Changes of Destiny
34 Chuva torrencial
Notas iniciais
Leonard ficara agitado com a possibilidade de arrancar mais dinheiro de Freddie com mais uma vítima no sequestro. Os detalhes do sequestro ainda não tinham sido devidamente divulgados pelo telefonema que Sam havia recebido, mas Arthur garantiu que ligaria mais uma vez. Após forjar um exame de tumor maligno no estômago, Leonard tinha alguns favores para cumprir dentro da cadeia, mas achava que seria mais fácil passar a perna em seus companheiros.
Suas evidências de envolvimento com o sequestro não podiam alarmar de nenhuma forma. O Benson mais velho sabia que seu filho ficava comovido com histórias emocionantes, por isso pensava que ele cuidava tão bem de Samantha. "O coração mole desse menino pode ser comparado ao de uma moça indefesa. Não acredito que tem meus genes.", pensou. Os raio-x falsos do diagnóstico abalaram Freddie e Leonard comemorou internamente por ter alcançado seu objetivo.
— Agora paga! – um homem magro carrancudo acurralou Leonard na parte externa da cadeia.
— Me deixa sair, imundo. – ele respondeu tentando escapar.
— Bob e Carlos! – o mesmo homem gritou fazendo aparecer dois outros grandes homens ao seu lado.
— Eu prometi que vou pagar, mas agora não vai ter como. Me deixe passar, sim?
Bob e Carlos o pegaram pelo colarinho da roupa de Leonard. Eles aparentavam realmente sedentos por uma briga física, o que não era o forte do pai de Freddie. Ele se garantia verbalmente, com ameaças e abuso de poder, mas a violência física nunca foi seu forte.
— Você prometeu três mil dólares pela radiografia falsa e agora eu vou receber. – ele puxou uma faca do jeans olhando para os lados para checar a fiscalização – Você tem vinte e quatro horas.
Todos largaram Leonard sozinho naquele canto. Ele pensou, ele arquitetou alguns planos. A verdade é que não podia pagar os três mil dólares por não ter esse tipo de trâmite liberado em sua conta agora e isso era menos do que tinha prometido a Arthur por toda a história do sequestro.
Seu ego era forte demais para se render as demandas desses prisioneiros sujos, ele se colocava como superior, muito superior que essa gente. Decidiu, então, que era hora de fugir daquela cadeia. Assim, poderia monitorar o sequestro com mais precisão e fazer um apelo maior a Freddie. Poderia dizer que o liberaram da pena por bom comportamento e pela chance de se tratar de maneira efetiva.
Seu plano deveria ser executado com maestria, ele pegaria todo o dinheiro que lhe rendesse e viajaria para o outro lado do mundo alegando ser lá o melhor tratamento para seu tipo de câncer. A vida de Sam nunca mais seria mesma, Griffin sofreria sérios danos do pós sequestro, Freddie ficaria desolado e desnorteado com a traição do amigo — porque Arthur contaria que esse tempo todo ele estava envolvido — e senhora Benson estaria traumatizada para o resto da vida. Era esse estrago que Leonard queria causar. Não que ele tivesse motivos para isso, é que existem homens que apenas querem ver o circo pegar fogo.
—
Freddie saíra da escola no final da tarde. Não havia encontrado Sam na saída porque ainda existia aquele esquema de semana de provas, onde quem quisesse podia ir embora sem esperar. Ela estava mais distante que o comum, porém ele entendia. Nunca tinha visto sua garota sofrer tanto desse jeito, foi um baque avassalador. Melanie não ficava atrás e não tinha ninguém para consolá-la, o que era pior.
A preocupação com Griffin se agravava porque ele realmente havia desaparecido. A essa altura, todos achavam que ele tinha se juntado a Pam como vítima do sequestro e agora a única coisa que esperavam era a segunda ligação de Arthur para que ele disparasse as exigências corretas e os detalhes do resgate.
Tudo era confuso para Freddie, ele não entendia porquê era com a Pam. Ele não sabia por qual motivo a escolheram para viver essa tragédia considerando que ela não é ninguém importante em Seattle e muito menos tem dinheiro. O rádio de seu carro era alto e se misturava com seus pensamentos conturbados. Ele nem prestava atenção na música que estava tocando e dirigia sem pensar em rumo ou destino. Apenas dirigia e observava o céu se fechar em nuvens em um tom alaranjado escuro indicando um pôr do sol chuvoso.
