Changes of Destiny

23 O sol, a lua e a verdade


Notas iniciais
meus amores!!! minha facul começou, então por isso a frequencia menor de postagens aqui. mas, sempre que tenho um tempinho me dedico a escrever. amo vocês demais, viu? obrigada pelos comentários maravilhosos como sempre!! (((notas finais super interessantes) boa leitura!!! ♥

Aquele dia na escola havia sido difícil. Freddie estava apreensivo pelo que faria mais tarde. Tinha chegado a hora, não dava mais para adiar. Teria que denunciar Leonard essa tarde e desejava fazer isso sozinho. Sentia que já tinha perturbado Sam demais, ela definitivamente não merecia a sobrecarga de problemas que não eram nem sequer dela.

Ele não conseguia parar de agradecer em pensamento por tê-la. Nunca pensou que seria tão cedo e tão inesperado o encontro com a mulher da sua vida, mas o destino surpreendeu novamente. Na verdade, foi tudo um reencontro e Freddie sentiu-se idiota por não ter notado que tudo que ele queria e precisava estava ali o tempo todo. Riu ao encarar sua jornada no Canadá como um preparo para recebê-la e seu coração esquentou ao lembrar-se do sorriso maravilhoso que ela sempre o lançava.

Andou pelos corredores olhando para baixo e segurando a alça de sua mochila com uma força desnecessária. Todas as provas estavam ali, então não podia perdê-las de nenhuma forma. Havia revelado as fotos de sua mãe machucada e copiou as imagens do crime para seu pendrive mais de três vezes devido ao nervosismo. Estava tenso e não podia negar.

Avistou seus amigos com um sorriso nos lábios perto do armário de Carly e se aliviou por um milissegundo. Gostava de vê-los juntos e quando Griffin havia comentado que eles já tinham dado aquele importante passo na relação admirou-se. O bad-boy realmente havia mudado, esperou pela garota que amava e estava podendo desfrutar do melhor em seu relacionamento. Freddie sentia-se feliz por vê-los felizes, mesmo que considerasse nojento saber que estava dormindo na sala ao lado quando aquilo ocorreu.

— Oi, pessoal. — disse o nerd se aproximando dos dois.

Carly radiava e isso havia passado até para sua aparência. Sua pele estava mais brilhante do que nunca, seus cabelos nunca estiveram tão macios e por consequência, Griffin parecia admirá-la ainda mais. Pela primeira vez, as botinas do bad-boy estavam limpas e completamente engraxadas, graças a Carly. Ele não achava que isso era necessário, mas ela realmente queria fazê-lo e gostara do jeito que ele acatou. Sempre fazia isso. Cuidava de quem estava por perto e desejava fazer isso por Griffin mais do que com qualquer um.

— E aí? — disse Griffin se concentrando no amigo — Você está bem? Sabe, não é hoje que você vai fazer a denúncia?

— É... — suspirou pesadamente — ei, vocês querem ficar lá em casa depois que eu voltar da delegacia? — Freddie indagou olhando levemente ao redor — E-espera... quem é aquele cara ali com a Sam?

Carly riu silenciosamente observando os dois conversarem.

— Calma, ciumento. — brincou ela segurando seu braço — O Nick é um amigo antigo da Sam. Ele estudava aqui, mas acabou indo pra juvy.

Freddie observava com muito descontentamento aquela cena. Sam ria enquanto Nicholas falava e ela parecia empolgada com cada palavra mínima que ele soltava. Ele não era uma má pessoa, na verdade, sempre foi muito querido por todos. Até o diretor Franklin acreditava que ele podia crescer e progredir com a atitude certa. Tinha fé nele do mesmo jeito que tinha fé em Sam. Os dois pareciam se dar muito bem encostados na ala onde estava o armário do garoto. Ele lançava sorrisos e o papo parecia interessante até demais.

Nicholas Jones realmente havia mudado desde que teve que entrar em condicional. Ele nem se considerava mais capaz de ter as mesmas atitudes que costumava ter. Quando precisou parar os estudos no meio, tinha humilhado e espancado um colega de classe até sangrar. Se arrependia e considerava até que voltara para Ridgeway afim de reconstruir sua história, limpar sua imagem e pedir perdão a todos que fizera mal.

Nick? Juvy? Esse cara é perigoso? — ele não conseguia parar de encará-los. Sua nuca já estava esquentando e seu rosto parecia não conter uma expressão raivosa. Achava que não era do tipo ciumento, mas também nunca tinha amado alguém daquele tanto.

