Charlie é o Cara

47 O APOC de Angel


Notas iniciais
Oi! Oi! Oi! Oi oi oi oi, é pra quebrar, cu duro vamos dançar! OLÁÁÁÁÁÁÁ GENTE E OI TAMBÉM! Minha nossaaaaaa, que saudade! Desculpem pelo atraso novamente, eu tive prova esses dias e não deu pra faltar da escola, mas como hoje não teve aula aqui estou eu postando para vocês. E aí, todo mundo pra um APOC dos bons? Então segurem os seus forninhos e vão! OBS: Obrigado a todo mundo que comentou no capítulo anterior. s2

POV-Charlie

― Aqui estão as duas opções que podem explicar essa situação. ― Amy começou a falar, levantando dois dedos para dar as opções. ― A primeira é a de que Peter é muito bom de cama e por isso você já quer que ele seja seu namorado. ― Ela baixou um dedo. ― E a segunda é a de que você é mais pegajosa do que Pablo nesse quesito. ― Baixou o outro.

― Foi um acidente, não tente rotular ou dar opções sobre isso porque se não vai se tornar uma coisa real. Vamos simplesmente ignorar e fingir que não aconteceu! ― Eu comecei a surtar logo após ter falado a palavra com N de Peter para Amy, acho que era uma reação natural. ― Mas só para constar, ele realmente é muito bom na cama.

― Aconteceu sim, porque eu ouvi. Ouvi muito bem na verdade, mesmo com os meus ouvidos não estando muito bons esses dias.

― Charlie! ― Cece gritou novamente.

― Eu acho que você deveria ir salvar o seu namorado. ― Amy falou.

― Quer parar de chamá-lo assim? ― Disse ao começar a caminhar na direção da confusão.

― Foi você quem fez primeiro. ― Amy gritou de volta, levantando as mãos em sinal de paz.

― E não saia daí, vai saber o que você tomou. Eu provavelmente vou ter que te levar pro hospital no fim da noite pra fazer uma lavagem de estomago.

Atravessei o jardim e me aproximei deles, enquanto Too Close do Alex Clare estava tocando. Louis continuava gritando fazendo uma cena, de vez em quando o garoto revidava ao dizer alguma coisa e Cece dizia para ele ficar quieto. Peter era quem estava segurando Louis, Jon e Joe estavam ao lado de Cece e Pablo estava próximo do garoto.

― Peter! ― Chamei seu nome e ele se virou imediatamente para mim, mas ainda não soltou Louis.

― Charlie, o que está fazendo aqui? Pensei que tivesse dito para ficar lá! ― Ele falou e apontou para onde Amy ainda estava.

Agora ela estava parada e olhando para cima.

― Eu chamei ela. ― Cece falou. ― Agora você dá o fora, Peter.

― Cece! ― Ele retrucou feito uma criança fazendo birra no mercado e Cece só apontou na minha direção.

Peter fez uma cara de raiva e apertou os olhos por um momento.

― Pete. ― O chamei novamente, dessa vez em tom baixo e calmo.

Ele abriu os olhos novamente e olhou para mim, foi soltando Louis lentamente e então começou a caminhar na minha direção. Louis passou a mão pelo rosto, se recompondo e olhou para Cece.

― Quer saber, Cece? Chega. ― Ele levantou as mãos e deu um passo para trás. ― Estou cansado de esperar e continuar tentando, achar que vai ser diferente, mas é sempre a mesma coisa. Você nem mesmo se esforça.

― Você está bravo agora, não diga as coisas com a cabeça quente. ― Cece falou.

― É claro que eu estou bravo, Cece! Você mentiu pra mim! ― Louis gritou.

― Hei cara, se acalma! ― Jon falou.

Eu segurei no braço de Peter para impedir que ele voltasse para lá.

― Eu não menti, Louis. Eu só não te contei! ― Cece gritou de volta.

― E qual a diferença disso? Porque você não falou para mim? Porque falou para ele? ― Louis apontou para Shane.

― Porque eu achei que você não ia entender! Eu não ia aguentar você me olhar de forma pior do que você já me olha todos os dias, só esperando eu me consertar. Mas deixe eu simplificar para você, eu não sou uma coisa que pode ser consertada, essa sou eu agora. ― A voz dela falhou por um momento e eu sabia que ela estava a ponto de desabar. ― Se gosta de mim, fique comigo e se não, me deixe de vez.

Louis acenou a cabeça minimamente, quase um aceno imperceptível. Se você não estivesse prestando muita atenção nele você nem teria percebido.

― Adeus Cecília.

Foi a única coisa que ele disse antes de se virar e começar a caminhar lentamente para longe.

― Louis? ― Cece chamou, dando um passo atrás dele, mas ele não se virou. ― Louis? ― Ela chamou mais alto e ainda não obteve resposta, ele só caminhava para longe.

― Nós devemos fazer alguma coisa? ― Sussurrei para Peter ao meu lado.

Ele apertou os lábios de forma pensativa.

― Eu não acho que tenha muito que possamos fazer, Charlie. ― Ele sussurrou de volta, olhando para mim.

― Louis, espera! ― Cece gritou em prantos, dando mais um passo na direção dele. ― Louis! ― Ela gritou uma última vez antes de cair de joelhos na grama, mas Louis nem olhou para trás.

Os rapazes ficaram em silêncio, olhando de um para o outro sem saber o que fazer. Cece continuou ali no chão, ajoelhada e desamparada. Joe foi o primeiro a se mover, ele caminhou até ela e se abaixou, ajudando-a a se levantar. Eram os braços de Joe em volta dele que a mantinham de pé, ele a apertava contra o peito enquanto ela soluçava.

POV-Johnny

― Então quer dizer que você nunca tinha provado comida chinesa antes? ― Perguntei a Mary, me virando para olhá-la.

Nós dois estávamos sentados lado a lado sobre o capô do meu Porsche. Nós havíamos feito uma parada no drive-thru de um restaurante de comida chinesa, onde eu havia pegado comida o suficiente para alimentar um batalhão ou só acabar com a minha fome mesmo. Depois dirigi até o matadouro, onde parei bem no centro de uma clareira.

Era a primeira vez de Mary provando comida chinesa e ela parecia estar realmente gostando disso. Eu estava sendo o primeiro dela em muitas coisas.

― Não! ― Ela respondeu com a boca cheia, dando outra garfada no seu potinho. ― Isso é muito bom, minha nossa!

Eu não consegui parar de encará-la enquanto ela mastigava e fazia cara de puro prazer ao comer aquilo, ela estava usando um garfo descartável já que tinha desistido de usar os hashi depois de cinco tentativas falhas.

― Se você gostou disso aqui, vou te levar para comer Tailandesa e Mexicana, você vai adorar e... ― Mas ela me cortou antes que eu pudesse continuar.

― Que horas são? Os meus amigos devem estar preocupados. ― Ela falou, parando de comer e olhando ao redor.