Essa manhã ele já havia vestido uma jaqueta mais pesada por sentir o clima mais ameno. Pensava em Sam, pensava em seu pai. Ele não tinha coragem de contá-la sobre a conversa que teve com Leonard em sua visita. Aquilo o agoniava, porque acima de tudo, o homem era seu pai. Apesar de tudo, ele era seu pai.
— Você não é como seu pai e deveria se orgulhar de si mesmo por isso.
Freddie lembrara dessa frase de Sam e desejou mais do que nunca tê-la em seus braços. Ele sabia que com um momento de completo silêncio eles poderiam compartilhar as mais profundas dores que sentiam. Na verdade, o nerd sempre achava que a companhia de Sam curava tudo, mesmos as mais graves feridas. Ele queria ser isso a ela. Um remédio, um refúgio, um abrigo.
Alguns pingos finos começavam a cair no vidro de seu carro, então ele prontamente ativou o para-brisas. Parecia longe o lugar para onde estava indo, mas continuava a dirigir sem olhar para trás. Seu peito continuava aflito, ele imaginava o que Sam estaria fazendo agora, queria procurar por ela, mas seus pés e mãos não o deixavam parar. Naquele momento, ele encontrara algum tipo de relaxamento em dirigir na chuva, pena que isso estava prestes a acabar.
Seu celular vibrou fortemente no bolso de sua calça. Ajeitou-se para atender e observou que era um número desconhecido. Suspirou fortemente, encarou o celular mais do que devia por estar dirigindo. Apertou o botão temido.
— Não envolve polícia, não envolve ninguém. – dizia Arthur – Nós queremos quinhentos mil dólares pela vida da velha e do garoto. Griffin está aqui comigo, eu só preciso do dinheiro pra liberar.
Freddie suava frio pelas mãos e suas pupilas embaçavam.
— Eu quero ouvir a voz dos dois. – disse ele tentando ser calmo.
Arthur colocou-os para gritar por ajuda, assim Freddie acreditaria que é um sequestro real. Em seguida, falou sobre as instruções. Queria a mala do dinheiro na estrada entre Olympia e Seattle em um lugar discreto. O homem exigiu que estivesse tudo em espécie e que fosse o mais rápido possível. Freddie apenas tinha o prazo de cinco dias para entregar esse dinheiro.
— Sem dinheiro e os dois acabam mortos. A polícia aparece, os dois acabam mortos. Espero ter sido claro. – cuspiu por fim e terminou a ligação.
Freddie umedeceu os lábios já rosados demasiadamente pelo começo de um choro estrondoso. Estava perigoso que dirigisse com tamanhos borrões dificultando sua visão e ainda em navegando por aquelas pistas exageradamente molhadas. A verdade é que, de alguma forma, sentia-se culpado. Parecia que antes de ele entrar na vida das pessoas que amava tudo era mais feliz e simples.
Aquela chuva fazia muito sentido com sua energia astral do momento, porque ele queria de verdade era aproveitar uma boa visão pacífica do desaparecimento do sol. Já chegava perto de uma das mais conhecidas praias de Seattle, a Alki Beach. Ele olhava de relance pelas janelas laterais o mar se encher de pesadas gotas que caíam das nuvens, tudo parecia ser em câmera lenta, representando o peso que sentia em seu coração. Não era mais um lamento de desespero, Freddie só estava extremamente decepcionado com o rumo que a vida estava seguindo.
Pensou estar delirando em pensamentos irreais, em cenários imaginários. Já havia lido bastante coisa sobre psicologia e sabia que uma tristeza profunda poderia o causar uma fuga da realidade, a criação de uma nova. Mas, seria muita sorte ela estar ali sentada em um dos troncos próximos a areia, serena como se não houvesse uma forte quantidade de água sendo despejada em seu corpo. Ele piscava os olhos freneticamente enquanto desacelerava com o carro. No fundo de sua alma, sabia que se a qualquer momento perdesse sua sanidade, acharia na dona daqueles cachos que estava observando incrédulo.