— Você acha a Sam perigosa? — Carly o olhou descontraída — Fica tranquilo, Freddie. O Nick melhorou muito. A Sam tem trocado mensagens com ele desde domingo.

— Ah, é? — ele pareceu sarcástico em seu tom — Então, preciso me apresentar.

Griffin ia protestar, mas Freddie foi mais rápido em se aproximar deles. Andava tentando parecer confiante e torcia muito para que estivesse sendo bem sucedido nessa postura. Observou a loira gargalhar alto encostando uma de suas mãos no tal Nick. Queria fazer Sam rir daquele jeito quando estava com ele, chegou a ponderar se ela o fazia. Desejava tirá-la dali rapidamente e repetir a dose de transa no armário da zeladora para lembrar-se que ela o amava. Claro que era coisa de homem neandertal, mas ele não podia evitar. Testosterona estava falando mais alto.

— Oi! O que é tão engraçado? Eu gosto de rir também. — ele pendurava um sorriso irônico nos lábios fingindo entusiasmo exagerado. Nick virou seu olhar em direção a ele e desmanchou o sorriso aos poucos. Sam mordeu o lábio inferior em constrangimento já sabendo o que Freddie estava sentindo.

— Freddie... — disse ela suspirando um pouco — Nick, esse é o Freddie, ele é...

— Namorado da Sam. — ele interrompeu rapidamente — E você é?

Nicholas lançou um olhar simpático e percebeu que Sam sorria de maneira contida encarando Freddie. Estendeu sua mão para que o garoto apertasse e se pôs a manter uma atitude tranquila para não intimidar Freddie. Considerava a loira apenas sua amiga e ela já havia falado do namorado algumas vezes.

— Ah, o namorado! — Freddie não soube decifrar se isso fora um deboche — Sou Nicholas Jones. Mas, odeio isso, cara. — riu levemente — Me chama só de Nick mesmo.

— Nick. — disse como se fosse uma palavra nova — Entendi. E como saiu da juvy?

— Freddie! — repreendeu Sam — Desculpa, amigo, o meu namorado está precisando relaxar um pouco. Não é?

A garota o encarava esperando que ele concordasse. Queria ficar com Freddie a sós e relaxá-lo da forma que ela conhecia. Não estava nem preparada para julgar os ciúmes dele, porque achava que teria a mesma reação se visse seu nerd conversando com uma amiga dos velhos tempos. Era ridículo. Odiava posse, mas o amor estava trazendo isso um pouco. Não era o ideal, mas ela pensava ser apenas uma fase. Afinal, eles tinham acabado de assumir que aquilo era um namoro.

— Tranquilo, Puckett. — Nick gargalhou pensando que nunca tinha imaginado Sam namorando, ainda mais um engomadinho como Freddie — Estou indo pra casa. Prazer em conhecer você, Freddie.

O nerd só soltou um sorriso fraco enquanto punha sua mão em um aceno leve. Acompanhou Nicholas com o olhar enquanto o garoto se afastava. Teve medo de virar a cabeça porque sabia que sua loira estava o fuzilando com o olhar. Fitou-a receoso e se aproximou para acariciar a ponta de seus cachos.

— Eu te amo, Puckett. — enfatizou seu sobrenome porque somente ele gostava de chamá-la desse jeito. Também pensava secretamente que só em sua voz soava incrível.

Os olhos dele transbordavam múltiplos pedidos de piedade. Era como um cachorro abandonado que caiu da mudança. Sam amava aquelas pequenas amêndoas castanhas, mas estava muito impaciente para concentrar-se nelas.

— Já sei. — soltou enquanto escapava um suspiro — Sei também que está estressado com o lance do seu pai, mas não tem nada entre mim e o Nick. Sério, Benson, você precisa parar de se importar com essas coisas.

— Tudo bem, princesa, o que acontece é o seguinte, — ele fez uma pausa — nem estava com ciúmes dele, é só que eu queria me apresentar como seu namorado.

Sam segurou sua mão que ainda estava emaranhada em seus cabelos.

— Bobão. — ela depositou um selinho demorado em seus lábios — E aí, você já está indo?

— Sim, daqui a pouco. — respondeu em um suspiro apreensivo — E você? Que horas sua mãe sai pra clínica?

— Às quatro. — Sam disse com os lábios comprimidos — Estou feliz que ela está indo. Sei que vou sentir saudade, mas é pro melhor. Até a Mel disse que vai visitar quando as coisas estiverem mais tranquilas em Annie Wright.

