Changes of Destiny
14 Paixões e presentes
Notas iniciais
Sam descia as escadas sonolenta naquela manhã de sábado. Havia ouvido a campainha umas três vezes, mas só tomou coragem para levantar na quarta.
Griffin tinha ido a casa da loira para buscar os aperitivos da festa que ainda estavam lá.
Esperava que Sam abrisse a porta em algum momento. Sabia que a garota odiava acordar cedo, mas torcia para que ela não se importasse, pelo menos, desta vez.
Ainda não tinha certeza se ela estava cuidando de sua mãe depois que a mesma saiu do hospital. Até considerou a possibilidade de Sam estar cuidando dela na madrugada, mas Pam estava quase recuperada, então ele concluiu que não precisaria chegar a esse ponto.
Quando a porta se abriu, ele a avistou com o cabelo bagunçado e um shorts rosinha que parecia fazer conjunto com alguma outra blusa que ela não estava usando naquele momento. Riu abafado enquanto pensava que não se parecia nada com ela estar usando alguma coisa rosa, mesmo que fosse apenas para dormir.
— E aí loirinha! — Griffin sorriu simpático colocando os pés na sala — Sei que é vacilo te acordar essa hora, mas eu preciso me apressar em ajeitar as coisas da festa. Como está sua mãe? Que fantasia vai usar?
Os dois não haviam conversado mais sobre a possibilidade de irem de Tomb Raider depois daquela cena na escola. Obviamente, Griffin não sabia que Freddie estava com ciúmes e muito menos Sam sabia que Carly estava incomodada também. Simplesmente, essa ideia foi esquecida por ambos.
Sam chacoalhou a cabeça e fechou os olhos como se aquilo amenizasse sua vontade de voltar a dormir.
— Perguntas demais! — Sam dirigiu-se a cozinha que ficava logo do lado — Pode entrar e ficar a vontade, eu já te respondo tudo isso, mas agora quero fingir que ainda estou dormindo.
Griffin sorriu vasculhando os armários e a geladeira em busca dos mantimentos que usaria. Havia levado várias sacolas recicláveis grandes para guardar tudo, tinha pego o carro de Freddie emprestado também, já que sua moto não comportaria aquela quantidade de coisas.
— Você sabe que já são tipo quase onze horas, né? — ele brincou provocativo enquanto se espantava com a quantidade de Pringles que os amigos haviam comprado.
— Madrugada! — a loira exclamou — Única coisa que está me deixando de pé aqui é pensar que sua festa vai ser incrível. A mamãe aqui é perita!
O bad-boy tinha que admitir que sua amiga tinha feito um ótimo trabalho na organização dessa festa. Ela, inclusive, havia comprado decorações extras e entregou a ele como presentes de aniversário na quarta-feira. A casa de Freddie estará bem iluminada e com um painel bem bonito na mesa do bolo graças a Sam.
— Que honra estar do lado da melhor promoter de Seattle. Fiz as amizades certas. — ele estendeu a mão para que ela batesse em comemoração.
Sam atendeu e sorriu largamente. Tinha realmente amado fazer isso por Griffin. Ela estava o considerando um amigo muito especial, porque eles realmente haviam se identificado em muitas coisas. Pensava ser loucura ter quase tirado a roupa na frente de todos na noite em que se conheceram, o que ele pensaria dela? Sentiu-se grata pela amizade deles ter dado certo após tudo isso.
— É isso então, loirinha... — ele dizia enquanto pegava as sacolas nas mãos — Te encontro hoje a noite.
Sam assentiu com a cabeça comprimindo os lábios em um pequeno sorriso. Acompanhou o amigo até a porta e decidiu deitar no sofá e esperar sua mãe levantar para ajudá-la a fazer o almoço.
A festa realmente havia a animado a ponto de mantê-la acordada. Também, não podia negar que as coisas estavam se acertando com sua mãe, isso estava deixando-a muito feliz.
Pam saiu do hospital na quinta-feira e estava muito bem recuperada. Passava as noites em casa e nunca mais fez uma menção sobre álcool. Sam deu graças aos seres divinos por Griffin ter levado as bebidas reservas que existiam em sua casa muito antes daquela tragédia acontecer.
Também, estava quase acertando a primeira consulta na terapia para sua mãe em um bom psicólogo. Carly tinha a ajudado alguns dias atrás e tudo estava bem encaminhado até então.
A loira ligou a TV e esperou o tempo passar. Um longo dia estaria por vir.
— O que achou? — dizia Freddie quando vira Griffin adentrar. Apontou para o globo de espelhos que havia colocado na parte central da sala de estar
A casa que havia dado de presente para Marissa era realmente incrível. A sala era ampla e tinha uma decoração muito clássica e simples. Não tinha muitas cores o que deixava o lugar com um ar luxuoso.