Freddie identificou que eram os dedinhos e a mão que tanto conhecia quando ela tirou um pouco do cabelo do rosto e pôs uma boa parte para trás. Sam não usava um mínimo agasalho, apenas usava uma blusa de manga curta com qualquer frase sem sentido na frente. Parecia um sonho lúdico pela tranquilidade que transparecia em sua postura mesmo diante daquele vento, da chuva e do pôr do sol oscilante. Ele estacionou em qualquer lugar e foi correndo de encontro a ela.
Conhecendo sua loira como ninguém, tinha ciência de que não podia chegar fazendo surpresa ao menos que quisesse levar um golpe ligeiro no meio do rosto. Aproximou-se devagar espremendo os olhos pela chuva que caía diretamente ali. Sentou-se ao lado dela em silêncio e apenas a envolveu com a jaqueta que antes usava. O mais inesperado é que ele podia notar que ela não tremia, não chorava, apenas deu um leve sorriso e continuou fixando seu olhar em uma das nuvens escuras que preenchiam o céu.
— Quer ficar sozinha? – perguntou ele sem falar baixo. O barulho da quase tempestade dificultava a comunicação.
— Não. – ela apenas aconchegou-se em seus braços e Freddie a segurou.
Os dois permaneceram um tempo em silêncio apenas sentindo a água os encharcar por completo. Ele não sabia como ela conseguia transformar os mais sombrios momentos em pura poesia, seu jeito de lidar com tudo, sua força, sua garra. A cada segundo que passava, Freddie sentia-se cada vez mais sortudo de ter Sam consigo. Perguntava-se o que havia feito para merecê-la, agradecia por ela ter tudo que ele não tinha. Jamais encararia o céu e refletiria sobre suas feridas, mas pegaria um carro e tentaria despistar esses pensamentos. Ele a amava mais do que podia explicar, amava seus constrastes, seus defeitos tanto quanto suas qualidades. Amava como ela apenas vivia com a coragem em seu peito sem perder nada de sua sensibilidade.
— Está sentindo vontade de chorar? – Freddie perguntou serenamente, porque ele sentia exatamente isso.
— Estou cansada de chorar. – Sam soltou ainda na mesma serenidade que não saía do repouso de seu rosto.
— Eu só quero desabar até não parar mais, Sammy.
Sam o encarou sentindo sua franja enrolar pelo tanto de chuva que já havia absorvido.
— Isso é porque você é bem mais forte que eu.
Na mais pura sinceridade de seu coração, Sam observava a alma de Freddie transbordar-se de bondade. Não possuía mais forças e nem disposição para derramar uma lágrima sequer, encontrava-se desesperançosa, desanimada, sem direção. Seus olhos pararam de brilhar por quase tudo, exceto pelo homem que estava ao seu lado. Freddie era a única coisa que ainda conseguia ser completamente apaixonada. Ele havia crescido em seu peito ocupando um espaço fundamental, um lugar que somente poderia ser preenchido por ele. Amava profundamente seus olhos chocolate transparecendo a pureza de sua alma, amava como ele era naturalmente sensível e acolhedor, sem julgamentos, sem ruindade.
— O que você quer dizer? – ele a observava com tamanha atenção – Você é quem me inspira a ser mais forte.
— Eu não consigo mais chorar, Freddie. Não consigo mais sentir nada, estou vazia, sem vontade de lutar por nada. Não sou forte porque não consigo demonstrar fraqueza, mas você sim é forte. Tem sensibilidade o suficiente pra se permitir sofrer, pra se permitir ser vulnerável. Eu só queria um dia não me cobrar tanto pra ser uma rocha.
Freddie a segurou pela jaqueta molhada que ainda envolvia o corpo dela. Seus olhos já marejavam e sua voz embargou.
— Eu consigo te ler perfeitamente. Sei quando demonstra vulnerabilidade e não é da mesma forma que eu. – suspirou – Sou completamente fascinado pela ideia de sermos extremos opostos, você só precisa entender o seu próprio jeito de lidar com sentimentos.