Freddie a lançou um sorriso de lado genuíno. Era incrível que a Pam estivesse se esforçando tanto para ir a clínica e fazer as coisas darem certo pela primeira vez. A vida se alinhando era uma das melhores iniciações para o tão merecido descanso da mente de Sam. Essa tranquilidade era seu objetivo maior por agora.

— Isso é ótimo, meu amor. — deslizou sua mão pela bochecha dela delicadamente — Você sabe que estou aqui sempre. Conta comigo. Mesmo que as coisas estejam sendo conturbadas com a minha família, não esqueci de você e da senhora Puckett em nenhum momento.

— Nunca duvidei disso. — ela disse sorrindo — Estou livre depois do seu rolê da delegacia se quiser fazer algo.

— Legal. — disparou — Chamei a Carly e o Griffin lá pra casa também. Vamos pedir pizza.

— Mamãe está dentro.

Freddie puxou a mão de Sam seguindo em direção ao seu carro — já consertado — onde ele o estacionou. A Range tinha ganhado uma lavagem poderosa depois do conserto e o nerd não podia estar mais aliviado. Mesmo dando parte dos lucros do aplicativo para seu pai, a conta bancária dele ainda ficava bastante recheada. Poderia comprar outro automóvel se quisesse, poderia comprar qualquer um. Mas, aquela Range Rover era seu maior xodó. Era como tirar doce de criança trocá-la por outra. Era como tirar a Softail de Griffin.

Sam colocou uma de suas mãos sobre o capô refletindo sobre o dia que ficaram presos na estrada. Era tudo muito cômico por um lado, mas acima de tudo, ela não podia evitar pensar que sua vida tinha virado uma loucura desde que Freddie apareceu. Nada era ruim, pelo contrário, ela encontrava uma felicidade indescritível em seu peito toda vez que lembrava que estava mesmo amando aquele nerd profundamente. Era ótimo ser recíproco. Era fabuloso que eles estivessem dividindo tanto amor e momentos inesquecíveis juntos.

Encostada na porta do carona, ela observava minuciosamente Freddie vasculhando sua mochila atrás das chaves. Ele podia ser organizado, mas tinha um comportamento atrapalhado que ela achava completamente adorável. Sorriu sozinha deixando que toda a sensação de paz a preenchesse. Não gostaria de viver num mundo onde não pudesse chamá-lo de namorado. Em toda sua vida, essa palavra nunca pareceu fazer tanto sentido como estava fazendo agora. Teve certeza que apenas descobriu o verdadeiro amor com o nerd. E isso era uma das melhores imprevisibilidades que já havia experimentado.

Freddie deu a volta para abrir a porta do motorista. Sabia que Sam não iria a delegacia com ele, mas fez menção para que ela entrasse no carro também. O estacionamento da escola estava quase vazio, então ele achou que poderiam ter tranquilidade ali.

— Desculpa por aquela merda que aconteceu no domingo. — Freddie disparou virando-se para fitá-la — Acho que te devo isso. Não foi nada legal, Sam. Eu não sou de fazer essas coisas e nem acho que preciso.

— Ótimo. — seu tom era sério — Porque você não precisa mesmo. E convenhamos, você não quer. Isso resultaria numa coisa bem pior e também iria me afastar de você com toda certeza. Não é isso que você quer, certo?

Ele a olhou com pesar. Não era isso que queria de nenhuma forma, além do mais, só de pensar nessa possibilidade arrepios percorriam por todo seu corpo. Observou com cuidado que ela formava uma expressão um pouco desafiadora com as sobrancelhas. Seus lábios rosados formavam um bico indignado e ele não se controlou ao arrancá-la um beijo um pouco mais desesperado. Sua mão escorregava sem muita delicadeza pela bochecha dela e seu dedo indicador acariciava o começo da nuca. Sam entregou-se completamente a ele enquanto tombava o corpo em sua direção. Era uma perfeita harmonia que dominava os movimentos feitos por ela. Passou uma de suas mãos sobre a cintura dele em contato com sua pele desnuda pois barra da camisa já estava levantada. Acariciou toda a extensão de sua barriga e suas costas.

Freddie depositava selinhos delicados enquanto o dorso de sua mão passava pela parte traseira dos cachos de Sam.

— Não quero um segundo longe de você. — ele soltou em um quase sussurro e aproveitou a proximidade para beijar o canto da boca dela.

