Changes of Destiny
10 Desagradável retorno
Notas iniciais
Freddie sentara-se numa cadeira de madeira em frente a cama de hotel de Griffin enquanto olhava com atenção alguns catálogos de imóveis em seu celular procurando um apartamento em Seattle que suprisse as necessidades do garoto.
Depois de ter criado um aplicativo que resolve questões matemáticas apenas através de fotos, o moreno tinha ganhado uma grande quantia de dinheiro. Colocou como objetivo principal ajudar sua mãe assim que soube que sua invenção o traria um boa grana mensal.
Toda vez que o aplicativo era baixado, Freddie recebia uma espécie de pagamento. O programa estava sendo um sucesso no Canadá, então sua conta bancária estava sempre bem recheada.
Já tinha experiência em procurar casas e apartamentos pela internet, já que fez isso pela sua mãe quando o mesmo resolveu dar a ela um novo lar em Seattle de presente.
— Você precisa achar um que não esteja tão longe do centro. — dizia ele ao seu amigo ainda sem tirar os olhos do celular.
Era madrugada de sexta-feira e ambos não sentiam sono. Já haviam conversado sobre tudo, assistido TV dos canais comprados que tinham no hotel e até jogado uma partida de buraco.
A conversa sobre o plano foi bem rápida. Freddie comentou que já tinha transado com a loira, mas não deu tantos detalhes. Griffin parecia uma vizinha fofoqueira querendo saber até os pingos nos i's, mas o nerd conseguiu despistar antes que ficasse constrangedor.
— Acho que quero morar do lado da Carly. — o motoqueiro riu — Imagina ver aquela carinha todo dia de manhã.
Freddie ergueu uma sobrancelha o lançando um sorriso de lado.
— Mané, você já a vê toda manhã na escola! Quando você disse que estava "amarradão" — ele fez sinal de aspas com as mãos — nela, não achei que fosse nesse tanto.
O bad-boy sorriu se sentando na cama. Griffin, às vezes, se sentia um baita de um moleque de doze anos quando pensava que só havia beijado Carly uma vez. Ele já estava quase tão apaixonado por ela, quanto Sam é por frango frito. Aquilo era a maior loucura que ele já tinha feito.
E olha que Andrews já tinha roubado a moto de um cara.
— Então, você estava cego ou em outro planeta e não me viu comemorar quando descobri que o plano está dando certo?
Freddie o olhou um pouco mais sério do que antes. Não gostava de pensar em Sam como um "plano", daquele jeito parecia até que o garoto estava sendo obrigado a fazer aquilo.
— Como você ainda chama isso de plano? Eu, literalmente, não fiz nada. As coisas foram só acontecendo.
Griffin apoiou seus cotovelos nas pernas e pensou um pouco.
— É verdade! Então quer dizer que você é mais garanhão do que eu pensava! — ele gargalhou.
— Você é meio idiota. — disse Freddie rindo pelo nariz — A Puckett pode ser, eu não. Ela nem hesitou em me beijar com vontade aqui no quarto naquele dia.
O moreno deu um riso abafado ao se lembrar como tinha sido boa sua primeira vez com Sam. Seus corpos se entrelaçaram como encaixes perfeitos, suas peles pegavam fogo de tão ardentes e a intimidade era tanta que até poderia se dizer que eles já faziam aquilo por anos.
— Sabia que a loirinha era selvagem! — Griffin soltou.
Freddie não entendia muito bem o porquê, mas sua nuca esquentou e ele sentiu seu coração acelerar como se uma pequena faísca de raiva estivesse se formando em seu peito. Não suportara a ideia de que Griffin talvez pensasse em Sam de um jeito sujo e sexual.
Ele não podia sentir ciúmes porque tinha plena consciência de que o relacionamento deles era completamente casual. Podia jurar que não era ciúme e sim apenas um desconforto qualquer.
Queria muito acreditar nisso.
— Vocês fizeram até na escada de incêndio! — Griffin continuou — Não sabia que você ia para lá de vez em quando.
— Meu pai me ligou e eu precisava de um tempo sozinho. Eu teria quebrado a parede do meu quarto se ficasse em casa. — o nerd disse sem peso em suas palavras.
— Precisa conversar sobre? Sei que o velho é um merda...
Fredward o olhou pensativo, mas decidiu que sua cota de falar em família já tinha se esgotado por aquele dia.
— Não... deixa para lá, eu despistei ele de um jeito não muito educado, então acho que nunca mais vai me incomodar.
Griffin assentiu com a cabeça e se dirigiu ao banheiro para tomar banho. Seus olhos já tinham começado a pesar e decidiu que precisava dormir logo para falar com Shay pela manhã e marcar um encontro em que eles pudessem se encontrar.
Ajeitou o colchão extra que havia pedido para que Freddie dormisse e se deitou em sua cama.
—
Na manhã de sábado, Carly havia saído para o shopping afim de encontrar o bad-boy e deixou Sam dormindo no quarto de hóspedes. Aquele era um momento raro onde os dois podiam ficar juntos sem interrupções, então não hesitou em aceitar o convite.