— Juro que só vim aqui tentar entender tudo que tem acontecido. Queria estar abraçando a Melanie e dizendo que eu tenho um plano. – abaixou sua cabeça de leve – Mas, eu não tenho nada. Não sei o que vou fazer, não sei como salvar a vida da minha mãe. Tem noção do tamanho da responsabilidade que colocaram nas minhas costas?
— Você não precisa carregar sozinha, eu disse que estou com você. Eu sempre vou estar. – ele a olhou com ternura, mas não a tocou. Ela parecia desapontada demais para querer contato físico.
— Freddie, é horrível pra mim toda essa história de dinheiro e de status. Você sabe que nunca vou estar a altura dos jantares profissionais finos que você um dia vai promover, nunca vou estar a altura de estar ao seu lado. Eu não quero depender de nenhum centavo do seu patrimônio, nem mesmo pra livrar minha mãe desse sequestro. Você não tem nada a ver com isso, eu não quero que gaste todo seu dinheiro merecido com algo que só tem a ver comigo.
Freddie a segurou pela lateral do rosto e havia uma grande e vigente incredulidade em sua feição. Concentrou-se para responder a isso tudo. As palavras tinham tomado um peso incrivelmente difícil de lidar, ele não fazia ideia de que ela pensava desse jeito.
— Primeiro de tudo, eu vou ter orgulho de dizer que você é a minha namorada, noiva ou esposa pra qualquer pessoa que estiver no meu ambiente de trabalho. Eu tenho muito orgulho de te ter comigo, eu sou o cara mais feliz do mundo, Sam. – ele sorriu levemente – Quando você largou tudo aqui pra fugir comigo por algo que dizia respeito somente a mim, eu sabia que era a mulher certa. Feita sob medida. Eu te amo. Se minha ajuda tiver que ser financeira, não tem nenhum problema nisso, é um auxílio como qualquer outro.
Ela sorriu um pouco pensativa. A chuva ainda não havia parado de cair e eles conversavam como se nada mais existisse.
— Um dia você vai abrir seu restaurante e eu vou ser o primeiro da fila. – ele continuou – Não vai demorar muito pra que você tenha muito sucesso e sua independência. Eu vejo o quanto tem se esforçado nas provas finais.
— Como sabe que eu sonho em fazer gastronomia, pateta?
— Eu já disse. Sempre te observei.
Ela colou a testa na dele sentindo a chuva amenizar um pouco. Os pingos ainda percorriam por seus rostos, mas Sam fechou os olhos quando sentiu o carinho suave das mãos de Freddie em suas têmporas. Os dois sorriam incessantemente como se a última gota de felicidade que os restava. Estavam dispostos a guardar isso para entregar um ao outro e somente um ao outro. Afinal, eles eram o motivo da felicidade um do outro.
— Eu te amo, Freddie. Eu sinto que sempre te amei.
As espinhas gelaram, mas ambos tinham certeza que não era por causa do frio.
Aproximaram-se vagarosamente até colarem seus lábios de uma vez. Sam acomodou-se com a mãos nos cabelos molhados de Freddie e ele a segurou voluptuosamente pela cintura. Era um beijo sereno assim como todo aquele momento transpirava. A chuva caía impiedosamente, seus corpos estavam internamente agitados, mas aquele contato parecia expressar a maior paz do mundo.
— Eu sei que você odeia os trovões, vamos pra casa. – Sam disse a ele.
— Olha pra mim. – ele disse um pouco mais sério e ela assentiu. Eles entrelaçaram os dedos. – Não tem ninguém nesse mundo que eu preferia estar. Esses trovões representam o que eu trouxe pra sua vida, Sam. Me desculpa todo esse caos.
— Eu não faria nada diferente. – respondeu ela.
— Obrigada por ter me escolhido. – ele disse por fim.
—
(...)
— Eu vim assim que eu soube. – disse Carly parada com um guarda chuva roxo cintilante na porta da casa das Puckett com Brad ao seu lado. Aparentemente, a notícia de Griffin também já havia vazado e estava percorrendo todos os cantos de Seattle.