A loira aconchegou-se em seu peito envolvida por um abraço tão perfeito em encaixe que poderia fundir seus corpos. Freddie a segurava como se fosse escapar e apoiava de leve seu queixo por cima da cabeça dela. Ouvia a respiração calma que a garota soltava enquanto deslizava seus dedos pela ponta dos cabelos dourados. A cada dia ela parecia estar mais linda e ele mais apaixonado.

Sam podia sentir o coração dele bater em um compasso idealmente ritmado. Não era tão acelerado, mas também era forte como nunca estivera antes. Era como uma música de amor com a mais linda poesia, mesmo sem nenhuma palavra. Um som que dizia mais do que qualquer grande pergaminho contendo palavras difíceis que deveriam expressar sentimentos complexos. A paz que sentia era suficiente para saber que aquilo era certo, que esse era seu lugar. A sensação de pertencimento era suficiente para que ela pensasse que não podia não deixar Freddie ir para longe.

Levantou-se para olhá-lo. Encontrou o mais puro amor em forma de uma imensidão castanha. Ela era capaz de expressar cada pequeno detalhe que existia em sua alma. Incrível como Freddie conseguia transparecer qualquer coisa só com o olhar. Era incrível, também, como Sam decifrava tudo apenas por ali.

— Obrigada por estar sendo minha felicidade. — ela não parava de sentir-se hipnotizada pela doçura que seus olhos transpiravam — Eu te amo tanto, Freddie.

Depois de um silêncio confortável que se instaurou entre os dois, ela pôs se a beijar cada pedaço do rosto dele freneticamente enquanto o nerd sustentava um sorriso abobado nos lábios. Espremia os olhos e parecia não conseguir manter uma expressão séria. A segurou em um abraço novamente quando ela se demorou em sua boca.

— Para de sentir ciúme. — ela disse segurando o riso — O que eu tenho que fazer pra você ter certeza que eu não quero mais ninguém?

Freddie a lançou um sorriso de lado um pouco malicioso.

— Eu já sei que você é minha. Mas, se você quiser me provar um pouquinho mais... — seu tom era mais fino e carregado de humor — dorme comigo hoje.

Sam murmurou um som que indicava estado pensativo e olhou pra cima com um sorriso cheio de deboche no rosto.

— Que sacrifício. Não sei se vou conseguir.

O nerd balançou a cabeça negativamente sem conseguir parar de sorrir. Arrancou um selinho rápido dos lábios dela e encaixou a chave na ignição.

— Vamos, loira. — disse ligando o carro — Vou te deixar em casa.

A caminho da casa dela, Sam observava com atenção as mais variadas paisagens de Seattle enquanto Freddie a lançava olhares de relance. A garota pensava em sua mãe, pensava em seu lugar no mundo, pensava em como ajudá-la. Claro que era ótimo a ida a clínica, mas não queria sentir-se sozinha com o passar do tempo. Pela primeira vez, experimentou de verdade como era bom ter uma mãe por perto e era difícil abrir mão disso por tempo indeterminado. "Melhor sem ela do que com ela bêbada", pensou.

Despediu-se de Freddie que agora parecia mais nervoso e entrou em casa. Sua mãe estava sentada em frente a um copo de café semi terminado em cima da mesa da cozinha. Tinha uma bolsa grande em seu pé já pronta para atender suas necessidades pelos próximos meses. Seu semblante não era feliz, mas não parecia de todo triste. Sam iria entender se sua mãe estivesse apreensiva, porque ela mesma também estava.

Pam olhou para ela tentando passar tranquilidade e formou um sorriso leve. A garota a abraçou imediatamente sem dizer nada e as duas ficaram ali por um bom tempo. Os olhos de Sam marejavam, mas ela não deixou que caísse nenhuma lágrima deles. Seria forte para encorajar sua mãe. Seria forte para passar confiança a ela. Tudo aquilo era extremamente complicado, mas pela primeira vez em anos Sam sentiu que estavam agindo como uma verdadeira família.

— Eu vou estar aqui por você. — disse a filha perto de seu ouvido — Nesses primeiros momentos você precisa se desligar do mundo aqui fora, mas assim que puder receber visitas eu e a Melanie seremos as primeiras a estar te esperando.

— Eu sei, querida. — Pam limpava as lágrimas brutalmente se desvencilhando do abraço — Só tenho medo de não conseguir me curar e decepcionar vocês.

— Ei, ei, ei! — Sam esbravejou — Essa não é a atitude de uma Puckett.