— Quando você me ligou no meio da escola, eu tive que desligar na velocidade da luz quando a Sam se aproximou! — a morena dizia entre gargalhadas enquanto tomava um gole de seu latte quente do Starbucks.
Os dois haviam parado ali para tomar café da manhã juntos e sentavam lado a lado numa daquelas mesas que tinham espécie de sofá para assento em vez de cadeiras convencionais. Resolveram aproveitar ao máximo até Sam e Freddie acordarem.
Griffin havia mandado uma mensagem para Freddie de que estaria fora por algumas horas, mas era capaz do nerd nem ver por estar em um profundo sono.
— E quando você teve que me explicar pela segunda vez que saiu do hotel logo porque eles dois brigaram? — ele disse rindo também — A Sam nem sonha que você se encontrou comigo!
Muitas vezes, Carly se sentia mal por estar mentindo para sua melhor amiga. Mas, era extremamente necessário. Com a pergunta que a loira a lançou ontem não havia restado mais dúvidas de que Sam ainda se importava com Griffin e não tinha esquecido da ideia de ficar com ele.
— Eu sei que é para o bem dela, mas eu fico meio triste em saber que está mesmo acreditando nessa mentira.
O bad-boy a lançou um olhar de ternura enquanto repousava sua mão em cima do braço da garota.
— Ela está bem, relaxa... pelo o que o Freddie me contou, eles tem passado bons momentos juntos. Estão se dando bem.
Carly apertou os lábios ainda um pouco insegura, mas confiava na palavra de Freddie, não teria motivos para o nerd estar mentindo.
— Difícil mesmo vai ser não te beijar no meu aniversário... — Griffin disse mais como em um pensamento alto.
Roubou um selinho de Carly e pôde sentir sua mente delirar ao perceber que o gloss que a garota usava hoje era sabor morango. Ele adorou a possibilidade de sentir um gosto diferente toda vez que a beijasse.
Sem perceber, já estava apaixonado pelo seus pequenos detalhes.
Carly corou um pouco e então uma expressão confusa se formou em seu rosto.
— Aniversário? Você nem me avisa que seu aniversário está chegando!
Ela falou usando um tom acima do normal em sua voz enquanto dava um tapinha leve no braço do garoto coberto pelo couro de sua jaqueta jeans.
— É que eu ainda nem sei se vai rolar! — soltou um riso alto esfregando seu braço — Os últimos dois eu organizei festa na casa do Freddie em Toronto, mas aqui não sei se vai poder acontecer por causa da mãe mala dele.
A morena riu lembrando-se exatamente de como a senhora Benson era.
— Você tem que dar sorte da senhora Benson visitar um ente-querido com alergia bem em cima de quando pretende fazer. Afinal, quando é?
Griffin lembrou-se que Carly a conhecia porque ela e Freddie haviam sido vizinhos de porta por anos e também amigos de infância.
— É quarta, mas eu estou querendo comemorar no sábado.
Carly suspirou pesadamente.
— Queria poder te dar um presente legal, mas...
Ela foi interrompida pelo motoqueiro que esmagou seus lábios como se aquilo fosse tão urgente quanto respirar. O senso ou qualquer vergonha que a morena poderia sentir fazendo aquilo em público se esvaiu quando sentiu-se derreter nos braços que a envolvia.
Ela acariciou a nuca do garoto com a ponta das unhas enquanto sentia o beijo se tornar mais devagar.
Griffin deu múltiplos selinhos um pouco demorados e a olhou com atenção.
— Não quero nada além de você comigo. — disparou e em seguida sorriu largamente.
Realmente não ligava para nada material. Queria, apenas, reunir algumas pessoas e comemorar bebendo algumas cervejas. Ainda não tinha muitos amigos em Seattle, mas podia fazer uma festa realmente legal considerando que a Ridgeway era lotada de alunos que adoravam uma farra.
—
Freddie havia acordado aquela manhã com uma ligação urgente de sua mãe. Ela não mantinha o melhor dos tons e o garoto se esforçava para assimilar tudo que ela dizia.
Seus olhos não estavam nem abertos completamente ainda, mas os sentiu arregalar imediatamente depois de tudo que Marissa revelara.
— É impossível que isso esteja acontecendo comigo! Logo comigo! — bufou completamente sozinho no quarto.
Se apressou em tirar uma muda de roupa de sua mochila e a colocou no banheiro para tomar um banho.
Quando a água gelada percorreu por sua nuca, desejou que aquele momento durasse para sempre. Definitivamente, não queria encarar a realidade. Depois de anos de esforço e de superação, era, no mínimo, patético que o destino estava mesmo pregando uma peça como aquela na vida dele.
Se fitou no espelho com atenção enquanto escovava os dentes e sentiu-se inútil por ainda não ter a mínima ideia do que faria.
Não sabia se estava revoltado com a mãe e também não tinha decidido se gritaria com ela por aquela decisão. Tudo estava errado e o garoto sentia que seu mundo viraria de cabeça para baixo a qualquer momento.