Com a arrumação nova, tudo havia ficado ainda mais amplo e mais fácil para locomoção. O sofá agora ficava no canto da sala próximo a porta dos fundos e bem no meio existia um tapete que continha luzes brilhantes coloridas. A sua frente, por fim, estava a mesa do bolo.
O painel era típico e Sam mandou gravar o nome de Griffin logo embaixo de "Feliz aniversário". O fundo era cheio de motos clássicas em desenho quase tão realistas quanto as originais se cada uma não fosse em miniatura.
— Está perfeito, cara! — ele dizia admirado enquanto olhava para o teto onde o globo estava — Tudo incrível!
Freddie sorriu de lado para o amigo e em seguida observou com atenção a mesa do bolo.
— A Sam escolheu tudo no maior capricho, esse painel é sua cara!
Griffin o olhou sorrindo com certa ironia. O amigo nem tentava mais disfarçar que estava completamente afim da loira. Achava engraçado que ele estivesse assim, já que nunca tinha visto ele esboçar nada parecido antes.
— Benson está apaixonado pela mina com quem faz sexo casual! Estou perplexo! — soltou sarcasticamente vendo Freddie se virar para ele com os olhos arregalados.
— Para! — Freddie riu silenciosamente — Eu, por acaso, estou te zoando porque você vai pedir a Carly em namoro hoje a noite?
O motoqueiro havia comprado um anel de brilhantes para a morena em um dia dessa semana depois da escola. Estava completamente decidido que queria Carly somente para ele, então não podia deixar uma incerteza no ar. Se odiaria se ela ficasse com outro alguém por falta de oficialização. Deveria aproveitar algum momento a sós com ela para fazer o pedido.
— Nunca escondi que estava amarradão nela, irmão. — o bad-boy respondeu — Quando você vai encarar o fato de que está gamado na loirinha?
— Acho que a Sam nunca vai aceitar namorar comigo, ela é mais livre do que eu. A propósito, já me imaginou namorando?
Griffin riu e lembrou-se dos momentos em que Freddie o dizia que queria viver a vida de solteiro para sempre. Depois das experiências de Toronto, nenhum dos dois se imaginavam na posição que estavam agora.
— Não, nunca imaginei. Você chegou em mim quase implorando para te ensinar a conquistar garotas!
Freddie sorriu e abaixou a cabeça pensativo. Tudo havia mudado tão rápido, ele não acreditava que estava mesmo pensando em ter Sam para sempre em seus braços. Oficializar uma relação com ela era seu maior desejo, mas temia muito que ela risse em sua cara e desistisse até da casualidade.
— Pela Sam, eu bancaria isso tudo. Até compraria um anel como você fez. — ele suspirou com expressão séria — Ela é sensacional, Griff. Tão maravilhosa que é até difícil acreditar que é real.
— Uma hora, você vai precisar arriscar. Se gosta tanto assim dela, vai valer a pena. Espera o momento certo.
Disparou e deu um tapinha amigável no ombro de seu amigo. Distanciou-se ainda ajeitando alguns detalhes e pegando as bebidas para guardar na geladeira.
Freddie sentou-se no sofá e quis ligar para Sam e encontrá-la em qualquer lugar. Queria perguntar como estava sua mãe e também matar a saudade de ficar colado com ela depois de uma boa transa. Seu corpo arrepiara quando recordou-se do último banho que tomaram juntos, ali ele já estava completamente envolvido pela loira, só não havia percebido.
Sentiu seu coração pulsar ao ouvir a campainha tocar. Não estava esperando ninguém, então olhara no olho mágico antes de abrir.
Suas sobrancelhas mexeram em leve confusão ao detectar quem era.
— Oi, Freddie! — Carly disse ao deparar-se com ele — Desculpa aparecer agora, mas eu queria muito falar com o Griffin.
— Está tranquilo! Pode entrar. — a morena adentrou e Freddie notara que ela estava um pouco nervosa — Acho que ele está na cozinh-
— Oi, linda! — o bad-boy a cumprimentou após voltar para a sala — O que faz aqui?
Carly se aproximara dele com um sorriso eufórico no rosto. Sua bolsa estava em um ombro só e ali guardava algo que queria entregar a Griffin desde quando soube que seu aniversário estava próximo. Puxou de lá, então, um porta retrato iluminado com uma foto de Griffin pilotando sua Harley em sua rua preferida de Toronto.
A morena havia encontrado essa fotografia em seu Instagram e pôde sentir a felicidade que ele transmitira ali. Achou que seria uma boa ideia que Griffin tivesse isso em forma física e também queria que o garoto se lembrasse dela toda vez que olhasse.