A mulher soltou uma risada espontânea olhando com ternura sua Sam. Finalmente, conseguiu sentir um pouco de segurança nisso tudo. A vida e aquele coma já foram punições o suficiente para ela cogitar lutar contra esse tratamento. Ela sabia exatamente o que deveria fazer e como uma Puckett, não fugiria da raia.

Apanhou sua grande bolsa com convicção e respirou fundo ao ouvir a buzina do táxi que havia pedido. Samantha comprimiu os lábios querendo conter um nó que já se formava em sua garganta. Suspirou pesadamente tentando demonstrar controle e confiança. Acompanhou sua mãe até a porta do veículo e confortava a mesma com uma de suas mãos nas costas dela. Era difícil, mas necessário. Depois daquilo Sam tinha certeza que só coisas boas estavam por vir.

As flechas provenientes do sol batiam em seu rosto tornando aquilo tudo ainda mais romantizado. Pam acenava tentando esboçar um sorriso reconfortante e a garota observava isso mantendo-se otimista. Era o mínimo que podia fazer, estava cansada em pensar em desgraça, cansada em pensar que merecia desgraça. Todos os contratempos tem saída e com os dela não seria diferente. Podia sentir.

— Amo muito você, mãe. — disparou sozinha acompanhando o táxi fazer a última curva da passível de visão.

Freddie esperava impacientemente ser chamado de volta para a sala do delegado. Ele desdenhou um pouco do nerd por estar com casos mais importantes para resolver. De repente, sua mãe levando um murro bem no meio do rosto não era grave o suficiente para aquele delegado. Olhava o relógio velho que estava pendurado na parede em sua frente e pensava em desistir. Era humilhação demais. Tudo que queria era colocar seu pai na cadeia, por que isso tinha de ser tão difícil? "Alguma força divina deve estar a favor desse homem", pensou.

— Benson, Fredward! — disse outro delegado saindo de uma das salas — Como posso ajudar? Entre, por favor.

Freddie já de pé obedeceu adentrando aquele lugar. Era frio e as cores não melhoravam muito esse aspecto. A porta era quase transparente e ele se perguntou se aquela sala era mesmo feita para guardar as maiores atrocidades. O estômago do garoto embrulhou, mas ele não podia deixar que isso o impedisse. Sentiu medo, sentiu raiva. Porém, permanecer sentado ali estático não adiantaria nada. O delegado Shorman o encarava com expectativa, estava disposto a ouvir e com certeza parecia menos carrancudo que o anterior.

— Minha mãe foi agredida.

Soltou esperando uma reação diferente, talvez, espanto. Mas, o homem em sua frente nem se mexeu.

— E onde ela está?

— Isso é realmente importante?

— Não pode se abster às minhas perguntas. — suspirou impaciente encostando-se melhor na cadeira — Por que ela não veio fazer a denúncia, garoto?

— Porque está cega. Tem medo do agressor e não teria coragem.

— Existem delegacias da mulher que cuidariam disso muito melhor do que a Seattle-Center Police Station.

Freddie tentou controlar ao máximo seu ímpeto em revirar os olhos. Mas debruçou-se com mais força em cima daquela mesa afim de chamar um pouco mais de atenção.

— Cara, vocês são a melhor delegacia de Seattle! Eu fiz uma pesquisa. — encarava passando credibilidade — Não posso nem mostrar as provas que tenho?

O delegado assentiu e analisou minuciosamente o material. Mesmo que pendurasse uma expressão tediosa em seu semblante, prestava atenção no que acontecia. Não queria decepcionar Freddie, mas sabia que só aquilo não seria suficiente. Ele havia reconhecido Leonard, mas quis manter a discrição. A verdade é que com qualquer quantia de dinheiro, o Benson-pai podia livrar-se daquela. Era um homem poderoso no país inteiro, o homem duvidou que Freddie pudese conseguir algo daqueles vídeo e fotos.

— Tudo bem. É um material concreto. — explicou — Mas, você vai precisar de uma testemunha mesmo assim, alguém pra defender sua mãe no tribunal além de você. Pode ser alguém que apenas sabe da história, já que não teve nenhuma testemunha ocular além da vítima e o acusado.

— Tribunal? — Freddie montou uma feição indignada.

— É, garoto, todo cidadão tem direito a defesa. — levantou enfiando uma de suas mãos em seu bolso — Aqui está o meu cartão. Quando quiser marcar a audiência me avise. Notificaremos o acusado.

