Changes of Destiny
12 Por trás da lua
Notas iniciais
No final da grade de terça-feira, Griffin e Sam saíram juntos da aula de História rindo e planejando mais detalhes da festa.
Haviam se entrosado por completo desde domingo quando Griffin aparecera na casa da loira para checar algumas bebidas mais fortes que a mãe dela escondia pelos armários da casa. Pensou que aquele poderia ser um bom complemento para o evento, além de que economizaria uma grana e poderia investir mais nos aperitivos.
Os dois estavam conversando ininterruptamente desde então. Dividiram uma cerveja antiga na casa de Sam e passaram uma noite inteira conversando sobre motocicletas e como gostavam de implicar com os maiores esquisitos-sociais da escola na infância.
A garota não entendia porquê, mas não teve vontade de agarrar Griffin enquanto estavam conversando. Lembrou-se do imenso ímpeto que surgia dentro de si quando queria roubar um beijo de Freddie no meio de alguma frase dele que transpirasse nerdice. A diferença era gritante. Sam não sentia nem um pouco disso com o bad-boy, apenas pensava que ele era uma boa pessoa para trocar ideia.
Admirava-o por muitas coisas. Seu amor pelas motos era muito parecido com o dela, era um apego emocional. O pai de Sam morreu quando ela tinha apenas doze anos, junto com uma moto clássica Yamaha chamada popularmente de "Viúva". Era irônico essa situação e esse nome, já que Pam perdeu seu marido para um acidente que ele sofrera em cima da "Viúva".
Sam podia ter adquirido pavor pelo veículo, mas em vez disso, sentia-se conectada ao seu pai toda vez que pilotava uma.
Griffin havia perdido um tio muito próximo que o ensinara a ter gosto por mecânica de motos, já que era dono de uma boa concessionária.
— Acho que a ideia de ser a fantasia vai animar ainda mais o pessoal. — Sam dizia com sorriso largo se direcionando ao pátio logo ao lado de Griffin.
— Eu quero ir de Chase Carver! Ele tem umas roupas iradas! — disse ele animado com a ideia — Inventa uma Lara Croft loira e vai comigo! Nós dois somos fãs de Tomb Raider.
Eles realmente haviam conversado sobre seus jogos favoritos em seus momentos juntos.
— Maneiro! Você é meio alucinado que nem eu, conhece até os personagens dos quadrinhos! Acho que seria incrível se você parecesse de Chase mesmo.
Eles haviam chegado no meio do pátio perto das escadas onde encontraram Carly e Freddie. Ambos tinham expressões um pouco sérias e conversavam de maneira tranquila.
— Minha festa vai ser a fantasia! Eu e Sam decidimos. — Griffin soltou animado olhando para os dois.
— Sam precisa de um salário de promoter depois de todas essas ideias. — Freddie disse um pouco impaciente — Quanto tempo será que demora para organizar uma festa nem tão grande assim?
Griffin quis não levar para o pessoal, mas sentiu seu rosto esquentar após aquele comentário de Freddie. O que há com ele? Por que estava falando assim do primeiro aniversário que o motoqueiro passaria em Seattle?
— Muito tempo, cabeção. Ainda mais a fantasia, eu quero ir de Lara Croft e o aniversariante aqui — ela repousou uma de suas mãos no ombro de Griffin — quer se vestir de Chase Carver.
Freddie bufou e esperou ansiosamente para que aquela festa acabasse logo. Por que Sam e Griffin teriam que passar tanto tempo juntos?
Foi então que percebeu algo curioso.
— Espera, eles não são tipo um casal nos quadrinhos?
Carly arregalou os olhos finalmente prestando atenção naquela conversa.
— Um casal? — Carly disparou sem disfarçar seu incômodo.
Carly e Freddie já haviam conversado posteriormente o quanto essa festa havia arruinado tudo o que tinham construído. Estavam incomodados com tanto grude e esperavam que tudo voltasse ao normal logo. Os dois eram muito parecidos, o quão era provável que se envolvessem romanticamente? Muito. Pensavam assim sem antes ponderar que o bad-boy era alucinadamente apaixonado pela morena e que Sam era praticamente fascinada em ter seus momentos privados com Freddie.
Não haviam esboçado nenhuma menção romântica, bom, pelo menos até agora.
— Mais ou menos, eles se envolveram há muito tempo. E mais: é tudo de mentira. — Griffin se concentrou em passar verdade para Carly — É fantasia, mentirinha, sabe?