― Ainda é cedo, não tem que se preocupar. Você quer ir embora? ― Perguntei, parecendo mais ansioso do que deveria demonstrar.

Eu não era muito de aproveitar a companhia das pessoas e eram poucas as que me agradavam, Mary era uma dessas exceções. Eu gostava de falar com ela, gostava de como ela falava as coisas naturalmente, sem o filtro do bom senso ou da falsidade comum das garotas hoje em dia.

― Você pode ficar mais um pouquinho, não pode? ― Perguntei, colocando o meu potinho de lado e me apoiando com as mãos para trás no capô.

― É, eu acho que sim. ― Ela falou e abriu um sorriso natural.

― Bom. ― Eu sorri para ela.

Eu gostava do seu sorriso, ele não era ensaiado e simplesmente saia. Era quase impossível não sorrir de volta quando ela fazia isso. Um lampejo de esperança se encheu em mim quando ela disse que poderia ficar um pouco mais, não que eu estivesse planejando transar com ela essa noite. Bom, ainda era uma opção, mas eu só estava aliviado por não ter que ficar sozinho.

― Então, o que você está cursando? ― Perguntei, cortando o silêncio.

― Literatura.

― Literatura? Então quer dizer que você é uma garota de livros? É a sua cara mesmo! ― Disse debochado.

― Na verdade, o que me fez cursar literatura foi mais a curiosidade. Nós temos uma certa restrição na nossa biblioteca onde eu vivo, boa parte dos livros que são comuns para vocês não são permitidos para nós. ― Ela fez uma pausa e encolheu os ombros. ― Eu encontrei uma edição de Romeu e Julieta de Shakespeare. E eu me encantei. ― Mary sorriu. ― É claro que agora ela está bem velho e gasto, de todas as vezes que precisei escondê-la dos meus pais. Mas ainda dá para ler, e eu fiquei pensando em todas as histórias incríveis como aquela poderiam ter aí.

― Romeu e Julieta? ― Acenei positivamente surpreso, me virei para ela antes de continuar. ― O esplendor da sua face envergonharia as estrelas do mesmo modo que a luz do dia faria envergonhar uma lâmpada. Se os seus olhos estivessem no céu, lançariam, através das regiões etéreas, raios de tal esplendor que os pássaros cantariam esquecendo que era noite. Oh, quem me dera ser a luva dessa mão para poder tocar o seu rosto!

A boca dela se abriu em surpresa e depois se transformou em um sorriso.

― Fiz uma peça no colegial. ― Falei orgulhoso. ― Eu sou muito bonito, é inevitável.

Ela gargalhou e jogou a cabeça para trás, me fazendo rir também.

― Romeu e Julieta é? Eu espero que você não tenha visto o filme, porque Leonardo DiCaprio vai fazer você desistir desse sonho.

― Quem é Leonardo DiCaprio? ― Ela perguntou confusa, olhando para mim.

― Se contente em não saber. ― Falei, acenando positivamente para ela. ― Só pro caso de você conhecê-lo algum dia, não mencione o Oscar.

― Ok, não mencionar o Oscar. Anotado. ― Mary sorriu.

― E também Matthew McConaughey.

― Esse não é um cantor country? ― Ela perguntou, meio em dúvida.

― Deixa pra lá! ― Disse rindo. ― Me dá um pouco disso aqui. ― Falei pegando um pouco do seu potinho.

― Hei! ― Ela reclamou. ― E você, o que está fazendo?

― Eu? Eu não estou fazendo nada, na verdade. Eu só vou a aula de vez em quando. ― As sobrancelhas dela se arquearam e eu sorri. ― É só que... eu não estou muito empenhado no que eu estou fazendo. Para ser sincero, eu nem gosto. Eu estou matriculado em medicina, eu não gosto de dizer que estou estudando, porque eu não estou. Meu pai é cirurgião e ele me enche com isso desde de pequeno, então eu não tive um livre arbítrio, eu só sabia o que eu tinha que fazer.

― Se você não gosta, porque faz então?

― Esse é o problema, Mary. ― Passei a língua pelos lábios. ― As coisas não são tão simples quanto o seu ponto de vista. Meu pai é um babaca e Deus me ajude se eu disser para ele que não é isso o que eu quero, ele provavelmente tira tudo de mim e mais um pouco. ― Soltei uma risada nervosa. ― Eu só quero deixá-lo orgulhoso, mesmo que seja um saco as vezes.

― Você deixa ele orgulho, mas você está infeliz. ― Ela disse me analisando.

Dei de ombros.

― Você não pode ter tudo o que quer, né? ― Falei.

― Talvez nós todos damos o melhor de nossos corações sem questionar para aqueles que mal pensam em nós. ― Mary falou e me virei para ela.

― O que?

― Eu li isso uma vez. É verdade, não é? Nós sempre tentamos fazer demais para aqueles que não merecem. ― Ela disse, me olhando.

POV-Pete

Encontrei Charlie sentada com Jon nos degraus de entrada da mansão da Kappa. Amy estava deitada na grama próxima a eles e Pablo estava sentado ao lado dela.

― Você vai ficar com uma coceira danada por ficar deitada aí. ― Pablo falou, olhando Amy rolar na grama como se fosse um cachorro.

― Eu estou rolando em um mar de cereal. ― Foi o que ela respondeu.

― Você está rolando na bosta de cachorro, isso sim. ― Charlie falou, fazendo uma cara de nojo.

― Hei. ― Falei ao parar na frente deles, todos levantaram o rosto para me olhar. Coloquei as mãos na cintura e comecei a falar. ― Joe foi levar Cece para casa e vai passar a noite lá com ela. Shane também deu o fora.

― Não acha que deveríamos ir lá com ela? ― Charlie perguntou.

― Eu não sei se um ambiente cheio de pessoas é o melhor para Cece agora, Charlie. Mas podemos ir vê-la amanhã de manhã, ok? ― Ela sorriu e fez que sim com a cabeça.

― Sou só eu ou todos vocês também não estão levando a sério o que ele está falando porque ele está tendo uma ereção? ― Pablo disse rindo.

― Quer parar de olhar pro meu bilau? ― Falei indignado.

― Você falou bilau! ― Amy disse e começou a gargalhar, rolando pelo chão.

― E lá vai ela de novo... ― Charlie disse, olhando para Amy. ― É melhor eu levar ela pra casa.

― Tudo bem, Charlie. Eu posso cuidar disso. ― Pablo falou, se levantando do chão.

Charlie olhou para ele meio em dúvida.

― Pablo, sério, relaxa... Eu não vou deixar nada acontecer com ela. ― Charlie disse.

― Pode deixar, eu assumo daqui. ― Pablo falou, levantando Amy do chão. ― E se sua preocupação é de que eu vou me aproveitar dela, não, eu não vou. Qual é? Eu sou mexicano, nós não fazemos essas coisas.