Lembrou-se do conforto que sentiu na noite anterior e esboçou um sorriso fraco. Matutou algumas centenas de vezes se aquele pensamento fazia sentido ou não. Primeiramente pensou que talvez levasse um fora. Mas, a garota também tinha dito que Freddie poderia contar com ela.
Se apressou em ligar para Puckett antes mesmo de tentar outras opções.
Ouviu sua voz rouca do outro lado da linha e torceu para que ela não tivesse ficado irritada por ele a ter acordado.
— Preciso de uma conversa. Agora. Consegue fazer isso por mim? — disse rapidamente com receio de que a loira negasse.
Assentiu com a cabeça inúmeras vezes enquanto Sam falava. Ela explicara que talvez demoraria um pouco porque ainda estava de pijama e precisava de um banho.
Freddie imaginou que até com as suas roupas de dormir Sam poderia ser sexy.
— Valeu. Te encontro no Groovie Smoothie daqui uns quarenta minutos, tudo bem?
Sorriu ao ouvir que a loira havia concordado.
Após respirar fundo múltiplas vezes observando o trânsito de Seattle pela janela do quarto, sua ficha estava começando a cair que abriria algo tão íntimo para Samantha Puckett.
O quão estranho era isso?
Depois da noite anterior, nada mais parecia estranho. Sentiu a ternura do olhar que Sam o lançara penetrar seu coração e um conforto indescritível havia tomado conta do seu peito.
Resolveu sair dali e andar os dois quarteirões que se aproximavam do Groovie. O hotel ficava bem perto, então aquela caminhada era tranquila.
Avistou Sam pela porta transparente com um visual lindo. Freddie quis desistir daquela conversa e mandar aquela situação para a puta que pariu quando observou a loira vestindo aquela blusa verde água soltinha que era sustentada por alças finas.
Será que era permitido transar no banheiro de uma casa de vitaminas?
Chacoalhou a cabeça tentando espantar aqueles pensamentos e sentou-se na frente de Sam que já tinha seu copo na mão.
— Oi. — ela disse soltando o canudo.
Ele sorriu e suspirou como se preparasse para falar.
— É melhor que seja algo importante, porque a mamãe odeia acordar cedo. — continuou olhando para o relógio que ficava pendurado na parede em sua frente.
Ele já marcava quase onze e meia da manhã, mas para Puckett aquilo era quase madrugada. Ainda mais em um sábado.
— Ele vai voltar, Sam. — Freddie disparou.
Sam o olhou confusa.
— Quem vai voltar, cabeção?
Perguntou relaxada enquanto observava que o cabelo de Freddie ainda estava molhado e pela primeira vez, sem precisão em seu topete.
— O meu pai. — ele suspirou alto — Minha mãe me ligou agora pouco dizendo que ele pretende ficar em Seattle. Falou com ela ontem a noite depois de ter me ligado... disse que queria ficar em um lugar perto de onde estamos morando agora — o garoto começara a apertar uma de suas próprias mãos com força — e minha mãe deu nosso endereço.
Sam arregalou os olhos e sentiu que Freddie estava em pura dor e frustração. Estranhamente, quis protegê-lo daquilo tudo e sabia que o Benson-pai não havia feito pouca coisa para que Freddie reagisse desse jeito. Só pela conversa de ontem era possível deduzir que ele não era boa gente.
— Você precisa enfrentar, Freddie. Sua vida toda foi fugindo dele, agora precisa confrontá-lo. Diga a ele que você não é mais uma criança ou um garotinho estúpido. Conte a ele exatamente o que você fez e como planeja viver daqui pra frente. Garanto que ele vai te respeitar.
Freddie fascinou-se rapidamente com a atitude daquela mulher em sua frente. Ele havia conquistado sucesso, muito dinheiro, mas nem de longe tinha a coragem que a loira possuía.
Quis dizê-la, assim do nada, que ela era incrível e que ele se sentia sortudo por ter um quase nada casual com ela.
Mas, isso seria estranho demais.
Ele tinha certeza de que não era um plano, era uma mulher inteligente, sagaz, corajosa e incrivelmente deliciosa que existia na frente dele. Ele não sabia quanto tempo mais a relação deles ia perdurar, mas desejou secretamente a ter por perto pelo resto da vida.
— Até chegar aqui, eu não tinha a mínima ideia do que fazer, — começou ele — mas, com você falando parece tão simples.
— E é! Você só precisa evitar que ele te intimide. Tenho certeza de que é forte, Benson, vai conseguir.
Ele sorriu de lado e olhou para a porta pensativo.
— Acha que tem algum lugar que a gente possa ficar ainda mais a sós?
Sam balançou a cabeça assertivamente.
— Podemos conversar na minha casa, tenho certeza de que minha mãe não está lá.
Freddie se dirigiu a saída logo atrás dela e quis rir discretamente quando pensou que talvez não quisesse apenas conversar com Sam naquele final de manhã.
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