— Isso! Além do mais, a gente só quer fazer uma homenagem ao nosso jogo favorito. — Sam sorriu enquanto trocava olhares amigáveis com o motoqueiro.
Freddie se irritou com todos os melaços da amizade repentina e se afastou dando passos pesados até a porta da escola. Sentia-se idiota por estar gostando tanto de sua casualidade com Sam. Sentia-se mais idiota ainda em pensar que ele não tinha credibilidade alguma para cobrar o que fosse dela.
Afinal, eles não tinham nada.
E nada podia garantir que Sam estivesse apenas disposta a ficar com ele.
Chutou com raiva um pedregulho que existia na calçada enquanto esperava para atravessar a rua. Imaginou Samantha nos braços de outro, gemendo para outro e quis socar a cara do babaca imaginário. Ele a queria só para ele, mas a realidade era bem diferente dessa.
— Freddie, o que houve? — Sam perguntou com a respiração descompassada tentando alcançá-lo.
— Por que você não pergunta para o seu amigo Griffin?
A garota não conteve uma gargalhada. Achou graça ao ver Freddie morrendo de ciúmes dela. Aquilo, na verdade, era meio fofo mesmo que ela odiasse posse.
Eles realmente não eram namorados e Sam não tinha que cumprir fidelidade. Mas, ela não estava nem um pouco interessada em ficar com outro. Sentia-se incrível quando estava com Freddie.
Satisfeita, desejada e ainda de quebra se divertia. Sabia que a companhia do nerd não podia se comparar com a de nenhum homem que tenha conhecido ou se relacionado. Mesmo sem grandes rótulos, eles tinham uma conexão invejável.
A loira prezava por isso e realmente se importava com Freddie. Tinha certeza de que o que ele havia dito no sábado não era vão. O jeito que o garoto havia a tratado também significava algo. Ela tinha certeza de que não era qualquer uma para Freddie.
Ele também estava longe de ser qualquer um para Sam.
— Não acredito que está com ciúmes do seu melhor amigo! — Freddie a olhava gargalhar e queria esmagá-la. Só não sabia se de uma forma bruta ou num beijo.
— Não tem nada a ver com ciúme. — ele começou colocando sarcasmo na palavra — Eu só acho tosco todo esse esforço para uma festinha. Além do mais, Tomb Raider? Sério? Vocês não tinham algo mais orig-
Freddie foi interrompido pelos lábios da loira que já amassavam com fúria os seus.
Sam envolveu um de seus braços em volta de seus ombros e acariciava de maneira delicada os seus cabelos.
Sentia-se, todas as vezes, inebriada pelo gosto do beijo de Freddie. Ela tinha certeza que ninguém poderia fazê-la sentir de um jeito tão bom como ele fazia. Os primeiros toques já eram intensos demais para esquecer.
— Isso é para você se lembrar — Sam dizia quando separou-se do beijo — que eu não sou nenhuma vadia que transa contigo, mas pega seu melhor amigo.
Carly não estava tão atrás de Freddie na questão ciúmes. Ela sabia perfeitamente que sua amiga era afim de Griffin — pelo menos, ela ainda pensava que sim — e que aquilo não ajudaria ela a esquecê-lo de maneira nenhuma.
Lançava a ele um olhar fulminante desde que os outros dois saíram da escola.
— Eu preciso gostar de festas assim para que você queira combinar fantasia comigo? — a morena cuspia as palavras sem eufemismo — Você é sem noção! Fica dando trela para a Sam quando sabe perfeitamente que ela está afim de você!
— Eu sou sem noção em muitas coisas, — ele disse com um pequeno sorriso no canto dos lábios — mas não para te magoar, fala sério! Só nos empolgamos um pouco. Além do mais, eu já percebi que a Sam está na do Freddie. Ela fala dele às vezes em um assunto nada a ver.
Carly virou o rosto enquanto cruzava os braços ainda inconformada. Griffin amara perceber que ela movimentava as sobrancelhas com intensidade quando estava brava.
Não havia razões para Shay estar assim, ele já tinha provado que era apaixonado apenas por ela e tinha consciência de que Sam era apenas uma boa amiga.
Nada podia ser comparado a sensação que sentira quando avistou Carly pela primeira vez. Era novato nessas coisas de paixão, mas tinha certeza de que queria a morena e não Sam, sentia-se mal por perceber que não estava passando tanta confiança assim para Carly.
Se aproximou dela e colocou suas mãos sobre seus braços que ainda permaneciam cruzados. Olhou-a profundamente esboçando um pequeno sorriso.