― Ok. ― Charlie disse ainda não muito certa disso, mas eu sabia que não era com isso que ela estava preocupa, era só provavelmente com o fato de se Pablo seria realmente capaz de cuidar de Amy.

― Droga, você realmente rolou no coco de cachorro. ― Pablo fez uma careta para Amy. ― Vamos para casa, você tem que tomar um banho. ― Ele saiu dali com Amy.

― Cuide dessa garota, Pablo. ― Falei, olhando eles se afastarem.

― Bom, agora só sobramos nós. E Bruce. E Mike. E Bobby. Falando em Bobby, ele sumiu a festa inteira cara. ― Jon falou.

― Mike foi para a casa chorar e dormir.

― Ele não é o único, Mary também sumiu. ― Charlie falou.

― Se eles estiverem juntos, ainda não é tão ruim. ― Jon falou, dando de ombros.

― Eles definitivamente não estou juntos. ― Charlie completou. ― Acho que tenho um palpite de onde Mary está.

Cerrei meus olhos para Charlie e cruzei os braços sobre o peito.

― E qual seria?

― Johnny. ― Ela falou, olhando para Jon primeiro e depois se virando para mim.

POV-Bruce

― Você vai demorar mais quanto tempo aí? ― Perguntei a Angel.

Eu já havia me sentado no vaso, cansado de esperar de pé até a hora que ela ia liberar o banheiro para mim. Parecia que eu ia explodir a qualquer momento de tanta vontade de mijar.

― Não se apressa a beleza. ― Angel me olhou por cima dos ombros. ― E o que você está fazendo aqui ainda?

― Esperando para usar o banheiro. ― Respondi.

― Você não usou ainda? ― Ela perguntou confusa. ― Está aí sentado faz meia hora porque então?

― Porque estou esperando você sair.

― Ah, por favor. Quer parar de ser idiota? Eu nem estou olhando o que você está fazendo, pode usar o banheiro. Depois dá o fora, porque eu ainda vou demorar. ― Angel disse impaciente.

― Bom, já não é muito fácil fazer isso na minha condição, com você aí fica tipo mil vezes pior.

― Sua condição? ― Ela arqueou as sobrancelhas. ― Oh meu Deus! Você está tendo uma ereção! ― Angel gritou quando me olhou dos pés a cabeça e viu qual era o problema. ― Tarado!

E então ela começou a atirar coisas em mim, tudo que estava ao seu alcance ela começou a jogar na minha direção.

― Quer parar com isso? ― Usei as mãos para me proteger das coisas que ela jogava. ― Não é intencional!

― Não é intencional? Essa é sua desculpa? Seu pervertido! ― Ela gritou e jogou um rolo de papel higiênico em mim.

― Eu tomei um comprimido de viagra acidentalmente. ― Tentei explicar a ela.

― Acidentalmente? Eu não acho que seja possível tomar viagra acidentalmente.

― É claro que é! Eu pensei que fosse bala de menta!

― Faça o que você tem que fazer e por favor, fora! ― Ela disse e apontou para a porta.

― Bom, não é tão simples assim! Eu não vou fazer nada com você olhando!

― Quer parar de ser idiota? Não tem nada que eu já não tenha visto aí antes.

― Tem muita coisa que você não viu aqui antes, tá? ― Falei ao me levantar.

― Tudo bem! Eu vou me virar, mas vai rápido com isso!

Ela disse e então se virou de costas para mim novamente, colocando uma das mãos sobre os olhos. Fiquei apenas a olhando por um momento.

― Será que dá para ir logo? ― Ela reclamou.

― Ok! Ok! ― Falei e me virei para o vaso, ficando de costas para ela. Dei uma olhada por cima dos ombros para garantir que ela não estava olhando, então finalmente abaixei a minha cueca.

Olhei para baixo e fiz uma careta, depois olhei para o vaso. Então para o teto.

― Quando tempo isso vai demorar? ― Angel perguntou.

― Se você continuar falando vai demorar mais, você está tirando a minha concentração assim! ― Falei, olhando para o teto ainda.

― Não tem que se concentrar, é só deixar sair! ― Ela falou e fez uma pausa, esperando mais uns instantes. ― Eu estou esperando.

― Bom, eu também!

POV-Charlie

― Hei! ― Peter falou ao se sentar ao meu lado, ocupando o lugar que Jon ocupava a pouco tempo.

Jon havia ido procurar por Bruce e Bobby enquanto eu e Pete esperávamos ali, já era o suficiente de festa para nós por hoje. Olhei para ele e abri um sorriso leve.

― O que você está pensando? ― Ele perguntou, tocando o meu joelho com a mão.

― Coisas. Coisas que não são importantes. ― Falei. Na verdade, elas eram importantes. Eu só não sabia se queria falar isso agora.

― Se não fossem importantes, você não estaria pensando nelas. Verdade seja dita, Charlie. Você nunca pensa em coisas que não são importantes. Então o que está acontecendo? ― Ele insistiu, acenando positivamente e me encorajando a falar.

Abri a minha boca para começar a falar mas a fechei imediatamente quando Jon apareceu na nossa frente novamente.

― Eu não consigo encontrá-los! ― Ele disse irritado.

― Estamos indo! ― Falei, me levantando do degrau.

POV-Bruce

― Alguma coisa? ― Angel perguntou, nós já estávamos esperando tinha uns quinze minutos.

― Não. Acho que não. ― Falei, fazendo uma careta. ― Espera aí... acho que está vindo. Ah não, alarme falso!

― Já sei! ― Ela falou e então ouvi o som da torneira sendo aberta, seguida pelo som da água caindo. ― Está ajudando?

― Bom, na verdade, está sim. ― Acenei positivamente. ― Mas ainda não consigo.

― Bruce, concentre-se! Foco, ok?

― Não é tão fácil quanto pare... ― Mas parei de falar imediatamente e a olhei por cima dos ombros. ― O que você disse?

― Disse para você se concentrar! E é o que você claramente não está fazendo já que está falando comigo.

― Não! Antes disso, você disse meu nome. ― Falei, abrindo um sorriso idiota no rosto.

― É, e daí? Bruce, esse não é seu nome? ― Ela perguntou confusa.

― É. É só que é a primeira vez que você me chama pelo nome.

― Bom, não se sinta especial por isso. Porque não significa nada. ― Ela disse e então mudou de assunto novamente. ― Então, alguma coisa?

Podia não significar para ela, mas significava para mim. Isso era mais do que qualquer coisa que Angel já havia feito para mim desde que nos conhecemos.

― Opa! Está vindo! Eu acho que é... é agora... ― Soltei um suspiro aliviado quando finalmente consegui fazer xixi. ― Uau, esse é o melhor xixi que eu fiz na vida!

Escutei Angel rir, uma risada curta mas natural, quase que inevitável. Eu acho que desde que eu a conheço eu nunca havia conseguido ouvir a sua risada de verdade. Olhei para ela por cima dos ombros e sorri, ela sorriu de volta por um momento. Só um momento, por um milésimo de segundo e então isso murchou, e sua expressão se tornou fria novamente.

