Eram por volta das quatro horas da tarde, eu estava sentado na beira da calçada em frente a minha casa. Kari estava ao meu lado. O vento batia em nossos rostos e nos refrescava do grande calor que estava fazendo. Os cabelos negros e chacheados de minha amiga balançavam com o vento e a tornava ainda mais linda. Seus olhos verdes brilhavam e o doce cheiro do perfume que ela usava a tornava ainda mais encantadora. Por um momento me perguntei em pensamento se eu já havia visto garota mais linda que ela. Eu não parava de olha-la. Ela era incrivelmente linda — e não precisava de maquiagem para isso -. Foi quando Kari percebeu que eu a estava olhando.

– O que foi? — Perguntou -

– Nada, não é nada. — Respondi, envergonhado -

Ela cerrou os olhos e sorriu.

– Kari... — Chamei -

– Oi. — Disse ela olhando para o céu que estava extremamente bonito. -

– O que você quis dizer quando falou que foi no hospital me visitar?

– Hã... eu quis dizer que fui lá... te visitar, uai. — Disse ela mexendo nos cabelos -

– Não é isso que eu quis te perguntar... quero dizer... O que você falou comigo naquele dia?

– Isso não importa mais, Charlie. — Ela me olhou -

– Sério?

– Sim. — Balançou a cabeça positivamente -

Foi quando ouvi a voz de minha avó.

– Crianças? Vamos entrar? Fiz um bolo, vamos comer? — Dizia ela -

– Crianças vó? — Gritei -

Kari riu de mim.

– Do que você está rindo? — Perguntei com um sorriso no rosto -

– De você, seu bobinho. — Ela colocou o dedo em meu nariz e se levantou de onde estava sentada. — Bom, acho que já vou indo.

– Já? Fica para comer o bolo com a gente? — Pedi -

– Sua avó, ela...

– Não se preocupe. Eu já falei com ela.

– Tem certeza? — Duvidou -

– Claro, sua bobinha — Coloquei meu dedo indicador no nariz dela, a imitando — Eu a fiz jurar que não ia mais implicar com você.

– Se você está dizendo...

– Sim. – Falei – Vai encher a pança, hein. – Brinquei –

Kari me olhou indignada com o que eu havia dito e me deu um leve tapa no ombro.

– Eu não sou você, Charlie. — Disse sorrindo -

Fomos juntos para dentro da casa. Sobre a mesa de jantar, havia um bolo de chocolate, leite, biscoitos e algumas outras guloseimas. Minha avó e meu avô já estavam comendo quando chegamos. Sentei-me ao lado de minha vó e Kari ao lado de meu avô. Minha convidada estava visivelmente envergonhada por estar de frente com a mulher que algumas semanas atrás a havia expulsado daquele lugar.

Olhei para minha avó e sussurrei "Pede Desculpas" para ela.

– Ah! — Disse minha avó — Hum, Kari? — Chamou -

– Sim senhora. — Disse Kari calmamente -

– Desculpa por ter te tratado tão mal daquela vez, eu estava muito nervosa e acabei descontando tudo em você. Hoje eu meu envergonho daquilo e...

– Tudo bem, já passou. — Kari sorriu -

– Bom, então vamos comer não é? — Disse meu avô colocando leite em sua xícara -

Todos concordaram e começamos a comer. Mas algo nos interrompeu. A campainha da casa tocou e tocou novamente.

– Deixa que eu vejo quem é. — Disse minha avó Maria-

A campainha tocou novamente.

– Já vai! Já vai! — Gritou ela -

Maria abriu a porta e viu uma mulher com o olho esquerdo roxo. Os cabelos dela eram negros, sua pele era lisa e sem rugas. Vestia uma blusa azul marinho e uma calça jeans. A mulher carregava uma criança de aproximadamente 2 anos no colo e ao seu lado, no chão, havia algumas malas de viagem.

Minha avó deu um passo para trás quando viu a mulher. Olhei para meu avô e o rosto dele estava com um semblante surpreso. Ele me olhou e se levantou da cadeira que estava sentado. Kari me olhou sem entender muita coisa, eu também não entendia. A mulher me olhou, seus olhos pareciam transmitir tristeza, mas mesmo assim ela sorriu quando me viu. Minha avó também parecia estar surpresa, talvez muito mais surpresa do que eu.

– Judite? — Disse minha avó, sua voz estava tremula e ela gagueijou quando disse. -

Levantei de onde eu estava sentado e olhei para a mulher atentamente. Foi quando me surpreendi.

– Mãe? — Perguntei -

– Oi, meu filho! — Disse Judite -

Um silencio perturbador dominou aquele lugar por alguns instantes. Várias coisas se passavam por minha cabeça. O que minha mãe estava fazendo ali depois de muito tempo? Como ela havia nos achado? Quais eram as intenções dela? Essas eram algumas das milhares de perguntas que se passavam pela minha cabeça.

– Não vai me convidar para entrar, mãe? — Perguntou Judite -

–Ah... sim pode entrar. – A voz dela continuava trêmula -

Minha mãe Judite entrou e olhou para o meu avô. Os olhos dele estavam cheios de lagrimas.

– Oi pai.

– O que você está fazendo aqui? — Ele perguntou sarcástico-

– Nossa, é assim que você me trata depois de todo esse tempo? Não sentiu saudades da sua filhinha. — Disse minha mãe colocando o garoto que estava em seu colo no sofá -

Judite foi até ele e o abraçou. Meu avô não repetiu o gesto. Minha mãe pareceu não ligar. Ela me olhou e me veio em minha direção. Quando ela iria me abraçar eu me afastei.

– O que foi? — Perguntou -

Fiz com a cabeça que não queria um abraço, Judite pareceu desapontada.

Meus olhos estavam enchendo de lagrimas, eu não queria chorar. Prometi em pensamentos que eu não iria chorar, não queria parecer fraco. Não de novo.

– Quem é essa? — Disse minha mãe apontando para Kari. -

– Sou Kari.

– Ela é uma amiga do Charlie! — Disse minha avó -

– É bom te conhecer. Quero saber tudo sobre o meu filho. — Disse ela em um sorriso que parecia muito falso -

– O que você está fazendo aqui, Judite? – Perguntou minha avó –

Notas finais
Bom, demorei mas postei. Espero que tenham gostado. :3