Changes of Destiny

35 Clarão culposo


Notas iniciais
ter conhecimento das coisas pode trazer culpa... não ter conhecimento de nada alienação. de que lado vc está? > saudade amores! desculpem a demora, eu tava em final de período (o drama da gata, a parte 2 desse vai pegar fogo) > a sam mora num conjugado, não esqueçam disso > amo todos. obrigada pelos coments incríveis sempre. > boa leitura!

Leonard tomava um táxi com o dinheiro que pegou na caixa de um de seus amigos de cela. A parte difícil foi pular o muro de extrema segurança da cadeia, mas com a ajuda de um ferro que já havia separado outras semanas, conseguiu escalar as paredes pichadas e altas.

Em direção ao cativeiro, borbulhava em raiva no seu peito por saber que Griffin tinha o desafiado. Sua vontade interna gritava para que acabasse com a vida do garoto, mas seria extremo e o plano do sequestro poderia desmoronar-se. O tempo de reclusão só o serviu para manipular mais pessoas e conseguir mais dinheiro. A verdade é que estava perdido em seus próprios planos porque a ganância o cegava.

Marissa o visitava e já havia percebido uma movimentação estranha. Não sabia se era porquê o conhecia a vida toda, mas sabia que alguma coisa muito suspeita estava acontecendo, antes mesmo de descobrir.

Tinha plena consciência que o diagnóstico de câncer era falso e via isso como uma decepção enorme. Amava-o com todo o coração, por isso era duro admitir que ele realmente não havia mudado. O telefone celular que ele usava para se comunicar com seu capanga, fora grampeado por ela e dado de presente para ele pela mesma. Ela sabia de todas as conversas e inclusive estava ciente do paradeiro de Pam. Mas, a verdade é que não queria que seu filho ficasse ao lado de Samantha, ela não era uma boa garota. Então, não queria permitir que Freddie sofresse por um sequestro que nem dizia respeito a ele.

Abria a porta de casa com as janelas já anunciando uma escuridão da noite. Gritou o nome de Freddie múltiplas vezes, mas constatou que ele não estava em casa. Sentia-se sozinha, mas sua consciência anunciava que aquilo era apenas consequência do que havia buscado. Afastou-se de seu filho por um homem que nunca a amou, enfiou-se em planos mirabolantes e tudo isso pra nada. Era medrosa demais para tentar consertar, e, talvez seu filho tenha herdado essa sua característica. Mas, diferente de senhora Benson, Freddie faria de tudo para consertar as injustiças que observava.

(...)

Freddie e Brad já estavam sentados em frente ao computador há horas tentando decifrar os códigos que levariam ao dono ou a localização daquele celular que havia ligado demandando o valor do resgate. Carly e Melanie assistiam qualquer coisa na TV com um tédio estampado em suas faces, mas tentavam o máximo esquecer um pouco aquele clima.

Sam descia as escadas depois de um banho um pouco longo que havia tomado. Observou Freddie chacoalhando a cabeça assertivamente diversas vezes acompanhando o que Brad falava. Sorriu espontaneamente e de maneira leve pela primeira vez em muito tempo. As coisas com o nerd só aconteciam naturalmente.

— Vocês querem comer alguma coisa? Não tiram os olhos desse notebook. – disse Sam encostando uma de suas mãos nas costas de Freddie.

— Não, amor. – respondeu Freddie prontamente sem tirar os olhos da tela.

Sam suspirou. A verdade é que estava cansada dessas tentativas frustradas. Não queria que ninguém mais se desgastasse tentando, articulando ou fritando o cérebro. Queria deitar-se com Freddie em sua cama e só sentir um pouco de paz. Nem que fosse mínima, seria o suficiente. Sentia que sua mente estava sempre carregada e seu corpo prostrado em uma exaustão avassaladora.

— Chega. – ela falou mais incisivamente chamando a atenção de todos – Agora chega. Desde sei lá que horas nesse troço, vai todo mundo sentar pra jantar. Eu quero ficar tranquila por pelo menos uns dez minutos, me ajudam?

Melanie soltou um suspiro de olhos fechados, pode-se dizer que era uma expressão de alívio. Carly passou a mão na barriga de fome enquanto Brad olhou em volta pela primeira vez em muito tempo. Freddie encarou Sam e ele ainda não conseguia entender seu objetivo, mas acreditava que seu estado emocional podia estar mais abalado do que nunca. Quando levantou da cadeira, abraçou-a forte e não disse nada. Ela retribuiu enquanto os outros observavam quietos.