POV-Charlie

― Nós já passamos por aqui, não passamos? ― Perguntei a Jon e Pete.

― Eu acho que conheço esse vaso. ― Jon falou, apontando para um vaso de porcelana de efeito no corredor.

― Você está dizendo isso de todos os vasos, Jon. ― Pete falou, olhando para ele sem acreditar.

― É claro que sim! Eles são todos iguais! ― Jon disse indignado.

― Tudo bem, vamos bater de porta em porta novamente! ― Falei, apertando a ponte do nariz.

E lá começava novamente, nós três batendo de porta em porta e vendo coisas realmente interessantes. Bom, interessante varia do posto de vista, eu diria algumas até perturbadoras. Levantei a minha mão para bater em outra porta para perguntar, quando ouvi Jon gritar.

― CARALHO!

Ele estava parado diante da porta aberta de um quarto e entrou logo em seguida, Pete o seguiu perguntando ―:

― É outra garota amarrada no telhado?

Corri até lá também, já me preparando mentalmente para o que estava por vir, mas quando parei na porta e vi o que realmente estava acontecendo ali. Isso sim foi realmente inesperado.

POV-Angel

― Você ouviu isso? ― Cerrei os olhos para o meu reflexo e esperei a resposta de Bruce.

― Ouvi o que? ― Ele disse, apertando o botão da descarga.

― Isso, esse grito. Alguém gritou aqui do lado. ― Apontei para a porta.

― Eu estava tão concentrado no meu xixi que nem ouvi nada, foi mal. ― Ele deu de ombros e se aproximou de pia, começando a ensaboar as mãos.

― E se for um assassino? ― Perguntei, ainda olhando para a porta.

― Eu não sei porque mas tenho a sensação de que você está vendo filmes de terror demais. É claro que seria maneiro um assassino em série de garotas de fraternidade, mas isso é super a cara de um filme do Jason. ― Ele disse, enxaguando as mãos com água.

Peguei uma escova de banho dali para usar como arma e Bruce me olhou rindo.

― Tá rindo do que? Eu é que vou rir quando você estiver caído no chão com metade do seu intestino para fora. ― Falei, fazendo uma careta. ― O que você está esperando?

― Nada, porque? ― Ele pareceu confuso.

― Você sai na frente, você é o homem aqui. ― Apontei para a porta com a escova.

― Não tem nenhum assassino aqui e eu vou provar pra você bem agora. ― Ele falou confiante, abrindo a porta e saindo na frente.

Eu me mantive atrás da sua sombra, segurando o escovão com as duas mãos e pronta para golpear qualquer coisa que entrasse em meu caminho.

― Charlie? ― Ouvi Bruce falar.

― Charlie? ― Essa era uma das coisas que eu aceitaria golpear.

Bruce saiu andando na frente e foi até a porta ao lado, onde eu ainda consegui ver Charlie entrar no quarto e Bruce parar na porta, seu queixo caiu.

― Ham... Angel, definitivamente não é um assassino. ― Bruce falou, se virando para mim. ― Eu acho que você não deveria vir aqui agora.

― O que? ― Falei sem entender, abaixando o escovão e fui correndo até lá.

Bruce se adiantou e deu alguns passos na minha direção, entrando no meu caminho e tentando me impedir de continuar.

― Eu acho melhor não. ― Ele falou, tentando me alertar.

― Aquele é o meu quarto, sai do meu caminho pervertido! ― Acertei ele com o escovão e ele gemeu de dor, abrindo caminho para eu passar.

Mas assim que cheguei na porta do quarto, o meu queixo caiu e eu fiquei sem reação.

POV-Johnny

― Cara, tem muitas estrelas mesmo. Eu acho que seja o infinito do infinito. ― Falei, olhando para os pontinhos brilhantes no seu escuro.

Eu tinha colocado Latch do Kodaline para tocar no carro, estava deitado ao lado de Mary sobre o capô do Porsche, com as costas apoiadas no parabrisas. Não conseguia me lembrar de quando foi a última vez que eu fiz isso, simplesmente parei para admirar alguma coisa assim tão simples, como o céu. Verdade seja dita, eu não me lembro de quando foi a última vez que eu havia levantado o meu rosto acima do meu próprio nariz.

― Infinito do infinito? ― Ela virou o rosto na minha direção e sorriu.

― Eu não sou muito bom com números. ― Encolhi meus ombros e seu sorriso se alargou um pouco mais.

― Você não é mal como as pessoas dizem. Porque você não trata todos como trata a mim? ― Mary perguntou, me deixando desconfortável com a pergunta e engasgado com uma resposta.

Desviei meus olhos dos dela e olhei para as estrelas novamente.

― É complicado. ― Me remexi sobre o capô, tentando dar a resposta mais simples que conseguia.

― Me explique então. ― Ela insistiu, me olhando de forma paciente.

Me virei para ela novamente e vi a expressão de espera em seu rosto, eu não queria simplesmente deixá-la ali esperando. Eu sentia essa pequena necessidade de dizer a ela, de ser sincero como ela era comigo.

― Eu cometo erros estúpidos, um monte deles. ― Comecei a falar, olhando o rosto dela. ― Eu sou mentiroso, trapaceiro, um babaca na maior parte do tempo, eu sei disso. E isso não facilita muito as coisas para que eu seja a pessoa mais amável do mundo. ― Soltei um longo suspiro antes de continuar. ― Eu apenas não consigo abaixar essa barreira que construí entre mim e o resto do mundo. Não sei como ser bom.

― Mas você é bom comigo. ― Ela se inclinou um pouco mais na minha direção e me olhou com aquela expressão de cordeiro assustado.

Eu queria me inclinar em sua direção e beijá-la. Então era esse o sentimento de saber de que alguém de importa com você. Me aproximei mais dela, inclinando o meu rosto na direção do seu também. Ela fechou seus olhos primeiro, tomando o seu tempo e eu não me apressei, deixando-a me guiar.

Seus lábios pressionando contra os meus de maneira delicada. Levei uma mão de encontro ao seu rosto e a posei ali. Era novidade tocar na curva do rosto de uma garota e não na da sua bunda. Ela afastou deu rosto lentamente do meu, mas ainda assim se manteve próxima. Abri meus olhos e sorri para ela.

― Eu acho que posso reconsiderar essa ideia de ser bom, viu? ― Falei e ela riu.

― Vamos embora! ― Ela falou ainda sorrindo.

POV-Charlie

A minha reação quando eu olhei pela porta aberta do quarto de Angel foi provavelmente a de completo choque. Não havia outra reação possível para aquela situação. Katherine estava na cama de Angel com ninguém mais, ninguém menos que (suspense só para vocês se preparem) BOBBY!

― Vocês não sabem bater? ― Katherine disse, enquanto se enrolava no lençol cor de rosa da cama de Angel. ― Eu posso explicar.