— Qual é, Shay... — dizia em tom aveludado — você sabe que estou apaixonado por você desde que nos vimos pela primeira vez. Você me pescou, linda. Agora não consigo escapar desse anzol.
Carly tentou prender a risada em vão ao ouvir essa última frase. Se ajeitou e apontou um de seus dedos perto do rosto de Griffin.
— Eu sei. Adoro lembrar disso, inclusive. — disse tentando ser firme — Mas, cuidado com o que você demonstra para a Sam. Não é muito legal ficar assistindo.
Griffin beijou o dedo da garota ainda apontado em seu rosto e conseguiu agarrá-la em seus braços depositando um beijo demorado em sua boca. Os dois riram após isso e seguiram para fora da escola.
Encontraram Sam e Freddie ainda na calçada conversando sobre algo que arrancava gargalhadas altas de ambos.
A garota colocava a mão na barriga tentando amenizar a dor muscular que sentia proveniente das risadas.
— O que foi, gente? — Carly indagou aproximando-se deles.
— Estávamos lembrando da vez em que brigamos no corredor do Bushwell. A Sam me atacou com guarda-chuva enquanto eu tentava fazer minha priminha rir! — ele respirava ofegante tentando se recuperar das risadas — e Carly, você disse na minha cara que eu não era engraçado!
— Meu Deus, você se vestiu de urso para aquela bebê rir e nada aconteceu! — ela se pôs a rir também — Eu fui sincera. Você é legal, Freddie, mas humor não é seu forte.
Griffin os observava com um sorriso nos lábios. Ele adorava o fato de que os três eram tão próximos a ponto de terem vividos muitas histórias nos tempos remotos. Para ele, lembranças sempre foram presentes que nos ajudam a reviver momentos que não conseguimos voltar.
— Desculpa estragar a sessão nostalgia, — o bad-boy disse soltando uma leve risada — mas eu preciso sair para abastecer o estoque de comida da festa. Sam, você disse que poderiam ficar na sua geladeira já que o meu frigobar não cabe nada.
Freddie passou a falar antes de que Sam se pronunciasse.
— Podemos ir ao mercado por você. — o encarou como se quisesse que o amigo entendesse um sinal — Sabe, você não disse que ia sair para procurar apartamento hoje? Eu e Sam podemos ir fazer as compras e depois guardamos tudo na geladeira dela.
Samantha já ria discretamente daquela iniciativa repentina de Freddie porque ele parecia não ter se convencido com o beijo que a loira o havia dado.
— Tudo bem, então! Valeu pela ajuda, gente. — piscou para Freddie de maneira discreta, mas Sam havia notado — Aqui está o meu cartão. Passa tudo no crédito, vou anotar a senha para vocês levarem.
Enquanto Griffin providenciava uma caneta e um papel, os dois se entreolharam e Sam estava quase batendo no nerd por estar deixando tudo tão óbvio.
Freddie pegou o papel com a senha e o pôs no bolso balbuciando um "até mais" para Carly e seu amigo.
— Porra, Frednerd, você não poderia deixar mais óbvio. — Sam disparou depois que vira os dois se distanciarem.
— Sammy, nunca falamos que isso deveria ser segredo. — ele a olhou sorrindo de lado enquanto caminhava em direção ao mercado — Aliás, por que não conta nem para a sua melhor amiga que estamos, sabe...?
Sam revirou os olhos.
— Transando, Freddie. Tran-san-do! Caralho, quantos anos você tem?
— Que seja! Não foge da minha pergunta.
Sam suspirou um pouco alto antes de começar a explicar.
— Sei lá, a Carly é meio puritana e inocente para entender uma coisa como essa. Ela vai logo querer que a gente namore e se envolva numa relação rumo ao casamento.
Freddie riu baixo ouvindo aquilo. Pensou que, provavelmente, Carly ainda era virgem e sentiu pena da garota por ela estar se relacionando com Griffin. Esse cara era seu melhor amigo, mas ele podia ser um pouco chato quando o assunto era sexo.
O bad-boy nunca teve muita paciência para charminho antes de uma transa. Acho que seu melhor amigo cairia para trás ao ouvir o que ele disse para Carly naquela tarde depois do hotel.
— Não acredito que ela ainda é assim! Achei que era uma coisa de criança.
— Não zoa a minha amiga. Ela precisa de proteção e não julgamento. — a loira suspirou mais uma vez — Queria que ninguém a usasse sexualmente. Imagina perder a virgindade com alguém assim.