Melanie atendera com os olhos inchados de tanto desabar em um choro copioso. Sentia que sua vinda a Seattle tinha uma conotação totalmente equivocada. Veio cuidar de sua mãe e acabou vendo duas pessoas que se importava de verdade machucadas e em perigo. A gêmea queria esquecer toda a divergência que tinha com Carly e apenas abraçá-la, mas talvez isso não fosse bem recebido.
— Podem entrar. – ela fez um gesto com a mão – a Sam não está, Carly, mas pode esperar se quiser.
— Tudo bem, Melanie, mas e você? Como você está se sentindo? – ela tinha suas sobrancelhas arriadas de preocupação, até que direcionou seu olhar a Brad rapidamente. – Ah, e antes que eu me esqueça. Esse é o Brad, meu... amigo. Ele me trouxe.
A loira a olhou um pouco risonha, mas cumprimentou o garoto rapidamente. Todos sentaram-se na mesa da cozinha após Melanie oferecer um copo de água para cada um. Ela realmente parecia devastada, seus lábios ainda tinham resquícios avermelhados, seu nariz estava maior e ela podia sentir suas bochechas quentes de tanta tensão.
Carly ainda não havia processado todas as informações, mas sentia que a qualquer momento podia perder o controle de suas próprias emoções. Não sabia como se sentia em relação a Griffin ainda e esperava começar um período de tranquilidade agora que estava saindo com Brad. As coisas estavam indo devagar, mas ela preferia desse jeito. Quando se envolveu em uma rápida montanha russa de emoções acabou ferida.
— Eu vou pro meu quarto pra que fiquem mais a vontade, tudo bem? – Melanie disse um pouco desconfortável. Realmente, sentia-se mal por toda a história de Carly e Griffin. Não fez por mal, apenas encantou-se com ele como nunca antes.
— Melanie... – Carly impediu a segurando pelo braço – Está tudo bem. É um momento muito difícil, eu não quero que pense que não pode contar comigo. Além do mais, sei o quanto gosta dele.
Brad não pôde deixar de prestar atenção. Deu um leve sorriso ao ouvir a morena dizer essas palavras. Aquilo o aliviava em muitos sentidos, de certa forma, significava que ela estava deixando o passado um pouco para trás para focar no que eles estavam começando a construir. Ele realmente queria beijá-la pela primeira vez, levá-la a um encontro de verdade quando esse caos desse um pequeno intervalo.
— Me perdoa, Carly. – Melanie disparou – Você é uma garota legal e eu nunca tive a intenção de te magoar.
— Qual é, nos conhecemos a vida toda e sempre fomos iguaizinhas em relação a garotos! Isso é perfeitamente normal de ter acontecido. – a morena descontraiu.
Melanie riu e continuou a olhá-la porque parecia que queria falar mais alguma coisa.
— Não quero te ver indo pra Inglaterra com questões mal resolvidas aqui em Seattle. Por mim, somos amigas.
A gêmea sorriu de leve e abraçou Carly de maneira sincera. Sentiu um alívio e uma boa coisa percorrer seu corpo. Não fazia sentido mesmo brigar por Griffin quando apenas a vida fez seu papel em seguir. O tempo pode curar muitas coisas, mas pode destruir outras também. Apesar de ainda amar o bad-boy como o primeiro amor que ele sempre será em sua vida, preferia estar em paz para seguir em frente.
Sam entrava em casa rindo um pouco do que Freddie estava falando e surpreendeu-se com a sucessão de visões que contemplou. Primeiro, Brad olhava para o chão concentrado bem na mesa de sua cozinha e Melanie e Carly compartilhavam um abraço. Freddie a lançou um olhar um pouco curioso e se preocupou em não fazer barulho para não atrapalhar o momento. Mas, sua loira não era exatamente igual a ele.
— Mas, que cena linda! – gritou Sam brincalhona – E inesperada.
— Pode parar, tá, Sam? – repreendeu Carly – O que aconteceu com vocês? Estão encharcados.
— É, a gente meio que sabe. – comentou Freddie sorrindo.
Carly mostrou a língua a ele em protesto pela ironia.
Existiam sorrisos em todo mundo presente naquele recinto, mas eles foram se desmanchando gradativamente. Igualmente, os cinco sentiram os olhares de Carly e Sam soltarem faíscas de diversos significados. Parecia que a morena podia sentir a dor extrema que os olhos azuis de sua amiga transmitiam. Shay também percebeu que faltava brilho, faltava vida.