― É, você só não pode como com certeza vai explicar o porque você está fazendo sexo na cama da sua filha com um aluno! ― Eu gritei, surtando e apontando para ela.

― Charlie, calminha! ― Kat falou, fazendo um sinal para eu relaxar. ― Era sobre isso que eu queria falar mais cedo.

― Droga, eu esqueci de trancar a porta. ― Bobby falou, se mantendo deitado na cama.

Agora estava explicado o porque ele tinha desaparecido durante toda a festa.

― É isso aí, Bobby! Você é um homem agora! Peter, vai ali do lado dele que eu quero tirar uma foto desse momento! ― Jon falou, sorrindo orgulhoso.

Peter correu até o lado da cama sorrindo e fazendo joinha para a foto.

― Querem parar com isso vocês três? ― Falei para os rapazes. ― E você... ― Apontei para Katherine.

― Ham... Angel, definitivamente não é um assassino. ― Ouvi a voz de Bruce atrás de mim e me virei, encontrando-o parado na porta, tão em choque quanto eu. ― Eu acho que você não deveria vir aqui agora.

Quando ouvi o nome de Angel foi quando entrei em alerta máximo. Como diz Amy, o APOC estava chegando.

― Angel? ― Katherine repetiu, finalmente tendo alguma reação de desespero.

― Bruce! ― Falei, fazendo um sinal para ele fazer alguma coisa.

Mas tudo que eu ouvi foram os gritos de Angel e um gemido de dor de Bruce pouco antes dela aparecer na porta, segurando um escovão de banho.

Ela não se mexeu, apenas soltou o escovão e ficou parada ali na porta por uns instantes, tentando ter certeza de que o que estava vendo era real.

― Angel, filhinha... ― Katherine começou a falar com cautela, como um adestrador fala com um leão selvagem.

― Como você pode? ― Ela disse em tom baixo e controlado, apenas cerrando os olhos para Katherine. O que só deixou a situação pior. ― Como você pode? ― Dessa vez ela gritou e minha nossa, como gritou.

― Uh, agora isso vai ficar interessante. ― Jon falou.

― Você acha que elas vão se bater? ― Peter sussurrou para Jon. ― Charlie está no meio do fogo cruzado, é melhor ela sair dali, não acha?

― Angel, se acalma. Eu posso explicar. ― Katherine falou, se arrastando para fora da cama, enrolada no lençol.

― Na minha cama? Sério? Isso é baixo até para você! ― Angel continuou gritando. ― Fora da minha casa! Fora! Agora! Todo mundo! Fora daqui!

Ela saiu do quarto feio um raio, esbarrando em Bruce que ainda estava na porta. Olhei para Katherine e depois para Peter, que deu de ombros. Foi então que mesmo contra a minha vontade, tomei a melhor atitude que eu devia ter naquele momento. Fui atrás de Angel.

― Charlie! Charlie não! Espera! ― Ouvi a voz de Peter atrás de mim mas não parei, corri para alcançá-la.

Angel passou pelo corredor correndo, chutou um dos vasos de porcelana que havia ali, ele se espatifou no chão. Quando ela chegou no topo da escada, foi empurrando todos que estavam no caminho, derrubando até um garoto por cima do corrimão e o fazendo cair lá embaixo. Só isso já chamou a atenção das pessoas, ela ia dar um show e tanto. Refiz seus passos, pedindo desculpas para todas as pessoas que ela esbarrou no caminho.

Ela parou diante das caixas de som da festa e então começou a arrancar todos os fios da mesma, cessando o som de Icona Pop e deixando apenas o das conversas das pessoas, que olharam todas para ela.

― A festa acabou! Todo mundo fora! ― Ela gritou, apontando para a porta.

Mas ninguém se moveu, apenas olharam um para a cara do outro e depois para Angel, se perguntando qual era o ataque de loucura dela dessa vez.

― Angel. ― Sussurrei seu nome quando finalmente a alcancei.

― Eu disse fora! ― Ela gritou novamente e então derrubou uma caixa de som. ― Fora! Fora daqui! Todo mundo!

― Angel, você está chateada? ― Stacey perguntou, próxima a Angel e a olhando tão assustada quanto os outros. Mesmo já acostumada com os ataques de Angel. Eu acho que cheteada já não se aplicava mais para o que Angel estava sentindo.

― Chateada? ― Angel repetiu, se virando para ela. ― Se eu estou chateada?

― Charlie! ― Peter, Jon e Bruce me alcançaram e fiz um sinal para eles ficarem calmos.

― Sim! Eu estou chateada! Eu estou chateada porque a minha mãe é uma vadia! ― Ela continuou gritando, a voz já falhando e os olhos vermelhos, lacrimejados. ― Porque a minha casa está cheia de pessoas que eu não quero aqui!

― Angel. ― Sussurrei novamente ao me aproximar dela. As pessoas já estavam com os celulares na mão filmando o seu show.

― E você! ― Ela gritou e apontou para mim. ― É tudo sua culpa! Minha vida é horrível por sua culpa! Fora da minha casa!

― Angel, se acalm... ― Mas ela não me deixou terminar, ela apenas me empurrou pelos ombros, me derrubando no chão.

Todo mundo soltou um ruído de choque quando eu cai sentada para trás e olhei para Angel.

― Charlie! ― Ouvi a voz de Peter e ele me alcançou em um segundo, junto com os rapazes. Me levantando no chão. ― Você está bem? Se machucou?

― Eu estou bem! Eu estou bem! Tudo bem! Não foi nada! ― Falei quando Peter me segurou pelos ombros, me olhando dos pés a cabeça a procura de algum hematoma. Suas mãos foram para o meu rosto e ele o virou na sua direção, me olhando com preocupação. ― Tudo bem. ― Sussurrei para ele e assenti.

A expressão de Peter de preocupação foi desaparecendo e se transformando em algo que eu jamais tinha visto nele antes. Era raiva, da forma mais pura e mais forte. Os olhos estavam cerrados para Angel e a sua boca era uma linha fina de nojo e desprezo. Ele me soltou e se virou completamente para Angel, direcionando todo esse olhar só para ela.

― Hei, Pete! ― Jon se aproximou dele e colocou a mão no seu ombro. ― Está tudo bem, cara. Charlie disse que está bem. Não é, Bruce?

― É, deixa isso para lá. ― Bruce falou sem jeito, atento a todos os movimentos de Peter.

Bruce era pelo menos uma cabeça mais alto do que Peter, mas ele próprio parecia preocupado com o que Peter ia fazer a seguir. Olhei para os punhos cerrados de Peter e ele deu um passo na direção de Angel. Eu não achava que ele fosse bater nela, na verdade, era uma chance em um milhão. Mas a forma com que ele olhava para ela e como eu podia ver os nos dos seus dedos ficando brancos, ele estava com muita raiva e lutava com isso.