Um silêncio se instalou por poucos minutos, pois o celular de Freddie começou a tocar em seu bolso. Todos olhavam espantados e agora prestavam bastante atenção. O garoto estava tenso, mas prontamente pegou-o e fechou os olhos antes de identificar a tela. Se tivesse mais uma vez escrito "número desconhecido" era capaz de cometer alguma atrocidade. Relutante, finalmente colocou seus olhos no celular.

— É O GRIFFIN! – gritou simplesmente.

— COLOCA NO VIVA VOZ! – Carly e Melanie gritaram em uníssono.

Sam suspirou fortemente sentindo seus olhos já lacrimejarem. Brad aproximou-se do garoto e observou tudo atentamente.

— Atende! – disse Samantha apreensiva.

— Griffin? – Freddie indagou ao atender.

Alguns ruídos desconfortáveis saíram do alto falante, afinal o bad-boy escondia o celular atrás de seu corpo. Nem mesmo sabia se Freddie havia atendido, mas tinha comemorado internamente o fato de ter conseguido apertar em seu contato. Parecia apenas barulhos de bolso e todos na casa de Sam já estavam começando a ficar desanimados.

— Griffin? Você está aí? Fala com a gente! – disse Melanie se aproximando do aparelho – Griffin!

— Espera. – Freddie soltou um pouco pensativo.

Uma voz masculina começou a ecoar do outro lado da linha. Eram berros estrondosos e cada vez ficavam mais altos. Leonard se aproximava de Griffin lhe dizendo inúmeras coisas. Falou, então, a mais marcante de todas para os cinco que ouviam. "Eu vou te fazer apodrecer na cadeia e se não for o suficiente te mato com minhas próprias mãos.". Ele continuou discorrendo atrocidades, mas sua voz foi se afastando quando direcionou outras palavras a Pam.

"Espero que suas filhinhas sejam bem idiotas e me entreguem logo o dinheiro que é meu por direito.". Sam viu Melanie desabar em um choro copioso que a fez afastar dali. Carly sentou-se no sofá desacreditava. Brad, acompanhando-a, iniciou uma tentativa de consolá-la. Sam queria chorar, mas uma fúria desumana crescia em seu interior. Freddie estava atônito, completamente sem reação, complementarmente paralisado.

— Freddie... – Sam balbuciou tentando decifrar o que ele pensava.

— Sam, essa é a voz do meu pai. – ele declarou desligando a ligação.

— Não é possível, Freddie, o seu pai está na cadeia. – Carly disparou – Ele foi preso, a gente viu. A Sam foi depor contra ele.

Freddie sentou-se novamente. Sentiu que a sua volta todos ainda pensavam que ele podia estar com sequelas do coma ainda restantes. Mas, não era. Ele tinha certeza absoluta, pois a voz de Leonard era um de seus maiores pesadelos desde a infância. Suas íris apenas mexiam freneticamente e ele não tinha raciocinado a gravidade daquela situação.

— Caralho. Caralho! – aumentou seu tom de voz, o que atraiu Sam a ficar de joelhos em sua frente – Gente, é ele! Eu conheço, eu sei, é ele! Desgraçado!

A loira segurou com um pouco de força uma das pernas de Freddie. Ainda não sabia que sentimento morava realmente em seu peito, não sabia se aquilo era apenas um delírio. Olhou o garoto começar um suspiro longo e engatar em um choro desesperado. Afastou-se bruscamente, quando ele levantou atordoado e começou a caminhar por toda a extensão da sala.

Ele estava transtornado sem o mínimo lucidez morando em seu cérebro.

— Eu só odeio toda essa merda. – dizia vagarosamente – Eu odeio essa família, odeio esse lunático filho de uma puta. Cacete, o que eu fiz pra merecer um pai que veio diretamente do inferno? Me desculpa, Sam. – a raiva era palpável em seus olhos – Me desculpa, sabe por quê? Porque eu sou um merda que nem ele. Eu fiz você sentar comigo na escada de incêndio e escutar todos os traumas idiotas que ele me causou. Eu nunca deveria ter te envolvido nisso.