Quando o homem saiu, Freddie respirou fundo e pensou que aquilo poderia ser mais difícil do que esperava. Ligou para Griffin em direção a saída pedindo para que ele já se apressasse em encontrá-lo em sua casa. Ele e Marissa não estavam se falando ainda, mas a casa era grande para que ele fingisse que ela nem estava ali.

O céu de Seattle já dava sinais de azul royal e ele pensou que era urgente relaxar com sua namorada e seus amigos. Dirigiu até em casa pensativo e admirou no trajeto o sol se escondendo. Algo teria que acabar com aquele pesadelo logo. Essa tragédia já havia durado tempo demais. O universo estava ao seu lado, afinal, há três coisas que o tempo é incapaz de esconder para sempre: o sol, a lua e a verdade.

Se estirou no sofá e adiantou o pedido na pizzaria antes mesmo de ter companhia. Ligou para Sam algumas vezes, mas ela não atendeu. Fitou o celular por alguns segundos desnecessários e finalmente decidiu entrar em um banho gelado.

Sua mãe não estava ali e ele pensou por um tempo curto onde para onde poderia ter ido. Desejou e torceu com o fundo da alma que ela não estivesse do lado daquele cafajeste. Óbvio que era seu pai, era o único homem que Marissa já havia amado, mas será que era tão difícil para ela enxergar que o amargor que ele transmitia era sem fim? Freddie sentia raiva por ter se enganado por tanto tempo. Achava que pelo menos sua mãe se salvava no meio de toda aquela podridão, mas, aparentemente, estava errado até sobre isso.

Pulou em um susto saindo de seus devaneios quando ouviu a campainha. Colocou um roupão aconchegante em improviso e desceu as escadas rapidamente.

— Irmão, eu estou com minha namorada aqui, vai colocar uma roupa decente. — disparou Griffin assim que o nerd abrira a porta.

Carly riu revirando os olhos e adentrando o local.

— Desculpa. — ele disse simplesmente.

— Ei, eu estava brincando. — dizia enquanto sentava-se no sofá — Como foram as coisas na delegacia?

— Meio inesperadas. — respondeu — Fiquem no quarto de hóspedes enquanto eu me troco. Não quero que minha mãe abra a porta e dê de cara com a gente, beleza? Já, já eu alcanço vocês.

Griffin assentiu um pouco confuso e se apressou em subir as escadas. Freddie foi logo atrás afim de chegar rapidamente em seu quarto. Vestiu uma blusa velha que nem combinava com seu jeito arrumadinho e colocou uma bermuda um pouco mais formal do que um pijama. Mas, bem pouco mesmo. Deu uma leve ajeitada em seu topete porque, bem, ele era Freddie Benson e adentrou finalmente o quarto em que seus amigos estavam. Eles já haviam ligado o ar condicionado, então o nerd achou que seria uma boa ideia permanecer ali.

Sam havia acordado de um cochilo longo há alguns minutos. Viu as chamadas perdidas de Freddie, mas resolveu não ligar de volta. Seria bom apenas aparecer para fazer uma mini surpresa ao — agora — seu entitulado namorado. Ela ria a toa lembrando-se da cena que ele fizera na escola e mal podia realmente acreditar que ele era seu namorado. O nerd, o rei dos idiotas, o bobalhão. Quem diria?

Olhou para seu reflexo no espelho e sentiu-se orgulhosa dos cachos naturais e bonitos que já estavam se formando a medida que os fios secavam. Achou que aquela roupa estava apropriada e pensou em agradar Freddie. Tudo agora parecia em uma atmosfera romântica e Sam não podia evitar gostar disso. Infelizmente — ou, felizmente — era mais forte que ela.

Resolveu pegar o ônibus, porque suas economias já estavam no fim. Seria um trajeto um pouco demorado, já que o início da noite era conturbado nas ruas. Engarrafamentos, aglomerações e transportes cheios, a única parte desagradável desse período na cidade.

Adentrou a casa dos Benson com facilidade porque, por algum motivo, a porta estava entreaberta. Chamou o nome de Freddie pela extensão da sala de estar, mas ninguém pareceu escutá-la. Subiu as escadas rapidamente e pôde ouvir vozes conhecidas saindo do quarto de hóspedes. Se aproximou e fez menção em entrar, até escutar mais atentamente sobre o que conversavam.

— Acho que ela nunca vai descobrir. — dizia Griffin entre gargalhadas mexendo na ponta do travesseiro.