― Pete? ― Chamei seu nome baixinho, encarando as suas costas tensionadas.

― Peça desculpas. ― Peter falou, olhando diretamente para Angel. ― Peça desculpas a Charlie.

― Não! ― Angel respondeu, se aproximando mais dele e levantando o rosto. Falando feito uma criança birrenta.

― Pete, tá tudo bem. ― Falei novamente. ― Relaxa, vamos embora.

― Não! Ela vai se desculpar. ― Peter insistiu, ainda olhando para Angel. ― Tudo que você está fazendo é tentar ajudá-la a não passar a vergonha que ela está passando, mas ela é burra demais para conseguir ver alguma coisa além dela mesma.

Angel suspirou e deu uma boa olhada a sua volta, vendo as pessoas olharem com um certo deboche e alguns até filmando com os celulares. A ficha dela finalmente caiu e ela começou a se sentir envergonhada.

― Angel. ― Katherine desceu as escadas correndo e agora vestida, com Bobby vindo atrás dela com toda a calma do mundo. Nenhum pouco preocupado com a gravidade do problema.

Dois outros rostos conhecidos se infiltraram entre todas as pessoas paradas, até alcançar o centro de tudo o que estava acontecendo. Mary passou primeiro, seguida por Johnny que olhou para todo mundo confuso.

― O que está acontecendo aqui? ― Ele perguntou.

― O que você acha? A vadia louca está dando outro daqueles ataques. ― O garoto que respondeu estava com o celular na mão, filmando tudo. Johnny levou um instante para reconhecer o garoto.

Era o mesmo que ele havia batido mais cedo e agora bateu de novo. Primeiro ele deu um tapa na mão do garoto, atirando o seu celular longe e depois lhe acertou um soco no rosto.

― Qual é cara, de novo? ― O garoto reclamou. ― Eu só queria ser cineasta e tem muito drama por aqui.

― Vai ser cineasta em outro lugar. ― Johnny falou com desprezo. ― Todo mundo para fora! ― Ele gritou. ― Eu vou chamar a polícia.

Aí estava as palavrinhas que fizeram a casa se esvaziar como se estivesse sem chamas. Peter e Angel não haviam se mexido. Bobby se sentou no último degrau da escada, Katherine parou ao meu lado e dos meninos. Johnny e Mary continuaram ali parados.

― Peter, vamos embora. ― Falei mais firme, dando um passo na sua direção.

― Eu não vou a lugar nenhum até que ela se desculpe. ― Ele respondeu.

― Pete, deixa disso cara. Vamos embora, essa cueca está me matando. ― Jon falou, fazendo uma cara de dor.

― Pete, por favor. Eu quero ir para a casa. ― Tentei mais uma vez.

Ele virou o rosto para trás e me olhou por cima dos ombros. Assenti positivamente para ele, afirmando que era aquilo que eu queria e mesmo contra a sua vontade, ele se afastou e caminho até o meu lado.

― Levanta, Bobby. Nós vamos para a casa. ― Bruce falou e Bobby se levantou do degrau.

― O que eu fiz de errado? ― Ele sussurrou para Bruce e Jon.

― Você não fez nada de errado, amigão. ― Jon disse, dando um tapinha no ombro dele.

― Mary, você vem? ― Olhei para ela.

Mary acenou positivamente e olhou para Johnny, abrindo um sorriso tímido em sinal de despedida. Peter cerrou seus olhos para ele, olhando em dúvida para aquele ato.

― O que é isso? ― Ele sussurrou para mim.

― Depois eu te conto. ― Sussurrei de volta. ― Vamos para a casa meninos.

Dito isso, eu sai na frente e eles me seguiram para fora. Fomos caminhando para a casa em silêncio.

― Alguém quer falar sobre o que aconteceu? Porque eu realmente preciso falar. ― Jon disse quando finalmente entramos em casa.

― Que barulho é esse? ― Falei, fazendo uma careta para o som que vinha do banheiro.

― Ah, não diga que é o guaxinim de novo! ― Peter falou apavorado.

― Guaxinins? Eu adoro guaxinins! ― Mary sorriu.

― Eu vou pegar o meu bastão. ― Bruce falou.

― Não matem John Travolta. ― Bobby disse.

Eu caminhei até o banheiro com Peter atrás de mim, a porta estava aberta e a luz acessa. Não foi uma surpresa quando eu vi de onde realmente vinha o barulho. Amy estava ajoelhada diante da privada colocando tudo para fora, enquanto Pablo estava sentado na borda da banheira ao seu lado, segurando o seu cabelo para cima.

― Ah, oi gente! ― Ele falou ao ver eu e Peter na porta. ― Ela não estava se sentindo muito bem, primeiro o rosto dela ficou meio verde e depois ela começou vomitar, acho que já tem uma meia hora. Eu não sei de onde sai tudo isso. ― Pablo fez uma careta quando Amy vomitou novamente.

― Verde combina com os seus olhos, Amy. ― Peter disse debochado e eu lhe dei um soquinho na barriga, olhando brava para ele. ― Au! To só brincando.

― Amy? ― Eu a chamei e entrei no banheiro, me abaixando para ficar a sua altura. ― Você quer ir até o hospital?

E então ela vomitou de novo.

― Temos que levá-la ao hospital. ― Falei, me virando para Peter.

Mary apareceu na porta também e olhou para Amy com uma careta.

― Ah, não! Relaxa! Isso aí não é nada demais, uma vez nós apostamos que Bobby não comia uma barra de sabão inteira e ele comeu, daí ele passou uns dois dias seguidos vomitando mas não morreu.

Olhei para Peter sem acreditar que ele havia realmente dito isso.

― Ok, vamos levá-la ao hospital. ― Peter assentiu.

POV-Joe

― Voltando aos velhos hábitos? ― Falei para Cece ao voltar para a sala do seu loft.

Ela me olhou por cima do ombros com um cigarro apagado preso entre os lábios. Fiz um sinal negativo com a cabeça e fui até o sofá me sentar ao seu lado, segurando duas canecas com chocolate quente e uma dose de whisky para ajudar. Me sentei e coloquei as canecas sobre a mesinha de centro.

― A cada cigarro que você fuma, você perde um dia da sua vida. ― Cece tirou mais um cigarro do masso e o colocou entre os lábios. ― É sobre isso que Louis estava falando.

― Louis é um idiota. ― Ela revirou os olhos. ― Me de um desconto, Joe. Esse não está sendo um dos melhores dias da minha vida.

― Eu sei, é por isso mesmo que eu não posso te dar um desconto. ― Tirei os cigarros da sua boca e o masso da sua mão, colocando-os sobre a mesa de centro e lhe entregando a caneca. ― Eu realmente perdi tudo agora.

Coloquei meus pés sobre o sofá e acenei negativamente para ela.

― Ao nada! ― Ela bateu a sua caneca na minha e sorriu de forma irônica.

― Cecília. ― Falei seu nome em tom de advertência e ela deu um gole na caneca.

