mais longe, mas não disse nada, então ela se virou e se foi.

Notas finais
Gostaram? Bom, foi legal escrever esse capítulo. Gastei uns 3 dias para escrever, pois estava muito sem tempo. Corrigi o máximo de erros possíveis. Se houver algum me diga e me perdoe. Acho que é isso. Até!