— Sério, foi muito estúpido! — quase gritava Freddie com extremo humor — Você me dizendo que eu tinha porque tinha que transar com a Sam pra conseguir a Carly. Que idiotice, mano! Até hoje acho que você foi frouxo em não chegar nela logo.

— Ei! — repreendeu Carly em um grito fino dando um tapa de leve em Freddie.

Sam mexia freneticamente suas íris tentando achar algum sentido naquele diálogo. Eles estavam rindo, debochando e brincando com ela? Seus punhos se fecharam em automático, seus olhos era preenchidos por lágrimas em ódio avassalador e suas sobrancelhas denunciavam uma raiva jamais sentida por ela. Fora usada, humilhada e deixou-se levar por um amor idiota. Se é que podia chamar desse jeito. Agora, mais do que nunca, tinha certeza que Freddie a havia usado para conseguir passar pelos momentos difíceis e para ter uma foda fixa sempre que sentisse vontade. "Como pude ser tão imbecil?", pensou.

Girou aquela maçaneta com a maior das decepções e achou que iria explodir em fúria quando todos viraram para olhá-la.

— Oi, princesa. O que faz aqui? Você podia ter me ligado, eu iria te buscar. — Freddie levantou-se da cama para cumprimentá-la e tocou um de seus braços.

— Desencosta de mim. — a loira disparou se afastando bruscamente — Princesa? Vai se foder, Freddie! Muito conveniente eu ter cara de princesa pra você porque foi facinho me enganar, não é? Mas, agora, pode aplaudir. Seu teatro acabou.

— Do que está falando, Sam? Calma aí! — seus olhos encheram de preocupação. Ele podia sentir que seu coração saltaria pela boca a qualquer instante. Isso não podia estar acontecendo, não com ele, não com ela. Simplesmente não deveria estar acontecendo.

— Para com essa porra! — berrou em enfurecimento completo — Para de fingir, para com essa merda! Eu estou com nojo de você. — riu sem humor algum — Caralho, como eu pude acreditar que você, um nerd soberbo, rico e metido ia se encantar por uma garota que quase foi pra juvy? Que te humilhou a vida inteira, que por pouco não arruinou sua vida por completo na Ridgeway? Uma garota como eu? Mas, não é culpa sua. Eu que sou uma completa de uma imbecil e caí na sua ladainha.

— Não é nada disso, Sam, me escuta, por favor! — ele implorava e achava que seus olhos não suportariam as lágrimas que estavam prestes a cair descontroladamente. Ele a segurou mais uma vez e seu semblante era de completo desespero e busca por perdão. Não conceberia a ideia de perdê-la, não conseguia imaginar sua vida sem aquele olhar. Sem sua voz. Sem seus toques, seus abraços. Não podia suportar viver assim.

— Eu já te escutei demais. Agora, eu espero nunca mais ouvir sua voz. — ela segurava os lábios e sua respiração era completamente descontrolada de um ritmo normal. Um misto de raiva, angústia e tristeza profunda já haviam invadido por completo seu coração — Amor é a puta que pariu. Não acredito que me deixei levar por um sentimento que nem sequer existe. — ela afastou a mão dele que ainda estava repousada nela — Você não me merece, Freddie. Eu sou muito pra você, mesmo que você ache que é o maioral. Acorda dessa merda de ilusão, acorda. Você não é nada e nem sequer foi inteligente o suficiente pra esconder de mim toda essa palhaçada. Nerd burro do caralho!

Freddie respirava com dificuldade tentando controlar um impulso enorme de chorar copiosamente. Colocou as duas mãos sobre os olhos e quis sumir dali. Quis voltar no tempo e fazer tudo diferente, quis ajoelhar e provar a Sam o seu mais verdadeiro amor. Ele a amava profunda e genuinamente e nada no mundo poderia tirar esse sentimento de seu coração. Era impossível que outra mulher o ganhasse como Sam o fez. Impossível que ele conseguisse se encantar por outra como se encantou por ela. E agora? Com quem dividiria os momentos mais inesquecíveis e perfeitos? Que cachos acariciaria nas pontas até pegar no sono? Quem seria capaz de arrancar os maiores mistos de sensações de seu peito? Ele sabia que ninguém seria capaz de sequer ousar substituí-la. Era a única. A certeira. A melhor. E ele não podia acreditar que havia perdido.

— Espera, Sam, se acalma. O Freddie não fez nada por mal, ele realmente...

