Notas iniciais
Hahaha to de volta

Não correr atrás de Kari no momento em que ela foi embora foi uma das minhas piores burrices. Ela havia me consolado no momento em que eu havia descoberto sobre a “profissão” da minha mãe. Me ajudou a procurar Harry – meu suposto pai –. Me ajudou na escola e foi minha confidente. Quando não tinha ninguém para conversar, ela vinha até mim para não me deixar sozinho. E sabe o que eu fiz? Na primeira dificuldade entre nós dois eu a abandonei. Isso é o que eu penso agora. Naquela época essa atitude me pareceu ser a melhor a ser feita. Deixar Kari sozinha por um tempo até tudo voltar ao seu devido lugar parecia ser uma atitude correta. Mas nada iria voltar ao seu devido lugar. Porque se Harry realmente fosse meu pai, minha vida iria mudar da água pro vinho (digamos assim).

Quando Kari foi embora, voltei para minha casa. Harry estava sentado no sofá, ele me parecia meio constrangido com toda aquela situação. Minha avó Maria estava tomando um copo de água e meu avô Joseph estava ao lado dela com a mão em seu ombro. Meu avô parecia estar tentando acalmá-la, o que por sinal era bem difícil fazer quando minha avó ficava nervosa. Eu não soube o que dizer e fazer quando os três olharam para mim, então apenas sentei no sofá ao lado de Harry.

– Então é isso! – Disse minha avó – Você não tem nada para falar?

– Eu já disse tudo vó! – Respondi – Acho que não tenho mais nada para dizer.

– Bom, proponho que façamos um exame de DNA. – Falou Harry se levantando de onde estava sentado –

– Não, não! Não vamos fazer nada. – Disse minha avó –

– O que? Claro que vamos fazer. Quero saber se Harry é realmente meu pai.

–Maria, é... – meu avô passou a mão sobre sua cabeça e continuou — É a vontade de Charlie. Se ele quiser fazer esse exame, nós temos que autorizar.

– Você vai ficar contra mim Joseph? O Charlie não precisa de um pai. Ele tem você! Você não se sente desprezado com essa situação? Isso mostra que você não foi suficiente para ele.

Meu avô abaixou a cabeça.

– Não é nada disso vô. Minha vó ta tentando distorcer as coisas. – Falei –

– Não precisa falar nada Charlie. – Disse ele –

Harry se sentou novamente e respirou fundo. Isso me fez sentir envergonhado. Eu estava tomando o tempo dele que podia ser precioso.

– Então está decidido. Vou fazer o exame. – Falei –

– Então faça. – Disse minha avó. –

Ela se virou e foi para seu quarto resmungando algumas palavras impróprias.

– Bom, vocês decidem quando irão fazer esse exame. Eu não quero me intrometer ainda mais neste assunto. – Falou meu avô –

– Obrigado vô.

Corri até meu avô e o abracei. Eu amava muito meu avô. Ele se tornou um pai para mim durante todo o tempo que ele cuidou de mim, mas acho que ele sabia que era o meu direito saber quem era o meu verdadeiro pai. Meu avô retribuiu o abraço e depositou um beijo em minha cabeça.

– Eu te amo vô. – Falei –

– Eu também te amo Charlie! – Disse ele sorridente –

Depois disso ele foi para o seu quarto e deixou Harry e eu a sós. Quando olhei para Harry ele estava em pé me olhando.

– Podemos marcar o exame amanhã se você quiser. – Disse ele –

– Pode ser! Acho que o quanto antes melhor. – Falei –

Harry deu um sorriso meio constrangido.

– Então... Eu te ligo para combinarmos. – Disse ele – Te busco e vamos a uma clínica para fazer o teste. Pode ser?

– Sim. – Respondi – Harry, eu... eu queria te pedir desculpas pelo constrangimento que te fiz passar aqui em casa. Eu sabia que seria algo difícil de contar para minha avó, mas não pensei que seria tão... tão difícil.

– Não precisa pedir desculpas. Eu sei como são essas coisas de brigas de família. É realmente difícil de lidar. – Sorriu – Bom, acho que já é hora de eu ir. Preciso fazer umas ligações para ver se estar tudo em ordem lá na empresa.

– Ah sim, desculpa ter te tomado tanto tempo.

– Que nada. Você pode ser meu filho esqueceu? – Sorriu – Não há nada mais importante que isso no momento.

Consegui dar um sorriso e entendi a mão para ele apertar. Ele estendeu sua mão e apertou a minha. Despedimos-nos e ele foi embora.

...

Fui à casa de Sophia. Dakota me recebeu sorridente e disse para eu subir até o quarto de sua filha que ela estava lá e que logo levaria um lanche para nós dois. Quando entrei no quarto dela, percebi que Sophia estava novamente desenhando alguma coisa em alguns papeis. Tentei ver o que era, mas ela não deixou.

– Você não quer que eu veja seus desenhos não é? — Perguntei –

Sophia concordou com a cabeça.

– Não é a hora ainda – Disse ela timidamente –

– Não é a hora? – Cruzei os braços fingindo estar indignado – Então quer dizer que você vai me mostrar um dia?

– Sim, sim. – Às vezes Sophia repetia algumas palavras –

– E quando vai ser esse dia?

Sophia fez com os ombros e com a cabeça que não sabia. Ela guardou seus desenhos em uma pasta e guardou em seu guarda roupa. Pude perceber que tudo em seu guarda roupa era bem arrumado. As roupas eram organizadas em cores. Os sapatos também. Foi aí que percebi que não era só o guarda roupa, todo o seu quarto era muito bem organizado. Os bichos de pelúcia estavam colocados um do lado do outro em uma estante. Também estavam separados por cor e tamanho, do menor para o maior.

Sophia sentou em sua cama e começou a balançar os pés que não encostavam-se no chão. Fui em direção a ela e sentei-me ao seu lado. Comecei a balançar meus pés como ela o que chamou sua atenção.

– Você não, não tem raiva de mim? – Ela me perguntou –

– Por que eu teria raiva de você?

– Eles têm raiva de mim.

– Eles?

– É, lá, lá na escola.

– O pessoal da escola?

Ela fez que sim com a cabeça.

– Acho que raiva não é a palavra certa. Eles são ignorantes.

– O que é ig... ignarontes?

Dei uma leve risada com o erro dela.

– Ignorantes são pessoas que não sabem de nada. No seu caso, são pessoas que não sabem o que fazem.

– Ah. Eu não, não sou isso aí não.

– Não é mesmo. – Falei – Já ouviu aquele ditado “não julguem um livro pela capa”?

Ela respondeu que sim.

– É isso que fazem com você. Não te conhecem e tem julgam.

Sophia abaixou a cabeça. Ela me pareceu entristecida.

– Porque eles fazem isso? – Perguntou –

Não sabia o que responder. Dakota entrou no quarto de surpresa neste exato momento com uma bandeja de biscoitos e dois copos de sucos.

– Olha o que eu trouxe para vocês dois.

Sophia bateu palmas e começou a dar risadas. Ficamos ali conversando coisas aleatórias por um bom tempo. Era incrível o modo como Sophia tinha a capacidade de mudar o humor do meu dia. Isso era magnífico.

Notas finais
O que acharam desse capítulo?? Eu gostei d+ da parte da conversa do Charlie e da Sophia. Espero que tenham gostado. Se houver erros peço desculpas. Abraços, até!!