Charlie e eu

1 Capítulo 1 - Uma avalanche de azar


Notas iniciais
Olá! Bem-vindos a minha mais nova história. Existem outras no meu perfil do Wattpad que vocês podem dar uma olhadinha (caso eu não traga elas para cá também). Enfim, não sei ao certo quando vou atualizar o livro, mas vou tentar não demorar tanto. Boa leitura!

Se em algum dia da sua curta vida, Alexa teve uma fagulha de sorte, pode ter a certeza de que era somente aquela mísera fagulha que teria durante toda a sua vida.

Havia trabalhado normalmente a manhã inteira, nada fora do normal. Seus colegas de trabalho estavam trabalhando em suas matérias, o velho zelador estava limpando as salas, Suzana estava fazendo… seja lá o que ela fazia o dia inteiro na sala do CEO. Seu almoço foi na pequena lanchonete ao lado, o cheiro familiar de fritura e café era constantemente presente no cotidiano da morena.

Só foi se sentar à mesa para esperar seu maravilhoso espaguete ao molho vermelho, que percebeu uma quantidade, um tanto quanto estranha, de mensagens em seu celular. Não fazia ideia de quem era aquele número, mas o conteúdo não era nem um pouco agradável.

[+99 12855-5019]: Eu não quero que você mande mais mensagens para o meu namorado.

Arqueou uma sobrancelha, será que era uma mensagem errada? Sophia costumava receber algumas por conta do trabalho. Até mesmo ela havia recebido uma mensagem errada. Continuou lendo.

[+99 12855-5019]: Ele disse que não te conhece, mas eu sei bem como é o seu tipinho.

[+99 12855-5019]: Vive correndo atrás de homem comprometido como uma cachorra no cio.

A última mensagem fez seus olhos castanhos dobrarem de tamanho. Só podia ser um grande, enorme engano.

[+99 12855-5019]: Se afaste do Michael!

Michael? Seu Michael?

Soltou o ar que nem percebeu que estava prendendo pelos lábios avermelhados. Em um súbito impulso de coragem, digitou uma resposta rápida. Um simples “Que Michael?” e em instantes a pessoa estava lhe respondendo. Seu coração parecia querer sair pela boca, nunca tinha sentido aquela sensação antes e gostaria de não estar sentindo naquele instante.

[+99 12855-5019]: Não se faça de sonsa, Alexa!

Oh, Deus! Ela sabia seu nome. Não podia ser duas coincidências, não é? Ela enviou uma foto com o seu namorado, os cabelos loiros curtos, a pele branca bronzeada, olhos azuis, sorriso branco. Ao seu lado estava ele. Pele clara, olhos castanhos, cabelo bem cortado, como se fosse o Michael B. Jordan, ele estava com um sorriso radiante. Michael tinha mesmo uma amante?

[+99 12855-5019]: Ele me contou que foi apenas um deslize.

[+99 12855-5019]: Você não vai acabar com nosso relacionamento de anos, Alexa.

Anos? Sentiu sua cabeça girar. Ela e Michael tinham três anos de namoro, precisava saber se aquilo não era só uma brincadeira de mau gosto. As mãos trêmulas digitaram de forma rápida e agitada, seu celular quase que caía na mesa de madeira escura. “Quantos anos?” Perguntou.

A resposta veio como um balde de água gelada.

[+99 12855-5019]: 2 anos.

— Moça, você está bem? — A voz da garçonete lhe trouxe de volta a realidade. Seus olhos focaram nela e na bandeja com o seu pedido, não estava com fome mais.

— Eu…

O toque curto de uma nova mensagem fez com que ela olhasse novamente para o aparelho em suas mãos. Era ele.

O que ela faria? Como responderia qualquer mensagem que ele enviasse? Reuniu o pouco de coragem que restava em seu corpo e abriu a mensagem de Michael.

[Amor♡♡♡]: Alexa, precisamos conversar.

Claro que eles precisavam. Michael lhe devia uma boa explicação.

[Amor♡♡♡]: Eu quero terminar…

[Amor♡♡♡]: Não é você!

[Amor♡♡♡]: Eu só não sinto que devíamos estar mais juntos.

Seus dedos agiram por impulso e, quando se deu conta, já havia enviado a foto que a amante dele mandara minutos antes, acompanhada da legenda: “Pelo visto, o problema não sou mesmo eu.”

Largou o celular em cima da mesa. A garçonete ainda a olhava, com pena para ser exata. Ótimo! Mais essa agora.

— Obrigada. — Ela sorriu sem jeito, antes de deixar o pedido na mesa e voltar aos seus afazeres.

