Charlie e o Curioso Mundo de Sophia
23 Capitulo 23
O despertador tocou e eu levante rapidamente. Tomei meu banho, vesti meu uniforme e fui para a cozinha tomar meu café da manhã. Eu estava ansioso para aquele dia. Bom, na verdade eu estava muito ansioso. Minha avó sempre percebia quando eu estava assim e sempre dizia a mesma coisa.
– Acalme-se, Charlie! Ficar ansioso não ajuda em nada. – Disse ela –
– Fácil falar, vó. Difícil é ficar calmo com o que eu estou prestes a fazer.
– E o que você vai fazer?
Hesitei em falar.
– Mudando de assunto...
– Mudando de assunto nada, ok? O que você vai fazer?
– É segredo. – Falei com a boca cheia de biscoitos –
–Tudo bem, se não quer contar eu não vou te pressionar, senhor dos segredos.
Engoli os biscoitos e continuei.
– Quero te pedir uma coisa.
Minha avó Maria parou o que estava fazendo e olhou atentamente para mim.
– O que você quer meu bem?
– Sabe aquela garota, a Kari.
O semblante de minha avó mudou. Agora era mais sério.
– O que tem ela? – Perguntou –
– Bom, quero que você não faça nada com ela se ela voltar a conversar comigo.
– Charlie, essa garota não é será uma boa amiga para você...
– Se ela realmente não for uma boa pessoa, coisa que eu duvido, eu cuido disso, vó. – Fiz uma pausa para comer mais alguns biscoitos – Acho que eu já estou bem grandinho e já posso escolher minhas amizades sem ajuda de ninguém.
Minha vó respirou fundo.
– Tudo bem, Charlie. Prometo que não irei fazer nada contra ela. Está bom assim?
– Está ótimo. – Respondi –
Olhei para o relógio na parede e percebi que eu estava atrasado para a escola. Levantei e corri para o meu quarto, peguei minha mochila e o violão e me despedi de minha vó. Saí de casa correndo e apertei meus passos para não chegar na escola tão atrasado. Durante o caminho, vi Dakota voltando.
– Charlie? O que você está fazendo aqui? Você devia estar na escola a mais ou menos 10 minutos. – Disse ela olhando para o relógio em seu braço. –
– É, eu sei. Está tudo bem com a Sophia?
– Está sim, ela já está na escola. Acabei de voltar de lá.
– Ah! Bom, eu tenho que ir.
Me despedi de Dakota e apressei os passos.
[...]
O diretor quase não me deixou entrar na escola, mas permitiu minha entrada depois de me repreender por uns 10 minutos. Ele disse que eu não poderia entrar na sala de aula naquele horário, pois já havia se passado 25 minutos desde que o sinal de entrada tocou. Eu teria que esperar a próxima aula começar, então me sentei-me no chão ao lado da porta de minha sala e descansei por um tempo.
Passado um tempo, vi a porta ao meu lado se abrir e de lá sair o professor de matemática. Ele me fuzilou com os olhos, o que me fez perceber que eu estava "ferrado" na matéria dele. Peguei minha mochila e o violão de Dakota e entrei na sala. Todos me olharam surpresos quando me viram com o aquele instrumento musical. Kari levantou a sobrancelha quando me viu.
– Vai fazer uma serenata para a doente, Charlie? — Gritou um garoto que estava no fundo da sala se referindo a Sophia. -
– Não liga para aquele idiota. — Disse uma garota ruiva -
– Não ligo. — Falei e sentei em meu lugar -
O tempo passou e o horário do intervalo havia chegado. Kari foi uma das primeiras da sala a sair. Quando a garota ruiva estava saindo da sala, eu a chamei e pedi que ela me ajudasse em meu plano. Contei tudo o que eu pretendia fazer e a pedi para que ela trouxesse Sophia para nossa sala e depois chamasse Kari. A garota concordou. Disse que iria me ajudar com todo o prazer e que minha atitude era muito bonita — o que me deixou muito feliz -. Quando ela se foi, me senti mal por não saber nem o nome dela. Que tipo de garoto era eu que pedia ajuda a uma pessoa que nem sabia o nome?