— Eu queria te dar na quarta, mas com toda a confusão, achei melhor esperar até hoje.
Ela o fitou e o motoqueiro estava completamente admirado e surpreso com o presente. Segurava como se fosse ouro e dificilmente acreditava que era algo verdadeiramente para ele. Era incrível, mais incrível do que qualquer coisa que já havia ganhado em toda sua vida. Nem seu prêmio de tecnologia tinha um significado tão valioso como esse.
— Foi o melhor presente que alguém já me deu! — ele a olhara com tamanha gratidão — Eu te amo, morena.
Griffin tomou seus lábios com paixão enquanto apoiava sua mão em seu rosto. Ter finalmente declarado aquilo foi como tirar uma tonelada de peso de suas costas. Era exatamente o que sentia por ela e não havia porquê esconder. Ele não tinha feito sexo, não tinha provado nada sexual e mesmo assim sentia que seu desejo por ela era insaciável. Um desejo muito além do carnal, sentia-se emocionalmente cativado por ela.
Depositou delicados selinhos em seus lábios e em seguida a encarava com seriedade.
— Eu também te amo, lindo. — dissera enquanto se perdia na imensidão de seus olhos.
Ele sorriu largamente e pensou que mal podia esperar para oficializar aquilo tudo mais tarde. Sentia que seria um momento mais que especial, seria fenomenal, finalmente, a ter só para ele agora tendo certeza que se amavam.
Freddie os olhou alegre pelo que tinha visto. Realmente sentia-se feliz por ver duas pessoas que amava muito estando juntas e externando coisas lindas um para o outro.
Deu uma última checada na casa e suspirou aliviado em ver tudo pronto para a festa. Subiu as escadas e decidiu descansar um pouco em seu quarto antes de se arrumar e receber os convidados.
Sam havia almoçado com sua mãe como era de se esperar e as duas decidiram pedir comida em vez de fazer. Se entendiam em vários pontos, ambas amavam comer, mas não eram muito fãs da arte de cozinhar.
Haviam conversado sobre as mais variadas coisas e Samantha até confessara que estava apaixonada por alguém. Pam a dissera que queria conhecê-lo porque sua filha parecia radiante como nunca. Ela realmente não se lembrava do rosto de Freddie ou se já tinha o visto em algum lugar. Sam até tentou lembrá-la de que ele era melhor amigo de Carly na infância, mas foi em vão.
Algumas coisas se tornaram borrões em sua mente pelos traumas e pelo álcool.
Agora, a loira olhava para sua fantasia com satisfação. Queria que Carly a ajudasse a fazer um cabelo mais parecido possível com o de Daenerys — a princesa exilada da Casa Targaryen de Game of Thrones — porque ele daria o toque especial no visual.
O vestido era apenas um abaixo do joelho com cara medieval, mas não passava totalmente a essência da personagem. Pensou, então, que as tranças e os cachos menos fechados trariam uma sensação mais realista para a fantasia.
Achou aquela a escolha perfeita. A peça não era fechada e tinha alcinhas finas acompanhadas de um decote V com bojo. Os braceletes laterais dariam um charme a mais e ela gostara de perceber que não era um longo comum. Ele desfiava um pouco depois do joelho na parte da frente enquanto atrás ainda permanecia longo. Pensou que era perfeito por não cobrir seus sapatos. Ela queria usar coturnos parecidos com os de Griffin e já tinha um modelo perfeito em casa.
Ligou rapidamente para Carly e as duas decidiram que se arrumariam juntas na casa da loira.
A morena pegou seu carro e ao chegar no loft, arrumou suas coisas dentro de uma mochila relativamente grande. Estava levando tudo que precisaria para deixar Sam incrível e para deixar a si mesma incrível também.
Ela já havia comprado sua fantasia de anjo há um tempo quando Spencer resolveu que seu aniversário seria a fantasia também. Acabou não usando quando descobriu que ninguém iria com roupas muito elaboradas, então ela ficou guardada em seu armário por um bom tempo.
Felizmente, agora tinha a desculpa perfeita para utilizá-la. Queria estar linda para Griffin e sabia que aquela roupa dourada com asas de anjo nas costas daria conta do recado.
Quando tempo suficiente se passou, Carly já tinha escovado o cabelo e se preparava para ir a casa de Sam. Torcia para que a loira não tivesse se atrasado e estivesse pelo menos de banho tomado quando chegasse lá.
— Oi, senhora Puckett! — ela dissera quando Pam abriu a porta — Como está?
A Puckett-mãe sorriu gentilmente e fez sinal para que Shay adentrasse a casa.
— Tudo bem! A Sam está no quarto, pode subir.