Precisava ligar para Sophia, contar o que aconteceu, tomar uma xícara de chocolate quente e talvez, só talvez, chorar por aquele canalha que havia metido um belo par de chifres em sua cabeça. Olhou sem ânimo para a comida posta à mesa, deu um suspiro antes de pegar o celular e ir em direção ao caixa. Seu dia não tinha como piorar.


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Que sorte maldita!

Era como se o destino risse na sua cara, dizendo: “Tudo pode piorar.” Estava sentada na sala do RH, com Bárbara tentando lhe consolar. Pequenos tapinhas em suas costas eram para sinalizar que logo aquilo iria passar e tudo ficaria bem, mas não iria. Estava oficialmente demitida.

— Mas por quê? Eu tinha certeza de que estava indo tão bem aqui na revista.

— E estava! Estava, Alexa. Mas o CEO está fazendo pequenas mudanças.

Segurou as lágrimas. Ela jamais choraria na frente de alguém, muito menos se esse alguém, fosse Bárbara. Respirando fundo, se levantou da cadeira, não precisava dizer nada para a ruiva — até porque não adiantaria nada.

Ao passar pelo corredor de vidro que dava para ver perfeitamente sua área de trabalho, sentiu um frio na espinha, era estranho pensar que não voltaria no próximo dia para escrever outra matéria que revolucionaria a cabeça de várias mulheres. O lugar estava quase completamente vazio, apenas dois colegas ainda estavam com as caras nos computadores — provavelmente terminando suas matérias.

O elevador parecia frio, assim como o clima do lado de fora. Ela não voltaria a usá-lo. Seu peito apertou um pouco mais. No térreo só o porteiro e a senhorinha que sempre levava café durante as reuniões estavam presentes.

Era trágico pensar que estava desempregada e solteira ao mesmo tempo, muitas pessoas perdiam os dois em momentos separados — mas não Alexa! Havia perdido os dois no mesmo dia e, para piorar, em um curto período de tempo.

Assim que pôs seu pé para fora da empresa, sentiu os primeiros pingos de chuva, grossos e gelados, doíam ao se chocar contra sua pele. Em uma forma de desabafo, gritou: — Vai se foder!!!!

A senhorinha e o porteiro olharam surpresos para a morena. Ninguém nunca esperava que alguém xingasse do nada.

— Isso são modos, senhorita Dawkins?! — A idosa indagou. Até mesmo o pequeno carrinho de café ela havia parado de empurrar para dá-la aquele sermão.

— Me desculpe.

A chuva não parecia que iria dar uma trégua tão cedo. Teria que correr se quisesse chegar em casa antes das seis e meia, infelizmente não seria seca.


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Poucas pessoas andavam pelas ruas naquela noite, todas com guarda-chuvas e bem agasalhadas. Todas, menos Alexa. Seu cabelo cacheado volumoso estava tão caído quanto sua sorte, a maquiagem outrora perfeita, estava escorrida, pequenas olheiras estavam pouco abaixo de seus olhos, bom… eram resquícios da máscara de cílios preta que usara antes. O batom estava borrado por ter passado a mão ali muitas vezes para, inutilmente, secar o próprio rosto.

Quando menos Alexa esperava, um carro passou ao seu lado em alta velocidade e, para sua sorte, ele passou respingando a água da poça perto do meio fio.

— Mas que merda! O que mais vai dar errado hoje? — bradou aos céus. Sua roupa estava com uma grande mancha marrom. Suspirou, aquilo não iria sair tão fácil assim.

Acompanhado de um grande estrondo no céu, veio um miado assustado. Se Alexa não estivesse perto das caixas de papelão, com certeza não teria ouvido.

Mais um miado. Alexa olhou de um lado para o outro, ninguém parecia realmente se importar com o que acontecia ao seu redor. Se aproximou um pouco mais das caixas, outro miado foi ouvido. Revirou um pouco, não foi difícil chegar a última. Foi então que Alexa viu um gatinho todo encolhido dentro da caixa, um buraco ao lado só confirmou que ele devia ter rasgado para entrar e se abrigar.

Estava tão acabado quanto ela. O pobre gato estava tão sujo que nem conseguia ver qual era a sua cor, mas os olhos eram tão claros que ela podia jurar que eram dourados.

Outro miado.

— Está perdido? — Se abaixou levemente. O gato se encolheu e deu um chiado, tentando ser ameaçador. — Eu também não estou tendo um dia legal…

O gato miou, a encarando fixamente, como se qualquer movimento brusco de Alexa fosse motivo de alerta.

— Você não tem coleira. Está com fome?

A cabeça do bichano se virou levemente. Ele estava mesmo entendendo o que Alexa falava? Como se a resposta fosse “sim” ele se aproximou lentamente da mão da morena.

— Podemos ir para casa amiguinho?

E então ela o pegou no colo. Suas roupas já estavam sujas mesmo, que mal faria pegar o pobre gato?