Sam apenas balançava a cabeça negativamente transpirando mágoa profunda em seu olhar. O desespero transbordava em sua respiração descompassada e ela tentava aproximar-se dele para que a raiva não o consumisse. O nervosismo dela era extremo, suas mãos tremiam e seus olhos não paravam de jorrar lágrimas intensas.

— Eu quero que ele morra! Já que está com câncer que MORRA DE UMA VEZ! – Freddie gritou descontroladamente. Sentou-se, agora, na ponta do sofá colocando as mãos no rosto.

— Seu pai está com câncer? – Carly indagou também hiperventilando pelo tamanho estresse que o cômodo já exalava.

Sam tombou a cabeça para o lado ainda com uma feição que transpassava dor extrema.

— O que importa agora? – ele disse – Espero que ele vá embora pra sempre e deixe as pessoas que eu amo em paz. – levantou rapidamente – Eu preciso ir.

Quando declarou, logo em seguida saiu como um furacão até a porta, mas Sam o seguiu.

— Ir? – ela gritou alcançando-o – Está maluco? Ir pra onde, Freddie? Beber? Mergulhar num travesseiro e desejar morrer? Caralho, a minha mãe e o Griffin estão correndo perigo de vida, o que você acha de dar apoio aos seus amigos? – ela o segurou com força pelo braço – Apoio a mim?

Freddie virou para olhá-la. Ele não parava de se sentir culpado e de queimar um enfurecimento surrealista dentro de si. Acompanhou com o olhar quando Sam segurou delicadamente sua mão. Fitou o céu estrelado e a lua parecia encará-lo. Seus olhos mais uma vez encheram-se d'água e seus lábios contraíram involuntariamente.

— Como vou dar apoio pra qualquer um se o motivo do sofrimento de vocês sou eu? Tem noção do que é carregar todos os fardos que meu pai coloca em cima de mim? Tem ideia do que é ser relacionado a um mau caráter? Você tem, Sam?

— Não é sua culpa, Fredward. – ela o segurou pelo rosto soltando algumas lágrimas mais uma vez – Não é a sua culpa, porra! Não é minha culpa também que a Pam Puckett pegou uma garrafa de uísque na primeira vez que se sentiu sozinha. Para de carregar as merdas que não são suas! Você não é a merda do Leonard!

— Acha que vou conseguir dormir do seu lado sabendo que quem está causando seu sofrimento é a porra do meu pai?

— Se você acha que esse vai ser um problema na hora de dormir comigo é porque nossa relação é fraca pra cacete. – ela se afastou – Até quando vai deixar as porcarias externas acabarem com a gente?

— Samantha, tem um sequestro acontecendo!

— Ah, muito obrigada pela parte que me toca! Acontece que minha mãe que está sequestrada, sabia?

Freddie recuou e respirou fundo. O quanto foram fortes para aguentar tudo isso de peito aberto? Insanamente demais. Sam ainda não tinha assimilado todas as informações, mas já conhecia Freddie o suficiente para saber que seu pai não tinha absolutamente nada a ver com ele. Leonard era apenas uma entidade que ela teria que lidar. Apenas. Freddie ser filho desse homem não mudava nem uma vírgula de seu sentimento por ele. Nada. Nem mesmo por um segundo.

— Me desculpa. Me perdoa, Sam, você tem razão. – ele segurou sua mão mais uma vez.

— Eu sei que isso tudo é muito bizarro. É horrível, é o pior pesadelo da minha vida. – ela sentiu um vento suave lamber seus cabelos enquanto o observava – Mas, eu não posso deixar que a gente desmorone, Freddie. Eu estou tentando preservar isso com as forças que nem tenho mais.

— Eu também só quero te manter por perto. – ele colou sua testa na dela – Eu preciso te manter comigo.

— Você é o Freddie. É meu nerd, é o amor da minha vida. Quando penso em você, a última coisa que me vem a cabeça é o Leonard. Por favor. Não diz mais que meu sofrimento é sua culpa, porque eu estava ansiosa demais pra sentir a única paz do dia dormindo do seu lado.

Ele colocou uma das mechas do cabelo dela para trás com a ponta dos dedos. O vento ajudou um pouco. O rosto estava mais livre, então Freddie acariciou por alguns segundos. Os olhos fecharam e eles se aproximaram num beijo calmo. Fora um movimento sincronizadamente natural. Depositavam selinhos longos evitando desprender do toque.

— Estava? Não está mais? – Freddie fez uma careta.