Olhei em minha volta para ver quem iria presenciar o que eu ia fazer.
Vi que no fundo da sala, perto da janela, havia um grupo de cinco garotos jogando Uno e conversando sobre futebol, do outro lado um grupo de quatro meninas que estavam conversando sobre uma boyband que estava fazendo sucesso e um pouco mais a frente delas havia um casal de adolescentes se beijando. Olhei para a porta e percebi que a menina ruiva havia chegado de mãos dadas com Sophia, a autista veio correndo em minha direção e me abraçou.
– Charlie, eu estava com saudade, com saudade. — Disse Sophia aos risos -
– Eu também minha linda. — Falei -
Eu a fiz sentar ao meu lado.
– Posso ir chamar a outra? — Perguntou a garota ruiva -
– Ah... Sim. Pode sim. — Respondi -
– Ta! Já volto.
Ela saiu da sala e foi chamar Kari. Sentei-me na cadeira do professor, pois eu estava muito nervoso com o que eu estava prestes a fazer que eu tinha medo de minhas pernas tremerem e eu não conseguir ficar em pé. Peguei o violão e o apoiei sobre minhas pernas como fazemos quando vamos tocar sentados. Respirei fundo e tentei me acalmar. Foi quando ouvi a voz de Kari dizendo: "O que de tão importante você tem para me mostrar dentro da sala?", dizia ela. Quando ela entrou, olhou para mim e eu comecei a tocar.
Kari ficou ali me olhando sem entender nada. Quando percebeu que eu iria cantar para ela, tentou sair da sala, mas a garota ruiva que eu não sabia o nome a impediu. Então, Kari cruzou os braços e ficou me olhando.
Comecei a cantar de cabeça baixa.
Você apareceu, meu coração sorriu
Você se apresentou, a minha dor partiu
Deu luz ao meu caminho, não me deixou sozinho
Provocando em mim sintomas de amor
Levantei a cabeça e percebi que todos estavam me olhando. O grupo de meninas que estavam fofocando estavam olhando para mim emocionadas, algumas tinham lagrimas nos olhos. Pude ouvir uma garota dizendo para a outra: Olha que fofo essa serenata! Os garotos que estavam jogando Uno estavam me olhando atentamente. Alguns estavam rindo e pude ouvir um dizer: "O que esse idiota está fazendo?". Outro garoto estava sorrindo, mas não com maldade igual aos outros. Estava sorrindo porque parecia estar gostando. A menina e o menino que estavam se beijando me olhavam atentamente e davam beijos de vez em quando. A garota ruiva me olhava sorrindo. Sophia balançava o corpo no ritmo da musica e às vezes tentava cantar alguma parte.
Quando eu já havia olhado a todos, olhei para os olhos de Kari, que por sinal parecia estar surpresa e continuei a cantar:
Era tão secreto no meu coração
A emoção pulsou mais forte que a razão
Foi quando dei por mim, estava me declarando
Tentando descrever coisas do coração
O tempo foi passando e a paixão firmou em mim
Pra esse sentimento eu digo sim
Levantei da cadeira que eu estava sentado e fui em direção a Kari. Posicionei-me em sua frente e cantei o refrão.
Você me abraçou quando chorei
E me deu a chance de sorrir
Quando eu pensei que esse tal amor não era para mim
Então percebi que era só você
A razão de todo meu viver
Reconstruindo em mim a esperança de saber
Que posso ser feliz
Quando terminei, todos bateram palma, algumas meninas gritaram e eu sorri para Kari.
– Me perdoa por tudo o que te fiz. — Falei olhando nos olhos de Kari — Eu não quero que você continue longe de mim, não quero que você deixe de ser minha amiga. Eu quero retribuir tudo o que você já fez por mim e ser uma pessoa melhor para você daqui para frente. Me perdoa?
Os olhos de Kari encheram de lagrimas e ela me abraçou fortemente. Eu a abracei também e a beijei na bochecha. Naquele abraço, pude sentir que daquela vez eu havia feito à coisa certa. Eu estava feliz por ter feito aquilo, eu estava, muito feliz.
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