POV-Peter

Eu e Charlie estávamos sentados lado a lado em um pequeno sofá na sala de espera do hospital. Pablo estava sentado sozinho em uma poltrona com uma revista sobre o seu colo para esconder o problema com o viagra. Comigo não era diferente. Mary estava sentada no outro sofá, folheando uma revista.

Charlie estava apoiada em mim e sua cabeça estava quase tombando para o lado e se encostando em meu ombro.

― Pete? ― Ela chamou e eu baixei meus olhos para o seu rosto.

― Hum?

― Posso perguntar uma coisa? ― Charlie sussurrou, finalmente encostando a cabeça no meu ombro.

― Claro. ― Apoiei a minha bochecha no topo da sua cabeça.

Mas Chris Smith entrou na sala de espera, segurando uma prancheta e acordando Pablo do seu cochilo na poltrona.

― Olha só, se não são vocês de novo! Eu já estava ficando preocupado que vocês não apareceram por aqui esses dias. ― Ele sorriu de forma simpática. ― O que vocês querem ouvir primeiro, as notícias boas ou as ruins?

― Notícias ruins? ― Charlie se levantou. ― O que você quer dizer?

― Nada, eu só estou brincando. Eu gosto da cara das pessoas quando eu digo notícias ruins. ― Ele riu. ― Bom, Amy está bem agora. Ela tomou uma boa dose de glicose e vai ser liberada em breve.

― Obrigado, Chris. ― Pablo agradeceu, apertando a mão dele.

― É, eu também tive os meus dias de Dinamite Pangaláctica. ― Ele riu e saiu dali.

Charlie se virou para mim e soltou um suspiro aliviada. Eu sorri e peguei na sua mão, puxando-a para se sentar novamente. Meu celular começou a vibrar no bolso e eu o peguei.

― O que foi? ― Charlie perguntou.

― É o Joe. ― Atendi. ― Hei, Joey. O que foi?

De acordo com o que Joe me disse, era uma emergência nos seus termos. Uma que pedia uma parada para comprar pizza e cerveja no caminho, e que os rapazes iam nos encontrar no loft de Cece. Quando Amy recebeu alta, e decidiu ficar com a sua camisola de hospital pelo resto da noite, ela disse que elas eram super confortáveis, eu tenho que concordar, por experiência própria, elas são mesmo. Eu só não curto o ventinho por trás que elas deixam entrar.

Parei o Jeep na frente do prédio de Cece logo atrás da caminhonete de Bruce. Jon, Bruce, Bobby e Mike estavam esperando ali. Eles ajudaram a carregar as caixas de pizzas e as cervejas.

POV-Cece

Joe havia colocado um pouco de música só para deixar a situação um pouco mais deprimente. Some Nights do Fun estava tocando no meu vazio do meu loft quando a campainha tocou. Olhei para Joe com os olhos cerrados, ele folheava uma revista sobre hormônios femininos e período menstrual.

― O que? Você não vai atender? ― Ele disse, sem tirar os olhos da revista.

― Por favor, não me diga que você chamou um stripper. ― Fiz uma careta.

― Baby, eu fiz melhor do que isso. ― Ele abriu um sorriso e olhou para mim. ― Você disse que não tinha nada, acho que é melhor atender isso aí.

Olhei para ele meio em dúvida e pulei do sofá, correndo até a porta na ponta dos pés. Dei uma última olhada para ele antes de deslizar a porta de aço e encontrar todo mundo ali. Peter, Charlie, Pablo, Amy, Mary, Bruce, Bobby, Jon e até Mike. Eles seguravam caixas de pizza e fardos de cerveja.

― Foi aqui que pediram uma festa com cerveja e pizza? ― Peter falou, sorrindo.

― E Just Dance 2015! ― Bobby disse, levantando o jogo.

― Eu não acredito! ― Falei rindo, sem acreditar. Então olhei para Amy, vestindo uma camiseta de hospital e ainda a pulseira do registro. ― Amy, o que aconteceu?

― Longa história. ― Ela disse. ― Mas essas camisolas são ótimas, eu estou pensando em comprar umas dessas.

― Entrem aqui! ― Abri espaço para ele passarem, dando pulinhos no lugar e rindo. ― Vamos começar essa festa! ― Dei um tapinha na bunda de Pablo quando ele passou por mim.

― Finalmente, que demora com essas pizzas! Eu estou faminto! ― Joe falou quando Peter entrou. ― Passa uma fatia para cá.

― Hei! ― Charlie sorriu, ela foi a última a entrar e parou na porta, me olhando. ― Como você está?

Olhei por cima dos ombros para o meu loft cheio.

― Agora eu estou bem. ― Sorri para ela.

POV-Charlie

Depois de um tempão comendo pizza, bebendo cerveja e vendo os garotos serem horríveis no Just Dance, era pouco mais de quatro da manhã. Eu, Amy, Mary e Cece estávamos deitadas na cama king size de Cece.

― Então Angel deu uma de louca? ― Amy falou, após eu contar a elas os acontecimentos que seguiram depois que elas foram embora.

― Bom, se formos ver é uma reação considerável com tudo o que aconteceu. ― Cece falou. ― Katherine pode perder o emprego por isso.

― Não só o emprego. ― Falei. ― Angel pode não perdoá-la.

― E a novidade é? ― Amy se virou para mim.

― Se fosse eu, também ia dar uma de louca. ― Falei, dando de ombros.

― Ai, você se simpatiza tanto com ela. Eu hein. ― Amy falou.

― Eu não me simpatizo com ela não. ― Fuzilei Amy com os olhos. Ela olhou para Cece.

― Sinto muito, tenho que apoia-la. ― Cece falou.

― Nossa, obrigado por isso! ― Falei sem acreditar. ― Vocês são umas amigonas! ― Elas riram.

― Você sabe que nós te amamos! ― Amy disse me puxando para um abraço.

― Sai daqui, você rolou no coco de cachorro. ― Rolei na cama para longe dela.

― Falando em cachorro... ― Cece se virou para Mary. ― Onde a senhorita se meteu?

― Ham... ― Ela gaguejou por um momento. ― Vocês não vão ficar bravas, vão?

― Johnny! Eu sabia! ― Falei, dando um gole na minha cerveja.

― Não podemos te culpar, ele é uma delicia. Mas é um cachorro. ― Cece falou, dando de ombros. ― Genes bons, né?

― São os olhos azuis. ― Amy riu.

― Não, parem com isso. Ele é gentil. Confuso. Apavorado, ás vezes. Ele só precisa de um pouco de confiança para relaxar. ― Mary falou.

― Isso soa meio gay para mim, Joe está precisando de um namorado. ― Amy disse rindo.

― Amy! ― Cece cutucou ela com o pé rindo.

― E namorado... ― Amy começou a falar e abriu um sorriso largo para mim.

Olhei séria para ela e tampei sua boca com a mão.