— Mas é o rei dos idiotas mesmo. – Sam rebateu.

Freddie sorriu de lado de maneira leve.

— Eu amo você, loira. – ele disse.

— Eu também te amo, nerd. Mais do que você imagina. – ela estendeu a mão para ele – Vamos. A gente vai vencer mais essa. Estamos juntos, né?

— Sempre.

Quando voltaram para casa, Melanie já estava preparando uma janta para todos. O silêncio estava instalado e ninguém tinha muito ímpeto de puxar um assunto. A energia era realmente pesada e tudo que foi declarado ainda não tinha saído da atmosfera. Brad e Carly tratavam os outros três com delicadeza, medindo ações e palavras. Claro que a morena queria soltar um choro exagerado pela situação de Griffin, mas não queria decepcionar Brad com essa reação.

Seria uma noite ótima de reunião entre amigos se não fosse por toda a tragédia, mas o importante é que estavam todos juntos. O final da madrugada foi tranquilo. Assistiram a um filme e conseguiriam se desligar de todos os pensamentos ruins por um momento, mas havia tanto contato físico entre eles que era possível criar um atrito. Se apertavam no sofá e pela primeira vez na vida, Sam sentiu mais prazer com aquilo do que repulsa. Considerava-se sortuda por ter todo esse apoio.

Brad e Carly adormeceram no sofá, Melanie subiu para o quarto de sua mãe — que agora era basicamente seu — e Freddie foi junto com Sam para o quarto da garota. Ele aconchegou-se bem próximo a ela e sentia-se extremamente confortável. A loira o apertou pelos braços em sua volta e fechou os olhos em exaustão pelo dia longo que havia vivenciado. Freddie não pôde dizer o mesmo. Não conseguiu dormir imediatamente, mas não esperava que não fosse conseguir adormecer pelo resto da noite.

Levantou pelas cinco da manhã sem fazer muito alarde. Viu as mensagens que recebeu de sua mãe cerca de três horas atrás daquele momento. Ela havia chegado e ele queria ir para a casa e tirar essa inquietude que o atormentava. Seu plano era pegar seu velho laptop conhecido e rachar o telefone de Griffin para descobrir a localização. Tudo tinha ficado mil vezes mais difícil de lidar, mas o paradeiro do cativeiro nunca fora tão fácil de encontrar.

Estava destinado a derrotar seu pai de uma vez por todas. Mataria se precisasse matar. Destruiria se precisasse destruir. Queria descobrir cada pequena história atrás daquele plano criminoso. Queria saber como tudo se iniciou. Sentia-se idiota e sua raiva aumentava todas as vezes que lembrava de seu quase perdão dado aquele homem. Ele não merecia uma migalha de dignidade. Seus conhecimentos de ciência podiam esconder os filosóficos, mas ele sabia que um mau caráter não muda. Não se muda quem nasceu podre.

Depositou um beijo na testa de Sam bem de leve. Ele observou que o sono da garota estava pesado e ela suspirava no meio de respiradas profundas. Freddie pensava que era capaz de tudo para protegê-la. Faria tudo para defender sua honra? Faria o seu melhor para se livrar de seu pai? Sim. Mas, faria o impossível para manter Sam a salvo. Em paz. Tranquila. Feliz. Esse era seu objetivo acima de todos.

Dirigiu até em casa tentando manter o mínimo de sanidade, mas ao chegar em casa, percebeu que talvez não durasse muito tempo. Sua mãe estava vegetativa no sofá da sala, nem ao menos reagiu quando ele chegara.

— Mãe? Como está? – ele indagou – Preciso subir pra resolver umas coisas, tudo bem?

— Freddie. – ela soltou simplesmente.

— É sério, mãe. É urgente.

— É sobre o sequestro? Você vai ajudar essa gente?

Freddie ficou aparentemente confuso. Perdeu um pouco de seu equilíbrio total e sentou-se na mesa de centro mesmo, apenas para olhá-la. Marissa ainda não se mexia, estava completamente branca e sem expressão.

— O que está dizendo? Como sabe?

— Eu sei tudo que seu pai faz ou deixa de fazer, Freddie. Você precisa do endereço do cativeiro?

Notas finais
bolão: alguém da familia do freddie presta? comentem o que estao achando???? :,) isso é um begging sim! atéeeee mais, amores! (bem em breve)