Sam tapou a boca em desespero por ter revelado demais. Freddie deu de ombros porque já havia deduzido que a morena nunca tinha tido sua primeira vez. Não achava isso um grande absurdo, mas achava que Carly estava perdendo uma das maiores maravilhas da vida.
— Que foi, Sam? Eu não vou falar para ninguém! Não sou fofoqueiro nem nada. — ele ria enquanto Sam tirava suas mãos da boca — Só acho que ela está perdendo tanta coisa boa...
Sam o olhou em deboche.
— Nossa, que transudo ele! Fala aí, transante, com quantas mulheres você já fez? Já transou na balada? Fodeu alguém em algum lugar público? Estou querendo muito saber! — ela batia em seu braço de leve como se o encorajasse a falar tudo.
— Quer ver eu te foder aqui no mercado, engraçada? É local público, não é? — ele apontou para entrada enquanto puxava a porta — Fala que está louca para gemer meu nome na prateleira de pão, Sam!
A garota deu um tapa estralado em suas costas depois daquela cena. Ele estava praticamente gritando no meio do mercado sobre gemido e foda. Ela ficou boquiaberta com a putaria que Freddie estava sendo capaz de falar em, de novo, um local público.
Olhava-o indignada enquanto ele reclamava da dor em suas costas.
— Está maluco, Freddie? Vou fingir que não te conheço!
Ele soltou uma risada alta buscando um carrinho relativamente grande que ficava bem perto da porta de entrada.
— Mesmo depois daquele banho gostoso de ontem? Você não seria capaz!
— Ainda não acredito que você disse que queria me ter para sempre daquele jeito no meio da nossa transa. — Sam soltou sem pensar e sentiu receio ao perceber Freddie se virando para encará-la.
— O tesão muda a gente. — ele disparou desviando o olhar enquanto pegava nervosamente quantos pacotes de Pringles pudesse.
Sam segurou seu rosto o fazendo virar novamente para ela.
— Muda tanto que nos faz até sentir ciúmes.
Freddie sentiu sua espinha gelar um pouco naquele momento. Não era ciúmes, porra! Era impossível ser ciúmes. Completamente sem cabimento chamar aquilo de ciúmes!
— Acho que já está bom de batata, o que acha? — sua sobrancelha mexia enquanto pensava e Sam achava isso adorável, mesmo que ele tivesse trocado de assunto.
— Acho também. Vamos procurar os molhos prontos na próxima ala.
Os dois caminharam até lá em completo silêncio depois do clima que havia se formado. Foi quando Freddie avistou um pote considerável de Chipotle e resolveu quebrar o gelo.
— Por que nunca mais vi sua mãe, Sam? Eu lembro que de vez em quando ela aparecia na casa da Carly e vocês duas se falavam todos os dias pelo telefone.
Sam quis dar uma resposta cheia de farpas para Freddie, mas sabia que tinha se aberto com ele em relação a sua mãe naquele dia da escada de incêndio. Ela poderia até evitar falar, porém, além disso não ser típico de uma Puckett, ela se sairia como uma bela hipócrita. Como dizia para alguém enfrentar seus problemas, se não tinha coragem de enfrentar os dela?
— Ela piorou muito depois de um tempo considerável viúva. O que é uma grande incoerência de merda, todos nós melhoramos com o tempo, mas parece que ela está regredindo. — Sam respirou com ênfase enquanto tentava continuar — Nem eu a vejo mais, Freddie, quem dirá você.
Ela abaixou um pouco a cabeça fazendo menção em continuar andando.
— Somos amigos, eu sei disso. — Freddie sorriu para ela — Assim como você me ajudou, saiba que se precisar, eu vou te ajudar também.
A loira sorriu fracamente e segurou em seu colar de pingente de lua que estava usando desde sábado. Colocava-o em ocasiões especiais, mas dessa vez, não tinha tido coragem de tirá-lo de seu pescoço.
— A lua me faz lembrar dela. — disse olhando com atenção o pingente — Minha mãe sempre foi noturna e a noite era muito especial para mim e para minha irmã. Ela chegava do trabalho e não nos demonstrava cansaço, ficava até tarde fazendo coisas variadas com a gente. Não tinha um dia em que eu e Melanie não esperássemos ansiosas pela sua chegada.
Freddie admirou a história que Sam contara e sentiu-se feliz pela loira estar compartilhando tantas coisas lindas com ele. Tinha certeza de que ela amava sua mãe demais e faria de tudo para confortá-la ou agir em cima de qualquer situação que a família dela precisasse.