Sam passou pelas meninas e sentou-se pesadamente no sofá. As duas acomodaram-se ao seu lado e a confortaram mesmo que a expressão de Samantha fosse apenas vazia. Não sentia vontade de desabar em choro, não tinha nem vontade de deitar-se na cama sozinha pelo resto da semana. Sua mãe ia querer que sua vida continuasse. Sam podia sentir isso.
— Vamos fazer de tudo pra trazer minha mãe a salvo. Todos nós. – ela segurou as mãos de sua irmã e melhor amiga.
— Griffin também vai ficar a salvo. – Carly reforçou.
Freddie arregalou os olhos como sinal para que a garota ainda não falasse a respeito de Griffin, pois Sam ainda não sabia.
— O Griffin está junto? – Sam sentia-se fraca – Freddie?
O nerd ajoelhou na frente de Sam que ainda estava entre as duas meninas. Ele se preparava para dar as notícias que faltavam.
— Eles me ligaram hoje a tarde enquanto eu dirigia. – iniciou – Querem que não envolva polícia e o valor de quinhentos mil para poupar a vida dos dois. Eu quis ouvir as vozes e é verdade. Eles estão em perigo e sabiam que era eu no telefone.
Melanie sentiu um forte de ímpeto de continuar chorando. Carly fechou os olhos em decepção. Sam desejou que a raiva borbulhante que surgia em seu peito parasse imediatamente. Indignava-se e tinha certeza que estava incapacitada de suportar mais um dia vivendo esse pesadelo. Não sabia o que fazer e agora sentia uma maior responsabilidade em seu coração. Griffin era seu amigo mesmo que tivesse milhares de defeitos, ela o amava. Ela sentia sua dor por variadas situações, conectava-se com ele em diferentes níveis. Ela sabia que sua dor havia dobrado, assim como sua cobrança em salvá-los.
— QUINHENTOS MIL? – Carly e Melanie disseram em uníssono.
— Nenhuma vida vale dinheiro. Eu quero que todos esses filhos da puta queimem no quinto dos infernos. – Sam disse e rapidamente levantou-se para subir as escadas rumo ao seu quarto.
Brad aproximou-se da reunião que já havia se formado aquela conversa.
— Se quiserem, eu posso ajudar a rastrear de onde estão vindo essas ligações, assim, vocês resgatam os dois sem precisar pagar essa quantia absurda. Isso é um golpe completamente baixo.
— Eu queria muito, Brad, mas os telefonemas só vêm de número bloqueado.
— Podemos dar um jeito, Benson, reserva um tempo pra eu te mostrar.
Freddie apenas balançou a cabeça assertivamente ainda duvidando dessa possibilidade, mas agora tudo era mais que bem vindo.
—
Griffin arrastava-se pelo cubículo querendo aproximar-se do celular que havia conseguido esconder um pouco atrás de seu corpo. Ele podia sentir tudo doer. Sua lombar podia estar gravemente lesionada, seu rosto sofria de dor imensa pelos socos que Arthur já havia distribuído em seus nariz e queixo. A melhor hora do dia era quando eles ficavam algumas horas sozinhos sem serem punidos por cada coisa que mínima que falassem. Hoje tinha sido difícil ouvir a voz de Freddie e não poder gritar tudo que queriam.
Pam era a mais machucada porque seu corpo é extremamente mais frágil. O fato de estarem comendo sobras nojentas e aproveitando somente o chão para dormir era algo parecido com a própria tortura. A Puckett-mãe sentia-se cada dia mais fraca e tinha medo de que ninguém nunca viesse resgatá-los. Ainda tinha ficado extremamente decepcionada com Griffin por primeiramente ele ter compactuado com esse crime colossal. Eram pensamentos demais para mentes exaustas.
— O que está fazendo? – Pam indagou notando a movimentação frenética do garoto.
Ele tentava mexer as mãos atrás do corpo de maneira vã. Nem a ponta de seus dedos alcançavam o celular, mas ele não queria desistir.
— Vou ligar pro Freddie e dizer onde estamos. Isso precisa acabar logo.
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