— Você cala a sua boca também, seu babaca! — a garota interrompeu o bad-boy — O ego de vocês é bizarro. Tudo tem que girar em torno dos dois idiotas. — afundou suas unhas na palma e pendurou uma expressão carregada de deboche — Só porque eu quis ficar com você uma noite teve que armar esse escarcéu todo? Cresce, Andrews! Que autoestima escrota!

Carly levantou e tentou se aproximar de sua amiga. Sabia que compactuar com isso fora errado, mas achou que tudo se resolveria de maneira natural em algum momento. Sam sentiu calor em sua nuca e pôde constatar que a morena chegava mais perto a encarando. Lançou-a um olhar fulminante e pensou em devolver todo o dinheiro que o Coronel Shay estava depositando no tratamento de sua mãe. Afinal, por que diabos Carly continuava com aquilo? Sam achava que era para se sair como superior. Para debochar dela.

— Não me toca, Shay. — alertou Sam levantando um caminhão de ferocidade com apenas um olhar — Eu te perguntei um milhão de vezes se você estava afim desse bosta e você teve coragem de negar todas! Acha que eu sou palhaça, Carly? Eu não sou que nem você que sacrifica tudo por causa de uma piroca! Eu ia entender se vocês estivessem querendo se comer. Vai se foder você também.

A morena saiu correndo do quarto soltando um choro alto e desesperado. Griffin parecia tão desapontado que era possível saber apenas pela sua feição. Correu para alcançar Carly afim de confortá-la e Freddie se viu sozinho com Sam naquele quarto. O ar parecia pesar uma tonelada, os trovões lá fora pareciam caracterizar essa tempestade astral e suas lágrimas eram ainda mais pesadas do que a chuva incessante que caía.

— Eu te amo, Sam. Eu te amo muito. Eu nunca menti sobre os meus sentimentos. — ele segurou com força seu rosto suplicando por crença — Você é o amor da minha vida e soube disso quando nossos corpos se fundiram no hotel pela primeira vez. Samantha, pensa em tudo o que a gente viveu. Eu não podia estar fingindo vinte e quatro horas por dia, eu amei ter você em meus braços. Eu não quero te largar, Sam, eu não posso te largar.

Ele chorava abundantemente enquanto a envolvia em um abraço firme. Não sentia Sam corresponder, mas desejava ficar ali pra sempre em atrito com a jaqueta de couro que ela usava. O perfume que ela estava usando era seu cheiro característico e Freddie não conseguia conter suas lágrimas pensando que talvez nunca mais sentiria desse jeito tão próximo. Acariciou as pontas dos cachos dela ainda no abraço e torceu para que aquilo não acabasse. O que ele faria se isso terminasse, afinal?

— Sai. — Sam disse firmemente tentando controlar um choro teimoso — Eu odeio cada pedaço de mim que ama você, Fredward. Não consigo mais confiar em nenhuma das suas palavras e tudo que você diz se tornou banal. Eu confiei em você, cacete, eu confiei. Me entreguei pra você como eu não fiz com mais ninguém. E tudo isso pra que? Devíamos ter parado no ódio onde estava confortável pra todo mundo. Mas, até isso você conseguiu estragar. Agora eu sinto profundo enjôo só de pensar que me envolvi com você.

— Por favor, Sam... — dizia suplicante em um lamento quase indecifrável.

— Arruma outra pra brincar de boneca. — soltou sentindo sua garganta fechar — Nenhuma Puckett aceita ser feita de otária.

A loira bateu com força a porta do cômodo e desceu as escadas como um cometa. Seus olhos pareciam a ter traído pela quantidade de lágrimas gordas que soltavam. Sentia um buraco vazio torturante bem no meio de seu peito. Amava aquele garoto, amava profundamente e não podia detestar mais ter nutrido aqueles sentimentos por tanto tempo. Como pôde ser tão facilmente enganada desse jeito? Sabia que nenhuma dessas baboseiras de paixão tinham um bom final, então, o que estava pensando quando deixou se apaixonar pelo rei dos idiotas? Parecia uma piada de mal gosto, mas Sam não tinha a mínima vontade de rir.

Notas finais
*TO POSTANDO A FIC NO WATTPAD TAMBÉM PRA QUEM QUISER LER LÁ *juvy é tipo a febem dos estados unidos kkkkkk eh ali que os jovens menores de idades que cometeram crimes ficam apreendidos *annie wright é mesmo a escola da melanie segundo a wikia *listem as referencias de cultura pop presentes nesse capitulo kkkkk (esse merece!!) nao chorem, ok? comentem o que estão achando e atéeee mais! ♥