Ele nunca saberia agradecer pelo o que Sam fez por ele em relação ao seu pai.
— Hoje em dia a noite é uma merda. Ela sempre vai para a rua quando está escurecendo e volta de manhã. Quando volta... — Sam engoliu em seco se lembrando de algumas imagens. — já conversei até com a Carly sobre isso e ela me disse que eu precisava de uma conversa séria com a minha mãe. Sei que preciso, mas nunca a encontro sóbria ou em um estado decente.
— Eu posso te fazer companhia nas noites. — Freddie sorriu com pureza sem nenhuma malícia naquela frase — Tenho uma equipe de seguranças em Seattle que uso para emergências. Se você quiser, um dia os coloco para resgatá-la das ruas e nós cuidamos dela até que se sinta bem para que vocês consigam conversar para valer.
Sam o fitou com tamanha ternura e seus olhos marejaram. Não podia acreditar que o nerd que tanto zoara estava ali, disposto a salvar seu relacionamento com sua mãe.
— Obrigada, Freddie. — ela depositou um beijo em seu rosto — Eu achava que me odiava depois daquele lance todo da fofoca que rolou antes de você ir para o Canadá. Me desculpa ter feito aquilo, você não merecia. Nem vou conseguir agradecer por tudo que está fazendo por mim.
O nerd acariciou uma de suas bochechas e colou as duas testas. Ficaram um tempo se encarando enquanto se perdiam na imensidão que existia em cada olhar que lançavam um para o outro.
Freddie depositou um beijo doce e calmo nos lábios de Sam e os dois sentiram fogos de artifício estourarem em seus peitos. Não era igual aos que sentiam quando estavam prestes a ir para a cama, esses eram distintos. Parecia que os corações de ambos batiam no mesmo ritmo, mas isso seria muito otimismo em se afirmar.
A única certeza que possuíam é que nunca haviam sentido algo parecido antes.
Ela acariciou a mão do moreno ainda repousada em seu rosto.
— Vamos, a gente precisa pegar os brownies de pote. — ela disse tentando voltar ao seu estado plenamente consciente.
Freddie assentiu ainda um pouco atordoado e passou a empurrar o carrinho em direção a parte refrigerada.
Os dois conseguiram encher o carrinho com tudo que julgaram necessário para a festa. Pagaram como Griffin havia orientado e se dirigiram com as sacolas para a casa de Sam.
Já era quase noite e o céu de Seattle se misturava em tons de roxo e laranja. Era um pôr do sol lindo e Sam suspirou enquanto o admirava.
Freddie era o que mais tinha sacolas em suas mãos, então passou algumas outras para Sam segurar no meio do caminho.
— É sexy e folgado que você seja mais forte que eu e ainda se aproveite dos meus braços crescidos pela academia para segurar a maioria das sacolas. — ele disse se aproximando do portão da casa da loira.
Sam pegava suas chaves na mochila enquanto ria da declaração de Freddie.
— Você acha tudo sexy. É um pervertido! — ela dizia adentrando o pequeno hall que existia antes da porta de sua sala.
— Pervertidos acham tudo em muitas mulheres sexy. A diferença é que eu acho só em você.
Ele colocou as sacolas no chão perto da porta e agarrou Sam pela cintura a beijando com desejo.
Sam sorriu entre o beijo enquanto tentava procurar a chave certa da segunda porta de sua casa.
Quando se virou para abrir, Freddie beijava seu pescoço por trás dela e mordiscava a parte inferior de sua orelha. A loira o segurava pelo rosto com uma mão desvirando a chave com a outra.
Ia se virar para continuar o beijando, mas assim que abriu a porta, viu sua mãe completamente apagada no sofá enquanto parecia não perceber tossir. Ela despejava um líquido estranho pela boca e mesmo assim não se levantava do sofá.
Sam correu para ver de perto, se ajoelhou perante a ela e a chacoalhou sem muita delicadeza. Pam estava mesmo apagada e Freddie se aproximou um pouco com expressão preocupada.
— Acho que ela está em coma alcóolico, Freddie! Chama alguém para levarmos ela ao hospital! — Sam clamou em um tom alto.
Freddie parecia lamentar com os olhos aquela situação e se apressou a pegar o celular enquanto discava o número de Carly as pressas.
Ajoelhou-se também ao lado de Samantha repousando uma de suas mãos nas costas dela enquanto a mesma chorava copiosamente e repetia a frase "vai ficar tudo bem, mãe, vou cuidar de você" como um mantra.
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