Carly assentiu e subiu as escadas. Deparou-se com Sam se olhando no espelho enquanto sua fantasia estava esticada na cama. Ela brincava com seu cabelo imaginando o que a morena faria para que ficasse parecido com o da personagem.
— Estou surpresa que não esteja dormindo. — ela disparou arrancando um pequeno susto de Sam.
— Está brincando? Quero ver como a festa está logo, eu amei organizar!
Ela sorriu e se pôs perto de Sam dando algumas instruções para ela sobre maquiagem e cabelo. A loira ouvia atentamente e tentava decorar o passo-a-passo. Nunca ligara muito para esse tipo de coisa, mas no fundo, queria aparecer diferente para impressionar Freddie. Havia amado a vez que ele ficou admirando-a no restaurante, então achou que não seria nada mal repetir a dose.
Quando por fim ficaram prontas desceram e ouviram alguns elogios da mãe de Sam. Ela pediu para que as duas se cuidassem e se despediu.
— É até maneiro usar vestido, — a garota soltou entrando no carro de Carly — dá um ventinho diferente na perseguida.
— Sam! — a morena repreendeu dando partida.
Pensou o caminho todo em como escaparia por alguns momentos para ficar com Griffin. Queria, de verdade, estar junto dele no seu aniversário e fazer com que ele se sentisse celebrado. Ela já havia notado que ele se importava com essas coisas e não queria decepcioná-lo.
Ao chegarem, subiram após serem liberadas pelo interfone. O prédio que Freddie morava era super seguro, pois haviam até pessoas importantes que moravam ali. Era um lugar residencial conhecido em Seattle.
Freddie conversava com Gibby — um cara engraçado que estava em sua classe de Geografia — enquanto ajeitava os óculos falsos e sem lente que estavam em seu rosto. Vestia um roupão de Hogwarts amarelo que representava Lufa-Lufa. Seu topete ainda continuava completamente e hermeticamente arrumado e ele já havia desistido de segurar a varinha no seu terceiro copo de cerveja.
Se virou para ver quem abrira a porta e quase derrubou o copo ao ver Sam tão magnífica naquela roupa. Ela estava fantasiada, mas não tinha perdido em nada seu estilo. Freddie percebera que seus cachos desmanchavam pelos seus ombros e a trança fina lateral que existia em apenas um lado de seu cabelo era esquisitamente compatível com ela.
Seu coturno fazia total sentido no conjunto e ele mal pôde esperar para reparar melhor nela quando estivessem a sós.
— Que gatas, muchachalatas! — ele dissera se aproximando das duas — Sam! Você está... — ele fez uma pausa a encarando por inteiro — muito linda.
A garota corou e quis se esconder em algum lugar depois dele ter dito isso na frente de Carly. A esse ponto, parecia que Freddie queria anunciar que os dois estavam tendo algo.
— Valeu, nerd! — ela sorriu simpática — Eu sabia que você tinha cara de ser da Lufa-Lufa.
— É a melhor casa! — ele exclamou.
— Vai sonhando! Eu sou Sonserina.
Ele revirara os olhos pensando que aquilo realmente combinava muito com ela.
De primeira, quis arrastá-la para o seu quarto ou coisa assim, mas decidiu oferecer uma cerveja primeiro enquanto Carly ia na mesa de guloseimas.
Tudo ainda estava apenas começando, mas eles podiam sentir que essa noite seria tão inesquecível quanto a festa de começo de semestre.
Acho que as mãos de Sam traziam esse poder aos eventos.
Os dois se apoiavam em uma mesa de jantar grande que havia na cozinha enquanto Freddie enchia o copo de Sam com o final de uma garrafa de cerveja que já estava aberta.
— Não estou aguentando mais ficar do seu lado sem te beijar. -ele sussurrara no ouvido da loira — Seus peitos parecem estar me chamando, diaba loira.
Sam riu abafado e virou-se para encará-lo. Agora, sentia um tesão mesclado com paixão invadir seu corpo de maneira avassaladora. Não entendia como aquele olhar de Freddie podia mexer tanto com ela.
— Estou com uma saudade de você dentro de mim que nem imagina. — ela mordeu os lábios o olhando com malícia — Quero me trancar com você em qualquer canto, mas me espera dar pelo menos os parabéns ao Griffin, nerd.
Ele assentiu um pouco contraditório, porque, honestamente, não sabia se podia ficar mais um segundo sem Sam. Eles não tiveram um momento juntos e a sós desde terça-feira. Além do mais, precisariam desestressar toda aquela longa e difícil semana nisso.
Esses encontros eram extremamente benéficos para ambos e eles mal podiam esperar para se entregarem um ao outro novamente.
Fale com o autor