― Amy, o que tem de errado com a sua língua? Da sua boca estão saindo palavras sem sentido. ― Me fingi de confusa.

Mary e Cece olharam uma para a outra sem entender. Amy tirou minha mão da sua boca e revirou os olhos.

― Da minha boca é? Charlie chamou Peter de namorado! ― Meu queixo caiu e olhei para ela, depois para porta para garantir que não havia ninguém ali. ― Admita!

― Cala a boca! As paredes tem ouvidos, eles são um bando de fofoqueiro, são piores do que nós. Eu posso afirmar porque vivo com eles. ― Falei apontando para a porta.

― E daí? ― Amy fez uma careta. ― Não é como se Peter não fosse descobrir um dia.

― Descobrir o que? ― A voz de Peter dentro do quarto provavelmente me fez ficar branca feito um papel.

Ele passou pela porta com um sorriso animado no rosto e veio caminhando para se sentar na beirada da cama.

― Hummmmmm, eu acho que ouvi Pablo me chamar lá fora. ― Amy falou e olhou para Mary e Cece. ― Vocês também não?

― Com certeza! ― Cece falou, se levantando da cama e Mary acenou positivamente.

― Pablo está meio dormindo lá na sala. ― Peter falou, olhando para Amy meio confuso.

― Não está não! Ele está me chamando, olha só... Pablo, já estamos indo! ― Amy gritou, saindo do quarto com Cece e Mary a seguindo.

― Eu fiz alguma coisa? ― Peter perguntou confuso, me olhando quando elas saíram. Dei de ombros e neguei com a cabeça.

Ele cerrou os olhos para mim e se apoio com o cotovelo no colchão, se abaixando para ficar com o rosto na altura do meu.

― Não mente para mim. ― Ele falou, jogando verde como uma mãe quando quer que o filho admita uma travessura.

― Eu não estou... ― Mas antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ele se inclinou no colchão e calou minha boca com a sua.

Fechei meus olhos involuntariamente com a pressão da minha boca contra a ele, levei minha mão livre até a lateral do seu rosto. Deixando a sua língua deslizar pela minha, minha mão foi parar na sua nuca, pressionando a mesma e mantendo seu rosto perto do meu. Quando não aguentamos mais e foi necessária uma pausa para ambos respirarmos, ele encostou sua testa na minha e tomou um longo folego.

― Uau! O efeito do viagra estava passando, mas depois disso ele voltou com tudo! ― Ele disse olhando para o volume na bermuda que ele estava usando desde que levamos Amy no hospital.

― Idiota! ― Falei rindo e lhe dando um pontapé sobre o volume. ― Você é um tarado.

― Eu nem comecei. ― Ele piscou, rindo. ― É tudo sua culpa, Charlie. Desde que conheci você, eu tenho todos esses hormônios. Fez de mim um garoto de doze anos que acabou de descobrir que pode se masturbar.

― Não tente me culpar, nada disso é culpa minha! ― Falei rindo.

― Os hormônios estão de volta, Charlie!

Peter falou antes me agarrar e me derrubar na cama ao seu lado, ele segurou minhas duas mãos e se deitou ao meu lado, ficando de frente para mim. Ele se inclinou para me beijar novamente, mas eu me afastei.

― Pete, espera. Espera um pouquinho, Pete. ― Falei e olhei para a porta do quarto aberta. ― A porta está aberta, os rapazes estão ali do lado. Eles podem ouvir.

― Eu sei que eles podem. ― Ele acenou positivamente. ― Se não eu não estaria aqui.

― Peter! ― Repeti seu nome como se fosse o desfecho de uma piada.

― O que?

― Eu disse que alguém pode entrar aqui a qualquer momento e nos ver.

― Deixe eles verem. ― Ele falou com confiança, me fazendo calar a boca e ficar olhando para ele. Me perguntando se eu tinha entendido direito. Peter sorriu. ― O que é essa cara?

― É a minha de paisagem. ― Falei acenando positivamente. ― O que você quer dizer com isso, Pete?

― Eu quero dizer que quero contar ao rapazes, quero contar sobre nós. Porque é um saco ter que ficar fingindo o tempo todo e não poder te beijar todo vez que sinto vontade, porque as pessoas estão ao redor...

― Pete. ― Falei, colocando um dedo sobre o meu lábio, impedindo-o de continuar. Com medo do que aquelas palavras iam fazer.

― Não, Charlie! É sério! ― Ele disse sorrindo, tirando a minha mão da sua boca e a segurando. ― Eu quero ficar com você, para valer. E os rapazes vão ter que entender e aceitar isso, se eles são realmente nossos amigos eles vão entender. Eu só quero segurar a sua mão, te beijar em público e assistir aquele filme que você gosta que eu esqueci o nome. ― Eu sorri ao vê-lo falar. ― Eu só quero ficar com você, não é pedir demais, é?

Notas finais
Gostaram? Eu espero que sim! Eu sei que não tivemos muito Pharlie como estamos acostumados nesse capítulo, mas convenhamos, eles ficaram uns 3 capítulos na cama, né? Vamos dar uma pausa porque não tem genitálias que aguentem essa quantidade! Brinks! kkkkkkkkkk Enfim, pois é, Katherine e Bobby, quem ia acreditar? Nem eu acreditei quando escrevi isso (as vezes eu viajo na maionese viu), Cece e Louis será q agr é pra valer? Se preparem, porque vamos ver um nova Cece... Johnny e Mary, todo mundo tá shippando? Pois bem, podem shippar, podem shippar porque é de graça e podem shippar porque vai acontecer, desculpa nem eu to resistindo D: kkkkkkkkkkkk Evolução de Angel e Bruce e Pharlie em um momento decisivo! Espero que vocês já fiquem na contagem regressiva para os próximos capítulos que vão nos encaminhar para o capítulo 50, pois é? Bastante já né gente, esse capítulo será um especial de comemoração e será o capítulo do aniversário do Pablo em Las Vegas, então a partir de agora será uma loucura toda prepara para um capítulo explosivo que vai ser esse em Las Vegas, muitas coisas vão acontecer de agora em diante. Ah, mais uma coisa, eu to planejando fazer algumas coisas para vocês no capítulo cinquenta, é a Pablo que faz aniversário mas vcs é quem ganham o presente, olha só... Eu estava pensando em criar um ask pra vocês mandarem perguntas sobre a fic, sobre os personagens ou sobre o que vocês quiserem perguntar e todas serão respondidas no dia que eu postar o capítulo 50, com um ask, até as leitoras fantasminhas podem participar de brincadeira,né? E também criar um blog, seria mais um tumblr, mas como se fosse da Charlie mesmo, onde ela ia postar histórias, fotos, músicas, essas coisas... Se vocês tiverem mais algumas sugestões, por favor, sintam-se a vontade para dar ok? O importante é agradecer vcs que ficaram comigo até aqui, enfim... chega de falar, até o próximo! Bjsssssss